Gi Silva

Gi Silva

O cantor, ator, compositor, músico alagoano Gi Silva faz 13 anos dedicados ao teatro e a música.

Gi Silva é um dos fundadores da Cia LaCasa e está no elenco de “Negreiros” e “A Mulher Braba”. Em “Negreiros”, compõe o elenco com Abides Oliveira e é responsável com Gama Júnior pela trilha musical da peça. No espetáculo “A Mulher Braba” faz parte do elenco e é responsável pelas composições da peça teatral.

Desenvolve, com a Cia LaCasa, uma pesquisa e estudo para o novo espetáculo do grupo. Trabalhar atualmente, junto com a Abides Oliveira, no desenvolvimento do trabalho “Minha Pele”, sobre a luta contra o racismo e a violência contra o povo negro.

Em 2018, participou das audições do musical sobre a vida de Dona Ivone Lara, em São Paulo (em duas etapas: canto e dança); da Feira Afrocriativa (Rede Cenafro), com seu trabalho solo “Minha Pele”; e do III Em Cantos de AlagoasFestival de Música da Secretaria de Cultura de Alagoas. Fez parte da banda “RaizKanoa”, até 2018, como vocalista e compositor.

Gi Silva tem passagens pelos grupos Joana Gajuru (espetáculos Fritzmac e Uma Canção de Guerreiro), Fulanos & Sicranos (Breu da Caçupemba), Cravo (Um Trem de Histórias) e em instituições importantes de Alagoas, no setor cultural, como Sesc (Residência Cênica, com a peça Peleja Razão Mutilada), Sesi e Sebrae.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Gi Silva para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 31.08.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Gi Silva: Nasci no dia 6 de janeiro de 1978 em Maceió – AL. Registrado como Gidelson Costa da Silva. 

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música. 

Gi Silva: Como muitos músicos eu comecei na igreja e a minha família também é muito artística. Desde muito cedo também comecei no Teatro observando as minhas irmãs.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Gi Silva: Na música eu sou autodidata. A minha vivência no âmbito Cultural foi crucial pra minha formação artística musical.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Gi Silva: Por ser nordestino e por ser apreciador da nossa Cultura as minhas influências partem dos nossos mestres, folclore, folguedos e manifestações da multiplicidade cultural da nossa região. Nenhuma influência deixou de ter importância, pois mesmo tendo a consciência de evoluir, eu sempre busco honrar os que lá atrás deixaram um alicerce firme no solo da cultura brasileira.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Gi Silva: Comecei com o primeiro grupo de Teatro Popular de Alagoas em paralelo fui descobrindo aptidão para o canto na igreja católica.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Gi Silva: Nenhum ainda, pois entrei na era digital de lançamentos de músicas pontuais. Já tive vários projetos musicais, mas nunca tive a pretensão de lançar um álbum.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Gi Silva: Música Preta Brasileira, pois a minha música tem a espinha dorsal do reggae, mas eu sou atraído as diversas experiências sonoras que possam contribuir com a minha obra musical.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Gi Silva: Já participei de canto Coral e diversas experiências com no âmbito musical.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Gi Silva: Muito importante, pois a qualificação é essencial, pois ajuda no cuidado e qualidade da sua arte. Pois mais joia que você seja o que aumentar o seu brilho é o polimento.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira? 

Gi Silva: Marisa Monte, Gal Costa e Ellen Oléria.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Gi Silva: O mais espontâneo possível. Eu não forço a barra, mas tenho muita facilidade para fazer músicas por encomenda, mas quando é algo meu eu procuro dá tempo as minhas observações e inspirações.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Gi Silva: Eu não tenho muitos parceiros, mas o pouco fiz foram com os meus parceiros de bandas.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Gi Silva: Tem uma música minha gravada por Igor Machado que está tocando nas plataformas digitais.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Gi Silva: Os prós é que você imprime as suas ideias, a sua arte buscando o seu respeito no âmbito musical. O contra:  é que muitos não dão credito por ser algo desconhecido da grande mídia. É como você caminhar sozinho e tentando convencer o comprador a gostar do seu produto.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Gi Silva: Primeiro é você confiar e acreditar no seu potencial, se aprofundar nesse novo mecanismo que é tão desafiador chamado Internet e traçar das novas estratégias a partir dessa nova linguagem.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Gi Silva: buscar parcerias e qualificação.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira? 

