Banda de Pau e Corda

Banda de Pau e Corda

Banda de Pau e Corda lançou disco de inéditas após 29 anos e busca dialogar com diferentes gerações de artistas nordestinos grupo pernambucano imprime sua marca em novo álbum que mistura temáticas regionais, canções românticas e letras de cunho político.

Em atividade desde 1972, a Banda de Pau e Corda é um dos grupos mais longínquos da música popular brasileira. Integrante de um movimento de renovação da sonoridade criada no Nordeste que tinha como epicentro o Recife, o grupo foi responsável, junto a nomes como Quinteto Violado, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, por criar uma canção popular urbana com características marcadamente nordestinas. E fez disso a sua missão. Após quase 30 anos sem entrar em estúdio para gravar um trabalho solo, o grupo lançou, no último dia 23 de abril, um novo álbum. Missão do Cantador, título que dá nome ao álbum e também à sua faixa de abertura, marca uma espécie de retorno da Banda de Pau e Corda em sua essência. O álbum sai pela Biscoito Fino com produção assinada por José Milton e capa de Elifas Andreato.

Apesar das mudanças em sua formação original, o grupo se mantém fiel à sonoridade que o colocou no rol dos clássicos da música popular brasileira. O diálogo entre a flauta e a viola, os vocais sempre presentes e, sobretudo, a maestria de sua “poesia cantada” – como frisou Gilberto Freyre ainda no primeiro disco do grupo, estão presentes nesse novo trabalho. Para isso, o grupo contou com a produção de José Milton, responsável por lançar, ainda em 1973, o grupo no mercado fonográfico. Profissional de longa e importante história na MPB, José Milton iniciou sua trajetória como produtor musical justamente com a Banda de Pau e Corda, e com ela seguiu caminhando junto nos primeiros 7 álbuns.

Os arranjos são, em sua maioria, assinados por Zé Freire, também violonista do grupo. Das 13 canções que integram o trabalho, apenas 2 possuem assinatura de Waltinho, um dos fundadores da Banda e arranjador de todos os trabalhos anteriores. Inspirado na estética definida por Waltinho ao longo de décadas, Zé Freire criou os demais arranjos tentando construir pontes entre o passado e o presente, respeitando toda a história da Banda de Pau e Corda, mas apontando caminhos futuros.

Esse diálogo entre gerações também se faz notar na escolha das participações especiais. Na parte instrumental, o mestre Gennaro participou tocando sanfona na canção “Estrela Cadente” (Waltinho/Sérgio Andrade) e Alexandre Rodrigues, também conhecido como Copinha, tocou pífano na música Fogo de Braseiro (Sérgio Andrade), cujo arranjo dialoga diretamente com o clássico “A briga do cachorro com a onça”, composição de Sebastião Biano, da Banda de Pífanos de Caruaru. A mesma canção conta também com a participação especial do paraibano Chico César. Além de ser um artista de quem somos fãs, “Fogo de Braseiro” é uma letra com forte teor político e Chico é um dos artistas que melhor consegue traduzir isso em suas canções”, destaca Sérgio Andrade, cantor, compositor e um dos fundadores da Banda.

Outro artista convidado a participar foi o maranhense Zeca Baleiro. Com interpretação marcante, Zeca divide os vocais com a Banda de Pau e Corda na canção “Tudo Num Balaio Só”, música inédita de autoria de Murilo Antunes em parceria com Natan Marques. “Quando Murilo me apresentou essa música, a primeira voz que eu imaginei foi a de Zeca Baleiro. Antes mesmo de me imaginar cantando a canção, eu só conseguia ouvir a voz de Zeca“, revela Andrade. Para fechar a lista de participações, a Banda de Pau e Corda convidou o cantor Marcello Rangel, integrante da nova cena da música pernambucana reunida no movimento Reverbo, para gravar voz e violão no frevo “Quer Mais o Quê?”, de sua autoria. A canção foi apresentada à Banda pelo autor no finalzinho de 2019 e imediatamente adotada pelo grupo já no carnaval de 2020. A capa do álbum Missão do Cantador, assinada pelo artista plástico Elifas Andreato, reedita uma parceria que teve início nos anos 1970. Mais especificamente em 1978, quanto Elifas criou uma das obras mais icônicas de sua extensa e premiada carreira: o LP – “Arruar”, da Banda de Pau e Corda, que é um marco na trajetória do artista e também do grupo. Trazendo sobre o fundo preto uma caveira de boi crucificada, o artista conseguiu transmitir com excelência a mensagem que a Banda levava em suas canções. Sobre o mesmo fundo preto, saem as imagens da seca, entram as cores de um nordeste contemporâneo. E aqui parece estar guardada a verdadeira missão dos cantadores reunidos na Banda de Pau e Corda desde sempre. Ainda em 1973, Roberto Andrade – fundador do grupo falecido em 2017 – já destacava: a Banda de Pau e Corda canta o Nordeste de hoje porque é nessa região que ela vive e busca suas inspirações. Mas sua música não se pretende regional. É música popular nordestina e brasileira. É a Banda de Pau e Corda de hoje e de sempre.

