Tetel Di Babuya

Tetel Di Babuya

A cantora, compositora e violinista paulista Tetel Di Babuya lança “Mon Choux”, seu primeiro disco autoral com arranjos de Daniel Grajew.

O primeiro álbum tem forte influência do jazz, da bossa, do samba e do blues, as músicas apresentam letras em inglês e o tema da entrega total em relacionamentos versus autossuficiência, com um toque sarcástico. Autobiográficas e bem-humoradas, as canções falam do amor visceral, visto tanto por ângulos otimistas e inocentes como por ângulos distorcidos e ligeiramente estranhos. O disco já estar em todas as plataformas digitais desde 10 de novembro 2020.

Gravadas de forma espontânea e o mais perto de ao vivo possível, todas as canções são de Tetel Di Babuya, letra e música. Cantando e tocando violino, a artista é acompanhada no disco por Daniel Grajew (piano, acordeom e Rhodes), Nilton Leonarde (baixo acústico, baixo elétrico e violão), Emílio Martins (percussão) e Richard Fermino (sax, trompete e trombone).

“Sou muito intensa sobre relacionamentos amorosos, e apesar de não ter tido a intenção de fazer um disco todo sobre esse tema, ficou assim e rendeu a música Not about love que é uma grande piada sobre pessoas ridiculamente românticas como eu”, afirma a artista. “O álbum tem um pouco de tudo que eu gosto: canções em homenagem a jazz standards como a Lullaby of Loveland e Willow; estilo bigband de Count Basie e Glenn Miller em Hello, hun; romantismo com uma pitada de folk em All and more e Spellbound; groove em Big game; blues em Upright lad blues; bossa e samba em Mea Culpa e Você; estilo cabaré em Not about love e improvisação livre no free jazz de Am I through?”, resume Tetel.

Tetel Di Babuya iniciou os estudos de violino aos nove anos e desde os 13 anos de idade, atua em orquestras. É bacharel em violino pela USP e mestre em música pela UNESP. O gosto pelo canto sempre esteve presente em sua formação musical, sendo, além da música erudita, suas maiores influências como artista a bossa nova, jazz e blues. Nos últimos dois anos tem se aperfeiçoado como cantora e se apresentado em casas de jazz.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Tetel Di Babuya para a www.ritmomemelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 24.12.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Tetel Di Babuya: Nasci no dia 14.03.1986 em Araçatuba, interior de São Paulo. Mas só nasci lá, sempre morei na capital. Era tradição da família que os bebês nascessem onde os meus avós moravam. Registrada como Marcela Isabele Venditti Sarudiansky.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Tetel Di Babuya: Comecei estudar música aos nove anos na antiga Universidade Livre de Música Tom Jobim, agora chamada EMESP. Comecei no violino já e não parei desde então. Sempre amei participar de corais e grupo vocais e além da música erudita, a mpb e o jazz são paixões que sempre foram presentes.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Tetel Di Babuya: Sempre toquei em orquestras, quando eu tinha 13 anos de idade participava da Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo e mais tarde participei de outras, como OCAM, OSUSP e OSESP. Ano passado tocava na montagem do musical O Fantasma da Ópera em São Paulo. Sou bacharel em Violino pela USP e mestre em música pela UNESP.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Tetel Di Babuya: A música erudita como um todo é sem dúvida minha maior influência já que é o estilo que mais vivenciei na minha vida profissional. Mas paralelo a isso, a bossa nova, jazz, blues e soul são as influências mais fortes que eu tenho. Hoje em dia é o que mais acabo escutando. Sempre amei artistas brasileiros como Djavan, Tom Jobim, Chico Buarque. Quando descobri o jazz um pouco mais tarde, lá pelos 20 anos, me apaixonei perdidamente pelo repertório vocal desse estilo: Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Sarah Vaughan, Dinah Washinton, Nina Simone, Joe Williams, Amy Winehouse. Impossível citar todos, há tantos cantores sensacionais que influenciam quem gosta desse estilo. Mais tarde fui conhecendo o jazz instrumental e ainda estou engatinhando no caminho de conhecer mais desse estilo tão rico.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Tetel Di Babuya: Considero que minha carreira musical começou quando entrei na primeira orquestra, porque apesar de eu ser estudante e longe de ser profissional, eu me encantei e já sabia ali que minha vida ia ser a música, não tinha como ser feliz em outra área. Isso foi lá pelos 13 anos de idade na Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Tetel Di Babuya: Estou lançando meu primeiro CD – “Mon Choux”. Foi lançado dia 10 de novembro de 2020 e está disponível em todas plataformas digitais de streaming.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Tetel Di Babuya: Eu diria que influenciado por jazz, blues, bossa e erudito.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Tetel Di Babuya: Estudei e continuo estudando, é um caminho eterno.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Tetel Di Babuya: A voz é o instrumento do cantor. Qual a importância de se cuidar bem de seu instrumento? Simplesmente importância total, dependemos dele para nos expressar artisticamente. Quanto à técnica, é um dos caminhos que facilitam se chegar na expressividade musical.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Tetel Di Babuya: Cantoras atemporais como Ella Fiztgerald, Billie Holiday, Sarah Vaughan, Dinah Washington, Nina Simone, Joe Williams, Nat King Cole, entre tantos outros. Adoro Amy Winehouse, porque vejo ela como uma cantora de jazz de tempos modernos que uniu suas influências nesse estilo com sua habilidade de compositora com muita personalidade. Adoro também cantoras de jazz atuais como a Jazzmeia Horn e a Cécile McLorin Salvant. Na música brasileira são tantos também, mas adoro especialmente Elis Regina.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Tetel Di Babuya: A letra vem junto com a melodia na maior parte das vezes. Tento partir de algum gancho, que pode ser uma nota, palavra, situação, sentimento, imagem, etc. Meu parceiro Daniel Grajew ajuda muito na harmonização e nos papos sobre o caráter das músicas, ele fez os arranjos do meu CD, e acredito que os arranjos fizeram as músicas acontecerem fora da minha cabeça.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Tetel Di Babuya: O pianista, acordeonista e arranjador Daniel Grajew. Além de um bom vinho…

