Velho Oliveira

Velho Oliveira 1 Entrevista - Música - Revista Ritmo Melodia
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Tempo de Leitura: 9 minutos

Velho Oliveira é um compositor e cantor do Leste Fluminense que busca através das suas canções passar as suas percepções sobre a vida cotidiana e experiências como artista brasileiro.

Suas influências vão de bandas do rock nacional dos anos 80 e 90 passando por Raul Seixas, Belchior entre muitos outros. As suas músicas têm como base o violão, porém quando acompanhado dos Agregados incorpora o sentimento da guitarra, o peso do contrabaixo, a levada batera e os efeitos da percussão.

Em dezembro de 2016 lançou seu primeiro EP independente intitulado “Seu conjunto vai fazer sucesso” com 6 músicas. O artista lançou em 2018 o disco chamado “O Cantador de Calçada”.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Velho Oliveira para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 21.06.2019:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Velho Oliveira: Eu nasci em Niterói-RJ no dia 03 de junho 1984 e me mudei com 6 anos de idade para São Gonçalo-RJ. Mas me considero do Leste Fluminense, região que engloba as cidades de São Gonçalo, Maricá, Itaboraí, Niterói entre outras que ficam do outro lado da baía de Guanabara em relação à cidade do Rio de Janeiro.  Registrado como Adriano Oliveira.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Velho Oliveira: O primeiro contato com a música foi na minha adolescência por volta dos quatorze anos, mais ou menos, quando ganhei do meu primo e da minha tia meu primeiro violão. A partir daí comecei a aprender as músicas das bandas/artistas que eu gostava e comecei a me arriscar nas primeiras composições, antes disso eu apenas escutava música em casa por influência da minha mãe e na casa dos meus familiares em festas, reuniões etc.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Velho Oliveira: Eu não tenho formação musical, aprendi o pouco que sei tocando em rodas de violão com amigos, tocando em bandas de rock, tocando por aí. Fiz algumas aulas de teoria musical, mas o método das aulas não me agradava e acabei abandonando. Porém considero importantíssimo o estudo musical. Fora da música, eu sou formado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Velho Oliveira: Minhas influências são muito diversificadas, passando pelo rock e suas várias vertentes, reggae, MPB e outros estilos. Mas as influências que ficam mais evidentes na minha música atualmente são de artistas como Belchior, Raul Seixas e Wander Wildner e de bandas nacionais como Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii, Natiruts e Dead Fish entre muitas outras. Acredito que nenhuma influência perca a importância, elas apenas se agregam as outras que surgem, pois estamos sempre escutando coisas novas, tanto artistas/bandas da minha geração, como revisitando e conhecendo a obra de artistas/bandas do passado.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Velho Oliveira: O trabalho que desenvolvo hoje com base no formato Voz e Violão, às vezes com banda, teve início no ano de 2009 no Bar do Ed em Alcântara em São Gonçalo – RJ, antes disso toquei contrabaixo em três bandas de rock desde 1999.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Velho Oliveira: Lancei o meu novo disco – “O cantador de calçada” em dezembro de 2018 e lancei em 2016 meu EP – “Seu conjunto vai fazer sucesso”. Os dois estão disponíveis em vários streamings (Spotify. Deezer, Youtube entre outros). Tenho vários músicos parceiros que me acompanham tanto nas gravações quanto nos shows, nas gravações: Felipe Kbça, Rodrigo K7, Paulim Roberto, Daniel 69, Darcy Fonseca, Enzo Schilirò, Marcos Magrito. Já nos shows os músicos que me acompanham são vários, entre eles estão: Lucas Toru na bateria. Na guitarra Darcy Fonseca, Enzo Schilirò, Marcos Magrito e Leandro Brito. No contrabaixo Paulim Roberto, Samuel Pinheiro e João Ninguém e na percussão Marlon Silva, Gabriel Telesforo, Roberta Braga e Doug Freitas, esses são os Agregados. O EP lançado em 2016 tem uma pegada bem rock e as músicas que mais se destacaram foram: “Nikiti City” e “Quem é que joga uma moeda para mim?”.  Já no novo disco as músicas que se destacaram foram: “Eu não toco Ana Carolina”, “Sinta o golpe”. Todas essas canções têm clipes no Youtube.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Velho Oliveira: É bem complicado responder essa pergunta (risos), pois somos brasileiros e temos muito estilos em nosso país e recebemos influências de várias partes do mundo, principalmente dos EUA e Europa, e de certa forma somos influenciados por vários deles, mas respondendo à pergunta, eu defino como Rock y otras cositas más.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Velho Oliveira: Já estudei sim, mas foram poucas aulas. Não dei prosseguimento, mas pretendo voltar. É muito importante.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Velho Oliveira: Importantíssima, pois é a nossa ferramenta de trabalho, mas confesso que não dou a atenção devida a minha voz.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Velho Oliveira: Ah… São vários, mas posso citar algumas cantoras como: Cássia Eller, Vanessa da Mata, Elis Regina, Maria Bethânia entre outras que não lembrei agora. Agora cantores, gosto do Renato Russo, Raul Seixas, Belchior, Criolo, Alexandre Carlo, Rodrigo Lima, Sergio Sampaio, Gonzaguinha, João Nogueira, Nelson Gonçalves entre outros que não lembrei.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Velho Oliveira: Geralmente vem uma ideia na cabeça, que pode surgir em qualquer lugar ou hora, durante alguma conversa ou observação no dia-dia, como um amigo e compositor João Ninguém diz: “as músicas estão no ar e a gente faz o download”. Daí eu anoto ou gravo no celular e desenvolvo com calma no violão em casa e esse processo pode durar alguns dias, semanas ou alguns anos (risos).

