Moreira Filho

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O cantor e compositor paraibano Moreira Filho nasceu Itaporanga na região do Vale do Piancó, alto sertão da Paraíba, onde morou ate os 18 anos de idade.

Em 2006 se mudou para Campina Grande – PB para estudar Fisioterapia na UEPB (Universidade Estadual da Paraíba), hoje é formado. A sua primeira experiência musical foi em 2007 cantando no conjunto musical “Rabo de Cuia”, formado universitários. E paralelamente, Moreira Filho continuou a cantar os ritmos regionais como baião, maracatu, xote, frevo, caboclinhos, forrós popularizadas por Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Elba Ramalho, Dominguinhos, Sivuca, Maciel Melo, Pinto de Acordeom, Jacinto Silva, Flávio José e Marinês que foi a sua orientadora musical. O gosto pela música tem como inspiração o solo seco e o clima da vegetação árida do sertão Nordestino. Moreira filho, mesmo jovem, optou em resgatar o melhor da música popular do Nordeste, com novos arranjos e interpretações singulares. Ele é conhecido pela sua performance eletrizante no palco.

O seu segundo CD foi em homenagem a Marinês, a rainha do xaxado. Já dividiu palco com grandes artistas. Sua juventude expressa o que há de melhor no forró pé de serra paraibano.

Segue abaixo uma entrevista exclusiva com Moreira Filho para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa  em 01 de junho de 2013:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Moreira Filho: Eu nasci no dia 15 de janeiro de 1986, na cidade de Itaporanga, no alto sertão da Paraíba, localizada no Vale do Piancó.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Moreira Filho: Foi quando eu fui mora em Campina Grande – PB, cantando no grupo de forro chamado Rabo de Cuia, mas em Itaporanga, eu já me deparava com um cenário regional que fazia com quer eu me inspirasse para escrever minhas primeiras composições.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica (Teórica)?

Moreira Filho: Sou formado no curso de Fisioterapia – UEPB, e pós – graduado na universidade da vida, pois é essa que me dar o maior aprendizado. E que me capacita todos os dias, estou sempre conhecendo pessoas, vivendo novas experiências, aprendendo e aprimorando meu conhecimento em relação à vida. E além da música, eu trabalho como Fisioterapeuta.

04) RM: Quais suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Moreira Filho: No passado foram algumas bandas de forró (Mastruz com Leite, Cavalo de Pau, Magníficos e Limão com Mel) que começaram fazendo uma música boa e depois virou forro de plástico. No início eles gravavam músicas de bons compositores como Marciel Melo, Petrúcio Amorim, Luiz Fideliz, Ilmar Cavalcante, etc. Hoje já não me influenciam mais, porque são todas as mesma porcaria, não cantam mais, apenas fazem barulho em cima de um palco com um monte de bumdas dançado e chamando palavrões. No presente não existe, porque as que são boas; tanto eu sirvo de influencia como também ainda estão me influenciando.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Moreira Filho: Foi em Campina Grande – PB no ano de 2005 para 2006. Eu já tinha saído do sertão com aquela ideia na cabeça de querer ser artista e de poder divulgar minhas composições. E também ser cantor. Iguais aqueles artista que eu escutava através do radio. Nesse mesmo ano alguns amigos, formam um conjunto de forró se espelhando nos grupos de forró universitários na época, como Falamansa, Rastapé, etc. E outros esse tipo de forró estava em alta, e que influenciou e despertou vários jovens para música regional. O que não foi meu caso, mas fui convidado para participar do grupo Rabo de Cuia e aceitei. Eu a oportunidade de colocar em prática meu ofício de cantor e compositor. E foi o que aconteceu, essa experiência foi um grande aprendizado no começo da minha carreira como profissional.

06) RM: Você compõe? Como é o seu processo de compor?

