Banda Diretoria

Banda Diretoria

A banda Diretoria nasceu em 2001, em Porto Alegre (RS), com sua primeira formação contando com Marcelo Salgueiro (vocal e guitarra), João Marcelo (baixo e voz), Sid Poffo (teclados e voz), Márcio Pêxi (bateria e voz). Com o intuito de escrever sobre temas do cotidiano, espiritualidade e positividade, misturando de ritmos influenciados pelo RAP e DUB, passando pelo rock, funk, soul e, principalmente, pelo reggae, a Diretoria apresenta estilo próprio caracterizado pelo groove.

Em 2004 lança seu primeiro disco “DIRETORIA – DI visão RE al e TO tal das RI quezas da Alma” que traz músicas como “Radinho” e “Rojão”, amplamente divulgadas nas rádios do sul do Brasil. Após o lançamento do álbum a banda faz muitos shows como Planeta Atlântida e abertura para a banda americana Living Colour. Logo após a turnê de lançamento a Diretoria entra num hiato em suas atividades retornando somente em 2015 com uma nova formação.

Agora com Otto Gomes no vocal e Roger Gloeden na guitarra a Diretoria lança em 2018 o CD – “Nebulosas” que já emplaca a música “Maré Cheia” nas principais rádios do sul além de vários clipes oficiais. Com nove músicas inéditas e autorais, o CD – “Nebulosas” concretiza a sonoridade da banda fortificando seu estilo tão respeitado por sua base de fãs.

Logo após o lançamento do CD a banda realiza vários shows, lança seu site oficial e inicia sua trajetória nas redes sociais divulgando vídeos de shows, performances acústicas e entrevistas. Iniciando 2021 a banda lança seu novo single chamado “Túnel do tempo” que fará parte do próximo CD da banda.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Otto Gomes, vocalista da banda Diretoria para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 11.04.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a data de nascimento e cidade natal dos membros da banda?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Nasci no dia 11.04.1974 em Osório – RS. Conheci os membros da banda Diretoria na “estrada”; como se diz da carreira musical, por volta dos anos 2000/2001. Porém só ingressei como vocalista oficial no final de 2017. Sid Poffo (Teclados), nasceu no dia 27.01.1970 em Porto Alegre – RS. Marcelo Poffo (Pêxi, Bateria e Voz) nasceu dia 23 de agosto em Porto Alegre – RS. João Marcelo (Baixo e Voz), nasceu no dia 06 de abril em Porto Alegre – RS. Roger Gloeden (Guitarra) nasceu no dia 22 de março em Porto Alegre – RS.

02) RM: Quais as influências musicais no passado e no presente dos membros da banda? Quais deixaram de ter importância?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Pra mim nenhum deixou de ser importante, só passa a fase de escutar tanto. Fui desde Gil e James Brown, até Novos Baianos e Earth Wind & Fire. Mas vivi no vácuo do meu próprio gosto musical uma grande fase no início da vida. Depois chegando aparelho de som em casa, já na adolescência, comecei trabalhar e comprei os dois primeiros do Guns N’ Roses a Raul Seixas, e daí pra frente fui conhecendo pouco a pouco o que o mundo oferecia fora do que eu via na TV.

03) RM: Quando, como e onde começou a carreira musical da banda? E qual o significado do nome da banda?

Banda Diretoria | Otto Gomes: A DIRETORIA é uma banda de Porto Alegre formada em 2001 por amigos que se identificaram em afinidades musicais em comum. É conhecida por misturar gêneros e estilos musicais, não tendo compromisso com “bemóis nem sustenidos”. Faz música brasileira com influências de Reggae, RAP, Rock e muito mais. O significado do nome é: DI visão, RE al e TO tal das RI quezas da Alma. Formação atual: Otto Gomes (Vocal), Marcio Pexi (Bateria), Sid Poffo (Teclados), João Marcelo (Baixo), Roger Gloeden (Guitarra).

04) RM: Quantos discos lançados?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Dois álbuns, dos quais me incluo como participante somente do segundo. Acho os dois álbuns fodas. O álbum “Diretoria” em 2004 e “Nebulosas” em 2018.

05) RM: Como define o estilo musical da banda dentro da cena reggae?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Funk Roots Rock Reggae, se é que isso existe.

