Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antônio Carlos da Fonseca Barbosa.

Rodrigo Procknov

Rodrigo Procknov
Rodrigo Procknov

Rodrigo Procknov é bacharel em Violão, compositor e intérprete. Atua como um artista polivalente, desempenhando trabalhos nos campos da orquestração, arranjo, acompanhamento e interpretação como violonista.

Para chegar à síntese do seu estilo atual, Procknov teve a forte influência da veia musical da sua mãe, com quem, desde sua infância, escutava discos e programas de rádios de música popular e erudita. Depois de graduar-se como bacharel em Música, Rodrigo seguiu aperfeiçoando seus conhecimentos musicais por meio de aulas particulares com o maestro José Candido (harmonia funcional e arranjos) e cursos livres com músicos renomados do Brasil e do mundo.

Em 2009, licenciou-se em Artes pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Participou, também, de estudos que incluem master class com Baden Powell, Abel Carlevarro e Roger Eon e fez o curso de Arranjo e Harmonia com Ulisses Rocha na Universidade Livre de Música (ULM). Outra faceta do artista é a sua performance como acompanhante e arranjador de renomados músicos e cantores do cenário brasileiro e internacional, tais como: o violonista chileno Jaime Valenzuela, César do Acordeon, Tereza Miguel, Quique Sinesi, Celso de Almeida, Roberto Sion, Renato Texeira, Sérgio Reis, Banda Sinfônica de Lençóis Paulista, entre outros.

Atualmente, o músico dedica-se à divulgação dos seus trabalhos: Serra Pontiada, CD autoral; Ostinato Nordestino, em duo de violão e saxofone; Estradas, com o coletivo de violão Contratempo e (Com)versão, trabalho solo.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Rodrigo Procknov para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 09.12.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual é a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Rodrigo Procknov: Nasci no dia 11.12.1976 em São Paulo – SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Rodrigo Procknov: Os meus primeiros contatos com a música foram em casa por meio dos discos que minha mãe escutava e da música que ouvia no coral da igreja. No entanto, foi através do projeto “Artes nas Ruas” que tive a certeza de que queria ser músico, pois neste projeto vi um jovem violonista tocando na rua. E fiquei encantado com aquelas notas, com aquele som e disse a mim mesmo; naquele momento de modo não muito consciente, é isso que eu quero fazer pelo resto de meus dias.

03) RM: Qual é a sua formação musical e/ou acadêmica?

Rodrigo Procknov: Sou bacharel em Violão Erudito, pela Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL) e Licenciado em Artes pelo Centro Universitário Belas Artes.

04) RM: Quais são as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Rodrigo Procknov: As minhas influências musicais são: Johann Sebastian Bach, Camargo Guarnieri, Ludwig Van Beethoven, Claude- Achille Debussy, Heitor Villa Lobos, Serguei Prokofiev, Rimsky-Korsakov, Ígor Stravinski,

Frédéric Chopin,Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Antonio Vivaldi, Astor Piazzola, Antonio Lauro, Almeida Prado, Charlie Parker, Miles Davis, Thelonius Monk, Cartola, Tom Jobim, Guerra Peixe, Léo Brouwer, Francisco Mignone, Pixinguinha , Nelson Cavaquinho, Luiz Gonzaga, Garoto , Armando Neves, Augustin Barrios, Moacir Santos, Carlos Gomes, Laurindo de Almeida, Zito, Baden Powell, Alberto Nepomuceno, entre outros. Até hoje sou impactado por esses mestres da música!

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Rodrigo Procknov: Comecei a tocar na igreja. Mas, de modo profissional, lembro-me que a primeira vez em que toquei foi na praça de um shopping center, na zona leste de São Paulo, ainda garoto, eu tinha por volta de 13 anos de idade. Alguns anos mais tarde, comecei a lecionar em uma instituição chamada: Ética e Arte, voltada a oferecer educação artístico-musical para comunidades vulneráveis socialmente. Com a Ética e Arte me apresentei no SESC Itaquera e, pela primeira vez na vida, senti a emoção de tocar e ver fortemente a resposta emocionada do público.

06) RM: Apresente o seu trabalho Serra Pontiada.

