Banda Triunfantes

Banda Triunfantes

A história da banda Triunfantes começou no final de 2008 no bairro de Itinga, em Lauro de Freitas – região metropolitana de Salvador/BA, como banda de apoio para o artista local Rick Vieira na Lavagem do Largo do Caranguejo. Na época a banda contou ainda com guitarrista e percussionista.

Com a ida de Rick para São Paulo em 2010 o projeto, que se chamava “Rick Vieira e os Triunfantes”, estacionou uns anos retornando com apresentações somente em 2015, tocando em Lauro de Freitas, Salvador e São Paulo.

Somente em 2019 o formato banda/trio se estabeleceu e lançaram então o primeiro single: “Una”. Produzida pelo cantor e compositor soteropolitano Rick Solar, que também toca violão no grupo, contando com a parceria do baixista e educador musical Décio Junior, também nascido em Salvador, e do baterista e percussionista alagoano James José. Atualmente os músicos vivem em diferentes cidades: Rick em São Paulo, Décio em Senhor do Bonfim/BA e James em Lauro de Freitas/BA.

O nome Triunfantes faz referência a riqueza da cultura popular brasileira e sugere os que acreditam em seus sonhos e buscam com confiança, humildade e honestidade realizá-los, agindo de forma cooperativa para a felicidade coletiva e o bem-estar na Terra.

A banda lançou em abril de 2020 seu primeiro EP – “Somos Um”, com distribuição pela Tratore em mais de 100 plataformas digitais. No EP tem: “Somos Um”; “Vida”; “Uma”, “Haja amor”, todas compostas por Rick Solar, que também assina a produção musical do trabalho.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Banda Triunfantes para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 02.12.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a data de nascimento e cidade natal dos membros da banda?

Banda Triunfantes: Rick Solar (Voz e Teclado): nasci no dia 25.07.1980 em Salvador, Bahia. Registrado como Ricardo Vieira Solar. Décio Jr. (Baixista): nasci no dia 07.07.1982 em Salvador, Bahia. Registrado como Décio Pereira Silva Junior. James José (Baterista): nasci no dia 29.10.1979 em Coruripe, Alagoas.

02) RM: Como foi o primeiro contato dos membros da banda com a música.

Banda Triunfantes: Rick Solar: Lembro que bem pequeno tive um metalofone que amava e também gostava muito de cantar. E com aproximadamente 9 anos de idade comecei a cantar com um grupo de vizinhos brincando de banda e fomos adquirindo instrumentos e aprendendo o básico. Eu passei a tocar o Teclado, pegando a princípio os solos com o guitarrista da banda e em seguida fazendo aulas com um tecladista que morava próximo, Ray Simões.

Décio Jr.: Residindo no bairro do Engenho Velho da Federação em Salvador – BA, os meus primeiros contatos com a música se deram por meio da influência dos gostos musicais da minha família, sem nenhuma experiência formal de aprendizagem musical na escola infantil. No final dos anos 80 e início dos anos 90, na minha infância, os estilos musicais que predominaram no ambiente domiciliar foram o pop nacional, como o RPM, e internacional com Michael Jackson. Além desses o samba reggae do Olodum, o som da Timbalada e o RAP carioca com o movimento do Furacão 2000. Essas músicas eram apreciadas em momentos de descontração em casa, aonde grande parte do tempo passávamos ouvindo e gravando músicas em fita cassete.

James José: Meu irmão foi uma das principais influências, ele era cantor da banda baile da minha cidade e lá em casa meus pais ouviam muito rádio. Agente ouvia bastante Djavan, Milton Nascimento, Altemar Dutra, Fevers, Pholhas! Cresci ouvindo esses clássicos!

