Marquinhos Café

Marquinhos Café

O cantor, compositor, sanfoneiro pernambucano Marquinhos Café teve em seu pai Antônio, a inspiração para aprender tocar sanfona ao vê-lo se distrair com tal instrumento nas horas vagas e aos 14 anos de idade iniciou sua trajetória em prol da música nordestina.

O jovem aprendiz “Marquinhos do Acordeon”, passou a ser integrante da Orquestra Sanfônica de Caruaru após ter sido apresentado ao mestre Camarão, maestro da orquestra, o qual ficou admirado ao notar seu desenvolvimento precoce e habilidade com o instrumento. Mestre Camarão foi seu professor e o maior incentivador da sua carreira de sanfoneiro, fato que lhe rende até os dias atuais uma eterna gratidão a esse grande mestre. Com o apoio de sua família, formou sua primeira banda, composta por seus irmãos Márcio Antonio e Mere, seu pai Antônio e o amigo cantor e compositor Domingos Sávio, iniciando assim uma jornada de apresentações em escolas, palhoças, e até mesmo nos Forrós Pé de Serra no Pátio de eventos de Caruaru – PE.

Apesar do pequeno porte físico, sua habilidade em dominar o acordeon grande e pesado foi primeiro e terceiro lugar no Festival de Sanfoneiros de Caruaru, o que lhe rendeu grande destaque em jornais e espaço em todos os festejos juninos da cidade, além de um convite do produtor musical Domingos Accioly para integrar a banda “Forró bom demais” em 1996. O convite foi aceito e, a partir daí, o pequeno menino começou a adquirir mais experiências e a trilhar novos caminhos fazendo parte posteriormente das bandas: Flor de Cacau em Itabuna – BA, e de volta a Pernambuco com a Banda “Forró Country” e respectivamente “Capim com Mel” e “Casca & Nó”.

Em 2001, surgiu o convite para acompanhar Adelmário Coelho, com quem compartilhou a estrada musical por 13 anos como sanfoneiro e diretor musical fazendo turnês internacionais pela França, Espanha e Itália mostrando que o nordestino tem nas veias o autêntico Forró Pé de Serra, dando um caráter especial à música e à cultura nordestina no exterior. Ele levou a sanfona para o Axé no Festival de Verão Salvador – BA e Carnaval de Salvador junto ao cantor Tomate, numa belíssima homenagem ao centenário do mestre Luiz Gonzaga. Como não poderia deixar de ser, Marquinhos Café brilhou nos circuitos da folia, Farol da Barra e Campo Grande, levando o autêntico Forró Pé de Serra para os foliões baianos e turistas, além de encantar todo o Brasil e o mundo através das transmissões televisivas e pela internet.

Marquinhos Café fez e faz diversas participações em CDs de grupos musicais espalhados por todo o país, sobretudo no Nordeste, não só como sanfoneiro e cantor, mas também como diretor musical e arranjador, trabalhos estes que levaram a inúmeras noites em claro nos estúdios de gravação, as quais eram regadas a muito café, dando origem ao seu sobrenome artístico. Em 2013 gravou seu primeiro CD solo com a participação dos amigos Dominguinhos, Adelmário Coelho, Flávio José, apresentando-se sempre com a sanfona no peito levando com muita seriedade, respeito e carinho a música nordestina. Em 2014, impulsionando e valorizando o Forró e a rica e diversificada cultura regional, lançou com nova roupagem, o segundo CD da sua carreira com a participação de Targino Gondim. Em 2015 lançou seu primeiro DVD – “Marquinhos Café – ao vivo e em cores”, gravado em Salvador – BA, trazendo participações mais que especiais dos amigos da vida, música e estrada como Targino Gondim, Eugênio Cerqueira, Adelmário Coelho, Luiz Caldas, Júlio Cézar, o qual já lhe rendeu uma ilustre participação no Forró London em Londres – Inglaterra, junto a outros ícones do Forró como Del Feliz, Lucy Alves, Amorosa, Ivan Antônio, Nádia Maia.

