Fabio Silva

Fabio Silva

O cantor, compositor, produtor musical, tecladista e escaletista paulistano Fabio Silva, iniciou sua carreira aos oito anos de idade começando suas primeiras apresentações em casas de shows, bares e festivais de música em São Paulo.

Atualmente trabalha com o gênero reggae, por onde já excursionou por diversos Estados do Brasil ao lado da banda Filosofia Reggae Original e outros artistas da música reggae do cenário Brasileiro. Já trabalhou, dividiu sessões de gravação projetos musicais e apresentações com artistas nacionais e internacionais renomados no gênero, tais como Júnior Dread, Lenny Fyah, Júlio Vibes, Rodrigo Picolo, Ras Kaduh, Jimmy Luv, Drika Soares, Michel Irie, Dom Buya, Jah Walla, Junior Black Style, Rica Caveman, AfreekaDu Aruuda, Lilo de la Zikas, Denise D’Paula, Sistah Mary, Jah Dartanhan entre outros, e artistas internacionais, entre eles: o jamaicano All Grifths (Gladiators), Simeon Brow (Guiana Inglesa) e os jamaicanos Robert Lee e Frederick Thomas (Fat String), guitarrista de lendárias bandas jamaicanas, tais como Black Uhuru e Culture, que trabalhou com grandes nomes do reggae mundial, tais como Gart Dennis, Dennis Brown, Don Carlos, The Congos, Jah Bouks.

Fabio Silva já se apresentou nos mais renomados festivais de reggae do país, tendo o imenso prazer de dividir o palco com bandas como: The Gladiators, The Congos, Max Romeo, Mato Seco, Leões de Israel, Da Mata, Jah I Ras, entre outras. Com diversas gravações de álbuns e singles, todos eles colaborando para o reggae music e um DVD gravado no Expresso Brasil comemorando os 15 anos da banda paulista Filosofia Reggae Original, liderou a banda de reggae paulista Rebel Roots, a qual assinou a produção de nove das dez faixas do EP – “Jah é Amor” com lançamento a nível nacional.

No campo das atuações internacionais, já gravou em diversas coletâneas que rodaram o mundo com trabalhos de alguns jamaicanos, tendo como primeira experiência um EP do Jamaicano “Fat String” (Black Uhuru), que contava com participações no set list de músicos Chris Meredith (baixista Stephen Marley), Squidly Cole (baterista Stephen Marley). Tem em seu currículo um tributo a Dennis Brown que foi gravado no Brasil em realização com a Bong Produções que também contou com o toque de diversos músicos jamaicanos, entre eles, o lendário baterista Horsemouth que gravou uma das faixas do disco.

A convite da gravadora Kafofu Records, trabalhou no álbum do cantor internacional Nabby Cliford, gravando todas as faixas de teclado do disco cujo lançamento será somente nos países da África, um disco que fala sobre redenção, repatriação e a traz uma mensagem de resistência e força para o povo negro, lançado no segundo semestre de 2018.

Em seu recente trabalho internacional, foi convidado para fazer parte do projeto da renomada revista Reggae Brazil: “Conexão Brazil X Jamaica”, onde artistas que estão em ascensão no cenário nacional dividem tracks com artistas da nova geração jamaicana em uma coletânea que será completamente mixada e masterizada na Tuff Gong Studios (Lendário Estúdio de Bob Marley) e um documentário com lançamento a nível internacional. Nesse projeto gravou em faixas com grandes nomes da cena da ilha que estão se destacando, tais como: I-Congo (Shane Buchanan), Brow Lion, Ghetto Soldier, entre outros.

Atualmente é tecladista da banda paulista de reggae “Laboratório”, que excursiona por diversos estados brasileiros com a turnê “A fórmula”, divulgando o seu primeiro disco com diversas participações de peso do cenário nacional. A banda já está se preparando para uma turnê por diversos estados do Nordeste do Brasil para levar a mensagem desse álbum para um público massivo que está esperando a chegada da banda nas cidades.

