Robson Miguel

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Robson Miguel
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Robson Miguel é um dos principais nomes no mundo quando o assunto é Violão. Conquistou o respeito do público e da crítica internacional especializada que o reconhece como o primeiro violonista brasileiro a se destacar no ranking mundial violonístico, sendo o único no mundo a dá entrevista executando simultaneamente qualquer música no violão.

A história de Robson Miguel funde-se com a própria história do nosso Brasil, um cafuzo (mistura de negro com índio) nascido no antigo aldeamento dos Índios Aribiris – Guarani, na região de mangues de Vila Velha em Vitória – ES. Seu pai, o maestro Alfredo Miguel, nasceu na aldeia indígena de Aracruz-ES, cidade que expediu ao mestre Robson Miguel o título de “Cidadão Aracruzense” e “Embaixador Cultural Internacional”. A mistura de negros de Angola, índio – guarani e espanhóis, lhe fez herdar o sobrenome “Miguel”- um DNA originário da Espanha, a terra do Violão.

Em busca de uma vida melhor, seus pais transferiram-se para São Paulo, iniciando aos nove anos de idade os estudos de Violão popular na cidade de Ribeirão Preto-SP e aos 12 anos idade ingressou no Conservatório em São Caetano do Sul-SP, formando-se em Violão clássico e mais tarde como técnico em eletrônica.

Robson Miguel desenvolveu a sua carreira artística, conquistando muitos prêmios nacionais e internacionais, troféus, comendas e foi o único brasileiro a conquistar o maior título internacional pelo Circulo Violonístico Europeu de Madrid – Espanha, a terra onde nasceu o Violão. O convite partiu do Governo Espanhol em 1991, que reuniu os 67 melhores violonistas do mundo no Castelo de Córdoba – Espanha, em comemoração aos 500 anos de descobrimento da América. Robson, como contratado da TV Espanhola, foi o escolhido para representar o Brasil destacando-se como o mais completo violonista da atualidade. Viveu quatro anos na Espanha (gravando 4 CDs e 3 DVDs) e Alemanha (gravando 2 CDs) e construiu uma carreira brilhante como divulgador da música popular brasileira e universal, com técnicas inovadoras conquistando milhares de fãs pela Europa, Brasil e mundo.

Ele ocupa hoje o “1º LUGAR NO RANKING MUNDIAL DE VIOLONISTAS”, reconhecimento outorgado pelo Círculo Violonístico Europeu de Madrid, confirmado em 2009 pelo Prêmio Quality Internacional do MERCOSUL e pela Câmara Brasileira de Cultura, títulos expedidos ao completar os 157 anos de “História do Violão Clássico no Mundo”.

A crítica européia surpreendeu-se ao ver as suas apresentações e declara que o seu conhecimento, a sua criatividade e a sua naturalidade com que toca é sem dúvida genialidade musical. Ele é considerado o único músico capaz de executar qualquer obra narrando histórias ou cantando outra música simultaneamente.

Robson Miguel reúne em sua carreira, inúmeras ações pautadas no pioneirismo, na inovação e criação de arranjos próprios em estilo clássico escritos para Orquestra Sinfônica e Violão, no Jazz escrito para Big-Band e de suas raízes afro, transformando o violão em uma verdadeira escola de samba, imitando simultaneamente o cavaco, o bumbo, a caixa, o berimbau e a cuíca ao interpretar “Aquarela do Brasil”. No estilo Pop, ao tocar o “Tema da Vitória” em homenagem a Ayrton Senna, imita o som do carro; no “O Trenzinho Caipira” de Villa Lobos, imita apenas com violão o som de um trem Maria Fumaça.

Seus arranjos estendem-se a suas raízes culturais indígenas, sendo o primeiro a fazer a versão, tradução e gravação do “Hino Nacional Brasileiro” na língua nativa “Guarani”. Conhecido e respeitado entre a nação indígena Guarany e brasileira pelo nome de Tukumbó Dyeguaká, que quer dizer “Benção de Deus”. Robson Miguel em 1999 na Aldeia de Itaóca em Mongaguá-SP foi eleito o primeiro Cacique-Cafuzo do Brasil.