Rodrigo Procknov: Este primeiro trabalho poderia chamar-se homenagens, pois todos os temas foram compostos para familiares e amigos. Foi minha primeira composição, “Positivo e Operante”, que me fez descobrir e compreender o meu processo de criação, que é o de tentar traduzir em sons a forma de ser de quem estimo. Seguem alguns links do álbum – Serra Pontiada: https://open.spotify.com/album/4UMnufw93kbi5Wlshnf0gq

https://tratore.com.br/um_cd.php?id=18619

Deezer: http://www.deezer.com/album/111741662

iTunes: http://itunes.apple.com/us/album/id1480863527

https://youtu.be/sNr-T7nO65w

Youtube https://music.youtube.com/channel/UCTZy16KNCWjpDBvYm5WJ-iQ

07) RM: Apresente o seu trabalho (Com)versão.

Rodrigo Procknov: O objetivo deste trabalho foi resgatar as primeiras canções que aprendi a tocar do repertório da música popular e cristã, que comecei a executar de uma forma simples e sem ter conhecimento musical. Recentemente, senti o desejo de reescrever os arranjos dessas canções que tocava, mas agora com uma linguagem violonística, de maneira que cada tema soe como se fosse uma peça, originalmente, composta para o violão. E os ritmos brasileiros ressoem em todo o trabalho, ressaltando a sofisticação, a potência e a diversidade da música brasileira. Além disso, o intuito deste trabalho foi, ainda, apresentar algumas composições autorais, feitas com elementos da música popular e da música erudita.

Álbum (Com) versão: Tratore: http://www.tratore.com.br/cd.asp?id=7899989982376

Smartlink: http://trato.red/comversao

Deezer: http://www.deezer.com/album/111741642

iTunes: http://itunes.apple.com/us/album/id1480871331

Spotify: http://open.spotify.com/album/7Ardb2hNZPu8iY3Hs4Rdwt

https://www.youtube.com/watch?v=PwwO3q16KZE&list=OLAK5uy_nbcJYOXom0cN ymAxXiUOq3LKX_hWau4X8

Youtube: https://music.youtube.com/channel/UCTZy16KNCWjpDBvYm5WJ-iQ

08) RM: Apresente o seu trabalho com o Batuta Duo, Ostinato Nordestino.

Rodrigo Procknov: Em uma conversa com o músico e guitarrista argentino Quique Sinesi, após nos apresentarmos em Buenos Aires, ele fez um comentário que me pareceu muito pertinente. Ele ressaltou que o violão é um instrumento que funciona bem em formações pequenas, como duos e trios. Então, comecei a reparar nisso e, ao retornar ao Brasil, convidei o saxofonista Gerson Silva para formar o Batuta Duo. O Batuta Duo surgiu a partir de afinidades existentes, de formação e de pesquisa, entre mim e o Gerson. Nesse sentido, a percepção musical é, para nós, o fundamento de nossas escolhas estéticas. As fronteiras entre o popular e o erudito são conscientemente negligenciadas. A autonomia e a liberdade estéticas são princípios e horizontes. A expressão musicais, um processo estreitamente vinculados à composição e à apreciação. Seguem alguns links do trabalho: http://www.batutaduo.com.br

https://www.facebook.com/batutaduo

https://www.youtube.com/user/batutaduo

https://www.youtube.com/watch?v=I05SlhJLBLU&t=821s

09) RM: Apresente o seu trabalho com o Coletivo de Violões Contratempo.

Rodrigo Procknov: O Coletivo Contratempo tem pesquisado a evolução do Violão em São Paulo, no território nacional e no mundo. No Coletivo Contratempo, destacam-se as influências de nomes como: Armando Neves, Augusto Anibal Sardinha, “Garoto”, Dilermando Reis, João Pernambuco, Baden Powell, Raphael Rabello, entre outros. Nós buscamos conferir destaque ao instrumento e buscamos, assim, executar um repertório no qual este se marque como o “carro-chefe” das canções gravadas. Todos os instrumentistas que integram o Coletivo têm formação acadêmica em violão e atuam no cenário da música nacional e do exterior. O Coletivo Contratempo nasceu dos diálogos entre os instrumentistas Thiago Barone, Felipe Ramos, Piero Quirino e eu. Atualmente, estamos divulgando nosso primeiro álbum Estradas, que foi lançado no ano de 2020, no primeiro semestre.

