Giraffha King


O vocalista, compositor e produtor musical paulistano Giraffha King, iniciou sua carreira desde pequeno, aos 7 anos de idade já demonstrava ter muito talento ao vencer um festival estudantil de artes em Brasília, cantando à capela “Corpo e Alma”, uma música da banda Roupa Nova que era sucesso na época.

Aos 12 anos começou a fazer aulas de Piano, aos 16 anos aprendeu a tocar Violão sozinho, e começou a se envolver cada vez mais com o mundo musical, participou de diversas bandas. Ele formou seu primeiro grande projeto a banda de reggae Alma Zion, na qual gravou três CDs, um DVD e fez inúmeras apresentações, ganhou o prêmio de melhor vocalista no primeiro Festival da Canção de São Sebastião – SP. Com o fim da banda, Giraffha começou sua carreira solo e lançou em 2009 o CD – “Provações” com o nome Giraffha17, fez apresentações com as bandas New Rise e Qg Imperial. O Artista foi buscar outras influências musicais e participou de uma banda de Rock, “S+1”, um grupo de samba de raiz e um grupo de RAP com o quarteto HG (Home Grow).

Em 2015, Giraffha conseguiu uma parceria com a produtora Liser Estrelato e junto com a banda Guerreiros de Sião gravou um EP com três músicas, que se transformaram em seis após a mixagem e masterização de Wagner Bagão no estúdio Audio Fya além das três canções surgiram três versões em DUB.

Giraffha King tem grande influência da Cultura Sound System, seus ídolos são: Horace Andy, Prince Allah, Linval Tompson, Michael Rose, Johnnie Clarke, Pablo Gad, Peter Broogs e da nova geração: Protoje, Chronixx, Romain Virgo, Jah Cure, Tarus Riley, entre outros…

O novo CD já está em pré-produção e deve ter entre 10 e 12 músicas, com essa parceria Giraffha está conseguindo ter estrutura e produção para conseguir atingir níveis maiores na carreira musical, tudo com muito profissionalismo levantando a bandeira do Reggae Brasileiro para todo o mundo. Confira o EP – Giraffha King!

Segue abaixo entrevista exclusiva com Giraffha King para a www.ritmomelodia.mus.br, por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 27.08.2021:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Giraffha King: Nasci no dia 17 de maio de 1980, São Paulo, SP. Registrado como Tiago de Figueiredo Silveira Barbosa.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Giraffha King: Aos 7 anos de idade venci um festival escolar, cantando à capela a música “Corpo e Alma” da banda Roupa Nova, foi uma sensação incrível, pois eu era apenas um menino.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Giraffha King: Sou graduado em Comunicação Social – Audiovisual, e pós graduado em Mídias Digitais – MBC.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Giraffha King: Comecei a escrever letras de RAP e tinha uma banda de garagem que tocava punk rock, hardcore, RAP. Em 2000 entrei na Jamming, uma banda de reggae. Já compus alguns sambas, e outras coisas, mas o reggae sempre foi o que mais produzi, acredito que tudo que fiz é importante e sempre irá me influenciar de alguma forma.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Giraffha King: Eu tive muitas bandas e projetos, mas em 2002 montei a banda Alma Zion e me tornei profissional.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Giraffha King: Lancei três CDS e um DVD: com a banda Alma Zion, em 2004 o CD – “Distante da Babilônia”. Em 2006 o CD – “Sodoma & Gomorra”. Em 2009 como Giraffha King o CD – “Provações”. Em 2016 o EP – “Jah Bless”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Giraffha King: Meu estilo tem total influência dos grandes vocalistas jamaicanos e de outros países, voltado mais pro estilo DUB.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Giraffha King: Sim, cantei em coral por três anos e sempre estou aprendendo sobre o canto.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Giraffha King: É fundamental o estudo de técnica vocal e cuidado com a voz. Eu no início da carreira após o show ficava totalmente sem voz, depois que aprendi técnicas de respiração e colocação da voz, volume, intensidade etc, melhorei muito e não perco mais a voz, mas os cuidados são diários, não beber gelado, não fumar cigarro, beber moderadamente, evitar gritar e falar alto, tudo isso faz diferença pra saúde da voz.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Giraffha King: Don Carlos, Michael Rose, Horace Andy, Peter Broggs, Albert Griffhts, Linval Thompson, Gregory Isaacs, Dennis Brown, Pablo Gad, Lacksley Castell, Gentleman, Stephen Marley, Alborosie.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Giraffha King: Na maioria das vezes começo com uma frase e desenvolvo a letra e a melodia.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Giraffha King: Professor Régis, Ari Turini, Bing Man.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Giraffha King: Ari turini, Nell Roots.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Giraffha King: Antigamente tinha mais vantagens, porém hoje em dia sem um empresário ou investimento, a carreira musical fica limitada a amigos e alguns fãs, sem verba sua música não toca nas rádios, não entra em playlists e não alcança muitas pessoas.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Giraffha King: Atualmente com a pandemia do covid-19, os shows estão parados, mas fora dos palcos, estou gravando singles e divulgando nas redes!

