The Baias

The Baias

Tempo de Leitura: 7 minutos

O rapper e regueiro baiano The Baias criado em Porto Seguro – Bahia e que em 1994 muda-se para São Paulo.

TheBaias é filho de Mãe baiana e pai italiano os mesmos envolvidos com a música, por isso, o gosto e intimidade com a música em geral. Em 2004 a música reggae entra em seu destino e na sua vida. Ele costuma dizer: “Eu não escolhi a música Reggae na minha vida. A música Reggae me acolheu”. Ele morou em uma garagem e trabalhou cuidando de todos os equipamentos de eventos de Reggae e trabalhou nos eventos e teve contato com muitas bandas das antigas e da cena atual do de Reggae. Assim acabou trabalhando como roadie da banda “Raiz Urbana” de São Paulo.

O gosto pelo ritmo jamaicano é tão grande que em 2004, ele e amigos funda a sua primeira banda “CaprirroTTs” em Carapicuíba – SP. A banda “CaprirroTTs” serviu para a descoberta do seu lado compositor, inclusive nasce o apelido “Baías” e sua primeira canção foi “Vai Chegar”. Em 2006 entrou como cantor e compositor na banda “Raiz Imperial” de Jundiaí – SP, em que colocou em prática suas músicas, ideias e teve uma grande experiência no cenário reggae e o mundo dos shows.

Em 2008 iniciou o projeto “Siliberte” e em 2009 nasceu a banda “Siliberte Roots” que permaneceu até 2019, em 10 anos a banda teve formações diferentes e nasceu todas as suas músicas, entre elas: “Vai chegar”, “Bons momentos”, “Mãe África”, “Estamos cansados”, “A vida é assim”, “Trilha da vida”, “Vamos trilhar”, “Povo sofrido”, “Menino zyon”, entre outras.

TheBaias lançou um EP-CD solo em 2017 que está disponível na plataforma digital: https://open.spotify.com/artist/69fO8G77uTaLqCrSz8sV6v . Participou no trabalho de alguns artistas da cena RAP, Rock, Reggae e teve também algumas participações desses artistas em seus projetos. “Tristeza não paga dívida esse é um ditado antigo. Só pode chorar a morte, quem morreu sem ter vívido” – TheBaias.

Segue abaixo entrevista exclusiva com TheBaias para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 06.04.2020: 

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual sua data de nascimento e sua cidade natal? 

TheBaias: Nasci no dia 14.07.1986 em Eunápolis – BA e criado em Porto Seguro – BA, fui registrado como Caio César de Souza; moro em Carapicuíba – SP e uso como nome artístico Caio Baias e TheBaias. 

02) RM: Qual sua formação musical e acadêmica fora música?

TheBaias: Sou Cantor; Compositor; Tatuador; Desenhista; Artesão.

03) RM: Quais suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Caio Baias: Minha referência musical envolve todos os estilos que fizeram parte da minha infância nos anos 1990. Mas forte vem músicas baianas; Samba; MPB; RAP; Rock e Reggae. Não me pego ouvindo Pagode, Sertanejo, FUNK, música brega entre outros.

04) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

TheBaias: Em meados de 2004 com a banda “CaprirroTTs” em Carapicuíba – SP. Em 2006 com a banda “Raiz Imperial” do bairro Jd. Moinho em Jundiá – SP. Desde 2009 até 2019 com a banda “Siliberte Roots” a qual fui fundador. Final de 2019 eu comecei a carreira solo.

05) RM: Quantos discos lançados?

TheBaias: Em 2005 gravei o EP com cinco músicas na banda “CaprirroTTs”. Acredito que as músicas, mas apreciadas são: “Vai chegar”; “Trilha da vida”; “Bons Momentos”. Os músicos da banda “CaprirroTTs” não estão mais envolvidos com a música.

06) RM: Como você define seu estilo musical dentro da cena reggae?

