Marinês

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Marinês
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Conheci pessoalmente a cantora Marinês em julho de 2004. Foi uma das mais emocionantes entrevistas que fiz para a Ritmo Melodia nos seus três anos de existência.

Eu nutria uma admiração pela artista e aumentou com admiração pela pessoa. Uma pessoa despojada, de temperamento forte e franqueza ácida, o que faz muitas pessoas que vivem de aparência chamá-la de “pavio curto e sem papas na língua”. Conheci a Marinês fazendo a comida e servido a mesa para seu filho Celso e a esse jovem jornalista, que nutria uma simpatia à primeira vista.

Ela nasceu Pernambuco e ainda criança passou a morar em Campina Grande – PB. Aos dez anos de idade participou de um programa de calouros em uma Rádio de Campina Grande ganhando o primeiro lugar. Casou-se com o sanfoneiro Abdias e pegou as estradas do nordeste cantando Forró. Nessas andanças conheceu Luiz Gonzaga que já fazia sucesso na região e recebeu dele o convite para trabalhar no Rio de Janeiro. Acreditou no sonho e no padrinho famoso partindo com Abdias para a cidade maravilhosa e foram morar nos fundos da casa do rei do Baião. Gravou o primeiro disco nos anos 60 e passou a ser a Rainha do Xaxado, título dado pelo próprio Gonzagão. São mais de 50 anos de carreira, muitos sucessos na lembrança do povo e muitas festas juninas e festa de Forró no currículo. Uma escorpiana nata que não manda recado, fala na lata o que pensa. Quem a trata bem e respeita sua pessoa e sua obra tem uma fiel escudeira, mas se a trata mal tem todo o veneno do seu ferrão.

Ela voltou à Campina Grande em 2002 para que seu filho Celso conclui-se o curso de Fisioterapia. Mas vive como se morasse bem longe, recebe poucas homenagens, mesmo tendo contribuindo para música e a cultura nordestina. Vive o velho dilema e sina dos profetas e poetas que se tornam “lugar comum”  em sua terra natal. Longe dos grandes centros não recebe convites para programas de TV de grande audiência, mesmo o Forró estando tão badalado nos últimos anos. E são poucos os eventos públicos e privados que a contratam para apresentar seu ofício. O ditado: Casa de ferreiro, espeto de pau, que não seja a sina da diva da música nordestina. Ela está de volta para o aconchego (O Nordeste) e mora na cidade que é conhecida por fazer o Maior São João do Mundo. Será que faz parte da nossa cultura não respeita nem valorizar aqueles que contribuíram com seu ofício para o crescimento cultural do país. Até quando vamos viver no ciclo da laranja, que dá o suco e sobra o bagaço. É muito importante lembrar de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, mas é igualmente lamentável esquecer de Marinês e muitos que continuam representando a história da música nordestina.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Marinês para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa 15.11.2005:

01) Ritmo Melodia: Marinês, fale do seu primeiro contato com a música.

Marinês: Eu era bem criança, ainda andava de calcinha pela rua. Ouvia Emilinha Borba, cantando “Assim se passaram dez anos” e ouvia as músicas de Luiz Gonzaga em baixo dos alto falantes de circos, como a música “Juazeiro”. E aos dez anos participei de um programa de calouro na rádio Cariri que ficava na rua João Pessoa – Centro – Campina Grande – PB. E Genival Lacerda que tinha a mesma idade, estava participando também. Ele ganhou o prêmio na categoria masculina cantando um Coco e eu ganhei cantando “Assim se passaram dez anos”.  

02) RM: Fale de sua origem de nascimento.

Marinês: Meu pai Manoel Caetano e minha mãe José Maria de Oliveira são pernambucanos (Já falecidos). E Morávamos na divisa de Pernambuco e Paraíba. Nasci do lado de Pernambuco, em São Vicente Férreas no dia 15 de novembro, mas fui registrada no dia 16. Quando tinha 4 anos de idade, meu pai era delegado e foi transferido para  Campina Grande, fiquei até ir morar no Rio de Janeiro. E atualmente (2005) moro em Campina Grande.

03) RM: Fale do seu início da carreira musical junto com esposo Abdias. 

Marinês: Depois de casada com Abdias, formamos um trio, Eu cantando, Abdias tocando sanfona e um zabumbeiro. E nos anos 50 saímos pelo nordeste fazendo show cantando o repertório de Luiz Gonzaga, enfrentando as dificuldades da estrada, dormindo em pousadas, empurrando carro quebrado, mas foi muito bom, gosto da estrada, sou estradeira mesmo.