A ficha técnica “Missão do cantador” (pela Biscoito Fino), produzido por José Milton, produção executiva: Rafael Moura, Ampliar Produções. Capa: Elifas Andreato. Arranjos: Zé Freire (exceto faixas 2 e 12) e Waltinho (faixas 2 e 12). Participações especiais: mestre Gennaro (sanfona em “Estrela Cadente”), Zeca Baleiro (voz em “Tudo Num Balaio Só”), Chico César e Alexandre Rodrigues (respectivamente voz e pífano em “Fogo de Braseiro”) e Marcello Rangel (voz e violão em “Quer Mais do Quê?”). Músicos convidados: Corró Zabumbeiro (em “Estrela Cadente”), Raminho da Zabumba (em “Fogo de Braseiro”) e Julio Cesar Mendes (sanfona em “Desvario”). Banda de Pau e Corda (formação): Sérgio Andrade (voz, percussão e vocal), Júlio Rangel (viola e vocal), Sérgio Eduardo (contrabaixo), Zé Freire (violão e vocal), Yko Brasil (flauta transversal e pífano), Alexandre Baros (bateria, percussão e vocal).

Segue abaixo entrevista exclusiva com a Banda de Pau e Corda para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 25.08.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a data de nascimento e cidade natal dos membros da banda?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade (voz e percussão), nasceu no dia 31.12.1955 em Recife – PE. Sérgio Eduardo (contrabaixo), nasceu no dia 21.10.1964 em Rio de Janeiro – RJ. Júlio Rangel (viola e vocal), nasceu no dia 29.10.1982 em Campina Grande – PB. Yko Brasil (flauta), nasceu no dia 24.08.1982 em Recife – PE. Zé Freire (violão e vocal), nasceu no dia 14.09.1989 em Recife – PE. Alexandre Baros (bateria e vocal), nasceu no dia 28.01.1988 em Recife – PE.

02) RM: Como foi o primeiro contato dos membros da banda com a música.

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade, ainda muito criança, com meus 8 a 10 anos de idade, costumava ouvir meu avô, Manoel Rabelo, cantarolar pela casa canções folclóricas, dos folguedos; bumba- meu-boi, umbigada, reisado, pastoril e muitas outras manifestações. Minha mãe, por sua vez, era uma poetisa nata, escrevia poemas lindos que nunca foram publicados. Então cresci nesse ambiente. Mais tarde, já aos 14 ou 15 anos de idade, comecei, junto com meus irmãos Roberto Andrade e Waltinho, ambos também fundadores da Banda de Pau e Corda, a compor para participar de festivais de música em nossa cidade. Ai, um belo dia, em 1971 nós conhecemos uma rapaziada que estava tocando num pequeno bar fechado, no centro do Recife, porque tínhamos ouvido falar muito deles, formavam um grupo musical que ainda estava no começo, era o Quinteto Violado. Fizemos amizade e logo em seguida formamos o nosso próprio conjunto, e foi o saudoso Toinho Alves, contrabaixista e fundador do Quinteto Violado, quem nos sugeriu colocar em nosso grupo o nome “Banda de Pau e Corda”. Daí por diante, eu segui na música até os dias atuais e assim pretendo seguir.

Sérgio Eduardo: O meu primeiro contato com a música foi através do meu avô que tocava violão.

Júlio Rangel: Desde que nasci, por ser filho e sobrinho de músicos, professores de Conservatório e UFPB/UFPE. Comecei estudando piano aos 7, e até os era meu único instrumento, quando aos 12 comecei a tocar teclado profissionalmente e a aprender violão. Desde então fui ficando com as cordas e o piano foi virando um instrumento auxiliar. Quando entrei na banda, aos 19 anos, já tinha o violão como instrumento principal e alguns contatos com a viola por aproximação com a Oficina de Cordas de Pernambuco e por que já possuía um Violão de 12 cordas.

Yko Brasil: Através da participação em bandas marciais.

Zé Freire: Através do meu pai que toca violão, minha mãe que canta muito bem e dos discos dos meus irmãos mais velhos, que não tocam, mas tem um excelente gosto musical.

Alexandre Baros: Tive o privilégio de nascer e crescer em um território muito fértil de música, em especial de música percussiva. Caboclinhos, Maracatus de Baque Solto e Virado, Escolas de Samba, Afoxés, La Ursas e Orquestras de Frevos sempre fizeram parte da minha vida desde a infância. Montar um bloco com uma turma tocando, um boneco gigante improvisado e umas crianças pedindo dinheiro, eram algumas de nossas diversas brincadeiras de Carnaval. A música existe na minha vida desde que me entendo por gente, nunca fiz nada longe dela.