Seguem alguns links para conhecer nosso trabalho: Álbum Estradas, Coletivo Contratempo. http://www.tratore.com.br/cd.asp?id=7899989996595

Smartlink: http://trato.red/trajeto

Spotify https://g.co/kgs/F9LWn4

Youtube Music: https://music.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_meQzQMwXmZXXm274iwNxaZSoj9rmxTOQY

Amazon: https://music.amazon.com.br/albums/B083N85311?tab=CATALOG&ref=dm_wcp_albm_link_pr_s

Deezer: https://www.deezer.com/br/album/126118832

Google Play: https://play.google.com/store/music/album/Piero_Quirino_Candido_Estradas?id=B

https://www.facebook.com/watch/?v=217448312833631

 

10) Qual é o seu processo de composição?

Rodrigo Procknov: O meu processo de composição passa pela pesquisa e pela intuição, ambas caminham juntas. Em 2019, como resultado de muita pesquisa e também de algo que escapa a esta, que estou chamando aqui de intuição, escrevi um concerto para violão e orquestra e, atualmente, estou escrevendo um concerto para violão, saxofone, orquestra de cordas e percussão.

11) RM: Você faz melodia para letra de música ou letra para melodia?

Rodrigo Procknov: Eu faço a melodia, pois tenho mais afinidades com as notas musicais e, no que diz respeito a tornar as minhas peças de músicas instrumentais canções, prefiro, se for o caso, fazer parcerias, convidando amigos para tal empreitada.

12) RM: Quantos discos lançados?

Rodrigo Procknov: Atualmente, tenho 4 trabalhos próprios lançados: Serra Pontiada, em versão solo (2008); Ostinato Nordestino, com o “Batuta Duo” (2015); (Com)versão, em versão solo ( 2019) e Estradas, com um coletivo de violões, “Coletivo Contratempo”(2020). Segue o link das capas: https://drive.google.com/file/d/1TXnu784TaWZOQSuNmj7L20pluWd2u-S4/view?usp=sharing

Como músico participante do trabalho de outros artistas, irei mencionar os que me lembro, pois são anos de estrada e muitas participações: Tereza Miguel: Álbum Colagens, Clonagens e Originais: http://terezamiguel.com.br/cd_download.html ; Zelão: Álbum Encantamento; Aldo di Julho: Álbum Civilização: https://www.youtube.com/watch?v=HaJrixtK1eY ; Carlinhos Veiga: DVD – Chão:

https://www.youtube.com/watch?v=MKDYJyeZK_8 música de abertura “Serra Pontiada” e “Uma Só”, autoria de Rodrigo Procknov

Documentário DVD – Jandira, Cacique Guarani: https://www.youtube.com/watch?v=zcHME3AE5No música “Jandira”, autoria de Rodrigo Procknov.

Documentário DVD: Artur Alvim da Memória à HistóriaRádio Livre Reversão. https://www.youtube.com/watch?v=nWpTRn1Ck7M

Quarteto Ebenézer: música “És o meu tudo Senhor”: https://www.youtube.com/watch?v=3ptK_QZK-DE

Segue o link para ver as capas dos projetos mencionados acima: https://drive.google.com/file/d/1GAtX8CyNRsH3tWFvv6Jvrw0J9y6RRJDa/view?usp=sharing

13) RM: Quais são os ônus e os bônus de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Rodrigo Procknov: Os desafios de desenvolver uma carreira musical de modo independente são muitos, o principal deles, acredito, é ter condições para se estabelecer em um cenário musical dominado pelo mainstream. Vivemos em um contexto no qual o gosto musical do público é, extremamente, moldado por modismos e pelos imperativos da indústria cultural. Eu acredito que hoje os artistas dependem muito das novas formas de comunicação, que são as plataformas digitais e as redes sociais, porém o rádio e a televisão são, ainda, fortes veículos de disseminação do trabalho do artista para o grande público. Atualmente, as gravadoras procuram os artistas depois que eles têm público e uma carreira já estabilizada. É um processo cruel, muitas vezes, pois cria-se a ilusão de que o artista, o músico, se quiser, pode “gerenciar” sozinho a sua carreira, pois a internet e as redes sociais estão disponíveis para todos, quando sabemos que não é bem assim que a “banda toca”, essas novas formas de comunicação são, sim, importantes na divulgação e na circulação do trabalho do artista. No entanto, sem investimento do Estado em cultura, sem políticas públicas eficientes para a promoção da arte, em suas mais variadas formas, o artista independente tende a “entregar os pontos”.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento de carreira você considera importantes dentro e fora do palco?