03) RM: Qual a formação musical e acadêmica fora música dos membros da banda?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Primeiramente estudei Teclado/Violão/Guitarra por alguns meses com Ray Simões aos 11 anos de idade e com uns 16 anos com o maestro José Antunes. Com 18 anos entrei no Coral da Fundação Cultural no Teatro Miguel Santana, no Pelourinho – Salvador – BA. Aos 20 anos entrei nos cursos de extensão da Escola de Música da UFBA – Universidade Federal da Bahia, onde estudei Piano, teoria musical e canto, e estudei Violão clássico com o prof. Gil Caribé no Cine Teatro de Lauro de Freitas – BA. Entre 2001 e 2005. Tenho formação em Música pela UNESP (licenciatura) e especialização em Musicoterapia pela FMU. Também cursei Produção Musical na Academia de Áudio e, fora da música, Design em Sustentabilidade – Gaia Education /RJ.

Décio Jr.: Licenciado em Música pela Universidade Federal da Bahia (2010), especialista em Arte na Educação pela Faculdade Afonso Cláudio (2013) e mestre em Educação Musical pelo programa de Pós-graduação Profissional em Música (PPGPROM) da UFBA (2017), venho pesquisando sobre educação musical no Ensino Médio, ensino coletivo de instrumento, educação musical inclusiva, entre outros temas afins.

James José: Minha formação musical veio dos Conjunto de Baile, aonde tínhamos que tocar de tudo!

04) RM: Quais as influências musicais no passado e no presente dos membros da banda? Quais deixaram de ter importância?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Iniciei tocando axé, forró e pop, o que tocava nas rádios de Salvador, podendo citar nomes como Luiz Caldas, Banda Mel, Olodum, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil, Alceu Valença, Guilherme Arantes, entre outros. Após os 15 anos passei a explorar outros ritmos acompanhando ao Teclado grupos de MPB, Rap, Reggae, Rock. Na adolescência nomes como Raul Seixas, Nirvana, Bob Marley, The Abyssinians, Pink Floyd e Deep Purple marcaram presença fortemente. Após ingressar na escola de música da UFBA, em 2001, passei também a escutar mais da chamada música erudita, havendo inclusive cantado com o Côro do TCA durante três anos apresentando obras como a Nova Sinfonia de Beethoven, e nomes do jazz e da música instrumental como Oscar Peterson, Chick Corea, John Coltrane, Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti. Acredito que a Música Brasileira seja a minha principal influência, mas gosto da possibilidade de expandir os horizontes culturais, vejo que muitos artistas deixaram de ter relevância, mas creio que cada um tenha sua importância ainda hoje em minha formação estética. Atualmente posso citar artistas como

Lenine, Chico César, Moska, Zeca Baleiro e nomes como Gilberto Gil, Maria Bethânia, Tom Jobim, Hermeto Pascoal, Heitor Villa-Lobos e Alceu Valença permanecem bem presentes.

Décio Jr.: Inicialmente tive bastante influência do Samba-reggae do Olodum e Timbalada, depois passei a ouvir o RAP carioca com o movimento do Furação 2000. Na adolescência conheci o rock através da banda Mamonas Assassinas e a partir daí outras bandas nacionais e internacionais fizeram parte do meu repertório de rock: Raimundos, Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude, Raul Seixas, Camisa de Vênus, Sepultura, Cascadura, Pitty, Rita Lee, entre outros. Bandas internacionais: Metallica, Alice in Chains, Pearl Jam, Nirvana, Iron Maiden, Black Sabbath, Deep Purple, entre outras. Durante o curso de Música na UFBA pude ampliar ainda mais meu repertório apreciando e tocando músicas de concerto de compositores europeus e brasileiros. Estudei Violão Clássico por um período e ouvi bastante Heitor Villa-Lobos, Antonio Carlos Gomes, Johann Sebastian Bach, Beethoven, entre outros. Atualmente o rock e o reggae tem marcado presença nas minhas playlists, mas a música popular brasileira com ritmos tradicionais têm sido minha fonte pesquisa. Toco contrabaixo e violão e venho buscado referências musicais brasileiras especificas para esses instrumentos, como por exemplo, Adriano Giffoni, Arismar do Espírito Santo, Arthur Maia, João Pernambuco, Baden Powell, Egberto Gismonti. Nas minhas pesquisas tenho escutado atualmente Nação Zumbi, Lampirônicos, Baiana System, Cordel do Fogo Encantado, Afrocidade, Luedji Luna, entre outros.

