Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antônio Carlos da Fonseca Barbosa.

Murillo Augustus

Murillo Augustus
Murillo Augustus

Murillo Augustus é presença constante nos palcos de diversos Estados do país há vários anos, desfilando um repertório refinado e atraindo um público fiel, devido ao seu talento, carisma e versatilidade.

Mesmo estando à margem do mainstream, o músico consegue a proeza, nos tempos atuais, de aliar uma carreira autoral de respeito, com 6 discos em seu catálogo – todos disponíveis em todas as plataformas digitais –, a um calendário cheio, com cerca de 300 apresentações anuais solo no formato One Man Band (tocando simultaneamente violão, gaita, footdrum, kazoo e pandeiro de pé, além de cantar). O multi-instrumentista tem lançado trabalhos autorais regularmente, desde 2014, recebendo grande atenção do público e da crítica especializada.

Murillo Augustus Lançou os álbuns: “Passando o Som” (2014); “Bom pra Cachorro” (2016). “Quero que se Folk” (2017); “Sanatório Hostil” (2019) e “Hostile Sanatorium” com o americano Steve Warren, em que toca algumas músicas do “Sanatório Hostil” em inglês; “Repassando o Som” (2020) revisitando seus dois primeiros trabalhos, gravado na FATEC de Tatuí/SP, com a produção do Tobias Motta.

Além dos sons autorais, o setlist do músico se destaca pela presença dos hinos do folk, do blues e do rock – com ênfase nas décadas de 40 a 70 –, com rendições inspiradas dos clássicos de grandes ícones da música, como Bob Dylan, Neil Young, Johnny Cash, John Lennon, Bob Marley, Beatles, Rolling Stones, Hank Williams, Janis Joplin, Sonny Terry and Brownie Mcghee, Muddy Waters, Robert Johnson, Doors, Creedence, Mumford & Sons, Chris Stapleton, Blackberry Smoke, The Lumineers, Raul Seixas, entre outros.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Murillo Augustus para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 21.12.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Murillo Augustus: Nasci no dia 21.11.1986 em Itu/SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Murillo Augustus: Eu cresci na casa dos meus avós, onde tinha uma bateria montada no fundo da casa. A bateria era do meu tio. Lembro-me de tocar bateria desde criancinha.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Murillo Augustus: Eu me formei em jornalismo. Sou músico autodidata.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Murillo Augustus: O meu passado foi rock and roll total. Cresci ouvindo bandas grunges, hard rock, metal e rock clássico. Sempre fui um pesquisador, por causa disso, resolvi ir atrás das raízes desse som que tanto me cativou. Acabei caindo de cabeça no blues, folk e country music. Hoje em dia consumo esse tipo de som. Considero-me muito eclético. Amo jazz e MPB também. Hip hop e FUNK music. Depende da fase!

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Murillo Augustus: Eu tive a música como renda complementar durante muitos anos da minha vida. Recebi meu primeiro cachê quando estava no ensino fundamental. Na faculdade eu tocava com bandas de rock em Itu/SP e aquele dinheiro que eu ganhava nos bares me ajudava muito. Passei a viver exclusivamente da música em 2014, quando lancei meu primeiro trabalho autoral.

06) RM: Quantos CDs lançados? Qual o perfil de cada CD?

Murillo Augustus: Eu tenho seis discos lançados. Os dois primeiros, “Passando o Som (2014)” e “Bom pra Cachorro” (2016) foram gravados de maneira bem precária, tudo “ao vivão”, sem muita produção e tempo. Também não tinha muita experiência e não tinha dinheiro. Estava atuando como One Man Band há 2 anos e achava que precisava registrar isso rápido. Em 2017 eu lancei o “Quero que se Folk” e esse foi um divisor de águas na minha carreira. Gravei o trabalho com banda, fiz SESC, SESI, vários festivais por vários estados do país e tive uma música desse disco na playlist “Folk Brasileiro” do spotify. Em 2019 lancei o “Sanatório Hostil” com a produção do guitarrista brasileiro que atua em Nashville, Matheus Canteri. No mesmo ano, lancei o “Hostile Sanatorium” com o americano Steve Warren, onde toco algumas músicas do “Sanatório Hostil” em inglês. E, para finalizar, no meio da pandemia do Covid-19, lancei o “Repassando o Som”, um disco revisitando meus dois primeiros trabalhos, gravado na FATEC de Tatuí/SP, com a produção do Tobias Motta. Esse disco volta para as raízes do “One Man Band” e conta com a presença do baixista da banda “O Bardo e o Banjo”, Maurício Pilcsuk. Todos os discos foram compostos em parceria com o poeta e escritor João Affonso. Em todos esses trabalhos, o carro chefe é folk, blues e country.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Murillo Augustus: Folk do Pântano.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Murillo Augustus: Fiz uma aula só.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Murillo Augustus: Todo estudo é extremamente importante.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Murillo Augustus: São muitos. Atualmente eu tenho ouvido muito Chris Stapleton e a Susan Tedeschi. Milton Nascimento e Johnny Cash são vozes incomparáveis para mim. Gosto de Etta James, Tyler Childers, Ney Matogrosso, Frank Sinatra, Mick Jagger. Meu gosto é meio louco.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Murillo Augustus: Eu não tenho uma fórmula. Na verdade, chega a ser até meio bizarro quando penso nisso, pois é sempre uma bagunça essa parte de composição. Componho com um grande amigo e a gente se diverte demais com esse processo.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Murillo Augustus: O nome do meu parceiro de composição é João Affonso. É um grande poeta e escritor. Tem dois livros lançados, “Mente Desperta” e “O Talarico” e, juntos, fizemos mais de 50 canções em 8 anos de parceria.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Murillo Augustus: Recentemente o violeiro e apresentador do programa “No Terreiro do Rancho”, Luiz Ferreira, gravou uma música minha chamada “Melancolia Bobdyliana”. De maneira oficial foi só essa. Mas tem algumas bandas que tocam minhas músicas.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Murillo Augustus: Os prós é que a gente está construindo uma história dentro da cena Folk Brasileira. Acredito que isso seja algo inédito, essa ascensão do Folk no Brasil na última década. O contra de tudo isso, é que a música te consome 24h por dia. É uma profissão “fulltime” demais. Tem gente que cansa e abandona. Eu sou dependente dessa loucura.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Murillo Augustus: A minha principal estratégia dentro e fora do palco é sempre a mesma: SER EU. Eu não separo o artista da pessoa e tem só a produção visual no palco (risos).

