Chico Ceará


O cantor, compositor, acordeonista Chico Ceará com 45 anos de carreira musical e começou aos 15 anos de idade em Fortaleza – CE, sobre a influência de sua família criando um enorme gosto pela música.

Em 1975 chegou em São Paulo com a família e em 1980 gravou o seu primeiro álbum “O Ceará em festa” acompanhado pelos seus irmãos “Chico Ceará e seus Bacanas”: Irapuã Santos da Silva no ganzá, Wrubatan Santos da Silva no Pandeiro, Wbiraci Santos da Silva no Zabumba, Jalci Santos da Silva no triângulo, Neci Santos da Silva cantora e bailarina, Wbiratan Santos da Silva, mascote que me dublava, com uma sanfona de 8 baixos. Em 1981 fez parte do grupo “Bando de Macambira”, um excelente Regional de Choro, Samba, Forró e Frevo e juntamente com o cantor e compositor Adalto Santos, gravaram um álbum na gravadora Copacabana, “Adalto Santos e o Bando de Macambira”. Em 1982, o mesmo grupo fez parte do programa “Festa Baile” com o apresentador Agnaldo Rayol pela TV Cultura, onde ficou por cinco anos e acompanhou vários artistas famoso como: Nelson Goncalves, Agepê, Martinho da Vila, Noite Ilustrada, Jair Rodrigues, entre outros.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Chico Ceará para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 08.05.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Chico Ceará: Nasci no dia 09.02.1960, em Fortaleza – CE. Registrado como Francisco Itaicurú Santos da Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Chico Ceará: Eu tinha 15 anos de idade (1975) quando ganhei meu primeiro acordeon, um presente do meu pai Messias Luiz da Silva e foi o dia mais feliz da minha vida.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Chico Ceará: Eu tinha 15 anos de idade quando ganhei meu primeiro acordeon e com seis meses eu já estava tocando e cantando alegrando as festinhas junto com meus irmãos. A minha família mudou-se para São Paulo em 1975 e fui estudar no Conservatório em Guarulhos – SP e hoje sou formado.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Chico Ceará: Meus primeiros acordes tiveram várias influencias musical. Eu tocava Valsas, Boleros, música cantadas por Nelson Gonçalves, Orlando Silva e as músicas de Luiz Gonzaga. O acordeonista Orlando Silveira do Regional do Canhoto, para mim era o maior de todos. Dominguinhos, que me espelho até hoje.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Chico Ceará: Em 1975 eu e meus irmãos formamos “Chico Ceará e seus Bacanas”, eu no acordeon, Irapuã Santos da Silva no ganzá, Wrubatan Santos da Silva no Pandeiro, Wbiraci Santos da Silva no Zabumba, Jalci Santos da Silva no triângulo, Neci Santos da Silva cantora e bailarina, Wbiratan Santos da Silva, mascote que me dublava, com uma sanfona de 8 baixos. Em 1975 a minha família mudou-se para São Paulo e fizemos uma apresentação no show de calouros do programa Silvio Santos, onde os jurados José Fernandes, Aracy de Almeida deram nota 5, a máxima para o meu conjunto. Só perdemos para o grupo “Os garotos de ouro”, pois eles já eram profissionais a cinco anos e nós éramos iniciantes, palavra do jurado José Fernandes. Acompanhei vários cantores: Leo Canhoto e Robertinho, Moacir Franco, Alceu Valença, Elba Ramalho, participei de um álbum do Geraldo Azevedo, Banda Paratodos, Márcia Alves, entre outros.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Chico Ceará: Em 1980 gravamos o LP – “O Ceará em Festa” pela gravadora Cartaz com o grupo “Chico Ceará e seus Bacanas”, na época um quarteto: Itapuã no Ganzá, Wrubatan no Pandeiro, Wbiraci na Zabumba, Jalci no Triângulo. Um álbum de Forró instrumental e viajamos para o nordeste para divulgar o nosso trabalho e fazer shows.