Moreira Filho – Sim. Componho e muito, sempre vem inspiração para poesia, ainda vivo cúmplice das coisas e as causas nordestinas. Eu vivo no sertão, que o cenário ainda é o mesmo de antigamente. E ainda existem alguns costumes que me inspiram a pôr tudo que eu vejo; que sinto e me deparo no papel (poesia). As procissões e novenas, a seca e a falta da água, as retretas nas praças, a coragem do agricultor sertanejo, as quadrilhas juninas, as fogueiras de são João, as nossas comidas típicas, a fartura em nossas mesas, tudo isso é motivo de poesia. Tudo isso me causa inspiração. Fica com aquilo na mente e começo a colocar no papel. Ás vezes eu estou em algum lugar e algo me inspira. E chego em casa e começo a escrever já em forma de poesia e às vezes a música surgi logo ali. E outras vezes, eu vou terminando aos poucos, algumas vezes, eu perco o sentido da poesia e eu mando para alguns amigos para terminar. E eles me mandam de volta já com a melodia, e na maioria das vezes acontece em mesa de bar. Eu sempre estou junto dos meus amigos poetas que são muito e que também me ajuda nas composições, como Ranniery Gomes, Emilianopordeus, entre outros.

07) RM: Quais são seus principais parceiros musicais?

Moreira Filho: Tenho muitos parceiros e grandes amigos no meio artístico musical e todos jovens como eu. Hoje os principais são Ranniery Gomes que mora em Campina GrandeJoão Paulo Aleixo de Monteiro – PBEmiliano Pordeus de Souza – PB, mas também tenho músicas com outros poetas como Eliakin Antas que e cordelista de Princesa IsabelOdoniel Mangueira Júnior de Itaporanga – PB, e outros tantos que estão sempre presentes na minha vida artística e pessoal.

08) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Moreira Filho: Já tenho três CDs lançados o primeiro em 2007 como o Rabo de Cuia, grupo que comecei minha carreira. Um CD com 12 faixas que contatava com as participações de Ton Oliveira, Tony Dummond, Ranniery Gomes , Niedson Lua e Tina Dias. Um CD de forró universitário feito por um grupo de jovem universitário. As duas músicas de destaques: Se você Quiser e Coração Vagabundo, de autoria de Niedson Lua que os jovens aqui na Paraíba cantam até hoje. Em 2011 gravei meu segundo CD em homenagem a cantora Marines. São 14 faixas, sendo 13 regravações de grande sucesso na carreira da cantora e uma inédita intitulada Rainha do Xaxado composta pelo cantor e compositor Amazan, ele ressalta a vida e a obra de Marinês. Uma canção belíssima que ele fez para que eu pudesse gravar. Hoje é uma das músicas mais tocadas nas rádios. O CD ainda conta com as participações de Biliu de Campina, Amazan, Ranniery Gomes e Celso Othon (filho mais novo da cantora). Em Maio de 2013 lancei o CD – Pra Machucar um Coração, o título é o nome da música que o poeta Ilmar Cavalcante de Monteiro-PB, são 18 músicas, 9 são de minha autoria e 9 regravações de sucessos. E tem o mesmo intuito que os outros, que é divulgar a cultura nordestina!

09) RM: O que fez você escolher o Forró como estilo musical?

Moreira Filho: A minha origem nordestina e as tradições e os costumes que vivencio desde que nasci. Tudo fazem parte da minha constituição como pessoa e estão dentro de minha alma e não sai mais nunca. É uma coisa que vai permanecer comigo pelo resto da minha vida.

10) RM: Fale do seu contato pessoal e profissional com a Marinês.

Moreira Filho: Meu contato pessoal foi através do filho dela o Celso que era meu amigo acadêmico, ele estudava comigo no curso de Fisioterapia – UEPB. Nós morávamos no mesmo bairro Alto Branco, em Campina Grande. E fazíamos muitos trabalhos extraclasses juntos por moramos perto. E freqüentando seu apartamento para estudar e conheci Marinês, me deparei com a cultura nordestina em pessoa. Ela me incentivou a cantar e colocar todos meus sonhos em práticas. Ela sabia do meu gosto musical, de minha história e de minha vontade de ser artista. Ela sabia muito de minha vida, ir ela já me dizia “Moreira Filho, siga em frente, você irá longe. Você é sertanejo é um forte. Eu confio e acredito na força do povo sertanejo, porque também sou uma guerreira”. Ela me dizia sempre a mesma frase, que eu nunca esquecerei Que o Sertão é um livro aberto e que qualquer pessoa pode estudar. Lembro-me sempre emocionado. O meu contato profissional foi muito pequeno porque quando a conheci estava ainda começando a cantar. E ela veio há falecer pouco tempo depois, mas ela jé me incentivava para que eu continuasse meu trabalho musical. Posso dizer sem ter medo de errar que eu fui o aluno mais aplicado da grande cantora e professora Marinês.

11) RM: O que lhe motivou fazer um CD em Homenagem a Marinês?