Rodrigo Procknov: As estratégias de planejamento de carreira que considero importantes são muitas. Fora do palco é fundamental que o músico consiga participar das etapas de produção e de divulgação de seu trabalho. E quando digo participar, quero dizer não somente planejar a carreira, mas, sobretudo, lograr não ficar refém do aparato da indústria fonográfica, conseguindo, minimamente, colher os frutos econômicos do próprio trabalho. No que diz respeito às demandas da carreira no palco, é de vital importância sobriedade, equilíbrio e, principalmente, a interlocução saudável e amistosa com o público.

15) RM: Quais são as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Rodrigo Procknov: Pratico diversas ações: estudo, de modo independente, formas de gerenciar minha carreira; estudo idiomas; busco estratégias para posicionar bem meu trabalho nas redes sociais; tenho parcerias com estúdios de música em que escrevo arranjos para diversas formações e atuo como instrumentista; ministro aulas de música (particulares e em escolas). Atualmente, estou na pré-produção de um curso de violão on-line, que será lançado em breve nas plataformas digitais.

16) RM: Em que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Rodrigo Procknov: A internet ajuda o músico a conhecer trabalhos de músicos de todas as partes do mundo e a desenvolver parcerias. Nesse sentido, a música de artistas independentes pode chegar a lugares inimagináveis, isso é muito bom.

17) RM: Quais são as vantagens e as desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (Home Estúdio)?

Rodrigo Procknov: As vantagens do acesso à tecnologia de gravação são que hoje você pode ter um estúdio dentro de uma mochila, você pode gravar trabalhos com uma qualidade sonora incrível em sua própria casa. E as desvantagens são que a tecnologia dos Home Estúdio é cara, não é fácil, portanto, montar um super estúdio em casa.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Rodrigo Procknov: Hoje, de fato, gravar um disco não é o obstáculo principal, porém isso ainda é difícil para o artista independente, há gastos com pré-produção, produção e divulgação, e fazer tudo isso é tão fácil como dizem. Quando faço um trabalho, não penso em mecanismos de diferenciação, e sim em imprimir a minha personalidade, a minha identidade musical naquilo que faço, através de um repertório autoral e de releituras de composições que gosto, escolho timbres, caminhos harmônicos e rítmicos que marquem a minha voz como instrumentista, como músico, se isso irá me diferenciar em determinado nicho da música, não sei, se ocorrer, talvez seja um desdobramento de se trabalhar, apesar dos pesares, com dedicação, paixão e honestidade.

19) RM: Como você analisa o cenário instrumental da música brasileira? Em sua opinião, quem foram as revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Rodrigo Procknov: O cenário instrumental da música brasileira tem diversos instrumentistas de ótima qualidade. Além disso, por meio da internet, das redes, acabamos sempre conhecendo novos músicos, novos trabalhos. Acho difícil pensar na música em termos de “evolução ou regressão”, acho que na arte alguns artistas vão se reinventando, se redescobrindo e quem consegue “se manter em pé” com essa renovação permanente de si permanece.

20) RM: Você já foi músico de quais orquestras ou grupos de câmara?

Rodrigo Procknov: Eu já toquei em orquestras de violões; big band; duos de violões; regionais de choro e acompanhando cantoras e cantores.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Rodrigo Procknov: Acredito que todo músico já passou por alguma situação inusitada. Certa vez, eu estava tocando e a cadeira caiu, mas consegui me equilibrar e terminar de executar o tema (risos). Já vivi, também, inúmeras situações de não respeitarem os acordos, os contratos, de eu tocar e não receber o cachê!

