Thadeu Camargo

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Thadeu Camargo
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O cantor e compositor carioca Thadeu Camargo tem como inspiração o pai compositor e desde criança a música foi muito presente em sua vida.

As canções tocavam na vitrola de sua casa todos os dias e na casa tinha uma discoteca farta de seus irmãos mais velhos que eram “rockeiro”. Ouvia o rock britânico e americano, Led Zeppelin, Deep Purple, Pink Floyd e principalmente The Beatles. Ele se tornou um Beatlemaníaco. Acabou descobrindo posteriormente outros estilos de música como o Blues, o jazz, música clássica e a MPB. Apaixonou-se perdidamente pela música mineira do “Clube da Esquina” na qual é adepto fervoroso até hoje. Tantos estilos de música influenciaram seu modo de compor. Cria música desde 13 anos de idade e a princípio criava músicas cantarolando as melodias e fazendo as letras sem nenhum instrumento musical até que aprendeu a tocar Violão sozinho. E como autodidata, aprendeu a tocar violão criando suas músicas. Thadeu Camargo foi guitarrista e vocalista das bandas: “Elo Perdido” e “Signo da Terra”, ambas com músicas autorais. Tocou nos Barzinhos do Rio de Janeiro até que em 1991, após o nascimento de seu filho e também por alguns outros motivos, decidiu parar completamente com a música. Nesta época tinha umas 300 composições. No ano de 2019, já com a cabeça no lugar e maduro, decidiu voltar para o mercado musical, que segundo ele nunca deveria ter saído.

Em 2019 Thadeu Camargo lança o seu primeiro single e pretende fazer um projeto que tem uma grande estima: “Tributo ao Clube da Esquina acústico”, no formato Voz e Violão acompanhado de uma flauta ou sax com alguma percussão. Thadeu Camargo é um compositor de vários ritmos musicais: samba, rock, blues, MPB, regional, experimental, suas composições não tem fronteiras de ritmos, ele define como: “A MÚSICA É LIVRE”.

Segue abaixo entrevista exclusiva com para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 27.05.2019:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Thadeu Camargo: Nasci no dia 2702.1967 no Rio de Janeiro. Sou carioca da gema como dizem por aí (risos).

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música?

Thadeu Camargo: Meu primeiro contato com a música talvez tenha sido no útero de minha mãe, pois meu pai era compositor e minha mãe adorava música. Lembro-me quando eu era um toquinho de gente, acordava ao som de Elizeth Cardoso, Frank Sinatra, artistas que meu pai e minha mãe adoravam e eu também. Eles sempre colocavam música para tocar na parte da manhã. Eu era o caçula da família. Meus irmãos gostavam de música e tinham uma vasta discoteca. Como eles eram roqueiros, a base desta discoteca era rock, sendo assim desde moleque eu já era beatlemaníaco, adorava Rolling Stones, Deep Purple, Led Zeppelin, Pink Floyd, enfim, o rock britânico e americano em geral. Porém também gostava muito do som que meus pais admiravam. Sempre gostei de Elizeth Cardoso, Frank Sinatra, Roberto Carlos, Jamelão, Cartola

