More Zé Brasil »"/>More Zé Brasil »" />
Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Zé Brasil


Zé Brasil é um dos ícones da música independente no Brasil desde os anos 1970.

Viola Paulistana é a expressão musical da alma universal e eclética dele. Seu sangue vale paraibano, de pais aparecidenses (Benedicto Julio Barreto Filho e Didicta Cardoso Alves Barreto), foi timbrado desde criança nas modas de viola-caipira que ele ouvia no rádio do seu avô materno, Américo Alves Pereira Filho, político e mineiro.

Zé Brasil é paulistano de nascimento, o rock dos anos cinquenta atropelou alegremente sua infância, recheada pelos saraus eruditos de seus tios paternos na casa da família em Aparecida – SP. Junto aos baiões, sambas e choros da música brasileira, a música clássica e as orquestras americanas de swing e jazz soavam fortes nos 78 rpm da vitrola da sua casa nos Jardins em São Paulo. Aos sete anos de idade a professora de piano selou seu amor pela música e pela raça humana.

Em 1972, quando já cantava e tocava bateria profissionalmente em peças de teatro, encontrou-se finalmente com a viola-caipira, paixão da infância e da vida. Desde então desenvolve um jeito próprio de tocar e compõe singelas e originais modas e canções. O álbum – “Viola Paulistana” traz o melhor da sua produção nesses 50 anos e conta com a participação especial de virtuosos amigos que colheu durante todo esse tempo, destacando sua esposa, a cantora Silvia Helena, sua parceira desde 1975.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Zé Brasil para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 06.07.2022:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Zé Brasil: Nasci no dia 8 de março de 1950 em São PauloSP. Registrado como José Luiz Alves Barreto.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Zé Brasil: Quando nasci, minha mãe, Didicta Cardoso Alves Barreto, me deu um pandeirinho, venho de família de músicos e aos 7 anos de idade tive aulas de Piano. Ao mesmo tempo ouvia muitos discos 78 RPM na vitrola de casa e música erudita ao vivo nos saraus dos meus tios e tias.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Zé Brasil: Sou bacharel em Arquitetura; Shodan de Karatê; História da Música com Walter Lourenção; Música na Fundação das Artes de São Caetano do Sul; Violão com Henrique Pinto; Inglês nos EUA e na Inglaterra; Piano no CLAM – Centro Aprendizagem Musical e arranjo com Nelson Ayres.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Zé Brasil: Todas as vertentes musicais me influenciaram sempre desde o rock até a música clássica e, sendo boas, continuam me influenciando.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Zé Brasil: Profissionalmente em 1971 como músico de Teatro. A partir de 1972 comecei a promover e tocar em shows também.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Zé Brasil: Como artista doze álbuns e três álbuns como produtor fonográfico. Zé Brasil e Silvelena“Brazilian Wave”(1980). Zé brasil e delinquentes de saturno (2013). Zé Brasil (2017). Zé Brasil (2018). Zé Brasil“Povo brasileiro” (2020). Zé Brasil“Viola Paulistana” (2022).

07) RM: Como você se define como Violeiro?

Zé Brasil: Um eterno aprendiz.

08) RM: Quais afinações você usa na Viola?

Zé Brasil: Já usei na Viola a afinação Cebolão em Mi (B – E – G# – B – E) e afinação de Violão (A – D – G – B – E) sem o Bordão E da sexta corda do Violão. Hoje, uso afinação Cebolão em Ré (A – D – F# – A – D) .

09) RM: Quais as principais técnicas o violeiro tem que conhecer?

Zé Brasil: Acho que todas, o que é praticamente impossível. Tem sempre uma onde a gente se sente mais em casa.

10) RM: Quais os violeiros que você admira?

Zé Brasil: Ricardo Vignini, Paulo Freire, Almir e Gabriel Sater, Tião Carreiro, Edu Viola e por aí vai. Temos grandes violeiros por esse Brasil afora.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Zé Brasil: Varia, desde o trabalho braçal até os sonhos (risos). Às vezes vem da letra, outras da melodia, da harmonia, do ritmo, da natureza (pássaros, plantas, mares, rios, montanhas…). Mas acho que é uma coisa de fórum íntimo, difícil de explicar.

12) RM: Quais as principais diferenças técnicas entre a Viola e o Violão?

