Eralson Romão

Eralson Romão

Eralson Romão ingressou no mundo da música ainda muito cedo, compondo aos 8 anos de idade a sua primeira obra, que fez parte de um CD em homenagem a Parnamirim, em Pernambuco, cidade onde nasceu, em 1960.

Prosseguindo com sua jornada, aos 15 anos mudou-se para Lauro de Freitas na Bahia, onde deu continuidade a sua trajetória de artista. Entre os anos de 1980 e 1990 participou de festivais de Música Popular Brasileira, entre eles, o Festival Disparada, promovido pela TV Itapuã, sendo classificado em Salvador. Em seguida, participou e venceu quatro festivais promovidos e realizados no Cine Teatro de Lauro de Freitas, obtendo até 3 premiações em uma só noite. Na ocasião, foi agraciado com o troféu Puã, como o melhor cantor do evento.

Em 1990 venceu um concurso de MPB, de nível nacional, em Matozinhos, em Minas Gerais, representando Lauro de Freitas. Além do campo artístico e das belas composições, Eralson Romão atuou a favor da arte através do funcionalismo público. Como funcionário da Secretaria de Cultura de Lauro de Freitas foi responsável pela criação e execução de projetos de fomento à cultura.

Hoje, mais maduro, é defensor da boa música e vive pelejando pelos caminhos que lhe dão vez e segue para onde o povo está, e assim mostrar o seu valor. Eralson Romão já lançou 11 álbuns, gravados cuidadosamente, tendo também várias participações e composições em trabalhos de outros artistas. Hoje se define como forrozeiro que leva alegria e defende as raízes deste estilo musical que é um dos mais importantes patrimônios Brasileiros.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Eralson Romão para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 03.06.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a data de nascimento e sua cidade natal?

Eralson Romão: Nascido em 02.03.1960 em Parnamirim – PE. Fui registrado como Eralson Marcondes Romão.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Eralson Romão: Desde de muito cedo, aos 10 anos, já tocava percussão com Enok Virgulino, do então, Trio Virgulino. No circo de seu Nogueira em Parnamirim – PE, nos anos 70.

03) RM: Qual sua formação musical e acadêmica, fora da área musical?

Eralson Romão: Autodidata musical. E curso superior em Tecnologia de Processos Gerenciais (Administrador).

04) RM: Quais as suas influências músicas no passado e no presente. Quais deixaram de ter influências?

Eralson Romão: Seu Luiz Gonzaga nosso marco maior no seguimento, jovem guarda e etc. Sempre ligado a diversidade e pluralidade. Nada perde a sua importância ou essência. Tudo com seu devido valor.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira Musical?

Eralson Romão: Em 1985 me apresentando em barzinhos, teatros, festivais, vieram os shows a começar por Salvador – Bahia e sigo itinerante.

06) RM: Quantos CDS lançados?

Eralson Romão: São 11 CDS lançados ao longo de uma carreira com trinta e tantos anos. “Estradar” (1995), “Teu xodó” (1998), “Louco por folia” (2000), “Na boa” (2003), “Sou parte” (2004), “Facin facin” (2005), “Fazendo história” (2008), “Eralson Romão acústico” (2012), “Ciganeiro” (2013), “Gostador do que é bom” (2015). Minhas músicas mais conhecidas: “Beija Flor de quintal”, “Fazendo história”, “Feira de São Joaquim”, “Sou parte”, “Dois encantos”, “Bom brasileiro”, “Girassol”, “Facin facin”, “Bagaceira” (com Amirton Nogueira), “Pra não dizer adeus”.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Eralson Romão: Sou cantor de Forró, embora muito eclético, mas sou forrozeiro.

08) Ritmo Melodia: Você estudou técnica vocal?

Eralson Romão: Nunca estudei técnica vocal, mesmo sabendo da sua importância e precisão.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Eralson Romão: Acho que é muitíssimo importante, para que aprendamos usar a voz em suas devidas, regiões bem como, agudos, médio, graves, mais o uso do diafragma pra ter um tranquilo alcance no que se propõe a fazer o artista.

10) RM: Quais são as cantoras (es) que você admira?

