Margareth Miguel

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Margareth Miguel
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A cantora lírica mezzo soprano natural de Vitória – ES, Margareth Miguel iniciou seus estudos de música com seu irmão, violonista Robson Miguel, seguindo seus estudos na Escola Municipal de Música de São Paulo e formou-se Bacharel em Música – Canto pela Universidade Cruzeiro do Sul – UNICSUL-SP e Bacharel em Música – Canto pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo.

Ela fez mestrado em Voice Performance pela Campbellsville University – Kentucky- EUA. Teve como orientadores no Brasil os professores: Sônia FurtadoIsrael PessoaMarilane BousketCarmo Barbosa e Caio Ferraz e nos EUA Dr. Frieda Gebert and David Hedrick (atual Vocal Coach). Ela participou de Master Class com Dra. Ângela Faith Cofer (EUA), Lenice Prioli (Brasil), Fiorenza Cossotto (Itália) e Elena Obraztsova (Rússia).

Participou de vários recitais como solista no grande ABC Paulista, assim como no interior e outros Estados. Cantou em vários coros em São Paulo e participou do Touring Choir fazendo Concertos em vários Estados em solo Americano tais como Michigan, Kentuky, Texas, Louisiania, Flórida e outros formando um total de 16 apresentações acompanhada pelo Maestro Donaldo Guedes. Atuou nas temporadas de Ópera no Teatro São Pedro-SP com a Cia Opera São Paulo, Dir. Paulo Abraão Ésper.

Ministrou o curso de canto popular em 2001 no VIII Festival de Inverno em Domingos Martins – ESEncontro de Músicos da AMBESPCongresso Louvale e outros. Foi cantora solista convidada do projeto “Canção Pela Paz”, movimento realizado pela prefeitura de Rio Grande da Serra-SP (2002 e 2004); Musicais natalinos com Grupo Atitude-SP (Maestrina Alcidéa Miguel) e Coral Alvorada (Maestro Mário César Pereira).

Em 2006 lançou o CD – Fina Sintonia com músicas gospel de estilos diferenciados (Blue, Pop, Baladas e outros), trabalho este que conta com as participações de artistas como violonista Robson Miguel, Paulo César Baruk, E.H.S.Kyniar, Ademir da Costa e arranjos de Mário César Pereira e Roger Miguel.

É cantora do Kentucky Opera Company na cidade de Louisville – EUA, Recitalista e atua em outras apresentações solo e grupo nos EUA. Leciona Técnica Vocal em Workshop e Simpósios, atua como back vocal em gravações e outros projetos no Brasil.

Margareth é membro da Pi Kappa Lambda – National Music Honor Society – USA. Ganhou o prêmio de 3º lugar no concurso de canto da NATS (National Association of Teachers of Singers)Singer Competition 2011, competindo na categoria Post-Advanced (Doutorado). Ganhou o prêmio Dia Internacional da Mulher – Assembleia Legislativa de São Paulo.

Ela participou dos em eventos: Recital – UNICSUL – (Universidade Cruzeiro do Sul) – SP – 2011 – Brasil; Campbellsville University Chorale – Brazil Tour 2011 – São Paulo e Rio de Janeiro. Do Concert Chorus – Maestrina – Dra. Frieda Gebert – Kentucky – EUA; Mid-Kentucky Chorus – Maestrina – Teresa Tedder – Kentucky – EUA; International Dinner – Rotary Club – Kentucky – EUA; Coral Toyota – Lançamento do Corolla 2008 – Credicard Hall – São Paulo – Dir. Mario Zaccaro e Saulo JavanSão Paulo Fashion Week, na regência do Maestro Fábio Oliveira; Gravações de DVDs com o violonista Robson Miguel – “O Mestre do Violão” e “A Outra Face”.