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Rodrigo Procknov: O que mais me emociona e me deixa feliz é quando posso mostrar o meu trabalho às pessoas e elas retribuem com afeto e admiração. Por outro lado, fico imensamente triste quando vejo que o grande público não conhece os mestres da música brasileira e da nossa cultura, dá uma tristeza profunda. Eu me entristeço com essa cultura “das celebridades”, em que nomes criados pelo mainstream são louvados e, muitas vezes, em termos de musicalidade, de talento, não têm nada a oferecer. Será que algum dia vamos conseguir mudar isso no Brasil?

23) RM: Qual a sua opinião sobre a cobertura que a grande mídia faz da música instrumental brasileira?

Rodrigo Procknov: Infelizmente, a grande mídia oferece uma cobertura péssima da música instrumental brasileira, a mídia difunde apenas a música de massa. A música instrumental quando aparece é sempre como “pano de fundo”, nunca como uma vertente, como uma modalidade própria de música. Isso faz com que a música instrumental seja considerada pelo grande público como uma música “chata”, exótica e feita por e para meia dúzia de músicos “doidos”.

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Rodrigo Procknov: Infelizmente, pagar para ter a música tocando na programação (o jabá) ainda acontece, porém há lugares em que você envia a sua música e eles a executam. Certa vez, enviei o meu trabalho para a Alemanha e eles tocaram as minhas composições junto com as músicas de artistas conhecidos do Brasil. Segue o link para ouvir o programa Revista Viva na Alemanha, estou na programação nos minutos 48:30 tema “Choro e Alegria” do álbum Serra Pontiada: https://drive.google.com/file/d/1-7Zr_srl7UQCy7OyqbsIzn7OlvStqbOl/view?usp=sharing

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Rodrigo Procknov: Eu diria a esta pessoa escute os mestres da música popular e erudita, ame profundamente o que você faz, seja persistente, dedicado, estudioso, conheça o ramo musical, aprenda línguas, adquira habilidades, lide bem com as novas tecnologias e, acima de tudo, não trate jamais a música e quem dela vive como mercadoria.

26) RM: Quais os violonistas você admira?

Rodrigo Procknov: São muitos os nomes, tenho medo de ser injusto com alguns deles ao não citá-los. Mas vamos lá, citando um bocado, eu admiro muito Armando Neves, Agustín Barrios, Garoto, Baden Powell, Raphael Rabello, Laurindo de Almeida, Paco de Lucia, Dilermando Reis, João Pernambuco, Zé Menezes, José Candido, Paulo de Tarso Salles, entre outros.

27) RM: Quais os compositores eruditos que você admira?

Rodrigo Procknov: Gostaria de ressaltar antes de responder a sua pergunta que não aposto, de modo estanque, na divisão entre o popular e o erudito. Há várias camadas de mediação entre o erudito e o popular. Gostaria de destacar, ainda, que o erudito não é, necessariamente, sinônimo de qualidade musical e de sofisticação e o popular de espontaneidade, de falta de técnica e de baixa qualidade musical. Dito isso, posso dizer que admiro muitíssimo os mestres da música erudita. Gosto de Bach, Heitor Villa Lobos, Camargo Guarnieri, Ernesto Nazareth, Francisco Mignone, Carlos Gomes, Alberto Nepomuceno, Beethoven, Mozart, Schoenberg, Debussy, Chopin, Francisco Tárrega, Alberto Ginastera, Almeida Prado, Radamés Gnatalli, Guerra Peixe, entre outros.

28) RM: Quais os compositores populares que você admira?

Rodrigo Procknov: Eu gosto de Pixinguinha, um gênio, e não sei se é erudito ou popular. Sigo a toada de Hermeto Paschoal, Ernesto Nazareth, Moacir Santos, Tom Jobim, Noel Rosa, Nelson Cavaquinho, Zequinha de Abreu, Dominguinhos, Capiba, Paulinho da viola, Luiz Gonzaga, Cartola, Baden Powell, Dilermando Reis, Américo Giacomino, Chiquinha Gonzaga, Candeia, entre outros.

29) RM: Quais os compositores da Bossa Nova, Choro e Samba que você admira?

Rodrigo Procknov: Eu admiro muitíssimo Antonio Carlos Jobim, Paulo César Pinheiro, Vinicius de Moraes, Jonny Alf, K-ximbinho, João Pernambuco, Pixinguinha, Lupércio Miranda, Jacob do bandolim, Adoniran Barbosa, Zé Ketti, Cartola, Moacir Santos, Candeia, Paulo Moura, entre outros.

