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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Quinta Essentia Quartet


Com sete álbuns gravados entre participações e trilhas completamente feitas pelo grupo, o Quinta Essentia Quartet vai rumo à sua oitava contribuição para a discografia da flauta doce no Brasil e no mundo.

Há quem pense que seu diferencial é tocar as peças todas de memória, concentrando-se apenas em mergulhar na interpretação das obras tocadas, ou ainda suas flautas quadradas gigantes, de 2 metros, dentre as mais de 60 flautas que compõem o instrumentário do grupo.

Entretanto, o que mais representa o Quinta Essentia é sua incansável atuação no Brasil e no mundo, que acaba de completar 16 anos, uma trajetória que inclui mais de 350 concertos, 10 turnês internacionais por todos os continentes incluindo festivais importantes como o chinês Shenzhen Belt & Road Music Festival, um dos maiores da China.

Bolívia, China, Estados Unidos, Austrália, Portugal, França, Namíbia, Itália, Alemanha, Brasil… não importa qual desses países o Quinta tenha passado, uma coisa é fato, seu público não busca somente o que está disponível na mídia em massa, muito pelo contrário, buscam beleza, pluralidade e inovação, itens presentes na conduta do Quinta Essentia Quarteto.

Um grupo de quatro pessoas que tem como quinto e crucial elemento, a flauta doce, apresentando a beleza que o resultado da pesquisa de repertório e interpretação traz, nutrindo a história de um instrumento tão antigo, ao mesmo tempo que muito atual.

“Quando eles tocaram juntos, o som criado era incomparável com tudo o que eu já havia ouvido antes. Era música celestial, e o Quarteto personalizava os anjos tocando nos portais do Céu” (NEIU Independent, 2016).

As apresentações do Quinta Essentia são verdadeiras experiências, já que o quarteto apresenta a música como linguagem, uma forma de expressar o que acreditam existir de mais verdadeiro: a arte e a música como objeto de transformação.

Transformação que vem seja pela expressão não verbal, mas também pela falada, onde, do palco, o Quinta interage com o público, aproximando ainda mais a música de concerto à cada um.

Hoje, em termos de flauta doce, o Quinta Essentia Quarteto é considerado o “Quarteto do Brasil”, e é bem possível que assim o seja chamado “lá fora” pois é praxe fomentar novos públicos a partir da divulgação da cultura brasileira e a música de câmara nacional. Aliás, dois de seus CDs, Caboclo e Falando Brasileiro, são inteiramente dedicados aos compositores do Brasil.

Contudo, aqui no Brasil, também é fato que o Quinta tem o seu valor e quem diz isso são seus prêmios e aprovações em diversos projetos em parceria com o Governo do Estado de São Paulo dentre outros.

“O quarteto paulista de flautas doces Quinta Essentia chega ao clímax de uma carreira vitoriosa, ao lançar uma leitura apaixonante da “Arte da Fuga”, de Johann Sebastian Bach, no mercado internacional, pelo selo ARS Produktion” (João Marcos Coelho – Rádio Cultura FM, 2017).

Não bastasse toda a sua carreira artística de alta qualidade, o Quinta Essentia é um exemplo profissional de extrema importância para a formação dos alunos de flauta doce no Brasil. Os integrantes do quarteto estão em constante capacitação pedagógica para realizar um trabalho de formação de jovens músicos e amantes da música com excelência.

Da sala de aula aos palcos, o Quinta percorre então todo o caminho de um aprendiz de flautista, sendo uma inspiração para todos que querem chegar à excelência.

Um caminho longo este, já que a flauta possui uma família de instrumentos de diferentes tamanhos e timbres, fazendo com que o flautista não toque apenas um instrumento, mas sim vários.

O Quinta Essentia, por exemplo, utiliza mais de 60 tipos de flautas em suas interpretações. Cada uma é escolhida a dedo para que se alcance a melhor sonoridade de acordo com o estilo e época do repertório escolhido.

Essa escolha é feita a partir de um trabalho de pesquisa minucioso que o Quinta Essentia desenvolve: uma performance historicamente orientada da música para quarteto de flautas.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Quinta Essentia Quartet para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 27.06.2022:

01) Ritmo Melodia: Qual nome, data de nascimento e cidade natal dos membros do grupo?