03) RM: Qual a formação musical e acadêmica fora música dos membros da banda?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: cursei até o segundo grau e depois fui para o mundo cantar. Senti desde cedo que era isso que eu queria, era pra isso que tinha vindo a este planeta. Não cursei nenhum conservatório e nem escola de música porque nem deu tempo, pois já aos 16 anos comecei profissionalmente. Meu instrumento é a minha voz, mas toco um pouco de Violão, caseiro mesmo, só para compor minhas canções porque na Banda quem sempre tocou o violão foi o Waltinho, meu irmão, e hoje é o Zé Freire.

Sérgio Eduardo: Não tenho formação musical formal, sou autodidata. Fora da música tenho o segundo grau completo.

Júlio Rangel: Estudei música com meu pai e meu tio (professores da UFPE e Conservatório Pernambucano de Música, respectivamente) e na Escola de Música Contemporânea Tritonis. Também me formei e pós-graduei em Design Gráfico e Design de Interfaces Digitais.

Yko Brasil: Estudei saxofone na Escola de Artes João Pernambuco no ano de 1998, situada no bairro da Várzea e como Flautista autodidata.

Zé Freire: Licenciado em música pela UFPE – Universidade Federal de Pernambuco.

Alexandre Baros: Eu sou deformado em Licenciatura em Música pela UFPE – Universidade Federal de Pernambuco, também estudei no Conservatório Pernambuco de Música e no Centro de Educação Musical de Olinda. Desde os 9 anos, fui aluno de todos esses maravilhosos órgãos públicos responsáveis pela formação musical e de professores de música em Pernambuco. Lá tive a oportunidade de estudar com pilares da nossa música, como o mestre da bateria Mauricio Chiappetta. Mas acredito que minha grande escola foram os palcos e os estúdios. Iniciei minha carreira aos 16 anos de idade apresentando um programa de rádio sobre a produção independente da periferia do Recife e desde então trabalho profissionalmente com música. Tudo o que fiz e tive que aprender, foram para sustentar a missão de percutir os sons pelo mundo. Também tenho trabalhos com Produção Musical, Moda, Iluminação, Audiovisual. Mais sobre minha vida e meus trabalhos em www.alexandrebaros.com

04) RM: Quais as influências musicais no passado e no presente dos membros da banda? Quais deixaram de ter importância?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: No começo, as influências vinham dos festivais nacionais de música que estavam muito presentes nos ambientes que eu frequentava, que era exatamente o meio estudantil. Vivíamos um momento de grande conturbação social e política, então era natural que compositores como Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Edu Lobo, Chico Buarque, Sérgio Ricardo, entre outros, servissem de inspiração naquele momento. Mas eu sempre tive um gosto musical bem eclético, ia do Luiz Gonzaga ao Hermeto Pascoal, do Dominguinhos à Rita Lee, nunca me prendi a estilos e gêneros musicais. Pra mim, música sempre foi a de tocar no coração, seja ela para protestar, para sonhar, para amar, para alegrar, ou simplesmente para um desvario qualquer. Hoje não posso então dizer que essas influências deixaram de existir, elas simplesmente tomaram formas diferentes, mas estão ainda enraizadas em tudo o que eu componho e canto.

Sérgio Eduardo: minhas influências musicais foram e são principalmente o rock e a MPB dos anos 60 e 70 que acompanharam a minha infância e adolescência e continuam a ser até hoje.Júlio Rangel: sempre fui bastante eclético tanto para ouvir quanto para tocar música, no que se refere a gêneros, instrumentos e afins. Não consigo eleger uma influência específica pessoal, tenho diversas influências para cada gênero e instrumento que toco, mas a nível da Viola, que é meu instrumento na banda, posso citar violeiros como Heraldo do Monte, Adelmo Arcoverde, Roberto Corrêa, Almir Sater, Tião Carreiro, Chico Lobo, mas muito fortemente grupos pernambucanos como Oficina de Cordas de Pernambuco e Orquestra de Cordas Dedilhadas, além, é claro, da própria Banda de Pau e Corda.

Yko Brasil: Leo Gandelman, Proveta, Moacir Santos, Pixinguinha, Dominguinhos, Altamiro Carrilho, Cartola, entre outros.

Zé Freire: Música brasileira em geral e rock (principalmente anos 70)

Alexandre Baros: Eu escuto muita música todos os dias, de várias vertentes, estilos e estéticas. Dessa forma, todo esse conjunto de sons acaba me influenciando, querendo ou não. É bem difícil eu detalhar aqui porque é algo realmente muito vasto. Só não escuto música onde as letras estão falando besteira ou dando ideia errada para as pessoas, essas aí eu pulo. Mas os sons dos grupos percussivos de cultura popular acabam sendo a minha grande influência para esse disco “Missão do Cantador”. Me sinto somente o canal que leva essa pulsação e esses ritmos tão peculiares para esse som onírico que é feito na Banda de Pau e Corda.