James José – Ouvia muito Luiz Gonzaga, Djavan, Roberto Carlos, depois com 13 anos já comecei a ouvir Jazz: Spyro Gyro, Steve Wonder, Irakerê.

05) RM: Quando, como e onde começou a carreira musical da banda? E qual o significado do nome da banda?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Eu já me apresentava sozinho ou com a dupla Os Vieira em eventos culturais pela região e em 2008 reuni colegas da escola de música da UFBA para me acompanharem no show na Lavagem do Largo do Caranguejo, no bairro de Itinga, em Lauro de Freitas-BA. Nesse primeiro momento nos apresentamos como Rick Vieira e os Triunfantes, tendo no baixo Décio, na bateria Átila Coutinho, na guitarra Túlio Augusto e na percussão Anderson Vieira. Em 2009 fizemos shows em Lauro de Freitas tendo então na guitarra Mel Trevisani e James na bateria, além de Décio no baixo. Em 2010 mudei para São Paulo e ficamos 5 anos sem tocarmos juntos. Em 2015 convidei Décio e James para nos apresentarmos em São Paulo, Salvador e Lauro de Freitas, dessa vez como Rick Solar e os Triunfantes. Finalmente em 2019 assumimos essa parceria, o formato coletivo de banda e o nome Triunfantes. Triunfantes significa perseverar no propósito de nosso coração de forma honesta e determinada, buscando conhecer e melhorar a si mesmo para celebrar a cada aprendizado e conquista.

Décio Jr.: Surgiu com um convite de Rick para formar uma banda quando ainda estudávamos na Escola de Música da UFBA, nem sabia que Rick morava no mesmo bairro que eu (risos). Foi assim, fizemos o primeiro som na Lavagem do Largo do Caranguejo, local muito conhecido do bairro de Itinga, Lauro de Freitas/BA e shows no Cine Teatro da cidade. Depois disso ficamos um tempo sem tocar, Rick se mudou para São Paulo e nos reunimos lá em 2015 com o nome Rick Solar e os Triunfantes. Em 2019 voltamos a nos reunir com shows em Sampa e Salvador agora com o nome Triunfantes e gravamos nosso primeiro EP.

James José: No ano de 2009 recebi o convite para tocar com Rick e estamos juntos até hoje.

06) RM: Quantos discos lançados?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Lançamos em 2020 nosso primeiro EP com os singles: “Somos Um”, “Vida”, “Una”, “Haja Amor”.

07) RM: Como define o estilo musical da banda dentro da MPB?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Utilizamos ritmos tradicionais brasileiros como xote, samba e maracatu em uma roupagem um pouco mais pop (violão, baixo e bateria) e com letras que valorizem a humanidade, a natureza/ecologia, a cultura de paz e o paradigma da cooperação para um mundo justo e fraterno.

Décio Jr.: Coincidindo com a minha pesquisa sobre os ritmos brasileiros com proposta da banda acredito que a tendência nossa seja enveredar pelos ritmos tradicionais brasileiros valorizando-os através de uma roupagem contemporânea. Samba-reggae, ijexá e samba de roda executados com Violão, Contrabaixo e Bateria vai dar um resultado bem interessante e inovador.

James José: Vejo um MPB contemporâneo, aonde navegamos pelos nossos ritmos brasileiros acrescentando outras influências nesse caldeirão!

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete dentro da MPB?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Tenho uma voz grave e forte, mas tranquila, gosto de interpretar canções que me identifique em termos de mensagem, caminhando assim mais para a direção de Cantautor.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que vocês admiram?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Elis Regina, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Vanessa da Mata, Jackson do Pandeiro, Maria Betânia, Djavan.

Décio Jr.: Elis Regina, Maria Bethânia, Gal Gosta, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Marisa Monte, Chico Buarque, Milton Nascimento, Chico César, Roberta Sá.