04) RM: Fale do primeiro contato pessoal e profissional com Luiz Gonzaga.

Marinês: Eu e Abdias estávamos fazendo um show em Propriá – SE e o prefeito que nos contratou falou que iriam colocar um busto em homenagem a Luiz Gonzaga. E ele já sabia de informações que tinha uma caboclinha cantando o repertório dele e com a vestimenta dele. E formos apresentados e ele assistiu nosso trio tocar. E disse para nós irmos para o Rio de Janeiro que ele tinha gostado da apresentação do trio e iria fazer tudo para nos ajudar. Ele estava em uma excussão pelo nordeste. Então viajamos para o Rio e ficamos na casa de uma conhecida de minha mãe, porque não conhecíamos a cidade e não tínhamos dinheiro para ficar em Hotel ou Pousada. Quando ele chegou da excussão, ligamos para ele e formos morar em um apartamento que tinha nos fundos da casa dele.

05) RM: Fale do primeiro disco gravado e o surgimento de Marinês e sua Gente.

Marinês – Eu e Abdias tocávamos no grupo de Luiz Gonzaga. Eu tocava triangulo, cantava algumas músicas e xaxava e Abdias acompanhava GonzagaZito Borborema, que também fazia parte do grupo. E foi através de Gonzaga conheci João do Vale no programa de rádio da Tupi Calidoscópio, apresentado por Carlos Frias. Já o diretor da orquestra da rádio nacional Luiz Bitencourt me ouviu cantar, gostou e me convidou para gravar um Long play com duas músicas escolhida por ele, que eram composições do João do Vale: “Peba na pimenta” e “Pisa na Fulô” e as outras de minha escolha. Essas duas fizeram sucesso e fui convidada pela TV Tupi para apresentar um programa e Chacrinha apresentaria outro. Na escolha do nome do meu programa o Chacrinha sugeriu Marinês e sua Gente, se referindo ao meu grupo, mas aceite o nome Marinês e sua Gente, porém se referindo ao meu público.

06) RM: Fale dos seu principais sucessos.

Marinês: Gravei muitas composições por Onildo Almeida, João do Vale: Peba na pimenta e Pisa na Fulô. Gravei músicas de Antonio Barros (Só gosto de Tudo Grande, Por debaixo do pano), Anastácia e Dominguinhos (Só Quero um xodó), Piriri, pirila. De Rosil Cavalcanti (Meu Cariri, Aquarela Nordestina).

07) RM: Fale da sua vivência no Rio de Janeiro,

Marinês: Eu sou nordestina, sou paraibana de Pernambuco ou pernambucana da Paraíba (Como queiram dizer). Mas vou lhe dizer uma coisa, sinto muitas saudades do Rio de Janeiro. Tive grandes momentos felizes lá e me colocou em uma vitrine com os primeiros trabalhos. E público do Rio foi quem elevou ao sucesso. Meu filho Marcos Farias nasceu lá, isso já um grande acontecimento para mim. Se não fosse infelizmente à violência urbana, eu moraria lá.

08) RM: Fale de sua relação amorosa e profissional com Abdias.

Marinês: Olha, em relação ao meu marido Abdias. Dois artistas no palco é meu constrangedor. Não que eu quisesse ser melhor do que ele. Mas ele como marido, nordestino, homem do interior, ele tinha umas opiniões que não casavam muito com as minhas.  Foi confusa nossa convivência até certo ponto. Então resolvemos cada um seguir a sua própria vida e seu destino para sermos felizes os dois e amigos por o resto da vida. Eu tinha Abdias com irmão, o respeitava como profissional. Ele foi um grande profissional como músico e como produtor. Ele produziu pela CBS – Música Regional, Jackson do PandeiroTrio Nordestino, Três do Nordeste, Marinês, dentre outros. Vivemos por 18 anos e depois cada um seguiu a sua carreira. Ele me deixou um filho maravilho (Marcos Farias) que hoje dirige meu trabalho.

09) RM: Fale da relação com Rosil Cavalcanti e Zito Borborema.

