André ZR da Nazireu Rupestre

André ZR da Nazireu Rupestre

André ZR, iniciou a trajetória na música nos anos 2000 aos 17 anos. Ao convite de amigos sua primeira experiência foi com o Hip Hop, já nas primeiras produções sentiu a necessidade de aprender a tocar algum instrumento.

Com o contato com outros estilos musicais e outras bandas, até o começo no reggae em que iniciou como tecladista da banda Ritual da tribo do leste. Hoje faz parte da banda “Nazireu Rupestre”, que é um dos fundadores junto com Dani (Guitarra e Voz), Magosso (Baixo, backing vocal), Zilla (Bateria). André participou de uma gravação ao vivo em homenagem ao mestre Bob Marley e The Wailers, intitulado “Marley Experience”, junto com banda Mato Seco. A Nazireu Rupestre fez um tributo ao mestre Peter Tosh“Tosh Attack”.

André ZR junto com músicos que fazem parte de outras bandas fizeram um tributo a Augustus Pablo. E pelo Fomento Reggae de São Paulo em 2020 aprovaram a gravação de músicas autorais; influenciadas pela obra do mestre Augustus Pablo, esse projeto leva o nome de Harmonia Ancestral: João Paz (Teclados /Escaleta), André ZR (Teclados / Escaleta), Júnior Ciziniauskas (Baixo), Rafael Sterzek (Bateria), Baio Avante (Guitarra) com as participações especiais de Lincoln Martins (Trompete), Talita Cabral (Voz). “Agradeço a Jah pelas oportunidades de participar de belos projetos e a luta e resistência continuam. Jah nos abençoa. Amém”, ressalta André ZR.

Segue abaixo entrevista exclusiva com André ZR para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 14.01.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

André ZR: Nasci no dia 19 de maio de 1983 em São Paulo – SP. Registrado como André Luiz da Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

André ZR: Quando criança, visitando a casa dos meus avós maternos, olhando meus tios tocando na congregação. A minha tia era a organista da igreja e começou meus primeiros contatos com a música.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

André ZR: Minha formação musical vem da rua, dos palcos, não tenho diploma musical e nem universitário (risos).

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

André ZR: Minhas influências musicais vão do Rock ao Samba, do Blues ao Jazz, do Hip Hop a música Clássica. Escuto bastante reggae que é minha área de atuação. Tudo é válido e sempre tem algo a se aprender, sem distinção, música boa sempre será música boa.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical? Você está em qual banda?

André ZR: Comecei em meados de 99/2000, ao convite de amigos para integrar um grupo de RAP da zona leste de São Paulo. Nas primeiras produções em estúdio senti a necessidade de aprender a tocar algum instrumento, no decorrer da história conheci o reggae e o Teclado. Hoje sou tecladista da banda Nazireu Rupestre, entre outros projetos como: Marley Experience – um tributo da banda Mato Seco para o mestre Bob Marley. E outro projeto que faço parte é com a banda Harmonia Ancestral: João Paz (Teclados /Escaleta), André ZR (Teclados / Escaleta), Júnior Ciziniauskas (Baixo), Rafael Sterzek (Bateria), Baio Avante (Guitarra) que faz um tributo a Augustus Pablo e que teve um projeto aprovado pelo Fomento do Reggae São Paulo com a gravação de músicas autorais influenciadas pela obra do mestre jamaicano. E também com a Nazireu Rupestre o tributo ao mestre Peter Tosh – Tosh Attack.

06) RM: Cite os CDs que você já participou tocando Teclado?

André ZR: Dois álbuns e os singles: “Babilônia não dá fruta”, “Rastafari Makonnen” com a banda Nazireu Rupestre. Um CD com a banda Vila Reggae gravações para o YouTube. Com a banda Mato Seco: “Marley Experience”. A banda Harmonia Ancestral aprovou a gravação de um álbum pelo Fomento Reggae de São Paulo, com músicas nossas influenciadas pelo mestre Augustus Pablo, a banda é formada por: João Paz (Teclados /Escaleta), André ZR (Teclados / Escaleta), Júnior Ciziniauskas (Baixo), Rafael Sterzek (Bateria), Baio Avante (Guitarra) e teve as participações de Lincoln Martins (Trompete), Talita Cabral (Voz). Fiz algumas produções com a banda Jayhoo, Semente Reggueira, Bruno de Morais.