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Thadeu Camargo: Eu sou técnico em informática. Quando meu filho nasceu no início dos anos 1990, eu parei com a música. Deste modo comecei a procurar outras profissões. Na época em que trabalhava com música eu era também bancário, mas por causa da greve de 90 na qual aderi e fui “piqueteiro” e tal, eu fui demitido. Depois trabalhei como vendedor, mas isso não era a minha praia; Sou um péssimo vendedor (risos). até que acabei achando a informática e entrei fundo nela. É um ramo no qual eu gosto de trabalhar. No estudo musical eu sou autodidata. Eu crio músicas desde criança.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Thadeu Camargo: Rapaz senta que vem testamento (risos). Minhas influências musicais são vastas. Eu comecei como “rockeiro”. Desde criança os sons que tocavam em minha vitrola eram rock: Pink Floyd, Led Zeppelin, Deep Purple. Aliás, eu sou beatlemaníaco. The Beatles é uma forte influência. O Rock brasileiro também me conquistou; principalmente Cazuza e Renato Russo. Tem o Celso Blues Boy no blues, Oswaldo Montenegro com aquela arte teatral toda dele, enfim. Tem o clássico, mais especificamente J. S. Bach, Mozart, Beethoven, Vivaldi... Ouvi muito. Mais tarde comecei a gostar de MPB: Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, essa turma toda. O pessoal do samba… Mas foram os músicos mineiros conquistaram totalmente o meu coração. Conheci primeiramente o Flávio Venturini por causa do grupo “O TERÇO”. Eu tinha o álbum “CRIATURAS DA NOITE” que considero como um dos melhores álbuns de rock progressivo do mundo.  Continuei acompanhando o Flávio Venturini quando ele foi para o grupo “14 BIS”, que considero como uma das melhores bandas de todos os tempos, mas acabei conhecendo também Beto Guedes e o Lô Borges. Este caminho acabou me levando a dois artistas que considero o Olimpo da música, junto com The Beatles: Milton Nascimento e Elis Regina. Quando conheci Elis, vi que a técnica vocal e o sentimento podem andar juntos, mas não é fácil. Elis tinha uma forma muito peculiar de fazer isso. Ela foi única! Já o Bituca (Milton Nascimento), é impressionante como ele não tem limites. Para Milton Nascimento a música é totalmente livre. Ele faz o que quiser e faz de um modo tão genial que às vezes fico pensando como isso pode acontecer. Eu o chamo carinhosamente de “BITUCA, A EVOLUÇÃO DA MÚSICA”. Nem com os Beatles vi tanta mudança, tanta genialidade, tanta profusão de ideias. Fora Milton Nascimento, também tem o pessoal do Jazz que é sensacional, Miles Davis, Herbie Hanckock, John Coltrane… E o gênio maior, Toninho Horta. Sinceramente não vejo guitarrista que consiga chegar perto dele. Toninho Horta é gênio demais! E no blues, Eric Clapton, B.B. King, Muddy Waters. A música é livre e existem tantas boas vertentes que não há como ficar preso somente a um gênero. Ah, e tem o pessoal do Heavy Metal, adoro Iron Maiden.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Thadeu Camargo: Comecei na década de 1980, tocando na banda “Elo Perdido”, que era música autoral e depois criei outra banda, a “Signo da Terra”, com músicas autorais e trabalhava tocando nos Bares do Rio de Janeiro. Em 1991 por diversos motivos eu encerrei as atividades com a música. Após este longo hiato de 1991 a 2019, eu estou voltando. Estou pagando um preço alto, pois, estou reaprendendo muitas coisas no mercado musical que eu já sabia de cor e salteado, mas não fico incomodado com isso. Acho que tem que ser assim.

06) RM: Quais motivos o levaram a parar com a sua carreira musical nos anos 90?

Thadeu Camargo: Eu interrompi a minha carreira musical no início dos anos 1991. Eu era muito inconsequente, imaturo, estava entrando em um caminho perigoso das drogas. Mas após o meu filho nascer em 1991, acendeu uma luz de sabedoria me dizendo que eu precisava mudar o meu ritmo, meu modo de vida não só pelo meu filho, mas por mim mesmo. Se eu não parasse provavelmente não estaria agora dando esta entrevista. Na época eu não via outra forma de mudar totalmente a não ser parando de fazer e tocar música. Fazer uma mudança radical era na época a minha característica. Eu era radical e não enxergava meios “maduros” para mudar. Encerrei totalmente as atividades com a música. E passei um longo tempo me dedicando a minha família, cuidando do meu filho e da minha filha que nasceu alguns anos depois. E procurei outras formas de emprego e achei no ramo da informática algo que me dava gosto de fazer, não tanto como a música, na realidade nem chega perto, mas é uma profissão que eu gosto. Após este longo hiato, eu estou voltando em 2019.

07) RM: Quando pretende lançar suas músicas?