E participou das óperas: Carmen (Bizet) – Kentucky Opera – EUA – Dir: Kristine McIntyre – Maestro Joe Mechavich; Cosi Fan Tutte (W. M. Mozart) – (Dorabella) – Dir. Dr.Mark Bradley – Campbellsville University – Ky – EUA; Cavalleria Rusticana (P.Mascagni) – Dir. Joseph Mechavich – Maestro Richard Buckley – Kentucky Opera – EUA; IL Pagliacci – (R. Leoncavallo)- Dir. Joseph Mechavich – Maestro Richard Buckley – Kentucky Opera – EUA; The Messiah – (Handel) – Dir. Dra. Frieda Gebert – Kentucky – USA; Famous Opera Scenes In Concert – Dir. Dr. Mark Bradley – Kentucky – EUA; Don Giovanni (Mozart) – Dir. Dr. Mark Bradley – Kentucky – USA; La Traviatta (Verdi) – Maestro Emiliano Patarra – Dir. Paulo Ésper – Cia. Ópera São Paulo; Macbeth (Verdi) – Maestro Achille Picchi  – Dir. Paulo Ésper – Cia. Ópera São Paulo; Glória (A. Vivaldi ) – Dir. e Maestro Jésus Figueiredo. – São Paulo – Brasil; Famous Opera Scenes In Concert 2012 – Dir. Dr. Mark Bradley – Kentucky – EUA; Recital Barroque Songs – Gheens Recital Hall – Campbellsville – Kentucky – EUA. E suas próximas apresentações são:Tosca (Puccini) – Ky Opera – Brown Theatre – Louisville, Ky – USA; The Magic Flute (Mozart) – Gheens Recital Hall – Ky – USA; Elijah Oratorio (Mendelssohn) – Campbellsville Baptist Church – Ky – USA e A Christmas Tapestry – Randell Chapel – Ky – USA.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Margareth Miguel para a  www.ritmomelodia.mus.br , entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 16.11.2012:

01) Ritmo Melodia: Qual sua data de nascimento e sua cidade natal?

Margareth Miguel: Nasci na linda cidade de Vitoria – ES no dia 22/08/1966.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Margareth Miguel: Meu primeiro contato com música foi através de meu pai, maestro Alfredo Miguel, que era saxofonista e maestro de banda. Desde pequena o via escrevendo arranjos para diversos instrumentos, assim como treinando com o saxofone. Ele ouvia estilos musicais variados e isso me deixava fascinada.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Margareth Miguel: Sempre tive a música presente em minha vida, estudando desde pequena e tendo contato com instrumentos musicais. Em um dado momento de minha vida, tentei fugir um pouco dessa área e iniciei o Bacharelado em Biblioteconomia me especializando em documentos, para trabalhar em empresas. Logo percebi que esse curso nada tinha a ver comigo, embora estivesse gostando do assunto, e decidi voltar pra música ainda com mais energia e me especializar cada vez mais. Fiz um curso Técnico de Música na Fundação das Artes em São Caetano do Sul-SPBacharelado em Música (Canto) na Faculdade Batista de São Paulo e Bacharelado em Música (Canto) na Universidade Cruzeiro do Sul-SP.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Margareth Miguel: Como já havia dito, aprendi a apreciar todos os estilos musicais, mas o que mais me fascinava era a música jazzística, tanto instrumental como vocal e a nossa MPB muito bem elaborada musical e poeticamente. A música vocal sempre me encantou e, com o passar dos tempos, fui me aprofundando no conhecimento do mundo da ópera e me envolvendo cada vez mais. Hoje, eu estou trabalhando praticamente nas duas vertentes: Ópera e na Música Popular.

05) RM: Quando, como e onde  você começou a sua carreira musical?