Quinta Essentia Quartet: Gustavo de Francisco, nasceu no dia 26/10/1978 em São Caetano do Sul – SP. Renata Pereira, nasceu no dia 19/02/1983 em Joinville – SC. Francielle Paixão, nasceu no dia 21/04/1988 em Pouso Alegre – MG. Marina Mafra, nasceu no dia 13/03/1984 em Belo Horizonte – MG.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música dos membros do grupo.

Quinta Essentia Quartet: Gustavo de Francisco: Já trabalhei em muitas áreas e fiz muitas coisas, mas a arte sempre esteve presente em minha vida. Desde muito cedo a flauta doce se faz presente no meu dia a dia, e mesmo quando me distanciei da música para a engenharia, ou da produção musical para trabalhar em um grande banco, a cada tempo livre, voltava a estudar música e tocar com amigos. Sempre fiz um grande esforço para não me afastar da música. Quando fazemos algo que gostamos, fazemos mais e melhor, e é por isso que a música tem agora a minha dedicação total e exclusiva.

Marina Mafra: Amor ao primeiro contato, foi desde o início minha relação com a flauta doce. Mesmo aos 6 anos, preferia tocar flauta a sair para brincar. Música, expressada em diversas formas, sempre foi meu objetivo de vida e por isso experimentei ao longo dos anos me expressar musicalmente através da flauta doce, do canto, do piano, da flauta transversal e do violoncelo. Como uma pessoa tímida e introvertida, encontrei na música e no palco minha melhor versão falada, a fala musical, que me permitiu conectar e conhecer pessoas incríveis nessa jornada, bem como me proporcionou experiências que moldaram minha personalidade e maneira de enxergar e atuar na sociedade.

Francielle Paixão: Comecei a estudar música aos 7 anos de idade, flauta doce e piano. Aos 18, me mudei de Minas para São Paulo com a certeza de que a música seria minha profissão. Estudei regência, musicoterapia, fonoaudiologia, mas minha paixão sempre foi a Flauta. Existem muitos caminhos dentro da música, mas tocar, com certeza é para mim o mais encantador.

Renata Pereira: Costumo dizer que não escolhi a flauta doce, foi ela quem me escolheu. Com 8 anos eu não tinha ideia de qual instrumento musical escolher. Eu só queria estar em contato com a música. A flauta doce foi um grande encontro, comecei a estudar, fiz outras coisas com música paralelamente, mas no fim (ou no início de tudo) decidi que a flauta doce seria a minha companheira. Ela me apresentou pessoas, lugares e excelentes experiências. Hoje compartilho com meus alunos e com outros professores o meu amor pela flauta doce e pela música como linguagem, a qual todos respondem.

03) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Quinta Essentia Quartet: Uma de nossas primeiras influências veio de um quarteto de flautas que teve 30 anos de história, o Amsterdam Loeki Stardust Quartet. Tivemos o prazer de conhecer pessoalmente seus membros, e um deles, Paul Leenhouts se tornou um grande amigo e parceiro, chegamos a fazer alguns trabalhos juntos. Em 2012, fizemos um concerto no Grande Auditório do MASP junto com Paul, e este concerto ficou marcado em nosso coração, pois depois deste trabalho muita coisa mudou na nossa maneira de tocar e fazer música. Como artistas, nenhuma influência deixa de ter importância, afinal fazemos música e arte com tudo o que somos e aprendemos.

04) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical dos membros do grupo?

Quinta Essentia Quartet: Todos temos formação em música, sendo que a Renata é doutora em música pela USP – Universidade de São Paulo, a Francielle e a Marina têm graduação em música e estão atualmente cursando mestrado em música em Portugal. Gustavo de Francisco tem graduação em Engenharia Eletrônica pela Escola de Engenharia Mauá – SP, e formação musical pela FASCSFundação das Artes de São Caetano do Sul.