Eralson Romão: Alcione, Elba Ramalho, Leila Pinheiro, Marisa Monte, Ivete Sangalo, Geraldo Azevedo, Lulu Santos, Alceu Valença, Lenine, Chico César, Flávio Leandro, Flávio José, Adelmário Coelho.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Eralson Romão: Entendo que quando Deus manda a chamada inspiração, aí pego a viola para dar vida as minhas letras, músicas e melodias, já que faço tudo junto graças a Deus.

12) RM: Quais são os seus principais parceiros de composições?

Eralson Romão: São poucos. Anchieta Dalli, Flávio Leandro, Antônio José, Alan Cardoso, Amirton Nogueira.

13) RM: Quem já gravou suas músicas?

Eralson Romão: Adelmário Coelho, Clone de Mim, Banda Flor de Maracujá, Claudiana de França, Chico Bala, participações de Flávio José, Flávio Leandro, Maciel Melo.

14) RM: Quais os prós e contra para desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Eralson Romão: A princípio, tudo sozinho é muito difícil. Bem como se auto produzir, se auto custear, cuidar de tudo. Por outro lado, o que favorece é a liberdade de tomar as decisões mesmo ladeado de dificuldades. Eu mesmo nunca tive alguém para cuidar de minha carreira, sempre com a luz de Deus, muita determinação e ponto.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Eralson Romão: Bastante difícil. No palco, consciente de que é ele o sustentáculo do artista, sempre com muito cuidado para agradar e fazer, jus ao público. Fora dele sempre em busca de dias melhores para nós, a boa música é para nossa cultura tão rica e tão desprestigiada. É uma verdadeira luta. É uma busca diária.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Eralson Romão: Tudo que possa gerar condição para definir as necessidades para cada realização e garantir, suprir, tudo que respalde a mesma. Sou acima de tudo um parceiro e assim vou pelejando e garantido o meu projeto de lida e Vida.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Eralson Romão: A internet é uma ferramenta de grande importância nos tempos atuais. Principalmente quando você se propõe a manusear. Eu sou matuto digital, mas no geral as redes sociais, as plataformas digitais, tem feito muito por muitos. Desvantagens só pra quem não tem acesso ou, pra quem usa a de maneira errada, digo para fazer o mal.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estudo)?

Eralson Romão: A vantagem é o acesso fácil, o que faz muita gente está gravando e tornou-se comum. Desvantagens é que são muito precisos os recursos necessários para se obter um material com qualidade e substancialidade.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira? Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo, mas a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Eralson Romão: Tudo no seu tempo conforme as evoluções. No passado havia muitos artistas poucas gravadoras como eram chamadas, aí muitos se estabeleceram até porque eu acho que em qualquer segmento, o que estabelece o mercado é a dona concorrência. Nos dias atuais é muita gente gravando querendo ser artista sem ser e que termina sendo por conta do descaso cultural. No meu caso, primo por qualidade mesmo vendo o que se consome hoje. Vivo sonhando com dias melhores para nossa cultura, vivo a praticar o melhor da boa música, para concorrer desigualmente com o que se consome hoje enfim.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram as revelações musicais nas duas últimas décadas, quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Eralson Romão: O cenário teve uma alavancada representativa. Ainda há muita descriminação. Quanto as revelações tiveram Dorgival Dantas, Flávio Leandro, Maciel Melo, Santana, Targino Gondim e etc. Adelmário Coelho, todos esses permaneceram muito bem. Inclusive Flávio José, grande mestre. Regressão, vejo nas bandas Limão com Mel, Magníficos, Mastruz com Leite.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo profissionalismo e qualidade artística?

Eralson Romão: Sussu do Acordeon, Genival do Cedro, Marquinhos Café, Jefinho do acordeon, Herinque do acordeon, Claudinho de Monteiro, Chiquinho de Belém, Fabinho Salvador, etc tal.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical? (Falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc.)?