Margareth Miguel: A minha família mudou-se para São Paulo quando eu era ainda muito pequena e lá ficaram até hoje. Em Sampa, cidade maravilhosa e cheia de oportunidades, eu iniciei a minha carreira musical. Da minha infância até a adolescência, vivi com a música dentro de casa. Aprendi muito com o meu irmão Robson Miguel que é um grande violonista, quem me ensinou a teoria musical e minhas primeiras lições de violino, instrumento esse que ele também dominava. Estudei um bom tempo piano com outros professores, mas fui, pouco a pouco, me envolvendo mais com a área Vocal. Logo em minha juventude, comecei a participar de eventos e gravações cantando em vários grupos musicais. E  tendo muitas participações solo também. Na mesma época, lecionei música na escola de meu irmão Robson Miguel, escola essa de que muito me orgulho, porque hoje posso ser recompensada com a felicidade de reencontrar muitos alunos que estão na estrada musical hoje. Os quais eu pude ensinar naquela época. Mais tarde fiz um curso Técnico de Música na Fundação das Artes em São Caetano do Sul-SP; Bacharelado em Música (canto) na Faculdade Batista de São Paulo e Bacharelado em Música (canto) na Universidade Cruzeiro do Sul-SP. Trabalhei por muito tempo dando aulas de educação musical infantil bem como em escolas livres de música e faculdade.

06) RM: Fale do seu primeiro CD (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical do CD? E quais as músicas que se destacaram em cada CD?

Margareth Miguel: Embora eu tenha alguns projetos em andamento saindo da gaveta, devo dizer que minha discografia se resume a um CD solo por enquanto e muitos outros dos quais participei com duetos, backing vocal, solista etc. O meu álbum – Fina Sintonia nasceu com o meu desejo de gravar músicas que fizeram parte de minha trajetória e que marcaram minha vida em muitos momentos especiais. Obras essas compostas por amigos de profissão, amigos pessoais, meus irmãos (Roger e Alcidéa), enfim grandes poetas, músicos e arranjadores. Nesse trabalho participaram grandes músicos como: Mario César Pereira (pianista e arranjador), Lenilson Silva (Bateria), Silvio Depieri (Sax), Marcos Canavese (Baixo), Robson Miguel (Violão), Quinzinho de Oliveira (Trompete), Moisés (Guitarra), Felipe Roseno (Percussão), EHS Kyniar, Ademir da Costa, Alcidéa Miguel e Paulo Cesar Baruk (Vocal). Os arranjos são de Mario Cesar Pereira e Roger Miguel. Esse trabalho envolve Gospel Songs de estilos diferenciados (pop, balada blue, tradicional e outros). As músicas que se destacam são varias. Sempre temos nossas preferências, mas creio que o mais importante é deixar o público eleger, ou seja, realmente deixar se destacar as que o público curte, como a música: “Olhar” (muito pedida aqui nos EUA) e “Mover das Águas”.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Margareth Miguel: Defino meu estilo como um “pop-erudito”(risos), ou seja, embora eu atue muito em óperas e concertos solista, gosto muito da linha pop também.

08) RM: Como você se define como cantora/interprete?

Margareth Miguel: Na área Erudita, amo muito cantar LiederChanson e músicas nessa linha que me dão mais liberdade de expressão e interpretação, em que eu sou a personagem. E assim posso fazer música com mais liberdade interpretativa sem falsear a originalidade, a intenção e o pensamento do compositor. Agora, na linha popular, essa liberdade interpretativa e a liberdade de mudar a roupagem da música com novos arranjos e releitura são maiores ainda. Curto muito isso!

09) RM: Você continua estudando técnica vocal?

Margareth Miguel: Creio que nós cantores nunca nos achamos completos, pois, sempre temos a preocupação de melhorar e de crescer tecnicamente. Hoje não faço muito trabalho técnico como antes, mas a vocalize (que é essencial para o aquecimento e preparo vocal) e o acompanhamento de um Coach no preparo de cada recital ou gravações sempre serão necessários.

10) RM: Quais as principais técnicas vocais que o cantor popular deve se dedicar?