Thadeu Camargo: Pretendo ainda em 2019 lançar uns singles nas plataformas digitais e no YouTube.

08) RM: Como você define seu estilo musical?

Thadeu Camargo: Eu não me considero um compositor de um único perfil. Minhas influências assim como minhas composições passeiam por diversos estilos, já criei samba, MPB, rock, até sertanejo. Eu pretendo seguir mais na linha da MPB para que não fique tudo muito misturado, porém eu sempre digo que a música é livre e sendo assim, por que não mesclar futuramente? Nada é descartado.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Thadeu Camargo: Não me considero um interprete, porém eu sei que eu tenho uma técnica para cantar. Preciso ter cuidado e usar as técnicas de vocalização. Isso é primordial ser afinado para não cantar semitonando. São os cuidados essenciais para quem canta.

10) RM : Quais as cantoras(es) que você admira?

Thadeu Camargo: Em primeiríssimo lugar: Elis Regina! Depois vem Gal Costa, Zizi Possi, Maria Bethânia, Marisa Monte, Nana Caymmi. O nosso país é privilegiado, pois possui excelentes cantoras.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Thadeu Camargo: Antes de aprender violão eu fazia músicas sem instrumentos, só na voz, até eu começar a tocar o Violão. Acredito que o meu processo de aprendizagem no Violão foi inédito, não sei de alguém que tenha aprendido de modo parecido. Aprendi tocar Violão criando músicas. Não tocava músicas de terceiros para aprender. Não passei pelo processo de tocar “ASA BRANCA” para treinar. Eu fazia as minhas próprias composições e acordes no Violão enquanto estava aprendendo. Eu só fui tocar músicas de terceiros no Violão bem mais tarde. Não tenho um processo para criar minhas músicas. Eu já fiz música fechado em um quarto; já compus ao ar livre; já fiz música no meio do caos; já fiz música enquanto estava fazendo outras coisas. Posso dizer com absoluta precisão que pelo menos 80% de minhas composições a melodia veio quase toda de supetão na minha cabeça. Geralmente eu crio uma música em torno de meia hora. Lógico que existem aquelas que demoram dias e às vezes semanas pra terminar, mas a maior parte vem rápida, bem rápida. Existem aquelas que eu faço a melodia em dez minutos, mas deixo para fazer a letra depois. Devo ter agora neste momento umas 30 melodias para colocar letra (risos). As vezes tenho uma preguiça “Buarqueana” para terminar algumas músicas (risos).

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Thadeu Camargo: Já criei música com Felipe Bedetti, Marcos Veiga (produtor da banda “Tempos”), Léo Salles (que é o baixista da banda “Tempos”), e recentemente fiz uma melodia para uma letra linda do Igor Sebastian, da banda “Nave de Prata”; nem sei se esta música já tem nome.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Thadeu Camargo: Jodar de Castro gravou um samba meu “MPB SAMBA PRA PORTELA”.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Thadeu Camargo: Acredito que a vantagem de ser independente já está no nome, ou seja, ser livre e tem total independência para fazer o seu som sem influências, digamos “empresariais”. Você pode fazer seus arranjos sem aquele ranço comercial das gravadoras e sem influências no seu estilo. A dificuldade fica na divulgação da música. A divulgação depende somente de você, de seus amigos e fãs. A internet ajuda muito através das redes sociais e isso é uma grande ferramenta. Na época em que eu tinha banda na década de 1980, a gente sentia muita falta disso, pois nossa influência musical e divulgação ficavam restritas ao bairro. Hoje em dia você lança um single e pode atingir o mundo todo. É preciso uma maior motivação, um engajamento maior dos músicos e de quem gosta e trabalha com música. Temos uma ferramenta poderosíssima, porém poucos a sabem utilizar e utilizam em toda a sua plenitude.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Thadeu Camargo: Em 2019 eu pretendo gravar pelo menos um ou dois singles. Se puder mais, melhor. Hoje em dia a melhor estratégia é essa. Gravar um CD acaba sendo muitos custos e as pessoas perderam o hábito de ouvir CD. A internet fragmentou demais a música. Pretendo fazer um show Tributo ao Clube da Esquina Acústico. E também pretendo voltar a tocar na noite, de leve, rs…