05) RM: Quando, como e onde começou a carreira musical da banda? E qual o significado do nome da banda?

Banda de Pau e Corda: Começou exatamente no ano de 1972 com a sua formação inicial, tendo nesse ano o seu batismo com o nome “Banda de Pau e Corda”, nome sugerido por Toinho Alves, do Quinteto Violado que surgiu um ano antes, em 1971. Por isso marcamos esse ano, 1972 como o ano de nascimento da Banda de Pau e Corda. Estamos hoje nas vésperas de completar o nosso cinquentenário, em 2022, e prometemos uma grande festa que será comemorada certamente com uma grande turnê e mais um álbum.

06) RM: Quantos discos lançados?

Banda de Pau e Corda: Nós lançamos 16 álbuns, entre LPs, CDs e coletâneas. Em ordem cronológica: Vivência (1973), Redenção (1974), Assim… Amém (1976), Arruar (1978), Frevo – Pelas Ruas de Recife (1979), Nossa Dança (1981), Disco de Ouro – Linha 3 (1981), Coisa da Gente (1982), O Maior Forró do Mundo (1986) – com Quinteto Violado, Nana Rocha e Pinto do Acordeom, O Outro Lado da Banda (1990), Cristalina (1992), Acervo Especial – Banda de Pau e Corda (1994), O Melhor da Banda de Pau e Corda (1995), 2 em 1 – Vivência e Redenção (2001), 45 Anos ao Vivo (2019), Missão do Cantador (2021).

07) RM: Como define o estilo musical da banda?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: a Banda de Pau e Corda sempre foi tida como um grupo de música regional, mas eu não definiria assim o seu som. Não que eu tenha algo contra, mas porque acho que música regional é aquela que traduz explicitamente valores especificamente regionais, exemplo, se a Banda fosse um grupo que cantasse cirandas, ou forró, etc., o que não é o nosso caso. Fazemos música popular brasileira, mas é claro que temos o Nordeste em nosso DNA. Então quando compomos, tem sempre um ingrediente nordestino, uma levada, uma harmonia mais característica, alguns temas que se inspiram na região. Isso não determina necessariamente que somos um grupo regional, apesar do que isso também não nos desagrada, pelo contrário, apenas consideramos uma avaliação errônea nesse sentido. Se quiser mesmo que eu responda com a minha propriedade, diria que é um grupo que faz música popular brasileira com suas influências musicais e culturais extraídas do nordeste brasileiro.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: canto desde os 16 anos de idade, sempre fui afinado, tanto que na banda sempre tive a função de cantor solista. No início, é claro que tinha uma voz mais infantil, dá pra perceber bem isso escutando os primeiros LPs, pois era ainda um adolescente. Com o tempo, a minha voz foi tomando corpo e se definindo mais, criando personalidade, e isso sempre foi uma coisa natural, nunca fiz escola de canto. Acho que interpreto as canções da banda com muita propriedade porque são na sua grande maioria canções autorais e quando cantamos aquilo que criamos, nos sentimos mais à vontade para dar a essas canções o nosso toque de particularidade, de personalidade mesmo. Damos vida aos personagens da canção, aos sentimentos que nela existem.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que vocês admiram?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: Além dos artistas que todos nós citamos acima como referências em nossa formação, existem mais alguns. No Brasil existem inúmeros cantores e cantoras fantásticas, algumas já nos deixaram, como é o caso da Elis Regina, que sempre admirei muito a voz e a interpretação dela. Mas graças a Deus a safra é grande, posso dizer que adoro a voz da Mônica Salmaso, do Caetano Veloso. Costumo também ouvir muita gente dessa nova safra da música brasileira, e que passei a ser muito fã: o PC Silva, do Recife, é um poeta impressionante e tem letras lindíssimas, assim como a Juliana Linhares que lançou recentemente um álbum fantástico. A Maísa Moura que também está lançando um disco muito bonito e canta muito bem, o Chico César que sou fã desde sempre, o Zeca Baleiro que tem um trabalho incrível e interpreta com muita personalidade, o mestre Gennaro que me faz matar a saudade do Dominguinhos, pois ele tem a mesma pegada na sanfona e a voz tem aquele mesmo timbre, mas é tudo natural. Gosto muito também do Marcello Rangel, outro pernambucano que está despontando na nova safra.