Margareth Miguel: Infelizmente, o cantor popular tem a cultura de achar que não precisa de um professor de canto. E não precisa vocalizar e não precisa cuidar da saúde vocal. Isso é um grande engano. Por isso minha orientação ao cantor popular é para que ele procure um bom professor que o oriente, o acompanhe nas gravações, etc. Além das questões técnicas o professor pode orientá-lo quanto à saúde vocal, interpretação, impostação vocal (dentro do seu estilo musical e tessitura vocal), pois assim terá cada vez mais o seu instrumento em excelente estado de uso, aumentado assim a durabilidade da voz. Infelizmente tenho visto cantores novos tendo que parar de cantar por falta de saúde vocal e mau uso da voz.

11) RM: Quais os benefícios da técnica vocal erudita usada outros estilos musicais?

Margareth Miguel: A técnica erudita é bem aplicada em qualquer estilo musical. Creio que todo cantor, inclusive o sertanejo, reggae, rock, ou seja, realmente os cantores de qualquer estilo deveriam experimentar um pouco da técnica erudita para poder produzir melhor a música no seu estilo apropriado. A técnica pode ser bem aplicada para qualquer estilo musical. O que muda é o tipo de  impostação vocal e  a forma interpretativa para cada estilo.

12) RM: O que você usa do canto gospel na música erudita?

Margareth Miguel: O canto Gospel sempre foi uma grande escola para mim. A música sacra para mim é mais envolvente, ou seja, eu canto com mais liberdade interpretativa e posso viver mais de perto com o texto, a poesia e a música em si, principalmente porque o que estou cantando são verdades que eu vivo no meu dia a dia. E outras que tenho me esforçado para vivê-las. Coisa de Deus, do Céu, da vida, do íntimo, do meu cotidiano, do meu particular com o Divino. A música erudita leva você a esse envolvimento também, mas em muitos momentos preciso ser mais atriz/cantora de forma mais dramaticamente exagerada. Por isso, creio que, nesse aspecto, a música Gospel ensina você a não ter medo de se expressar, de se envolver com o canto e com a livre experiência de enfrentar o público também.

13) RM: Como é o mercado da música gospel no EUA?

Margareth Miguel: A música gospel nos EUA tem espaço em qualquer ocasião. Acho isso muito legal neste país, pois não existe preconceito, momento certo, desrespeito, divisão de estilos e palco. Em muitos eventos musicais com músicas de estilos variados, sempre há a presença de um grupo ou cantor fazendo canções de estilo gospel. Por isso, creio que, muito mais aqui nos EUA do que no Brasil, a música gospel é sempre bem vinda e trabalhada no mercado musical. A única diferença é que aqui o custo de mídia e fonografia é bem maior, mas por um bom e óbvio motivo que é a luta contra a pirataria comercial. Aqui se pode trabalhar sem se ter muito essa preocupação, pois os direitos autorais são pagos.

14) RM: Você está nos EUA há quantos anos?

Margareth Miguel: Estou morando, estudando e trabalhando com música nos EUA desde 2008.

05) RM: O que lhe motivou a desenvolver uma carreira musical nos EUA?

Margareth Miguel: Bem, estive aqui nos EUA em 1998 para uma tournée com um grupo para uma série de concertos. Fizemos, em 21 dias, 16 concertos em cinco Estados Americanos. Foi uma experiência incrível, mas, mesmo assim, nunca havia tido a intenção de morar aqui. Em 2007 fiz um concerto em São Paulo e naquela ocasião, havia na plateia dois diretores de uma Universidade Americana. Após me ouvirem cantar, me ofereceram um Mestrado em Música (voice performance) aqui nos EUA. Realmente foi uma grande surpresa para mim e, na ocasião, fiquei um ano pensando e me decidindo sobre mudar totalmente minha rotina de vida no Brasil, para estudar e trabalhar na América. Hoje, realmente, não me arrependo em ter aceitado esse desafio. Mudei-me para o Kentucky com a minha filha e, hoje, após o termino do meu curso, decidi ficar por aqui mais um tempo me especializando e trabalhando mais um pouco.

16) RM: Quais as diferenças do mercado musical gospel americano em relação ao brasileiro?

