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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

RitmoMelodia a revista que mais entrevistou Forrozeiros

antonio carlos entrevistou Forrozeiros
antonio carlos entrevistou Forrozeiros

O poeta, jornalista, músico paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, formado em Comunicação Social e Artes com habilitação em jornalismo pela Universidade Estadual da Paraíba – UEPB (1996 a 2000) e lançou em 1998 o livro “Poemas D’Versos Poemas”.

Em 2001, Antonio Carlos unindo a sua sensibilidade de poeta, músico e o senso crítico de jornalista criou a RitmoMelodia – a revista que Canta o Brasil na sua diversidade musical. A partir de 2004, os seus poemas foram ganhando melodias proporcionando a criação do projeto musical Reggaebelde que tem como objetivo lançar duas trilogias: “Reggae baseado em poesia” e “Reggaebelde Lovers”.

Ritmo Melodia divulga a música popular, instrumental e erudita e já são mais de 900 entrevistas publicadas. É uma revista digital on-line focada no jornalismo cultural com ênfase no mapeamento musical. A proposta é ser uma vitrine da música brasileira, saindo do lugar comum do editorial segmentado que trata de um único nicho musical. Mas é a revista que mais entrevistou artistas do Forró, Reggae, MPB. O objetivo da RM é divulgar o músico brasileiro, seja iniciando a carreira ou com anos de experiências. A RM pesquisa o paradeiro de quem atingiu a fama e hoje não é mais lembrado. O diferencial da RitmoMelodia é mostrar a diversidade musical.

Segue abaixo entrevista exclusiva com seu criador falando sobre o mapeamento dos forrozeiros e das forrozeiras através de entrevistas em 20 anos de existência e resistência da RitmoMelodia em 20.07.2021:

01) RM: Qual sua data e local de nascimento?

Antonio Carlos: Nasci no dia 12.07.1972 em Campina Grande – PB. Registrado como Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, filho de Antonio Pádua Barbosa e Ilza Montenegro da Fonseca.

02) RM: Fale sobre seu contato com a música.

Antonio Carlos: Fui levado pelos meus avós paternos (José Barbosa e Amélia) para os bailes de forró aos oito anos de idade (1980). Meu avô me dava o dinheiro para pagar a “cota”, algo como o ingresso. A minha primeira boa lembrança com a música foi com a função de dançar. Na mesma época, o meu irmão Gilson Mota tocava tamborim em uma Escola de Samba do Bairro de Monte Castelo em Campina Grande- PB. Ia junto com ele para o ensaio, eu tocando um tamborim de brinquedo. Na época em que morei em São Paulo, desfilei em 1989 tocando tamborim na bateria da Escola de Samba Vai-Vai. Dentro de casa escutava por tabela os discos de Roberto Carlos, Nelson Gonçalves, ídolos da minha mãe e os discos de Zé Ramalho, ídolo do meu irmão mais velho Gláucio Montenegro da Fonseca. Na adolescência continuei escutando músicas que serviam para dançar nos bailinhos realizados nas casas dos meus amigos, no sítio do meu avô José Barbosa e das matinês nos clubes. Eu adorava dançar em par Forró, Lambada, Rock Balada internacional. A partir dos 18 anos de idade (1990) comecei a escutar músicas com letras para pensar: Raul Seixas, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso, Cazuza, Geraldo Vandré, Oswaldo Montenegro, Gonzaguinha, Paralamas do Sucesso, Vital Farias, Elomar, Xangai, Milton Nascimento, Legião Urbana, Antonio Carlos Belchior, Edson Gomes, Skank, Cidade Negra, Tribo de Jah, Lenine, Chico César, Petrúcio Amorim, Bob Marley, Jimmy Cliff. A partir das letras das músicas e do hábito da leitura, eu despertei para escrever os meus primeiros poemas a partir dos anos 90 e, em 1998 selecionei 36 poemas para o livro “Poemas D’Versos Poemas”, os demais classifiquei como “letras para música” por julgar que não se sustentavam como poesia. Hoje desconfio que nem os poemas do livro se sustentam (risos).

03) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Antonio Carlos: Com a minha atividade jornalística desde 2001 com a revista www.ritmomelodia.mus.br, escutei muitas obras de qualidade que acabaram se tornando importantes referências, bem como também os grandes ícones, que já possuem selos de qualidade nas grandes mídias, como Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso, Antonio Carlos Jobim, Vinícius de Moraes, Cazuza, Oswaldo Montenegro, Gonzaguinha, Paralamas do Sucesso, Raul Seixas, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Vital Farias, Milton Nascimento, Legião Urbana, Antonio Carlos Belchior, Edson Gomes, Skank, Cidade Negra, Tribo de Jah, Natiruts, Bob Marley, Jimmy Cliff, Bruno Mars, Benji Myaz, Lenine, Chico César, Petrúcio Amorim, Luiz Caldas. Os clássicos da MPB, Forró, Reggae, Rock. Ritmos que deixaram de ter importância: Axé music, Lambada, Pagode, Sertanejo. Ritmo que nunca dei atenção: FUNK Carioca.

04) RM: Qual sua formação musical e acadêmica fora da área musical?

Antonio Carlos: Cursei Comunicação Social e Artes com habilitação em jornalismo na UEPB – Universidade Estadual da Paraíba em Campina Grande de 1996 a 2000. De 1992 até hoje sigo estudando teoria musical e aprendi a tocar alguns instrumentos como: violão, teclado, contrabaixo, bateria e instrumentos de percussão. Em 2009 comecei ter aula de técnica vocal. O meu maior desafio é aprender me emocionar cantando. Pretendo estudar música pelo SMD – Sistema Musical Definitivo – www.smdjacklima.com.br – com o mestre Jack Lima sem prazo para concluir. É um estudo musical visionário, definitivo para um músico consciente.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua atuação jornalística e musical?

Antonio Carlos: Eu me formei Comunicação Social e Artes com habilitação em jornalismo em agosto de 2000 em Campina Grande e em novembro já estava morando em São Paulo. Em fevereiro de 2001 fui contratado para produzir artigos, reportagem e entrevista da revista The Music, mas os donos sumiram em maio e usei o material produzido para a criação da revista eletrônica/digital www.ritmomelodia.mus.br. A intenção era conseguir patrocinadores ou publicidade para pagar a versão impressa da revista. Depois de 20 anos de existência e resistência a possibilidade é o formato livro impresso, e-book, áudio-book. Após o cantor e compositor Savilar Rastaman criar melodias para dez poemas do livro criei o projeto musical Reggaebelde e lancei três álbuns – reggae baseado em poesia e três álbuns Reggaebelde Lovers. Criaram as melodias para meus poemas para essas duas trilogias: Savilar, Rogério Granja, Eugênio Black, Cardo Peixoto, Carlos Mahlungo, Cadu Marques, Luiz Rojas, Sonekka, Karin Martins, Elisete Retter, Luana Faddlei, Juçara Freire, Joyce Kelly, Beto Porto, Vicente Viola (in memoriam), Jorge Bodhar, Patrick Monnerat, João Gonçalves (in memoriam).

06) Em que a RitmoMelodia se diferencia de outras revistas de música?

Antonio Carlos: Não conheço a fundo as demais revistas que atuam com editorial de música, mas a RitmoMelodia, por ter um nicho musical exclusivo já é um diferencial e pode até ser única. Normalmente as revistas trabalham um nicho musical e buscam serem a referência no gênero musical escolhido. A RitmoMelodia escolheu cantar a diversidade musical brasileira. Hoje tem o mérito de ser a revista que mais entrevistou forrozeiros e regueiros brasileiros.

07) De que forma o formato de entrevista biográfica da RitmoMelodia contribui para a arte musical?