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Murillo Augustus: Eu uso várias. Sempre investi nas redes sociais e sempre investi nos materiais físicos. Toda a verba que arrecado com a venda dos materiais físicos, reverto uma parte em marketing e outra parte em novos materiais. Com isso mantenho minha produção a todo vapor. Nos últimos 6 anos, lancei seis discos. Fiz uma média de 300 shows por ano, em vários estados do país. Festivais, hotéis, bares, buskers shows. Independente do tamanho, a minha meta é espalhar o som.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Murillo Augustus: Acho que a internet só ajuda. Sou um cara saudosista com relação as mídias físicas. Ainda consumo o material físico, mas é indiscutível que isso vai virar um nicho perto do tamanho e da força da internet e suas plataformas.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Murillo Augustus: As vantagens é que tem muita coisa maravilhosa saindo no conforto do home estúdio. A desvantagem é que tem coisas ruins também (risos).

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Murillo Augustus: Eu comecei a fazer One Man Band no interior de São Paulo em 2012, no segmento de Folk e Blues. Foi muito, mas muito difícil usar essas nomenclaturas no começo da década por aqui. Ninguém sabia o que era folke não se tinha referência. One Man Band, só tinha o Vasco Faé em Santo André/SP, que é uma lenda na cena, tinha o Chucrobilly em Curitiba – PR. E eu tinha ouvido falar de mais uns: Ari Frello, Davi Hein, Caio Durazzo, ou seja, a gente abriu um campo gigantesco aqui no interior de São Paulo. Apresentando as linguagens e introduzindo uma cena para os contratantes e público. Quando você se mistura com os pioneiros, você acaba sendo um deles. Eu me considero um dos caras que ajudou a introduzir uma cena aqui no interior de São Paulo. Não fiz isso sozinho, mas fui os dos peões do tabuleiro do Folk por aqui, principalmente quando o assunto é ONE MAN BAND.

20) RM: Como você analisa o cenário do Rock. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Murillo Augustus: Eu não acompanho rádio, TV e o mainstream. Acho que o mainstream é o câncer da cultura. Eu acho que, se depender do alternativo, underground e outlaw, nenhuma cena morre. E hoje, pela primeira vez na história, o artista está sendo remunerado para produzir através das plataformas

digitais. Isso já é um incentivo para o cara juntar um público em qualquer canto que seja, e construir a sua história musical. Continuo ouvindo as coisas velhas, mas tenho certeza que tem várias cenas de rock and roll rolando por aí longe das antenas da grande mídia alienada. Banda que escutei nas últimas décadas: JET, DARKNESS, BLACKBERRY SMOKE, WHISKEY MYERS.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Murillo Augustus: Yamandú Costa e Hamilton de Holanda.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Murillo Augustus: Já passei por todas essas situações citadas na pergunta (risos). Já fui fazer um “American Weekend” no Pará que foi difícil. A galera não sintonizou muito no som, mas no final deu tudo certo. Teve uma vez que fui tocar em Goiás, na Festa Italiana de Nova Veneza, com o pessoal do Carnivoria e não tinha lugar para dormir. Nenhum hotel vago na cidade. Os caras alugaram uma casa aos 45 minutos do segundo tempo de umas mulheres desconhecidas. Foi tenso, mas deu certo. Uma vez eu estava tocando em Cerquilho/SP e saiu um pau do mestre de Jiu-Jitsu de Tietê com o mestre de Jiu-Jitsu de Cerquilho. Quem apartou a treta foi o cara que estava fazendo Hamburguer. Ele ergueu a chapa quente para cima e conseguiu controlar a situação. Tem várias!

