Banda Caminho Suave

Banda Caminho Suave

Tempo de Leitura: 9 minutos

A Banda Caminho Suave foi criada em 2008 em São Paulo – SP une uma das tradições mais antigas da Jamaica – o Reggae Roots e SKA – a influências de outras vertentes da música afro-brasileira e aspectos da música experimental contemporânea.

A Banda Caminho Suave bebe também de fontes como o Blues, a psicodelia dos anos 70 e o DUB.  A banda exibe composições autorais cujas letras são inspiradas nos problemas e relações sociais presentes no cotidiano das cidades que são cenários de seus ensaios e criações.

A Banda Caminho Suave atualmente é formada por: Anderson Roots (Voz e trompete), Rafael Miranda (tecladista), Edgard Tacconi (baterista), Fran Dezordi (guitarra base), Rodrigo Moretto (guitarra solo), Allan Batuques (percussão), Douglas Nogueira (sax tenor), Tchelo (trombone), Charles (trompete). A banda Caminho Suave se define como um grupo Rootsbrazuca. Na batida que pulsa na ancestralidade dos tambores, sem perder as linhas de conexão com o futuro.

A Banda Caminho Suave em 2017, lançou o seu primeiro CD – “Valores”, já disponível nas principais plataformas de streaming. São onze músicas autorais, o álbum é um convite ao universo cotidiano do regueiro brasileiro. Sob um forte desejo de mudanças socioculturais e seguindo as premissas do reggae roots rastafári vertente emblemática dessa história, a Caminho Suave flerta com outras tantas trilhas que a música permite, como os sons eletrônicos, os metais e as harmonizações vocais.

Segue abaixo entrevista exclusiva com a banda Caminho Suave para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistados por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 11.07.2020:

Índice

01) RitmoMelodia: Qual a data de nascimento e cidade natal dos membros da Banda Caminho Suave?

Banda Caminho Suave: Anderson Sousa Roots (Voz e trompete) nasci no dia 11.07.1979 em Boa Esperança do Sul – SP. Douglas Nogueira (Sax tenor) nasceu no dia 04.04.1987 em São Paulo – SP. Edgard Tacconi (Baterista) nasci no dia 13.05.1981 no bairro de Itaquera em São Paulo. Allan Batuques (Percussão) nasci no dia 23.04.1985 em Presidente Epitáfio – SP. Tchelo (Trombone) nasci no dia 14.01.1981 em Recife-PE. Fran Dezordi (Guitarra base) nasci no dia 02 de julho em São Paulo – SP. Charles (Trompete) nasci no dia 25.06.1981 em Teresina – PI. Rodrigo Moretto (Guitarra solo) nasci no dia 11.04.1988 em São Paulo – SP. Rafael Miranda (Teclado) nasci no dia 17.12.1985 em São Paulo – SP.

02) RM: Fale do primeiro contato com a música dos membros da Banda Caminho Suave.

Banda Caminho Suave: Charles: foi na Fanfarra da escola tocando flauta doce. Rodrigo Moretto: foi na fanfarra da escola tocando surdo, trombone e tuba.

Fran Dezordi: eu comecei no ano 2000 com minha primeira banda “Brilho de Zion”. Allan Batuques: frequentando baile de forró universitário nos anos 2000 com quarteto Aruá. Edgard Tacconi: comecei aos 9 tocando Violão. Douglas Nogueira:  foi na igreja em 1996. Rafael Miranda: foi aos 12 anos de idade quando pedi um Teclado pro meu pai. Anderson Roots: comecei com música na fanfarra da escola tocando corneta tinha 12 anos de idade. Marcelo: meu primeiro contato musical foi em 2000 como roadie do grupo “Força Roots” onde aprendi com eles alguns acordes de Violão, Teclado e tocava percussão. O amor pela música no entanto vem de longa data em especial pelo sopro entre fanfarras, igrejas, e o carnavais de Recife – PE, onde muitos anos depois vim realmente  a descobrir meu amor pelo trombone, por volta de 2007 comecei aprender tocar trombone um amor antigo que hoje faz parte de mim.

