Eduardo Macedo

Eduardo Macedo

O cantor, compositor, pesquisador paulistano Eduardo Macedo a música e dança sempre estiveram com ele. Antes dele vir morar em Hamburgo – Alemanha, concluiu a formação em dança, canto e teatro. Naquela época ele estava compondo suas primeiras canções e pode ganhar muita experiência na concepção de oficinas de dança.

Como cantor e violonista, desde os anos 80, defende a diversidade musical brasileira na Alemanha. Foi cofundador do badalado clube “Tropical Brasil” em Hamburgo, onde conheceu grandes nomes do jazz, blues e reggae como Jimmy Cliff e Eric Clapton. Com seus diversos trabalhos solos e sua banda “Trio Café Brasil” que pode ser ouvido regularmente no “Goldbekhaus”.

Criou música para mais de 25 audiolivros, incluindo a famosa série Lola de Isabel Abedi. Suas músicas também podem ser ouvidas no filme de mesmo nome “Aí vem a Lola”. Transmite sua experiência etnológica em várias formas de palestras. Os temas dessas palestras são, entre outros, a história da Bossa Nova, A origem do Forró, A influência das danças brasileiras no futebol e a história da música popular brasileira.

Paralelamente aos seus shows, trabalhou muito em um contexto terapêutico com foco em terapia do movimento e habilidades psicomotoras. Ultimamente, também tem se dedicado intensamente aos aspectos terapêuticos da música, enriquecendo assim o seu trabalho como compositor, como produtor e também como palestrante.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Eduardo Macedo para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 16.06.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Eduardo Macedo: Eu nasci no dia 13.02.1958 em São Paulo durante o carnaval no ano em que João Gilberto gravou o disco “Chega de Saudade” oficializando o nascimento da Bossa Nova e três meses antes do Pelé marcar aquele gol incrível na Copa do Mundo! Fui registrado como Eduardo Marcondes Macedo.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Eduardo Macedo: Posso dizer que as primeiras músicas que ouvi conscientemente, mesmo que por osmose, chegaram a mim através de minha mãe Edith Marcondes Macedo que adorava Nat King Cole, Glenn Miller, Bossa Nova. Por volta de meus 9 anos de idade, fascinado pela música clássica, acabei por meses pegando no sono ao som de Chopin, Beethoven, Rimsky Korsakov, Tchaikowisky entre outros compositores complicadinhos (risos).

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Eduardo Macedo: Sou autodidata, e se há professores nessa história toda, os principais são meus próprios ouvidos, um primo que me ensinou meus primeiros três acordes no Violão e todos os músicos com os quais eu tive o prazer de tocar, conviver e participar de Jam Sessions. Pelo fato de eu ter sido, nos anos 80, proprietário de um Clube de MúsicaTropical Brasil em Hamburg no norte alemão, cidade onde vivo desde de 1984, tive o privilégio de participar de sessions com grandes músicos como Hermeto Pascoal, Airto Moreira, Eric Clapton, Jimmy Cliff, Ruben Blades, entre outros. Essa foi a minha escola musical. Fora da área musical, eu estudei Direito na USP – Universidade de São Paulo no Largo São Francisco e abandonei no último ano para fazer parte da comunidade do OSHO em Sampa, outra grande influência na minha estrada musical.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Eduardo Macedo: No fim dos anos 60 eu descobriria os Beatles. Com 15 anos me tornei DJ e com mais dois amigos fiz as festinhas do bairro com luz negra e música Pop internacional que era tudo o que eu ouvia e gravava naquele momento. Pouco depois eu descobriria minha voz cantando no coro da Igreja aonde eu ainda aprenderia a tocar bateria, depois do Violão, meu segundo instrumento. Nesse período eu ouvi muito Ray Charles, James Taylor, Bee Gees. Mais tarde, eu ouviria muito rock progressivo como Pink Floyd, Yes, Genesis, Supertrump, ainda Jimi Hendrix e Janis Joplin.