Marinês: Eu me criei e comecei cantando em Campina Grande – PB. E Rosil Cavalcanti era um pernambucano que trabalhava na rádio Cariri e depois na Borborema. Nossa convivência foi grande porque trabalhei também nessas duas rádios locais. Ele grande compositor, homem nordestino de respeito com todas as qualidades de um nordestino macho. E com Zito Borborema convivi profissionalmente quando tocávamos juntos no grupo de Luiz Gonzaga. Meu ex- marido  Abdias teve mais relacionamento profissional e pessoal com ele.

10) RM: Fale da relação com os Forrozeiros das antigas e atuais.

Marinês: Eu sempre fui admiradora de todos eles. Por que cantam bem e cantam forró e estamos no mesmo barco somando. O Forró está evoluindo e tomando conta do Brasil. E Luiz Gonzaga chamava São Paulo como capital do Forró pela grande quantidade de casas de Forró e pelo grande número de migrante nordestino cultivando sua cultura e costumes. E no Rio de Janeiro está expandindo o espaço para a música nordestina. E nordeste no período junino todos os forrozeiros se espalhavam e trabalhavam. Uns já conhecidos e outros chegando para mostrar seu trabalho e todo mundo ganha seu dinheiro. Mas os novos forrozeiros poucos vem me visitar, o motivo não sei. Pode ser por receio de não ser bem recebido. Mas os que me procuram eu dou uma força muito grande e recentemente participei de 5 CDs de novos forrozeiros. E o que posso fazer como cantora, que é cantar.

11) RM: Comente sobre as bandas de Forró e Grupos de Forró formado por Universitário.

Marinês: Olha, não sou contra a nada, só sou contra o escândalo. Desde que não precise mostrar suas partes íntimas no palco. Mas se a cantora tiver boa voz, a banda com bom repertório e músicos terá seu trabalho reconhecido. Mas tem espaço para todo mundo, quem gosta de Marinês, Anastácia e Domingos não vai deixar de gostar. Mas os jovens se encantam pelo dotes físicos dos artistas e a parte musical fica em segundo plano. Eu aceito o termo Forró feito por Universitário e não Universitário. Porque o Forró nunca foi burro. E Luiz Gonzaga, quem plantou a semente do Forró, não tinha formação acadêmica, era um produto do meio com uma vivência extraordinária e tinha um espírito iluminado. Nasceu para ser artistas e nunca será superado.

12 -) RM – Em sua opinião qual o futuro do Forró?

Marinês – Falar do futuro é uma coisa tão séria (Risos). O futuro é algo nebuloso, né. Conversando com Gilberto Gil, falei que não sabia onde o Forró iria parar com sua evolução. E ele que sempre foi admirador e incentivador da música nordestina e fã do nordestino e de Luiz Gonzaga, como ministro da cultura não esqueça de incentivar nossa música e que ele faça algum projeto de forma concreta para beneficio da música regional.

13) RM: Comente sobre os estereótipos sobre a música e músicos nordestinos que atingem os jovens.

Marinês: Por falta de formação e conhecimento dos jovens sobre a cultura nordestina. E desconhecem quem foi Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e muitos outros. Nós que convivemos com eles é que sabemos quem era eles e a importância da obras dos mesmos. E por esse motivo os jovens que tocam o Forró no sudeste estão fazendo o pé de serra. E com a denominação de Forró Universitário já é uma forma de discriminação, como se por serem universitários (Não virem da roça) são superiores aos forrozeiros tradicionais. E os jovens que dançam nos salão do sudeste por acharem menos complicados. É a mesma situação dos trabalhos das bandas de Forró que se preocupam em impressionar pela produção. É diferente um artista se mostrar e outro cantar.

15) RM: Fale do orgulho de ser nordestina e ser cantora de Forró.

Marinês: É uma profissão com a mesma dignidade e meio de sobrevivência de outras profissões. Existe o profissional e o que quer ser. Eu sou uma profissional, onde for o show, chego lá, seja de carro, avião ou jegue. Eu adoro em estar no palco, foi uma dádiva que Deus me deu. Não saio dizendo que sou Rainha do Forró, se fosse explorar seria Rainha do Xaxado, que foi Luiz Gonzaga me homenageou. E não saio dizendo isso, dizem e apenas concordo. O importante não é o trono de Rainha, mas subir no palco e abrir o gogó. Então é um orgulho e honra de cantar as belezas, costumes e necessidades do nordestino. Eu me alugo para fazer o show, ninguém me compra. Pagam os meus serviços prestados.

16) RM: Comente sobre o desejo de participar do Programa do Ratinho (Carlos Massa).

