Celso Viáfora

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Celso Viáfora
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O cantor, compositor e violonista Celso Viáfora iniciou na carreira musical em 1979, participando de Festivais de Música na TV e apresentando-se em Teatros do Rio de Janeiro e São Paulo.

Em 1985, foi contemplado com o prêmio de Melhor Arranjo no Festival Internacional de Viña del Mar, no Chile, com a música “Grão da terra”. Em 1986, gravou, com César Brunetti e Jean e Paulo Garfunkel, o LP – “Trocando figura”. Lançou, em 1991, o LP – “Celso Viáfora”, pela gravadora Outros Brasis.

Em 1996, gravou o CD – “Paixão Candeeira”, pela Dabliu Discos, e relançou, agora em CD, o disco – “Celso Viáfora”, pela mesma gravadora. Em 1999 lançou o CD – “Cara do Brasil’, pela gravadora RGE, contendo composições próprias, e parcerias com Guinga (no choro “Di menor”) e com Vicente Barreto. Nesse mesmo ano, apresentou-se no Canecão (RJ) e na casa de shows Tom Brasil. (SP). Em 2000, seu disco – “Cara do Brasil” foi relançado pela gravadora Jam Music.

Ainda em 2000, iniciou uma parceria com Ivan Lins; que já produziu mais de meia centena de canções, cuja estreia em disco aconteceu no CD – “A cor do pôr-do-sol”, onde Ivan gravou quatro músicas da dupla: a música título, “A cor do pôr-do-sol”; “Emoldurada”; ”Olimpo” e “Nada sem você”, essa última assinada também pelo italiano Ivano Fossatti. Em 2001, lançou o CD – “Basta Um Tambor Bater”, com a participação especial de Ivan Lins e do grupo MPB-4, na música “Diplomação” (c/ Ivan Lins), e Beth Carvalho, na música “Chora”. O disco teve espetáculo dirigido por Túlio Feliciano. Gravou, em 2003, o CD – “Palavra!”, contendo composições suas e parcerias com Ivan Lins e Vicente Barreto. Fez show de lançamento do disco na casa Tom Brasil (SP) e apresentou-se por todo o Brasil, em espetáculo dirigido por Túlio Feliciano que contou com a participação do Barracão dos Sonhos, grupo formado por 10 crianças com idade entre 6 e 16 anos da comunidade de Paraisópolis (SP). Em 2005, teve seu primeiro trabalho, “A Carreira de Celso Viáfora”, lançado no Japão, pela Ward Records. No final de 2005, lançou o CD – “Nossas canções”, só com músicas de sua parceria com Ivan Lins, no Japão, pela gravadora Columbia. No início de 2006 o disco chegou ao Brasil, pela gravadora JAM Music com distribuição da EMI Music.

Como compositor, tem músicas gravadas por Ney Matogrosso: “A cara do Brasil”, Nana Caymmi: “Só Prazer”, Jane Duboc: “De alma e corpo”, Simone: “Atlântida” e “Veneziana”, Vânia Bastos: “Linda de lua”, Ivan Lins: “Papai Noel de camiseta” e “Deus de Deus”, Nilson Chaves: “Não vou sair”, “Olhando Belém”, entre outras, Eduardo Gudin: “Minha cara no espelho”, Jane Monheit: “Rio de Maio”, Maria Scheneider: também “Rio de Maio”, Fafá de Belém: “Cio baby doll”, entre muitos outros. Em 2010 lançou o seu primeiro DVD e sétimo CD – “Batuque de Tudo”, gravado no ESTÚDIO SOLLUA, todo ele situado dentro de uma fazenda, em Alambari – SP, onde recebeu parceiros de longa data como: Ivan Lins, Vicente Barreto, Nilson Chaves e o “Quinteto em Branco e Preto” e os novos Rafael e Pedro Altério, Caê Rolfsen, Dani Black, Tati Parra, Tó Brandileone e Pedro Viáfora. Além de um time primoroso de músicos: Sizão Machado, no contrabaixo; Webster Santos, nas cordas; Trio Manari de Belém do Pará – nas percussões; Vinícius Dorin e Léa Freire, nos sopros; Thiago Costa, nos Teclados e no Acordeon; Carlinhos Sete Cordas, no Violão de 7 cordas; Théo da Cuíca, na percussão; Thiago Rabelo (Big) e Gabriel Altério, na bateria e Tati Parra e Tó Brandileone, nos vocais. A direção geral é de Tulio Feliciano. Direção de Vídeo da Gabo Nunes. Áudio do Alberto Ranellucci.