10) RM: Como é o processo de composição musical dentro da banda? Quem faz a letra e melodia?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: no início da Banda a grande maioria das canções era feita pelos meus irmãos Waltinho, que sempre fazia as melodias, e Roberto Andrade, que fazia as letras. Aos poucos fui me colocando também como letrista. Fiz algumas canções em parceria com Waltinho e outras com o nosso primo Paulo Rezende, que também foi o nosso contrabaixista no início da banda. Hoje eu faço a maioria das canções, música e letra. Nesse álbum atual, o Missão do Cantador, tenho 11 composições minhas, sendo oito com música e letra minhas, duas em parceria com Waltinho e uma em parceira com Waltinho e Roberto Andrade. Atualmente eu componho a letra já fazendo uma melodia, me sinto mais confortável, acho que já vou acomodando o texto em seu devido lugar. O que não significa dizer que eu não goste de parcerias, é só uma questão de costume mesmo, de querer já sentir como fica a letra apoiada numa melodia que muitas vezes tem que sofrer várias modificações até ficar do jeito que eu ache que casam bem. Em muitas ocasiões eu guardo só a letra e deixo a melodia para um parceiro que possa expressá-la de outra forma, mas costumo mesmo compor dessa maneira. Outra característica minha é a de compor no meio da madrugada. Acordo sobressaltado com uma letra e melodia na cabeça, fico na cama com ela no meu ouvido, como se estivesse escutando, então levanto, pego o meu celular e canto gravando para não esquecer quando o dia for amanhecer. Já amanheci com uma letra e melodia pronta, só tive mesmo o trabalho de gravar, aí eu digo que é uma parceria com alguém lá de cima.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: acho que, quando você tem independência em sua carreira, seja ela qual for, você tem que ter maturidade para enfrentar desafios, que na minha profissão são inúmeros. Começando pela dificuldade no planejamento adequado, pois isso não é uma tarefa fácil para o artista. Passa por uma profissionalização de carreira que geralmente o artista não sabe lidar. Hoje temos a internet para facilitar a nossa vida, mas para lidar com ela adequadamente, de forma profissional e que traga resultados positivos no seu trabalho, tem que ter gente por trás fazendo acontecer, porque o artista dificilmente vai saber lidar com essas questões. Por outro lado, ter independência significa poder dar à sua carreira o rumo que você sonha, sem a interferência de marketing de mercado que possa influenciar na sua escolha de fazer exatamente aquilo que gosta, que está na sua alma, seu DNA. Cabe aí fazer uma avaliação e tentar conciliar, sempre que possível, as duas coisas.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que vocês praticam para desenvolverem a carreira musical?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: temos hoje um produtor que nos auxilia muito nessa área de empreendedorismo e na do marketing, o Rafael Moura. Ele pensa 24 horas por dia na Banda de Pau e Corda. Temos tido nos últimos anos, de 2017 para cá, resultados muito importantes porque ele trabalha hoje sempre pensando no amanhã. Mal termina uma ação e ele já está com outra engatilhada. O planejamento tem sido uma arma constante que ele utiliza para todas essas ações. Não pensamos no resultado financeiro em primeiro plano, sempre pensamos no resultado do trabalho em si, o que ele vai proporcionar na imagem do grupo, na satisfação do nosso público que para nós está sempre em primeiro lugar. Sem o público não existe a Banda, é assim que pensamos e nossas ações empreendedoras visam sempre isso, satisfação do nosso público. O Rafael procura sempre que possível adequar a situação financeira do momento com o seu planejamento, mas sempre buscando soluções para desenvolver suas ações para que a Banda possa ter sempre uma visão de futuro. Temos investido muito em shows em teatros, gravações ao vivo, vídeos para youtube, gravados nessas apresentações em teatros, e recentemente com a gravação desse novo álbum Missão do Cantador, que teve todo o planejamento e produção executiva dele, do Rafael Moura. Além disso, estamos desenvolvendo diversos produtos como camisetas, canecas, imãs de geladeira, ecobags e outros tantos que são vendidos pela internet e – quando era possível – também em nossos shows em teatros. Isso ajuda a compor nossa receita.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da carreira musical?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: a internet tem sido hoje uma grande aliada no desenvolvimento de nossa carreira musical. Temos utilizado a tecnologia ao nosso favor porque ela nos proporciona velocidade no alcance de objetivos ligados ao nosso planejamento profissional. Através da internet nós vamos aonde não poderíamos estar no momento. Lançamos uma música hoje nas redes e amanhã já tem gente cantando no outro lado do mundo e isso é fantástico e tem que ser bem aproveitado, mas precisa de alguém que entenda dessa tecnologia para que o resultado seja satisfatório. E aí entra a figura do produtor porque na maioria das vezes o próprio artista não sabe lidar com isso. No nosso caso, o Rafael está sempre à frente cuidando também dessa área porque se você não utiliza a internet da forma correta, o resultado pode ser inverso, até mesmo catastrófico, pois do mesmo jeito que ela pode catapultar a sua carreira, também pode enterrar seus planos jogando você no limbo. Fazer o uso de forma adequada, profissional, significa postar coisas de qualidade e não estou falando de gosto musical, porque isso é muito pessoal. Quando falo de qualidade estou querendo dizer boas imagens, com boas resoluções, bons cenários, boa iluminação, boas gravações com um som de qualidade, postar no momento certo, na hora certa, com estudo sobre esses momentos, entre outras coisas. Ai sim, a internet estará remando a seu favor. E é nesses termos que afirmo que a internet tem nos ajudado muito no desenvolvimento de nossa carreira.