Marinês: Eu batalho para ir ao programa do Ratinho, no SBT, mas nunca fui chamada. E independente de ir ou não ir eu gosto do programa dele por ser diferente e alegre. E já mandaram e-mail para ele e pedi para um amigo levar ao escritório do Ratinho o meu CD – Cantando com o Coração. Vejo que muitas cantoras do rádio e da Jovem Guarda se apresentaram, mas eu nunca fui. E seria muito se apresentar em programa popular para as pessoas onde não faço shows saber que estou viva e atuante.

17) RM: Comente sobre o seu acervo e seu livro biográfico.

Marinês: Olha não gosto do termo museu, mas um acervo quem sabe, mas isso é coisa para ser resolvido pelos filhos. Enquanto estive viva me sinto mais à vontade para falar sobre minha trajetória. Um livro seria mais adequado e já tem pessoas encampando esse trabalho. E gostaria que a pessoa que escrevesse sobre minha vida seria como o que foi feito pela francesa Dominique que escreveu sobre Luiz Gonzaga, que em minha opinião é o melhor livro escrito sobre ele. Tem que ser uma pessoa que acompanhe meu dia a dia e que conte toda a verdade sobre minha trajetória. E um livro tem que registrar tudo com verdade.

18) RM: Fale de sua relação pessoal e profissional de Anastácia.

Marinês: A minha relação com a cantora e compositora Anastácia começou pela parte profissional quando comecei gravar suas composições feitas em parceria com Dominguinhos. E ao passar dos anos nos aproximando mais e nossa relação ficou mais familiar. Já me hospedei na sua casa em São Paulo. Uma pernambucana como eu. Ela admira meu trabalho e achava muito interessante o meu chapéu de couro. E dizia que o chapéu de corou só fica bem na minha cabeça (risos). Ela é uma pessoa pé no chão, bem realista e uma nordestina autêntica.

19) RM: Fale de sua relação pessoal com Elba Ramalho.

Marinês: Minha convivência pessoal com Elba não é muito grande. Meu filho Marcos Farias tocou sanfona para ela por 11 anos. E só fui uma vez na casa dela quando fui homenageada por ela, pelos meus 50 anos de carreira em um show no Canecão. Achei isso muito generoso da parte dela. E a sensibilidade artística dela de falar que meu trabalho influenciou a carreira dela. Esse reconhecimento foi muito importante para mim. Somos comadres, porque ela batizou uma menina que eu criava. Mas não temo papos mais íntimos. Defino pela sua espiritualidade e inteligência. Ela musicalmente começou se arrastando e evoluiu muito ao passar dos anos. Como ela já declarou um dia, ela foi se chegando como não queria chegar, mas chegou.

20) RM: Incomoda o que as pessoas falam sobre o seu temperamento pessoal e profissional.

Marinês: Falam muito, mas você pensa que eu dou ouvido. Eu estou pouco me lixando do que as pessoas acham ou deixam de achar. Nunca dei importância para isso. Eu moro a três anos em Campina Grande e muitas pessoas se espanta ao me ver. Perguntam se estou morando ou se estou só passando uns dias. Isso porque vivo discretamente, só saio do meu apartamento para fazer alguma coisa importante ou cotidiana. Não sei da vida dos meus vizinhos, só conheço meu vizinho da frente porque é meu cardiologista. Sou muito na minha. E se alguém diz isso ou aquilo de mim, eu acho é bom. Se as pessoas não cultivarem dúvidas e expectativas sobre o artista, ele perde a graça e o encanto. Comigo é fogo ou água. Eu vivo a minha vida e cada um viva a própria vida. Eu só falo da minha vida profissional. E se perguntam sobre minha vida íntima, como porque não quis mais casar. Digo que da minha mesa falo tudo e da minha cama só cabe a mim. Não sou fã nem amiga de artista. Sou fã e amiga de gente de qualidade e de bom caráter.

21) RM: Qual a sua opinião sobre o mercado fonográfico?

Marinês: Nunca fui grande vendedora de disco. Vejo hoje em dia as pessoas venderem milhões de discos com uma facilidade duvidosa. Porque os discos estão na mão da pirataria. Eu vejo muitos artistas reclamando e partiram para o trabalho independente. E são artistas de MPB, não é só realidade dos forrozeiros. Já que me deram à liberdade de fazer o meu produto de sobrevivência que eu pensava que era complicado e não é. Eu produzo meus discos e vendo-os nos meus shows ou pelo telefone e distribuo para lojistas. No final das contas vou vender aquilo que a gravadora falava que eu vendia.

