Os Sem Padrinhos Musicais

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Em década passadas era comum um artista bem sucedido abrir espaço para novos talentos nos shows para novos artistas; era o tal padrinho artístico.

A concorrência profissional lembra a lei da sobrevivência no reino animal.  Nós; que somos racionais, praticamos ações semelhantes ao dos não. O mais forte caça o mais fraco e esse comportamento de eliminar (matar) a concorrência cada dia é mais “normal” e “natural”. Ou seja, cada um por si e contra todos na busca do: pão, espaço, oportunidade, sonho, da sobra de viver e sobreviver.

No meio artístico e musical a briga é mais acirrada. Estão em jogo: fama, sucesso, muito dinheiro e vaidade. Em década passadas era comum um artista bem sucedido abrir espaço para novos talentos nos shows; era o tal padrinho artístico (Não era por caridade, mas como uma forma de mostrar que o seu trabalho chegou ao apogeu a ponto de ser referencial para quem está começando). Estrelas hoje da MPB homenagearam a velha guarda da MPB, do Samba, do Forró, da Bossa Nova, do Choro como uma forma de coroar uma carreira bem sucedida e ter aprovação da própria. Esse fenômeno estar quase extinto. Alguns padrinhos e afilhados do passado não se falam mais, por serem hoje concorrentes diretos, indiretos ou  desafetos. A criatura (Afilhado) superou, esqueceu ou esnobou (seu) o Criador (Padrinho).

A maneira hippie de ser dos novos baianos com sua colônia musical, os Sambistas, Bossa Novistas, Tropicalistas, O Pessoal do Ceará e os músicos nordestinos pós-tropicalismo, os Mineiros, o Rock n`Rool e Rural, a Jovem Guarda, os Forrozeiros formavam os clubes do: Bolinha e da Luluzinha da música popular brasileira que geraram obras primas e brigas eternas. O cantor e compositor Gracoque tive a satisfação de entrevistar-lo; acha natural que as parcerias musicais aconteçam entre amigos. E Celso Viáfora (Parceiro atual do Ivan Lins) acrescenta que é fundamental a afinidade pessoal para criar obras primas. Eu na minha ignorância em criação musical, matuto desconfiado e religiosamente cético, acrescento fatores como: Conveniência pessoal, financeira e amizade utilitária são responsáveis pelo nascimento e/ou fim de parcerias musicais.

Mas deixando a filosofia de lado (Isso lembra música, não cobre direito autoral), o tempo de padrinho musical chegou ao fim. O mercado pode ser um céu ou inferno para quem busca a melhor ou pior forma de atingir o sucesso. Na roda viva (Outra música) nada fácil da fama televisiva, mostra vilmente o favorecimento na seleção dos concorrentes ao estrelato. O Leãozinho virou Leão raivoso (Outra música, put…). Fogem veadinho, zebrinha, girafinha, burrinho para não ser o jantar.

Analisando friamente o mercado musical sem pieguice. Os novos talentos nascem parecendo ruínas. São os sem: padrinhos, patrão (gravadora), produtor, espaços, visão e oportunidade de ganhar o pão e são temidos como amargos vampiros. Os obstáculos enfrentados pelos novos talentos fazem parte da lei da sobrevivência e concorrência milenar dos homens e animais. Faça o Seu. Boa Sorte e salve-se que puder ou agüentar. Mas os comedores de oportunidades não são culpados nem criaram a tal lei da sobrevivência. Quem perdeu a nota afinada da historia afine o bom senso para correr, morrer ou viver na cruel concorrência profissional.

Os Sem Padrinhos Musicais 1 Ritmo Melodia

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.