Após visitar 78 Castelos e descobrir que o Violão nasceu tocando para Reis e Rainhas dentro de Castelos na Espanha, retornou ao Brasil e em cinco anos terminou a inusitada construção do seu castelo. “O Castelo de Robson Miguel” é o único no mundo especialmente criado em homenagem ao Violão, com 2.056 m² de área construída na cidade turística de Ribeirão Pires-SP.

Ele é Fundador, Maestro e Arranjador das Orquestras Sinfônicas de Santo André e Madrid (Espanha). Ele possui 136 obras, livros didáticos, com destaque para “The Jazz in Your Hands” (“O Jazz Em Suas Mãos”) editado em inglês e Espanhol pela Real Musical de Madrid, 27 CDs e 22 vídeos aulas-show e 13 DVDs que estão na galeria dos mais vendidos não só no Brasil, mas em mais de 100 países.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Robson Miguel para a www.ritmemelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.01.2012:

01) Ritmo Melodia: Qual sua data de nascimento e sua cidade natal?

Robson Miguel: Nasci no dia 28/08/1959 em Vitória – Espírito Santo.

02) RM: Você é cafuzo (resultantes da miscigenação entre índios e negros africanos ou seus descendentes). Conte como foi o encontro de sua mãe com seu pai. E quem era o negro e quem era o indígena?

Robson Miguel: Minha mãe tem descendência indígena e meu pai, embora fosse afro descendente, também nasceu em oca de taipas indígena na cidade de Aracruz – ES. Aonde ainda se concentra grande parte dos Índios Guarani. Ambos se conheceram no colégio, quando meu pai teve que servir ao exército na cidade de Vitória – ES.

03) RM: Você é casado com uma indígena de qual tribo? Como você a conheceu e qual o nome dela? Qual a etnia a que ela pertence? Você tem quantos filhos desta relação?

Robson Miguel: Minha esposa é índia pura da etnia Tikuna, nascida na aldeia de Umariaçú – Tabatinga, Amazonas, divisa do Brasil com a Colômbia e o Peru. Após eu estar por seis anos como liderança indígena e cacique da Aldeia de Itaóca-Monguaguá, litoral de São Paulo, conheci We’e’ena Tikuna no Teatro La Salle, durante minha quarta tournée em Manaus – AM. Não temos filhos.

04) RM: Ela também é cantora? Qual gênero musical ela canta?

Robson Miguel: Sim. É cantora e compositora de músicas tribais indígenas e tradicionais.

05) RM: Você se tornou Cacique?

Robson Miguel: Em 1999 fui eleito ao cargo de liderança na Aldeia de Itaóca. E por decisão e unanimidade da comunidade indígena. Em 2005 fui eleito Cacique da Aldeia Guarani de Itaóca – Monguaguá – SP. Com ata lavrada e assinada pelos membros indígenas da comunidade em 12 de maio de 2005.

06) RM: Qual a sua religião?

Robson Miguel: Sou Cristão Evangélico, embora nós digamos que indígenas não possuem religião, mas sim espiritualidade.

07) RM: Como foi o seu primeiro contato com a música? Qual foi o seu primeiro instrumento musical?

Robson Miguel: Desde criança eu já ouvia diversos tipos de músicas, que iam do melhor da Bossa Nova a The Beatles, e hinos sacros cantados pela minha mãe. Meu pai era músico saxofonista no exército e ambos frequentavam a igreja evangélica.

08) RM: Qual a sua formação acadêmica dentro e fora da música? Como o violão entrou na sua vida?

Robson Miguel: Sou formado em Violão Clássico no Conservatório Musical de São Caetano do Sul – SP (atualmente inexistente) e em técnico em Eletrônica no Colégio Anchieta,Faculdade Anchieta em São Bernardo do Campo – SP.

09) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais que deixaram de ter importância?

Robson Miguel: Após me formar em Violão Clássico e fundar a CURSON Escola de Música, com metodologia própria, eu passei a escrever arranjos para Violão, logo me interessei pelo Jazz e fundei a Magnificent Big Band, na qual escrevia todos os arranjos, cujo repertório incluía, Jazz, Blues e Spirituals. Logo me interessei por escrever para orquestras populares e fundei a minha“Cores do Brasil” e escrevo também para orquestras sinfônicas com muitos vídeos postados no youtube. No presente estou trabalhando meu novo DVD – GAMBOA no balanço do Jequibau. É um novo ritmo brasileiro inventado por meu amigo e maestro Mario Albanese e seu parceiro maestro Cyro Pereira, que foi maestro da Orquestra Jazz Sinfônica e era diretor de orquestra dos antigos festivais da Rede Record no “O Fino da Bossa”, falecido recentemente em 09 de junho de 2011.

10) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Robson Miguel: Após me formar em Violão Clássico, eu descobri o meu dom e os convites não paravam de chegar, subindo ao palco para concertos de Violão aos 14 anos de idade, sendo pela primeira vez no teatro Conchita de Morais e logo no Teatro Municipal ambos em Santo André – SP.

11) RM: Quantos discos lançados e quais os anos de lançamentos?

Robson Miguel: São 29 trabalhos já publicados entre LPs, K7s, CDs e DVDs gravados no Brasil e Europa, onde muitos deles ainda se encontram à venda nas lojas no Brasil e exterior:

1-     LP – Hinos em recital de violão – ano 1985 – Brasil

2-     LP – Um violão para sua majestade – ano 1987 – Brasil

3-     K7 – Louvai ao Senhor – ano 1989 – Brasil

4-     CD – Cores do Brasil – ano 1990 – Alemanha

5-     CD – Sombrasil – ano 1991 – TV Espanhola – Espanha

6-     CD – Sueño Azul – ano 1992 – Fonomusic – Espanha

7-     VHS – Cavaco do Choro ao Pagode – ano 1993 – Brasil

8-     VHS – Tocando fácil violão – ano 1994 – Brasil

9-     VHS – Samba & Bossa nova (levadas e 5.384 acordes dissonantes) – ano 1995 – Brasil

10- VHS – Violão & Voz volume – ano 1996 – Brasil

11- VHS – Guitarra & Violão Gospel – ano 1997 – Brasil

12- VHS – Tocando Fácil Viola caipira – ano 1998 – Brasil

13- VHS – Tocando Fácil violino – ano 1999 – Brasil

14- VHS – Violão Clássico & Brasileiro – ano 2000 – Brasil

15- CD – Show ao vivo no Teatro Municipal de São Paulo – Giannini 100 Anos de Emoção – ano 2000 – Brasil

15- CD – e DVD – Resgate da Cultura guarani – ano 2000 – Brasil

16- DVD – Show ao vivo no Teatro Municipal de São Paulo – ano 2001– Brasil

17- CD – Robson Miguel en Vivo – Córdoba – ano 2001–  Brasil

18- DVD – Show ao vivo Robson Miguel O Mestre do Violão – ano 2002– Brasil

19- DVD – O Jazz em suas mãos – ano 2003– Brasil

20- DVD – Primeiros Acordes – cavaco – ano 2004– Brasil

21- DVD – Cavaquinho para iniciantes I – ano 2005– Brasil

22- DVD – Cavaquinho para iniciantes II – ano 2006– Brasil

23- DVD – Regência Côro e Orquestra – ano 2007– Brasil

24- DVD e CD Repertório – O Violão clássico e brasileiro – ano 2008– Brasil

25- DVD e CD Repertório – O Jazz em suas mãos- ano 2009– Brasil

26- CD – O Rei é Louvado no Castelo de Robson Miguel – ano 2010– Brasil

27- DVD em término de edição – Show ao vivo na Estância Alto da Serra – Uma volta ao mundo em 6 cordas – ano 2011 – Brasil

28- DVD em término de edição – Show ao vivo Nosso Robson Miguel em Ribeirão Pires – ano 2011 – Brasil

29- DVD Acústico Gambôa no Balanço do Jequibau – em projeto de gravação – ano 2011 – Brasil

12) RM: Quais o prós e contras de uma vídeo-aula?

Robson Miguel: A vídeo-aula é um livro falante em que o resultado é mais rápido que um livro comum, pois o aluno tem o áudio e o visual. O contraditório é que as empresas que fabricam CDs virgens e copiadoras de CDs e DVDs não proíbem que as pessoas comprem e façam cópias. Atualmente o MP3, outros veículos da internet e empresas de celulares trazem grandes prejuízos para nós artistas porque baixam gratuitamente as músicas.