Gi Silva: Prejudica pela facilidade e também ajuda; por que existem muitas coisas sem qualidade que acaba ofuscando os verdadeiros talentos e ajuda por lá facilidade em expor a sua arte.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Gi Silva: Eu não vejo contra, pois hoje temos a tecnologia a nosso favor. Se ela for bem colocada só vem engrandecer a sua arte, mas se for colocada em excesso pode se tornar uma anomalia artística.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Gi Silva: Personalidade é crucial pra se desvencilhar dessa vitrine do comum.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Gi Silva: Na minha visão não é muito animadora. Como falou Milton Nascimento: “A música brasileira está muito pobre”; não sei se foram bem essas palavras, mas eu concordo totalmente com ele. A buscar pelo Ter destruiu a qualidade do Ser. A arte ficou em segundo plano diante do imediatismo do sucesso!

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Gi Silva: Tem muitos. Iza, Djavan, Caetano Veloso, Gilberto Gil.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Gi Silva: Falta de qualidade técnica é uma constante. Já toquei uma vez em um local que teve uma briga na frente do palco e todos correram para trás do palco em que só ficou a banda tocando sozinha (risos).

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Gi Silva: A felicidade genuína é quando estou cantando. A tristeza é que enquanto você não tiver uma visibilidade ninguém lhe dar créditos ou uma chance de você mostrar o seu trabalho.

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Gi Silva: Virou um círculo vicioso, infelizmente se você não tiver um padrinho ou o pagar o jabá dificilmente a sua música irá tocar nessas rádios de grande audiência.

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical? 

Gi Silva: Coragem, só venha se tiver certeza do que você é.

26) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena  musical brasileira?

Gi Silva: A cobertura feita pela grande mídia é seletiva, ainda existem muita segregação por causa de alguns ritmos sobretudo o reggae.

27) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Gi Silva: Ainda sendo muito pouco, ainda assim tentam valorizar a arte em um Brasil que é um cemitério Cultural.

28) RM: Como você analisa o cenário do reggae no Brasil. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Gi Silva: Estagnou, tem muita gente boa, mas a grande mídia insiste nos que já estão lá.

29) RM: Você é Rastafári?

Gi Silva: Não. Como tudo na minha vida eu não curto os extremos. Eu sou da filosofia do meio. O extremismo nunca funcionou na humanidade. Mas respeito quem segue.

30) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como vocês analisam tal afirmação?

Gi Silva: Não concordo com essa afirmação. Como eu falei lá em cima, eu sou adepto a experiências rítmicas de dialoga com a intenção e a ideia proposta, isso é salutar, mas se não dialogar pode deformar o ritmo.

31) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Gi Silva: É um fator cultural. É a forma de como o reggae é aqui nas terras tupiniquins. Tudo é na forma que foi construída. A gente não tem como mudar o passado, mas o futuro está em nossas mãos, valorizando e sofisticando a nossa filosofia e canção.

32) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Gi Silva: Existe sim, pois sem o Dom, por estudos que se tenha vai ficar faltando o principal, a essência artística que só tem quem nasceu com ela.

33) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Gi Silva: Primeiro é o senso de competição que não me agrada e outra são julgamentos colocados nas mãos de pessoas que se acham a palmatória do mundo.

33) RM: Festivais de Música revelam novos talentos?

Gi Silva: Sim, mas nem sempre os que ganham seguem na grande mídia, por falta de um acompanhamento da sua carreira, coisa que torna esses festivais descartáveis.

34) RM: Quais os pros e contras de se apresentar com o formato Sound System?

Gi Silva: O prol é que a praticidade.

35) RM: Gi Silva, Quais as diferenças de se apresentar com banda em relação ao formato com Sound System?

Gi Silva: Nada se compara a energia da banda. Sou a favor dos dois formatos dependendo da sua apresentação.36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Gi Silva: Gravação de novas músicas, e gravação do meu clipe.

37) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

(82) 98840 – 9375 | [email protected]

| https://web.facebook.com/gidelson.silva.35 

| Canal: https://www.youtube.com/channel/UCqt7A-w3kHzFtwe1rN9qMnw

NOSSOS HERÓIS: https://www.youtube.com/watch?v=2l8OrPjsWDc 

ATÉ QUANDO: https://www.youtube.com/watch?v=KanfCkFaJaY 

PODEROSO JAH: https://www.youtube.com/watch?v=lteebXYyQRU

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.