Eralson Romão: Tudo isso citado na pergunta, menos levar cantada. Certa vez fui tocar numa localidade da Bahia e me aconteceu algo sensacional. No interior é natural quando o artista vai chegando sempre ter a galera esperando curiosa, aí quando eu desci do ônibus, haviam muitas crianças, média de uns dez anos para me tomar a benção. Foi fantástico, me senti o Padre Cicero, Frei Damião em tempo das missões.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Eralson Romão: Feliz por fazer o que mais gosto, ainda sobreviver da mesma, a nobre aceitação do público e fãs. Triste por estar sempre vulnerável a tudo que nos acontece no cotidiano artístico cultural. A triste desatenção e falta de apoio com quem é comprometido com a cultura verdadeiramente.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró universitário” nos anos 2000?

Eralson Romão: Muito bom. Elevou o nome do Forró, até por que Forró é movimento e a festa como um todo. Ele não é um estilo musical. Foi muito bom a valorização da sanfona, do triângulo, da zabumba, além de ter despertado muitas alegrias e de ter formado tantos músicos, artistas…

25) RM: Quais os grupos de “Forró universitário” chamaram a sua atenção?

Eralson Romão: Falamansa que teve como padrinho e que respeitam muito Enok Virgulino, ex Tio Virgulino, a banda Bicho de Pé, principalmente a banda Forróçacana.

26) RM: Você acredita que sem pagamento do jabá suas músicas tocarão nas rádios?

Eralson Romão: Muito difícil, minhas músicas tocam muito pouco nas rádios, pois o que faz a grande mídia é a grana do jabá, infelizmente.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Eralson Romão: É necessário conhecer o seu conteúdo para tanto. Acho que falaria das dificuldades antes de mais nada, diria de uma imensidão de coisas que naturalmente fazem parte da caminhada para se consolidar um projeto.

28) RM: Quais os prós e contras do festival de música?

Eralson Romão: Interessante o Festival de Música por ser uma vitrine capaz de revelar o artista e sua obra. Contra as surpresas que acontecem, que criam as vezes muitos desagrados quando os resultados deixam a desejar.

29) RM: Hoje os festivais de música revelam novos talentos?

Eralson Romão: Não. O que revela talentos hoje são as redes sociais, sem dúvidas.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da sena musical brasileira?

Eralson Romão: A grande mídia favorece quem pode pagar e é esmagadora para com outros artistas, é muito lixo cultural tangendo e esmagando muito artista de obra boa que não tem acesso a grande mídia…

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço SESC, SESI E ITAÚ cultural para a cena musical?

Eralson Romão: Todo e qualquer espaço é importante e necessário para todos nós. Inclusive já vi algumas aparições, realizações, mas entendo que é bastante difícil o acesso para alguns artistas.

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizados?

Eralson Romão: Forró das bandas das antigas, foi uma fase histórica do Forró como aceitação fortíssima e muita força no rádio enfim (bacana). O Forró Estilizado, tem menos substancialidade, porém com uma determinada força, uma vez que pegou carona num movimento importante de facilitação com as redes sociais e na grande mídia.

33) RM: Eralson Romão, Quais os seus projetos futuros?

Eralson Romão: Voltar aos palcos, lançar novos trabalhos, que é nossa parte social com os nossos fãs, nosso público. Retomar tudo que se refere a carreira esmagada por essa loucura de pandemia do Covid-19 que assombra a tudo e a todos.

34) RM: Quais são seus contatos?

Eralson Romão: (87) 99906 – 9747 | 99624-6694 | 98104 – 5698 | 99330 – 0509 | [email protected] | https://m.facebook.com/eralson.romao/

https://www.deezer.com/pt/artist/5829422

https://music.apple.com/us/artist/eralson-rom%C3%A3o/869262585

https://listn.to/artist/eralson-romao

https://tidal.com/browse/artist/9933908

https://ar.napster.com/artist/eralson-romao

https://classic.onerpm.com/disco/album?album_number=9170437603&pagin=1

https://music.amazon.com/artists/B00JXY1L1Q/eralson-rom%C3%A3o

https://play.anghami.com/artist/5177120

https://www.youtube.com/channel/UCiT6yHzXT1HduoF1zoHmNjA

Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=gcUXJFLhY14&list=OLAK5uy_lUXpFt7qwbxf7G527DvpQPzNGQPV8pvno


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.