Gustavo de Francisco: formado em flauta doce pela FASCS (1996). Bolsista do Festival de Itu (1997 e 1998). Formado em oboé pela FASCS (1998). Participou do Festival de Montenegro (1999). Participou da Oficina de Música de Curitiba (1999, 2000, 2001). Participou do Festival de Música Antiga de Juiz de Fora (2003, 2004, 2005). Fundou o Quinta Essentia quarteto (2006). Criação e realização do ENFLAMA – encontro nacional de flauta doce (2007). Lançou o CD – La Marca (2008). Produção da turnê Europa do Quinta Essentia (2009). Produção da turnê Itália e China do Quinta Essentia (2010). Início da atividade pedagógica com o Método Suzuki de flauta doce (2012). Produção da turnê Namíbia do Quinta Essentia (2012). Realização do ENFLAMA – encontro nacional de flauta doce (2012). Participação do Festival de Música SUZUKI em Lima/Peru (2013). Realização do ENFLAMA – encontro nacional de flauta doce (2013). Lançou o CD – Falando Brasileiro (2014).

Marina Mafra: início da trajetória musical, na Fundação de Educação Artística (FEA), em Belo Horizonte, com a Flauta Doce (1990). Iniciou estudo de Piano na Fundação de Educação Artística (1996). Participou da gravação do CD – Música na Escola como coralista do Coral Infanto-juvenil da Fundação de Educação Artística (1997). Iniciou estudo de flauta transversal (1999). Professora de flauta doce na Fundação de Educação Artística (2002-2010). Integrante do grupo de flautas doces Papo de Anjo (2002-2012). Concertos com o Quarteto de Flautas Doces da Universidade do Estado de Minas Gerais (2003-2005). Participou do 8° e 9° Encontro de Flauta Doce de Ituiutaba (2003 e 2004). Participou do 16° Festival de Música Antiga de Juiz de Fora (2005). Concluiu o Bacharelado em Música – Habilitação em Instrumento (Flauta Doce) pela Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG (2005).

Atuou como regente e arranjadora em diversas formações de coro (2005-2019). Participou da I, II e III Semana de Música Antiga da UFMG (2007, 2009, 2013). Estudante de Técnica Vocal e Regência Coral na Fundação de Educação Artística (2008-2009). Integrante da orquestra barroca como flautista da II Semana de Música Antiga da UFMG sob a direção de Nicolau de Figueiredo (2009). Professora de “Flauta Doce como instrumento musicalizador” e “Grupo de Flautas Doces” na Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG (2009). Participação no cd “Saudade”, de autoria da cantora e compositora Isabella Bretz, tocando flauta transversal. (2012). Shows com a cantora e compositora Isabella Bretz para o lançamento do cd “Saudade” (2013). Professora de flauta doce e canto coral infantil no Conservatório Estadual de Música de Varginha – CEMVA (2012).

Iniciou estudo de violoncelo, Grupo de Flautas doces e Orquestra e Camerata de cordas no Conservatório Estadual de Música de Varginha – CEMVA (2012). Professora particular de piano (2008-2019). Integrante do naipe de sopranos I do Coro da Cidade de Santo André, com participações em concertos com a Orquestra Sinfônica de Santo André – OSSA (2014-2016). Participação na Opereta “A Viúva Alegre” como integrante do naipe de sopranos I do Coro da Cidade de Santo André em parceria com a Orquestra Filarmônica de São Caetano do Sul (2016). Curso de violoncelo no Conservatório Musical de São Caetano do Sul (2013-2016).

Integrante da Orquestra de Cordas da Escola de Música do Estado de São Paulo como violoncelista (2016). Integrante da Orquestra Sinfônica da Fundação das Artes de São Caetano do Sul como violoncelista (2016). Integrante da Orquestra 415 de Música Antiga como violoncelista (2017-2019). Flautista no grupo Musica Figurata (2018). Flautista no concerto dedicado à Elisabeth Jacquet de La Guerre com o grupo Musica Figurata, como parte da série de concertos “Mulheres Barrocas” (2018).

Participação na gravação do Programa Globo Horizonte como flautista, com o grupo Musica Figurata, sobre o projeto “Mulheres Barrocas” (2018). Concerto didático de Música Barroca no projeto 3ª Maior da Escola de Música José Acácio de Assis Costa em Nova Lima, MG (2018). Participação em vários concertos do 30° Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora, MG (2019). Flautista no concerto “A Arte dos Castrati”, com o grupo Musica Figurata, na FAJE Cultura em Belo Horizonte, MG (2019). Performance comentada no III Seminário Docere, Delectare et Movere: decoro, ornamento e elegância do estilo da Faculdade de Filosofia e Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no Santuário do Caraça (2019). Participou do 2° Encontro de Performance em Flauta Doce de Uberlândia – ENFLADU (2019).