Em 2012, a parceria iniciada com o grupo vocal cênico gaúcho EXPRESSO 25 (formado por 35 vozes) que vem rendendo pelo menos uma apresentação anual em Porto Alegre desde 2008, se intensificou e o espetáculo “CANTANDO EM BANDO”, basicamente centrado na obra musical de Viáfora, foi apresentado com sucesso no Auditório Ibirapuera, em março deste ano. O espetáculo foi gravado no estúdio Gargolândia, em Alambari -SP, e o CD lançado em setembro de 2013. Entre julho e setembro de 2012, o criador intenso se viu angustiado com uma inédita crise criativa. Não compunha nada que o satisfizesse. Foi assim que, numa madrugada de primavera, perdeu o sono e, em desarmonia com o Violão, ligou o computador e iniciou algo que não sabia o que seria (um conto, um desabafo, umas linhas inúteis para descartar depois?). Naquele momento, iniciou uma parceria com a literatura que, ao fim de nove meses – muitas vezes trabalhando por até 18 horas diárias -, resultou no seu primeiro romance: “Amores Absurdos”, a história do personagem Antonio Terra, compositor que, na juventude, participou de Festivais da canção e shows universitários; tal como Viáfora, embora, o romance não seja autobiográfico; tornando-se, mais tarde, publicitário de sucesso. A narrativa conta à vida do personagem e, sobretudo, a historia do intenso amor pela também jovem cantora de Festivais de Música, Lídia Saviolo, o grande amor de sua vida. Como pano de fundo, além do cotidiano vivido por muitos dos compositores brasileiros, no início dos anos 80, pelos interiores do Brasil, atrás de mostrar suas canções. O autor traça um perfil social, político e cultural do País nas últimas quatro décadas – o livro termina em 2013. Poderia ter sido apenas o caso de Celso Viáfora, um compositor, se afastar de sua atividade musical para flertar com a literatura. Não foi assim: a crise musical foi superada, o escritor Viáfora “conviveu” em intensa parceria com o músico Viáfora durante todo o trabalho e, na medida em que o romance avançava, foram surgindo canções novas para compor a trilha musical da obra literária, bem como canções escritas em tempo anterior foram a ela se moldando como se tivessem se antecipado à cena literária. As quatorze canções compostas para a trilha sonora do livro, foram gravadas com incentivo fiscal do

ProAC, da Secretaria de Cultura de São Paulo pela voz e o Violão de Celso Viáfora, com acompanhamento das cordas do quinteto liderado pelo músico, arranjador e regente Neymar Dias, autor de 12 arranjos – os outros 2 foram escritos pelo próprio Celso, tendo Edgar Leite e Daniel Cuca Moreira, nos violinos, Daniel na Viola e Vana Bock no violoncelo; mais as participações especiais dos músicos Toninho Ferragutti, no Acordeon; Trio Manari, na percussão; Manoel Cordeiro, na guitarra e no charango; Gabriel Altério, no pandeirão e no ganzá; além da cantora Dandara que divide com Viáfora a interpretação de “A Ponte dos Sonhos” (Sergio Santos e Celso Viáfora).

Além do livro e do CD, “Amores Absurdos” chegou ao mercado, no final de 2013, também no formato e-Book (ou livro digital), onde o leitor pode, durante a leitura, clicar no respectivo link, ao pé da página, e ouvir a música que ilustra a cena do romance. Para divulgar as três obras, Celso Viáfora escreveu roteiro do show “Amores Absurdos”, onde, acompanhado pelo seu poderoso Violão autoral, traz as músicas do novo CD, ladeadas por antigos sucessos de sua carreira como “A Cara do Brasil”, “Por Um Fio”, “Que Nem a Gente”, “A Pessoa” e outras.

