Luís Dillah

Luís Dillah

O cantor, compositor e violonista mineiro Luís Dillah radicado no interior paulista, em São José do Rio Preto, tem sua origem musical centrada na viola. Neto de violeiro, herdou desse instrumento um gosto musical eclético, que fez dele um pesquisador e um compositor que explora os ritmos mais densos da música popular brasileira. Sua música foi maturada nos Festivais Música pelos quais conquistou amizades, parceiros e trabalhos ao lado de grandes nomes da MPB. No início dos anos 1990, a vitória no Festival Música Nova Carrefour abriu as portas para o lançamento de seu primeiro registro de estúdio, “Que Nem Eu”, que contou com direção musical de nada menos que Zuza Homem de Mello (José Eduardo Homem de Mello que faleceu na madrugada do dia 04.10.2020 por conta de um infarto). No Festival Música Nova Carrefour, a título de curiosidade, Chico César ficou em terceiro lugar e Jorge Vercillo conquistou o troféu de melhor intérprete.

Luís Dillah é um compositor que abarca os regionalismos e a diversidade cultural que caracterizam a música popular brasileira e já foi gravado por nomes referências do mainstream à cena independente, entre eles: Falamansa, Swing de Palha, Uakti, Tabinha, Trio Jerimum, Alexandre Az, Reco Bastos, Elton Ribeiro, Dinho Nascimento, Luís Salgado. Teve a oportunidade de trabalhar ao lado de Pena Branca, que fazia dupla com Xavantinho, no show “Semente Caipira”, cujo CD foi contemplado com o Grammy Latino em 2003. Ainda produziu e participou do disco “Batom Vermelho”, grupo ForróQxote, que contou com participação da Banda de Pífanos de Caruaru, Cacau Arcoverde e Oswaldinho do Acordeon.

No universo dos festivais, Luís Dillah acumula participações nos principais eventos do gênero, seja como concorrente ou como convidado especial, como ocorreu em 2010, quando o seu show “O Poder de Voar” marcou o encerramento do Festival Nacional de MPB de São José do Rio Preto, resultando na gravação do primeiro DVD de sua carreira. O talento do artista mineiro já foi reconhecido por festivais de cidades como Ilha Solteira (SP), Pereira Barreto (SP), Batatais (SP) Santa Rosa (RS), Catalão (GO) e Pinheiros (ES), além de várias edições do Fenac (Festival Nacional da Canção), de Minas Gerais. Outro ponto alto de sua produtiva carreira deu-se em 2017, quando ele participou de uma edição do programa “Sr. Brasil”, idealizado e apresentado por Rolando Boldrin na TV Cultura. No ano seguinte, ocupou o palco do Bar da Brahma em São Paulo, localizado no icônico cruzamento da Av. Ipiranga com a Avenida São João.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Luís Dillah para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 26.10.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Luís Dillah: Eu nasci no dia 06 de outubro de 1965 em Uberlândia-MG.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Luís Dillah: Com certeza ainda na barriga de minha mãe, porque ela cantava o dia inteiro. Depois que eu nasci, além de minha mãe continuar cantando, eu ainda garoto, comecei a ter contato com os músicos da família: meu avô tocava viola de dez cordas, meu padrinho e um primo eram sanfoneiros, tia e tio violonistas, enfim, veio do seio da família!

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Luís Dillah: Eu cursei o conservatório estadual de música “Cora Pavan Caparelli” em Uberlândia-MG, fiz teoria musical e violão.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância? 

Luís Dillah: Eu nasci em uma cidade (Uberlândia-MG) que tem um festejo muito marcante no seu calendário cultural, a “CONGADA”, então desde pequeno eu ouvia aqueles tambores do Congo, Moçambique, Catopés. Isso marcou muito a minha infância e é determinante até hoje na minha formação musical. Pela rua da minha casa, passavam muitos ternos durante os meses de ensaios e durante a festa, eles passavam por ali em direção ao largo da igrejinha de Nossa Senhora do Rosário. Além dos tambores da congada, outros ritmos me influenciaram muito, ritmos da nossa música caipira, como a catira, o cateretê, o rasqueado, o pagode de viola, a folia de reis, entre outros.

A partir daí, com esse cabedal de berço, eu fui atrás dos ritmos mineiros, brasileiros e globais, e descobri a riqueza da música do mundo, mas sobretudo da nossa música popular brasileira! No presente eu mantenho vivo esse elo com minhas raízes, mas vou mais além, passeio pelo som universal, até como uma forma de entregar esse conhecimento para as gerações atuais e futuras. Tudo que eu vivi nesse contexto teve e tem muita importância, sempre busquei aquilo que me interessava, por isso tenho tudo comigo aqui!