Ingressou no Mestrado em Música – Especialização em Flauta Doce – na Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco em Portugal, sob a orientação do flautista António Carrilho. (2019). Frequentou os workshops online da San Francisco Early Music Society – SFEMS (2020). Entra no Quinta Essentia quarteto (2020). Frequentou o curso de Flauta de Bisel no XXX Encontros Internacionais de Música da Casa de Mateus (2020).

Participante e parte da equipe organizadora do projeto e concertos “Flautistas Dulces de Latinoamerica” (2020-2021). Palestrante de “Ornamentação e Retórica nos séculos XVII e XVIII: Das sonatas de Corelli à Bach”, na Univesirdade Federal de Minas Gerais (UFMG) como parte das atividades da disciplina “Tópicos em Música: Interpretação da música de Bach, Scarlatti e seus contemporâneos: para instrumentistas e cantores. (2021). Produção das turnês Bolívia e França do Quinta Essentia (2014). Professor do XXVIII Festival Internacional de Música do Pará (2015).

Francielle Paixão: formada em Flauta Doce pelo conservatório Estadual de Música de Pouso Alegre/MG – CEMPA. Regente Coral formada pela FMU/ FAAM especialista em musicoterapia-FMU e em fonoaudiologia-CEV. Integrou o grupo de música antiga e contemporânea Le Bizarre. Gravou o CD Le Bizarre Música do Mundo (2003). Vencedora do concurso Conexão Telemig Celular de música com o grupo Le Bizarre (2004). Gravou com o músico Toninho Horta algumas faixas do CD Conexão Telemig celular (2004).

Lançou o DVD Música do Mundo (2005). Integrou o Grupo de Música Antiga da USP/ECA (2007-2008). Integrante do Duo Francielle Paixão e Cristiano Petagna (2015-2017). Cantora do Coral Cênico da Unifesp. Participou dos musicais: “A Noiva do Condutor” de Noel Rosa; e “Kátia e Paulo” uma opereta paulistana de Alvaro Cueva. Participou do Festival de Música Antiga de Juiz de Fora. Participou do Laboratório Coral de Itajubá. Atualmente é Regente Coral e professora no projeto GURI Santa Marcelina. Entra no Quinta Essentia Quartet (2017).

Renata Pereira: início da sua atividade pedagógica com flauta doce pelo Método Suzuki (1998). Concluiu bacharelado em flauta doce EMBAP (2004). Finalista do concurso Furnas Geração Musical (2004). Gravação do CD do grupo Compassolivre (2005). Gravação do CD do programa Furnas Geração Musical (2005). Fundou o Quinta Essentia quarteto (2006). Criação e realização do ENFLAMA – encontro nacional de flauta doce (2007). Lançou o CD La Marca (2008). Lançamento do DVD vídeo-aula flauta doce ABC Music (2008). Professora de flauta doce do 29º Festival de Música de Londrina (2009).

Concluiu mestrado em música pela Universidade de São Paulo USP/FAPESP (2009). Professora de flauta doce do Festival Internacional Suzuki de Música Lima/Peru (2010). Apresenta trabalho na Suzuki Conference em Minneapolis/USA (2010). Professora de flauta doce do 30º Festival de Música de Londrina (2010). Fundou o Centro Suzuki de educação musical em São Paulo (2011). Professora de flauta doce do 31º Festival de Música de Londrina (2011). Professora de flauta doce do Festival Internacional Suzuki de Música Lima/Peru (2012). Recorder Clinician na Suzuki Conference em Minneapolis/USA (2012).

Realização do ENFLAMA – encontro nacional de flauta doce (2012). Professora de flauta doce do 32º Festival de Música de Londrina (2012). Professora de flauta doce do Festival Internacional Suzuki de Música Lima/Peru (2013). Realização do ENFLAMA – encontro nacional de flauta doce (2013). Professora de flauta doce do IV Festival Internacional de Música de Campina Grande (2013). Lançou o CD Falando Brasileiro (2014). Preparação dos alunos de flauta doce para a Orquestra Suzuki da América Latina – USA (2014).