Enfim, respeitado pelos maiores músicos brasileiros, admirado por artistas consagrados, Viáfora definitivamente conquistou o seu espaço dentro da Música Popular Brasileira contemporânea graças à qualidade, peculiaridade e força da sua obra. É um desses poucos artistas de quem, depois de ouvir algumas de suas dezenas de músicas, pode-se dizer, com a boca cheia, tratar-se de alguém que construiu uma obra densa e comovente. Popular e, sobretudo, brasileira.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Celso Viáfora para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 12.11.2018:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Celso Viáfora: Nasci no dia 28.09.1959 em São Paulo – SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Celso Viáfora: Meu pai era um grande ouvinte e nos levava aos shows dos amigos. Aprendi a ouvir música com ele. Eu tinha um tio que era violinista clássico, as primeiras músicas, eu comecei ouvir com ele. Fiz o ensino médio no Colégio Estadual de São Paulo e, no currículo da escola, tinha aulas de Educação Musical. Uma das lições de casa era fazer paródia de canções conhecidas. Percebi que tinha vocação para isso, na medida em que minhas paródias eram mais cantadas que as compostas pelos colegas. Das paródias passei a compor melodias originais. Virei compositor antes de aprender a tocar um instrumento. Minha mãe sempre quis que eu tocasse algum instrumento, mas eu gostava mais de jogar futebol. Eu tinha um amigo que tocava Violão muito bem e estávamos de olho na mesma menina e quando ele pegou o Violão, a concorrência ficou pesada, resolvi aprender Violão para impressionar também a garota. Como compunha resolvi aprender um instrumento para acompanhar. Comecei com aulas particulares de Violão e depois fiz estudos mais avançados.

03) RM: Quantos discos lançados?

Celso Viáfora: No Festival de Música da TV Cultura gravaram um disco com os classificados no qual tinha uma música minha: “Dia a Dia”. Fiz um show em 1979 na Funart no Rio de Janeiro que deu início a minha carreira profissional. Em 1981 o Amilson Godoy convidou-me para compor em parceria com ele uma trilha para a peça de teatro: “Bent” que ficou em cartaz dois anos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em 1986 gravei o meu disco: “Trocando Figuras” pela Copacabana em parcerias com: Jean Garfunkel, Paulo Garfunkel e César Brunetti. Em 1992 lancei: Celso Viáfora pela gravadora Outrosbrasis do Pará. Antes o Nilson Chaves gravou uma música: “Não Vou Sair”, que ficou conhecida no Estado do Pará, Amazonas, Amapá, Roraima e em outros Estados. Sempre encontro na voz de um cantador nos Bares. Gravei essa música nesse primeiro Disco Solo e o Nilson gravou outra música minha que ficou popular em Belém: “Olhando Belém”, que abriu o interesse em gravar meu primeiro disco autoral. A gravadora queria fazer um intercambio com o sudeste. Mas foi prejudicada com o plano Fernando Collor de Mello e cedeu-me a matriz. Fiz em 1997 um Disco novo: “Paixão Candeeira” com produção através da Lei de Incentivo à Cultura do Estado, que foi lançado em 1997 pela Dabliú. Consegui o patrocínio para realizar o Disco que teve um reconhecimento amplo na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro. Fiz um Show no Tom Brasil com participações especiais de Guinga e MPB 4. Fiz outro projeto para realização de shows que foi aprovado, a mesma empresa que patrocinou o Disco, patrocinou quarenta shows pelo Brasil. A minha banda era: Arismar do Espírito Santo (Baixo), Proveta (Trompete, Sax e Flauta), Théo da Cuíca e Guelo (Percussão), Edu Ribeiro (Bateria). Em 1999 lancei: “A Cara do Brasil” pela Dabliú que teve a participação de muitos músicos importantes: Proveta, Bocato, Françoar, Gilberto Gil, Leia Freire, Dominguinhos, Amilson Godoy, Sisão Machado, Arismar do Espírito Santo, Edu Ribeiro, Chico César, MPB 4, Banda Mantiqueira, Guelo da Cuíca, Jorginho Cebion. Esse disco foi relançado em CD. Gravei em 2002: “Basta Um Tambor Bater” pela Jan Music que tem todas as vertentes do Samba. Para não repetir a mesma formula e formas dos Discos anteriores, não por não me agradarem, mas para não ter meu trabalho taxado de mesmice. Gravei no Rio de Janeiro com os músicos de lá, os arranjos foram feitos por: Rildo Hora, Ivan Paulo, Paulão. Alguns músicos eu já conhecia e outros eu não conhecia. Pensei no começo se não estava me expondo demais. Mas por ser compositor da Escola de Samba Salgueiro há quatro anos e assistir o Carnaval do Rio de Janeiro há vinte cinco anos, quando os músicos chegaram ao estúdio tive a felicidade de conhecer a grande maioria e eles conheciam e respeitavam o meu trabalho.