Margareth Miguel: A música gospel aqui nos EUA é sempre bem divulgada e é tocada nas rádios seculares em todo o momento sem distinção. Muitos cantores seculares possuem música gospel em seus repertórios também. No Brasil, não vemos muito essa prática no Brasil. As pessoas parecem que têm medo de expor a sua crença ou sua ligação com o divino e acabam seguindo somente um tipo de repertório ou estilo. Assim, a música gospel no Brasil, que cresceu muito e continua crescendo cada vez mais, tem tido um bom espaço, mas, em relação ao mercado gospel americano, ainda tem um bom caminho a percorrer principalmente no quesito espaço de mídia.

17) RM: Quais as diferenças do mercado musical erudito americano em relação ao brasileiro?

Margareth Miguel: Bem mais que no Brasil a música Erudita na América é muito bem desenvolvida e divulgada. Ainda temos grandes companhias de ópera praticamente em todos os Estados Americanos. Os teatros ainda lotam para esse estilo musical. Infelizmente no Brasil a música Erudita tem se concentrado mais em São Paulo, Rio, Manaus (com o festival de ópera do Teatro Amazonas) e em alguns poucos Estados brasileiros. É uma pena, pois, temos grandes cantores, maestros e diretores de ópera que não perdem em nada em termos de qualidade e profissionalismo em relação aos americanos. Perdemos somente na falta de apoio e investimento governamental, patrocinadores e divulgação de mídia.

18) RM: Quem mais da sua família trilha uma carreira musical?

Margareth Miguel: Tenho comigo nessa jornada musical meu irmão violonista Robson Miguel, minha irmã maestrina e saxofonista Alcidéa Miguel de Souza e meu irmão Roger Miguel que atua com a música paralela a outra profissão também e meu sobrinho pianista Max Pianura. Na verdade temos uma família musical, pois entre nossos filhos e sobrinhos há sempre alguém cantando ou tocando algum instrumento musical.

19) RM: Existe a possibilidade de você gravar um disco com música popular brasileira?

Margareth Miguel: Sim. Gravei um projeto em 2007, Piano e Voz, com algumas músicas (seculares) popular brasileira, mas ainda não foi lançado ao público, pois temos que aguardar ainda liberação e direitos autorais para o lançamento desse projeto.

20) RM: Quais as cantoras que você admira? 

Margareth Miguel: Na música erudita: Cecilia Bartoli, Kathleen Batle, Jessye Norma, Renée Fleming entre outras vozes maravilhosas que tem surgido nesses últimos anos. Na música popular brasileira: Zizi Possi, Leila Pinheiro, Marisa Monte entre outras.

21) RM: Você compõe? Quem são seus parceiros musicais?

Margareth Miguel: Adoraria desenvolver e exercitar mais as habilidades composicionais (risos). Acho isso fantástico e eu realmente “viajo” com as ideias dos compositores e suas criatividades, mas, infelizmente, ainda não componho. Sou mais intérprete da música.

22) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Margareth Miguel: As vantagens são a liberdade na escolha de estilo, repertório e arranjo, além de não ter que ficar nas mãos de “tubarões exploradores de artistas” que produzem a música no Brasil. As desvantagens são as questões financeiras que sempre pesam, pois artista não tem dinheiro em início de carreira para grandes investimentos em produção musical. E a lentidão na divulgação do trabalho, pois, na produção independente, as oportunidades e espaços de mídia diminuem, mas creio que vale a pena o “caminho das pedras” também.

23) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Margareth Miguel: Nas duas ultimas décadas, tivemos: Jorge Vercillo, Luciana Melo, Pedro Mariano e outras feras incríveis da linha MPB. Gosto de outros estilos musicais brasileiros também, mas, o que tem me incomodado é a pobreza que temos ouvido no Brasil em termos de letra, melodia e arranjo. Há outros artistas como Djavan, por exemplo, que creio ser um artista muito zeloso na questão da qualidade de seu trabalho e não deixa isso cair, mas tenho visto outros que não vou citar nomes por questões de ética que tem deixado a desejar nessas questões, talvez por desanimo profissional ou por ter realmente parado no tempo, ou seja, não tem se atualizado. E o público nesse aspecto sempre pede mais e o público espera do artista novas coisas e produções melhores.

24) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Margareth Miguel: Dando exemplo de Brasil, Jorge Vercillo, Pedro Mariano, Luciana Melo, Djavan, Ana Carolina e muitos outros que tem trabalhos fantásticos, mas pouco divulgados na mídia. Nossa, fica difícil citar, temos muita gente boa mesmo, fora outros que atuam na música erudita.

25) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Margareth Miguel: Cada evento há um riso, sempre acontece algo engraçado ou inusitado, pode ser em relação ao público, cena, músico ou algo assim. Mas nesse caso o “mico” foi meu. Após uma apresentação minha em um evento lotado, precisava naturalmente ir ao banheiro e não achava uma deixa para isso, já que terminado o evento muitos queriam me cumprimentar e obter autógrafos. Quando consegui escapar discretamente entrei na primeira porta que encontrei com o aviso “banheiro masculino e feminino”, mas o detalhe é que o local era adaptado para deficientes também. Ao entrar, procurei o primeiro interruptor a minha frente para ascender à luz desesperadamente e logo percebi que na minha correria não ascendi à luz, mas sim acionei o alarme de emergência para deficientes, ou seja, a minha tentativa de ser discreta não valeu nada, pois, em poucos segundos, a brigada de incêndio do local já estava á porta do banheiro tentando saber quem estava passando mal, ou seja, foi horrível e ao mesmo tempo engraçadíssima a situação.

26) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Margareth Miguel: Eu tenho mais alegrias do que tristezas. Sinto-me muito abençoada por poder desenvolver minha profissão. Ser reconhecida por isso e, também, por poder conjugar isso com o prazer de fazer coisas que muitos profissionais estão trabalhando em outras áreas diferentes daquelas nas quais gostariam de trabalhar e ate mesmo chegaram a estudar para isso. A carreira musical exige muito de nós músicos. Temos que ter muita disciplina, ética, estudo e dedicação mesmo. Acho que a única coisa triste é ainda ter que lidar com a falta de espaço para divulgação da boa música.

27) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Margareth Miguel: Moro nos EUA no Kentucky que é um Estado country. Vemos aqui excelentes músicos e instrumentistas dessa linha e estilo, mas de forma geral você encontra muita gente fazendo música erudita, jazz, pop, bluegrass, etc.

28) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Margareth Miguel: Falo muito aos meus alunos para que ouçam de tudo um pouco, como costumo dizer “do brega ao chic”. Porque creio que da música ruim, mal feita, mal cantada, mal arranjada, tiramos o exemplo do que não se deve fazer. E assim temos parâmetros para avaliarmos e sabermos o que é bom. Independente do estilo  em que você escolher trabalhar, faça-o bem feito, pois assim, não só quem está fazendo música, mas o ouvinte cresce também.

29) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá a sua música tocará nas rádios?

Margareth Miguel: Sei que as rádios possuem as suas despesas e precisam do artista e patrocinadores para viver, mas ainda acredito que o público precisaria ter mais liberdade para a escolha do repertório das rádios como víamos há décadas atrás. Em relação a minha música, se formos pelo fator qualidade, eu acredito que tocaia sem pagar o jabá, mas infelizmente temos que brigar com uma questão forte de sistema financeiro das rádios.

30) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Margareth Miguel: Primeiramente tenha certeza do que quer; do instrumento que quer e do estilo que quer trabalhar. Estude, estude e estude. Pesquise sobre seu estilo, quais as melhores bandas, cantores e instrumentistas. Faça música de verdade, respeite os seus companheiros de trabalho, seja ético, não venda seu trabalho por valores fora do mercado, faça de sua música algo bom e que traga crescimento e diferença para você e seu público também e “enjoy”/divirta-se a cada subida ao palco.