03) RM: Qual a formação musical e acadêmica fora música dos membros da Banda Caminho Suave?

Banda Caminho Suave: A maioria aqui concluiu o ensino médio.  Eu (Anderson Roots) comecei o curso de letras, mas tranquei (risos). O Douglas Nogueira (Dodô) que estar terminando Direito e o Charles terminando Engenharia.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Banda Caminho Suave: Eu (Anderson Roots) sempre ouvi de tudo desde criança e não tenho preconceito com estilos musicais o que contribuiu muito para minha formação ideológica como artista e minhas influências começaram com Bob Marley, Skatalities, Gladiators, Burning Spear, Ponto de Equilíbrio e Mato Seco. Hoje eu tenho Alborosie, Morgam Heritage e Dub Inc como inspirações. Acho todas as influências importantes e nenhuma perdeu sua importância.

05) RM: Quando, como e onde começou a Banda Caminho Suave?

Banda Caminho Suave: Dia 18 de Julho de 2008 aconteceu nosso primeiro ensaio no bairro Itaim Paulista, zona leste de São Paulo. Foi uma coisa inusitada, Eu (Anderson Roots) vi o Rafael Miranda na calçada da nossa rua, alguns dias antes tocando Violão, cheguei e toquei uma música de minha autoria e conversamos um pouco e fui pra casa. A gente não se falava antes disso, no outro dia o Rafa quis saber sobre a música que toquei. Falamos sobre algumas experiências e o Rafa queria escutar outras músicas e iria chamar um amigo pra tocar o Baixo (Gil) fizemos uma reunião pra tocar na minha casa e deu muito certo. Tivemos a certeza no mesmo dia com um pesquisador que bateu a porta, ele fez umas perguntas e viu os instrumentos enquanto respondia suas perguntas tocávamos e decidíamos arranjos, o cara pirou! Achou que éramos famosos e ficou todo eufórico e a gente riu muito e ali decidimos formar a banda.

06) RM: Quantos discos lançados?

Banda Caminho Suave: Em 2017 lançamos o CD – “Valores”, com onze músicas. O álbum é um convite ao universo cotidiano do regueiro brasileiro. As músicas são: ”Minha Religião”, “Procure Sua Luz”, “Incendiar a Babilônia”, “Valores”, “Quem Quiser”, “Provações”, “Caminho Suave”, “A Cor da Flor”, “Dignidade Rasta”, “Jah Sempre Estará”, “Graças e Louvores”.

07) RM: Como definem o estilo musical da Banda Caminho Suave dentro da cena reggae?

Banda Caminho Suave: Isso é difícil. Buscamos ter nossa própria identidade. Somos Reggae Roots por essência, mas gostamos da galera dançando.

08) RM: Como vocês se define como cantor/intérprete?

Banda Caminho Suave: Rapaz… Eu (Anderson Roots) sou um cantor em evolução constante.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que vocês admiram?

Banda Caminho Suave: Eu (Anderson Roots) admiro muito, Dezarie, é uma cantora de imensurável grandeza de talento. Dos cantores, eu admiro como vocal Morgam Heritage, Luciano Messenjah, Edson Gomes e Tim Maia, mas com certeza tem vários para colocar nessa lista.

10) RM: Como é seu processo de compor suas músicas? Quem são seus parceiros musicais?

