Cátia de França

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A cantora e compositora paraibana Cátia de França faz parte do imaginário coletivo do povo paraibano. Nascida dia 13 de fevereiro de 1947 em João Pessoa começou a carreira profissional no final da década de setenta participando e ganhando Festival de Música.

Lançou o seu primeiro CD em 1979, produzido por Zé Ramalho. Cátia faz parte da safra de artistas nordestinos: Zé Ramalho, Elba Ramalho, Jarbas Mariz, Belchior, Fagner, Ednardo, Alceu Valença, Vital Farias, Geraldo Azevedo e muitos outros, que começaram a se destacar nos anos setenta, seja nos Festivais de Música ou lançando do primeiro disco. As suas músicas foram gravadas por Zé Ramalho, Elba Ramalho, Marinês e outros músicos nordestinos. Seu primeiro sucesso “Panorama” virou hino no início dos anos oitenta. Depois vieram na voz de Elba: “Kukukaya” e na voz de Marinês: “Quatro Cravos”. Lançou três discos: “Vinte Palavras ao redor do Sol”, “Estilhaço” e “Avatar”.

Hoje busca voltar ao cenário musical nacional, mas o mercado fonográfico não tem a preocupação cultural e coloca de lado talentos importantes para nossa identidade cultural. Tive o prazer de conhecer e assistir o show de Cátia de França em Campina Grande (PB) no final dos anos 90 e fique impressionado com sua entrega visceral no palco. A cantora entra em transe e faz o violão parecer uma orquestrar rítmica. Suas músicas, a sua voz vulcânica penetram na alma mais sólida. É preciso que qualidades musicais e artistas como estas não sejam esquecidas e que sejam respeitadas por sua arte.

Segue abaixo uma entrevista exclusiva com Cátia de França para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.07.2002:

01) Ritmo Melodia: Como foi a sua iniciação musical?

Cátia de França: Estudei piano desde os quatro anos de idade (Escola Antenor Navarro) e fiz teoria e canto. Minha cidade de origem é João Pessoa – PB.

02) RM: Quando você iniciou a sua carreira musical?

Cátia de França: Foi em 1969 no Festival de Música da Paraíba no Clube Astréa -João Pessoa acompanhada pela banda “Os Selenitas”, o líder da banda era Jarbas Mariz.

03) RM: Quantos discos você lançou?

Cátia de França: “Vinte Palavras ao redor do Sol” em 1979 (produzido por Zé Ramalho), “Estilhaços” em 1980, “Feliz Demais” pela em 1985 (produzido por Jairo Pires), Feliz demais em 1986 (Produção independente distribuído pela Continental), “Avatar” em 1997 CPC – UMES (Eldorado) produzido por Ivair Villa Real com arranjos de Bertrami e Banda Azimut.

1979 – 20 Palavras ao redor do Sol (Epic/CBS)

Músicas:
1 O bonde (Cátia de França)
2 Quem vai quem vem (Cátia de França)
3 Vinte palavras ao redor do Sol (Cátia de França)
4 Djaniras (Israel Semente/Cátia de França/Xangai)
5 Kukukaya – Jogo da asa da bruxa (Cátia de França)
6 Itabaiana (Cátia de França)
7 Porto de Cabedelo (Cátia de França)
8 Ensacado (Sergio Natureza/Cátia de França)
9 Coito das araras (Cátia de França)
10 Os galos (Cátia de França)
11 Sustenta a pisada (Cátia de França)
12 Eu vou pegar o metrô (Lourival Lemes/Cátia de França)

1980 – Estilhaços (Epic/CBS)

Músicas:
1 Panorama (Cátia de França)
2 Menina passarinho (Cátia de França)
3 Porque é da natureza (Abel Silva/Cátia de França)
4 Hoje tem futebol (Cátia de França)
5 Ludovina (Cátia de França)
6 Meu boi surubim (Citações de Guimarães Rosa/Cátia de França)
7 Estilhaços (Flávio Nascimento/Cátia de França)
8 Não marque as horas (Marconi Notaro/Cátia de França)
9 Ponta dos Seixas (Cátia de França)
10 Dança das lanças (Cátia de França)
11 Poço das Pedras (Cátia de França)
12 Não há guarda-chuva (João Cabral de Melo Neto/Cátia de França)

1986 – Feliz demais (Produção independente distribuído pela Continental)

Músicas:
1 Outro rosto (Cátia de França)
2 Serenas águas (Cátia de França)
3 Feliz demais (Cátia de França)
4 Minha vida é uma rede (Cátia de França)
5 Vamos dar as mãos (Cátia de França)
6 Geração (Cátia de França)
7 Do outro lado da baía (Cátia de França)
8 Meu pensamento (Cátia de França)
9 Considerando (Cátia de França)
10 Iorubá (Cátia de França/Tonho Baixinho)