13) RM: A vídeo-aula pode estimular o aluno a procurar se aprofundar no instrumento em curso convencional?

Robson Miguel: Sem dúvida que o Vídeo dá melhores condições dos aprendizes terem os exemplos de forma áudio e visual; enquanto que métodos e livros apenas visuais.

14) RM: Quais os erros cometidos em uma vídeo-aula que podem desestimular o aluno a buscar estudar o seu instrumento presencialmente?

Robson Miguel: Quando quem ensina se preocupa em apenas mostrar que sabe tocar muito bem, deixando em segundo plano o aprendizado do aluno. Eles contam piadas ou experiências engraçadas para serem simpáticos, mas que após o aluno assistir por muitas vezes a vídeo-aula, os tornam antipáticos e sem graça.

15) RM: Você consta na lista dos dez melhores  violonistas do mundo. Quem concedeu este prêmio para você e em que ano?

Robson Miguel: Sim, mas isto ocorreu no ano de 1991 em comemoração aos 500 anos de descobrimento da América. O Governo Espanhol reuniu os melhores violonistas do mundo no Castelo de Córdoba, evento organizado pelo Círculo Violonístico de Madrid- Espanha, a terra aonde nasceu o violão. No ano de 2003, por ocasião do aniversário dos 150 anos de Violão Clássico no Mundo, recebi o título de “Primeiro LUGAR NO RANKING MUNDIAL DE VIOLONISTAS”, outorgado e confirmado pelo Prêmio Quality Internacional do MERCOSUL.

16) RM: Quem são os nove outros violonistas na  ordem de importância? Quais ainda estão vivos e atuando?

Robson Miguel: 1 – André Segóvia (Nasceu em Linares, Espanha, no dia 21 de fevereiro de 1893 — Falecido em Madrid, no dia 2 de junho de 1987); 2 – Joe Pass (Nasceu na New Brunswick, no dia 13 de janeiro de 1929 — Falecido em Los Angeles, no dia 23 de maio de 1994); 3 – Narciso Yepes (Nasceu no dia 14 de novembro de 1927, Lorca, Espanha – Falecido no dia 3 de maio de 1997, Múrcia, Espanha); 4 – Al Di Meola (Nasceu na Jersey City, NJ, no dia 22 de Julho de 1954); 5 – Eliot Fisk (Nasceu na Philadelphia, Pennsylvania, no dia 10 de agosto de 1954); 6 – Larry Coryell (Nasceu em Galveston, no dia 2 de abril de 1943 – Faleceu em Nova Iorque, 19 de fevereiro de 2017); 7 – Paco de Lucia (Nasceu em Algeciras, no dia 21 de dezembro de 1947 – Faleceu em Cancún, no dia 25 de fevereiro de 2014); 8 – Pat Metheny (Nasceu em Kansas City, Missouri, no dia 12 de agosto de 1954); 9 – Léo Brower (Nasceu em Havana – Cuba no dia 1 de março de 1939).

17) RM: Na sua opinião quais os motivos e critérios levaram ao Baden Powell não constar na lista?

Robson Miguel: Sem dúvida que nesta época Baden Powell já figurava no cenário violonístico mundial como centenas de outros violonistas espanhóis, porém escolheram apenas um representante de cada país.

18) RM: Você incluiria o Baden Powell na lista?

Robson Miguel: No quadro da “Evolução do Violão Guitarra e os mais expressivos violonistas do mundo” já figurava o nome de vários brasileiros e, não somente o meu, como a crítica internacional reconheceu os valores do nosso grande Baden Powell.

19) RM: Quando você teve a ideia de construir um Castelo em Homenagem ao Violão?

Robson Miguel: Quando estudava Violão Clássico, soube que os violonistas que tinham seus nomes no programa de ensino, ficaram famosos, porque eram músicos da corte e tocavam em Castelos para reis e rainhas. Decidi então homenagear o rei dos instrumentos “O VIOLÃO”, que está em todas as culturas no mundo e que segundo meu conceito é o instrumento que mais de perto acompanha a evolução do homem.

20) RM: Quantos anos levou para construir o Castelo?

Robson Miguel: Foram cinco anos para ser construído o Castelo, sem patrocínio e totalmente com recursos próprios.

21) RM: Quais os motivos para construir o Castelo em Ribeirão Pires – SP? Como funciona a visitação ao local?