James José: Djavan, Milton Nascimento, Gal Costa, Marisa Monte…

10) RM: Como é o processo de composição musical dentro da banda? Quem faz a letra e melodia?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Até o momento eu apresento as composições. Normalmente as letras já chegam com melodia, daí acrescento a harmonia e passo minha ideia inicial, aí vamos criando. Décio Jr.: Naturalmente, Rick têm proposto as ideias e composições do EP até o momento, mas nos próximos trabalhos iremos articular o processo composicional de maneira mais coletiva. James José: Minha parte vem com o groove!

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Autonomia e liberdade artística valorizando mais os sonhos e ideais próprios x dificuldade de recursos e sobrecarga de trabalho prejudicando o nível profissional. Décio Jr: Um trabalho musical independente tem essa vantagem de você produzir seu som da maneira que imagina, pensando no estilo musical, instrumentos, arranjos tudo de acordo com aquilo que você acredita. O lado ruim é justamente a falta de recursos para investir numa produção de qualidade, além do acúmulo de função para os integrantes para produzir e promover o trabalho. James José: O difícil são os obstáculos que temos que enfrentar, mas é prazeroso e sabemos que é bom poder criar nossa própria história!

12) RM: Quais as ações empreendedoras que vocês praticam para desenvolverem a carreira musical?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Fazemos o que é preciso de forma autônoma e independente sempre buscando parcerias. No mais é compor, ensaiar, gravar, distribuir, divulgar, produzir shows, fazer contatos com imprensa, criar conteúdo para as mídias sociais, escrever projetos, editais, festivais de música. Décio Jr.: Fazemos tudo que é possível para que o trabalho tenha o alcance desejado. Nesse período pandêmico do Covid-19, cada um de sua casa produz conteúdo para alimentar as redes sociais da banda, promovemos lives e divulgamos nosso EP nas plataformas digitais deixando os links nas redes. James José: Parcerias sempre ajudam!

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da carreira musical?

Banda Triunfantes: Rick Solar: A internet ajuda a distribuir suas ideias, músicas, facilitar suas pesquisas e contatos. Dificulta talvez por oferecer tanta informação que seja importante saber dosar e direcionar para não perder o foco da sua própria identidade e necessidade de aperfeiçoamento musical. Décio Jr.: Ajuda bastante no que diz respeito a distribuição e divulgação do trabalho. Ferramenta atual que consegue alcançar um número significativo de pessoas tornando nosso trabalho acessível a todos e todas. James José: Internet hoje é o veículo mais rápido de levar o seu trabalho ao mundo!

14) RM: Como vocês analisam o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Vejo que a tecnologia avançada e mais acessível, além da expansão de ritmos oriundos de fora como o RAP, o Reggae, o FUNK e o trance, influenciaram os artistas nacionais vislumbrando novas possibilidades criativas e permitindo que quem acredita em seu sonho possa encontrar mais facilmente alguma maneira de realizá-lo. Criolo e Baiana System são nomes que considero como entre as maiores revelações, gosto muito também de artistas como Ana Cañas e Luedji Luna. Décio Jr.: A música brasileira vem sempre se renovando com o passar do tempo, trazendo novas possibilidades sonoras a partir do desenvolvimento tecnológico no âmbito da produção e da divulgação. Isso contribui para perpetuação da diversidade cultural do nosso país. Para mim, as grandes revelações do cenário musical brasileiro que destaco são: Baiana System, Luedji Luna, Afrocidade. Acredito que Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico César continuam com um trabalho bem consistente. James José: O mercado musical está mais aberto às novas sonoridades.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (Home Studio)?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Facilita muito no processo criativo e produtivo. O perigo é achar que ter o equipamento já resolve tudo e não buscar constantemente adquirir e desenvolver conhecimentos, amadurecendo nesse caminho as concepções artísticas. Décio Jr.: Acredito que o Home Studio facilitou bastante o processo de composição e criação de arranjos, além de permitir criar dentro de seu tempo. A desvantagem que vejo é que ainda acho caro a montagem de um equipamento de qualidade em sua casa. Requer investimento em formação técnica também. James José: Com certeza o Home Studio abriu um desenvolvimento musical acessível para todos.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que vocês têm como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Vou citar nomes que admiro na MPB, apesar de já ter atuado como músico em diversos nichos musicais. Gilberto Gil, Chico Buarque, Maria Betânia, João Gilberto, Milton Nascimento, Djavan, Lenine, Zé Ramalho, João Bosco. Décio Jr.: Gosto muito da qualidade do trabalho de Gilberto Gil, Tom Jobim, César Camargo Mariano, Ed Mota, Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Djavan. Falando de rock nacional, gosto muito dos arranjos das bandas Charlie Brown Jr., Pitty, Cascadura, Titãs (nos tempos áureos). James José: Ney Matogrosso, pela performance e produção de cenário, e João Bosco pela sonoridade única!