A MPB eu acabaria descobrindo com os Festivais da TV Record. Passei então a ouvir Chico Buarque, Edu Lobo, Vandré, Ivan Lins. no entanto seriam Caetano Veloso, Gilberto Gil que iriam realmente abrir minha cabeça e que plantariam sementes musicais que até hoje germinam em minhas próprias composições. Além desses dois mentores, posso dizer que a voz de Milton Nascimento, o violão de João Bosco, o talento melódico de Djavan, a musicalidade genial de Geraldo Azevedo e Lenine me fascinam e inspiram até hoje. Atualmente retomei uma antiga paixão; a Música Nordestina, sendo assim, redescobri Luiz Gonzaga, Dominguinhos, e os mais recentes compositores do Forró Pé de Serra, tradicional e moderno. Isso significa que hoje eu quase não ouço música pop internacional.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Eduardo Macedo: Entre 2003 e 2016 eu escrevi, toquei e coproduzi trilhas sonoras para 26 CDs (Livros-Áudio) pelos selos: Jumbo, Patmos, Arena Audio, Hörbuch Hamburg. Escrevi também duas músicas que fizeram parte da trilha sonora do Filme “Hier kommt Lola“. Lancei dois CDs com minhas músicas autorais, o primeiro levou o título “Só Assim” contendo nove canções e o segundo com 14 composições se intitula “Infinita“. Atualmente, estou gravando dez recentes composições para um projeto de CD “Forró is Alive“, com o músico, compositor, multi-instrumentista, produtor musical mineiro Fabiano Santana.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Eduardo Macedo: Quando escrevo minhas canções, eu diria que pertenço aos compositores da Música Popular Brasileira. Amo os ritmos do Ijexá, do Samba de Roda, do Jongo, do Xaxado, entre outros. Na minha música se nota também influências do Reggae Jamaicano e do Funk de Los Angeles. Atualmente, sou um forrozeiro apaixonado pelos ritmos tradicionais do Nordeste. No entanto eu tenho um trabalho de composição instrumental no Violão, ainda inédito, onde eu expresso minhas influências mais clássicas.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Eduardo Macedo: Sim! Eu tive excelentes professores e professoras de canto. Entre eles o maestro Almir Rosa e a fabulosa Kaya M. Anderson, professora do Roy Hart – Centre Artistique International.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Eduardo Macedo: Dependendo do que o artista almeja; é de grande importância. Um dos fatores mais importantes é a nossa voz como veículo de expressão de sentimentos variados, a voz que toca as pessoas e que toca a si mesmo. Por isso prezo bastante pela interpretação. No entanto eu tenho meu pacote de exercícios vocais que tento realizar várias vezes na semana para que a voz fique em dia seja na entonação, na extensão e na fluidez.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Eduardo Macedo: Deixando de lado os estrangeiros, o Brasil foi e é berço de vozes lindíssimas e de intérpretes incríveis. Como eu não estou atualizado com os novos talentos que surgiram no Brasil, aqui algumas das vozes que de alguma forma me tocaram profundamente: Elis Regina, Milton Nascimento, Luiz Gonzaga, João Gilberto, Orlando Silva, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Nana Caymmi, Djavan, Beth Carvalho, Mônica Salmaso, Maria Gadú.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Eduardo Macedo: No processo de composição a inspiração pode chegar por canais bem diferentes. Os versos, por vezes, chegam sozinhos já ditando suas próprias regras de divisões e ritmo e às vezes já sugerindo uma paisagem melódica. Outras vezes é o ritmo que chega soberano delineando de antemão os espaços vazios e os ocupados, chamando para si palavras, frases ou simplesmente sons. Pode ser que andando pela rua começo a cantarolar ou assobiar uma nova melodia ou ao chegar em casa pego o violão e descubro uma linha melódica ou uma construção harmônica que mais tarde pode indicar um ritmo ou mesmo sugerir uma estória.

Os temas de minhas letras também pintam de modos bem diversos; um fato histórico, um romance, uma briga de amor, uma saudade, uma palavra em uma conversa, uma cena vista na rua ou num filme. Uma notícia no jornal, uma lembrança, um olhar, um sonho, um ser querido e é claro a mulher amada.

Uma maneira bem pessoal de compor para mim é o “Brain Storm”, ou seja, quando já tenho uma sequência de acordes insinuando uma melodia, pego o violão, ligo o gravador e começo a cantar o que vem no momento sem filtrar, ouvindo depois tiro as melhores ideias e as desenvolvo.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Eduardo Macedo: O interessante é que até hoje eu nunca tive parceiros no processo de composição escrevo a música e o texto desde que comecei a compor, nos arranjos e nas gravações aí sim tenho vários parceiros, como o Fabiano Santana no momento.

13) RM: Fale de sua pesquisa com o Forró.