Robson Miguel: Por encontrar na cidade de Ribeirão Pires um terreno justamente em uma encosta de pedra em meio à mata atlântica. É um local ideal para a construção de um Castelo, bem na primeira nascente do ribeirão. E por ser uma cidade em um ponto estratégico, entre o litoral e a grande São Paulo.

22) RM: Quais os motivos para você defender o fim da construção do violão com Madeira de Lei (madeiras que por sua qualidade e resistência são empregadas em construção civil, confecção de móveis de luxo, instrumentos musicais e artigos de decoração. É ligeiramente amarelada, superfície lisa e lustrosa)?

Robson Miguel: A popularidade dos instrumentos feitos de madeiras nobres que estão em extinção, usadas para fazer guitarras, contrabaixos, cavaquinhos, violinos, violas, pianos, clarinetes e outros, têm muito colaborado para o grande desmatamento que mesmo com o plantio desta madeiras, a grande demanda não oferece tempo suficiente para as mesmas árvores crescerem e atenderem ao grande mercado. Após o avanço da tecnologia eletrônica e o aparecimento dos amplificadores de som, os artistas e profissionais já não procuram um instrumento que tenha muito volume sonoro como antigamente, uma vez que uma boa captação pode nos dar o quanto de grave, médios ou agudos necessitarmos.

23) RM: Você tem Violão feito com Madeira de Lei (Ipê, Imbuia, Jacarandá, Mogno, Angico, Pau-Brasil, Andiroba, Araribá, Jatobá, Pau-ferro, etc)?

Robson Miguel: Sim. Tenho vários violões feitos por Luthiers e também dou palestras sobre construção de violões de qualidade, dentre eles o VIOLÃO SÉRIE MESTRE ROBSON MIGUEL, projetado por mim mesmo.

24) RM: Se tratando da pouca madeira utilizada na construção de um violão e a pouca quantidade de violões feitos com estas madeira a serviço da arte musical. Não é exagero defender o fim do uso da Madeira de Lei para fazer uma ferramenta que proporciona timbres puros em prol da música?

Robson Miguel: Dois fatores me levaram ao lançamento de um instrumento 100% ecológico: primeiro é a questão do grande tempo que leva para a reposição destas madeiras nobres e segundo a desnecessidade de fabricar instrumentos que utilizam madeiras nobres, principalmente como guitarras, contrabaixos que podem muito bem serem feitas de outros materiais acrílicos porque estes se valem mais de equipamentos eletrônicos.

25) RM: Além de dominar as técnica do violão. Você é cantor?

Robson Miguel: Sim. Tenho métodos de canto e ministrei aulas durante muitos anos, porem me dediquei à música instrumental.

26) RM: Você estudou técnica vocal?

Robson Miguel: Sim, embora não tenho formação e nesta área sou autodidata.

27) RM: Quais as dicas que você dá para um estudante de violão?

Robson Miguel: Que, descobrindo na música sua vocação, leve-a como profissão prioritária e as demais secundárias.

28) RM: Quais violonistas que você admira?

Robson Miguel: Por incrível que pareça, os discos e DVDs que eu menos ouço e assisto são os que eu gravei. Gosto de dezenas de violonistas brasileiros e estrangeiros e quando posso vou a shows, compro CDs e DVDs, podendo destacar: Baden Powell, Rafael Rabelo, Guinga, Paulo Belinati, Marco Pereira, Sebastião Tapajós, Romero Lubambo, André Segovia, George Benson, Earl Clug, Paco de Lucia, Manolo Sanlucar, Julian Bream, John Williams, e ai vai…

29) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Robson Miguel: Desta geração nova em que a moda é cantar pelo nariz, está mesmo difícil citar alguns, mas dos antigos posso citar o Emilio Santiago, Jorge Vercillo, Gal Costa e os deste mesmo nível.

30) RM:  Como é o seu processo de compor?

Robson Miguel: Tenho duas formas: a composição contratada por uma agência de propaganda, clube ou mesmo arranjo orquestral e a composição inspirada, que é uma coisa de momento.

31) RM:  Você faz música e letra?

Robson Miguel: Sim.

32) RM:  Quem já gravou as suas músicas letradas?