31) RM: No Brasil o músico que toca na Rua, na entrada de Metrô, ou dentro de Metrô, é visto como “subprofissional, amador ou desocupado”. Como é nos EUA?

Margareth Miguel: Nos EUA é comum vermos músicos que tocam na Rua, e geralmente eles não estão mal vestidos ou esfarrapados. Anos atrás estive em New Orleans e me surpreendi com a vida noturna, uma verdadeira loucura. E o que mais me chamou atenção foram os grupos vocais “A capela” e instrumentistas, principalmente saxofonistas, jazzistas tocando nas Ruas e passando o chapéu (risos). Este são os chamados “vendors”. Isso é comum, mas acho que é mais uma questão de oportunidade de ter um dinheiro extra; tocando ao ar livre e principalmente um espaço para mostrar o trabalho artístico fora das “quatro paredes” do Teatro ou Casa noturna. Muitos destes músicos possuem trabalho em tempo integral ou parcial em alguma empresa, grupo musical ou outras atividades.

Nas casas de show de Jazz que fui, pequenos espaços do tipo “barzinhos”, a música acontece de forma livre e da melhor qualidade. Mas percebo que é mais uma questão  cultural mesmo.  Para as pessoas que passam e param para apreciar a música, estes músicos não são vistos como “desocupados”, mas sim, como pessoas comuns que mostram sua arte ao ar livre.

Já no Brasil soa um pouco como banalização da música ou como se dizem por ai: “o cara toca na Rua por que não gosta de trabalhar” ou não é um profissional de qualidade. Ou ainda dizem que ele não quer “trabalhar” formalmente e por isso, quer ficar tocando na Rua. Há muitos músicos bons, com nível profissional que não conseguem tocar em bares, bandas e orquestras e vão exercer a profissão tocando na Rua.

Ouvi uma história de um guitarrista no Tennessee que tocava na Rua e certo dia um líder de uma banda que tocava em uma casa noturna famosa o ouviu tocando e se encantou e o convidou para trabalhar com ele com um bom salário. Hoje esse guitarrista é uma das estrelas do grupo e muitas pessoas vão a esse Bar especialmente para vê-lo tocar. Vi pela internet a história de um cantor clássico muito bom; enquanto exercia seu trabalho na Rua, foi descoberto por uma produtora e fechou contrato com ele. Acho que a oportunidade passou na porta destas pessoas que não se fecharam em “quatro paredes”, mas tiveram coragem de expor seus trabalhos a céu aberto e deu certo. Creio que na cabeça do americano tudo é trabalho, o importante é ele manter a dignidade. Por isso, conhecemos muitos brasileiros e pessoas de outros países que vem para os EUA com curso superior e não se importam em trabalhar na construção civil ou outro tipo de trabalho fora de sua profissão original por que a sociedade não o marginaliza pelo tipo de trabalho que esta exercendo. Muitas vezes estas pessoas se sujeitam a isso por que se estivessem exercendo suas profissões em seus países, estariam ganhando muito menos e trabalhando muito mais. Isso eu acho muito louvável na cultura americana.

32) RM: Quais os seus projetos futuros?

Margareth Miguel: Tenho trabalhado em uma interessante pesquisa sobre um estilo musical e vocal que logo revelarei a vocês. E pretendo editar um livro didático com CD sobre esse tema. Para esse segundo semestre continuarei com o meu Recital de Musica Barroca, o qual eu desenvolvo juntamente com uma pianista aqui do Kentucky desde o ano passado. Em setembro 2012, estrearemos mais uma temporada de ópera no Kentucky Opera, companhia com a qual assinei mais um contrato para este ano com a Opera Tosca de Giacomo Puccini.

33) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Margareth Miguel – [email protected] | www.myspace.com/margarethmiguel |Brasil – +55-11-4451-2751 | EUA – +1-270-403-6737

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.