Carlos Pereira


O cantor, compositor cearense Carlos Pereira lança seu primeiro single, “Ponto de Equilíbrio”, nas plataformas digitais. Seu projeto saiu do papel quando seu amigo Leonardo Ferraz, guitarrista e dono do home studio em que saiu a pré-gravação de seu trabalho, fez o convite para iniciar uma experiência desafiadora na produção de uma canção de reggae.

Carlos, músico cearense que vive no Guarujá há 39 anos, já tinha planos de produzir, mas não tinha os recursos. Com essa oportunidade juntou o útil ao agradável e deram início a produção. O single conta com a participação mais que especial de: Cassiano Peixoto Fonseca, trompetista; André Willian no teclado; Sebastian Nicolas Madruga, experiente na bateria; na percussão sonora Edu Barreto; Jonathan Rodrigues no Sax alto; no trombone de vara Leonel Rodrigues; nos backings Nathália Faia e Juliellen Bárbara; na guitarra Leonardo Ferraz; no vocal e no baixo Carlos Pereira.

Após ter finalizado a pré-produção, o artista conheceu pelas as redes sociais o produtor e sonoplasta Cassiano Guanaes, que também se prontificou a abençoar a vida de Carlos trabalhando um pouco mais na qualidade do trabalho, fazendo o single passar fases e processos de aperfeiçoamento.

Mais adiante, Carlos conheceu o cantor de reggae Rogério D’lluca, que estava trabalhando em um projeto com o produtor especialista no gênero, Rafael Paz (Unidade 76). Com o contato em mãos, não hesitou e o contactou para a fase final do trabalho, que ficou por sua conta, mixagem e masterização.

Tendo em mente a ideia de provocar Metanoia (a mudança da prória mente) com a letra, Carlos lançou seu conceito sobre a ideia de relativismo moral. “Para quem conhece o autor da vida e não somente a vida do autor, sabe que Deus é a verdade e é absoluta”, disse. Suas influências são: The Wailers, Bob Marley, Nengo Vieira, Reobote Zion, Steel Pulse, Groundation, Mato Seco, Peter Tosh, Don Carlos, Inner Circle, e também a consagrada banda Ponto de Equilíbrio, entre outras.

Não foi o acaso que levou Carlos a colocar “Ponto de Equilíbrio” como o nome de sua música. A intenção foi também de homenagear a banda com o single devido a sua forte influência. Então, para os amantes do reggae, fica a dica: “Ponto de Equilíbrio” de Carlos Pereira, está nas plataformas digitais e tem vídeo no YouTube.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Carlos Pereira para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 10.04.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Carlos Pereira: Eu nasci no dia 24.12.1980 em Porteiras – Ceará.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Carlos Pereira: Meu primeiro contato com a música, foi quando eu tinha a idade de 13 anos de idade, após ganhar do meu vizinho um violão bem surrado. Na época do Método Violão Cordas e Cores, percebi que meu pai tocava umas músicas, tiradas apenas por percepção auditiva/ouvidos, e busquei tentar fazer da mesma forma. E minha primeira melodia tirada de ouvidos foi a introdução de “Redemption Song”; um clássico acústico de Bob Marley.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Carlos Pereira: Sou Autodidata na música. Sempre busquei estar em contato com a música. Atualmente leciono música.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Carlos Pereira: As influências no passado foram por meio do meu pai. Ouvia música caipira, sertanejo, toadas de vaqueiro, brega, viola caipira, samba, então ouvia um pouco de cada. Daí passei a pesquisar música desde o jazz, blues, como punk, o Rock Nacional. Porém me vi também um apaixonado por Reggae e tive Bob Marley, Aswad, Inner Circle, Peter Tosh, Pato Banton, Steel Pulse, Jimmy Cliff, Chama Demus & Pliers, Culture. Todas as bandas e artistas são e serão influência.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Carlos Pereira: Quando comecei a tocar em casas de shows, eu era um garoto buscando o profissionalismo, e sendo forjado a compreender que não sabia de nada. Atualmente entendo que existem momentos que um amador deve agir como profissional, assim como vejo profissional agindo como um amador.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Carlos Pereira: Lancei no dia 26 de junho de 2020 o meu primeiro single “Ponto de Equilíbrio”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Carlos Pereira: Reggae Roots Gospel.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Carlos Pereira: Sim, estudei.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Carlos Pereira: A importância é o conhecimento da fisiologia da voz por meio da fonoaudiologia, isto faz você cantar de forma consciente. E tendo estas ferramentas, você se torna um não prejudicador de seu instrumento, que é sua voz.

10) RM: Quais os cantores (as) que você admira?

Carlos Pereira: Sou admirador do meu trabalho, assim como também admiro: Nengo Vieira, Bob Marley, Tarcísio do Reobote Zion, Edson Gomes, Hélio Bentes do Ponto de Equilíbrio, Rodrigo Piccolo do Mato Seco, dentre outros.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Carlos Pereira: O processo de composição surge de uma referência de ritmo, a cadência harmônica e linha melódica. As vezes escrevo a letra, as vezes a harmonia, porém a música por completo se dá devido a esse segmento.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Carlos Pereira: Costumo gravar e compor com um amigo, irmão e cantor Márcio de Moraes, que além de ter um gosto bastante eclético, é também apreciador do Reggae.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira independente?

