Dominguinhos

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O sanfoneiro, compositor e cantor pernambucano Dominguinhos absorveu as influencias dos mestres da música nordestina. Desde seu padrinho musical e de casamento, o rei do Baião Luiz Gonzaga aos sanfoneiros dedos de ouro do nordeste. Dividi com Oswaldinho do Acordeon e Sivuca o mérito de serem os melhores e mais famosos sanfoneiros.

Dominguinhos é presença garantida em vários CDs de artistas brasileiros e compositor com parceiros ilustres como: Anastácia (260 músicas compostas), Gilberto Gil, Chico Buarque, Fausto Nilo, Nando Cordel e muitos outros. Músicas que são sucessos eternos como: “Eu Só quero um Xodó”, “Tenho Cede”, “Abri a Porta”, “De Volta para o Aconchego”, “Tantas Palavras”, “Isso Aqui Ta Bom Demais”, “Eu Me Lembro’, “As Pedras Cantam” e etc.

Fala do trabalho desse pernambucano que começou a vida profissional como os irmãos: Moraes e Valdomiro, formando um Trio mirim, Os Três Pinguins que encantou o rei do baião Luiz Gonzaga. Dominguinhos é um homem tranquilo e humilde que o tempo moldou para o sucesso.

Quem o vê sereno e calmo nos bastidores não o reconhece no palco com sua voz vulcânica e alegria contagiante fazem balançar o palco e ninguém fica parado o vendo cantar e tocar brilhantemente seu acordeon. Ele mostra que nessa moda de “Forró universitário”, tem livre docência para cantar Forró em qualquer lugar para leigos e escolados.

José Domingos de Moraes e a sanfona são corpo e alma com passaporte livre no meio musical e respeitado pelos comunicadores. Mesmo sendo considerado herdeiro direto do legado musical de Gonzagão, não teve problema de mostrar seu trabalho com originalidade sem perder a reverência ao mestre, padrinho e incentivador maior.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Dominguinhos para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por para Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01 de novembro 2007:

01) Ritmo Melodia: Fale do seu primeiro contato com a música e as suas influencias musicais.

Dominguinhos: O meu primeiro contato com a música e as primeiras influências foram na infância através do meu pai que era tocador de oito baixos, o mestre Chicão (grande afinador de acordeon). Morais, o meu irmão mais velho, começou a tocar e depois eu. Tocávamos samba, choro e frevo.

02) RM: Fale do primeiro Trio de Forró com seus irmãos.

Dominguinhos: Eu, Valdomiro (faleceu 16.03.2014) e Moraes (faleceu em 1997) tocávamos pandeiro, melé e sanfona. Éramos internos na Escola Prática Comercial de Olinda. A dona do colégio, Almerinda, fazia às vezes de empresária, nos vestia muito bem e vendia nossa apresentação nas festas de aniversário da garotada, foram uns quatro anos.

03) RM: Dos seus irmãos quais os que continuaram na carreira musical?

Dominguinhos: Moraes se tornou um excelente pianista no Rio de Janeiro, largou o acordeon e passou a tocar piano em casas noturnas. Ele faleceu em 1997 em Salvador- BA aos 58 anos de idade em consequência de uma tuberculose. O Valdomiro está bem, vive em Nilópolis – RJ (na época da entrevista em 2002). Acompanha-me em alguns shows e nas festas juninas. Mas trabalha no ramo de mecânica de automóvel e fica mais no Rio de Janeiro.

04) RM: Quantos Discos lançados?

Dominguinhos: Em 1964 “Fim de Festa”. Em 1965 “Cheinho de Molho”. Em 1966 “13 de Dezembro”.

Em 1973 “Lamento de Caboclo”. Em 1973 “Tudo Azul”. Em 1973 “Festa no Sertão”. Em 1974 “Dominguinhos e Seu Acordeon”. Em 1975 “Forró de Dominguinhos”. Em 1976 “Domingo, Menino Dominguinhos”. Em 1977 “Oi, Lá Vou Eu”. Em 1978 “Oxente Dominguinhos”. Em 1979 “Após Tá Certo”.

Em 1980 “Quem me Levará Sou Eu”. Em 1981 “Querubim”. Em 1982 “A Maravilhosa Música Brasileira”. Em 1982 “Simplicidade”. Em 1982 “Dominguinhos e Sua Sanfona”. Em 1983 “Festejo e Alegria”. Em 1985 “Isso Aqui Tá Bom Demais”. Em 1986 “Gostoso Demais”. Em 1987 “Seu Domingos”. Em 1988 “É Isso Aí! Simples Como a Vida”. Em 1989 “Veredas Nordestinas”.