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Giraffha King: Eu tenho uma parceria com a Artibella Records, para gravar minhas músicas, e com a Graxa Pura (Sergio Narciso) para fazer stream nas plataformas digitais.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Giraffha King: Acredito que a internet só ajuda, pois consigo divulgar minhas músicas e eventos.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Giraffha King: A vantagem maior do home estúdio é poder pré-produzir os sons em casa sem a pressão do estúdio, poder modificar e testar coisas sem limites, não vejo desvantagens…

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Giraffha King: Procuro deixar as minhas produções o mais próximo possível dos lançamentos atuais dos grandes artistas, volumes, efeitos, forma de cantar, linguagem, e cantar em inglês.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Giraffha King: O maior expoente que surgiu foi o movimento Mangue beat (Recife – PE), gosto muito das bandas e artistas desse gênero. O que regrediu foi a MPB, já que o que se ouviu nesses últimos 20 anos foi FUNK carioca e “Sertanejo universitário”. Esses dois gêneros dominaram o mercado, trazendo alienação cultural, com letras de putaria, machistas e de traição, temas esdrúxulos, de péssima qualidade e intelectualmente nulos. Um verdadeiro retrocesso a tão rica MPB, uma lástima…

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Giraffha King: Eu me inspiro muitos nos artistas internacionais, mas posso citar do Brasil: Djavan, Lenine, Jorge Vercillo, João Bosco, Roberta Sá, Siba, Jorge Benjor, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, entre outros…

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Giraffha King: Foram muitas situações inusitadas (risos). Toquei em um evento e quando chegamos o som era de um caminhão que vendia pamonha (risos). Uma vez fomos tocar e o baterista esqueceu as baquetas e teve que usar uma colher de pau e um pedaço de madeira. Uma vez fomos tocar na Jah em Vinhedo – SP e antes do nosso show o baterista de uma banda desceu do palco e começou a brigar com um cara, virou uma briga generalizada e nem tocamos…

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Giraffha King: Mais feliz é o reconhecimento das pessoas comentando e ouvindo as minhas músicas. E triste é saber que mesmo com qualidade é muito difícil atingir um número maior de pessoas e também poder ter mais shows para poder viver apenas da música.

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Giraffha King: Apenas em rádios menores e de internet, sem pagar o jabá o que tenho conseguido é que alguns amigos que tem web rádios toquem as músicas.

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Giraffha King: Estude muito, esteja antenado, faça tudo passo a passo sem pular etapas, procure opinião de outros artistas que já estejam no mercado e sejam profissionais, antes de tomar qualquer decisão.

26) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Giraffha King: A grande mídia busca ibope e vai onde tenha o maior número de pessoas, e como os grandes empresários investem pesado, vira uma ditadura da grana mesmo, pagando mesmo sendo ruim o seu som vai bombar, sem dinheiro a grande mídia ignora.

27) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Giraffha King: Acho legal, porém muito burocrático e de difícil acesso, se um Q.I. (Quem Indica), fica bem difícil de entrar no circuito.

28) RM: Como você analisa o cenário do reggae no Brasil. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Giraffha King: Eu sempre acreditei que o Reggae do Brasil deveria se conectar muito mais com as produções jamaicanas, vejo muita distorção nas principais bandas, com pouca referência, ficando de fora dos grandes festivais e do mundo do Reggae, ficando limitado apenas ao Brasil, o que torna bem fechado o mercado de Reggae aqui. Tribo de Jah, Leões de Israel, Dada Yute, Solano Jacob, Junior Dread, Planta & Raiz são os artistas e bandas que estão nesses 20 anos com maior solidez e identificação com o Reggae Roots. E tem uma galera do Sound System que vem representando muito nas produções: Monkey Jahyam, Red Lion, Lei di Dai, Buyaka San, Arcanjo Ras, Funk Buia, e vários outros.

29) RM: Você é Rastafári?

Giraffha King: Quando montei minha banda Alma Zion, eu fui buscar conhecimento sobre tudo que envolvia o mundo do Reggae e tive a sorte de conhecer os irmãos do Congo Nyah, que estavam em São Paulo e promoviam reuniões aos domingos para ensinar sobre Rastafári, fui muito bem acolhido e aprendi muito, acredito que não devemos ser nada e assim sermos tudo! então não me considero um Rastafári, e sim levo para sempre os ensinamentos e tenho muita identificação com a vida do Rasta.

30) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como vocês analisam tal afirmação?

Giraffha King: Acredito que estão equivocados já que o Reggae no início tinha letras românticas, para ser verdadeiro precisa ser feito com amor e respeito.

31) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Giraffha King: O idioma é fundamental, o Reggae veio da Jamaica cuja língua é o inglês, o segundo país que mais produz Reggae no mundo é o Reino Unido, depois USA, Austrália e Nova Zelândia, todos cantando em inglês, isso o torna universal. Outros exemplos são: Gentleman e Sara Lugo, alemães e o Alborosie, italiano, porém cantam em inglês também. Eu decidi cantar a maioria das minhas músicas em inglês, buscando essa conexão mundial, além da falta de referência e atualização, vejo ainda muitas produções aqui com sonoridade muito antiga, pouca referência atual e profundidade, além do jeitinho brasileiro onde muitos músicos preferem fazer o “reggae” do jeito deles ao invés de buscarem na raiz os timbres, as melodias para poder estar mais próximo do que rola em todo mundo.

32) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Giraffha King: O dom existe, mas sem estudo muitas vezes não é o suficiente. O Dom musical vem na facilidade e naturalidade de tocar um instrumento e cantar afinado desde pequeno, isso nasce com a pessoa, porém precisa ser lapidado e estudar para se aperfeiçoar!

33) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Giraffha King: Na teoria os festivais de música são boas oportunidades para mostrar seu show para um número grande de pessoas, porém nem sempre é assim, muitos iludem bandas e artistas. E não pagam cachê dizendo que poderão mostrar seu trabalho, mas muitas vezes não tem um público tão grande assim, colocam as bandas para tocar em horários ruins e com equipamentos limitados. O artista precisa saber muito bem como é esse festival, qual a proposta e ver se vale a pena, para bandas que estão iniciando é válido para pegar experiência.

33) RM: Festivais de Música revelam novos talentos?

Giraffha King: Festival de Música já revelou, um exemplo é o João Rock, mas não vejo outros no Brasil assim…

34) RM: Quais os pros e contras de se apresentar com o formato Sound System?

Giraffha King: Eu adoro Sound System, é mais improvisado, intuitivo, descontraído, o público é mais receptivo. Os contras vejo muita competição entre vocalistas, muita gente que pensa que sabe cantar ou rimar, mas chega na hora e ramela (risos). E muitos não tem o bom senso de passar o microfone para os outros, isso acho meio zoado.

35) RM: Quais as diferenças de se apresentar com banda em relação ao formato com Sound System?

Giraffha King: A banda é mais organizada, tudo ensaiado, e ter os instrumentos e as pessoas ali fazendo a música acontecer na hora é uma sensação bem diferente do Sound System.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Giraffha King: Lancei quatro singles recentemente, e a ideia é fazer um single por mês até o fim do ano. Estou buscando apoio para produzir vídeo clipes, consegui uma animação para a música “Mountain High” com o meu grande parceiro Caio Rmi, que também elaborou as capas do EP e dos singles. Estou montando um projeto audiovisual com o Ari Turini e Junior Dread, aqui no litoral norte de São Paulo, estamos morando aqui devido a pandemia e resolvemos nos unir para fazer um vídeo mostrando o local aqui que é um cenário maravilhoso!

37) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Giraffha King: (12) 99148 – 4297 | [email protected] | https://web.facebook.com/GiraffhaKingOfficial

| https://www.instagram.com/giraffhaking | www.youtube.com/c/giraffhaking

| https://soundcloud.com/giraffhaking

| Spotify, Deezer, Apple Music e outros – Giraffha King

Canal: https://www.youtube.com/channel/UChJtUXU0DMeIfa_jgZVQqNw

Giraffha King & Zion Warriors – Reggae medley: https://www.youtube.com/watch?v=Sek1ddreZU0

Giraffha King – Mountain High: https://www.youtube.com/watch?v=D1D1z5WmeB0

Giraffha King – Alive and Well: https://www.youtube.com/watch?v=AkcFnFglPW0

GIRAFFHA KING – Living for Dub: https://www.youtube.com/watch?v=7HvMHVyqdsA

Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=D1D1z5WmeB0&list=PLp4ywC8923XUcPJs_7Q7ARJnQH1LjGwyY

Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=pKCfvCLySfY&list=PLp4ywC8923XXijVYJ2K24jB9AZrvQSTzl

Apresentação no Showlivre.com: www.youtube.com/watch?v=WTLhpu3JVno

Apresentação Vale do Anhangabaú: www.youtube.com/watch?v=rKaRP1b0rfQ


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.