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Murillo Augustus: O que me deixa mais feliz são os feedbacks do público, quando você vê que um som seu mexeu de verdade com a pessoa. O que me deixa triste é a situação com que o nosso país trata a cultura.

24) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Murillo Augustus: Existe pesquisa e estudo confirmando o Dom.

25) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Murillo Augustus: Eu toco Blues. A improvisação é o que mantém tudo vivo. A improvisação torna tudo inédito. Nenhum show igual ao outro. Isso é mágico.

26) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Murillo Augustus: O estudo faz você saber improvisar com mais confiança. Mas na música existe tudo. Conheço pessoas que improvisam sem estudar.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Murillo Augustus: Acho que tudo vai do bom senso. Moro do lado de Tatuí/SP, terra da música. Toquei com músicos do conservatório espetaculares e outros que saíram sem bom senso. Linguagem e o estudo da linguagem ainda é algo difícil de ser abordado por muitos músicos. Nem todo músico é versátil. As vezes o cara foca num estilo e acaba não sabendo improvisar nos outros.

28) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Murillo Augustus: Harmonia é luz. Sou um autodidata. Estudei apenas 9 meses de harmonização com o professor Ari Mendes, saí das aulas com um disco pronto. Quero voltar a estudar assim que possível.

29) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Murillo Augustus: Minhas músicas não tocarão nunca nas rádios comerciais. E nunca vou pagar jabá também (risos).

30) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Murillo Augustus: Seja verdadeiro e fale sobre o som que você faz com propriedade.

31) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Murillo Augustus: Os Festivais de Música local, muitas vezes, precisam fazer um agrado com quem é da cidade. Isso acaba sendo complicado.

32) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Murillo Augustus: Sim.

33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Murillo Augustus: Não consigo opinar. Pertenço a uma cena super alternativa, mas vejo alguns portais musicais fazendo uma cobertura séria e com muita credibilidade, como a “Folk da World”, “Hits Perdidos”, “Southern Soul Music Revival”, são portais que fortalecem o Folk Brasileiro.

34) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Murillo Augustus: Eu fiz alguns trabalhos no SESC e SESI, bem como no SENAC também. Se todos tratassem a cultura como o “SISTEMA S” trata, nós teríamos um país muito melhor. Na pandemia Covid-19 nós vimos que ninguém vive sem arte. Quarentena regada a Filme, livros, séries, música e tudo mais. A cultura é algo primordial para a lucidez humana.

35) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Murillo Augustus: Não. Eu tenho que rodar muito para sobreviver da minha música. Uma média de 5 km por mês. Toco em mais de 60 cidades em São Paulo, umas 10 em Minas e outros estados. A minha sorte é que estou perto de Campinas, Sorocaba e a região de Piracicaba que são grandes cidades do interior. Mas, de uma maneira geral, Itu e Salto, tem muito pouco trabalho para o que eu faço.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Murillo Augustus: Estou produzindo um disco para 2021 chamado “FOLK DO PÂNTANO” com 10 músicas inéditas, produzido pelo guitarrista Matheus Canteri. Já estamos voltando com as atividades de maneira cautelosa, e pretendo rodar com esse disco no próximo ano. O disco vai contar com grandes participações.

37) RM: Quais os prós e contras de ser multi-instrumentista?

Murillo Augustus: O bom é que você aprende a se virar com o que tem. O ruim é que você fica com vícios de linguagem e quando vai tocar com banda fica difícil de controlar.

38) RM: Quais os prós e contras de tocar mais de um instrumento e cantar?

Murillo Augustus: Eu acho que todo vocalista tinha que tocar um instrumento. Não tem contras não.

39) RM: Murillo Augustus, Quais as principais dificuldades de tocar mais de um instrumento e cantar?

Murillo Augustus: A dificuldade é que precisa de muito treino físico. No meu caso são seis instrumentos e, muitas vezes, você acaba sacrificando algum para ter um conjunto mais bacana. No meu caso, a voz eu sempre acabo sacrificando um pouco.

40) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Murillo Augustus: (11) 9 84646-0058| [email protected]

| www.murilloaugustus.com |https://web.facebook.com/murillo.augustus

|https://web.facebook.com/murilloaugustusoficial

|https://www.instagram.com/murilloaugustus/

CANAL: www.youtube.com/murilloaugustus

Show “Quero que se folk” – Murillo Augustus: https://www.youtube.com/watch?v=VWmUj8oe-k8

Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=yvt1kQz3QP0&list=PLNNNELlL65OIRXxoZKxqydXibVV2Jnxy-


Deixe um comentário

*

Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antônio Carlos da Fonseca Barbosa.