07) RM: Como é o seu processo de compor?

André ZR: Geralmente me inspiro em algo que escutei, junto com alguns exercícios, e algo vai se construindo, melodias vão surgindo junto com a vibe. Tenho algumas músicas escritas e cantadas na banda Nazireu Rupestre. O processo de compor as letras, vão surgindo as ideias que já vão se misturando com as melodias e vai fluindo.

08) RM: Quem tem a ideia de criar um grupo no WhatsApp e canal do YouTube reunindo os tecladistas que atuam na cena reggae? Quais os projetos que já foram realizados e quais os projetos futuros?

André ZR: Quem teve a ideia foi André de Oliveira de Mossoró – RN da banda “Divina Semente”. A ideia do canal no YouTube é criação musical coletiva, já temos uma produção (Stay Home) no canal junto com um documentário falando sobre o projeto. Vão ter outras produções e já estamos trabalhando.

09) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

André ZR: Para nós que somos da cena underground a internet agrega bastante, se a pessoa for para o lado bom das paradas, o que é prejudicial naturalmente nem atinge.

10) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

André ZR: São muitas vantagens, e não vejo nada que traga desvantagens. Posso gravar de casa. E se não tenho um equipamento de uma qualidade tão boa quanto a de um grande estúdio, eu posso trabalhar na pré-produção para quando chegar no estúdio está tudo pronto.

11) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

André ZR: Teve muitos fatos citados na pergunta (risos). A mais marcante foi uma treta com a banda e teve pancada para todo lado.

12) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

André ZR: Mais triste é ver que quem trabalha com a arte/música underground por parece não ter o devido reconhecimento. E feliz por fazer o que eu gosto na música.

13) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

André ZR: Vai em frente, se for realmente o que deseja, mas não se esqueça de ter um segundo plano de sobrevivência caso a música não corresponda ás suas expectativas.

14) RM: Quais os tecladistas que você admira?

André ZR:Keith Steling, Robbie Lynn, Tayrone downie, Earl Lindo, Jon Lord, Billy Preston, Ray Manzarek, Ray Charles, Jackie Mittoo, Jimmy Smith, Nina Simone, Daniel Latorre, entre outros.

15) RM: Quais as principais técnicas que o aluno deve dominar para se tornar um bom Tecladista?

André ZR: Estudar escalas é o princípio para se ter uma boa técnica, depois os horizontes se ampliam.

16) RM: Quais os principais vícios e erros que devem ser evitados pelo aluno de Teclado?

André ZR: Quando tiver estudando, tente sempre fazer os exercícios corretamente se errou comece do zero até ter uma boa leitura da situação.

17) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

André ZR: Não tenho muita propriedade para falar do assunto, pois tudo que aprendi foi através de revistas de músicas e pesquisas autodidata.

18) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

André ZR: Sim. Existem crianças excepcionais, que quando juntam esse dom com a técnica, o resultado é maravilhoso para os nossos ouvidos.

19) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

André ZR: Improvisação é aquele momento na música em que o músico se diverte colocando o seu sentimento e estudo dentro da harmonização.

20) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

André ZR: Os métodos agregam. No meu caso eu trabalho mais com frases compostas e a improvisação acontece às vezes (risos).

21) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

André ZR: Os dois casos acontecem, tem pessoas que fazem naturalmente e outras tem mais dificuldade.

22) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

André ZR: É bom estudar, mas também sentir a vibe é muito importante para não ficar uma parada mecânica.

23) RM: Quais os prós e contras do uso de VST e VSTi pelo Tecladista?

André ZR: O bom é pode ter altos timbres por um custo mais barato. E o ruim é se não tiver um sistema IOS ele pode travar. Mas não tenho muita propriedade para falar do assunto, pois em show uso teclados convencionais, meus VST e VSTi são usados apenas nas pré-produções até o momento.

24) RM: Quais são os melhores Teclados para tocar música reggae?