Eduardo Macedo: Em 2015, quando fui convidado para contar um pouco da história do “Forró“ no Festival de Forró em Hamburg – Alemanha, comecei a me dedicar mais à pesquisa dos ritmos e danças nordestinas tradicionais, assim como todo o desenvolvimento dessas duas que ocorreram nos últimos anos no Brasil e no mundo. Eu já havia oferecido palestras sobre as origens da música popular brasileira, suas raízes folclóricas e a sua urbanização.

Com o isolamento social na pandemia do Covid-19 na Alemanha, decidi oferecer entre dezembro de 2020 a março de 2021, uma trilogia de palestras sobre o “Forró” abrangendo desde a chegada, dos ritmos europeus e suas danças como a Polca e o Schottisch, dos ritmos árabes e judeus, dos ritmos e danças africanas como o Lundu e o Batuque e ainda a influência de ritmos indígenas como o Toré na música nordestina, e toda a evolução até os dias de hoje. Eu me apaixonei tanto pela maravilhosa história desse legado cultural da região nordestina que um dia desses vou oferecer essas palestras não mais em alemão, mas em minha língua materna, o português. Aí então vou convidá-los para participar.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Eduardo Macedo: Um dos prós principais a liberdade das escolhas criativas está no que e quando trabalhar sem que alguém fique lhe cobrando ou mesmo moldando o processo criativo. No entanto, o fato de se ter uma pressão externa assim como ter prazos para realizações, as vezes pode nos ajudar a desenvolver uma disciplina de trabalho saudável. Acumular todas as funções executivas de uma empresa e além disso criar o material musical desde o engravidar até o nascimento e ainda ter que vender o próprio peixe, pode ser um preço muito alto para alguns artistas, o que entendo perfeitamente.

15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Eduardo Macedo: Eu procuro estar sempre aprendendo como funcionam as novas diretrizes e alternativas do mercado da música. Gravar um álbum, hoje em dia, é como ter um cartão de visitas e não uma fonte de renda como antigamente. No entanto existem as plataformas digitais que cumprem o papel de divulgadoras mundiais de nossas composições e além do ouvir pelo streaming as pessoas também podem comprar canções isoladas ou mesmo o álbum todo.

Por exemplo, eu lancei cinco novas músicas nos últimos dois meses. Conforme elas iam ficando prontas eu as registrava na Agência de proteção e arrecadação de direitos autorais aqui da Alemanha (GEMA), aí eu colocava no Youtube e enviava para a Firma que distribui minhas músicas para todas as plataformas digitais do planeta e comunicava através do Face, Whats App, Instagram, Telegram e Emails as pessoas de minha comunidade, no caso específico: “a tribo forrozeira”, que novas músicas tinham acabado de sair do forno. A gente pode pedir para o pessoal que gostaria de dar uma força para o nosso trabalho para que comprem a canção no Itunes ou que envie uma doação para cobrir a produção.

O intuito é adquirir mais visibilidade na cena e assim abrir mais portas para apresentações ao vivo, seja em festivais na Europa (em breve novamente!) ou mesmo aumentar o público para alguma live, paga ou não. E no meu caso, poder vender Workshops de Musicalidade para forrozeiros, assim como vender minhas Palestras Online.

Portanto, a Internet com todas as suas arestas nocivas, também pode ser de grande valia para músicos como eu. O mais importante, é não se esquecer do poder “mágico”, “místico” e curativo que a música traz consigo, sendo assim ela nunca vai cessar de existir.

16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Eduardo Macedo: Hoje acabei de finalizar uma música com meu grande companheiro de aventuras musicais, Fabiano Santana. Eu moro no norte da Alemanha na cidade portuária de Hamburg e Fabiano mora a 400 Km daqui na cidade de Aachen, e Gabriel, nosso grande guitarrista, mora em Viena a quase 1000 Km daqui. Cada um gravou as suas partes em casa e mandamos para que Fabiano colocasse seus instrumentos e fazer a mixagem e a masterização. Neste exato momento só vejo vantagens no acesso ao home estúdio.

17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Eduardo Macedo: Às vezes tenho a impressão de que a música se tornou algo quase que banal, pois com a atual tecnologia quase todo mundo pode se tornar “músico”, “compositor”, “intérprete” e ainda ganhar muito dinheiro com isso. Eu venho daquela geração que se por acaso cair a eletricidade, o meu show continua! Meu diferencial é poder contar as histórias da experiência que adquiri nos últimos 40 anos compondo, tocando música, sendo tocado por ela e tocando as pessoas através dela…algo muito íntimo e mágico.

18) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Eduardo Macedo: Atualmente estou bem ligado nos músicos que acabaram vindo morar na Europa ou que passaram por aqui em turnê. Estou com certeza menos informado na abrangência da cena forrozeira no Brasil. Como a minha praia é o que eu chamo de Forró Pé de Serra tradicional, moderno, nordestino e sudestino, conheci muitos companheiros, músicos maravilhosos como Gennaro, Trio Nordestino, Os Três do Nordeste, Trio Juriti (Mestrinho, Thaís Nogueira, Scurinho Zabumbada), Bastião, Dois Dobrado, Os Contemporâneos.

Do pessoal que atravessou o Atlântico: Arleno Farias (Essen, Alemanha), Forró de Ká (Karslruhe, Alemanha), Forróbamba (Londres), Belair do Forró (França), Luso Baião (Lisboa, meus preferidos) e a minha Banda Trio Xêro Bom em Hamburg.

Gosto muito do trabalho de bandas como Rastapé, Bicho do Pé e de músicos como Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Mariana Aydar. Quem muito me impressiona na cena forrozeira do Brasil é o grande sanfoneiro e compositor Mestrinho, cada vez mais merecedor do cetro deixado por Dominguinhos.

19) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Eduardo Macedo: Vou revelar minha infeliz ignorância da atual cena da Música Popular Brasileira no Brasil. Quando estive no Brasil, antes da Covid-19, muitas das músicas que atraiam o grande público, o que quem sabe não se pode chamar de MPB, não fizeram a minha cabeça. Posso reconhecer que a penetração do FUNK Carioca é estrondosa, meu problema é com a vulgaridade de muitas das letras nesse ritmo. Parece que Annita se tornou uma super estrela internacional do gênero, mas não é a minha praia. O Sertanejo parece ainda ser muito forte na cena musical brasileira. O que eu notei é que existe sim uma cena alternativa de “MPB” de jovens compositores e compositoras que acabam por conquistar seus públicos pelas plataformas digitais. Creio que vou ter que me informar mais sobre a atual situação da MPB.

20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Eduardo Macedo: Já faz bastante tempo, mas acabei de me lembrar de um episódio em que estávamos para entrar no palco para tocarmos em um grande show com o teatro lotado. A minha banda na época chamava-se Kakao Company e éramos em seis: Teclado, Bateria, Sopros, Percussão, Voz/Guitarra e o Baixo. Só que o baixista chegou tão atrasado que nos pegou entrando para o show, ele tinha saído depois da passagem de som e voltou completamente bêbado, tão bêbado que ele quase não conseguia segurar o baixo. Nós da banda só fomos perceber quando ele começou a tocar. Vocês podem imaginar, um desastre! Tivemos que tirá-lo do palco no meio da música…um vexame!

21) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Eduardo Macedo: O que mais me encanta é o privilégio de poder exercer uma profissão fazendo aquilo que me é mais caro e que mais amo. A tristeza chega quando vejo que a música está sendo somente utilizada como um objeto mercantil e de vulgaridade.

22) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Eduardo Macedo: Creio que o movimento do “Forró Universitário” foi, por um lado, o redescobrimento e o reconhecimento da riqueza da música nordestina através de jovens da região sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espirito Santo que começaram a dar uma nova expressão a esse universo musical do Forró. Algo que chegava com uma outra leveza, um bom astral uma alegria contagiante. O que acabou por inspirar uma geração de novos músicos que até hoje contribuem criativamente para com o Forró.

23) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Eduardo Macedo: Tudo começa praticamente com a banda Falamansa, interessante que o Trio Virgulino surfava com a molecada nessa onda de onde nasce Bicho de Pé, Rastapé. Dava para sentir uma pulsação de Reggae nos novos Xotes.

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Eduardo Macedo: Isso não posso nem afirmar nem desmentir, o que pesa muito na cena do Forró são os DJs, se eles tocarem nas festas nos bailes e o pessoal curtir dançar as suas músicas então as rádios se tornam quase que não necessárias.

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Eduardo Macedo: Seja bem-vindo, procure não perder aquele primeiro amor pela arte da música, pois nas fases difíceis, é nele que encontramos força para nos reinventarmos. Então curta e curta muito.

26) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Eduardo Macedo: Como eu nunca participei de Festivais de Música, não saberia dizer. Tenho na memória os festivais da TV Record nos anos 60 que revelaram muitos e muitos talentos na época. O FENFIT – Festival de Forró de Itaúnas – ES cumpre há muito tempo essa função de revelar talentos na cena musical forrozeira.

27) RM: Apresente sua atuação com o Forró Tribe.

Eduardo Macedo: “Forró Tribe” é um grupo que eu e minha companheira Sabine criamos para acolher o pessoal que está interessado nas raízes culturais dos ritmos e danças nordestinas em suas expressões tradicionais e modernas, mas também no desenvolvimento da cena forrozeira na Alemanha e na Europa. Além das Palestras, eu ofereço vários Workshops relativos à Musicalidade e aos ritmos que compõem o universo forrozeiro, como o Baião, o Xote, o Xaxado, o Coco. Também trabalho com o pessoal que quer conhecer a própria voz e aprender as canções do cancioneiro do Forró.

28) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró dos anos 90 e as atuais do Forró Estilizado?

Eduardo Macedo: Nos anos 90 brota no Ceará uma nova proposta para a renovação do Forró tradicional, seja tanto na música quanto na dança. Na música torna-se mais e mais importante a inclusão de instrumentos eletrônicos e a predominância da bateria como determinadora dos ritmos. Na dança, à princípio, existe uma forte influência dos movimentos Lambada, movimentos que até hoje podemos ver no Forró Eletrônico. Como sabemos, esse movimento é fruto de uma estratégia de marketing em que os empresários Emanuel Gurgel e Antonio Trigueiro Neto do grupo empresarial da Somzoom formam bandas diversas para propagarem esse novo estilo, movimentar um grande número de fãs e consequentemente ter um grande lucro com a empresa. Creio que a primeira dessas bandas foram: Mastruz com Leite, Cavalo de Pau, Catuaba com Amendoim, Mel com Terra, Calango Aceso, Banda Aquarius.

Hoje existem várias vertentes dentro do Forró Eletrônico ou Estilizado. O Rio de Janeiro e Brasília tornaram-se polos que acabam ditando moda nos estilos que mostram danças cheias de vitalidade acompanhadas por ritmos velozes e por muitas vezes, músicas com letras de duplo sentido ou mesmo explicitamente sexistas e danças com movimentos, no meu entender, de uma vulgaridade desnecessária como na dança do Piseiro. Vários desses estilos não têm nada a ver com o que eu considero “Forró”.

29) RM: Eduardo Macedo, Quais os seus projetos futuros?

Eduardo Macedo: Dar continuação a produção do novo álbum “Forró is Alive”, ainda faltam cinco músicas para terminar. Finalizar o livro sobre as origens do Forró em Alemão. Oferecer minhas palestras para universidades e para escolas de dança de Forró pela Europa. Retomar os shows seja solo ou com o Trio Xêro Bom. Ser cada vez mais amoroso!

30) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Eduardo Macedo: [email protected] | https://www.forro-tribe.com

| https://www.eduardo-macedo.de

| https://web.facebook.com/eduardo.macedo.3597

| https://www.instagram.com/forro.tribe_eduardomacedo/

Vem dançar – Eduardo Macedo: https://open.spotify.com/artist/6vi8YDF27XpT5UE5WeuxnD?si=x1XvPT2-QK64YJCl2-xwxA&dl_branch=1&nd=1

Canal – Eduardo Macedo: https://www.youtube.com/channel/UCZFuvrp8V3ZKG1c50KjI6-g

Booking – Eduardo Macedo – 2019: https://www.youtube.com/watch?v=eEPkieuALkg

Vem Dançar (Forró is alive) – Eduardo Macedo: https://www.youtube.com/watch?v=hR99ZABMx_U

Forró Mosaik – Vem Dançar (Forró is alive): https://www.youtube.com/watch?v=zVwttNPbjJ0

Momentos REMIX – Eduardo Macedo: (Forró is alive) – Eduardo Macedo: https://www.youtube.com/watch?v=nNRaqGaWP0g

Conselheiro REMIX – Eduardo Macedo: (Forró is alive) – Eduardo Macedo: https://www.youtube.com/watch?v=t3W8HistlgU

Me Perder No Teu Olhar – Eduardo Macedo: (Forró is alive) – Eduardo Macedo: https://www.youtube.com/watch?v=CFlAKGiIUPU


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.