Em 1990 “Aqui Tá Ficando Bom”. Em 1991 “Dominguinhos é Brasil”. Em 1992 “Garanhuns”. Em 1993 “O Trinado do Trovão”. Em 1994 “Choro Chorado”. Em 1994 “Nas Quebradas do Sertão”. Em 1995 “Dominguinhos é Tradição”. Em 1996 “Pé de Poeira”. Em 1997 “Dominguinhos & Convidados Cantam Luiz Gonzaga”. Em 1998 “Nas Costas do Brasil”. Em 1999 “Você Vai Ver o Que É Bom”.

Em 2001 “Dominguinhos Ao Vivo”. Em 2001 “Lembrando de Você”. Em 2002 “Chegando de Mansinho”. Em 2004 “Cada um Belisca um Pouco” (com Sivuca e Oswaldinho do Acordeon) – Selo Biscoito Fino. E 2005 “Elba Ramalho & Dominguinhos: Baião de Dois”. Em 2006 “Conterrâneos”. Em 2007 “Canteiro” (participação especial no CD de Margareth Darezzo). Em 2007 “Yamandu + Dominguinhos”. Em 2009 “Ao vivo em Nova Jerusalém (DVD)”. Em 2010 “Lado B – Dominguinhos e Yamandu Costa”. Em 2010 “Iluminado”.

05) RM: Fale dos principais parceiros musicais e as músicas mais populares?

Dominguinhos: Em primeiro lugar a cantora e compositora: Anastácia, com mais de noventa músicas gravadas. Depois fiz músicas com Abel Silva, Fausto Nilo, Manduca, Vali Bianque, Morais Moreira, Nando Cordel, os irmãos do Piauí: Clôdo, Clésio, Climério. Tem parceiros mais esporádicos como: Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan, Caetano Veloso que têm algumas músicas minhas, mas que ainda não colocou letra. As músicas que fizeram sucesso: com Anastácia foram: “Eu só quero um xodó”; “Eu me lembro”, “Tenho sede”, “Abri a porta”. “Lamento sertanejo” (com Gilberto Gil). “Tantas palavras” (com Chico Buarque). “Quem me levará sou eu” (com Manduca). “De volta pro aconchego”, “Isso aqui tá bom demais” (com Nando Cordel). “Pedras que cantam” (com Fausto Nilo) e algumas coisas mais.

06) RM: Fale do seu primeiro contato com Luiz Gonzaga.

Dominguinhos: Quando conheci Luiz Gonzaga, eu tinha oito anos de idade (1950), junto com meus irmãos Valdomiro (faleceu 16.03.2014) e Moraes (faleceu em 1997) em um Hotel em Garanhuns – PE. Tocávamos na porta do Hotel e nos levaram para tocar para aquela pessoa, mas por sermos crianças e não termos acesso às informações do rádio, não sabíamos quem era ele. Quatro anos depois (1954), quando saímos do colégio de Olinda – PE, nosso pai nos levou para o Rio de Janeiro, a procura de Gonzaga para conseguir uns instrumentos para o Trio Os Três Pinguins. Depois o acompanhei em shows e ele me ajudou e ajuda muito até hoje.

07) RM: Defina a música nordestina?

Dominguinhos: A música nordestina tem muitas faces. É uma música muito rica, tem de tudo, mas muito difícil de levar adiante por falta de mercado. Hoje até as emboladas, os repentes, viraram músicas dançantes.

08) RM: Fale dos principais obstáculos e preconceito que a música nordestina enfrentou ao longo dos anos.

Dominguinhos: Quem sofreu mais preconceitos e obstáculos foi Luiz Gonzaga. Ele encarou o preconceito na Rádio Nacional ao usar seu traje de sertanejo nordestino e não queriam que ele cantasse, só tocasse o acordeon como acompanhante. Eu vi muitos obstáculos que ele enfrentou e venceu. Eu tocava em casas noturnas, outros gêneros como: Jazz, Samba-canção, Bolero, Bossa Nova, Tcha tcha tcha e música nordestina. Eu sofri pouco com os preconceitos.

09) RM: Fale da sua formação musical.

Dominguinhos: Sou totalmente autodidata. Eu cheguei a estudar com Orlando Silveira que era um extraordinário acordeonista paulista, mas que morava no Rio de Janeiro. Ele tocava no Regional de Canhoto. Era formado em maestria, dirigia orquestra, fazia arranjos para todos os instrumentos. Ele me ensinou umas cabeças de notas, mas costumo dizer que foi só para eu ter uma noção.