Antonio Carlos: A RitmoMelodia começou a fazer entrevista em 2001 com poucas perguntas imaginando levar essas entrevistas para o formato publicação impressa da revista. Em 2008 comecei aprofundar em quantidade e complexidade das perguntas se tornando uma revista de maior relevância por suas entrevistas, que já passaram de 900, as quais servem para os artistas como portfólio pela qualidade do conteúdo.

08) Como é manter uma revista on-line desde 2001?

Antonio Carlos: Em 2001 a ideia era ser uma revista impressa, mas por falta de patrocinadores e publicidade, a alternativa foi criar um site e continuei na busca de recurso financeiro para a versão impressa. Depois de 20 anos a concretização será através de publicações de livros com o conteúdo da revista, iniciando com o livro Forró do Gogó ao Mocotó. A revista ganhou um design arrojado a partir de 2014 através do trabalho de Augusto Martins.

09) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com João Gonçalves?

Antonio Carlos: João Gonçalves faz parte de minha memória afetiva musical dançando Forró na Pirâmide no Parque do Povo, em Campina Grande e, por horas eu suava do Gogó ao Mocotó entre os anos 80 e 90. Em 2003, passaram o número do telefone do meu ídolo e eu fiz contato com propósito de uma entrevista para a RitmoMelodia. Ele gravou minhas perguntas em uma fita K7 e, em menos de um mês recebo em São Paulo pelo correio, a fita com as respostas e publiquei no mesmo ano a entrevista. Em 2004 de férias em Campina Grande, fui a sua casa e o conheci, uma pessoa do bem e humilde. A sua esposa Dona Glória passando um café e o papo me trazia as lembranças de infância dos meus avós paternos. Nas férias sempre o visitava, ele me dava o álbum novo. Em uma dessas visitas deixei letras com ele e recebo em casa uma fita com oito poemas musicados. Ser parceiro musical do João me deixou muito feliz. Ele é conhecido em dar a parceria para alguns cantores que gravavam suas músicas e até para me agradar sem me avisar me deu uma parceria para registrar nossa amizade em um álbum dele. No dia 21 de junho de 2021 João se tornou mais uma estrela no céu e após um infarto faleceu aos 85 anos. O Rei do Duplo Sentido que emplacou sucessos nacionais e regionais.

10) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Anastácia?

Antonio Carlos: Conheci Anastácia em São Paulo no CTN – Centro de Tradições Nordestinas, que fica no bairro do Limão, na zona norte de São Paulo e após a entrevista ela me convidou para escrever seu perfil biográfico. Ficamos de 2004 a 2006 gravando fitas K7 e o livro continua inédito, mas desejo um dia revisitar essa escrita, melhorar e lançar um registro da maior compositora do Forró e que também compõe outros ritmos como samba, bolero, etc.

11) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Oswaldinho do Acordeon?

Antonio Carlos: Em 2003, conheci Oswaldinho do Acordeon em São Paulo, quando o entrevistei e parecia que já nos conhecíamos há muitos anos. Três horas de gravação em fitas K7. Após a entrevista, ele deu uma carona e continuamos o bate papo no carro. Escutei dele que foi a primeira vez em mais de 30 anos de carreira, que alguém o entrevistou para saber do seu ofício de músico e não para falar trivialidades de celebridade e quais os famosos ele já acompanhou. Ele afirmou que não escolheu a música, mas ela que o escolheu. Essa conversa, me motivou a escrever um poema, que anos depois ganhou melodia de Cadu Marques. Passamos um tempo nos falando por telefone e lamentei muito o nosso afastamento progressivo. Um ser humano do bem que tive a satisfação de conhecer.

12) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Marinês?