TheBaias: Posso me definir como um cantor RAP e Reggae. Sou um pouco de Musico, Intérprete e MC (Mestre de cerimônia).

07) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

TheBaias: Muitos. Fica até difícil selecionar alguns. Gosto muito da Amy Jade Winehouse, Nana Caymmi, Alexandre Carlo, Phony Ppl, entre outros.

08) RM: Quem são seus parceiros musicais?

TheBaias: Já tive parceria com: Nino Bento (@bentovibes) na música “Povo Sofrido”. Wesley Rocha (@godoodog) na música “O que te inspira”.

09) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

The Baias: Os prós é fortalecer com quem nos apoia para irmos e com mais proporção. Os contras é ter que correr atrás de tudo no Eu e Eu e por outro lado encontra seus próprios espaços para a carreira se desenvolver seguindo nossa visão e etc.

10) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver sua carreira musical? 

The Baias: Tento participar de todos os eventos: público, cultural e beneficente para poder propagar meus trabalhos. Mas trabalho com um projeto social “Meninos da Campo”. São crianças e adolescentes e veterano, em que tento expor minhas músicas juntamente com as práticas esportivas.

11) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

The Baias: No passado com os CDs, camisas, fitas entre outros, vendidos pessoalmente ajudava a propaganda do artista. Com o advento da internet ficou fácil acesso, tanto com o artista quanto com a música e produtos, mas o artista tem que ter o algo a mais para poder vender o show.

12) RM: Como você analisa o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

The Baias: O cenário do Reggae poderia abrir mais espaço para novos artistas, ajudando a cena permanecer forte. Já em relação às bandas que estão atravessando gerações é bom sinal de que o cenário está forte. Admiro muito a caminhada de muitos artistas do reggae no Brasil, a exemplo: Barriga, Nengo Vieira, Sine Calmom, Tribo de Jah. Adão Negro, Edson Gomes, entre outros.

13) RM: Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso à tecnologia  de gravação (Home Studio)?

The Baias: O bom são as boas qualidades e produções com recursos de hoje em dia para um trabalho massa de se ouvir. Mas o bom é a apresentação ao vivo, sem sombras de dúvidas no que se ouve.

14) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

The Baias: Admiro muito os artistas que permanecem nos palcos: Skank, Paralamas e Gilberto Gil, Caetano Veloso que são dois monstros consagrados.

15) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

The Baias: Passei praticamente por todas as situações citadas na pergunta (risos). Acredito que a maioria dos artistas também. Mas uma que eu nunca esqueço foi quando tocamos em Bar e chegou uma mulher e paro o som. Todos nós ficamos sem entender. Ela me puxa pelo pescoço e disse: Toca agora “Dama de vermelho” (de Pedro Caetano) sucesso na voz de Francisco Alves (risos). Ela estava de vestido vermelho…

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

The Baias: Não tem dinheiro que pague nem como descrever a minha alegria quando o público aplaude ou canta junto comigo as minhas músicas. Triste é ver muita coisa “ruim estralando” e vários artistas bons sem espaço pra se apresentar.

17) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

The Baias: Em Carapicuíba – SP é muito forte a cena do Rap, do Reggae e do Rock. Vários artistas underground: Dbs e a quadrilha, Negritude Júnior, A Raiz da a Vida, Raiz Profunda, Siliberte Roots, Família 4 vidas, Godo, Rdj, Sukim de 10.

18) RM: Quais os cantores e cantoras que gravaram as suas canções?

The Baias: Diego Mp3 gravou: “Vamos trilhar”. Guetoo Ruhts gravou: “Humildade e Respeito”.

19) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

The Baias: Sim. Em 2020 já estará. Afinal o vil metal sempre está distante.

20) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

The Baias: Digo que a Luta é grande, mas não desista em vão e confiei mais em você.

21) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

The Baias: É uma mistura que deu certo igual a Romeu e Julieta; Queijo e goiabada e assim vai. Mas temos exemplo de muitos artistas do reggae e regueiros que não fuma maconha. Vai da escolha de cada um…

22) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a religião Rastafári?