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Tetel Di Babuya: Como são músicas inéditas e eu mesma sou a intérprete, por enquanto as gravações são só minhas. Mas seria um prazer ver outros artistas as gravando e tocando por aí.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Tetel Di Babuya: Tudo tem dois lados, a carreira independente não tem limite criativo, o que é ótimo, mas é um pouco intimidante também. A parte de poder fazer as coisas do meu jeito é muito legal, mas imagino que ter uma parceria seja muito produtivo e divertido também.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Tetel Di Babuya: Muito estudo e ética, acho que isso praticado no dia a dia leva a qualquer lugar que a pessoa almeje.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Tetel Di Babuya: Busco divulgar em redes sociais o máximo que posso, apesar que eu deveria me dedicar mais a isso, ainda me sinto de outra era. Teria sido feliz nos anos 40, eu acho.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Tetel Di Babuya: Acredito que se usado de forma inteligente, a internet só ajuda. É um veículo que atinge uma quantidade absurda de pessoas, imagino que seja muito mais fácil divulgar o trabalho hoje em dia do que há 20 anos atrás, por exemplo.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Tetel Di Babuya: Também não vejo desvantagens, acho que são ferramentas que o artista tem para se expressar e chegar ao público.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Tetel Di Babuya: Olha, posso dizer que discordo. Gravar um disco bem feito é um obstáculo enorme. Tudo bem feito dá trabalho. Entendo que hoje em dia a gravação de discos é mais democrática, especialmente pensando em artistas independentes como eu. Mas continua sendo uma tarefa muito difícil e prazerosa também, claro. Acho que concorrência sempre houve, e o que é de boa qualidade fala por si só.

20) RM: Como você analisa o cenário da MPB. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Tetel Di Babuya: Acho que toda música está em constante desenvolvimento. O Brasil é um país que é berço de talentos musicais na MPB e sempre será.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Tetel Di Babuya: Os músicos com quem gravei o CD são exemplos fantásticos de profissionalismo e qualidade artística, espero que eles sejam conhecidos do público. São o Nilton Leonarde, Emílio Martins, Daniel Grajew e Richard Fermino.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Tetel Di Babuya: Minha felicidade é o dia a dia tendo a música como minha principal companhia. Sinto-me a pessoa mais sortuda do planeta por que música existe e tive a oportunidade de conhecer essa arte desde pequena. Acho que só fico triste ao ver que podia haver mais incentivo às artes.

23) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Tetel Di Babuya: Não sei sobre dom, acho que há certas predisposições físicas, de personalidade e do ambiente ao redor da pessoa. Mas acredito que nas melhores condições possíveis, todos têm algum nível de aptidão musical.

24) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Tetel Di Babuya: Improvisação para mim tem a ver com presença no momento e com a música mental que se dermos espaço consegue escapar para o campo da realidade. Também tem a ver com o diálogo e troca com os outros músicos, o que eu acho que é a parte mais linda da música.

25) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Tetel Di Babuya: Se algum dia eu descobrir eu conto.

26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Tetel Di Babuya: Estudo nunca tem contra, na minha visão de mundo. Tudo que puder ser estudado, eu estudo.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Tetel Di Babuya: Estudo nunca tem contra, na minha visão de mundo. Tudo que puder ser estudado, eu estudo.

28) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Tetel Di Babuya: Ser artista já dá tanto pano para manga. Essas questões de música tocar nas rádios deixo pros produtores.

29) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Tetel Di Babuya: Estude muito e siga em frente, é uma dedicação total que vale a pena se isso é o que você ama.

30) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Tetel Di Babuya: Também só vejo prós! Qualquer oportunidade de fazer música, ouvir música e trocar experiência é boa e válida.

31) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Tetel Di Babuya: Sem dúvida que revela.

32) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Tetel Di Babuya: Acho que qualquer cobertura feita pela grande mídia sobre artes, no geral, e música já em si uma coisa ótima. Quanto mais, melhor. Falar sobre música e divulgar o trabalho dos artistas é um campo indispensável na sociedade.

33) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Tetel Di Babuya: São espaços maravilhosos de fomentação das artes.

34) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Tetel Di Babuya: A Covid-19 balançou a vida de todos e acho que todos músicos sofreram, vamos torcer por momentos melhores.

35) RM: Quais os prós e contras ser músico/musicista de uma Orquestra?

Tetel Di Babuya: Eu sinto que ser músico de Orquestra é uma arte por si só. Além de ser um instrumentista excelente tem que saber agregar ao todo e isso é muito mais difícil do que pode parecer. Então, um prol é que o músico se desenvolve ainda mais por estar nesse contexto que mistura excelência e flexibilidade. O único contra é que a rotina é cansativa, como de um atleta, mas isso faz parte do trabalho em si. Eu mal vejo como um contra, é mais uma constatação. Digo cansativa porque além dos ensaios e concertos o dia não acaba por aí. É chegar em casa e estudar mais horas e horas. Mas ser músico empenhado é sempre dessa forma, chega até ser um prol. E para mim é um prol ter o dia lotado de estudo e música.

36) RM: Quais os prós e contas de ser solista em uma Orquestra?

Tetel Di Babuya: Talvez ser solista seja o sonho da maioria dos instrumentistas clássicos, mas eu sempre gostei mais de tocar na Orquestra do que solar? Eu me sinto bem fazendo parte daquela massa sonora maravilhosa de forma menos evidente. Acho que por isso, mesmo como cantora tenho vontade de me sentir parte da banda, não alguém em destaque. Mas o prol deve ser se expressar com mais liberdade. Na minha carreira; que antes de cantar e abarcar o popular, sempre teve foco em tocar como integrante de uma Orquestra, não como solista, tive algumas oportunidades de tocar solo, mas nunca foi minha vontade. Sempre me diverti mesmo estando dentro da Orquestra.

37) RM: Como você analisa o cenário da música instrumental brasileira?

Tetel Di Babuya: Eu vejo que tanto no Erudito quanto no Popular, a música instrumental tem seu espaço no Brasil e isso é maravilhoso. Eu como musicista que ouço música praticamente o dia inteiro, vejo o quanto o papel do contraste entre música instrumental e vocal é necessário. É uma delícia para os ouvidos fazer essa variação, indo e vindo entre vocal e instrumental. Torço para que a música instrumental no Brasil continue crescendo em reconhecimento e espaço. Aliás, a música, no geral.

38) RM: Tetel Di Babuya, Quais os seus projetos futuros?

Tetel Di Babuya: Assim que a situação da pandemia permitir, marcar shows para divulgação do CD, e assim que a inspiração permitir, escrever e gravar um segundo CD.

39) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Tetel Di Babuya: [email protected]

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Débora Venturini – Venturini Assessoria de Comunicação

Tel.: (11) 98326 – 3851 | [email protected]


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.