30) RM: Qual o diferencial estético de um Duo de Violão e Sax?

Rodrigo Procknov: Eu acredito que a particularidade estética de um Duo de Violão e Sax sejam as possibilidades de experimentar timbres, as contrapontísticas e as diversidades harmônicas possíveis de se desenvolver e o fato de que o violão é um instrumento que funciona bem com um instrumento melódico.

31) RM: Você conhece outro Duo formado por Violão e Sax ou de Violão e Metais?

Rodrigo Procknov: Sim, eu conheço o trabalho de Raphael Rabello e de Paulo Moura, um Duo não exatamente de Violão e Sax, mas de Violão e de Clarinete (o Paulo Moura também tocava Sax), tem o Duo de Ulisses Rocha e Teco Cardoso, Quique Sinesi e Marcelo Moguilevsky, Alessandro Penezzi e Proveta, entre outros.

32) RM: Quais as principais diferenças entre as técnicas de Violão Popular e Erudito?

Rodrigo Procknov: Eu acredito que as técnicas do violão são as mesmas, o que muda é o repertório. Um violonista popular tem que saber ler uma partitura, buscar um bom som e também ser solista. O violonista erudito tem que buscar o caminho da improvisação, conhecer os ritmos brasileiros e saber harmonia.

33) RM: Quais as principais técnicas que o aluno deve dominar para se tornar um bom Violonista?

Rodrigo Procknov: Eu creio que, para ser um bom violonista, o instrumentista (ou a instrumentista) tem que conhecer os mestres do violão mundial, ter um bom professor, ir a concertos de violão popular e erudito e estar disposto sempre a aprender com entusiasmo e dedicação.

34) RM: Quais os violões, para tocar música popular e erudita, você indica?

Rodrigo Procknov: Atualmente, temos diversos luthiers de violão de qualidade no Brasil, eu, particularmente, gosto muito do Marlon Chiquinato, Ezequiel Marciano e do Antônio Tessarin.

35) RM: Quais os principais vícios e erros que devem ser evitados pelo aluno de Violão?

Rodrigo Procknov: Não há fórmulas prontas no ensino e na aprendizagem do violão, o que posso dizer é que o aluno tem que buscar um bom som e desenvolver as práticas do instrumento com cautela, paciência e sensibilidade. É interessante também adquirir o costume de tocar com o metrônomo e buscar uma postura que seja agradável para praticar o instrumento.

36) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Rodrigo Procknov: Como diz o meu amigo e parceiro Gerson Silva: “O principal erro é o músico ser professor por necessidade e não por opção. Educação exige conhecimento pedagógico. Exige estudo aprofundado de psicologia da educação, didática, planejamento e avaliação”.

37) RM: Existe o dom musical? Como você define o dom musical?

Rodrigo Procknov: Em minha concepção, existe o talento musical. Você forma um bom juiz, um bom advogado oferecendo uma boa formação a eles, mas você não forma um músico excepcional, um artista talentoso apenas com estudo. Quem é que ensinou o Hermeto a ser Hermeto Pascoal? Qual escola é responsável pela musicalidade de Cartola, de Pixinguinha? São musicalidades que ultrapassam o nível do saber, há algo em arte que escapa ao ensinar e ao aprender.

38) RM: Qual é a definição de Improvisação para você?

Rodrigo Procknov: Para mim, improvisar é ter uma boa percepção musical, ter um bom conhecimento harmônico dos acordes, das escalas e dos arpejos. Não ter medo de errar e conhecer bem os ritmos, tocar com diversas formações e buscar o próprio caminho na habilidade de improvisar.

39) RM: Existe improvisação, de fato, ou a chamada improvisação é algo que se estuda antes e se aplica depois?

Rodrigo Procknov: A improvisação existe. Temos que, para improvisar, nos prepararmos incessantemente em casa e tocarmos em diversas formações diferentes. Tudo na música tem que ser estudado para, tecnicamente, estarmos aptos para aplicar. Não iremos decorar um solo e o tocarmos depois, e sim entendermos esse solo para que ele sirva de referencial, aumente o nosso vocabulário musical e nos possibilite improvisar.