André ZR: Todos podem soar bom ou ruim. Os seus ouvidos que vai ser a melhor ferramenta para escolher seu Teclado. No Brasil os preços para se ter um teclado de ótima qualidade, infelizmente, não são para todos tecladistas.

25) RM: Como você analisa o cenário do reggae no Brasil. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

André ZR: O cenário reggae no Brasil sempre foi de altos e baixos como uma onda do mar que vai e vem. No underground sempre correndo com as nossas pernas daquele jeito que dá. É difícil se manter na cena, muitos se mantém e outros se dispersaram. É a cultura sempre na resistência, então nem vou citar nomes. Só vou enviar um big up para todos que seguem nessa resistência. JAH abençoa.

26) RM: Você é Rastafári?

André ZR: Sim.

27) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como vocês analisam tal afirmação?

André ZR: A mensagem reggae veio ao mundo nessa intenção ao meu ver, mas se tornou mundial, e dessa transformação se criou ramos. O reggae rastafári ainda resiste. O que não pode é ter oportunistas para ganhar em cima de algo que é sério.

28) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

André ZR: Muito preconceito com a cena reggae é pelo fato de a ganja (maconha) estar associada ao reggae e de fato está. Até porque Bob Marley e Peter Tosh eram militantes da ganja. E o principal, é que nosso governo não dá moral para os artistas. O ritmo reggae é excluído.

29) RM: Festivais de Música revela novos talentos?

André ZR: Acredito que sim, e as bandas com mais renomes ajudam também, como em participações nesses Festivais de Música.

30) RM: Quais os pros e contras de se apresentar com o formato Sound System?

André ZR: Não tenho contras para dizer, inclusive já me apresentei tocando Harmônica com meus irmãos do sistema de som House Sounds (big up família), e foi massa.

31) RM: Quais as diferenças de se apresentar com banda em relação ao formato com Sound System?

André ZR: Com o sound system é muito massa, mas com a banda tem aquele lance de estar todos fazendo ao vivo, é uma vibe diferente, tem um sentimento que só se fazendo pra sentir (risos).

32) RM: Quais os pros e contras de fazer música usando riddim?

André ZR: Os contras é que para tirar os riddins tem que ter um groove lascado(risos). Nem acaba sendo um contra, pois no final das contas você acaba aprendendo e entendo os jamaicanos.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

André ZR: Tem um CD para ser lançando em 2020, influências Augustus Pablo, projeto com irmãos de outras bandas. Tenho um outro projeto rupamusic/Headkeys com meu mano João Paz tecladista da banda Mato Seco, em que fazemos algumas produções com bandas e solo. E logo lançaremos algo. E com Nazireu Rupestre, logo mais tem música nova para lançarmos.

34) RM: André ZR, Quais seus contatos para show e para os fãs?

Contato: (11) 94683 – 7037 | [email protected] | www.instagram.com/andresilva_zr | www.facebook.com/andresilva.zr

Nazireu Rupestre – Rasta Punk [2018]: https://www.youtube.com/watch?v=e2k6kyP19ag

Nazireu Rupestre – Tosh Attack [2016]: https://www.youtube.com/watch?v=58OiodMLX0Y

Nazireu Rupestre – Os Tempos São Cruéis [2014]: https://www.youtube.com/watch?v=FRjfv91fEv8

Rupestre – Rupestre [2014]: https://www.youtube.com/watch?v=Fuc4-l4iAqc

Nazireu Rupestre – CD Promocional [2012]: https://www.youtube.com/watch?v=joGLUT3aulM

Nazireu Rupestre – “Confraternização Rastafari” [2006]: https://www.youtube.com/watch?v=efNk8XGBMug

Marley Experience – Mato Seco – Completo [EXCLUSIVO HD]: https://www.youtube.com/watch?v=S8LYYPMDWHE

Live Harmonia Ancestral – Projeto influência Augustus Pablo: https://www.youtube.com/watch?v=_CieRITydMc

Harmonia Ancestral – Projeto influência Augustus Pablo: https://open.spotify.com/artist/7MnueI2buGkPsitxrIbLAr?si=WubbsLDPSHq0lJjyoFwkzw

Canal Tributo a Augustus Pablo: https://www.youtube.com/channel/UCfe-25gbkAzdfPSi9iIpFvg

 


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.