Trabalha com as bandas: União Rasta e Jam Riddim Band (que dá suporte para uma das melhores vozes da atualidade no cenário nacional, o talentoso Jah Dartanhan) e segue trabalhando como produtor no Estúdio União na zona norte de São Paulo.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Fabio Silva para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 11.08.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Fabio Silva: Nasci no dia 22 de fevereiro de 1991 no Jardim Elisa Maria, extremo norte de São Paulo. Registrado como Fabio Paulo da Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Fabio Silva: Meu primeiro contato com a música foi muito cedo, na minha casa sempre esteve permeada por discos de vinil, todos os clássicos da black music. O meu pai João Paulo da Silva era DJ de baile e discotecava nas décadas de 70 e 80, soltando os grandes grooves que sacudiam as festas pretas de quebrada. Ele sempre foi meu principal incentivador a pesquisar, conhecer artistas e valorizar a música preta que era produzida tanto aqui no Brasil, quanto fora de nossas terras. Aos oito anos de idade, comecei a tocar Samba e a estudar Cavaquinho, tive o privilégio de ser inserido bem cedo no universo musical, e daí em diante me fascinei com a música.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Fabio Silva: Comunicação Digital, atualmente faço uma especialização na área e também cursando Produção de Áudio para contribuir melhor com aquilo que trabalho.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Fabio Silva: Toda música produzida pelo nosso povo preto na face da terra eu diria, porém, sempre me pego bebendo de todas as fontes, busco ser um apreciador daquilo que agrada os meus ouvidos. Eu ouço muito jazz, soul, funk, blues, rithym and blues, ska, rocksteady, samba, reggae e suas vertentes, gosto de fato de apreciar trabalhos que são bem executados, isso me deixa muito feliz, me prende a atenção em vários aspectos, não importa a vertente. Atualmente, escuto muito afrobeat, e coisas novas no mercado também, pois necessito escutar o que está rolando na atualidade para trazer novos elementos para os trabalhos que executo.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Fabio Silva: Eu era muito pequeno, sete anos de idade, em um churrasco de família, um primo que tocava Samba percebeu que eu tinha esse dom, pois eu acompanhava todos as músicas que eram tocadas, que eu tinha uma boa desenvoltura rítmica. Meu primo Gerson Neves resolveu me presentear com um Cavaquinho, foi um baita incentivo a estudar e fazer a parada musical pulsar. Atualmente eu trabalho com algumas bandas da cena reggae de São Paulo e sou músico de estúdio também e trabalho com os seguintes nomes: União Rasta, Jah Dartanhan, Dawtas of Aya, Laboratório, Etiópicos, RhemaZion.

06) RM: Cite os CDs que você já participou tocando Teclado?

Fabio Silva: Ao longo da minha trajetória já gravei em muitas coletâneas e muitos álbuns de estúdio atuando como músico tecladista e arranjando também, vou citar alguns álbuns que já gravei no cenário reggae: Filosofia Reggae Original – Ao Vivo 11 anos (Expresso Brazil). Tributo a Dennis Brown – Fat String (Jamaica). Rebel Roots“Jah é Amor”. União Rasta“Alô Brasil”. Link Up All Stars “I-tinualy”. “Etiópicos”“Um começo de novo”. Dawtas of Aya – “Consciência Negra”. “Laboratório”“Avante Rastaman”. “Nabby Clifford” (Gana) – “Today”. Foi o que deu para lembrar agora, mas tenho participação em muitas coletâneas e singles com diversos artistas nacionais e internacionais também.

07) RM: Como é o seu processo de compor?

Fabio Silva: É um processo bem natural, geralmente durante a noite ou madrugada, sempre tenho algumas inspirações que me levam a produzir algumas melodias, ou após ter um momento de pesquisa ou envolvimento com a obra de algum produtor específico, isso me instiga demais. Acabo trazendo algumas influências para aquilo que quero tocar ou gravar. O contato com o desconhecido, com o novo, com aquilo que meus ouvidos não estão acostumados a escutar também contribui muito para esse processo.

08) RM: Quem teve a ideia de criar um grupo no WhatsApp e canal do YouTube reunindo os tecladistas que atuam na cena reggae? Quais os projetos que já foram realizados e quais os projetos futuros?

Fabio Silva: A ideia partiu de um grande músico André Oliveira de Areia Branca, Rio Grande do Norte, que tive o prazer de conhecer pessoalmente enquanto estive em turnê pelo Nordeste, trocamos muita informação no backstage e ele me falou muito da cena reggae de Areia Branca, um lugar paradisíaco e cheio de pessoas incríveis. O grupo do WhatsApp foi criado bem no início da pandemia do Covid-19, com o intuito de reunir os tecladistas que tocavam reggae no Brasil, que representavam a cena de uma certa fora. Recebi o convite do querido André ZR, tecladista do Nazireu Rupestre para entrar no grupo. O espaço tem servido para trocarmos informações importantíssimas e também nos unirmos com o intuito de gravar instrumentais compostas somente por teclados, com a missão de levar o reggae dessa forma inusitada e inovadora à galera que curte o bom som. Já foram lançados singles com alguns tecladistas do Brasil inteiro colocando sua vibe, sua energia, tem sido uma experiência magnífica fazer parte desse coletivo.

09) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Fabio Silva: Através da internet, sinto que meu trabalho atinge um alcance enorme em regiões que eu nunca pisei. Eu sinto que as pessoas que estão muito longe apreciam meu trabalho e tudo aquilo que desenvolvo, isso é realmente muito bom. O lado ruim, sinto que essa rapidez com que a informação perde sua importância acaba nos forçando a produzir mais conteúdo, gravar mais, elaborar mais materiais sem que de fato as coisas sejam apreciadas em sua forma natural… Tenho a sensação de que o novo não é mais o que foi feito ontem sabe? Isso faz com que temos que aumentar o fluxo de trabalho e tornar as coisas “Obsoletas” com mais rapidez, eu sinto isso.

10) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Fabio Silva: As vantagens são várias, desde a comodidade, conforto, trabalhar sem pressão e com hora de estúdio correndo. Testar infinitas possibilidades nas na música que gravamos, isso de fato traz uma qualidade melhor na execução do trabalho a ser entregue. O lado ruim de tudo isso é fazer música sozinho, sinto falta de mais corações pulsando e emanando energias para a conclusão do trabalho. A troca de experiências e sugestões com outros músicos é algo fundamental durante o processo criativo, coisa que muitas vezes enriquece muito mais nosso trabalho e de fato o produto final. Respirar a mística que um estúdio traz é algo sensacional, que muitas vezes não sinto quando gravo no meu home estúdio, sinto que falta muito para que esse processo orgânico seja completo.

11) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Fabio Silva: Vamos pular essa pergunta, vai ser melhor! (risos).

12) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Fabio Silva: O que me deixa mais feliz, sem dúvida é saber que a qualquer hora, em qualquer lugar, alguém estará se relacionando com sua obra de alguma forma, buscando elevar as energias. Até mesmo as sensações que seu trabalho pode proporcionar para as pessoas em situações adversas que a vida as coloca, e o carinho e admiração que as pessoas sentem por aquilo que você faz é algo muito maravilhoso. Ser músico em um mundo tão materialista é um desafio enorme, não estamos nos relacionando com algo palpável, que muitas vezes as pessoas procuram ter em mãos. Nós produzimos algo que impacta diretamente na vida das pessoas e que é capaz de transformar energias, despertar mudanças, contribuir para vidas. E o que me deixa mais triste é o lugar que a sociedade coloca o músico, muitos ainda não compreenderam que é uma profissão, um trabalho, que temos família, contas a pagar, e às vezes acontecem situações bem chatas e indesejáveis por não entenderem esse processo.

13) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Fabio Silva: É necessário ter força, determinação, transpiração, estudar o máximo que puder e sempre estar disposto a oferecer o melhor de si. E ser um curioso, um pesquisador, traçar metas, cumprir com os contratos e acordos que se faz, sejam eles formais ou não e colocar o coração, a alma e trabalhar com paixão, que a hora chega!

14) RM: Quais os tecladistas que você admira?

Fabio Silva: Como comecei a tocar Teclado por conta do reggae em meados dos anos 2000, tenho uma admiração imensa por nomes do cenário do reggae nacional, e que através das ondas do rádio, me fizeram compreender como a linguagem do ritmo operava, como as coisas funcionavam. Os músicos são: Maurício Joaquim Simões (Cebola – banda Veja Luz), Rafael Senegal (Reggae Style / Leões de Israel), Marcio Kilahman (Leões de Israel), e também os músicos que eu escutava na época que eram: George Duke, Herbbie Hancock, Chick Corea, e os jamaicanos: Jackie Mitoo, Earl “Wire” Lindo e Tyrone (The Waillers), Robbie Lyn, Ansel Colins, Tony Asher… A lista é imensa, mas esses são alguns nomes que lembro agora.

15) RM: Quais as principais técnicas que o aluno deve dominar para se tornar um bom Tecladista?

