Douglas Reis – Simples Mortal


Douglas Reis, conhecido como Mortal ou Simples Mortal, igual ao que somos.

O Cantor e compositor paulistano Simples Mortal é um artista independente da periferia e do reggae brasileiro, cresceu na zona leste na Cohab 2, em Itaquera. Há 14 anos (2006) reconheceu-se como artista e iniciou sua trajetória musical. Fruto de muita dedicação e apoio, com produção do estúdio PelaArteAZuera (PAAZ), lançou o seu primeiro EP – “Simples Mortal”, no segundo semestre de 2015. O EP conta com sete músicas, incluindo duas faixas bônus, assinadas por Kas Dub Sound System. Além do EP, ele lançou mais dois novos singles em 2018 com produção de Wagner Bagão do Dubalizer. Em 2019 o grande produtor Rodrigo Loli se interessou em fazer uma releitura do single “Acorde” em uma versão New Roots, que contou também com a participação do Rodrigo Piccolo vocalista da banda Mato Seco.

Com uma base musical bem variada, foi vocalista de bandas de reggae da zona leste e buscando se aperfeiçoar cada vez mais, participou do Grupo CoralUSPEstação Ciência, sob regência do maestro Mauro Aulicino, como cantor tenor e percussionista. Atualmente dedica-se ao seu trabalho solo, acompanhado por instrumentistas convidados ou por sound system, interpretando suas composições próprias. Com este trabalho, já se apresentou em diversos locais de música e cultura em São Paulo e dividiu palco com Solano Jacob, banda Jah I Ras, Nazireu Rupestre, Fernandinho Beatbox, entre outros artistas da música reggae nacional.

Simples Mortal é atuante em projetos culturais que levam música e arte para as periferias da cidade e integra também o Fórum do Reggae de São Paulo.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Douglas Reis – Simples Mortal para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 26.12.2020:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Douglas Reis – Simples Mortal: Nascido no dia 26 de dezembro de 1979 em São Paulo.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Douglas Reis – Simples Mortal: Desde criança mantive um contato com a música e as artes. Um dos primeiros brinquedos, inclusive, foi um Violão, presente do meu pai e a minha mãe sempre me estimulou a ouvir e apreciar todos os estilos musicais principalmente a música popular brasileira.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Douglas Reis – Simples Mortal: Concluí o Ensino Médio. Na música sou autodidata.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Douglas Reis – Simples Mortal: Minhas influências musicais são bem variadas e ecléticas, pois a música brasileira é muito rica em sua versatilidade, mas o Samba e o Reggae são a base das minhas composições e do meu estilo de vida.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Douglas Reis – Simples Mortal: Em 2006 iniciei minha trajetória musical no bairro Itaquera, na Cohab II, onde cresci e me reconheci como artista. Fui vocalista de bandas de reggae da zona leste em que me apresentava no REGGAE NA RUA, um evento que se tornou tradicional no bairro, organizado pelos artistas e ativistas da quebrada para a quebrada. Buscando me aperfeiçoar cada vez mais participei do Grupo CoralUSPEstação Ciência, sob regência do maestro Mauro Aulicino, como cantor tenor e percussionista.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Douglas Reis – Simples Mortal: Fruto de muita dedicação e com apoio das lojas Jhonny B. Good, Lions Reggae Wear, Belli Roots, lojas da Galeria do Reggae, com produção do estúdio PelaArteAZuera (PAAZ), lancei em 2015 o meu primeiro EP – “Simples Mortal”, com sete músicas, incluindo duas faixas bônus, assinadas por Kas Dub Sound System. E lancei dois novos singles em 2018 com produção de Dubalizer (Wagner Bagão). Em 2019 o grande produtor Rodrigo Loli se interessou em fazer uma releitura do single “Acorde” – versão New Roots que contou também com a participação do Rodrigo Piccolo vocalista da banda Mato Seco. Todas as minhas músicas estão disponíveis nas principais plataformas digitais.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Douglas Reis – Simples Mortal: Música Popular Brasileira.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Douglas Reis – Simples Mortal: Tive aulas de técnica vocal com as orientadoras Antonieta Bastos e Beth Amin, no Grupo CoralUsp – Estação Ciências, o que contribuiu, e muito, para o meu aperfeiçoamento musical. E recentemente tive aulas particulares com o grande Maestro Gualtieri especialmente para gravação do single “Acorde” – Versão New Roots.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Douglas Reis – Simples Mortal: O estudo das técnicas vocais nos faz encontrar conforto e o caminho certo para desenvolver um canto mais nítido, potencializando a voz.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Douglas Reis – Simples Mortal: Admiro muito os cantores e as cantoras do samba, Reggae e MPB, tais como: Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Beth Carvalho, Alcione, Eliana de Lima, Bob Marley, Fauzi Baydoun, Sine Calmon, Cássia Eller, Nando Reis, Chico Science, Paralamas do Sucesso, Titãs entre outrxs.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Douglas Reis – Simples Mortal: Costumo compor a maioria das vezes de uma forma inesperada e de acordo com os meus pensamentos, vivências, sentimentos, família, amigos. Muitas vezes no transporte público em movimento com letras garranchadas para não perder e passar a limpo depois.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Douglas Reis – Simples Mortal: Prós: Ter a liberdade de expressão e autonomia para cantar o que eu gosto e acredito. Contras: Além da grana curta para realizar um novo trabalho, acaba sendo mais difícil divulgar e propagar a música autoral sozinho.

13) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Douglas Reis – Simples Mortal: Não tenho estratégias pré-definidas, mas procuro estar envolvido em projetos e coletivos em que posso divulgar o meu trabalho e encontrar novas oportunidades e parcerias.

14) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Douglas Reis – Simples Mortal: Procuro sempre divulgar minhas músicas com outras pessoas por meio das minhas redes sociais e através do meu canal no Youtube, além de manter um contato com vários artistas da cena independente.

15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Douglas Reis – Simples Mortal: Ajuda a compartilhar as músicas através das redes sociais e plataformas digitais possibilitando alcançar muitas pessoas em qualquer lugar do mundo até o momento a internet só tem me ajudado.

16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Douglas Reis – Simples Mortal: Não tenho esse conhecimento, mas acredito que se o artista souber usar essas ferramentas tecnológicas pode trazer ainda mais independência para o seu trabalho de criação, não vejo desvantagens.

17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Douglas Reis – Simples Mortal: Até o momento eu procuro ser o mais original possível, trabalhando as minhas próprias composições.

18) RM: Como você analisa o cenário do reggae brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Douglas Reis – Simples Mortal: Acredito que ninguém regrediu. Na minha visão, de acordo com o que eu acompanho, bandas como Mato Seco, Ponto de Equilíbrio e Natiruts continuam fortes no cenário Reggae Brasil que eu vejo como um cenário muito difícil de se renovar, mas estou lutando pra que isso aconteça.

19) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como vocês analisam tal afirmação?

Douglas Reis – Simples Mortal: Respeito, mas acredito que quando se faz com amor e por amor, a mensagem chega nos corações de todxs.

20) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Douglas Reis – Simples Mortal: Aqui no Brasil ainda existe muito preconceito com o Reggae por ser associado ao uso de cannabis e assim algumas pessoas não se dão a oportunidade de ouvir a mensagem.

21) RM: Quais os pros e contras de se apresentar com o formato Sound System?

Douglas Reis – Simples Mortal: Os prós; no meu caso, foi não deixar morrer as minhas composições. Nesse formato tenho como me apresentar sem depender de outros músicos. O contra: é que com o formato Banda se as pessoas não estiverem com o mesmo compromisso a parada não acontece.

22) RM: Quais as diferenças de se apresentar com banda em relação ao formato com Sound System?

Douglas Reis – Simples Mortal: Se apresentar com Banda proporciona uma apresentação mais completa e possibilita uma melhor interação com o público. No formato Sound System por estar tudo gravado, não se pode permite errar e limita um pouco essa interação.

23) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Douglas Reis – Simples Mortal: Na cena independente tem muitas gafes e situações inusitadas. Já esqueci letra de música, já cantei para pouquíssimas pessoas, já tive que tirar dinheiro do bolso para pagar os músicos que me acompanharam na apresentação. A mais inusitada foi quando fui convidado para um evento em Paranapiacaba – SP, em que o combinado era que uma Van iria me buscar e levar até o local do evento, que era 8 Km de distância. Mas o combinado não foi cumprido e precisei pedir abrigo em um restaurante para pernoitar com a minha esposa, que estava me acompanhando. Sem conseguir contato com os responsáveis, tivemos que ir caminhando até lá na manhã seguinte por uma trilha que parecia não acabar mais. Depois de algumas horas de caminhada, finalmente chegamos ao local do evento, mas parte do som havia queimado com a chuva da noite anterior e não foi possível fazer a minha apresentação conforme planejado, mas consegui cantar algumas músicas com os equipamentos e o público que restavam.

24) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Douglas Reis – Simples Mortal: O que me deixa mais feliz é saber que as composições que eu já gravei estão eternizadas e podem trazer alegrias e algumas lembranças de pessoas e lugares. O que me deixa mais triste é que a maioria das vezes as pessoas mais próximas não dão muita importância nem valorizam o trabalho.

25) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Douglas Reis – Simples Mortal: Sim. Eu defino como uma predisposição e uma habilidade descoberta que facilita a compreensão. E apura o seu intelectual a exercer essa habilidade com segurança, desde que tenha oportunidade de estudar e desenvolver o seu dom.

26) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Douglas Reis – Simples Mortal: Quanto mais conhecimento musical maior será a sua capacidade de improvisar.

27) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Douglas Reis – Simples Mortal: Acredito que o estudo facilita muito a improvisação.

28) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Douglas Reis – Simples Mortal: Ainda não tive oportunidade de conhecer métodos sobre improvisação musical.

29) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Douglas Reis – Simples Mortal: Não tenho conhecimento sobre métodos de estudos sobre harmonia musical.

30) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Douglas Reis – Simples Mortal: Eu acredito, mas é bem mais difícil, principalmente nas rádios maiores.

31) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Douglas Reis – Simples Mortal: Primeiramente fazer com amor, acreditar e não desistir por mais obstáculos que possa enfrentar, que serão muitos.

32) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Douglas Reis – Simples Mortal: Prós: oportunidade de ter uma experiência de palco e mostrar o seu trabalho. Não vejo nada contra.

33) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Douglas Reis – Simples Mortal: Na maioria das vezes os destaques dos Festivais de Música são artistas conhecidos do público para que possa atrair um número maior de pessoas e os novos talentos acabam ficando em segundo plano.

34) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Douglas Reis – Simples Mortal: Vejo que a grande mídia visa muito o lado comercial dando destaque ao que vende mais.

35) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Douglas Reis – Simples Mortal: Acho muito legal porque se o artista estiver por dentro dos editais e souber escrever bons projetos pode conseguir um espaço de muita visibilidade.

36) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Douglas Reis – Simples Mortal: Sim, principalmente para os músicos independentes que acham ali uma oportunidade de levantar uma grana, pelo menos para pagar as contas, mas deve ser muito difícil se manter somente com esta renda.

37) RM: Quais os seus projetos futuros?

Douglas Reis – Simples Mortal: Continuar cantando e criando novas composições. No momento estou com um projeto totalmente diferente do que eu já fiz até hoje, explorando um pouco mais as minhas referências musicais. Em breve novidades.

38) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Douglas Reis – Simples Mortal: (11) 96550 – 3798| [email protected]

|https://web.facebook.com/douglas.reis.10004

|https://web.facebook.com/simplesmortal

| Canal Youtube: https://www.youtube.com/c/DouglasReisSimplesMortal

| www.soundcloud.com/douglasreis

Spotify, Deezer e principais plataformas digitais: Douglas Reis – Simples Mortal

Acorde – Versão New Roots – part. Rodrigo Piccolo: https://www.youtube.com/watch?v=NDQFNC2w8UM

Magia do Amor: https://www.youtube.com/watch?v=miVrjOxBgCE

O Meu Lugar DUB: https://www.youtube.com/watch?v=iQC8XVUkwIQ

Não Desacredite DUB – part. Guslarime (Camarões): https://www.youtube.com/watch?v=dLBJMJ3IYFQ

O Nascer do Sol: https://www.youtube.com/watch?v=ODQfEik4Tn4

Douglas Reis – Simples Mortal no Festival Econsciência – PRAIA DO SONO: https://www.youtube.com/watch?v=-AR9CpdLiOI


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.