Robson Miguel: A cantora americana Aldry Kelly, minha irmã e cantora lírica Margareth Miguel que mora nos Estados Unidos.

33) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Robson Miguel: Nunca tive problemas com minhas produtoras de CDs e DVDs quanto aos meus direitos autorais, embora nas produções independentes tenho controle absoluto das vendas.

34) RM: Como você analisa o cenário da música instrumental brasileira. Em sua opinião quem foram as revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Robson Miguel: O cenário vive em total decadência por estar nas mãos das gravadoras enlatadas comerciais preocupadas em atender ao público pouco exigente quanto à qualidade. E que ainda confunde fama, beleza corporal com qualidade musical e não está nada preocupada o público formador de opinião.

35) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Robson Miguel: O último show de gravação do DVD na cidade de Ribeirão Pires – SP foi o primeiro em que eu mais tive problemas técnicos e marcou minha carreira pelas gafes técnicas. Nunca tive nenhuma ocorrência de brigas nos meus shows porque o público de música instrumental é mais tranquilo e de bom nível social. Em 35 anos de carreira apenas dois deles recebi somente metade do cachê, por desacordos comerciais por parte do contratante, mas não os processei. Deixei pra lá.

36) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Robson Miguel: Mais feliz é o carinho e respeito do meu público para comigo. Mais triste é ver a quantidade de bons músicos instrumentistas acompanhando péssimos cantores por falta de oportunidade de gravar seu próprio trabalho.

37) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora hoje?

Robson Miguel: Ribeirão Pires tem um grande potencial de músicos e cantores de qualidade. E a lei do silêncio sufocou parte do nosso cenário musical noturno em vários restaurantes e bares do centro da cidade.

38) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Robson Miguel: Para mim somente existe dois tipos de música: boa e ruim; independente do estilo. Não são todos os Jazz e clássicos que eu gosto. Há músicas de Beethoven que acho lindas e outras que não gosto, mesmo reconhecendo ser ele um gênio da música. Recomendo ouvir grupos de qualidade como “Roupa Nova” e os músicos já citados cima.

39) RM: Fale de sua experiência tocando na Europa.

Robson Miguel: Na verdade sou mais conhecido na Europa do que aqui no Brasil. E muito respeitado como representante da nossa Música Popular Brasileira, que é matéria de estudo nas melhores universidades da Europa e vista como música culta, principalmente a Bossa Nova e o Choro.

40) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Robson Miguel: Que entre de cabeça, com dedicação e seriedade, como quem decide ser médico, engenheiro ou outra profissão de sucesso.

41) RM: Você se considera um excêntrico ou megalomaníaco?

Robson Miguel: Alguns que não me conhecem fazem um pré-julgamento me achando: excêntrico, extravagante, ridículo, esquisito. Sempre pensando que eu não sou centrado no que faço. Pensam assim porque me julgam pela aparência e forma de me vestir não-usual. Acham-me muito diferente ou que talvez fosse desnecessário me vestir assim. Mas eu não ligo, uma vez que me conhecem logo se dão conta que é apenas uma forma de eu me vestir. E vêem que sou uma pessoa muito simples, recebo e trato qualquer pessoa com carinho, sem preconceito, mesmo sem a conhecer. Vivemos em uma sociedade que ainda pensa que você precisa “Ter para Ser” e não “Ser para Ter”. Então julgam que por eu ser um homem que conquistei sucesso na minha carreira e moro em um Castelo, que isto me faça uma pessoa “megalomaníaca”, ou com mania de grandeza, de poder e de superioridade, ou que tenha sempre a obsessão de realizar atos grandiosos, me achando o maior, ou melhor, que os demais. Porém não levo a minha vida como em uma guerra de poder. E entendo que no mundo sempre existirão pessoas que vão me amar pelo que sou e outras que vão me odiar pelo mesmo motivo. Tenho que me acostumar a isso com muita paz de espírito porque vivo em sociedade e gosto muito de precisar das pessoas.

42) RM: Quais os seus projetos futuros?

Robson Miguel: Terminar a edição do último DVD gravado na “Praça dos Doces” de Ribeirão Pires e o DVD – Gambôa.

43) RM: – Contatos ?

Robson Miguel – (11) 4829 – 3382

www.robsonmiguel.com.br  / [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.