Em 2015 Marquinhos Café fez parte do maravilhoso projeto III Festival Internacional da Sanfona junto ao Quinteto Sanfônico da Bahia. No mesmo ano foi premiado com o primeiro lugar como melhor sanfoneiro o FENFIT, Festival Nacional de Forró de Itaúnas – ES, na sua 15ª Edição. No Carnaval de 2016, é convidado a se apresenta no Carnaval de Salvador fazendo uma linda participação junto a Orquestra de Pandeiros (A TAPA) levando para o circuito Barra – Ondina muito Forró e Frevo. Em 2016 é mais uma vez convidado para o Troféu Gonzagão em Campina Grande-PB. Em julho se apresentou junto ao Quinteto Sanfônico da Bahia no IV Festival Internacional da Sanfona, em Juazeiro-BA.

Marquinhos Café também no seu dia a dia tem seu projeto e compromisso de aulas de sanfona e de Forró, onde tem vários alunos que já estão começando a tocar com bandas e artistas, fazendo com que esse sonho de levar a sanfona a diante seja cumprido e realizado como lhe pediu seu mestre Camarão, que levasse essa cultura a frente e jamais deixasse acabar nossa sanfona e boa música.

Em 2017 é confirmado para o Furdunço, onde levou para o circuito Barra – Ondina, a sanfona, o Frevo e muito Forró, mostrando o universo da sanfona e suas riquezas musicais com muito sucesso no evento. Em 2017 lançou o vídeo clipe “Chamei de coração”. Em 2017 mais uma vez é convidado participar do Troféu Gonzagão em Campina Grande – PB. O evento reuniu os Forrozeiros do Brasil em uma linda festa da nossa Cultura Nordestina. Em 2017 recebeu o prêmio de melhor sanfoneiro do São João da Bahia, junto com nomes como Adelmário Coelho, Jorge de Altinho, Nádia Maia, Fulô de Mandacaru, Estakazero, Trio Nordestino, Eugênio Cerqueira, Alcymar Monteiro, Zelito Miranda, Flor Serena dentre outros. A premiação foi realizada no Coliseu do Forró Salvador – BA. Em 2018 foi mais uma vez atração do Furdunço na abertura oficial do Carnaval de Salvador no circuito Barra – Ondina levando mais uma vez muita alegria, festa e musicalidade para a avenida.

Marquinhos Café é convidado do Primeiro Festival de Forró da Chapada em Mucugê – BA nos dias, 12,13 e 14 de outubro de 2017, dividindo o palco com vários artistas do nosso Forró. É convidado para o segundo Festival de Forró da Chapada em Itacaré – BA fazendo parte de mais um time de peso do nosso Forró: Targino Gondim, Genival Lacerda, Gel Barbosa, Rennan Mendes, Carolzinha do Acordeon, Quinteto Sanfônico do Brasil e outros. Convidado também para o Conecta Chapada dividindo o palco com o Quinteto Sanfônico do Brasil, Zeca Baleiro, Mariene de Castro, banda Adão Negro.

Em 2018, ele faz parte do projeto do CD de marchinhas juninas “Forró festa e São João” lançado em todo Brasil com a participação do maior time de Forró de todos os tempos: Targino Gondim, Gel Barbosa, Rennan Mendes, Sebastian, Adelmário Coelho, Alcymar Monteiro, Anastácia, Antonio Barros e Cecéu, Chambinho do Acordeon, Elba Ramalho, Flávio José, Flávio Leandro, Fulô de Mandacaru, Genival Lacerda, Geraldinho Lins, João Lacerda, Joquinha Gonzaga, Jorge de Altinho, Leonardo de Luna, Maciel Melo, Mayra Barros, Nádia Maia, Nando Cordel, Petrúcio Amorim, Quinteto Sanfônico do Brasil, Assisão, Raimundinho do Acordeon, Santanna – O cantador, Waldonys, Trio Nordestino.

Marquinhos Café realiza mais uma turnê Internacional e nessa vez o destino foi a África. Juntamente ao Quinteto Sanfônico do Brasil e também com seu show solo participou do (Arraiá Bem Brasil) realizado pela AEBRAN (Associação De Empresários e Executivos Brasileiros em Angola) em Luanda, Angola, África. Onde teve um momento magico na embaixada Angolana, nas execuções dos Hinos nacionais do Brasil e de Angola, e as apresentações foram um sucesso.