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Luís Dillah: Em 1976 aos onze anos de idade, eu decidi que queria um violão, porque eu iria tocar aquele instrumento, mas meus pais não tinham o dinheiro para compra-lo, foi aí que meu padrinho entrou em ação e me deu de presente de aniversário naquele ano. No ano seguinte eu já estava no conservatório estadual de música! Mas eu senti que a minha carreira musical havia começado, quando comecei a tocar pela UFU – Universidade federal de Uberlândia-MG, com o apoio da universidade e da ADUFU – Associação dos docentes da Universidade Federal de Uberlândia-MG, eu fiz shows em todos os campus, e em vários diretórios centrais, e logo em seguida vieram os Festivais de música pelo país, aí eu vi que aquele era o meu caminho.

06) RM: Quantos CDs lançados? 

Luís Dillah: Tenho três CDs e um DVD. Em 1993 o primeiro álbum – “Que Nem Eu”, que contou com direção musical de nada menos que Zuza Homem de Mello (José Eduardo Homem de Mello que faleceu na madrugada do dia 04.10.2020 por conta de um infarto). Meu segundo álbum em 2002 e estão disponíveis em todas as plataformas de música. O terceiro álbum – “Pro salto ser ainda maior”, eu terminei em 2020 e logo começou a quarentena por ocasião da covid19, ou seja, está esperando tudo passar para ser lançado também!

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Luís Dillah: Música popular brasileira. Eu tenho um pé no regional e outro no universal.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Luís Dillah: Só como autodidata, nunca me matriculei em nenhum curso. O palco me ensinou tudo o que eu sei.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Luís Dillah: Estudo de técnica vocal e cuidado com a voz é de total importância para quem canta e tem o canto como profissão primordial, até mesmo quem canta por hobby.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Luís Dillah: Dalva de Oliveira, Carmem Miranda, Elis Regina, Leny Andrade, Andreas Scholl, Nilson Chaves, Bruna Moraes, Freddie Mercury, Luciano Pavarotti, Steve Wonder, Isabella Morais, Edson Denizard, Milton Nascimento, Mercedes Sosa, Caetano Veloso, Gilberto Gil entre outros!

11) RM: Como é seu processo de compor?

Luís Dillah: É um processo muito livre, nada me impede, não existem obstáculos. Na maioria das vezes a melodia vem primeiro, depois a letra, mas muitas vezes crio melodia para letra também. Alguns dos meus parceiros me mandam poesias, e em outras circunstancias eu coloco letra na melodia enviada por outros parceiros, mas enfim, sou um melodista que se atreve a escrever!

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição? 

Luís Dillah: A maioria das minhas composições são letra e música minhas, mas tenho grandes parceiros, gosto de misturar, acho que isso torna a música maior, mais abrangente. José Antônio Pacheco, Murilo Antunes, Lima Junior, Papalo Monteiro, Zeca Baleiro, Thiago K, Valeria Pisauro, Eduardo Guerra, Joãozinho Gomes, Paulinho Pedra Azul, são alguns dos parceiros que eu gosto de compor junto, tenho total liberdade com eles, conheço bem o estilo de cada um, e eles me dão o tempo que cada canção precisa para nascer!

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Luís Dillah: Falamansa, Bruna Moraes, Luiz Salgado, Tabinha, Uakti, Karine Telles entre outros.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Luís Dillah: O músico independente é muito desamparado, muitas vezes mambembe, por falta de estrutura mesmo, apesar de termos a música mais rica do mundo, não temos o incentivo, o fomento necessário para produzi-la com todo o aparato técnico que ela merece. Mas eu prefiro ser independente, como o próprio nome sugere, livre. O que falta são sindicatos funcionarem para os pequenos, e o ECAD fazer funcionar a letra (D) do seu nome.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Luís Dillah: As estratégias são sempre de projeto a projeto. Por ser independente, a produção é pequena, então o que tem que valer é criatividade. Em 2020 estou com meu novo álbum para ser lançado, nele eu fecho um ciclo e início outro. Só esperando a pandemia do novo corona vírus passar. O foco são as redes sociais e a mídia local. 

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Luís Dillah: As ações são sempre num crescendo, à medida que eu gravo um disco novo, ou que alguém grava uma música minha, que eu participo de algum programa de rádio e TV, ou venço algum Festival de Música. Em tempos de internet, nós somos, empresários, produtores, arranjadores, compositores, músicos, intérpretes, e temos que aproveitar os ensejos para nos situarmos e nos colocarmos no contexto cultural brasileiro. O que me parece, é que o olhar dos grandes produtores, da grande mídia, está sempre focado no mesmo, ou seja, sempre mais do mesmo.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Luís Dillah: A internet hoje é a ferramenta mais importante da classe artística independente.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Luís Dillah: Podemos fazer pré-produções, registrar nossas composições e até alguns trabalhos definitivos, dependendo do equipamento que você tem! Eu não vejo desvantagens!