22) RM: Fale sobre seu filho Marcos Farias.

Marinês: Marcos Farias é meu filho com Abdias. Hoje mora em Fortaleza – CE e já moro por anos em Brasília – DF. É um maestro, excelente instrumentista, sanfoneiro e produtor de discos, já trabalhou como produtor na CBS (Sony). Trabalho como sanfoneiro para Elba Ramalho. Ele montou seu estúdio de gravação e está produzindo vários artistas independentes. Depois de eu pedir e insistir muito ele está gravando seu trabalho autoral. Ele sempre argumentava que não tinha gravado ainda seu CD, dizendo: `A senhora que arrasta todo o pessoal nas suas costas e não é reconhecida, ninguém lhe convida para divulgar seu CD em programas de TV e Rádio. Ele é que não vai se desgastar em gravar um CD. Mas por insistir muito, ele é um bom cantor, maestro e tem experiência em estúdio. Ele está fazendo a gravação do seu primeiro CD.

23) RM: Fale sobre a falta de unidade e organização entre os forrozeiros.

Marinês: Eu nem sei. É uma coisa tão difícil de dizer. Se um artista já conquistou um espaço amplo de destaque, não custa nada em ajudar um novo artista. Só assim podemos manter o Forró em alta. Somos uma família e uma grande nação. A união faz a força. E cada um vai mostrando seu talento e conquistando seu próprio espaço. Luiz Gonzaga deixou a fruta, porque só um ou outro como dos frutos. A Bahia é um bom exemplo, com Ivete Sangalo dando espaço nos seus shows para Margaret Menezes. Margaret com muitos anos de carreira agora está tendo mais visibilidade por está participando dos shows de Ivete. Quem alcançou a fama tem obrigação de mostrar os novos talentos e depois cada um vai andar com as próprias pernas e talento.

24) RM: Marinês por Marinês?

Marinês: Sou uma pessoa comum e singular. Na me aproveito desse nome lutado e trabalhado ao longo dos 50 anos de carreira. Gosto de receber elogios sinceros. Vivo uma vida normal, como o que todo mundo come. Quando não tenho empregada, vou para cozinha. Dou prioridade à família (Filhos, irmãos e país) e estou sempre juntos deles como galinha e seus pintos. Quando me aborrecem, se eu puder na hora dissolver o coagulo, dissolvo para não ficar engasgada. Mas muitas vezes engulo sapo para não passar por mal educada, não ser cem por cento nordestina. Visito com freqüência em Campina GrandeDr. José Leite na sua reunião com a família e juventude, Dona Quiminha, que é mãe de Dr. Fernando Desterro, uma amiga no bairro de José Pinheiro e um amigo que é da mesma idade e que faz aniversario no mesmo dia e mês. Nasci em 15 de Novembro, por ser feriado, meu pai me registrou como nascendo no dia 16. Em dezembro faço doações para entidades de assistência social. Levei algumas cestas básicas para famílias que trabalham no Lixão em Campina Grande, não tinha cestas para todo mundo e passei um sufoco. Sou espírita e acredito muito em outra vida após a morte (Se só existisse essa não valia apena). Não choro quando morre alguém. Minha mãe morreu e só chorei depois de dois meses com muita saudade dela. Ela era uma pessoa com quem eu conversava muito. Vivo em Campina Grande com meu filho mais novo, Celso. Eu fico muito sozinha em casa e isso não me faz bem. Sou acostumada em viajar e viver na estrada fazendo shows em contato com o público. Ficar dentro de casa não tem nada haver comigo.

25) RM: A cidadã Inês falando sobre a artista Marinês.

Marinês: Marinês artista sobe no palco como profissional e procuro fazer o melhor. É o marido que conheço, faço todos os carinhos possíveis tanto para quem está no palco comigo (Os músicos) quanto ao público que está me vendo, que são meus artistas. Um dia quando for desse mundo para outro… Vou sentir muita saudade do meu público.

PS – Inês Caetano de Oliveira, faleceu dia 14/05/2007 no Hospital Português, em Recife (PE), aos 71 anos. Ela havia sofrido um AVC (acidente vascular cerebral) no começo do mês, em Caruaru (PE). Mas a obra da cantora Marinês é Eterna.

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.