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Thadeu Camargo: Eu divulgo mais outros artistas do que eu mesmo. As redes sociais mudaram o modo de ver o artista. Em 2017 eu decidi resgatar as minhas músicas e deixá-las registradas no Youtube e nas redes sociais para ficar para a posteridade (risos). Acabei percebendo que meu propósito era maior. As pessoas acabam vendo estas músicas, sem arranjos, sem produção como um registro intimista, como se todo mundo estivesse em uma reunião de amigos e alguém pegasse o Violão para mostrar as suas músicas. Percebi que muita gente começou a fazer isso e eu acho ótimo. Acabou esse negócio de mostrar a música somente em CD ou single. Por que não mostrá-la só na Voz e Violão, sem produção como se estivéssemos reunidos em uma mesa de bar ou na casa de alguém? Isso é ótimo e aproxima mais o artista ao público. Tenho mostrado minhas músicas e continuarei assim, mesmo após gravar os singles. Hoje em dia o CD físico é como se fosse um cartão de visitas. Não acredito mais na venda de CDs. Entrar neste ramo é perder tempo. Usar os CDs para venda ou até mesmo distribuição nos shows e investir pesadamente nos streamings, Youtube e principalmente nas redes sociais e webrádios. O futuro da boa música está aí. As rádios comuns, TVs, a mídia tradicional estão fora deste circuito, a não ser que eles mudem suas atitudes em relação aos novos e bons artistas.