06) RM: Como você se define como cantor/intérprete dentro da cena reggae?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Primeiro me sinto lisonjeado em ter a oportunidade de trabalhar com o que amo. E com pessoas que tocam o estilo instrumental que mais admiro de uma que preenche minha alma durante a apresentação. Sobre a cena reggae, posso citar que sou apenas um aprendiz, tem muito artista com mais experiência e conhecimento. Garanto que vou profundamente nos meus sentimentos mais íntimos, deixando a um pedaço da minha alma exposta naquele momento sagrado.

07) RM: Quais os cantores e cantoras que vocês admiram?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Gosto dos Marley, mas também de Nneka, Protoje, Chronixx, India Aire, Keida. E no Brasil curto muitas bandas e companheiros de caminhada: Produto Nacional e Natiruts. Considero-me eclético, mesmo falando dentro do estilo Reggae.

08) RM: Como é o processo de composição musical dentro da banda? Quem faz a letra e melodia?

Banda Diretoria | Otto Gomes: A banda tem uma identidade a qual ao meu ver sou muito fiel. Sinto-me assim. Sou fã e por isso se tornou muito fácil abraçar de corpo e alma o projeto de retorno da Diretoria, com o álbum “Nebulosas”, depois de alguns anos sem lançar novo trabalho. E para mim foi em uma hora um tanto quanto crítica, em que eu já pensava se mudava de ramo e o projeto caiu como uma luva. Buscava me dedicar a um projeto autoral há anos e nunca casou.

Mas enfim, nesses três anos não rolou de participar efetivamente das composições, e também não deu para ter uma música trabalhada, modificada, agregada, efetivamente. Estou sempre amadurecimento os meus projetos e meus processos de criação e composição que por enquanto foram sozinhos ou com outros parceiros. Algumas músicas se encaixam como uma luva para banda. Eu acho. E como meus sons podem ter uma linguagem nova, diferente do que a banda sempre seguiu, há que se ter um cuidado com isso. Isso me proporciona gravar algum material solo, por exemplo, ou dar a música para outros artistas que tenham interesse e se encaixe mais com tal ou tal música específica.

09) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Prol é ter liberdade de ser dono e autor do seu trabalho, de ter toda internet e tecnologia disponível para levar o que você faz, mais e mais longe. Contra é a dificuldade de trabalhos menores concorrerem com artistas gigantes que sempre estão à frente dos projetos de lei de grandes empresas, aí invés de pagar pela apresentação de vários artistas de menor expressão. Poderíamos ter muitos festivais de música quem sabe. Acho que isso deveria ser revisto.

10) RM: Quais as ações empreendedoras que vocês praticam para desenvolverem a carreira musical?

Banda Diretoria | Otto Gomes: É fantástico o que a tecnologia tem nos proporcionado de recurso. Você que tem atitude e faz, se torna naturalmente um ativista agregador e gerador de conteúdo. E é esse o aprendizado de empreendimento que eu tenho buscado. O que tenho feito a mais, à exemplo do guitarrista da banda Roger Gloeden, é produzir mais material em vídeo, além de alimentar as redes com novidades frequentes.

11) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da carreira musical?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Ajuda que em que não depende de ninguém para ter canais ou perfis que possam mostrar e levar as músicas, vídeos e produtos da banda pro planeta quase todo, e quiçá nossas ondas sonoras viajem para outros. Apesar de termos filtros de região, está na internet, está no mundo. O que prejudica não é a Internet, vejo ela só como um meio utilizado para disseminação de informações. Por isso o contra talvez devam ser as fontes da informação. Seguimos na missão.

12) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (Home Studio)?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Vejo que esse acesso a home estúdio traz muito mais praticidade e velocidade ao processo de produção musical, sem contar com a mobilidade. Eu, prezo em primeiro lugar a atitude de fazer, de dividir compartilhando mesmo a ideia do trabalho, debater, achar caminhos e se possível fechar a música. Porém nem todo processo de criação é assim rápido. Nem deve. O que deve e termos prazos, nem que sejam remarcados. Trabalho deve ser levado como tal, até o artístico, não concordam? Isso é difícil, mas aos poucos chego lá.

13) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que vocês têm como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Gilberto Gil, Tonho Crocco, Marcelo Falcão, Chronixx, Natiruts, Seu Jorge, Elza Soares, Ray Charles e muita coisa relacionada a Sound System.

14) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Muitas coisas aconteceram na estrada. Teve um tombo de um colega no fim do solo de percussão em que ele ficou de pernas pro ar, e a reação do público foi engraçada. Ele não se machucou. Outra vez numa entrevista, o repórter da cidade anunciando meu show, cheio de questionamentos, iniciou a entrevista dizendo: “estamos aqui com Otto Gomes“, só que entrevistando outra pessoa. Numa outra queriam que eu fizesse o show num palco na chuva, cheio de fios elétricos no chão, logicamente fui embora. Outra, o cara contratou, e no dia do show a casa estava fechada. Também já rolou de uma moça na hora da foto, dar aquela avançada no sinal, puxando minha cabeça para roubar um beijo, mas eu estava acompanhado. Foi bem desconfortável.

15) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Compor, elaborar o show e apresentá-lo é o que me deixa mais feliz. O que me deixa mais triste é o fato de como os artistas de menor exponencial são tratados no Brasil.

16) RM: Vocês acreditam que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Com a internet, acredito que o jabá foi bastante reduzido, mas sim, pros meios de divulgação tradicionais como rádio, acho que ainda rola o pagamento do jabá. Existem algumas exceções como o Julio Furst que toca o que ele acha bom.

17) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Trabalhe muito para lançar conteúdo na internet diariamente.

18) RM: Como vocês analisam a relação que se faz da música reggae com o uso da maconha?

Banda Diretoria | Otto Gomes: É um estigma. Maconha é tão popular e tão leve quanto cerveja. Hoje em dia qualquer pessoa usa escutando Bossa Nova ou Pagode, há inclusive o uso medicinal. Porém, o preconceito ainda é grande. Existe uma relação sim, mas não é uma regra. Fuma quem quer, bebe quem quer.

19) RM: Como você analisa a relação que se faz da música reggae com a religião Rastafári?

Banda Diretoria | Otto Gomes: São coisas totalmente diferentes.

20) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como vocês analisam tal afirmação?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Reggae verdadeiro é o que tem alma.

21) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Acho que a popularização de outros ritmos que dominaram o país. A cultura que se planta é a cultura que se colhe.

22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Existe o dom, mas também existe a dedicação e o trabalho duro. Alguém cheio de dom, pode não chegar onde chega alguém que se dedica muito. O trabalho e a dedicação também constroem o dom.

23) RM: Quais os prós e contras de você atuarem no formato Sound System?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Não vejo contras, só prós.

24) RM: Quais os prós e contras de soltar o playback já mixado e fazer a mixagem ao vivo?

Banda Diretoria | Otto Gomes: A mixagem pronta pode ser mais prática, a feita na hora, mais orgânica. As duas podem ser boas, acho que é questão de gosto. Poderia afirmar com certeza se já tivesse feito as duas formas, mas tenho trabalhado totalmente organicamente nesses 30 anos.

25) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Parcial. A grande mídia busca a maior audiência possível, é um negócio. Então geralmente se vê lá as figuras mais carimbadas do momento. Resta pouco espaço nela para artistas que ainda não atingiram a dimensão que ela dá notoriedade mesmo que tenham grande qualidade.

26) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Acredito que sejam espaços ótimos, basta buscar contatos pra chegar até esses meios.

27) RM: Banda Diretoria, Quais os seus projetos futuros?

Banda Diretoria | Otto Gomes: Continuar compondo e procurar gravar e lançar os trabalhos pela web com a maior frequência possível.

28) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Banda Diretoria | Otto Gomes: (51) 99779 – 9979 | [email protected] | https://bandadiretoria.com.br

| https://web.facebook.com/bandadiretoria

| https://www.instagram.com/bandadiretoria

| Canal: https://www.youtube.com/channel/UCFUkjoL1exoHzBlVUB7O_sA

| https://open.spotify.com/artist/17gPjYVTBTX0LYiMyO2Mfm

| https://www.deezer.com/br/artist/7844026

| Todos os links da Banda Diretoria: https://linktr.ee/Bandadiretoria

Diretoria – Diretoria [2001]: https://www.youtube.com/watch?v=l64wIdFeEHc

Produto Nacional e Diretoria: https://www.youtube.com/watch?v=rhivwBGet7M

Radar | TVE – Diretoria + Acústico Reggae -19/12/2017: https://www.youtube.com/watch?v=kGOJxYZ8zuE


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.