Concluiu doutorado em música pela Universidade de São Paulo USP/FAPESP (2014). Tornou-se SAA teacher trainer de flauta doce – Suzuki Association of the Americas (2014). Preparação dos alunos de flauta doce para a Orquestra Suzuki da América Latina – Peru (2014). Professora do XXVIII Festival Internacional de Música do Pará (2015). Professora de flauta doce do 35º Festival de Música de Londrina (2015).

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Quinta Essentia Quartet: O Quinta Essentia começou em 2006, e desde então já passou por algumas mudanças de integrantes. Eu (Gustavo de Francisco) e Renata Pereira somos membros fundadores, e todos os flautistas que passaram pelo grupo já tinham experiências profissionais anteriores no meio musical. Quando começamos este trabalho, queríamos mostrar tudo o que a flauta doce é capaz. A prática em grupo/quarteto é comum entre flautistas, existem muitos grupos de flautas doces no contexto pedagógico, mas quando começamos, não havia nenhum grupo profissional e autônomo, sem vínculo às instituições de ensino, com um trabalho continuado e ativo no cenário da performance da música de concerto. Para isso, investimos em formação, música boa e instrumentos de altíssima qualidade. Algumas das flautas que temos são únicas no Brasil, e sem esses instrumentos seria impossível realizar o trabalho que fazemos hoje. Desde a formação, já fizemos inúmeras turnês por todos os continentes e mais de 350 concertos com uma média de 25 concertos por ano.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Quinta Essentia Quartet: Temos sete álbuns lançados, sendo dois como convidados e cinco que produzimos: “La Marca” (2007), “Falando Brasileiro” (2013), “A Arte da Fuga” (2017), “Caboclo” (2020), “Tunes!” (2022).

07) RM: Os membros do grupo já tocaram em orquestra?

Quinta Essentia Quartet: A flauta doce não faz parte da orquestra sinfônica. Mesmo assim, já participamos de produções com orquestra: eu (Gustavo de Francisco) fui membro da Orquestra Filarmônica de São Caetano do Sul (também toco oboé), eu, Renata Pereira e Marina Mafra já tocamos em produções com orquestras barrocas, e a Francielle já participou de outros grupos com grande formação instrumental.

08) RM: Como é o seu processo de compor?

Quinta Essentia Quartet: Até o momento, não temos composições próprias, mas trabalhamos em parceria com diversos compositores. Mais recentemente, no álbum “Caboclo”, temos duas composições originais, uma de Daniel Wolff, que é professor da UFRGS, e outra por Tim Rescala, comediante e compositor de trilhas sonoras da Rede Globo, foi ele que compôs a trilha das novelas: Meu Pedacinho de Chão e Velho Chico. Outros trabalhos com compositores escrevendo música dedicada ao grupo estão em desenvolvimento, e logo teremos mais novidades nesse aspecto. Algo que fizemos muito desde 2015 foram arranjos de música composta para outros instrumentos, e que nunca haviam sido tocadas em flautas doces. Foi assim com os nossos três últimos álbuns, e também com alguns repertórios que estamos trabalhando no momento, onde eu (Gustavo) fiz todos os arranjos.

09) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Quinta Essentia Quartet: A principal vantagem é a liberdade criativa, e a maior dificuldade é em relação a infraestrutura e financiamentos. Ao longo dos anos, construímos a estrutura que precisávamos (instrumentos, equipamentos, local de ensaio, etc.). Desafios sempre existem em todos os modelos de trabalho.

10) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Quinta Essentia Quartet: São várias estratégias, que se mesclam: escolha de repertório, fontes de financiamento, editais, divulgação em redes sociais e mailing, produção de material gráfico e editorial, criação de website, planejamento de turnês, rede de contatos, venda de shows avulsos, e o mais importante: manter o contato com os fãs e simpatizantes, pois é para o público que fazemos música. Além de tudo isto, precisamos sempre pensar de maneira abrangente, como dizemos aqui, sonhar grande, e pensar em planos para o futuro. O que fizemos, o que estamos fazendo, e o que ainda queremos fazer, são perguntas pertinentes para que possamos continuar produzindo.

11) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Quinta Essentia Quartet: Além do que já falei acima, é importante investir no próprio trabalho. Se não colocamos dinheiro do nosso bolso para alavancar futuros trabalhos, se torna impossível se manter no mercado. Isso acontece em nosso caso para comprar instrumentos, fazer novos álbuns, e outras atividades que requerem investimento inicial.

12) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Quinta Essentia Quartet: A internet ajuda muito na divulgação de nosso trabalho em áreas que seria impossível sem ela. Hoje nosso trabalho é conhecido mundialmente. A única coisa que nos parece que as novas tecnologias causaram, foi o financiamento de novos trabalhos pela venda de álbuns. A produção de um álbum é cara, e era paga pela venda dos discos. Hoje em dia, com as plataformas de streaming, os custos de produção aumentaram, e as receitas praticamente foram reduzidas a zero. Temos que pensar em novas possibilidades, e em novas estratégias para as possibilidades que já existem.

13) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Quinta Essentia Quartet: Só vejo vantagens com o uso home estúdio. Hoje temos microfones e equipamento suficiente para gravar sem depender de terceiros. Mas o conhecimento de um profissional de áudio para dirigir a gravação, editar, mixar e masterizar é imprescindível. Por isso, a questão não é de tecnologia, mas sim, de conhecimento.

14) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Quinta Essentia Quartet: O que oferecemos, nenhum grupo no mundo oferece. Apesar de existirem outros quartetos de flautas, seja no Brasil ou no exterior, nenhum toca o repertório que tocamos, e nenhum outro, ainda, usa o conjunto de instrumentos que temos.

15) RM: Como você analisa o cenário da música instrumental brasileiro. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Quinta Essentia Quartet: A música instrumental brasileira é muito rica, em possibilidades, estilos e contextos. Apesar de termos trabalhos de diferentes estilos, por causa do nosso instrumento musical, estamos sempre ligados à música instrumental erudita: à música de câmara. E neste aspecto, as formações que temos em nosso país são sempre relacionadas às instituições ou parte de um corpo maior, como uma orquestra por exemplo. O nosso trabalho, por ser independente, não estar vinculado à nenhuma instituição, e ainda, por se tratar de uma formação instrumental no mínimo inusitada, é aí que reside aquilo que nos torna únicos. O músico brasileiro é extremamente musical e criativo. Seria lindo ver surgir agora, novas formações e possibilidades.

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Quinta Essentia Quartet: O mais feliz é a possibilidade de se viver daquilo que mais amamos fazer, contudo, em qualquer profissão há desafios e situações que obviamente nos decepcionamos ou gostaríamos que pudesse ser diferente. Nestes casos, o que fazemos é trabalhar para tentar mudar aquilo que pudemos mudar, e contribuir para que, em alguns anos, outras gerações de flautistas no Brasil possam ter formação e ambiente melhores para desenvolver seus trabalhos.

17) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Quinta Essentia Quartet: Nunca pagamos jabá, e nossa música não é veiculada em todas as rádios. A rádio Cultura FM e a Rádio MEC FM já fizeram programas dedicados à nossa música, sem que tivéssemos que pagar por isso. Mas pensando no universo de hoje, pagar o jabá para veicular nas rádios não seria o mesmo que pagar um anúncio (impulsionamento) pago nas redes sociais?

18) RM: O que vocês dizem para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Quinta Essentia Quartet: Primeiro, busque uma boa formação. Encontre um professor que você confie, e que te inspire. Trabalhe muito. Não pense que você não deve investir em você e no seu trabalho. Invista. Dedique-se. Saiba que há espaço para todos. Encontre o seu espaço. Carregue pessoas com vocês, para que todos possam crescer. Valorize os espaços, os trabalhos e os profissionais que estão com você. Valorize o humano. Seja leal com você, com a sua paixão pela música. Seja honesto, sincero e justo.

19) RM: Quais os flautistas que vocês admiram?

Quinta Essentia Quartet: Franz Brüggen foi o responsável por termos a flauta doce sendo tocada como um instrumento musical e não apenas na educação musical. Sem ele, talvez não estivéssemos realizando esse trabalho. Podemos também citar: Paul Leenhouts, Sebastien Marq, Pierre Hamon, Michala Petri e muitos outros.

20) RM: Quais os compositores Populares e Eruditos que vocês admiram?

Quinta Essentia Quartet: J. S. Bach, esse talvez seja o maior de todos. Mas posso citar alguns outros de nossos últimos trabalhos, como Radamés Gnattali, Tim Rescala, Claude Debussy, Randy Newman.