Em 2018 é atração confirmada no V Encontro Cultural de Sanfoneiros de Olindina – BA. É atração confirmada no segundo Festival de Forró da Chapada em Mucugê – BA, dividindo o palco com: Targino Gondim, Geraldo Azevedo, Waldonys, Adelmário Coelho, Nádia Maia, Quinteto Sanfônico do Brasil, Santana, dentre outros. É atração confirmada no V Festival Internacional da Sanfona com grandes nomes da Sanfona Mundial. Em 2019 lançou mais um álbum com suas músicas. Em 2019 é um dos convidados do DVD – “Carrossel do Tempo” do amigo e parceiro Adelmário Coelho, juntamente com: Flávio José, Ivete Sangalo, Targino Gondim, Carlinhos Brown, Jó Miranda, Del Feliz, Estakazero, Zelito Miranda. Em 2019 é atração confirmada no Terceiro Festival de Forró de Itacaré – BA juntamente com grandes nomes do cenário Forrozeiro: Targino Gondim, Elba Ramalho, Falamansa, Quinteto Sanfônico do Brasil, Nádia Maia, entres outros. Em 2019 realiza o projeto Sanfona Com Café, em Salvador, comemorando 25 anos de sanfona, 5 anos de carreira solo e o lançamento do seu álbum – “Felicidade é Você”, com composições suas e em parceria com Márcio Antonio, Luiz Caldas, Alexandre Pé de Serra. Nesse primeiro evento teve a participação especial do Trio Nordestino, Estakazero, Flor Serena.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Marquinhos Café para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 19.05.2021:

Índice

01)Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Marquinhos Café: Nasci no 11.09.1980 em Caruaru – PE. Registrado como Marco Antonio da Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Marquinhos Café: Meu primeiro contato com a música foi através do meu pai Antônio que foi afinador de sanfona e um eterno apaixonado pela música nordestina e o nosso Forró. Nasci em casa e minha mãe Helena teve o auxílio da parteira dona Sebastiana e assim que cheguei meu pai já colocou um disco de Luiz Gonzaga para tocar de tanta alegria, pois tinha tido quatro filhas (Mere, Cleide, Adacimar, Adacileide) e fui o primeiro homem a chegar, depois nasceram Márcio Antonio e Marcelo. Eu vendo sanfoneiros na nossa casa e ele arrumar as sanfonas fui me interessando. E comecei aos 14 anos idade aprender a tocar e foi grandiosa a alegria do meu pai.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Marquinhos Café: Minha formação musical veio do contato mais do que especial com o mestre Camarão (Reginaldo Alves Ferreira – nasceu no dia 23.06.1940 em Brejo da Madre de Deus e faleceu no dia 21.04. 2015 em Recife), um grande sanfoneiro de referência em Pernambuco. Um grande amigo do meu pai Antônio e que ensinou para mim o que sabia. Meu pai me apresentou a esse anjo que me ingressou na Orquestra Sanfônica de Caruaru e que me auxiliou em muitas aulas particulares, porém de coração, pois meu pai não tinha condições de pagar as aulas, por conta de muitas dificuldades financeiras.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Marquinhos Café: Minhas maiores influências foram apresentadas pelo meu pai Antônio, são: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Camarão, Oswaldinho do Acordeon, Sivuca, Jackson do Pandeiro, Marinês, Trio Nordestino. Essa turma era a que meu pai sempre falava para eu ir por esse caminho que é o melhor a seguir. Todos até hoje e pra sempre terão a mais alta importância na minha vida musical e na cultura nordestina.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Marquinhos Café: Comecei a pegar na sanfona aos 14 anos de idade e tendo as primeiras aulas com meu pai Antônio, em alguns meses ele me apresentou ao mestre Camarão e começou minha história dando início na Orquestra Sanfônica de Caruaru – PE, onde ele era o maestro, e também comecei a tocar com ele. Eu montei um conjunto com meu pai Antônio no triângulo, meu irmão Marcio na zabumba e minha irmã Mere cantando e o amigo Domingos Sávio cantando também. Daí começamos a tocar em pequenas festas até chegar no Pátio de eventos de Caruaru e nos apresentamos em vários lugares da cidade nos festejos juninos. E seguida em 1997 participei do Festival de Sanfoneiros de Caruaru e região e ganhei primeiro lugar. E comecei a receber convites pra acompanhar alguns artistas e bandas. Em 2001 acompanhei o forrozeiro baiano Adelmário Coelho e assumi a direção musical e trabalhei por 13 anos até minha saída para seguir carreira solo em 2014.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Marquinhos Café: Em 2012 ainda fazendo parte da banda de Adelmário Coelho, eu tive um encontro muito especial que foi o divisor de águas para minha carreira. Esse encontro foi com o amigo e mestre Dominguinhos em Exu – PE. Ele me chamou e falou: “Café, você deveria começar a cantar! Você toca muito bem e só está faltando cantar para voar mais alto e longe. E se começar a cantar grave logo um álbum e cuide de trabalhar sua estrada como cantor, pois sanfoneiro bom você já é. Eu participo do seu álbum e lhe dou uma ajudinha mostrando seu trabalho por aí”. Então, com um conselho desse não poderia deixar de fazer. Em 2013 lancei o primeiro álbum – “Tô beirando”, um arrasta-pé de João Silva e Zé Mocó que Dominguinhos participou, e tive a alegria de ter também a participação: Flávio José, Adelmário Coelho, que fiquei muito feliz, pois no meu primeiro trabalho ter esses ídolos foi muita felicidade.