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Já houveram muitas situações citadas na pergunta. Em uma ocasião no carnaval de Salvador – BA que iria tocar com um artista e o trio elétrico disponibilizado pela prefeitura veio em péssimas condições técnicas nos deixando passar uma noite inteira sem dormir e no fim preferindo não tocar. Outra situação inusitada foi tocando como tecladista no Parque da Cidade em Salvador e de repente o teclado começou a emitir sons estranhos, tipo efeitos sonoros (foi um defeito), me deixando tenso, mas felizmente ninguém percebeu que não fazia parte do arranjo (risos). Décio Jr.: Já passei por algumas situações citada na pergunta (riso), certa vez quando tocava com uma banda de Forró de Salvador, fomos fazer um show numa chácara e o palco parecia a todo momento que iria desmontar. Não podíamos nos mexer que o palco balançava, foi um dos shows mais tensos que participei. James José: Tocar uma turnê de festa junina e receber um cheque sem fundo.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Mais feliz poder trabalhar com o que amo e escolhi fazer da minha vida, e mais triste a falta de incentivo, seja familiar ou político. Décio Jr.: Sou bastante feliz com minha escolha, sigo minha carreira de músico e professor de música com satisfação e sempre com vontade de evoluir. O triste disso tudo é o não reconhecimento como trabalho, por parte da maioria das pessoas que conheço, já ouvi várias vezes a pergunta: “sim, mas você trabalha com o que mesmo?” Complicado. James José: O que me deixa feliz é fazer música e o que me deixa triste é as pessoas que utilizam a música para as baixarias.

19) RM: Vocês acreditam que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Nas rádios mais comerciais dificilmente, penso que não, mas buscamos as rádios que tenham um perfil mais educativo, cultural e comunitário, por exemplo já tocamos em um programa da rádio USP. Mas o direcionamento maior atualmente é para as mídias sociais. Décio Jr.: Acredito que não, nas rádios de grande apelo comercial só pagando o jabá. Estamos investindo na divulgação em redes sociais particulares e da banda, além de rádios comunitárias. Talvez, se conseguíssemos um alcance nacional com nossas músicas, as grandes rádios abririam espaço para nós. James José: Só funciona com grana!

20) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Que pesquise, estude e trabalhe seriamente, e esteja sempre com a mente aberta para novos aprendizados, respeitando os diferentes e criando outras conexões além dos musicais. Décio Jr.: Tenho vários alunos que desejam trilhar a carreira musical, sempre peço a eles que analisem o cenário atual da sua região, que estudem muito, porque muitos pensam que música é tocar o instrumento e já foi… sabe, então procuro incentivá-los a levarem o estudo musical a sério se quiserem alcançar o profissionalismo. James José: Acredite, estude e sempre esteja atualizado.

21) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Todos possuímos a capacidade inata de fazer música. E dom musical são algumas habilidades mais desenvolvidas por motivos que podem ser diversos, experiências desde o ventre materno que tiveram grande importância ou constância para um ser. E assim o deixa já um pouco à frente de outros que em suas experiências colocaram foco em outras percepções. Décio Jr.: Não acredito muito nessa coisa de dom… Creio mais no compromisso e dedicação da pessoa ao estudo musical. Porém, vale ressaltar que algumas pessoas têm uma predisposição aos estímulos musicais mais apuradas que outras, mas todo mundo pode se desenvolver musicalmente respeitando o seu processo de aprendizagem. James José: Percepção rítmica para mim já é um dom musical!

22) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Festival de música é positivo para movimentar o trabalho e buscar novos contatos. O perigo é achar que o festival irá promover a banda/artista como foi nos anos 60,70,80 e tirar o foco da produção independente de conteúdos e comunicação com o público. Décio Jr.: Gosto muito de Festivais de Música, já participei e promovi também alguns durante a minha vida musical. Favorece a produção musical autoral, movimenta o cenário musical da região. O que vejo de ruim é que depois do festival poucos artistas ou bandas se sustentam e acreditam que o festival será salvação para eles. James José: Os festivais sempre serão incentivo para os novos talentos!

23) RM: Festivais de Música revelam novos talentos?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Creio que podem revelar. O Festival de Música precisa ganhar reconhecimento primeiramente e assim se tornar tradicional em determinada região para assim revelar esse artista localmente primeiro e isso pode ajudar na expansão desse trabalho. Décio Jr.: Sim, os Festivais têm esse alcance, projetam novos artistas muitas vezes não conhecidos da própria região. Importante frisar que o Festival é mais um meio de divulgação do trabalho, é preciso pensar além. James José: Com certeza revela novos talentos.

24) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Banda Triunfantes: Rick Solar: A grande mídia quer mostrar o que já tem audiência, naturalmente, ou o que tem um potencial massificante. Outra forma de entrar nessa programação é investindo financeiramente. No entanto com a internet existe a possibilidade de criar um público, trabalhando bastante é claro, com um investimento mais baixo financeiramente e tendo uma boa audiência buscar contatos e acessar esses veículos oportunamente. Não é fácil, mas temos que acreditar e fazer nossa parte. Décio Jr.: A grande mídia só investe em músicas de apelo comercial e que já tem um público garantido. Temos uma diversidade musical gigantesca no Brasil e isso não é valorizado por essas grandes corporações. Quem tem um trabalho musical diferente do que é veiculado pela grande mídia, precisa utilizar de outros meios de comunicação como as redes sociais para divulgar suas músicas e formar público, para depois, talvez, conseguir um espaço na mídia comercial, é o processo inverso. James José: Acho um incentivo sempre que a grande mídia abre espaço para os verdadeiros artistas, cada vez mais devemos preservar o que temos de melhor na nossa Cultura Musical Brasileira.

25) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Acredito que são positivos e deveria haver mais espaços assim. Já toquei com outros artistas na rede Sesc e Sesi, esse ano fizemos a inscrição para o Itaú Cultural, mas ainda não foi dessa vez (risos). Lançamos nosso EP logo quando a pandemia do Covid- 19 havia chegado ao Brasil e teremos que esperar para tentar fazer nosso lançamento nesses espaços também. Décio Jr.: Acho de extrema importância a existência desses espaços, pois dão vez àqueles artistas da cena alternativa da música brasileira. Poderiam existir mais espaços como esses, justamente para valorizar as novas músicas que vem por aí. James José: Um grande incentivo para nós artistas brasileiros.

26) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Vejo que alguns músicos conseguiam trabalhar nesse circuito aqui em São Paulo, eu já não tenho atuado nele há algum tempo. Nesse momento que passamos, com a pandemia do covid-19, tudo parou e quem vivia desse circuito teve que se reinventar ou ficou numa situação difícil. Décio Jr. Nossa, aqui em Senhor do BonfimBA, o circuito de Bar é voltado praticamente a dois estilos musicais… e temos vários bares… Somente um é aberto a outros estilos. Com a pandemia Covid-19 tudo parou e ficou bem mais difícil. Até o Forró, ritmo característico da região, tem perdido espaço. Somente no período do São João a cidade é reconhecida como a Capital Baiana do Forró, mas depois que passa esse período tudo se reduz a dois estilos somente. James José: Com certeza, toco percussão acompanhando cantores de MPB.

27) RM: Fale sobre a musicoterapia.