21) RM: Quais os compositores do Jazz que vocês admiram?

Quinta Essentia Quartet: Chick Corea!

22) RM: Qual método para o ensino de flauta vocês recomendam?

Quinta Essentia Quartet: Eu (Gustavo de Francisco) e Renata Pereira usamos e recomendamos o Método Suzuki. O método não é apenas um livro de repertório, mas engloba também a maneira e a filosofia por trás do ensino de música. Ensinamos ao aluno a tocar o instrumento da mesma forma que a criança aprende a falar, e isso é muito fantástico. Esse método também é conhecido como método da língua materna. O aluno aprende pelo ambiente, por experiências, e por bons exemplos. Crianças muito jovens, a partir de 6 meses de idade já podem a começar a ter experiências musicais por este método, e aprender um instrumento a partir de dois anos de idade. Adultos também podem aprender da mesma forma, sem traumas e com rendimento exponencial.

23) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Quinta Essentia Quartet: No mundo da música erudita, creio ser um grande erro ensinar música primeiro pela leitura e só depois pelo som. Quando aprendemos a falar, primeiro dominamos a comunicação, e só depois de termos a fluência no idioma de nossos pais, aprendemos a ler e escrever. Imagina se ensinarmos uma criança a ler antes dela saber falar? A música é uma linguagem, e devemos aprender música como uma linguagem, desde a primeira lição. Algo que também é comum no Brasil, são professores que subestimam a capacidade de seus alunos. Se queremos mudar a qualidade na formação musical no Brasil, os principais agentes, com toda certeza, são os professores. Devemos pensar que todos são capazes, e devemos fazer todo o possível para que nossos alunos tenham a melhor formação que podem ter.

24) RM: Existe o Dom musical? Como vocês definem o Dom musical?

Quinta Essentia Quartet: Assim como todo ser humano aprende a linguagem de seus pais, a sua língua materna, sem sotaque, todo ser humano pode aprender música, e tocar um instrumento com a mesma fluência da fala, em seu mais alto grau. Assim como, nem todo ser humano usa a fala em sua profissão, da mesma forma nem toda pessoa que aprende música será músico de profissão. Isso deve ser decidido pela pessoa e não por seu professor. Mas isso não deve significar um juízo qualitativo, que ela toque pior ou melhor que outros. Música é uma habilidade. E para desenvolver essa habilidade precisamos de bons exemplos, de um ambiente propício para esse desenvolvimento, e de horas de dedicação.

25) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Quinta Essentia Quartet: Tocar algo que não está escrito na partitura. Partindo do conceito de música como linguagem, improvisar é exatamente o que fazemos quando conversamos em nossa língua. Sabemos as palavras, um vocabulário que está em nossa memória, sabemos quais palavras podem ser combinadas e em que ordem é possível, sabemos algumas frases prontas, e enquanto falamos, escolhemos as palavras certas na ordem certa para sermos compreendidos.

26) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Quinta Essentia Quartet: Assim como na linguagem falada não podemos inventar todas as palavras que falamos pois não seríamos compreendidos, na música a improvisação se dá pela junção de padrões (palavras) previamente conhecidos, estudados e memorizados. Esses padrões são diferentes em cada estilo, mas ainda assim preexistentes da performance. Esse estudo pode ser formal ou informal, mas o que acontece em todos os casos é que um bom improvisador tem na memória vários padrões para cada movimento melódico e/ou harmônico.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Quinta Essentia Quartet: Ter método é necessário para o desenvolvimento de qualquer habilidade. E improvisação é uma habilidade.

28) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Quinta Essentia Quartet: Ter método é necessário para o desenvolvimento de qualquer habilidade. E conhecer harmonia e saber como aplicá-la, o uso, e sua função na música é também uma habilidade.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário da música instrumental brasileira?

Quinta Essentia Quartet: A grande mídia, em minha opinião, simplesmente ignora que a música instrumental exista.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Quinta Essentia Quartet: São instituições que fomentam o mercado cultural, e que são muito respeitadas tanto pelos artistas quanto pelo grande público. Isso me faz pensar que haveria muito mais espaço para a música instrumental se a grande mídia abrisse um pequeno espaço em sua grade para a música instrumental e para a música erudita.