40) RM: Quais os prós e os contras dos métodos de Improvisação Musical?

Rodrigo Procknov: Hoje há diversos tipos de materiais de improvisação disponíveis gratuitamente para estudo na internet, isso é interessante. O que mais me assusta, contudo, é que divulgam fórmulas milagrosas de estudo, em que a pessoa, supostamente, estuda alguns dias e aprende o que foi assimilado em 20 anos de dedicação. Não existem milagres em música! Mas, infelizmente, algumas pessoas acreditam nesse tipo de apelo, correm atrás desse tipo de material e acabam se frustrando, porém há professores sérios, com trabalhos excelentes e aulas de improvisação para todos os níveis de conhecimento, do básico ao avançado. Como diz um grande professor de música, o Zito, temos que: “Viver, ouvir, estudar, tocar com todo mundo e todo o tipo de som”.

41) RM: Quais os prós e os contras dos métodos de estudo de Harmonia Musical?

Rodrigo Procknov: O estudo de harmonia enriquece a prática musical de qualquer músico que deseje conhecer mais sobre música e não apenas seu instrumento de estudo. Na verdade, a harmonia é fundamental para o crescimento de todo aquele que entende a música em seu sentido mais amplo. Harmonia, para mim, é sinônimo de música. Foi através de plenos conhecimentos de harmonia que homens e mulheres excepcionais deram de presente à humanidade as maiores joias da música universal.

42) RM: Quais os métodos que você indica para o estudo de leitura à primeira vista?

Rodrigo Procknov: Há uma gama de bons métodos nesse quesito. Eu destacaria os métodos Ettore Pozzoli rítmico e melódico e o Pasquale Bona. Recomendo também que se leia muita música para o instrumento de estudo e que se tenha acesso a métodos de outros instrumentos que não sejam o do instrumento estudado. Enfim, é bom, ainda, ter o hábito de ler bem devagar, sem repetir, e de tocar em grupos diferentes com repertórios variados.

43) RM: Como chegar ao nível de leitura à primeira vista?

Rodrigo Procknov: O violão é um instrumento bem complexo para a leitura, pois tudo depende da formação das notas no pentagrama. Você tem que conhecer as notas no braço do violão para fazer a melhor digitação possível, porém com o tempo você vai lendo com mais facilidade. Vou relatar uma experiência que tive com Giacomo Bartoloni, grande violonista e professor de violão, eu fui aluno dele por um determinado tempo e, de tal experiência, tive um enorme aprendizado. Um certo dia, cheguei com uma peça nova para apresentar na aula de prática instrumental, ele pediu o meu instrumento e leu, “à primeira vista”, uma música que era bastante complicada e fez isso com extrema desenvoltura, jamais vou me esquecer de tão bonito episódio. Para se chegar ao nível de leitura à primeira vista, é fundamental estudar os livros da literatura do violão, embeber sempre de livros de Abel Carlevaro, Isaías Sávio, Henrique Pinto, Julio Sagreras, etc., e praticar todos os dias a leitura.

44) RM: Quais os seus projetos futuros?

Rodrigo Procknov: Irei gravar três trabalhos autorais, um com participações femininas; o outro de canções e um outro com o Batuta Duo. Apesar de estarmos em pandemia por causa do Covid-19, em um período muito difícil e triste, com a perda de milhares de vida no país e outras tantas no mundo, tenho conseguido escrever para esses projetos, preparar um curso on-line de violão e escrever um concerto para violão, saxofone, orquestra de cordas e percussão. Estamos idealizando também, para o pós-pandemia, a realização de alguns concertos de divulgação do álbum Estradas, um projeto que faço parte junto com os músicos: Thiago Barone, Piero Quirino e Felipe Ramos. Spotify: https://g.co/kgs/F9LWn4

45) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Rodrigo Procknov: (11) 9.9731 – 8899

| [email protected] | www.rodrigoprocknov.com

| www.instagram.com/rodrigoprocknov |https://www.facebook.com/r.procknov/ | www.batutaduo.com.br

| https://www.youtube.com/channel/UC0Ieh7eKmEiw8KmV3OcpjoQ


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