Em 1981 o LP – “Adalto Santos e Bando de Macambira”, um conjunto formado por quatro irmãos (João do Bandolim, Assis tocava Timba, Chico do Cavaquinho, Luiz 7 Cordas) mais o cantor, compositor e violeiro Adalto Santos e Chico Ceará no acordeon. Toquei por cinco anos no conjunto. Tinha Forró, Cateretê, Galope é o mesmo que arrasta-pé.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Chico Ceará: Eu sou um músico eclético, gosto de Forró, Bossa Nova, Chorinho, Samba, Bolero, Jazz, músicas italianas, francesas, americanas.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Chico Ceará: Estudei solfejo.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Chico Ceará: Importantíssimo. Tem que estudar, saber usar o diafragma, a respiração, afinação, falsete, etc. Eu estudei o método Paschoal Bona, é excelente.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Chico Ceará: Sou do tempo de músicas boas, e cantoras, cantores, na minha época de juventude tinham vários: Jessé, Elis Regina, Alcione, entre outros.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Chico Ceará: Muitas vezes meu processo de criar música é intuitivo, não sigo a mesma linha nas composições. Tenho Forró, Samba, Toada, Romântica (risos).

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Chico Ceará: A maioria das músicas, componho sozinho, mas tenho uma composição que fiz com parceria do Roberto Diamanso.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Chico Ceará: Roberto Diamanso.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Chico Ceará: Prós é ser dono do próprio trabalho, não ficar dependendo de gravadoras. Contras é muito difícil fazer a divulgação, e ter um empresário que queira de investir e acreditar no trabalho musical.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Chico Ceará: Minha estratégica é ter muito profissionalismo e destaco dois exemplos: chegar uma hora e meia antes para passar o som, pois o som bom é 50% de um show e os outros 50% é o artista e sua banda. Outra coisa é a postura do artista, isso faz uma grande diferença além da simplicidade e humildade.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Chico Ceará: No momento de pandemia de Covid-19, só estamos fazendo live, já fizemos várias para rádios e tv. Tenho um quarteto de Forró e meu novo trabalho “Chico Ceará e Márcia Alves ou Márcia Alves e Chico Ceará”, pois somos uma dupla, ela canta e eu toco (risos) desde 2019. O nosso foco é o Forró Pé de Serra e tocamos Forró das bandas das antigas, mas fora isso tocamos outros ritmos, somos ecléticos (repertório de músicas italianas, americanas, anos 60, samba, sertanejo).

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Chico Ceará: A internet é uma grande aliada que nós temos para mostrar o nosso trabalho.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Chico Ceará: A vantagem é gravar sem precisar sair de casa, não enfrentamos congestionamentos, e não aglomeramos pessoas. Isso é excelente no momento que vivemos em pandemia do Covid-19.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Chico Ceará: Ter bom gosto musical, tocar com a alma e não só com os dedos.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Chico Ceará: Eu vejo com uma certa tristeza o cenário do Forró, pois o nosso Forró autêntico não estar onde deveria, estamos vivendo uma inversão de valores. Deram muita ênfase ao forró que para mim não é Forró. Agora como revelação destaco o cantor e compositor Nando Cordel que está em atividade até hoje. E quem regrediram foram quem faz “Forró universitário”, Forró das bandas das antigas.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Chico Ceará: Tudo que foi citado na pergunta já aconteceram. Três situações inusitadas: falta de condições para realizar o show, já fui caloteado, fiz shows e não recebi e já fui cantado. O mais inusitado fui cantado depois do show, e como eu não dei muita atenção para essa garota, ela me perguntou: ”Você é viado”? Não, mas sou casado e amo a minha família. A mulher se leva uma cantada, você é tarado, agora a mulher se ela dar uma cantada e você não aceita, é viado (risos).

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Chico Ceará: O que me deixa mais feliz é o meu trabalho realizado com sucesso. E mais triste é a qualidade musical que caiu muito, no passado para você ser músico nas noites paulistanas, tinha que ter muito conhecimento musical. Tinha que tocar a mesma música em todas as tonalidades, pois cada intérprete tinha sua tonalidade. Eram músicas boas, bonitas, ricas de harmonias. O músico bom era valorizado. Eu tocava nas boates e recebia 3 mil por mês e hoje; 20 anos depois, o cachê paro músico: 150,00, 200,00 no máximo 300 reais nos pequenos shows. Desvalorizaram os músicos é muito triste.

23) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Chico Ceará: O “Forró universitário” foi um o movimento do Forró moderno no Sudeste, foi muito importante esse movimento para o nosso Forró, mas com um estilo moderno de dançar. É como se unisse o Forró com a gafieiras, e virou moda. E a grande revelação desse movimento: banda Falamansa, do meu grande amigo Tato Cruz, Rastapé, Forróçacana, do meu grande amigo Duany. Se não fosse um movimento modista, eles estariam mantendo o “Forró Universitário” como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, que não foram modismo, foram a essência do verdadeiro Forró Pé de Serra. Eles cantaram as origens do sertão nordestino, e o nosso Forró Pé de Serra vive até hoje. Viverá por muitos anos mesmo que apareçam outras modas musicais.

24) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Chico Ceará: Falamansa, Forróçacana, Paratodos (fiquei feliz em fazer parte desse grupo).

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Chico Ceará: Nas grandes mídias sempre existirá o pagamento do jabá, mas na internet sem alguém for bem sucedido, aí os programas de TV se rendem, e chamaram esse artista.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Chico Ceará: Acredite nos seus sonhos, lute e estude música. A esperança é a última que morre antes de nós.

27) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Chico Ceará: Seria bom se dessem o devido valor das músicas e se alguns festivais de Música fossem mais sérios sem preferências.

28) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Chico Ceará: Não. Um exemplo bem básico, o The Voice Brasil é um relevante programa para revelar grandes cantores e cantoras, tem muita gente cantando muito. Acho um grande erro desse programa, o cantor passa por várias etapas, é finalista e no final o público é quem votar. O que adianta tantos jurados bons e com competência musical para julgar um cantor e no final põe o público para votar. Jurados que entende de música deveria ir até o final fazendo o seu papel. Qual o cantor ou cantora que foi campeão no The Voice é sucesso nacional? Ou do programa Ídolo no SBT? No nosso país cantar bem não tem o valor merecido.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Chico Ceará: A cobertura feita pela grande mídia é ruim, pois não valoriza a música de boa qualidade, um cantor de trabalho ruim, se tiver grana para investir no trabalho vai ser sucesso. É o que acontece a um bom tempo na grande mídia, falta valorizar as músicas de qualidade, tem muitos compositores maravilhosos, mas parece que ninguém se interessa e a mídia muito menos. Dizem que o cachorro gosta de osso, é mentira, cachorro gosta é de carne, mas se só tem o osso para ele comer, ele vai se contentar com osso (risos).

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Chico Ceará: Maravilhosos. No SESC tem muitos shows bons, eu mesmo já fiz vários, eles valorizam muito os instrumentistas. O SESI também tem essa mesma cultura. O Itaú Cultural não tenho muito conhecimento das pautas de shows.

31) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Chico Ceará: Forró das bandas das antigas e o Estilizado é quase a mesma coisa, só mudaram o andamento rítmico, sou muito tradicionalista e do tempo do Forró Pé de Serra, mas nada contra as bandas. Tiveram sua contribuição para renovar o Forró, mas faltou zabumba e triângulo para não perder a originalidade do Forró. Mas gosto e sou a favor do contrabaixo, bateria e guitarra no Forró, se agregaram muito bem no Forró, deram peso e ficou mais completo. Teve muitas bandas boas: Mastruz com Leite, Magníficos, Cavalo de Pau, Cacau com leite, entre outras. Eu com a cantora Márcia Alves temos um repertório com as músicas das bandas das antigas.

32) RM: Chico Ceará, Quais os seus projetos futuros?

Chico Ceará: Estou trabalhando com a cantora Márcia Alves, estamos tendo boa aceitação do público. Queremos gravar um DVD e fazer muitos shows pelo país.

33) RM : Quais seus contatos para show e para os fãs?

Chico Ceará: (35) 99138 – 8599

Canal Chico Ceará e Márcia Alves oficial: https://www.youtube.com/channel/UCudc23AJSth8y44_3dY2Dqg

Márcia Alves e Chico Ceará em 07.04.2019: https://www.youtube.com/watch?v=KTLDGqAR7JU

Canal Márcia Alves: https://www.youtube.com/channel/UCf8axHqK6x6YaKvIJ9UvGCg


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.