17) RM : O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Thadeu Camargo: A internet talvez seja a melhor ferramenta que poderíamos ter. E é. Porém precisa ser bem utilizada e com inteligência. Saber divulgar nas redes sociais, nos grupos, no youtube, nas webradios. Com uma divulgação inteligente o artista tem tudo a ganhar. Talvez o que possa prejudicar seja a fragmentação de informações. Isso é um fenômeno mundial com advento das redes sociais. A internet traz muita informação e também abre canal para muita gente. Então volto mais uma vez para o que falei anteriormente, saber divulgar seu trabalho com inteligência deixa você à frente daquele artista que só “posta” o trabalho e não dá muita atenção a isso.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Thadeu Camargo: Muitas vantagens. Eu costumo falar que eu era da época dos dinossauros (risos). Na década de 1980 era um parto para fazer uma fita K7 DEMO, ou seja, nem era fita final, apenas uma fita de demonstração para levar às gravadoras. Um estúdio era caríssimo, os custos de gravação, enfim, era tudo difícil. Hoje em dia está muito, mas muito mais fácil de gravar. Muitas vezes nem precisa ir para um estúdio. Tendo os equipamentos adequados pode se gravar em casa mesmo. A mixagem também pode ser feita no computador. A única desvantagem que eu vejo é a falta de um arranjador/produtor. Existem artistas que acabam carecendo disso. Muitas vezes a música é boa, mas o arranjo e a mixagem acabam estragando o produto final.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Thadeu Camargo: Eu não faço nada (risos). Talvez este trabalho na internet que eu faço para os outros artistas, eu tenha que cuidar mais de mim (risos). É preciso fazer muita divulgação. A fragmentação de informações pode dificultar o artista que não está familiarizado com a internet. A divulgação inteligente nas redes sociais, webradios é fundamental.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Thadeu Camargo: A música brasileira vive e vive muito, MUITO bem! Grandes artistas do passado estão produzindo bastante ao passo que novos artistas continuam aparecendo e tem muita gente boa. Djavan, Chico Buarque, Caetano Veloso, Cláudio Nucci lançaram excelentes discos nos últimos anos. O Lô Borges, Telo Borges e Flávio Venturini vão lançar disco em 2019, assim como o “Boca Livre” parece estar com gravações em andamento. Criolo é uma grande personalidade e tenho certeza que deve dar muita coisa boa pra gente. E tem aqueles que a grande mídia não toca, mas são grandes artistas e merece todo o reconhecimento como o Felipe Bedetti, Mari Blue, que junto com a Bárbara Barcellos considero duas das melhores vozes femininas atualmente no Brasil. Velho Oliveira, João Ninguém, Adi Matos, Ilmar Paes, Fábio Moraes, Edelson Pantera, Zé Luiz Rodovalho, A Banda Nave de Prata, a Banda Gente, Juçara Freire, Banda Troá, Lizza Dias, Joice Taciana, Amarildo Silva, Emílio Victtor, Alex Bocão, Renato Novaes, Raphael Montechiari e sua banda ALUMIA, Alex Rios, a banda Dingo Bells, Tuca Oliveira, Marco Antônio Bouquard. Vou parar por aqui… Se começar e relacionar todo mundo essa resposta será um verdadeiro testamento (risos). Mas é por aí que a gente vê que a música brasileira está sendo renovada e muito bem renovada. Todos aí citados possuem excelentes trabalhos, fora os que eu não citei. No entanto eles não tocam na grande mídia. Por isso, que eu dou tanto valor à internet, as redes sociais as webrádios, principalmente a MÚSICA TÁ NA PISTA, que é uma rádio que pegou este espírito e está investindo nessa galera aí, a maior parte já toca na MTNP. Acredito que a tendência será surgirem mais rádios deste tipo e cada vez mais as pessoas irão conhecer estes trabalhos sensacionais que estão aí, já disponíveis para ouvir. Quanto a artistas que tiveram regressão, não sei bem se a palavra é essa… Não acredito em regressão, mas sim um tempo ou cansaço para fazer algo novo ou algo bom… Talvez o Fagner e o Roberto Carlos tenham entrado neste lugar comum.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Thadeu Camargo: Eu diria que não só em relação ao profissionalismo e qualidade artística, mas também pela postura em relação às pessoas. O Lô Borges, Toninho Horta, Telo Borges, Cláudio Nucci, Maurício Maestro, Bituca (Milton Nascimento) além de serem fenomenais no que fazem em relação à música, tem aquela simplicidade e sabedoria para reconhecerem que as pessoas são importantes e que o artista não é o centro do universo. É deplorável quando o artista se acha o máximo, acima de tudo. Não, ele não é e nunca será um Deus acima do bem e do mal. O artista é uma pessoa de talento assim como um advogado, um médico, um engenheiro que exerce bem a sua profissão. Existem pessoas muito mais importantes para o ser humano como os voluntários das ações sociais, os bombeiros, os médicos… Quando o artista percebe isso e trata as pessoas como devem ser tratadas, com respeito, carinho e atenção ele está sendo muito maior do que a sua própria obra.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Thadeu Camargo: Há muito tempo atrás ainda quando eu tocava regularmente na noite tinha um quiosque na rua de minha casa e o dono me chamou para tocar lá. Na primeira noite estava quase vazio, na segunda já começou a encher, mas na terceira o Quiosque estava completamente lotado. Féria garantida, porém começou uma briga e era nada mais nada menos o próprio dono do quiosque que estava metido nela, eles se rolando e se estapeando no chão… cara não sei se foi cômico ou trágico. Depois ele veio me pedir desculpas pelo ocorrido mas eu falei pra ele “cara, você devia é pedir desculpas a você mesmo, pois quem vai arcar com o prejuízo desta briga é você, porque tu que é o dono do quiosque..” Teve uma vez também que tinha uma menina que tava meio “calibrada” eu acho.. queria porque queria de qualquer jeito me beijar no palco, rs… não sei de onde eu tirei jogo de cintura mas consegui me safar dessa. Na época eu já estava com a Minha Baixinha e ela estava grávida do meu primeiro filho. Ficar de galinhagem já estava fora de meus planos, rs… Existem várias outras situações que eu vivi também com a banda e tal mas se for contar aqui vira livro, rs..