Nesses meus seis anos de carreira solo gravei cinco álbuns e um DVD. Músicas que se destacaram: “Tô beirndo” (João Silva e Zé Mocó) com a participação de Dominguinhos. “Não valeu a pena” (Italo e Renno), “Chamei de coração” (Ellison Castro), “Vai encostando” (Ellison Castro), “Sou caminhoneiro” (Marquinhos Café), homenagem que fiz a esses guerreiros das nossas estradas. “Amor verdadeiro” (Marquinhos Café e Luiz Caldas), essa música também ficou bem pedida entre meu público. Em 2020 lancei a “Fofoca” (Antonio José e Pititiu Miranda).

Meu DVD gravado no Pelourinho em Salvador – BA com participações especiais de Adelmário Coelho, Luiz Caldas, Targino Gondim, Eugênio Cerqueira, Júlio Cezar. Todos os meus álbuns os músicos que participam são da mesma equipe que me acompanham em shows: Alan Cerqueira, Luciano Santos na bateria, Nelmário Marques, Junior Maia, Nildo Dias, Luiz Maia no Baixo, Pedro Meireles, Sergio Carvalho, Leo Brasileiro na guitarra, Ninho, PH, Lucas na Zabumba, Nengo no triângulo.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Marquinhos Café: Minha definição para o meu estilo musical é de ter uma paixão pela poesia, boas letras, o ritmo gostoso de ouvir, essa cultura riquíssima que temos do nosso São João essa festa tão fascinante que carrega a culinária do nordeste, o artesanato, a dança, o cordel, a poesia e o coração do povo nordestino.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Marquinhos Café: O estudo de técnica vocal é muito importante para todo profissional. Eu comecei sozinho descobrindo os caminhos, mas hoje estudo técnica vocal e é muito importante para nosso trabalho e abre um grande leque de possibilidades.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Marquinhos Café: A importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a saúde da nossa voz é tudo. Primeiro, as técnicas vão facilitar o desempenho e a qualidade do trabalho vocal. E a saúde é o mais importante, a técnica vai te auxiliar a não forçar um instrumento tão valioso que é a voz. A técnica mostra os melhores caminhos para um bom resultado e o melhor de tudo preserva a saúde vocal.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Marquinhos Café: São muitos os cantores que gosto muito e não só do Forró: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Lindú do Trio Nordestino, Marinês, Jackson do Pandeiro e vem outra turma que gosto demais: Fábio Junior, Ed Mota, Djavan, Elis Regina, Fagner, Aline Barros, etc.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Marquinhos Café: Meu processo de compor é quando chega alguma inspiração. Não adianta forçar, pois fica sempre travando (risos). Quando bate a inspiração pego a sanfona e vou gravando, escrevendo e analisando a história, as melodias, harmonia. As vezes deixo para o outro dia para fazer outra análise até ajustar e poder apresentar.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Marquinhos Café: Meu principal parceiro de composição é meu irmão Marcio Antonio que começou comigo tocando zabumba (risos). Ele cantar muito bem, tocar sanfona, violão, teclado e sempre estamos juntos fazendo música. Agora também estou fazendo música com o mestre Antonio José que é um orgulho para mim, com Luiz Caldas e João Almeida e assim vamos criando novas melodias.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Marquinhos Café: Os prós sobre uma carreira musical independente é que você faz o seu trabalho mais a sua vontade com seus pensamentos de poder comandar suas ideias e ter mais liberdade. O contra: é que ao mesmo tempo o mercado é restrito por ser feito de muitas parcerias entre artistas e produtoras de eventos limitam muito o artista independente ter em seus projetos fechados artistas filiados as suas produtoras.