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição? 

Velho Oliveira: Já tive alguns parceiros como: Fabinho Melo e Erick Cabelo, mas nunca de maneira fixa. Quando pinta alguma ideia a gente compartilha com os parceiros, às vezes ela se desenvolve e às vezes não, faz parte. Ultimamente, fiz uma canção intitulada “Meu violão é a minha arma” com o meu amigo e parceiro João Ninguém. Espero que surjam outras canções e outros parceiros.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Velho Oliveira: Ninguém ainda, mas também não tenho o costume de enviar. Tem surgido algumas canções que estou pensando em enviar.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Velho Oliveira: Acho que a grande vantagem da carreira independente é a liberdade artística, pois não tem ninguém opinando nas suas decisões, entre outras coisas. Já a grande desvantagem são os custos da carreira que você não divide com ninguém, mas é o preço da liberdade.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Velho Oliveira: Eu tento levar minha carreira buscando contato com outras pessoas (web rádios, portais de música, outros artistas de várias áreas etc) para que possam conhecer o meu trabalho, pois ainda acredito no contato direto com as pessoas. Gravo meus discos e tento fazer o máximo de apresentações possíveis. Também disponibilizo os meus trabalhos nas plataformas digitais e mantenho contato com quem acompanha meu trabalho pelas redes sociais.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Velho Oliveira: Eu tenho participado de coletivos de artistas da música, poesia, escritores entre outras artes da minha região, no qual posso citar o “Encontro Acústico Autoral”, que reúne compositores, artistas solos e bandas para divulgarmos nosso trabalho.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Velho Oliveira: Eu vejo de forma positiva, pois dá para fazer com que as pessoas possam ter acesso ao seu trabalho e o conheçam melhor. Porém, é necessário algum investimento financeiro para alcançar o grande público, os chamados posts patrocinados, o que não foge de como era antes da internet.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia de gravação (home estúdio)?

Velho Oliveira: Eu só vejo vantagem, pois tornou o acesso de gravação mais acessível. Os meus trabalhos foram todos gravados em home estúdio. O complicado ainda é divulgação do trabalho, fazer com que um número maior pessoas conheçam as canções.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Velho Oliveira: Tento me diferenciar sendo o mais criativo possível e manter um contato direto com as pessoas que se conectaram de alguma forma com a minha música, acho que é isso…

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Velho Oliveira: O cenário musical brasileiro está bem diverso como sempre foi. Sobre as revelações das últimas décadas posso destacar a cantora Pitty que surgiu no começo anos 2000 e nos últimos anos destaco a galera do RAP com nomes como Criollo e Emicida entre outros. Esses ainda seguem com trabalhos bastante contundentes e buscando novos caminhos para a música que desenvolvem, flertando com outros estilos musicais. Recentemente surgiram as bandas de rock que trabalham muito bem as redes sociais como: Supercombo, Far from Alaska, Scalene, O Terno entre outras. Essas bandas estão tendo cada vez mais destaque no cenário musical e conquistando mais fãs.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Velho Oliveira: Posso citar o Humberto Gessinger, pois ele é um dos artistas que surgiram nos anos 80 e que conseguiu trazer novidades, sempre lançando discos novos, renovando a sua música e o seu público. Ele é um bom exemplo para mim. Outro músico/artista que admiro a carreira e acompanho é o Maurício Baia, curto muito o trabalho dele.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Velho Oliveira: Acho que as mais corriqueiras são a falta de condições técnicas para o show por parte de quem está promovendo o evento e do público que não entende o seu trabalho e ficam te pedindo músicas que são a moda do momento e que não tem nada haver com o seu repertório (risos). Brigas, gafes, cantar e não receber e ser cantado ainda não aconteceu comigo.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Velho Oliveira: O que mais me deixa feliz é cantar, compor e como dizia Sergio Sampaio “jogar música no ar”. Outra situação que também me deixa muito feliz é quando eu consigo perceber a emoção das pessoas ouvindo e sentindo as músicas que estão no meu repertório. O que me deixa mais triste é o mesmo que deixa a maioria dos artistas brasileiros, que é não conseguir financeiramente viver da sua arte.