10) RM: Fale da sua convivência com Pedro Sertanejo.

Dominguinhos: Eu conheci o Pedro Sertanejo quando cheguei ao Rio de Janeiro em 1956. Ele tornou-se meu amigo e conheci os filhos dele desde pequeninos: Osvaldinho do Acordeon, Aristóteles, Aricessone, Juraci e são todos cariocas. O Pedro era um afinador de sanfona no bairro da Carioca. Depois nos anos 60 abriu a gravadora Canta Galo em São Paulo e me convidou para fazer um disco na sua gravadora. Ele que lançou o meu primeiro Disco. Deu oportunidade a outros cantores que saíram de gravadoras grandes, como Jackson do Pandeiro para continuarem gravando. O Zé Gonzaga (Irmão de Luiz Gonzaga), o Ari Lobo, Moreira da Silva, Carmem Silva e outros cantores.

11) RM: Fale dos prós e contras da propagação na grande mídia dos grupos de “Forró Universitário”.

Dominguinhos: O “Forró Universitário” é antes de tudo o Forró Pé de Serra que nunca deixou de existir com os Trios: Chamego, Sabiá, Os Três do Nordeste, Trio Nordestino e muitos outros. Mas a divulgação maior que houve do Forró foi com as bandas do Ceará na década de 90. Eles fazem um Forró com elementos coreográficos da Lambada, tendo um casal de bailarinos. Colocaram um andamento mais rápido no Forró tradicional e disseram que estavam fazendo o novo Forró. E começou nos ajudar, tocando e gravando nossas músicas. Agora apareceu essa nova vertente em cima do Forró Pé de Serra para não deixar morrer o gênero. Quem for bom continua e os oportunistas ficam pelo caminho.

12) RM: Fale da confusão que muitos fazem generalizando todos os gêneros de música nordestina como se todos fossem: Forró.

Dominguinhos: O Baião foi o começo de tudo, tem uma melodia mais quadrada e simples. O Forró que também Luiz Gonzaga criou, tem uma batida mais suingada. O Xote é mais calmo, bom para dançar e mais romântico. O Arrasta-pé que é mais ligeiro como se fosse uma marcha.

13 ) RM: Fale do São João em Campina Grande – PB.

Dominguinhos: Eu não vou dar todo cartaz a Campina Grande – PB. Eu rodo muito no São João e vejo que outras cidades como: Caruaru –PE, Mossoró – RN, João Pessoa – PB, Gravatá – PE, Bezerros – PE. O Estado da Bahia tem um grande São João e no Rio Grande do Norte. Eu não posso destacar só Campina Grande, como sendo a cidade que faz o melhor São João. O Nordeste faz o maior São João.

14) RM: Alguns dos seus filhos entrou para área musical?

Dominguinhos: Só, a minha filha Liv (do casamento com Guadalupe). A mãe é cantora e eu dou meus gritos. Ela está seguindo a carreira da gente. Ela toca Teclado e estava estudando psicologia. Eu não sei o que ela vai fazer, mas de repente aflorou para música.

O meu filho Mauro (Do primeiro casamento), é técnico de Estúdio, trabalhou na: Som Livre, RCA, BMG, Transamérica e trabalha dentro da música na parte técnica e de gravação. A filha mais velha, Madaleine (Do primeiro casamento) foi bancaria, hoje tem o negocio dela fora da área musical.

15) RM: Dominguinhos, você pensa em registrar a sua trajetória em livro?

Dominguinhos:

Alguns colegas começaram a sondar. Em São Paulo, o jornalista Assis Ângelo. Tem pessoas em Recife, Fortaleza. Algumas pessoas estão colhendo informações sobre minha carreira.

P.S: José Domingos de Moraes nasceu no dia 12.02.1941 em Garanhuns – PE e faleceu no dia 23.07.2013 em São Paulo – SP às 18h do dia 23 de julho de 2013, após sofrer complicações infecciosas e cardíacas.

www.dominguinhos.com.br

https://www.letras.mus.br/dominguinhos/discografia/

https://som13.com.br/dominguinhos/albums

http://www.forroemvinil.com/tag/dominguinhos/

www.dominguinhos.com.br

*Dominguinhos faleceu às 18h do dia 23 de julho de 2013, após sofrer complicações infecciosas e cardíacas

 


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.