Antônia Amorosa

Antônia Amorosa

Tempo de Leitura: 6 minutos

A cantora e compositora sergipana Antônia Amorosa faz parte da história do Forró em Sergipe.

Antônia Amorosa é natural de Itabaiana – SE e iniciou como radialista aos 14 anos de idade, na Rádio Princesa da Serra e foi atriz do “Grupo Asa Branca”, apresentando-se em eventos como o “Encontro Latino Americano de Folclore de Caruaru/PE”.

Antônia Amorosa traz a experiência de ir a Europa realizar 45 apresentações entre Alemanha e Áustria, além de ter cantado ao lado de importantes nomes da música brasileira como Leila Pinheiro, Alceu Valença, Antônio Carlos e Jocáfi, e Paulo Diniz. Participou também de outros projetos como o “Pixinguinha, “Pixingão” no Rio de Janeiro e fez show em várias capitais do nordeste. Criou o projeto “Temporada de arte Sergipana”, o “Prêmio Banese de música”. Com essa trajetória, participou de 10 coletâneas e lançou os discos: “Iluminada”, “Brejeira”, “Mulher Nordestina”, “Aldeia”, “Um canto a Sergipe I”.

Antônia Amorosa além de cantora, compositora e intérprete, essa artista já escreveu livros como o “Voo Rasante” e “Translúcida”, sem contar o lançamento do Jornal “Notas Musicais”, meio de informação responsável pela divulgação da música sergipana, foi também apresentadora de um programa musical pela TV Cidade chamado “Som da Cidade”.

Antônia Amorosa tem estilo musical plural. Ela canta forró, romântico, reggae, samba reggae, frevo e até mesmo o rock. Tem suas grandes referências como Elis Regina, Luiz Gonzaga, Alceu Valença e Chico Buarque. O seu processo de criação musical ocorre nos momentos mais inadequados como quando ela está tomando banho, dirigindo ou acordando. Os temas que geralmente são abordados em suas letras dizem respeito aos valores da terra, mensagens que transmitam ensinamentos produtivos.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Antônia Amorosa para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.06.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Antônia Amorosa: Nasci no dia 27 de fevereiro de 1967 em Itabaiana, Sergipe – SP. Registrada como Antônia Amorosa de Menezes.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música. 

Antônia Amorosa: Meu contato com a música foi em casa, com a família.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Antônia: Sou jornalista por atuação com graduação parcial na área de Comunicação Social.

04) RM: Quais suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Antôni: Artistas como Elis Regina, Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Clara Nunes, sempre foram referências para mim.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Antôni: Em 15 de janeiro 1985, em Aracajú – SE.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Antônia: Foram 7 CDs e 10 coletâneas.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Antônia: Regional e plural no que se refere a música nordestina em seus diversos estilos.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Antônia Amorosa: Não.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Antônia Amorosa: A técnica vocal é uma escolha de cada artista. No meu caso, nasci com o dom de cantar e aperfeiçoei cantando. O cuidado com a voz é também uma responsabilidade de cada um, conforme sua necessidade.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Antônia Amorosa: Todas que atuam com amor e dignidade. Posso conhecer uma cantora hoje. Se eu gostar da forma como conduz sua carreira, entra no hall que coloco outros grandes nomes porque vejo música como missão.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Antônia Amorosa: Pego a caneta e escrevo. Não tenho ritual. Pode ocorrer nos momentos mais inadequados como quando estou tomando banho, dirigindo ou acordando. Os temas das letras são sobre os valores da terra, mensagens que transmitam ensinamentos produtivos.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Antônia Amorosa: Não costumo ter parceiros musicais, mas, os que escolho, gosto muito, a exemplo de Del Feliz, meu saudoso padrinho Dr. Ueliton Mendes e Dr. Roberto Lima.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Antônia Amorosa: Prós: Liberdade de decisão. Contras: menor acesso a grande mídia.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Antônia Amorosa: Estratégia não se conta, se não, deixa de ser estratégia (riso).

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Antônia Amorosa: Todas as minhas produções tem marca de empreendedorismo, pois sempre o fiz de forma independente.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Antônia Amorosa: Ela não prejudica. Ajuda e muito.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Antônia Amorosa: Não vejo desvantagens, por isso, não vou me aprofundar.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Antônia Amorosa: Ser diferencial é ser original. Se cada um dê o seu melhor, o mercado absorve na proporção de alcance. Não vivo de ambições, nem deixo que seja minha senhora. Cumpro minha missão de artista aonde eu estiver.

19) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Antônia Amorosa: Revelações: Mestrinho e Thais Nogueira, representando muitos outros que também fazem um lindo trabalho. Permanentes: Adelmario Coelho, Alcymar Monteiro, Jorge de Altinho, Santanna – O Cantador, Pinto do Acordeon, Erivaldo de Carira…a lista é grande! Quem regrediu: Não ouso julgar ninguém neste quesito.

20) RM: Quais os músicos conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Antônia Amorosa: Gosto muito do guitarrista Paulo Rafael e Tovinho que trabalham com Alceu Valença.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Antônia Amorosa: Já cai no palco algumas vezes, pois não sei ficar parada.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Antônia Amorosa: Feliz é cantar. Triste é não cantar.

23) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró Universitário no Sudeste?

Antônia Amorosa: O que nos ajuda não nos prejudica. Eu gosto.

24) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró de Banda dos anos 90?

Antônia Amorosa: Mistura de ritmos que não estão na base do xote, baião, xaxado… Merece outro nome como ocorreu na Bahia com o movimento do Axé music.

25) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró Estilizado dos anos 2000?

Antônia Amorosa: O que nos ajuda não nos prejudica. Eu gosto.

26) RM: Em 2010 você declarou na imprensa que iria encerrar a carreira?

Antônia Amorosa: Pensei em abandono a Carreira e em artigo publicado no jornal Cinform, anunciei que seria em 2011. Na época a decisão era após sentir que roubaram a essência do forró, os ritmos foram trocados, o xote foi substituído pela lambada, o baião pelo vaneirão, o xaxado pelo carimbó, e a marcha é um forró elétrico que faz alusão ao axé baiano.

Cantei minhas canções preferidas nos shows de 2010 e disse que quando sentir saudades de cantar meu amado forró, acenderei uma fogueira em frente à casa onde nasci, chamarei um sanfoneiro, tocarei meu violão, e cantarei. Mas continue levantando a bandeira do forró dentro e fora do Brasil.

Em 31 agosto de 2013 representei Sergipe no Brazilian Day, em Nova York – EUA. O evento aconteceu na churrascaria Plataforma no bairro da Tribeca na Big Apple apresentado por Serginho Groisman. Depois me apresentei em países na Europa. Realizei 45 apresentações entre Alemanha e Áustria, além de ter cantado ao lado de importantes nomes da música brasileira como: Leila Pinheiro, Alceu Valença, Antonio Carlos e Jocafi, Paulo Diniz.

27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Antônia Amorosa: Jamais pagarei jabá. Pagar para tocar uma música na programação de uma rádio é corrupção no mercado musical.

28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Antônia Amorosa: Se nasceu para isso, siga em frente.

29) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Antônia Amorosa: Festival de Música ajuda na qualidade, mas, na atualidade, os modelos são outros. Em 1993 obtive uma vitória no Festival “Canta Nordeste” promovido pela Rede Globo Nordeste com “Coco da Capsulana” de João Alberto e Ismar Barreto.

30) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Antônia Amorosa: Festival de Música não revela, quem revela é Reality show musical.

31) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Antônia Amorosa: Injusta.

32) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Antônia Amorosa: Espaços muito bom. Outras empresas deveriam seguir o exemplo.

33) RM: Quantos livros de poesia lançados?

Antônia Amorosa: Lancei quatro livros com poesia de Cordel. Em 2010 lancei o Cordel do evangelho de Matheus. Em 2014 tomei posse na Academia Itabaianense de Letras e de Aracaju.

34) RM: Fale do Troféu Gonzagão.

Antônia Amorosa: Em maio 2016 conquistei o Troféu Gonzagão. Foi uma coroação com chave de ouro pra minha carreira musical.

35) RM: Quais os seus projetos futuros?

Antônia Amorosa: Seguir ajudando o forró para consolidar seu registro, lançar uma obra muito especial que irá coroar minha carreira, lançar meus livros e seguir cantando porque esta é minha missão.

36) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Antônia Amorosa: (79) 9.9852 – 2036 (whatsapp) | (79) 9.9970 – 0374

| [email protected] 

| Canal: https://www.youtube.com/watch?v=g0wl5HLu4NU 

| Amorosa canta “oração a celebração” de sua autoria em homenagem ao troféu que abre seu evento louvando a Deus: https://www.youtube.com/watch?v=Jyqq_KrkZ4M 

| Conquistou o primeiro lugar com a música “De volta pro aconchego” de Dominguinhos e Nando Cordel no Programa do Chacrinha em 1985: https://www.youtube.com/watch?v=8KJhFLh7Z0k 

| https://web.facebook.com/antoniaamorosa |Instagram – @antoniaamorosasergipana

 

Antônia Amorosa 1 Ritmo Melodia

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.