Antonio Carlos: Conheci Marinês em 2005, Campina Grande, quando a entrevistei e nos entendemos muito bem ao ponto frequentar a casa dela por uma semana para criar o seu site. Quando fui entrevistá-la algumas pessoas me falaram para chegar de mansinho para não despertar a fera. Mas encontrei uma pessoa sanguínea, porém doce, sem papas na língua. Essa convivência com Inês Caetano de Oliveira preparando o café e o almoço e me mostrando o que gostaria de ter no seu site (fotos, músicas, textos e contando histórias de vida), desabafando que muitos na cidade tinham uma má impressão dela. Um momento único que guardo como boas lembranças do meu ofício de repórter.

13) RM: A RitmoMelodia é uma propagadora do Forró? Por que?

Antonio Carlos: A RitmoMelodia nasceu com uma proposta de não ter nicho musical e de fato ser a revista que canta o Brasil na sua diversidade musical. Trabalhando em 2003 na escrita do livro sobre a trajetória da cantora e compositora Anastácia, que passou uma lista com nomes para eu colher depoimentos sobre sua relação pessoal e profissional com os forrozeiros, acabei colhendo mais do que depoimentos, realizei entrevistas e incluí uma pergunta direcionada ao depoimento para o livro. Quando entrevistava um forrozeiro, eles passavam meu contato para outros que não estavam na lista feita pela Anastácia e assim a revista se tornou a que mais entrevistou Forrozeiros em seus 20 anos de existência e resistência. Em 2021 já foram quase 200 entrevistados, entre cantores (as), compositores (as), acordeonistas, Trios, bandas e pesquisadores do Forró. Esse mapeamento jornalístico auxilia pesquisadores, por exemplo, a saber que primeiramente Pernambuco (com Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Marinês, Accioly Neto, etc) e depois a Paraíba (com Jackson do Pandeiro, Sivuca, Abdias, João Gonçalves, etc.) são os Estados nordestinos que mais têm artistas atuando no Forró. A RitmoMelodia tornou-se revista que mais entrevistou mulheres forrozeiras e acordeonistas. Posso afirmar que de modo geral, a grande contribuição da RitmoMelodia para a cultura nordestina e forrozeira é visibilizar os muitos “invisíveis” para a mídia, para o mercado musical e para alguns colegas de profissão. Muitos dos artistas, Trios e bandas, o leitor só encontra informações acessando a internet, acessando a Revista RitmoMelodia e agora nesse livro.

14) RM: Quais as principais dificuldades em entrevistar os artistas do Forró?

Antonio Carlos: O que me incomoda é a falta de profissionalismo por parte de alguns artistas e a indisponibilidade em responder uma entrevista por escrito; e/ou responder de forma superficial sobre a própria trajetória, mas essa postura lamentável está presente em artistas de outros gêneros musicais. Depois de mais de 900 entrevistados em 20 anos de revista tenho propriedade para essa crítica.

15) RM: Como o artista deve se relacionar com os meios de comunicação?

Antonio Carlos: Sugiro que o artista esteja disponível para o contato com jornalistas e meios de comunicação. Quando o jornalista falar diretamente com o artista, não peça para o profissional de imprensa ir falar com empresário, produtor ou assessoria de imprensa. O entrevistado é o artista e não quem o assessora. O artista pode não aceitar ceder uma entrevista, mas importante é o como recusar.

16) RM: Qual a sua opinião sobre a cobertura feita pela grande mídia do cenário do Forró?

Antonio Carlos: A cobertura musical da grande mídia é com artistas que pagam o jabá para aparecer em programas de grande audiência. Essa cobertura jornalística é factual, pontual e sazonal prestando desserviço à cultura popular em geral. Já a cobertura feita por jornalistas especialistas, por revistas iguais a RitmoMelodia, na qual o editorial é pautado em praticar um jornalismo que oportuniza o lugar de fala para os artistas, independente do gênero musical, sem “panelinha” ou cobrança de jabá.

17) RM: Você é um pesquisador musical?