14) RM: Como vocês analisam o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: falar no cenário musical brasileiro sem falar de política cultural é quase impossível. Existe hoje em andamento acelerado um desmonte de tudo o que foi conquistado pela classe nos últimos vinte anos. A extinção do Ministério da Cultura foi uma aberração impressionante, uma falta de sensibilidade e sintonia com o que é de mais importante numa nação, a sua identidade cultural. Mas falando especificamente no atual cenário da música brasileira, eu acho que temos assistido grandes momentos, apesar das dificuldades que temos vivido exatamente pela falta dessa política cultural a que me referi anteriormente. A música se reinventa sempre, e nesse contexto tenho visto muita gente boa aparecer no cenário. Nas últimas décadas vi nascer movimentos como o Reciclo Geral, em Minas Gerais, a turma da chamada Nova MPB, no eixo Rio/São Paulo e finalmente o Reverbo, aqui no Recife. Esse último eu conheço de perto e posso dizer que trouxe à tona cantautores do mais alto nível que estão dando novo gás à canção pernambucana. Surgiram durante esse período no país artistas como Duda Brack, Juliana Linhares, PC Silva, Flaira Ferro, Júlia Vargas, Makely Ka, Maisa Moura, Isadora Melo, muita gente que está na estrada mostrando um trabalho incrível! Falar de quem regrediu eu não saberia. Pra mim não existe essa regressão. Todos de uma forma ou de outra estão progredindo, cada um à sua maneira, e aqueles que ainda não deram o seu passo à frente, acredito que estejam sentindo com maior intensidade os efeitos desse desmonte nefasto de nossa cultura promovido pelo atual governo federal.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (Home Studio)?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: a maior vantagem acredito que seja, além da facilidade para quem não tem uma gravadora contratada, o fato de o artista ter o tempo ao seu favor. Com o home studio não existe prazo para iniciar e finalizar uma gravação, tudo pode ser feito com mais calma, sem a pressão do ter que terminar por causa do período contratado num estúdio convencional. Sem essa pressão, o artista tem mais poder de analisar o que deu certo e o que não deu e refazer quantas vezes achar necessário determinados trechos da gravação, maturar mais os ouvidos, revisar, e por fim finalizar o áudio. A desvantagem é a de não ter possivelmente todos os recursos que existem num estúdio profissional, a ambiência sonora adequada também é um desafio para quem pretende gravar de forma mais orgânica, mas de uma forma geral acho que é uma opção muito positiva. Geralmente utilizamos o home studio apenas para laboratório antes de entrarmos num estúdio de gravação convencional. No processo de produção do álbum “Missão do Cantador” nós utilizamos o home studio (Ofá Produtora de Arte) do nosso baterista, Alexandre Baros, que ficou responsável por realizar a pré-produção do trabalho. Lá nós pudemos realizar os ensaios e registrar todo o processo para fazer ajustes nos arranjos e chegar no estúdio de gravação com tudo em cima para iniciar.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que vocês têm como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: posso citar vários, mas para não me alongar muito nessa resposta posso citar como exemplo o maestro Spok. Ele é um saxofonista fantástico, um dos melhores do Brasil e do mundo! Além de ser uma figura humana da melhor qualidade, Spok faz sucesso onde quer que chegue com o seu instrumento, já tocou em quase todo o planeta acompanhando artistas dos mais variados gêneros da música, tem uma orquestra incrível e é respeitado como um dos melhores profissionais da área, não só aqui no recife, mas no mundo inteiro.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: em quase 50 anos de carreira são inúmeras as situações que poderia descrever, mas vou falar apenas de uma que me emocionou demais e ainda me emociona quando lembro. Na década de 70 fomos fazer pela primeira vez um show de teatro em São Paulo, em Santo André. O show começou no início de uma noite de domingo. Ao final do show algumas pessoas da plateia subiram ao palco para nos conhecer pessoalmente, falar conosco. De repente, uma mulher teve um ataque epiléptico bem na nossa frente. Ao meu lado havia uma senhora segurando uma criança de uns 4 anos e eu imediatamente pedi licença, peguei essa criança ao colo e a levei para o camarim a fim de evitar que ela continuasse assistindo aquela cena horrível enquanto a mulher era socorrida pelas pessoas presentes. Passados mais de vinte anos, estou eu com a Banda fazendo um show no Centro Cultural São Paulo, já na década de 90. Ao final do show, algumas pessoas foram falar com a gente no camarim. Entrou uma moça muito emocionada e pediu para falar comigo, fui recebê-la. Ela emocionada disse pra mim “lembra que há vinte anos atrás você fez um show no Teatro Municipal de Santo André?” E eu acenei que sim, no que ela continuou, “eu sou aquela menina que você carregou nos braços e levou para o camarim para me proteger daquela cena da moça caída por epilepsia, eu nunca mais esqueci o seu rosto e aquele momento”. Não preciso dizer que minha emoção foi muito grande e me levou às lágrimas.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: o que me deixa mais feliz é saber que o que eu estou fazendo de uma certa forma está influenciando positivamente a vida das pessoas. O artista exerce esse poder de influenciar, por isso sempre falo da responsabilidade de todo artista. É preciso estar muito consciente desse poder para exercer a profissão de forma responsável. A música tem uma velocidade de comunicação muito grande e o que você vai cantar reflete o que você é, o que você pensa e o que você quer, portanto, reflete também em quem lhe admira. Exerce um poder incrível de influência. Outra coisa que me deixa muito feliz é estar atuando, estar em cima de um palco cantando e ver que a plateia está gostando, isso não tem preço! Você jogar energia para o público e receber de volta é algo indescritível! Canto desde minha adolescência e hoje com 65 anos de idade continuo fazendo o que gosto e sempre fiz, cantar. O que me deixa triste na minha carreira é ver que ela ainda não possui uma política de amparo aos artistas suficientemente eficiente para nos deixar tranquilos quanto à chegada da nossa velhice. Vejo muitos amigos que encantaram plateias e gerações e hoje estão à míngua, sem uma aposentadoria, sem planos de saúde e sem condições quase de sobrevivência por falta de um amparo oficial, uma lei que dê suporte. O artista normalmente quando jovem não se preocupa em pagar um plano de aposentadoria, muitos nem plano de saúde conseguem ter, quando chega a velhice e os palcos desaparecem, ficam à deriva, sobrevivendo de favores dos amigos e alguns familiares. Se existisse uma política de amparo a nível nacional talvez essa parte triste da profissão fosse finalmente amenizada.