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Marquinhos Café: A estratégia é sempre fazer o melhor possível em meus trabalhos, essa é a melhor das estratégias. Temos que buscar o público alvo que você sabe que vai gostar do conteúdo seja ele qual for: áudio, vídeo. Buscar os principais veículos de comunicação, dentre eles, a internet onde as pessoas possam conhecer, visualizar e compartilhar o meu trabalho.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Marquinhos Café: Sempre faço eventos particulares, um deles o projeto Sanfona com café, em que faço sempre quatro edições de ensaios juninos no mês de maio antecedendo o mês junino. Oficinas de sanfona passando a diante os conhecimentos adquiridos em 26 anos como instrumentista, encontros de sanfoneiros etc.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Marquinhos Café: A internet é maravilhosa porta para o artista independente. Hoje você consegue através da internet mostrar muito o trabalho, coisa que antigamente ou você ia para tv ou para rádio, pois só tinha essas opções. Hoje a internet abriu essa janela para o artista independente chegar mais longe. A internet só ajuda desde que você saiba usar com sabedoria.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Marquinhos Café: Antigamente os artistas só gravavam um disco se estivessem em uma gravadora ou se tivesse muito dinheiro. Com a tecnologia avançando, hoje você grava seu trabalho no conforto da sua casa. A vantagem é que você pode assim diminuir o custo de uma produção musical e fazer as coisas mais apuradas com o tempo maior para analisar e repensar alguma letra, arranjo, tendo essa possibilidade de conforto.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Marquinhos Café: Hoje com a tecnologia, gravar um disco pode ser feito na sua casa. O desafio estar na divulgação e de trabalhar esse projeto em um mercado bem concorrido. O que tento fazer para continuar é primeiro fazer um trabalho de qualidade e buscar me diferenciar: nos arranjos, buscar novidade nas composições, buscar o show ser atrativo, ser dançante, ser comunicativo, se criativo e inovar a cada dia o meu trabalho.

19) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Marquinhos Café: Sabemos que muitos artistas são imortais: Luiz Gonzaga, Marinês, Trio nordestino, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Gonzaguinha, depois deles muitos artistas chegaram deixando sua marca. E, como tudo na vida, um sucesso musical tem seu tempo, seu ciclo e alguns artistas somem da grande mídia e outros mantiveram sua história pelo que fez e consagrou. Sabemos que fazer sucesso é difícil, mas mantê-lo é mais difícil. Muitos artistas vêm se mantendo na sua história com maestria.

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Marquinhos Café: São vários artistas que tem muito profissionalismo e qualidade artística de se aplaudir. O meu amigo que trabalhei por vários anos fazendo produção musical o forrozeiro Adelmário Coelho, tem um profissionalismo e qualidade artística impecável. Assim com: Dominguinhos, Fagner, Elba Ramalho, Targino Gondim, etc.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Marquinhos Café: Passei por quase todas essas situações citadas na pergunta (risos). Falta de condição técnica de equipamento de som, sem luz em palco, sem condições de hospedagem na cidade, gafes de falar nome da cidade errada, nome de autoridade errado (risos). Não receber é a mais constante (risos), infelizmente.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Marquinhos Café: O que me deixa mais feliz é subir no palco e levar alegria para as pessoas. E o que me deixa triste é a falta da valorização de muitos artistas e da boa música perante boa parte da grande mídia.

23) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Marquinhos Café: O Forró chamado “universitário” do Falamansa, Rastepé, Bicho de Pé, é o mesmo Forró de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Marinês, etc. O que veio de novidade foram as letras mais atuais e alguns arranjos em que cativou o público jovem do momento e a novidade do nome Forró “universitário” em que na cabeça dos jovens do sudeste chegou um novo Forró que a essência do ritmo é o mesmo. Fiquei muito feliz, pois até a grande mídia comprou a ideia e o nome do Forró veio ao topo das paradas.

24) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Marquinhos Café: Falamansa, Rastapé, Bicho de pé.

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Marquinhos Café: Algumas rádios ainda tocam nossa música pelo amor a cultura e a boa música. O que falo em boa música? é a música que tem conteúdo e tem uma boa informação, poesia, letra. A música ruim, acho aquelas que faz apologia a coisas negativas. Grandes rádios não tocam mesmo sem você contratar, eles têm seus custos de manter essa empresa. O que acho é que não precisava ser tão caro o jabá.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Marquinhos Café: a carreira musical é fantástica. Quando a gente nasce com esse dom e essa paixão tudo se torna mais fácil, porém a estrada é de trabalho duro e muita força de vontade, perseverança e fé. Não é simplesmente dizer vou ser artista e tudo está na mão. Hoje em dia o talento não é garantia de sucesso diante desse mercado em que se compra o sucesso; temporário, mas compra.

27) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Marquinhos Café: Festival de música é muito revelador de talentos escondidos, quando se tem um jure justo e profissional, aí é vantagem participar, Mas, quando o jure é do popular, aí é coisas podem ser do contra, pois a maioria vai por tantos outros fatores e o verdadeiro talento passa despercebido.

28) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Marquinhos Café: Sim, os festivais são máquinas de revelar grandiosos talentos que estão no anonimato.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Marquinhos Café: Hoje a música virou um grandioso mercado, a grande mídia se interessa pelo o que vai trazer retorno financeiro e muitas vezes o conteúdo não carrega boas informações positivas, mas por fazer o capital para eles estar valendo.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Marquinhos Café: Esses espaços são maravilhosos, ainda bem que temos esses espaços que elevam grandes artistas do cenário brasileiro que vem com tantas coisas boas para mostrar e ainda defendem nossa cultura musical. Fico feliz com a existências dessas empresas.

31) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Marquinhos Café: as bandas de Forró eram uma novidade no mercado musical. O próprio Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro inovaram em acrescentar a bateria, baixo, guitarra. As bandas chegaram com uma nova batida rítmica e trazendo o nome Forró. A inovação tem que acontecer, acho bacana, pois tudo tem que se renovar. E voltou com muita força a sanfona, pois andava sem novos talentos. Hoje o que não faltam é sanfoneiros talentosos por aí. Eu acho algumas bandas muito boas, profissionais e que trazem no seu repertório boas músicas falando de amor, coisas do nosso cotidiano nordestino. Como falei não gosto é de música negativa.

32) RM: Marquinhos Café, Quais os seus projetos futuros?

Marquinhos Café: Meus projetos futuros é continuar tocando, compondo, gravando, levando meu trabalho a diante com muito amor pelo que faço e levando alegria pro meu público.

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Marquinhos Café: (71) 99198 – 8075 – MC PRODUÇÕES

www.intagram.com/marquinhoscaféoficial

https://web.facebook.com/marquinhoscafeoficial

https://web.facebook.com/marquinhoscafeoficial

Canal: https://www.youtube.com/channel/UC1mdv951DcjgfCxJCBO58qQ

CD MARQUINHOS CAFÉ – FELICIDADE É VOCÊ: https://www.youtube.com/watch?v=XNVadJUad_8

Live Marquinhos Café 40 Graus Aniversário 12.09.2020: https://www.youtube.com/watch?v=VHkuLJmhRL8


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.