04) RM : Como é o seu processo de compor?

Celso Viáfora: A emoção. Depois de algum tempo compondo, busquei uma formação mais acadêmica de música. Escrevo arranjos, etc. Mas, durante o instante da criação, ainda hoje, não me valho desses conhecimentos. Crio pela intuição.

05) RM: Como você define as suas composições?

Celso Viáfora: Eu simplifico cada dia meu trabalho para atingir o melhor nível de compreensão das pessoas. Eu faço música popular para ser cantada por todos. Por isso que não seguir os caminhos da música erudita. Para mim é mais complicado trabalhar com a simplicidade popular do que com o rebuscado. Eu tive uma formação cultural, literária e musical muito rica. O rebuscado é mais fácil para mim e a simplicidade é mais próxima da inspiração. Que coloco como: A Grande Ideia e o inusitado. Componho com o coração na frente do racional.

06) RM: Celso fale dos seus parceiros musicais.

Celso Viáfora: Eu tenho um grande parceiro no que diz respeito ao número de músicas feitas, Vicente Barreto; temos as primeiras músicas que tocaram bem. A partir de 2000 Ivan Lins é o mais constante com mais de 30 músicas feitas, e tem alguns parceiros esporádicos que são: Guinga, Eduardo Godin, Itamar Assumpção.

07) RM: Qual seu contato pessoal e profissional com Ivan Lins?

Celso Viáfora: Guinga me apresentou ao Ivan Lins que já tinha conhecido o meu trabalho e comentou que queria conversa e poderíamos fazer algumas músicas em parceria. No final de 1999 o Ivan ligou para mim falando que gravaria um CD de Natal e perguntou se eu tinha alguma música de Natal pronta. Fiz uma e mostrei para ele que ficou muito comovido com a música. Foi o primeiro teste para iniciamos a parceria musical. Em 2000 depois do Carnaval nos encontramos na casa dele no Rio de Janeiro e me mostrou sete músicas nas quais estavam: “A Cor do Pôr do Sol”, “Emoldurada”, “Só Prazer”, “Nada Sem Você”. O Vitor Martins tinha parado de compor com ele. Comecei a participar dos projetos musicais do Ivan e sou hoje o seu parceiro musical mais constante. Ficamos amigos e temos cumplicidade. Não sei compor com alguém que não tenha afinidade. Ivan é um dos meus três parceiros mais frequentes (junto com Vicente Barreto e Rafael Altério) e um grande amigo que tem parado pouco no Brasil, ultimamente, dificultando encontros. Tenho saudade dele.

08) RM: Como o Ivan Lins é como pessoa e profissional?