Carlos Pereira: O dinheiro por tudo responde. Tendo uma carreira independente você necessita dele, e sendo contratado por uma gravadora você também precisa dele. Eu, creio que a liberdade de ter seu trabalho feito do seu jeito e forma, é uma realização, mas o satisfatório vem quando você consegue ser autossustentável.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Carlos Pereira: Permanecer sempre divulgando, através das redes sociais, e mídias, e plataformas. E dentro do palco é sempre buscar uma boa performance e poder transmitir aquilo que está proposto pela obra.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Carlos Pereira: Organização, no tocante ao recurso, para que haja um investimento certeiro, quando a forma orgânica de projeção já não alcança as expectativas.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Carlos Pereira: Ajuda no sentido de projeção do artista, mas prejudica no tocante ao péssimo uso dela.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Carlos Pereira: É benéfico, pois vejo as canções sendo gravadas de forma muito veloz. E as desvantagens é que nem todos têm esse acesso a essa tecnologia.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Carlos Pereira: Acredito que um trabalho bem elaborado, com letras fortes que impactam aos ouvintes, ao ponto de gerar uma mudança da própria mente, sempre irá gerar diferença entre os nichos.

19) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Carlos Pereira: Existem personalidades respeitadas, fica um pouco difícil citar todos, pois são tantos, mas cito alguns: Marcelo Falcão, Herbert Vianna, Samuel Rosa, Hélio Bentes do Ponto de Equilíbrio, Rodrigo Piccolo do Mato Seco, Tarcísio do Reobote, dentre outros.

20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Carlos Pereira: A pergunta é a própria resposta (risos), passei por todas as situações citadas.

21) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Carlos Pereira: Feliz a sinceridade. Triste a hipocrisia no meio musical.

22) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Carlos Pereira: Existe um planejamento por trás de um simples desejar que suas músicas sejam tocadas nas rádios, mesmo que seja com pagamento do jabá. Sem este planejamento ainda que sejam tocadas as músicas, não será obtido o resultado desejado.

23) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Carlos Pereira: Quando queremos seguir uma carreira musical, se faz necessário ter um planejamento, pensar nos prós e contras, pois não é fácil. Estudar e se capacitar para enfrentar os obstáculos e se tiver que passar por qualquer coisa, passará com dignidade.

24) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Carlos Pereira: Quando você promove algo e o intuito é apenas de se beneficiar para que alguém se prejudique, você de certa forma não será bem visto. Não vejo com bons olhos.

25) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Carlos Pereira: O dinheiro por tudo responde.

26) RM: Como você analisa o cenário do reggae no Brasil. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Carlos Pereira: O cenário brasileiro ainda com dificuldade tenta se manter. Bandas como: Chimarruts, Planta & Raiz, Ponto de Equilíbrio, Vibrações, Natiruts, Mato Seco, Tribo de Jah, Maskavo são bandas que foram reveladas e ainda estão na atividade. Entretanto as bandas que de certa forma devido ao nicho foram sendo espremidas ao meu ver são: Dibob, Papas na Língua.

27) RM: Você é Rastafári?

Carlos Pereira: Não. Creio que Deus ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos e o confesso como meu Senhor e Salvador. Tenho como base da fé a ressurreição de Jesus Cristo, que é o fundamento do evangelho, mas respeito à todos.

28) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como vocês analisam tal afirmação?

Carlos Pereira: O coração do homem apenas quem conhece é Deus, sendo assim o reggae ou a música reggae feita com amor, e com finalidade de edificação, ele é verdadeiro. Não posso julgar me como espiritual, ou não por não fazer Reggae como os adeptos do Rastafarianismo, apenas sei que são vertentes. Amo o Reggae e sei que a música é a arte de expressar os sentimentos através do som, sendo assim expresso o que minha alma sente ou necessita. E sei que o que os Rastas cantam expressam a mesma necessidade da alma.

29) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Carlos Pereira: O dinheiro.

30) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Carlos Pereira: A música além de ela ser intrauterina, ou seja; é desde a concepção. Todas as sensações que a música transmite para as mães, são transmitidas também para a criança, então a criança cresce e desenvolve a sua habilidade perceptiva de forma natural. Ela também é desenvolvida com a convivência fora do ventre, entre familiares que estão envolvidos com, e também por meio da musicalização infantil. Desta forma se descobre a aptidão e desenvolve o talento.

31) RM: Quais os pros e contras de se apresentar com o formato Sound System?

Carlos Pereira: O sistema sound system é tradicional e o que vêm de tradição dificilmente é deixado de lado. E, de uma forma ou de outra requer uma logística tanto para quem usa o sound system ou para bandas, daí entra a questão do gosto, do contexto, e da necessidade, ou seja, há um benefício para cada lado.

32) RM: Quais as diferenças de se apresentar com banda em relação ao formato com Sound System?

Carlos Pereira: Eu não me apresentei ainda em um formato Sound System, meu diagnóstico é mais a questão da composição, e forma, ou seja a banda, mas a vibe que cada um transmite é demais.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Carlos Pereira: Estou trabalhando nas próximas canções, algumas regravações, mas com algumas novidades também.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Carlos Pereira: (13) 98835 – 3179 | [email protected]

| https://web.facebook.com/profile.php?id=100003535834145

Canal: https://www.youtube.com/channel/UC2gu6tXrWnT52Owg3eIg3jA

Single “Ponto de Equilíbrio” de Carlos Pereira: https://youtu.be/92BfB88wVAc

Spotify: https://open.spotify.com/track/1cfnJzoW8G28JVEO8UbNyb?si=z6yGJ5soSGW2HOd7zdJx7A


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.