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Velho Oliveira: Tem uma cena rock/musical bacana rolando no Leste fluminense, mais precisamente em São Gonçalo-RJ, Itaboraí-RJ, Maricá-RJ, Niterói-RJ por onde eu circulo mais. Em São Gonçalo, por exemplo, na atualidade existem alguns coletivos de Rock, como: o Encontro Acústico Autoral, Visceral Fest, Rock Metropolitano, Rock na Pista entre outros, que estão movimentando a cena rock. Existem também muitos bares de rock em São Gonçalo como o Custom Pub, Palco Salvatoria, Metalica Pub, Rock n’ Beer, Bar do Blues, este último apesar de não está recebendo tantos eventos de rock como os outros bares citados têm um histórico bacana na cena rock da cidade. Os moto-clubes de São Gonçalo também de alguma forma movimentam a cena Rock da cidade, porém tendo um enfoque muito forte para bandas covers. Em Itaboraí-RJ também existe uma cena de rock muito forte com bandas autorais, estas bandas se apresentam, principalmente no Bar do Beco e no Pub Fiction of Rock entre outros pontos da cidade. Em Maricá, os moto-clubes e alguns bares puxam a onda rock na cidade, já em Niterói rola alguns eventos de Rock no Bar do Renato, Cavernas Bar e no Convés no bairro de São Domingos (Praça da Cantareira), existem também alguns bares Rock n’ Roll na região oceânica da cidade como o Easy Rider em Itaipú. Vale citar algumas webs rádios da região que colaboram de forma extraordinária com a divulgação do rock das cidades citadas e de outras partes do país como: Web rádio Galpão, a web rádio M.T.N.P – Música tá na pista, web rádio Trilogia com o programa Essência do Rock e web rádio Araribóia Rock News. Acredito que a cena rock no Leste Fluminense ainda pulsa, porém de forma ainda muito tímida em relação ao resto do país. Para que pudéssemos ter um maior destaque, o caminho seria a união de todos que estão envolvidos com o com a música, com o Rock n’ Roll, pois ainda vejo alguns pensando de forma muito egoísta, mas enfim…

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Velho Oliveira: Tenho vários artistas e bandas da minha região, da cidade de São Gonçalo temos as bandas: Concreto Armado, Novos Boêmios, Dico e Gonga Sound, Frogslake, Locomotiva RJ, Yellow Flavor, Amplifica entre outras; de Niterói temos o cantor e compositor João Ninguém e o Duo Prajna, já da cidade de Itaboraí temos a banda Dive, a banda Limo e o cantor e compositor Rafael Redgrave. Esses são os que eu lembrei, mas existem várias bandas na minha região.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Velho Oliveira: Não. O mercado musical é movido pelo jabá (pagamento para tocar uma música na programação). Mas temos as rádios web como uma ótima opção, mesmo ainda não tendo o mesmo alcance FMs aqui no Brasil.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Velho Oliveira: Que seja sincero no que faz e que tenha perseverança.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Velho Oliveira: Ainda não participei de nenhum Festival de Música nessa nova fase da minha carreira musical, só participei como baixista das bandas que fiz parte. Mas gosto muito da ideia dos Festivais de Música, desde que sejam organizados de forma séria.

29) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música revela novos talentos?

Velho Oliveira: Sim. Como disse antes gosto muito da ideia dos Festivais de Música e espero participar de algum em breve.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Velho Oliveira: Eles cobrem de maneira muito superficial, privilegiando a galera que paga o “jabá” e cai na mesma situação das rádios, que fazem parte da grande mídia.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Velho Oliveira: Só ouço falar, não conheço muito bem. Dizem que é bacana entrar nesses circuitos, mas no momento não tenho uma opinião.

32) RM: O circuito de Bar no Rio de Janeiro ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Velho Oliveira: No Rio de Janeiro, os Bares para os músicos que fazem um repertório conhecido, eu acredito que sim, mas os que fazem música autoral não são tão bons, infelizmente.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Velho Oliveira: No momento quero divulgar o máximo possível o meu novo disco “O cantador de calçada” e fazer shows. E já estou começando a compor novas músicas para um novo disco.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Velho Oliveira: (21) 99210 – 5700 | https://www.facebook.com/velhooliveiraeosagregados/ | [email protected]

| www.velhooliveira.com.br

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.