Moreira Filho: Primeiro foi pela sua história musical que até hoje é de grande importância para música brasileira. Marinês foi a primeira mulher a colocar o chapéu de coura e um gibão de vaqueiro e levar o nome da Paraíba e do nordeste para todo o Brasil. Ela assim que Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro foram e são os únicos artistas nordestinos dignos de receber títulos de reis. O resto são todos são aprendizes e seus seguidores. E depois por ter a conhecido pessoalmente e ter sido amigo dela, devia a ela esta homenagem que é mais do que justa.

12) RM: Fale do seu contato pessoal e profissional com Biliu de Campina.

Moreira Filho – Meu contato pessoal com o Billiu de Campina é de sempre encontrar com ele no Calçadão (é um tipo de escritório a céu aberto para alguns músicos no centro Campina Grande) ou na Praça da Bandeira (a filial do escritório do Calçadão). E sentamos e conversamos e trocamos experiência musical. Ele gosta de conversa comigo. Ele diz que me admira por ser um jovem que não se vendeu ao modismo barato. E pôr não cantar esses forrós sempre pé nem cabeça, se referindo aos jovens que embalados pelas bandas de forró de hoje em dia. Ele é um grande artista e defensor cultural. Já vivenciei grande experiência musical com ele na gravação de alguns programas de TV e outra foi na gravação de meu CD em Homenagem a Marinês, em que ele participou em uma das faixas.

13) RM: Fale do seu contato pessoal e profissional com Amazan.

Moreira Filho: Meu contato pessoal com Amazan é muito pouco. Ele é um artista muito ocupado, além de músico que esta sempre nos palcos se apresentando. Ele também apresentar um programa de Televisão aqui na Paraíba. Ele é empresário de uma fábrica de Acordeom. Mas, ele é um grande incentivador cultural e amigo. E compôs Rainha do Nordeste, uma homenagem a Marinês, para eu gravar e participou comigo da gravação. É uma música muito divulgada nas emissoras de rádios na Paraíba.

14) RM: Como é o reconhecimento do seu trabalho musical em Itaporanga – PB (a sua cidade natal)?

Moreira Filho: É interessante e engraçado. Eu fui e sou alvo de muitas críticas e até mesmo motivo de piadas feitas por alguns amigos que não sabem e não conhecem o que realmente é a cultura nordestina. Alguns só gostam mesmo é dessas bandas de forró estilizado (em que se destacam a Bateria, a Guitarra e o Teclado) que os instigam a pularem e beberem sem saber o que estar escutando. Esses forrós para eles é o que valem por na moda, Mas tem quem goste muito do meu trabalho musical, que é o Pé de Serra e sou muito convidado para divulga meu trabalho nas escolas em  homenagem a minha pessoa e isso é muito bom para mim me incentiva para eu da continuidade ao meu trabalho.

15) RM: Como é o reconhecimento do seu trabalho musical em Campina Grande – PB?

Moreira Filho: Já é um trabalho mais divulgado, é uma obra premiada. E recebo muitos convites de Rádios e de Televisão, eles acham interessante um jovem de 26 anos idade com a responsabilidade com a divulgação da cultura nordestina. Eu nunca me esforço para que a coisa aconteça. Eu apenas faço o que eu gosto.

16) RM: Nos apresente a cena do Forró na Paraíba?

Moreira Filho: Estar melhorando aos poucos depois que Chico César assumiu a secretaria de cultura do Estado. E o negocio está mais organizado. O forró Pé de Serra está tendo mais oportunidade. E o Chico César é muito inteligente e estar fazendo a coisa acontecer como era para ser feito ha muito tempo. Ele não usa o dinheiro do Estado para patrocinar o forró estilizado das bandas – empresa (O forró de plástico) nem de cantores sertanejos (que já tem patrocino empresarial). E é uma postura certa e uma grande conquista para nós forrozeiro ter uma pessoa como Chico César a frente de uma secretaria de cultura do Estado. Mas os forrozeiros temos que ser organizarmos melhor e sermos mais amigos uns dos outros, divulgar os projetos dos mágicos também como acontece no Pernambuco la ele tem a sociedade de forrozeiros é de serra e la eles se confraternizam e convidam os outros amigos forrozeiros para participarem de seus trabalhos como forma de divulga o colega seja ele famoso ou anônimo e o que venho tentando fazer sozinho ate hoje e espero um dia também chega minha vez de ser convidado.

17) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora  você indica como uma boa opção?

Moreira Filho: Em Itaporanga – PB eu gosto muito do Clã Brasil e de Saulo Lacerda que é um grande cantor e poeta em Campina Grande. Admiro muito o Biliu de CampinaSandra BellerNiedson LuaRanniery Gomes e tantos outros desde que fazem a coisa com responsabilidade.

18) RM: Você estudou técnica vocal?

Moreira Filho: Nunca estudei. A única coisa que fiz foi fonoterapia, pois tenho um problema de dicção. E às vezes falo muito rápido. E na fonoterapia realizava muitos exercícios respiratórios; o que ajuda muita na hora de cantar.

19) RM: Você toca o Acordeom (Sanfona)?

Moreira Filho: Eu já tive vontade de aprender e até tentei. Mas como sou hiperativo, não consigo coordenar os movimentos finos das duas mãos. Por isso, não consigo, tocar instrumento musical nenhum!

20) RM: Tocando o Acordeom você seria metade de um Trio de Forró. Não vale apena treinar a sua falta de coordenação?

Moreira Filho: Sim. Todos os cantores que toca um instrumento de harmonia são três em um. Eu aos poucos vou treinando minha coordenação e movimentos finos. E a música tem me ajudado muito em relação esse desafio pessoal.

21) RM: Mas tocar um instrumento de harmonia (Violão, Teclado, Acordeom) lhe ajudaria na função de cantor?

Moreira Filho: Sim. Ajudaria muito, pois uma vez que se toca um instrumento, fica muito fácil cantar sem precisar pedir o tom aos músicos que me acompanha.

22) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Moreira Filho: Eu gosto muito de Marinês e da Elba Ramalho tenho muitas coisas delas em discos, CDs e DVDs, como escuto e gosto também de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Jacinto Silva, Petrúcio Amorim, Acioly Neto e tantos outros que fazem o forró verdadeiro! Mas nunca deixei de escutar Chico Buarque, Gilberto Gil, Zé Ramalho, Alceu Valença, Fagner, Belchior e outros clássicos da MPB.

23) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Moreira Filho: Os contras são os muitos gastos e o músico tem que resolver tudo sozinho. E tentar vencer a concorrência das feras que tem grandes empresários e literalmente não deixam nenhuma fatia do mercado. Tem que ser muito bom, ter muita fé em Deus e correr a traz sempre. O prol é que de muito cansaço acaba dando tudo certo.

24) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Moreira Filho: Quando eu subo no palco para cantar, eu sou o artista, tento ser muito profissional, mas por traz de tudo aquilo ali sou uma pessoa normal, alegre, brincalhona, que transmito alegria a todos que estão ao meu redor. Não sei o que é ter maldade. E tenho um coração enorme e puro e muito gente percebe isso. E que as vezes se torna meu diferencial.

25) RM: Quais as ações empreendedora que você prática para desenvolver sua carreira?

Moreira Filho: Não desenvolvo nenhuma estratégia. Gravo e espero a coisa acontecer. E sempre me destaco, por ser jovem, ter um rostinho bonito. E faço um forró de qualidade.

26) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Moreira Filho: Não prejudica em nada pelo contrario. Hoje é o maior veículo de divulgação que nós temos. E através da internet que os artistas, como eu; usa como ferramenta para concorrer e bate de frente com os grandes empresários do mercado musical.

27) RM: Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso a tecnologia  de gravação (home Studio)?

Moreira Filho: A desvantagem é que a cada dia surge um monte de bandas de forró deformando a nossa música regional. Como diz o Biliu de Campina, uns travestis de forrozeiros, fazendo forró à força, dizendo que estão dando uma força para o forró. Não vejo vantagem nenhuma; a não ser a rapidez de como a coisa acontece.

28) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje grande não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para ser diferencia dentro do seu nicho musical?

Moreira Filho: Como já falei, faço o que quase ninguém faz; uma música de qualidade. Eu não me vejo disputando nem muito menos competido com quem canta forró “putaria”, pois essas bandas de forró de plástico já concorrem entre si.  A música que faço hoje se perpetua por vários e vários anos por ter conteúdo. Eu transmito uma mensagem e um sentimento que ficará para sempre.

29) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Moreira Filho: A nível nacional o Dominguinhos, Elba Ramalho, Genival Lacerda continuam tendo espaço na mídia. E aqui no nordeste Flávio JoséSantana cantadorAlcimar MonteiroJorge de Altinho ainda permanecem por que são donos de muitos sucessos. Mas também existiram outros que lotavam praças públicas que tiverem e tem muito sucesso, mas que não conseguem mais fazer o que faziam antes como Assisão, Novinho da Paraíba e entre outros.

30) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Moreira Filho: Dominguinhos, Elba Ramalho, Genival Lacerda, Flávio JoséSantana cantadorAlcimar MonteiroJorge de Altinho

31) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Moreira Filho: Já passei por muitas situações. Já vendi rifas para comprar meus primeiros instrumentos musicais. Já toquei muito de graça só para divulgar meu trabalho. Já carreguei muito um zabumba na cabeça no meio da feira de Campina Grande onde eu sempre me apresentava. Já sentir o peso de uma sanfona nas costa subindo as ladeiras de Campina Grande; porque o sanfoneiro era metido à estrela, e eu ainda estava começando. Recebia muita cantada por bilhete quando estava no palco, eu pensava que era um pedido de música. Mas na verdade o que queriam mesmo era o número de meu celular. Eu penei, mas aqui cheguei e posso ir mais longe. Mas todo o esforço é recompensado. No meio das flores também têm espinhos.

32) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Moreira Filho: O que me deixa feliz é o reconhecimento de meu trabalho como artista e poder fazer aquilo que gosto. E saber que também faço parte do acervo dos grandes forrozeiros da música nordestina. Tenho muitos amigos no meio artístico regional e alguns que posso chamar até de irmãos. O que me deixa triste são alguns cantores e compositores que começaram há mais tempo e que tem um trabalho mais divulgado e reconhecido desmerecer o trabalho de quem está começando. Como aconteceu comigo ano passado quando recebi um telefonema de Cecéu esposa de Antonio Barros, me cobrando os direitos autorais de quatros músicas que são da autoria do casal, que gravei no meu disco em homenagem a Marinês. Ela usou palavras grosseiras, desmerecendo meu trabalho, isso me deixou muito triste. Mas como falei tenho um grande amigo que também tem o seu trabalho reconhecido que me disse ter passado pela mesma situação que passei como a mesma pessoa. E ainda acrescentou o que eu já sabia e que todos nós sabemos a Cecéu esta acabando com a obra de Antonio Barros, por não permitir que outros artistas gravem as músicas de autoria do casal sem uma autorização legal e sem pagar os direitos autorais. E Cecéu não é compositora, ela ganha a parceria de Antonio Barro. Mas continuo gravando as músicas regionais que eu acho que servem para a contribuição e divulgação da música nordestina; seja ela de quem for à autoria.

33) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Moreira Filho: Sim. Já são tocadas. Mas se precisar pagar o jabá e eu achar que é necessário e que vai influenciar de alguma maneira, eu pago.

34) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Moreira Filho: Que é um meio muito perigoso e que mexe com a estrutura da gente. Você tem que fazer algo que se identifique. E que tenha conteúdo, qualidade ou então não invente. E como diz ditado: quem não pode como o pote não pegue na rodilha.

35) RM: Fale da importância do músico utilizar os projetos de lei de incentivo a cultura.

Moreira Filho: É muito importante para os músicos a lei de incentivo para divulgar mais ainda a sua arte. E importante fazer um projeto bem elaborado, pois eles empregam muito bem o dinheiro destinado a cultura.

36) RM: Você já teve projetos aprovados pela lei de incentivo a cultura?

Moreira Filho: Sim. Aprovei três projetos. O primeiro foi o CD com o grupo Rabo de Cuia.  Foi a minha primeira experiência musical em estúdio e foi aprovado pelo FUMIC (Fundo Municipal da Prefeitura de Campina Grande). O outro é o CD autoral. Um projeto aprovado pela rede Globo Nordeste. E o terceiro estar em andamento é um tributo aos Três do Nordeste que foi aprovado recentemente pelo FIC Augusto dos Anjos (Fundo de incentivo a cultura do Estado da Paraíba).

34) RM: Quais os seus projetos futuros?

Moreira Filho: São muitos. Esse tributo aos Três do Nordeste é um projeto futuro. E a gravação de um DVD que penso em gravar em breve.

37) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Moreira Filho: (83) 99915 – 4615 | [email protected] |  https://www.facebook.com/moreira.filho.7  


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.