Antonio Carlos: Eu evito no trabalho com a RitmoMelodia, o título de pesquisador musical, estou mais para um jornalista com proximidade com a historicidade. O motivo principal é o fato da proposta com a RitmoMelodia, que seria de apresentar ao leitor quantidade e diversidade de entrevistas ao longo desses 20 anos. No entanto, o lugar de falar é do entrevistado, eu ainda não estou ocupando esse lugar, a não ser por artigos pontuais que já publiquei, que para o tempo de existência da revista, em quantidade é pouco relevante. Em futuro próximo e entusiasmado com esse primeiro livro com as entrevistas dos forrozeiros, penso em colocar o conteúdo de algumas entrevistas no palco para uma análise da retórica dos entrevistados. Em 20 anos de uma revista que iniciou suas atividades no novo milênio, acompanhei em tempo real as mudanças da carreira e do mercado musical da indústria fonográfica. Eu acompanhei a música progressivamente perdendo o lugar de um produto vendido como disco e passando a ser um serviço de audição nas plataformas digitais e em show. Existe a possibilidade de escrever sobre essas transformações em forma de artigo, em narrativa ou em livro. Minha atuação é exclusivamente jornalística factual, não sou arquivista de livros, discos, de documentos primários, etc. O mais próximo de arquivista são os mais de 500 discos enviados por quem entrevistei. O mapeamento de artistas através das mais de 900 entrevistas contribui para os meios de comunicações, jornalistas e pesquisadores.

18) RM: Qual a importância de políticas públicas e iniciativas como o Fomento ao Forró de São Paulo?

Antonio Carlos: As políticas públicas são importantes para fazer um contraponto a um mercado musical que massacra os artistas que não atendem aos ditames comerciais, descartáveis e do modismo. No entanto, vejo a necessidade de serem repensados os métodos de acesso e avaliação dos projetos para ingresso em editais. O que os artistas populares têm de talento e pertencimento cultural, lhes falta em conhecimento na elaboração de projetos que atendam essas burocracias. Muitos projetos cosméticos e bem elaborados com foco no orçamento são aprovados, excluindo mestres de culturas que não são assessorados por proponentes que sabem elaborar projetos culturais.

19) Quais as motivações para o ingresso ao edital do Fomento ao Forró? Qual a contribuição para a difusão da cultura Forrozeira com essa empreitada?

Antonio Carlos: Quando percebi que tinha entrevistado quase 100 artistas do Forró, entre eles ícones como Carmélia Alves, Marinês, Sivuca, Anastácia, Dominguinhos, Oswaldinho do Acordeon, entre outros, percebi que existia uma relevância em eternizar em publicação impressa esse feito. Depois que o projeto foi aprovado, de janeiro para junho foi uma entrevista por dia, com outros artistas chegando à marca de mais de 190 entrevistados, com uma quantidade expressiva de mulheres (37) e acordeonistas (57). A maior contribuição para a difusão da cultura forrozeira é possibilitar a artistas que estariam invisíveis serem imortalizados em uma obra que será amplamente divulgada e distribuída em equipamentos culturais pelo Brasil.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró?

Antonio Carlos: O cenário do Forró desde 1941, tendo a carreira de Luiz Gonzaga como uma linha do tempo, apresenta altos e baixos. O Rei do Baião mesmo com sua popularização, enfrentou a dificuldade desse gênero ser sazonal tendo durante as festas juninas. um ou no máximo dois meses para faturar bons cachês e sobreviver por um ano. Gonzagão vendo essa triste realidade procurou espaço nos circos, apresentando-se como coadjuvante nos intervalos, fazendo show fora da época junina e em Salões de Forró no Sudeste. Nos anos 60, pensou em aposentar a sanfona branca. Mas nos anos 70 artistas da MPB começaram a fortalecer o rei do Baião e outros forrozeiros foram surgindo na trincheira junto com Marinês, Anastácia, Dominguinhos, Sivuca, Jackson do Pandeiro, Pedro Sertanejo, entre esses: Antonio Barros e Cecéu, Oswaldinho do Acordeon, Genival Lacerda, João Gonçalves, Alcymar Monteiro, João Paulo Jr. Nos anos 80 entraram em evidência Elba Ramalho, Jorge de Altinho, Assisão, Accioly Neto, Petrúcio Amorim, Flávio José, Maciel Melo, entre muitos outros. Nos 90 as bandas Matruz com Leite, Cavalo de Pau, Limão com Mel, Calcinha Preta, Magníficos entre outras, que mantiveram a sanfona, o zabumba, o triângulo junto com guitarra, contrabaixo, bateria, teclados e metais. Alguns tecladistas migraram para o Forró com destaque para Frank Aguiar e Lairton dos Teclados. O Forró tem duas vertentes bem distintas o Tradicional ou Pé de Serra que mantém a formação sanfona, zabumba, triângulo e toca os ritmos: baião, xote, arrasta-pé, xaxado, coco, rojão, fazendo também fusões com outros ritmos e incluindo outros instrumentos musicais.

21) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Antonio Carlos: O ponto positivo foi manter o Forró tradicional em evidência sendo tocado por jovens do sudeste tendo um sanfoneiro, geralmente nordestino ou filho de nordestinos. As letras se comunicavam com a linguagem dos jovens das grandes cidades. Muitas das bandas que surgiram tinham como referências e influências os mestres do Forró. O ponto de atenção é que alguns donos de Casa de Forró, empresários, produtores de eventos começaram a propagar que o movimento do “Forró Universitário” estava resgatando o Forró. Essa tese não se sustenta já que as festas juninas continuavam populares no Nordeste. Essa inversão de valores foi reforçada quando algumas bandas apareceram na grande mídia. Depois de 20 anos só as bandas que ganharam repercussão nacional se mantêm como Falamansa, Rastapé, Bicho de Pé e muitas encerraram suas atividades.

22) RM: Qual sua opinião sobre os temas das letras de Forró que têm características machistas, preconceituosas, vulgares, conservadoras social e politicamente?

Antonio Carlos: Algumas letras no gênero Forró têm que ser contextualizadas, levando em consideração o grau de escolaridade e cultural do autor e a época de sua escrita. De modo geral, o autor da letra de música popular traz a inspiração do seu dia a dia para criar sua obra artística. O machismo, racismo, preconceitos, conservadorismo são estruturais. São poucos os autores populares visionários e de vanguarda. Luiz Gonzaga procurou letristas para vestirem suas melodias. A letra de duplo sentido tem que ser vista e analisada pela estética a que se propõe. Mas temos muitos compositores que são ótimos letristas como Anastácia, Jackson do Pandeiro, Petrúcio Amorim, Antonio Barros, Accioly Neto, Maciel Melo, Nando Cordel, João Paulo Jr., entre outros. Os letristas que não melhoram sua escrita a história os punem.

23) RM: Qual a sua opinião sobre o Forró no Exterior?