Banda Caminho Suave: Eu (Anderson Roots) componho no geral sozinho! Vem na cabeça um riff, uma parte pequena da melodia e vou escrevendo a letra e cantando já observando as palavras para que a fonética não destoe das notas da melodia principal. Monto um esqueleto básico para música e levo pros músicos da banda e vamos complementando juntos até chegarmos a um consenso. Nossos parceiros musicais são: Rodrigo Loli, Luciana Monteiro que dão suporte essencial em estúdio, em palco e fora dele.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Banda Caminho Suave: São muitos contras! Gravar as músicas pagando custo alto para ter bons resultados e investir em instrumentos musicais de qualidade e equipamentos. Os detalhes do autogerenciamento deixam qualquer um maluco. O prol e o mais importante é estar livre para conduzir o trabalho como manda o coração. Não estar preso a obrigação de ser “comercial” atropelando seus ideais.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que vocês praticam para desenvolver a carreira musical?

Banda Caminho Suave: Organização, pontualidade, respeito pelo trabalho nosso e de todos os demais envolvidos e principalmente marketing que registra, documenta e da validade a todas as nossas conquistas e ações.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da carreira musical?

Banda Caminho Suave: A internet não tem limites de distância, então ela ajuda a propagação o trabalho, mas a facilidade de acesso a música online minou a comercialização do disco. Você fica conhecido, mas fica impedido de ganhar em venda direta da sua obra intelectual. Você só ganha se fizer show.

14) RM: Como você analisa o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Banda Caminho Suave: O cenário do reggae no Brasil é pequeno e muito fechado, as bandas dos anos de ouro do reggae ainda estão na vanguarda, isso mostra que não houve renovação ou abertura para novos artistas se estabelecerem. Revelação cito a banda: Groovi I,Raízes que tocam”, “Chama Crescente”, “Reggaebelde” todos de alguma forma estão progredindo. O que eu chamo de regredir são bandas que se dividiram ou paralisaram suas atividades por vários motivos e isso é horrível para a cena reggae que já está meio “fraca”.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (Home Studio)?

Banda Caminho Suave: Só vejo vantagens em poder fazer suas próprias gravações em casa facilita a vida e a carreira musical. Mas tem muito trabalho sendo lançado de qualquer jeito e com baixa qualidade técnica e isso desvaloriza a cena reggae em todos os sentidos.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Banda Caminho Suave: “Mato Seco”, “Ponto de Equilíbrio” e Edson Gomes já são potências do reggae nacional e estão na crista da onda em matéria de profissionalismo e qualidade artística.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Banda Caminho Suave: Risos. Já aconteceu tudo que foi citado na pergunta e mais um pouco (risos). Mas considero a mais engraçada uma vez que fomos ao Rio de Janeiro e fomos parados pela polícia, viram que somos de São Paulo e fizeram muitas perguntas, explicamos que haveria uma apresentação e tal eles viram os instrumentos musicais. Aí o policial perguntou se tem ganja (maconha) no carro e foi um silêncio instantâneo. O policial riu da gente e perguntou, mas também tem um CD pra dar pra minha filha né? Todo mundo riu. Ele guardou o CD e liberou a gente.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Banda Caminho Suave: Sou feliz pelas oportunidades conquistadas tocamos em shows muito desejados na cena reggae e a galera cantando os sons junto com a gente é gratificante e realizador. O que me entristece é a precariedade da cena reggae underground a maneira como trabalham as casas de show em relação ao artista independente que está iniciando ou que não alcançou o “mainstream”.

19) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Banda Caminho Suave: Em São Paulo acontece reggae em poucos lugares e quando não é nos locais mais conhecidos, são como fenômenos naturais raros promovidos pela prefeitura com apoio e idealização de agentes culturais. Os Regueiros e regueiras de São Paulo têm que estar ligados nas redes sociais para não perder nada.

20) RM: Quais os músicos ou/e bandas da cena local que você recomenda ouvir?

Banda Caminho Suave: Eu recomendo a banda “Chama Crescente”, gosto muito, também recomendo “Groovi I” que é maravilhosamente linda de ouvir.

21) RM: Quais os cantores e cantoras que gravaram as suas canções?

Banda Caminho Suave: A banda “Preservation” gravou uma canção minha e também a cantora Talita Cabral (backvocal do Mato Seco) gravou outra em seu disco solo.

22) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Banda Caminho Suave: Eu (Anderson Roots) acredito que não vai tocar minha música sem pagar o jabá. Na grande mídia existem tubarões por trás de tudo e uma indústria musical que visa dinheiro e lucro. Isso está enraizado que acho difícil de mudar essa condição, mas existem comunicadores honestos.

23) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Banda Caminho Suave: Persista e seja teimoso, muitos “Nãos” e portas fechadas não significam que você não mereça uma chance. Respire e tente outros caminhos. Não existe receita certa para o sucesso. Existe uma construção que vai exigir dedicação.

24) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

Banda Caminho Suave: Eu (Anderson Roots) procuro não fazer nenhum julgamento, pois o reggae é uma coisa e maconha é outra. É completamente possível ser um regueiro e não fazer uso de maconha (ganja) e ser maconheiro e não gostar de reggae. Associar as duas coisas fortalece um estereótipo pejorativo a uma vertente musical e cultural rica e edificante.

25) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a religião Rastafári?

Banda Caminho Suave: O reggae é a voz do rastafári, foi uma música criada pra isso, diria que essa apropriação é legitima e ancestral.

26) RM: Você usa os cabelos dreadlock. Você é adepto a religião Rastafári?

Banda Caminho Suave: Sim, eu (Anderson Roots) uso dreadlocks e sou adepto da cultura rastafári.

27) RM: Os adeptos a religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa essa afirmação?

Banda Caminho Suave: Eu (Anderson Roots) acho um equívoco, existem várias vertentes de reggae com muita qualidade e com particularidades diferentes para todos os gostos. Do ponto de vista rastafári o reggae com mensagem espiritual sempre estará no topo da playlist, mas existem muita música reggae de protesto e sobre questões sociais e até de amor com qualidade excelente.

28) RM: Na sua opinião porque o reggae no Brasil não tem o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Banda Caminho Suave: Por vários fatores primeiro por não ser musica comercial ou com apelo a consumo de bebida ou libertinagem, como não temos a legalização. Não atendemos a interesse de grandes industrias, um mercado musical corrompido que blinda a entrada dessa vertente na grande mídia.

No geral o reggae tem a intenção de protestar, denunciar descasos e questões sociais. Uma maioria esmagadora dos músicos de reggae vem do gueto e não dispõe de recursos para entrar ou se manter na grande mídia. A prática do jabá (pagar para ter a música tocando em rádio) alcançou patamares astronômicos.

Gravadoras quase não existem mais e os artistas independentes estão a própria sorte sobrevivendo no underground e no mercado digital. E numa visão geral música no Brasil é desvalorizada, não existe uma política de proteção a produção artística. Somente os artistas grandes têm seus direitos garantidos e mesmo esses têm problemas com pirataria e a precarização da profissão. Isso se deve a música no Brasil ser levada como hobby ou brincadeira para entretenimento nunca como profissão.

29) RM: Quais os seus projetos futuros?

Banda Caminho Suave: Estamos na fase final do segundo disco vamos lançar música a música durante o ano com clipes e tudo mais!

30) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Banda Caminho Suave: (11) 9.4018 – 3476 | [email protected] | [email protected]  

| https://www.facebook.com/oficialcaminhosuave/?fref=ts 

| https://www.instagram.com/oficial_caminhosuave 

| https://open.spotify.com/artist/53qAEhjjkVjtHlENaZDIXz    

| http://www.deezer.com/br/artist/12279348   

Canal no YouTube: https://www.youtube.com/channel/caminhosuave 

Banda Caminho Suave Estúdio Show livre: https://www.youtube.com/watch?v=vFwHOlj7ZKA 

TV CULTURA – Programa Reis Da Rua- Anderson Roots – Caminho Suave

https://www.youtube.com/watch?v=BeoFOomc040

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.