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Luís Dillah: Eu tento me manter atualizado na cena, interagindo pessoal e artisticamente, além de participar de um e outro Festival de Música, o que me coloca em contato com um número maior de pessoas, entre elas: produtores, jornalistas, críticos, escritores, poetas, músicos, compositores, e o próprio público.

20) RM: Como você analisa o cenário Musical Brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Luís Dillah: Você percebe que quem faz sucesso é quem coloca música na novela da TV Globo, e são sempre os mesmos, salvo pouquíssimas exceções. E que existe aí um seleto grupo que controla as produções, e que já tem seus escolhidos, torno a repetir (sempre os mesmos) para compor as trilhas sonoras. Surgiram Zeca Baleiro, Lenine, Chico Cézar, Jorge Vercillo, Paulinho Moska, todos, com exceção do Moska, participaram comigo dos Festivais de Música nas décadas de 80 e 90. E todos morando em São Paulo ou no Rio de Janeiro, perto das antenas de TV, mas você sente que não existe um movimento, porque muito mais gente tinha que ter chegado na grande mídia, nós temos grandes talentos que ficaram no esquecimento, fora do seleto grupo de escolhidos dos produtores de TV, que iriam compor uma nova música brasileira, mas o que se vê são egos exacerbados de poucos privilegiados em detrimento do grande movimento da nossa música.

21) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Zeca Baleiro?

Luís Dillah: Zeca Baleiro é um amigo dos Festivais de Música, que não deixou o sucesso subir na cabeça. É generoso, e que tem um leque muito amplo de parcerias. Eu o considero um amalgamador, ele consegue acionar um número muito grande de pessoas, sem perder ninguém de vista.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Luís Dillah: Risos. Dava para escrever um livro. Com todas essas situações que você citou na pergunta e outras mais.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Luís Dillah: A carreira musical depende de vários fatores externos. O que me deixa feliz é que a música fala por si mesma, ela é atemporal, estou falando da boa música brasileira, e pode fazer toda diferença a qualquer momento. Ser músico é sinônimo de doação, o artista nasceu com essa missão. O que me deixa triste é que o dinheiro nas mãos de pseudoprodutores, produz o que chamamos de descartável, com letras chulas, de caráter e intenções rasas, de ordem sexistas, sem nenhum conteúdo a mais, dominando as paradas de sucesso, na base, é claro, do pagamento do jabá.

24) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Luís Dillah: Graças a Deus! Você vê muito artista músico, montado, com todo aparato técnico, midiático, que não se sustenta por não ter o dom. Como também vê o contrário, artistas, e até crianças de comunidades muito pobres, impressionando com instrumentos lúdicos, improvisados, numa demonstração de puro dom, talento!

25) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Luís Dillah: Eu acho que todos os elementos da música são fundamentais, e a improvisação não ficaria fora disso, quanto mais se pratica, mais rica a música fica. Agora não se engane, tudo vem de muito estudo e muita execução.

26) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Luís Dillah: É mais estudado do que improvisado, isso de uma maneira geral, salvo por alguns monstros que não tem explicação, senão o dom e o talento. Eu sou totalmente intuitivo. Isso me dá muita liberdade para explorar e criar melodias.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Luís Dillah: Para o músico executante é fundamental, facilita bem a vida, já para o compositor meio que delimita, tira a sua liberdade.

28) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Luís Dillah: Desde que você não se vicie nos caminhos harmônicos dos estudos, eu não vejo nada de pejorativo nos métodos!

29) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Luís Dillah: Sim, mas não só a minha música como a de um monte de compositores bacanas que aí estão, na obscuridade.

30) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Luís Dillah: Consulte bem o seu íntimo, o seu espírito. Procure o seu eu interior e se questione do talento, do dom, se você os possui, e se os pode desenvolver. E que esteja preparado para abraçar uma das profissões mais lindas e mais difíceis da face da terra.

31) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Luís Dillah: Os Festivais de Música, eu adoro, é onde encontro os meus amigos de criação, onde surgem parcerias, gosto muito do ambiente que nós compositores criamos, mas questiono muita estrutura festivaleira, principalmente pela escolha de seu corpo de jurados, às vezes seria cômico se não fosse trágico. As de uma maneira geral, é o lugar de apresentarmos nossas novas criações, de botar a cara pra bater mesmo sabe!

32) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Luís Dillah: Não! Infelizmente, eles não têm esse poder mais, apesar de grandes talentos sempre passarem por eles.

33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Luís Dillah: A cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira é frágil, debilitada, desinteressada. Não tem renovação, é sempre o mais do mesmo, isso no país da música. Muito contraditório né?