Zé Brasil: Muitas. As dez cordas de aço da Viola, solicitam uma digitação e pegada bem diferentes. A afinação também determina uma harmonia e acordes únicos. No Violão de nylon a sensação de tocar e a sonoridade são originais, o que produz aquele timbre característico das duplas de viola e violão.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Zé Brasil: Como qualquer atividade humana o músico independente lida com todo tipo de situação. O preço que se paga por uma liberdade criativa tem que ser assumido pelo artista.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Zé Brasil: Já tive a fase de trabalhar com empresários e produtores. Atualmente trabalho sozinho e conto com a colaboração, na maioria das vezes voluntária, dos amigos e da família.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Zé Brasil: Meu trabalho, principal hoje, é publicar tudo que já gravei e lancei. A Internet propicia essa possibilidade para o artista independente.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Zé Brasil: A internet ajuda, principalmente, para eu publicar tudo que já gravei e lancei. Tradicionalmente era quase impossível publicar seu trabalho fora das grandes gravadoras, do mainstream. Ao mesmo tempo, hoje em dia, a quantidade e variedade de informação dificulta a divulgação das músicas. O marketing digital é fundamental para isso e eu, como estou fora do mercado, não conto com essa ferramenta.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Zé Brasil: Acho que para o artista independente é a melhor coisa que já aconteceu nos últimos anos. Mas requer investimento e desenvolvimento contínuo. Para seu trabalho soar profissional é necessário um longo aprendizado e experiência, além de um bom equipamento.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas, concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Zé Brasil: Acho que o meu diferencial é a minha música e o CD não é mais o único produto final. Procuro utilizar as distribuidoras e plataformas online para lançar os produtos através da minha gravadora Natural Records BR e alguns CDs óbvio.

19) RM: Como você analisa o cenário da música Sertaneja. Em sua opinião quem foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Zé Brasil: Apesar da qualidade e originalidade não serem os fatores dominantes nesse setor. O trabalho de uma dupla como Chitãozinho e Xororó tem que ser reconhecido e respeitado.

20) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Zé Brasil: Compor uma música bonita e artisticamente significativa é o que me deixa mais feliz, assim como ouvir música boa. A felicidade depende de cada um, de cada momento. A tristeza faz parte da vida e é fonte de inspiração também.

21) RM: Quais os outros instrumentos musicais que você toca?

Zé Brasil: Além da viola, violão e guitarra, ainda toco um pouco de piano, mas meu instrumento principal sempre foi a bateria, paixão da minha vida.

22) RM: Quais os vícios técnicos o violeiro deve evitar?

Zé Brasil: Depende de cada um, acho que qualquer vício deve ser evitado em qualquer instrumento.

23) RM: Quais os erros no ensino da Viola?

Zé Brasil: Não me sinto qualificado para responder, pois o único método que estudei um pouco foi o do Tonico e Tinoco, que é muito simples. Aprendi e continuo aprendendo vendo e ouvindo os violeiros tocarem.

24) RM: Tocar muitas notas por compasso ajuda e prejudica a musicalidade?

Zé Brasil: Depende do que a música requer.

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Zé Brasil: Eu digo que é preciso saber se é o que a pessoa realmente quer, independente do resultado. Fama e grana é para poucos que se dispõem a dar a vida por isso.

26) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Zé Brasil: A partir do momento que você escolhe o rumo certo o aprendizado tem que ser coerente com isso.

27) RM: Existe o Dom musical? Qual a sua definição de Dom musical?

Zé Brasil: Sim, dom é o chamado talento inato e poucas pessoas nascem com ele.

28) RM: Qual a sua definição de Improvisação?

Zé Brasil: Criatividade, técnica e conhecimento, senão não funciona.

30) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Zé Brasil: Existem os dois casos, assim como na leitura: você pode estudar antes ou ler à primeira vista. Mais uma vez, depende da capacidade de cada um.

31) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Zé Brasil: Harmonia, assim como melodia e ritmo, são fundamentais para a música. Estudei Harmonia na Fundação das Artes de São Caetano do Sul e no CLAM CLAM – Centro Aprendizagem Musical do Zimbo Trio. Foi e é fundamental para a minha formação.

32) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário musical brasileiro?

Zé Brasil: Estou fora do mercado e acho que tudo é uma questão de momento, de marketing.

33) RM: Qual a importância de espaço como SESC, Itaú Cultural, Caixa Cultural, Banco do Brasil Cultural para a música brasileira?

Zé Brasil: São importantes, pois são responsáveis pelos referenciais de qualidade na arte musical.

34) RM: Quais os seus projetos futuros?

Zé Brasil: Desde 2017, me dedico a carreira solo, sem abandonar os projetos coletivos. O aqui e agora são mais importantes do que o futuro.

35) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Zé Brasil:

(11) 98586 3859 | [email protected]

| [email protected]

Facebook: https://web.facebook.com/ze.brasil

Instagram: https://www.instagram.com/zebrasil2019

Spotify: https://open.spotify.com/user/12172353182?si=fba9de000b82465a

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCdwy_DYh7wveOvC1S4Qd32w

Viola Paulistana: https://www.youtube.com/watch?v=7963L6kwiVk

APOKALYPSIS LIVE IN SAO PAULO: https://www.youtube.com/watch?v=IGXj_2dr6Eg

APOKALYPSIS (1971 – 2009): https://www.youtube.com/watch?v=QRW2nOxgLU4

Tratore: https://tratore.ffm.to/povobrasileiro

Spotify: https://open.spotify.com/playlist/4XnDSHz8K6PNffZQWuHF8K?si=c735553f49424eb4

Sound Cloud: https://soundcloud.com/user508114931?utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing

Discos: https://rateyourmusic.com/artist/ze-brasil


Comments · 1

Deixe um comentário

*

Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.
Notícias por WhatsApp