31) RM: Vocês tocam todos os tipos de Flautas Doces?

Quinta Essentia Quartet: Tocamos todos os tipos de flautas doces. A família da flauta doce é extensa, e se divide em instrumentos de tamanhos diferentes que levam os nomes das vozes humanas em um coro: soprano, contralto, tenor, baixo. Além dessas, temos ainda, a sopranino e garklein menores e mais agudas que a soprano, e a grande-baixo, contrabaixo, sub-grandebaixo e sub-contrabaixo ainda maiores e mais graves que a flauta baixo. Além dessa divisão, podemos caracterizar as flautas pelo período ou tipo de tubo, e assim temos as flautas renascentistas, barrocas e modernas. Cada um desses tipos, tem toda a família de tamanhos diferentes. A combinação disso tudo dá mais de 100 tipos de flautas diferentes.

32) RM: Quais os vícios técnicos o flautista deve evitar?

Quinta Essentia Quartet: No caso da flauta doce. Dedos devem se mover sincronizados com a língua, por isso devemos evitar o hábito de preparar dedos antes de tocar cada nota. E derivado a isso, nenhuma nota faz sentido sozinha, por isso não devemos “tocar notas”. Ao invés disso, devemos tocar frases, e nesse aspecto o controle da respiração e do ar são essenciais.

33) RM: Quais os erros no ensino de Flauta devem ser evitados?

Quinta Essentia Quartet: Devemos ouvir e pensar no som produzido, ao invés de olhar e pensar nos dedos e nas notas. Ouvir grandes artistas, isto é, bons exemplos, e imitar o som produzido. A prioridade no ensino deve ser a compreensão da linguagem musical (frase), e não a “soletração” (notas).

34) RM: Tocar muitas notas por compasso ajuda e prejudica a musicalidade do flautista?

Quinta Essentia Quartet: Não ajuda nem prejudica. Isso só não deve ser a prioridade, mas em determinado momento do estudo, será necessário tocar rápido. O tempo e o ritmo são uma das características da linguagem musical. Se não conseguimos tocar rápido, ou se só conseguimos tocar rápido, estaremos limitados de se expressar pela linguagem musical.

35) RM: Quais diferenças técnicas entre os instrumentos de sopro?

Quinta Essentia Quartet: Apesar de todos instrumentos de sopro serem construídos a partir de um tubo onde o ar assoprado vibra dentro desse tubo, as técnicas são completamente diversas. Alguns têm palheta como o sax, clarineta, oboé e fagote, alguns têm bocais como a família dos metais (trompete, trompa, trombone, etc), em alguns, o ar passa diretamente pelo bocal como a flauta doce e transversal. Mas tanto em dedilhado, quanto em técnica para produzir o som em cada um desses instrumentos, são muito diferentes, e praticamente impossível de comparar.

Mesmo entre as flautas doces, que apesar de tamanhos e tipos diferentes possuem técnica e dedilhados muito parecidos, quando usamos um instrumento novo, há um período de adaptação para conseguirmos fazer o melhor som no instrumento. Uma flauta doce renascentista tem graves bem potentes, extensão reduzida e dedilhados complexos; uma flauta doce barroca tem som mais aveludado e dedilhados mais padronizados, enquanto as flautas modernas oferecem maior extensão, dedilhados especiais na terceira oitava e muitas possibilidades de técnicas estendidas. É preciso se adaptar a cada instrumento, para poder cativar o público com seu som.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Quinta Essentia Quartet: No momento, o Quinta Essentia tem dois novos espetáculos: Abendmusik, com música barroca alemã tocada com instrumentos do séc. XVII e XVIII, e Estações Impressionistas, que homenageia a compositora Nadia Boulanger e contém música de seus contemporâneos franceses como Debussy e Ravel e também de um de seus alunos, Ástor Piazzolla. Este último teve sua estreia na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, no dia 25/6 às 16h.

40) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs

Quinta Essentia Quartet: https://quintaessentia.com.br | (11) 99666 – 0497 | [email protected]

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Quinta Essentia Quarteto no Partituras – obra-prima de Johann Sebastian Bach, “A Arte da Fuga”: https://www.youtube.com/watch?v=mpBifc8LDF8


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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.
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