1996 – Avatar (Acácia)

Músicas:
1 Avatar (Cátia de França)
2 Rogacianno (Manoel de Barros/Cátia de França)
3 Dança das lanças (Cátia de França)
4 Lá vem Batista (Cátia de França)
5 Não marque as horas (Marconni Notaro/Cátia de França)
6 Panorama (Cátia de França)
7 Antoninha me leva (Manoel de Barros/Cátia de França)
8 Joana Pé de Chita (Cátia de França)
9 Kukukaya (Cátia de França)
10 Coito das Araras (Cátia de França)
11 Apuleio (Manoel de Barros/Cátia de França)
12 Coisas do campo (Cátia de França)
13 Ponta do Seixas (Cátia de França)

04) RM: O que você escutava nos anos setenta?

Cátia de França:  Defendi o movimento de 1970 e seus adeptos. Curti Woodstock, Carlos Santana, Carly Simon, Joan Baez, Jimmy Hendrix, Joe Cocker, Caroline King, Janes Joplin. O que crio musicalmente traz as influências deles.

05) RM: Fale do seu relacionamento profissional e pessoal com Zé e Elba Ramalho? 

Cátia de França: Zé Ramalho produziu meu LP Vinte Palavras ao redor do Sol em 1979. Depois disso toquei sanfona e percussão em sua banda. Fiz a excursão do primeiro disco dele: “Avohai”.  Elba Ramalho gravou minha canção: “Kukukaya”, depois gravou: “Oitava”. Temos contato sempre que as nossas agendas permitem.

06) RM: Como você avalia a importância do seu trabalho para música regional e brasileira?

Cátia de França: Ocorre hoje uma separação no âmbito musical (nível nacional) de meu nome não constar no patamar, que por direito, estaria. Minha música hoje Reflete a ponderação de uma artista que aos 55 anos de idade jamais fez concessão.

07) RM: Quais foram os Projetos Musicais que você participou?

Cátia de França: Eu participei do Projeto Pixinguinha em 1980; Projeto Seis e Meia da Sala Funarte – SP; Show dos Sete no cais de Niterói – RJ; Shows na Casa do Estudante (Aterro do Flamengo). Colocava no mesmo palco, o ouro musical vigente, essa convivência enriquecia aqueles que estavam entrando na competição que é fazer boa música. É claro que faz falta esses eventos para mostrar o melhor da música brasileira.

08) RM: Como você vê o cenário musical brasileiro hoje?

Cátia de França: Em 1964, Chico Buarque virava Julinho de Adelaide pra driblar os seus perseguidores da Ditadura Militar. Hoje temos quem dribla o inimigo sutil, gelatinoso, um angelical: lixo fonográfico.

10) RM: Quais foram as suas influências musicais? Elas permanecem hoje?

Cátia de França: Cresci escutando Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Alaíde Costa, Nora Ney, Tangos de todos os tipos (exigência paterna), Milton Nascimento, Beto Guedes. Sou muito swing; Então ouvi Jorge Bem Jor, José Feliciano (violonista), Carlos Santana. E a sutileza de Tom Jobim (Wave), James Taylor, Gilberto Gil que rege acima de todos. Gosto do instrumental do Europa com o sax de Gato Barbieri, o piano econômico de Duke Ellington, aquele piano de isoladas notas, pianista de Caetano Veloso, de Gal Costa, Tomás Improta, João Donato.

11) RM: Quais foram suas músicas que fizeram sucesso na voz de outros interpretes?         

Cátia de França:  “Kukukaya” na voz de Elba Ramalho, Xangai, Kelly Benevides. “Coito das Araras” na voz de Amelinha, Luiz Antonio (dupla Les E´toilles vivem na França). “Quatro Cravos” (Cátia de França e Jarbas Mariz) na voz de Marinês e Gilberto Gil. “Veias Abertas” na voz de Tânia Alves no filme República dos Anjos. Aline gravou no CD – Ponta dos Seixas: “Panorama”, “Porque é da natureza” (Cátia de França e Abel Silva), “Ensacado” (Cátia de França e Sérgio Natureza), “Bendito” (Cátia de França). Padre Zezinho e Padre Reginaldo gravaram: “Morro da Conceição”. “Repente” entre Cláudio Marzo e Tânia Alves (no filme Parahyba Mulher Macho): Cátia de França parte feminina, Bráulio Tavares faz o ator, Tizuka Yamasaki.

12) RM: Quais foram os outros projetos além da música?

Cátia de França: Como escritora lancei livros: Infantis, de Cordéis, Auto-ajuda. Como Artista plástica tenho os meus desenhos. No Teatro fiz a contadora de histórias.

Contatos:  [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.