The Baias: Já não acho tão ligado o Reggae com a religião rastafári. Tem o ritmo Nyabinghi que é ligado devido às origens africanas. Mas Rastafári é um ser livre e limpo do mundo. Ele pode ouvir o que quiseres. Rastafári interno para externo.

23) RM: Você já usou os cabelos dreadlock? Você é adepto a religião Rastafari?

The Baias: Já tive dreadlock algumas vezes devido ao trabalho. Já tentei me adaptar a alguns costumes referentes à cultura reggae, mas não tão a fundo e tenho respeito. Hoje posso dizer sou um cristão livre.

24) RM: Os adeptos a religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa essa afirmação?

The Baias: Discordo. Somos todos iguais e cada um tem seu jeito de compor e se expor no cenário reggae, talvez o bom pra muitos não seja pra outros.

25) RM: Na sua opinião porque o reggae no Brasil não tem o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

The Baias: Pelo fato de o reggae não ter surgido aqui. Não existe Reggae brasileiro, mas brasileiros fazendo Reggae. Você já viu um grupo de samba japonês?

26) RM: Quais os prós e contras de usar o Riddim como base instrumental?

The Baias: Música é uma borboleta que sai casulo do alto falante. É bom ter uma banda fazer um som todos juntos, mas a intenção é fazer nascer o som para poder ouvir não impor com ele nasce e sim com ele vai sair.

27) RM: Você faz a sua letra em cima de um Riddim já conhecido usando uma linha melódica diferente?

The Baias: Como eu perdi o braço esquerdo quando surfava em cima de um trem e esbarrei em um ficou de alta tensão; não pude mais tocar o violão e compor. Uso alguns riddim como referência para o produtor musical gravar no estúdio, mas nada tão abusivo, afinal as vezes tenho músicos pra uma produção em estúdio.

28) RM: Você acrescenta e exclui arranjos de um Riddim já conhecido?

The Baias: Eu usei dois riddim. Tentei contato com os representantes dos mesmos não ocorreu. Rolou uma conexão massa em riddim e letra por isso eu levei adiante.

29) RM: Quais os prós e contras de fazer show usando o formato Sound System (base instrumental sem voz)?

The Baias: Graças a Radiola Jah Ys Love tive contato direto com o formato Sound System. É muito bom e tudo é aprendizado nessa vida. Hoje no meu trabalho solo eu conto muito com esse formato no show. Eu, DJ, Riddim sempre compareço quando sou convidado.

30) RM: Você se apresenta com Banda?

The Baias: Sim. Mas hoje em dia fica meio difícil pra se apresenta com Siliberte Roots e alguns FreeMusic que n + Adicionar nova categoria os apoia.

31) RM: Quais os seus projetos futuros?

The Baias: Tenho como plano para 2020 o projeto “Perfil” no qual quero apresentar todas as minhas músicas lançadas e as novas. Isso inclui a primeira música feita em 2004 até feita no final de 2019. Tenho algumas músicas disponíveis em todas as plataformas digitais. Pesquisando #caiobaias encontra elas.

32) RM: Quais os contatos do The Baias para show e para os fãs?

The Baias: (11) 7189 – 8949 (WhatsApp) | [email protected] |

www.facebook.com/caio_baias |www.instagram.com/caiobaias_oficial    

 |https://www.youtube.com/playlist?list=PLLV38CeZ14heeY2dvpcwLYeMoPglJZKtJ

 | https://open.spotify.com/artist/69fO8G77uTaLqCrSz8sV6v

 | https://vivomusica.napster.com/artist/caio-baias/album/na-contra-mao-do-mundo

 | https://music.apple.com/us/artist/caio-baias/1271072115

 | https://www.amazon.com/Bons-Momentos/dp/B074RJS56M

The Baias 1 Ritmo Melodia

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.