Ras Menor

Ras Menor 1 Ritmo Melodia

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Tempo de Leitura: 9 minutos

O cantor, compositor paulistano Ras Menor faleceu na manhã  do dia três de janeiro de 2020 por uma evolução progressiva da cirrose hepática.

Em 10 de novembro de 2019, ele foi hospitalizado com complicações de um quadro de cirrose hepática e teve alta em dezembro. Fiquei aguardando ele entrar em contato para nos conhecermos pessoalmente. João Carlos Ribeiro criador da rádio web “Música Tá na pista” em 2017 me passou o contato do Ras Menor para que eu o entrevistasse para a RitmoMelodia. Fiz contato e nos falamos com frequência pelo whatsapp, mas não conseguíamos nos encontrar pessoalmente devido ele trabalhar pela cidade vendendo seus artesanatos. No Natal de 2017 ele enviou uma mensagem de áudio pelo WhatsApp relatando que iria levar conforto espiritual e agasalho para pessoas em situação de rua no perímetro conhecido como a cracolândia em São Paulo. Horas depois ele envia outra mensagem em áudio dizendo que foi assaltado no local. Ele ficou muito frustrado e decepcionado.

No dia 10 de novembro de 2019 estávamos (eu pela Reggaebelde Project) na agenda do evento “Kebrada em ação destruindo o preconceitos” em Poá – SP organizado por Cris Roots , Thiago Lopes Moreira e os DJs Leroy e Denise Ribeiro do Freqüência Reggae, mas ele foi hospitalizado nesse dia . Nesses três anos de contato não desisti de entrevista-lo. Ele sempre agradecia a minha “paciência”  de esperá-lo responder as perguntas que enviei para o seu email e minha “insistência” de todo ano lembrá-lo. Ele deixou o filho Caique de 10 anos de idade. Que descanse em paz Ras Menor… Vai deixar muitas saudades aos familiares, amigos, fãs e colegas de profissão. O reggae perde mais um guerreiro que combatia a opressão e as injustiças sociais. Os amigos fizeram uma campanha para proporcioná-lo um sepultamento digno. Ras Menor será sepultado dia 04.01.2020 no Cemitério Dom Bosco
R. Ernesto Diogo de Faria, 860 – no bairro Perus – São Paulo – (11) 2362 – 3734  –https://maps.app.goo.gl/i4RuYzt4pJYGTAdG6

Segue abaixo entrevista com Ras Menor para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 03.01.2020:

01) Ritmo Melodia: Qual sua data de nascimento e sua cidade natal?

Ras Menor: Nasci no dia 31 de março em 1978 em São Paulo. Registrado como Márcio José Dias da Silva e uso como nome artístico Ras Menor.

02) RM: Conte como foi o seu primeiro contato com a música?

Ras Menor: Meu primeiro contato com a música foi em 1994 na escola aos 13 anos de idade quando eu tive a possibilidade para fazer uma versão da música do Gabriel Pensador com a Orquestra do Colégio. No passado fui roqueiro Metaleiro e gostava muito de thrash metal, Heavy metal, Punk Rock. Eu tinha vários discos vinis desses ritmos nos anos 90.

03) RM: Qual sua formação musical e acadêmica fora música? 

Ras Menor: Minha profissão acadêmica musical é ser curioso. Eu tive uma passagem meados de 2003 em Trindade no Rio de Janeiro que tive convívio com músicos de bandas que tocavam no final de ano e em temporadas e tive uma um treinamento musical que me proporcionou uma visão musicalmente ampla. O meu trabalho musical atual é fruto de minha curiosidade. Eu estava trabalhando de cozinheiro e tive essa possibilidade de convivendo com músicos profissionais.

04) RM: Quais suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância? 

Ras Menor: Vivemos e não podemos deixar o passado de lado. O passado faz parte do futuro ao cultivar ele no presente. Eu tive bastante influência do rock e depois RAP que fez a minha vida mudar. Entre ações sociais e intervenções artísticas eu tive bastante oportunidade no cenário RAP para desenvolver metas e projetos.

05) RM: Quando, como e onde  você começou sua carreira musical? 

Ras Menor: Minha carreira musical começou em 2007 quando tive a possibilidade de fazer alguns projetos com banda em que surgiu o RAPROOTS  (Fábio Dent & Ras Menor) misturando RAP com Reggae e abrimos shows e fazemos participações em eventos de grande porte. E a partir daí a gente começou a ter uma dinâmica maior mais profissional sobre o projeto sobre o que buscar e essa foi a possibilidade a oportunidade que surgiu e foi aí que começou tudo.

06) RM: Quantos discos lançados? 