Celso Viáfora: Ele é muito generoso, entrou no projeto Social que fazemos com garotos de Paraisópolis em São Paulo. Levei onze garotos para o Rio de Janeiro para gravar a música: “Papai Noel de Camiseta”, eles realizaram vários sonhos no dia como: sair da sua cidade, conhecer a praia e janta num restaurante. Quando fomos embora o mais novo pediu para trazê-los mais vezes para gravar. Isso balançou a minha CABEÇA e começamos a comenta sobre a felicidade deles e não sabíamos quem estava mais feliz, se nós ou eles. Passamos a viajar com a garotada, fizemos um show no interior de São Paulo no qual o Ivan participou e revertemos à renda do show para os outros duzentos garotos que participam do projeto para ter um Natal sem Fome. A Jane Duboc entrou no Projeto. Falo isso para mostrar a generosidade e o interesse do Ivan em participar de Projetos sociais. Ele vai participar do meu DVD e está abrindo portas para o meu trabalho. Ele é um dos músicos mais injustiçados no Brasil, porque depois do Tom Jobim, ele é o artista brasileiro mais respeitado no EUA. Ele é tão simples que ligou para um músico desconhecido como: Celso Viáfora para fazer uma musica. Estávamos em um Restaurante simples no Rio de Janeiro e uma pessoa se aproximou para pedi um autografo e tirar uma foto, ele pediu para a pessoa aguardar o termino do jantar, a pessoa esperou uns 5 minutos, saiu deixando um bilhete mal criado dizendo que tinha mais o que fazer. Tínhamos gravado desde oito horas da manhã, estávamos com fome. Se tivesse falado que não poderia esperar, ele passaria um guardanapo na boca e tiraria a foto. Então imagine a imagem que essa pessoa vai passar para outras pessoas.

09) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Celso Viáfora: Vicente Barreto, Ivan Lins e Rafael Altério são meus parceiros mais frequentes. Nilson Chaves é outro, cuja parceria se intensificou ultimamente. Meu filho Pedro Viáfora e os músicos de sua geração: Paulo Monarco, Tó Brandileone, Léo Bianchini têm sido frequentes, também, nestes últimos anos. Mas tenho vários parceiros esporádicos.

10) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Celso Viáfora: Muita gente. Ivan Lins, Ney Matogrosso, Nana Caymmi, Simone, Fafá de Belém, o MPB4, Jane Duboc, Patrícia Bastos… Tenho também algumas gravações no exterior, feitas por Jane Monheit e Maria Scheneider, entre outros.

11) RM: Como A Lei de Incentivo à Cultura impulsionou sua carreira?

Celso Viáfora: A lei proporcionou gravar e fazer shows com qualidade infraestrutura foi uma grande sacada, porque o meu trabalho tem qualidade. Mauro Dias e Carlos Calado e outros jornalistas falam bem do meu trabalho, mas tinha que ter infraestrutura para bancar os eventos e shows. Ter essa visão ampla e esclarecida me proporcionou dar outros rumos a minha carreira e lançar Discos.

12) RM: Como você vê o panorama musical em São Paulo?

