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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antônio Carlos da Fonseca Barbosa.

Roninho do Acordeon

Roninho do Acordeon
Roninho do Acordeon

Roninho do Acordeon é um artista paraibano com mais de dez anos de carreira, natural de Campina Grande–PB, começou a tocar sanfona aos doze anos de idade, logo se destacou em sua cidade, ganhando o primeiro festival de Trios de Forró de Campina Grande organizado pelo Clube do Forró, logo após ganhou o concurso de melhor sanfoneiro do São João Paraibano organizado pela emissora Arapuã.

Roninho já fez duas turnês pela Europa, em 2016 tocou em festivais nas cidades de Zurich, Bern e Weggis na Suíça, em Freiburg, Munique e Berlim na Alemanha e em Milão na Itália, em 2019 juntamente com outros artistas campinenses participou do Maior São João da Suíça em Genebra. Além de se apresentar por todo o país participando de festivais de Forró no Sudeste, dentre eles o ROOTSTCK na cidade de Belo Horizonte – MG, e na Europa.

Roninho gravou e acompanhou diversos artistas dentre eles: Elba Ramalho, Alceu Valença, Gitana Pimentel, Os Três do Nordeste, Anastácia, Forró Gente Boa, Ton Oliveira, Biliu de Campina, Alexandra Nícolas, Sussa de Monteiro, Adília Uchoa, Lara Sales, Fidélia Cassandra, Bambas de Cartola, Dilsinho Medeiros, Edras Véras, João Gonçalves, Mestre Marrom, Eloisa Olinto, Compadre João, Os Três de Campina, Jeito Nordestino, Dió Araújo, Tiziu do Araripe, Janayna Pereira, Pepysho Neto, Henrique do Vale, Big Band Jazz da UFCG, Banda de Música do 2°BPM, e etc.

Lançou dois CDs, sendo um ao vivo no palco Principal do Maior São João do Mundo e um autoral intitulado “Todo Mundo Dança”. Além de um Documentário em DVD intitulado Na Pisada do Rei. Roninho do Acordeon além de músico, cantor e compositor é um ativista cultural, como Advogado fundou e preside a Comissão de Cultura e Arte da OAB Campina Grande, lutando em prol dos direitos dos artistas.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Roninho do Acordeon para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio carlos da Fonseca Barbosa em 16.07.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Roninho do Acordeon: Nasci em 14.01.1996 em Campina Grande – PB. Registrado como Ronalisson Santos Ferreira.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Roninho do Acordeon: Meu primeiro contato com a música aos oito anos de idade, quando ganhei um violão de presente, porém não aprendi tocar. Depois tentei aprender tocar bateria na igreja, contudo após alguns meses de aula o professor encerrou as atividades. Aos 11 anos de idade imitei Luiz Gonzaga na escola e me apaixonei pela música nordestina, até então não conhecia a obra de Gonzaga. Aos 12 anos ganhei meu primeiro acordeon e desde então não parei mais de tocar.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Roninho do Acordeon: Sou autodidata na música. Sou pós-graduado em Direito e Advogado.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Roninho do Acordeon: São muitas influências, divididos em vários gêneros musicais: Forró, Coco, Samba, Rock, Reggae, Bossa Nova, etc . Na música brasileira posso citar: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Sivuca, Ary Lobo, Jacinto Silva, Marinês, Zé Calixto, Luizinho Calixto, Biliu de Campina, Raul Seixas, Tim Maia, Bezerra da Silva, Tom Jobim, Cazuza, Chico Science, Zé Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Belchior, Elis Regina, João Gonçalves, Trio Nordestino, entre tantos outros. Na Música Internacional: Beatles. Nenhum desses deixaram de ser importantes, sempre estou ouvindo, pesquisando e bebendo na fonte desses nomes.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Roninho do Acordeon: Minha carreira profissional começou muito cedo, aos 13 anos (2009) já tocava no Parque do Povo em Campina Grande, aos 15 anos entrei na banda do cantor Ton Oliveira já como sanfoneiro base, nessa época já comecei a gravar sanfona com vários artistas.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Roninho do Acordeon: Como artista solo, são dois CDs e um documentário. Em 2017 o CD – “Todo Mundo Dança”. UM CD ao Vivo no palco Principal do Maior São João do Mundo em Campina Grande. O Documentário em DVD – “Na Pisada do Rei”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Roninho do Acordeon: Música Popular Brasileira, o próprio Dominguinhos dizia que o Forró também era MPB (risos).

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Roninho do Acordeon: Não me considero um cantor profissional, mas a necessidade me obrigou a cantar. Luiz Gonzaga dizia que todo sanfoneiro tinha que cantar também, demorou, mas depois entendi o significado do conselho do velho Lua.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Roninho do Acordeon: A voz na minha concepção é um instrumento musical, que requer muito estudo e zelo como qualquer outro instrumento.

10) RM: Como é o seu processo de compor?

Roninho do Acordeon: Sou compositor esporádico e não habitual, componho através de uma inspiração que me vem repentinamente, não tenho como descrever esse processo (risos).

11) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Roninho do Acordeon: O cantor e compositor Dilsinho Medeiros de Campina Grande – PB.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Roninho do Acordeon: O artista independente (expressão que crítico) tem a pseudoliberdade de escolher seu repertório e estilo se assim podemos imaginar. O lado ruim (o contra) é o mercado de trabalho que enfrentamos, a maioria dos artistas são literalmente produtos de empresários detentores de poder econômico e político do qual se torna quase impossível concorrer.

13) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Roninho do Acordeon: Eu procuro estudar muito, principalmente um repertório que eu possa encaixar nos mais variados eventos sem que eu perca minha essência e meu estilo musical.

14) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Roninho do Acordeon: A internet só ajuda, principalmente a nós “artistas independentes”, que podemos divulgar muito mais o nosso trabalho.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Roninho do Acordeon: O home estúdio democratizou o mundo das produções musicais, das gravações. Podemos nos produzir, e registrar nosso trabalho sem a necessidade de um contrato com uma gravadora. A desvantagem é concorrer com os grandes artistas que podem gravar com mais frequência e assim lançar trabalhos novos.

16) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Roninho do Acordeon: Dominar meu acordeon, e desenvolver ao máximo o seu potencial, ou seja, tocar outros ritmos é meu diferencial.

17) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Roninho do Acordeon: A música brasileira como um todo perdeu qualidade, o Forró há tempos não é mais puro, suas “modificações” não foram de fato modificações, o “Forró Estilizado” nada tem a ver com o Forró. A grande revelação do Forró foi Mestrinho. E quem permaneceu com obra consistente é relativo, tendo em vista que a pelo menos duas décadas não temos o Forró Pé de Serra no cenário nacional. E quem regrediu não tenho como responder.

18) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Roninho do Acordeon: Gilberto Gil, Mestrinho, Ivete Sangalo, Elba Ramalho e muitos outros, a lista é enorme (risos).

19) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Roninho do Acordeon: São muitas situações, apagão no meio do forró e literalmente terminarmos o show no escuro, um forró no escuro (risos). Sempre tem um bêbado enchendo o saco (risos). E já presenciei muitas brigas, principalmente em festas públicas. E já recebi calote de prefeituras e contratantes, faz parte da carreira (risos).

20) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Roninho do Acordeon: O que me deixa mais feliz com a música são os presentes humanos, os amigos que ganho por onde vou. Os lugares que já conheci através da música, e poder tocar minha sanfona e ver o salão lotado com o povo dançando. O que me deixa extremamente triste é a falta de reconhecimento e pessoas que por apadrinhamento político conseguem espaços que não consigo, ou seja, o talento e o trabalho sério são subestimados.

21) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Roninho do Acordeon: Foi ótimo, hoje o sudeste domina o Forró Pé de Serra que eles chamam de universitário. O “Forró universitário” veio para quebrar preconceitos, antes era visto como uma música de nordestinos; que em sua grande maioria são retratados de forma preconceituosa como matutos, pessoas violentas e de idade mais avançada. Ainda ouço pessoas dizerem que o Forró que toco é música de “velho”, então o “Forró universitário”; Falamansa por exemplo, quebra esse preconceito, já que eram paulistas e jovens que estavam cantando o Forró com zabumba, sanfona e triângulo.

22) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Roninho do Acordeon: Falamansa, Rastapé, Forróçacana, Bicho de Pé são os que mais ouço.

23) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Roninho do Acordeon: Nas grandes emissoras sem um intermediador ou um empresário dificilmente seu trabalho será tocado.

24) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Roninho do Acordeon: Não sei se sou a melhor pessoa para dar esse conselho, já que fui para a Advocacia, a música é muito cruel e injusta. O maior conselho que posso dar é: ESTUDE, seja a música ou outra área. Viver exclusivamente da música é quase uma missão impossível, você vai precisar de muitos outros apetrechos para sobreviver.

25) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Roninho do Acordeon: O lado bom são os contatos, as amizades que são feitas, e a visibilidade. Mas é uma faca de dois gumes, você poderá ser julgado por pessoas que não entendem nada da sua arte, e ser injustiçado, cabe a você saber se vale a pena correr o risco.

26) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Roninho do Acordeon: Pode até revelar, agora se o “novo talento” irá se manter no cenário musical é outra questão.

27) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Roninho do Acordeon: Como uma relação comercial como outra qualquer, se você tem dinheiro pode divulgar seu trabalho nos melhores programas das melhores emissoras você será pauta de cobertura na grande mídia.

28) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró dos anos 90 e as atuais do Forró Estilizado?

Roninho do Acordeon: Só penso que deveriam mudar o nome do gênero Forró, acredito que foi uma infeliz apropriação do ritmo. Enquanto a qualidade, eu curto as bandas dos anos 90 (Mastruz com Leite, Cavalo de Pau e etc) as bandas de “Forró Estilizado” não faz parte da minha dieta musical.

29) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com o saudoso João Gonçalves que nos deixou em 21.06.2021?

Roninho do Acordeon: João Gonçalves foi um grande amigo, uma pessoa de um coração enorme, generoso e humilde, tive a honra de gravar seu último trabalho, e de ter sua participação no meu CD.

30) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Sandrinho Dupan?

Roninho do Acordeon: Sandrinho Dupan é um amigo e irmão da música, já colecionamos muitas histórias e batalhas, fomos pra Europa juntos duas vezes, e continuamos trabalhando.

31) RM: Roninho do Acordeon, Quais os seus projetos futuros?

Roninho do Acordeon: Penso em gravar outro trabalho, com novas composições, misturar estilos musicais. E tenho um sonho de gravar um documentário ou um programa sobre sanfona, Forró e mostrar a realidade dos profissionais desse estilo.

32) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Roninho do Acordeon: (83) 98704 – 8642 |[email protected] | www.instragram.com/roninhodoacordeon

Roninho do Acordeon: https://www.youtube.com/channel/UCc2hxTyNDcacFmzJiLnHUkg

Anastácia e Roninho: https://www.youtube.com/watch?v=PMq0-3i2z6o

Roninho do Acordeon na TV Itararé: https://www.youtube.com/watch?v=sRxkK–2nkc

Biliu de Campina – Live do Maior São João do Mundo: https://www.youtube.com/watch?v=_E31UaWFeow


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pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antônio Carlos da Fonseca Barbosa.