Ras Menor: Pelo Projeto RAP Hits nós lançamos um EP com oito músicas e algumas participações de Marcial Castro e fazíamos algumas participações com a banda Sensimilla Dub e a partir daí a gente começou a fazer os trabalhos em 2014 e em 2015 o RAPROOTS  (Fábio Dent & Ras Menor) ACABOU!  Eu CONTINUEI. Hoje faço parcerias com produtores e Selectas. Algumas músicas já estão prontas e outras estão sendo finalizadas. Hoje trabalho solo como Ras  Menor. Em breve lanço meu CD e um EP uma parceria que estou fazendo com Reccs vibbez. Minhas músicas tocam no programa Bandeirão Regueiro da web rádio “Música Tá na Pista” do João Carlos Ribeiro e apresentado por Cris Roots. A música que fiz pro meu filho com parceria com Fábio Dent que se chama “Para os fortes não recuarem” e “Plante o amor” em parceria com o pessoal do Ceará chamado Rasta Connection caíram no gosto do pessoal.

07) RM: Como você define seu estilo musical dentro da cena reggae? 

Ras Menor: Eu faço trabalho com bandas e acústico. Eu sou bastante versátil para se apresentar e sempre bom poder fazer uma comunhão. As minhas referências e influências são da música brasileira. Gosto muito de MPB, RAP, Reggae jamaicano. Minha música tem muita influência do que escuto do RAP, da MPB, do reggae, do Blues, do Jazz.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete? 

Ras Menor: Eu acabo não me coloco como intérprete. Eu sou cantor e compositor.

09) RM: Quem são seus parceiros musicais?

Ras Menor: Sou reservado em relação às composições. O momento que eu me dedico para criar músicas é na Madrugada. Tenho poucos parceiros musicais. Mais constante foi Fábio Dent.

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Ras Menor: O trabalho independente é precário financeiramente, mas vamos pelos coletivos desenvolvendo formas e ações  como um combustível para edificar o trabalho desenvolvendo parceiras e projetos para manter a cena Reggae (risos) e poder ter uma renda sustentável para sobrevivência pessoal.

11) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira? 

Ras Menor: Gosto de Racionais MC’s, Edi Rock, Emicida, Monkey Jhayam, Emissário, Filhos de Jah, Marina Peralta, Vanessa da Mata. 

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver sua carreira?

Ras Menor: As ações que eu pratico são ações sociais periféricas ressocializando através da música e das oficinas culturais que fazendo parte ou sendo convidado para palestrar ou para se apresentar como artista. Faço ações sociais e culturais na periferia.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira?

Ras Menor: A internet prejudica e ajuda. É uma ferramenta que tem que saber usar. Sabendo usar é frutífera e uma forma verdadeira de está divulgando o trabalho, mas tem algumas pessoas que procuram nas redes sociais tragédias, conflitos, fofocas e não a verdadeira mensagem que a música possa passar.

14) RM: Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso a tecnologia  de gravação (Home Studio)?

Ras Menor: As vantagens é a facilitação das gravações, mas a facilitação de está fazendo os trabalhos não significa que seja bom o trabalho. Precisa ter profissional eficiente no uso do equipamento e se puder está fazendo em qualquer lugar as criações é ótimo. É bem legal ter uma facilitação maior para o desenvolvimento da cultura musical.

15) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Ras Menor: Situações inusitadas foram várias. Eu tive o privilégio de fazer um trabalho junto com a banda Sensimilla DUB no Encontro das Tribos e alguns outros shows em que milhares de cenas inusitadas aconteceram. Teve uma vez que aconteceu que a gente foi fazer um evento em São José dos Campos – SP junto com outras bandas e uma pessoa que estava com a com a gente ficou muito louca e fez xixi atrás do palco na hora do evento.

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Ras Menor: Deixa-me triste é o descaso e a falta de sensibilidade do público em entender o trabalho do artista. Hoje a música que não tem muita qualidade tem visibilidade na grande mídia e com muitos ouvintes. A boa formação cultural perde e as músicas com boas mensagens ficam de lado.

17) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Ras Menor: Sou de São Paulo e moro em Diadema no grande ABC. A cena musical no ABC está parada por enquanto. No passado muitos projetos existiam, mas que não eram remunerados. Hoje a gente procura trabalho em Sampa, nos bairros da zona leste, zona sul, zona norte e em cidades do interior. A gente vai caminhando e propagando a música que tanto no formato Sound System com parceria com DJ e com banda.

18) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Ras Menor: Não.

19) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Ras Menor: Quer trilhar uma carreira musical e seguir um sonho. É olhar no horizonte e enfrentar as dificuldades e as coisas boas. Guarde na mente tudo que oferece a carreira musical.

20) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

Ras Menor: A naturalidade da forma que se consagra ganja (maconha) no reggae é uma forma de meditação. Hoje não tem se propagar uma educação espiritual e de meditação em eventos por não ter como controlar todos sobre seus vícios e suas vontades. Então cadê o Eu e Eu em comunhão do que se acha justo. Cada um vai fazer da forma que acha certo. Mas a erva se une a música para que possa ser consagrada como meditação e a música uma meditação que possa ser consagrada Ganja.

21) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a religião Rastafári?

Ras Menor: A forma de está consagrando e vivenciando a cultura Rastafári com a música reggae é o exemplo de como se age na Jamaica. A consagração na meditação através da música como foi feita na época de Salomão; consagrando seu filho através do toque de tambores e música no ritmo do coração. O Rastafári consagra a meditação, a palavra de Jah sobre a mensagem apagada em suas letras das músicas REGGAE.