Celso Viáfora: Têm vários aspectos. Em nível de mercado de trabalho São Paulo é o grande mercado musical brasileiro. Mas a cidade não valoriza os músicos paulistas, temos poucos paulistas se destacando no mercado e não é por falta de talentos. No aniversário da Cidade eu poucas vezes ou nenhuma vez fui chamado. Aqui a máxima de que “Santo de Casa não faz Milagre” é mais forte e presente para os músicos paulistas. Mas com esses altos e baixos São Paulo tem amplas possibilidades de projetar a música do futuro. Aqui temos todas às influências do Brasil e do mundo que fazem a cidade não ter uma referencia folclórica e musical paulistana e faz com quer as fusões musicais sejam bem vindas.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Celso Viáfora: Basicamente, a liberdade de criação, como prol, e a necessidade de buscar sozinho toda a estrutura de que você necessita, gastando tempo e energia que você poderia utilizar exclusivamente no ato de criar, pelo lado do contra.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Celso Viáfora: Não tenho estratégias definidas. Cada caso é um caso e, na maioria das vezes, não executo bem esta tarefa, hoje tão necessária a qualquer músico que deseje viver exclusivamente de sua arte.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Celso Viáfora: Já busquei muito parceiro, na forma de patrocínio com e sem a utilização das leis de incentivo à Cultura. Hoje me sinto um pouco cansado para empreender esta tarefa. Na verdade, nestes últimos anos, me atenho em criar.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Celso Viáfora: Ajuda porque qualquer pessoa em qualquer distante lugar do mundo está a um clique da sua obra. Prejudica no sentido de que, com o download gratuito e o fim do rigor no pagamento dos direitos autorais, a carreira de compositor é uma carreira extinta. Ou você canta e faz shows ou seu trabalho não será remunerado.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Celso Viáfora: Ter um estúdio em casa, com um mínimo investimento, é sempre bom. Não vejo desvantagem alguma.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Celso Viáfora: Não faço mais que seguir criando de uma forma inquieta, no sentido de fugir de qualquer fórmula de repetição.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Celso Viáfora: Vejo com orgulhosa esperança o cenário musical brasileiro. Nossos antigos ídolos voltaram a compor, gravar e fazer shows. A garotada que surgiu está compondo muito bem. E livres. A possibilidade de usar as redes sociais para divulgação cria uma independência da grande mídia. Com isso, vejo cada vez mais distante a produção da indústria de entretenimento – progressivamente mais pobre de criatividade e obsessiva na repetição – da produção musical, cada vez mais libertária e diversa esteticamente. Não citarei nomes porque, pela quantidade de novos músicos de qualidade, certamente omitiria nomes importantes.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Celso Viáfora: Qualidade artística é uma questão estética. Quanto ao profissionalismo, de Luan Santana a Gilberto Gil, eu vejo muitos exemplos.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Celso Viáfora: A música sempre me trouxe felicidade. As esporádicas tristezas são esquecidas pela alegria do próximo passo.

23) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Celso Viáfora: Sou paulistano. Minha cena musical é o mundo.

24) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Celso Viáfora: Minha cidade é uma enormidade musical. Instrumentistas dão uma lista infinita de Arismar do Espírito Santo a Alexandre Penezzi tocando cada vez mais. Bandas são várias: o “Teatro Mágico”, o “5 a Seco”, compositores de Rita Lee a Dani Black, intérpretes de Alaíde Costa a Dandara, é muito gente boa.

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Celso Viáfora: Nas rádios públicas ou, de algum modo, não comerciais. Ou, então, no dia em que cultura for levada a sério neste país. Neste dia tocarão minhas músicas, as músicas das gerações que me antecederam e sucederem e as músicas que compõem a programação de hoje. Não acredito no bom ou no ruim. Torço pela diversidade.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Celso Viáfora: Nunca fuja da sua verdade.

27) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Celso Viáfora: Sou paulistano. Minha cena musical é o mundo. Festivais de Música são os bailes da vida do compositor. É só não entrar na pilha da premiação que dá tudo certo.

28) RM: Fale de suas experiências em Festivais de Música e seu aprofundamento teórico musical. 

Celso Viáfora: Sempre a carreira do músico correu atrás da carreira do compositor. Quando passava férias no interior de São Paulo na casa de um tio em Presidente Venceslau, tinha um Festival de Música da cidade. Resolvia escrever umas músicas e ganhei: Primeiro, Segundo e Quinto lugar no Festival. Passei três anos seguidos participando. Depois dessa experiência participei de outros Festivais em outras cidades. Participei do Festival de Passos em 1976 que é bastante conceituado, fiquei em quarto lugar. Encontrei o músico que foi fundamental na minha formação musical: Amilson Godoy que era o maestro da banda do Festival. Quando terminou o Festival, o mesmo começou me dar uns toques. Eu fiz uma música que tinha cinco partes, ele comentou que o Caetano Veloso faria cinco músicas e que não precisava ser tão prolixo. O Chico Buarque comenta que compor é pra jovens e componho ainda com fervor da juventude. Quando estava no curso de Direito me inscrevi no Festival Universitário da TV Cultura – SP; festival que o Arrigo Barnabé apareceu. O Amilson fez os arranjos para minha música. Participei em 1979 do último Festival da Tupi no qual Caetano Veloso, Elba Ramalho, Zé Ramalho participaram e o Fagner ganhou com uma música do Dominguinhos e Manduca. Em 1983 participei do Festival de Avaré – SP e em 1984 ganhei com uma música chamada: “Grão da Terra”. Amilson era coordenador da Fundação das Artes de São Caetano, local que estudava grandes nomes da MPB, eu como estava de férias da Universidade fiz um curso intenso na Fundação, no meu horário ninguém se inscreveu, foram dois meses de curso com os melhores professores que valeu por dois anos de curso regular. Fiz também um curso de arranjo com Nelson Aires.

29) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música revelar novos talentos?

Celso Viáfora: Sempre será um lugar de revelação de talentos. O público é motivado a ir, sobretudo pela competição, e acaba conhecendo artistas brilhantes. Evidente que jamais terão a força dos anos 60, onde a Música era a estrela da televisão (como hoje é a teledramaturgia) e os Festivais o principal evento musical. Naquele tempo, participar de Festivais era um fim, em si mesmo. Hoje é um meio onde você vai ganhar experiência no trato com um público maior e uma visibilidade, ainda que modesta, numa cidade ou região onde é pouco conhecido e, sem o Festival, teria muito pouca chance de ser convidado a se apresentar.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Celso Viáfora: A mídia de massa tem o foco na indústria do entretenimento. A grande mídia escrita ainda abre espaço mas, ela mesma, já perdeu a sua capacidade de mobilização. O caminho da cena musical, neste momento, são as redes sociais. Num futuro, não sei o que virá.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI, CAIXA Cultural e Itaú Cultural para cena musical em São Paulo?

Celso Viáfora: Esses espaços são o verdadeiro Ministério da Cultura do país hoje.

32) RM: O circuito de Bar nos Bairros Vila Madalena, Vila Mariana, Pinheiros, Perdizes e adjacência ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Celso Viáfora: O bairro recebeu ótimas casas para shows intimistas. O Tupi Or Not Tupi, por exemplo, (onde já a me apresentei 3 vezes), pelo respeito com que trata a música e ensina didaticamente este mesmo respeito ao público que a frequenta, é minha casa preferida de shows em São Paulo no momento.

33) RM: Qual seu contato pessoal e profissional com Chico César?

Celso Viáfora: Chico César é meu amigo. Ensaiamos algumas parcerias que ainda não aconteceram a contento. Espero que cheguemos a concluir algo importante. Sou seu fã.

34) RM: Qual seu contato pessoal e profissional Rafael Altério?

Celso Viáfora: Rafael Altério é meio um irmão. Nossas famílias são como parentes por opção. Temos um disco pronto (gravado e mixado) só com nossas parcerias que deve ser lançado muito brevemente.

35) RM: Qual seu contato pessoal e profissional com Nilson Chaves?

Celso Viáfora: Nilson Chaves é uma das pessoas mais importantes da minha história. Gravou meu primeiro grande sucesso (e o segundo também), lançou junto com Marcos Quinan e Roseli Naves, o meu primeiro disco solo pela Outros Brasis. E apresentou-me para a Amazônia; uma região que eu amo, é meu parceiro, meu companheiro de sonhos. Outro irmão que a vida me deu.

36) RM: Qual seu contato pessoal e profissional com Ney Matogrosso?

Celso Viáfora: Ney Matogrosso foi um dos primeiros artistas do primeiro time a gravar uma música minha: “A Cara do Brasil”, parceria com Vicente Barreto. Sempre muito atencioso e gentil. Nunca deixa de me atender com a maior delicadeza e atenção sempre que o procuro.

37) RM: Quais os seus projetos futuros?

Celso Viáfora: Terminei de escrever minha terceira peça teatral: “Parece Que Foi Ontem”, com estreia marcada para 20 de novembro; estou concluindo a revisão do meu segundo romance “A Névoa Que Cega os Olhos” e, a partir de dezembro, penso mais seriamente em reunir canções para um próximo disco; se é que ainda existem discos nos dias de hoje.

38) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Celso Viáfora: www.celsoviafora.com.brwww.facebook.com/celsoviafora | [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.