Banda Triunfantes: Rick Solar: Já ouvimos falar sobre a utilização da música com fins terapêuticos desde a antiguidade. No Egito com Imotep e Grécia com Platão por exemplo. No entanto a sistematização do que hoje chamamos Musicoterapia só veio acontecer no século XX, após a segunda guerra mundial. Nos EUA foram contratados músicos para tocar aos egressos da guerra, que sofriam problemas tanto de ordem física, emocional, sendo notados resultados positivos que levaram a uma pesquisa mais profunda unindo músicos e terapeutas nesse processo. Algumas disciplinas referência são: Terapia Ocupacional, Psicologia Geral, Medicina, Educação Especial, Educação Musical, Psicoterapia, Psicologia da Música, Antropologia, entre outras.

A Musicoterapia divide-se em duas linhas de abordagem, a Receptiva e a Interativa. Na Musicoterapia Receptiva trabalha-se com músicas gravadas, após uma anamnese e levantamento de histórico pessoal e musical criamos playlists e normalmente a pessoa deita-se para escutar uma sequência de músicas. E depois pode-se conversar sobre a experiência, o que moveu de lembranças e emoções. Já a Musicoterapia Interativa trabalha com execução de instrumentos, canto ou objetos sonoros, seja improvisando, recriando ou compondo músicas que auxiliem nas demandas em questão. O musicoterapeuta pode utilizar as duas abordagens durante as sessões de acordo com as necessidades ou planejamento.

28) RM: Quais os benefícios da musicoterapia?

Banda Triunfantes: Rick Solar: A Musicoterapia se apresenta como a utilização da música, ou do som/paisagem sonora, para uma intervenção terapêutica que busca a promoção de saúde e bem-estar, através da otimização da qualidade de vida e melhora de condições físicas, sociais, emocionais, comunicativas, intelectuais ou espirituais. As intervenções devem ser baseadas em um diagnóstico clínico pré existente, na queixa e histórico da pessoa e nas observações cuidadosas do terapeuta, variando os objetivos e atividades em cada caso.

29) RM: Quais os prós e contras da área de musicoterapia?

Banda Triunfantes: Rick Solar: Vejo como positivo da área a possibilidade de ajudar pessoas a se conhecerem melhor, restabelecerem ou desenvolverem funções e encontrarem seu próprio equilíbrio e caminho através de experiências musicais. E como negativo a falta de reconhecimento (ou conhecimento) por ser uma profissão relativamente nova dentro do campo da saúde. Na sessão de Musicoterapia a experiência musical é mais importante do que o objeto, ou seja, o resultado humano vem antes do resultado musical. Então, nesse espaço a música precisa ser viva e sem preconceitos, transcender regras culturais. Isso pode ser muito difícil para uns e para outros pode fazer todo sentido e ser uma vivência libertadora.

30) RM: Quais os seus projetos futuros?

Rick Solar: Estamos com o projeto de gravação de um álbum com dez músicas, em fase de composição. A curto prazo temos algumas lives e projetos de vídeos colaborativos e a médio prazo a produção de um vídeo clipe. Décio Jr.: É isso que Rick falou… Vamos investir cada vez mais na divulgação do trabalho nas redes sociais, lives, vídeos individuais e vídeos em formato de colab. James José: Rodar o nosso país aprofundando as pesquisas musicais e triunfando com nossas canções.

31) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Banda Triunfantes: Rick Solar: (11) 94296 – 8343 / [email protected]

/ https://web.facebook.com/rick.solar.1

Décio Jr.: (71) 99413 – 3727 / https://web.facebook.com/decio.junior.376

James José: https://web.facebook.com/bandatriunfantes / https://web.facebook.com/james.jose.1806 / https://wopita.com/triunfantes_banda

Canal Rick Solar: https://www.youtube.com/channel/UCVNehdG-xH7qPYNZg2qmksg

Canal banda Triunfantes: https://www.youtube.com/channel/UCWjXY4Yml0kyt6QmzjNT9jw

Somos Um – Triunfantes: https://www.youtube.com/watch?v=n5twLrxNPFM

Somos Um – Banda Triunfantes: https://www.youtube.com/watch?v=qGGv38-SMR4&list=PL-ghR0WvZw7mqn5VZHaqLpCd_fmJ5JfuE

Haja Amor – Rick Solar – Ao Vivo: https://www.youtube.com/watch?v=XZtB4Kb-PLE


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.