22) RM: Você usa os cabelos dreadlock. Você é adepto a religião Rastafári?

Ras Menor: A estética do cabelo dreadlock é opcional. Muitos não propagam a leitura sobre a cultura Rastafári. Os dreadlock vêm da cabeça de Sansão da forma que a gente consagra a meditação, como resistência e igual a uma árvore da vida em que os galhos crescem, suas raízes são conhecimentos e a sua vida. Hoje muitos usam dreadlock pela estética, mas tiveram conhecimento através da música reggae do Bob Marley. Muitos consagram a maconha e o cabelo dreadlock, mas sem cultivo da cultura Rastafári nem medita sobre o que rasta propaga Ser.

23) RM: Os adeptos a religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa essa afirmação?

Ras Menor: Muitos têm opinião que o reggae é da Jamaica e que ninguém mais poderá fazer um reggae melhor, igual ou da mesma qualidade, mas o individualismo de cada eu que possa ter experiências de conhecer bandas ruins e boas e bandas que não cultivavam a cultura rastafári. A ideia que a música Black Music só pode ser feita na Jamaica para ser boa. É mais uma opinião do conhecimento de cada Eu e Eu.

24) RM: Na sua opinião porque o reggae no Brasil não tem o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Ras Menor: A forma que nós cultivamos o reggae no Brasil financeiramente para propagar na rádio. Então se para fazer o reggae crescer é financeiramente fugindo do valor da riqueza da Alma e da forma que o rasta propaga a música reggae como libertação, como uma luz dentro da Escuridão. Precisamos de uma expansão dentro da forma de pensar, mas as barreiras que a sociedade e o sistema colocam evita com que o reggae culturalmente nos eduque pela a liberdade do Espírito. O sistema não tem a luz, mas nos aliena e faz com que a gente não tenha cultura.

25) RM: Quais os prós e contras de usar o Riddim como base instrumental?

Ras Menor: Um produtor faz o riddim e oferece para o artista para interpretar uma letra em cima. Não vejo como o benefício ou com atraso dentro da cultura rasta e da cultura Reggae sendo que ela é apenas um instrumental para quem sabe usar.

26) RM: Você faz a sua letra em cima de um Riddim já conhecido usando uma linha melódica diferente?

Ras Menor: Em eventos Sound System em que o Dj Selecta solta à base instrumental eu faço uma interpretação em cima e muita vez é diferente gravação original. Eu cantei em cima de uma base instrumental de uma música do cantor e guitarrista jamaicano Fat String (que foi guitarrista de Heptones, Big Youth, Mighty Diamonds, Don Carlos, Junior Reid, The Congos, Winston McKnuff, Johnny Dread, Deliger, Abysinnians e Black Uhuru. Frederick Thomas é o nome verdadeiro dele). Eu fiz a música chamada “Bandeirão Regueiro” em homenagem ao Bandeirão Regueiro que é uma bandeira que se abre nos eventos Drag Music que faz parte da nossa Cultura milenar que se propagar a ser cultura aqui no Brasil.

27) RM: Você acrescenta e exclui arranjos de um Riddim já conhecido?

Ras Menor: Eu não vejo muito benefício está alterando uma base instrumental de uma obra já conhecida. Eu já vou adicionar uma melodia e uma letra de minha autoria. A base instrumental deve ser original e crio em cima uma letra que vem da minha alma, do meu coração para passar uma mensagem que possa ser entendida.

28) RM: Quais os prós e contras de fazer show usando o formato Sound System (base instrumental sem voz)? 

Ras Menor: Os prós e contras de está se apresentando usando o playback da música em sound system pode ser aparelhagem. Às vezes as caixas se não forem boas podem tremer e microfone ruim não ajuda. Esse fato acontece em alguns eventos, mas fora isso é um formato de interpretar a música em cima da base instrumental.

29) RM: Você se apresenta com Banda?

Ras Menor: Sim. Em evento com menor cachê me apresento com auxilio de um DJ no formato Sound system.

30) RM: Quais os seus projetos futuros?

Ras Menor: O trabalho futuro é gravar meu CD e construir trabalho em parceria com outros artistas e trabalhar bastante a mensagem cultural que liberta a alma e o coração.

31) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Ras Menor: https://m.youtube.com/channel/UCZXuByRbGY2xgm3-9JwlKxw/feed | Planeta Amor – Ras Menor: https://youtu.be/qARO7ep4ubU | Bandeirão Regueiro – Ras Menor: https://youtu.be/DqD8qn8zQg8 | O que você vai fazer – RapRoots – Ras Menor: https://m.youtube.com/watch?v=yblc7CzlvhY

Ras Menor 2 Ritmo Melodia

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J.C.Erre
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Ritmo e Melodia faz ótimo trabalho dando visibilidade para todos ,tratando todos os Artistas do mesmo modo e oferecendo o mesmo espaço sem distinções e isso que é importante !
Ras Menor foi e sempre será Gigantesco !

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.