Eu vejo a falta de preparo, falta de conhecimento mesmo, do jornalismo atual e da crítica brasileira. Vale ressaltar o incidente com o uso do prato e garfo no samba de roda usado por Moreno Veloso, na live do pai, Caetano Veloso, que segundo crítica da revista “Rolling Stone brasil”, Moreno Veloso usou por falta de instrumentos, sem ter conhecimento que o prato e o garfo são tradicionais no samba de roda da Bahia. Se você perguntar o que é uma congada, um mar abaixo, um calango, aí que ninguém vai saber mesmo.

34) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Luís Dillah: São fundamentais, é o que está dando espaço para a nova música, possibilitando os espetáculos. Movimentando, mesmo que ainda humildemente, a cena da nova música brasileira.

35) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Luís Dillah: A cena do Forró vinha vindo e chegou com força, com qualidade, com grupos como Falamansa, Bicho de pé, Trio Virgulino, Trio Nordestino entre outros. Chegou com o rótulo de “Forró Universitário”, outros, “Forró pé-de-serra”. Ficaram por um tempo, mas logo os olhos dos empresários cresceram e toda essa cena bacana deu lugar ao “Forró brega”, com grupos que aí ainda estão, que de forró mesmo não tem nada! A degradação disso hoje é a “Pisadinha”. Fico imaginando o que virá!

36) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Luís Dillah: O “Forró Universitário” foi um movimento legítimo, que se estabeleceu no meio da juventude universitária, que trouxe a pegada Gonzagueana de volta aos palcos e às pistas de dança de todo o país. Eu fiz o meu disco “ForroQxote – Batom vermelho“, nessa época. Eu testemunhei a revolução das academias de dança na pegada do Xote, do Baião e do Xaxado, e os grupos, em sua maioria em formação de trios, se destacando nos palcos e nas rádios do Brasil.

37) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamou sua atenção?

Luís Dillah: Os grupos que chamaram a nossa atenção entre outros, foram Trio Nordestino, Falamansa, Trio Virgulino, Miltinho Edilberto, Arleno Farias, Rastapé, Circuladô de Fulô, Forróçana, Trio Sabiá, Banda Alcalyno e nós mesmos do grupo “ForróQxote”.

38) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Luís Dillah: Eu acho que o “Forró estilizado” foi um golpe de empresários milionários e de gravadoras, que implantaram o forró descartável, chulo, descaracterizado, para ganhar dinheiro, em detrimento da nossa verdadeira cultura e do próprio povo brasileiro. Mas valeu demais o movimento do “Forró universitário”, foi espontâneo, legítimo, e que hoje circula no underground e que ainda tem a sua central nas dunas de Itaúnas – ES.

39) RM: Quais os seus projetos futuros?

Luís Dillah: Estou com meu novo álbum – “Pro salto ser ainda maior”, pronto e esperando passar essa pandemia do novo corona vírus para ser lançado. No álbum eu exploro a minha universalidade em defesa do humano, e falo muito do momento atual que todos estamos vivendo, de mudança íntima, transição planetária, da fome, imigração, das guerras. É o papel fundamental da música aprofundar na realidade humana, na espiritualidade, mergulhando na alma das pessoas, trazendo à tona o novo homem, de uma nova era que se anuncia, sem ritos ou sectarismos.

Eu estou com a modernidade ali, através de uma sonoridade marcante. São 13 músicas autorais, eu transito livremente, mostrando um pouco da minha versatilidade, ora nas criações melódicas, onde conto com letristas de peso, ora letra e música, ora escrevendo. Este terceiro álbum vem alinhavar a minha história musical até aqui e chega com diálogos e uma sonoridade muito fortes. As participações especiais: Zé Baleiro, que assina a parceria e canta “Rama”, Cristóvão Bastos, no piano na “Eu vim de longe” e Swami Jr. que toca violão 7 cordas na “Eu vim de longe”, e assina todos os arranjos, além da produção. Nas parcerias, além Murilo Antunes (do Clube da Esquina) na “Sozinho no deserto”, Reynaldo Bessa (prêmio Jabuti de poesia) na “Pra ser ainda mais” entre outros. O álbum já chega celebrado pelo meio artístico, entrando para a galeria das grandes produções da música popular brasileira da atualidade.

40) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Luís Dillah: (17) 98820-1310 / [email protected]

/ https://www.facebook.com/luisdillah1 

/ https://www.facebook.com/luisdillah 

/https://open.spotify.com/artist/63w35qDMYPwjjF7zAydoyF 

/ https://www.deezer.com/en/track/119807380 

Canal: https://www.youtube.com/channel/UC_6mljj_CV1U5L2WpG3XORg 

Luis Dillah acompanhado do tecladista Esdras Nunes – Sesc Ribeirão Preto:
https://www.youtube.com/watch?v=aNgMca–bvA

Live Luís Dillah no dia  26 de setembro de 2020: https://www.youtube.com/watch?v=3MxWSAmXLZI 

Luís Dillah no Programa Sr. Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=gG8gW4_HLdI


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.