Fabio Silva: Acredito que antes de dominar técnicas, o aluno deve sempre estar disposto a superar as dificuldades que encontra pelo caminho ao longo do aprendizado. É necessário estar disposto a se desafiar cada vez mais, deixar a zona de conforto sempre, aí todo o resto será acrescentado ao longo da trajetória de aprendizagem.

16) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Fabio Silva: Eu acredito no dom musical, principalmente quando vejo uma criança construindo uma relação com a música sem nunca ter estudado antes, sem nunca ao menos ter tocado um instrumento e consegue minimamente compreender linguagens com maior facilidade e apresenta um bom desempenho e uma conexão com o universo musical. No trabalho que realizo com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social na periferia de São Paulo, encontro muito disso. Porém, em um determinado tempo da vida, afirmo, que esse dom necessita ser aprimorado e de fato é necessário buscar conhecimento técnico e estudar a fundo para que se torne um bom profissional e músico.

17) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Fabio Silva: Meu conceito de improvisação musical é quando o músico, de forma convincente e harmônica, consegue criar algo melódico em determinado espaço da música que não estava previsto, que não estava combinado, ou de fato não estava escrito para determinado momento. E assim consegue trazer e despertar sensações boas e surpreendentes nos ouvidos que ali estão apostos.

18) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Fabio Silva: Sempre defendi que para improvisar é necessário estudar… Acredito muito nisso. Então a improvisação de fato em uma harmonia, é fruto de muito estudo, é necessário que o músico estude antes para improvisar depois (risos).

19) RM: Quais os prós e contras do uso de VST (Virtual Studio Technology/ Tecnologia de Estúdio Virtual) e VSTi (Virtual Studio Technology Instruments) pelo Tecladista?

Fabio Silva: Vejo muita coisa positiva no uso de VST (Virtual Studio Technology/ Tecnologia de Estúdio Virtual) e VSTi (Virtual Studio Technology Instruments), sou adepto e digo que me sinto bem trabalhando dessa forma. É uma ferramenta que veio para facilitar e muito, as nossas vidas, e é sempre bom lembrar que temos bibliotecas infinitas em um click, em uma programação, tudo é tão caro no Brasil em termos de equipamentos. E todas as vezes que recorro a ferramenta para ter um resultado muito próximo de uma máquina que não tenho, de fato fico muito satisfeito e defendo o uso de ambos, já escutei muita coisa negativa sobre o assunto, enfim, é uma questão de gosto e estar bem com aquilo que se tem.

20) RM: Quais são os melhores Teclados para tocar música reggae?

Fabio Silva: Todos aqueles que meu dinheiro ainda não conseguiu comprar! (risos). Brincadeiras à parte, sou muito fã da marca Korg, já tive alguns modelos bem usuais no reggae, já transitei por outras marcas como Roland, Yamaha, enfim, é tudo uma questão financeira, é difícil falar. Não gosto muito dos Teclados arranjadores, eu prefiro os sintetizadores, pela performance ao vivo e em estúdio, acho que com equipamentos assim temos um melhor desempenho e nos aproximamos ao máximo dos timbres característicos do bom Reggae.

21) RM: Como você analisa o cenário do reggae no Brasil. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Fabio Silva: Temos uma infinidade de artistas muito bons no cenário do reggae brasileiro e de fato preocupados com a qualidade do trabalho que oferecem e com o que colocam no mercado. Vejo um esforço enorme por parte de muita gente, mas ainda sinto uma falta de estrutura imensa para trabalhar, somos uma massa tão grande. O reggae é muito consumido no Brasil, mas ainda encontro muita dificuldade para pagar as contas trabalhando só com o reggae, é necessário mais investimento e espaço para novas bandas, novos trabalhos. É difícil falar de regressão, uma vez que o tempo de evolução é diferente para todos nós, mas gosto muito da linguagem que a cena independente vem trazendo, das discussões pertinentes e necessárias para o atual momento que enfrentamos. E quando olho para as regiões do Brasil, vejo muitos representantes consistentes de Norte a Sul, realmente o nível tem sido altíssimo de tudo o que chega até nós.

22) RM: Você é Rastafári?

Fabio Silva: Não. Mas tenho um respeito enorme e uma gratidão imensa por tudo o que aprendi todas as vezes que realizei contato com a cultura Rastafári. É inegável que a presença de todos os ensinamentos contidos em Rastafári me fizera crescer muito e entender qual é minha missão dentro do Reggae Music, e na vida.

23) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa tal afirmação?

Fabio Silva: Tudo aquilo que é feito com o coração é verdadeiro! No decorrer da minha caminhada cheguei nesse nível de entendimento, não podemos de fato julgar a intencionalidade de quem faz reggae. E depois que entendemos que a música tem um papel espiritual muito forte, tudo fica mais compreensível, mais sólido. É necessário ter consciência e saber que a nossa música é um veículo de informações pertinentes e que de fato, podemos nos comunicar de várias formas, desde que tenhamos consciência desse processo. E que podemos discorrer sobre assuntos que estão ligados diretamente à vida, como amor, conquistas, mensagens de autoestima, política, fortalecer lutas, enfim, acho que é isso.

24) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Fabio Silva: Nós vivemos um sistema educacional no Brasil que não constrói saberes, que não colabora para o crescimento intelectual de boa parte da população. O Reggae é uma música que traz tudo isso em sua proposta, que contesta, que incita a questionar quem são os líderes que estão no governo, é uma música que contém mensagens de reflexão poderosas. No Brasil essa postura é uma ameaça para a estrutura política do país, e não acontece só com o reggae, mas todos os gêneros que fazem essas discussões também passam por problemas de reconhecimento em grande escala, porém, estamos percorrendo caminhos, lutando e militando para que esse abismo diminua cada vez mais.

25) RM: Festivais de Música revelam novos talentos?

Fabio Silva: Os Festivais de Música revelam talentos, nós temos uma geração de grandes artistas que vieram de festivais e que até os dias atuais estão em evidência por conta dos festivais, de fato, essa prática deveria ser uma iniciativa constante, sinto muita falta de ver isso ocorrendo com frequência.

26) RM: Quais os pros e contras de se apresentar com o formato Sound System?

Fabio Silva: Não vejo pontos negativos nesse formato de apresentação, eu enxergo que a proposta Sound System é mais uma aliada para difundirmos a Cultura Reggae pelos quatro cantos do mundo. Os sistemas de som são grandes divulgadores em massa de toda a nossa história desde o pontapé inicial na ilha jamaicana até os dias atuais. Essa potência de rádio itinerante é algo surreal, sou muito fã e gosto de apreciar uma boa festa regada com riddims clássicos e uma boa seleção.

27) RM: Quais as diferenças de se apresentar com banda em relação ao formato com Sound System?

Fabio Silva: Gosto muito do contato com mais músicos no palco, são mais corações pulsando e vibrando em prol daquele ritual sagrado. Atingir o ápice desse processo orgânico com mais músicos me faz ter uma relação incrível com esse formato de apresentação com uma banda. A proposta do Sound System é mágica, porém sinto falta dessa quantidade de contribuições ao longo da apresentação, ter mais cabeças maquinando para a coisa acontecer, embora, também eu seja um fã declarado da Cultura Sound System.

28) RM: Fabio Silva, Quais os pros e contras de fazer música usando riddim?

Fabio Silva: Utilizar riddim para fazer música é reafirmar o quão plural a cultura jamaicana pode ser, o quão versátil e completa uma simples música pode ser. É fantástica as propostas que cada instrumental criado no passado pode ser tão atual e relevante. Os Riddims Clássicos são atemporais, e nos dias atuais vemos o quanto diversas culturas beberam dessa fonte e ainda bebem. E uma das grandes vantagens é adaptar o Riddim para a sua necessidade de cantar aquilo que mais se identifica, sou um apaixonado por Riddim e pelo seu formato de produção pelos grandes arquitetos da música Jamaicana.

29) RM: Quais os seus projetos futuros?

Fabio Silva: Venho trabalhando a proposta de gravar um disco tocando escaleta com versões inéditas de instrumentais, gosto muito dessa onda, sigo estudando e buscando parcerias para realizar esse trabalho. E também tenho muita vontade de gravar um EP com meu filho, que está se descobrindo na música, são as coisas que estou planejando a curto prazo.

30) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Fabio Silva: (11) 95477 – 1660 | 445 – 1102 | 4485 – 4164 | [email protected]

| https://web.facebook.com/fabio.paulo.silva

| https://www.instagram.com/fabioKeys91

União Rasta – Alô Brasil Clipe Oficial: https://www.youtube.com/watch?v=eVPO8HEc8Hs

Rebel Roots – Jah é Amor: https://www.youtube.com/watch?v=SCaJNgDHFQI


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.