Antonio Carlos: Muitos artistas (Arleno Farias, Beto Camará, Cainã Araújo, Derico Alves, Eduardo Macedo, Eliano Bráz, Fabiano Santana, Felipe Hostins, Caboclo, Denis Ferreira, Vitor Mariá, Leandro Braga) estão desenvolvendo bem suas carreiras fora do Brasil e existem importantes Festivais de Forró que acontecem no exterior: Em janeiro: Na Russia – Forró Festival in Karelia. Basel, Switzerland – Forró Festival in Vinyl. Moscow, Russia – Winter Forró Festival. Lille, France – Festival Forró Dine Dine. Berlin, Germany – Psiu!. Barcelona, Spain – Festival Sereia. Em fevereiro: Aachen, Germany – Forró com coração. Hamburg, Germany – Hambuger Forró Tage. Em março: Lisboa, Portugal – Maria Bonita Festival. London, UK – Forró London Festival. Bochum, Germany – II Forró Weekend. Munich, Germany – Forró Weekend Munich, March edition. Stuttgart, Deutschland – Forró Haus Stuttgart – März Festival. Prague, Czech Republic – Fica no coração. Em abril: Basel, Switzerland – Forró Basel Festival. Paris, France – Aí Que Bom – Thessaloniki, Greece -Thessaloniki Forró Meeting. Porto, Portugal – Forró Douro Festival. Cologne, Germany – Toca Bonito. Em maio: Sydney, Australien – ForrOZ Festival. Hamamatsu-shi, Japan – Brasil A2. Brighton, UK – Chamego Festival. Montréal, Canada – t.b.a. – Montréal Forro Fest. Lausanne, Switzerland – Follower Power. Frankfurt, Germany – Fulorecê Forró Festival. Münster, Germany – Oxente Forró Festival. Lille, France – Vamo que Vamo. Pisa, Italy – t.b.a. – Forró weekend a Pisa. Amsterdam, Netherlands – t.b.a. – ForroDAM weekend. Vienna, Austria – Sanfonada Forró Festival Vienna. London, UK – London Forro Boat Fest. Sardinia, Corsica – Forró Sailing Week. Em junho: Toulouse, France – Printemps du Forró. Sibari, Italy – Italia Roots. Brussels, Belgium Aí Que Bom. Barcelona, Spain – ForróFiera. Berlin, Germany – anniversary Tome Forró. Nantes, France – t.b.a. – Festival Brasil No Pé. Cologne, Germany – Cologne Gafeira Forró. Novosibirsk, Russia – t.b.a. – Siberian Forró Festival. Algarve, Portugal – Festival Pé na Terra. Weggis, Switzerland – Forró ao Pé da Serra. Düsseldorf, Germany – TKB Birthday. Em julho: Bordeaux, France – Forró Festival Bordeaux. Frankfurt, Germany – Forró de Frankfurt Festival. St. Petersburg, Russia – t.b.a. – Forró a ru. Stockholm, Sweden – Alegria do norte. A dos Cunhados, Portugal – t.b.a. – Forrómania. Lisboa, Portugal – t.b.a. – Forró de Lisboa. Em agosto: Helsinki, Finnland – t.b.a. – Forró ForLove. Berlin, Germany – t.b.a. – Anniversary of Forró do Miudinho. Nagoya, Japan – t.b.a. – Nosso Forró Nagoya Festival. Rügen, Germany – Forrócamp. Valencia, Spain – O fole roncou. Macaé – RJ, Brazil – t.b.a. – Festival de Forró da Alegria. London, UK] Forró Fest Uk. Royère-de-Vassivière, France – FiF! Forro Impro Festival. Les Costes, France – t.b.a. – Forró da Colina. Rio de Janeiro, Brazil – t.b.a. – Forró in Rio. Oslo, Norway – t.b.a. – Oslo Forró Festival. Barcelona, Spain – t.b.a. – Pisa Na Fulô. Em setembro: Kalamata, Greece – t.b.a. – Forró Meeting. Bern, Switzerland – t.b.a. – Forró ufem Sockel. Moscow, Russia – t.b.a. – Moscow Forró Festival. Amsterdam, etherlands – t.b.a. – Forró Amsterdam Festival. Boston, USA – t.b.a. – ForróFest USA. Em outubro: Cologne, Germany – Forró de Colonia. Nice, France -t.b.a. – Viva esse Forró, Forró de Nice. London, UK – Forró Brincado Marathon. Istanbul, Turkey – t.b.a. – Forró a la Turca Festival. Berlin, Germany – t.b.a. – Malandro Forró Festival. Em novembro: Frankfurt, Germany – t.b.a. – Let’s Forró Intenso. Münster, Germany – t.b.a. – Forró Marathon Münster. Hamburg, Germany – t.b.a. – Moin Forró Anniversary – Aachen, Germany – t.b.a. – Forró Festival Aachen. Freiburg, Germany – Freiburg Forró Festival. Em dezembro:Lisboa, Portugal – t.b.a. – O Baião vai. Fonte: https://forrozinfreiburg.de/tanzen/forro-festivals


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