19) RM: Vocês acreditam que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: eu nunca paguei jabá em todo esse meu tempo de música, e olhe que são quase 50 anos. Sei que existe isso, claro, mas não pago e nem pagarei jamais. Mas sei que existem muitas rádios e programas que não praticam essa imoralidade, isso é um ato criminoso porque todas as rádios são adquiridas por concessão pública, sendo assim os direitos são iguais para todos os artistas. Não se pode discriminar e principalmente cobrar para determinados artistas tocarem nas rádios. O critério de escolha tem que ser dentro de uma programação normal, tipo de música, tipo de público que costuma ser ouvinte, etc., e não por pagamento de jabá. Mas a Banda tem tocado em rádios de todo o Brasil, temos tido uma boa receptividade das rádios que tem o nosso perfil, disso não posso reclamar. Então sendo mais direto à sua pergunta, acredito sim que mesmo sem jabá elas tocam porque é o que temos constatado.

20) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: faça tudo com muito zelo. Não desperdice oportunidades que surgem quando a gente menos espera. Tenha sempre disponibilidade para elas e aproveite-as com intensidade. Faça tudo com o coração. Não ligue muito para opiniões de quem não conhece bem a área. Elas por vezes desestimulam e fazem você desacreditar. Ouça a opinião de quem está na área e tem propriedade no assunto. Opiniões assim só acrescentam. Siga com muita determinação sabendo que terá de enfrentar desafios, mas desafios farão sempre parte de sua caminhada. No mais, fé em Deus e pé na tábua!

21) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: acho que existe sim. Tem gente que nasce com ele. Posso citar como exemplo o meu irmão, o Waltinho. Ele nasceu com esse dom. Aos 8 ou 9 anos de idade já tocava um violãozinho de brinquedo como se fosse de verdade, tanto que num dos seus aniversários ganhou um violão de presente de nossa avó e já começou a tocar que nem gente grande. Sempre tocou muito bem e a gente via que era Dom mesmo porque foi desde pequeno, criança ainda e sem ninguém ensinar. Nunca frequentou escola de música. Um dia foi presenteado pelo Baden Powell que o viu tocar num encontro que tivemos num hotel de São Paulo onde estávamos hospedados. O Baden sabendo que estávamos lá pediu para quando chegássemos, fossemos até o apartamento dele para nos conhecer e assim fizemos. Ficamos lá conversando e tocando, então ao final o Baden ficou tão impressionado com Waltinho que o presenteou com um violão.

22) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: os festivais de música sempre vão ser excelentes espaços para o surgimento de bons compositores, disso não tenho dúvida, e essa é a parte positiva e é também nesse contexto que afirmo a importância deles. Porém, não podemos comparar jamais com os grandes festivais do final da década de 60 e décadas de 70/80, afinal, os tempos são outros. Aqueles festivais tinham o incrível poder de projetar nacionalmente artistas que conseguissem simplesmente chegar à final do festival porque quem comandava a grande mídia eram as televisões, não existia internet obviamente, por isso esse funil funcionava como uma catapulta que impulsionava aqueles que chegassem ao seu ponto de disparo. Hoje isso já não acontece mais. Os festivais são muito regionais, com pouca mídia ou, quando muito, localizadas. Algumas vezes com divulgação apenas pela internet e, portanto, pulverizadas e sem o foco das tvs. Isso sem querer tirar a importância deles, mas apenas para afirmar que eles precisam existir para que haja palco para os novos compositores, mas sem a expectativa de que a partir deles vá se modificar ou acrescentar muito ao cenário da música brasileira como foi na chamada “era dos festivais”, esse é o ponto contra.

23) RM: Festivais de Música revelam novos talentos?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: sim, não resta dúvida que revelam, mas isso não significa dizer que farão sucesso se pensarmos o sucesso como o reconhecimento a nível nacional, porque, como disse anteriormente, os festivais atuais ficam muito restritos nas cidades e regiões onde são realizados e não tem uma projeção mais nacional. Mas são muito importantes no sentido em que revelam de alguma forma grandes compositores que poderão utilizar essa experiência para alavancar suas carreiras tendo suas conquistas no currículo e sabendo aproveitar as oportunidades que irão surgir a partir de então.

24) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: deixa muito a desejar. Temos no Brasil uma infinidade de artistas maravilhosos além de um grande número de gêneros musicais que poderiam estar sendo divulgados e o que assistimos é só o que interessa comercialmente a eles, isso nos empobrece muito culturalmente. Tiram a oportunidade de uma maior e melhor difusão das nossas potencialidades musicais. Uma outra discussão que precisa num futuro próximo ser feita é sobre a questão das concessões dessas emissoras, elas são públicas e como tal precisam ser tratadas também como coisa pública.

25) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: são espaços importantíssimos para todos os artistas, pois oferecem todas as condições para se fazer um bom espetáculo, cachê justo, uma infraestrutura formidável, com tudo que um bom show musical necessita, além de uma divulgação muito forte. Geralmente nesses espaços já existe um público ávido por assistir shows, então os artistas quando vão fazer suas apresentações, já sabem que, além do seu próprio público, ainda vai poder encontrar uma plateia que em parte vai assisti-lo pela primeira vez e isso termina formando um novo público para esse artista que se beneficia duplamente. Hoje são espaços disputadíssimos por todos, e a curadoria deve ter um trabalho muito grande para a seleção dos escolhidos.

26) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: acho que em qualquer cidade, os bares com música ao vivo são uma excelente opção para os artistas e músicos que tocam nesses ambientes menores. Oferecem um cachê pequeno, mas como os contratos são geralmente longos, compensa para quem vive de tocar na noite. Apesar da Banda de Pau e Corda ter iniciado sua trajetória tocando em um bar, o Olho Nu, hoje em dia eu não canto mais em bares, só eventualmente, mas tenho muitos colegas que tocam na noite e gostam muito porque estão acostumados e cantam em três ou quatro bares por semana, isso é muito bom. Além disso, a turma mais nova, do Reverbo, tem revitalizado essa vida nos bares da cidade levando música autoral novamente para esses espaços.

27) RM: Banda de Pau e Corda, Quais os seus projetos futuros?

Banda de Pau e Corda: Sérgio Andrade: estamos lançando esse nosso novo álbum Missão do Cantador pela Biscoito Fino, e que está em todas as plataformas digitais, além do disco físico em formato compact disk (CD). Já estamos trabalhando para fazer uma live oficial de lançamento desse trabalho para muito em breve. Para o pós-pandemia também já temos planos, vamos circular pelas principais capitais brasileiras e algumas cidades interioranas divulgando o álbum, esse é um trabalho que estava programado anteriormente mas que, por causa da pandemia, tivemos que adiar, mas pegar a estrada com o novo show é o nosso maior foco agora.

28) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Banda de Pau e Corda: [email protected] | https://web.facebook.com/BandadePaueCordaOficial

| https://www.instagram.com/bandadepauecorda

| https://www.youtube.com/bandadepauecorda

NA ESTRADA – BANDA DE PAU E CORDA E QUINTETO VIOLADO [Completo]: https://www.youtube.com/watch?v=n2ctPcqwptA&list=PL2PCutb3xmaT0xKzxHinHp333BCcqVb0H

Playlist #CantandoEmCasa: https://www.youtube.com/watch?v=DbhY9caP66M&list=PL2PCutb3xmaTTtJcPQVJL0Cmw1RB7pId4

Playlist em Teatro: https://www.youtube.com/watch?v=xrQV0XKdTvM&list=PL2PCutb3xmaRIT-gWVQi7Q-PcZAHDHo7z


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.