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Thadeu Camargo: A música! Eu amo a música e isso me deixa muito feliz. Gosto tanto dela que eu a reneguei por vários anos justamente por saber que não conseguiria trabalhar nela do jeito que eu gosto, mas isso foi em outra época, minha cabeça não era lá muito legal.. hoje em dia, com a cabeça no lugar, posso lidar a música com maturidade e isso realmente me faz muito feliz. A tristeza fica por conta da falta de reconhecimento da mídia, a falta de condições da boa música despontar com força em todos os lares. Isso tem uma razão, aliás, várias razões, mas faz parte. Porém existe jeito para reverter isso, mas depende de toda a classe e de quem também trabalha com música, seja na produção ou divulgação.

24) RM : Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Thadeu Camargo: O Rio de Janeiro é um caldeirão de bons músicos, de bons compositores, porém assim como no resto do país, não tem o apoio da grande mídia. O que temos em evidência por aqui é fruto de um trabalho desastroso, de uma educação desastrosa, de uma política desastrosa, isso tudo influi na música. A qualidade caiu vertiginosamente. A terra de Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Cazuza, Renato Russo, Chico Buarque está no C.T.I musical. Mais do que nunca é preciso à união dos novos músicos para que em um futuro próximo o Rio de Janeiro volte a despontar como um belo cenário musical. Vejo Belo Horizonte bem à frente do Rio de Janeiro neste quesito. Lá tem uma galera muito boa que está se mexendo.

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Thadeu Camargo:Kosmo Coletivo Urbano” faz um som de outro mundo. Instrumental de primeiríssima. Acabaram de lançar um disco. Lizza Dias que também já tem um CD, “Banda Yathos”, Bia Nogueira que acabou de lançar um lindo clipe, “Banda Troá”, Amarildo Silva, A “Banda Zé Zen” que faz um rock irreverente e de primeira, Joice Taciana, que agora é integrante da ala de compositores da Estácio de Sá, Mari Blue e Mário Wamser, apesar de serem mineiros, estão radicados aqui no Rio de Janeiro, a “banda GENTE”, Cláudio Nucci acabou de lançar um EXCELENTE CD, chamado “INTEGRIDADE”, A “banda ALUMIA”, do Raphael Montechiari, está para lançar seu segundo álbum. Eles misturam o rock progressivo com MPB de modo sensacional. Elza Soares que após anos e anos decidiu fazer um trabalho sensacional com músicas inéditas, lançando novos compositores, Renato Novaes, Tuca Oliveira que apesar de também ser mineiro como a Mari e o Mário, está radicado no Rio de Janeiro, o pessoal da “Nave de Prata”, Igor Sebastian e Raphael Guimarães. É como eu disse, muitos fatores desastrosos fizeram com que o Rio de Janeiro perdesse seu protagonismo e seu elo com a boa música, mas isso pode ser revertido. Não faltam bons nomes para isso.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Thadeu Camargo: Pelo critério de qualidade não só as minhas como desta galera toda que eu citei; fora os que eu não citei. O jabá sempre existiu, porém atualmente acredito que exista um grande monopólio de empresários que tomaram conta das rádios. Eu não conto mais com a grande mídia. Para mim o futuro da boa música está na internet, nos streamings, Youtube, nas redes sociais e nas webrádios, igual “A MÚSICA TÁ NA PISTA” pegou esta ideia e está seguindo em frente. Acho que precisamos agora é de gente que trabalhe com música e que pegue esta ideia para alavancar as redes sociais com divulgação dos novos artistas. A minha página “SONS DO PASSADO E PRESENTE” procura fazer isso, mas precisamos de mais gente. Precisamos de alguém como o saudoso Dery Nascimento que “pegou um trem para o céu” (compositor, produtor musical e crítico musical que nasceu no dia 30 de julho de 1968 em Palmares – PE e faleceu no dia 09.02.2018 em Guarulhos – SP) que fazia um lindo trabalho de divulgação de novos e bons artistas no http://planetampb.blogspot.com/. Atualmente temos o João Ribeiro, o J.C.Erre que apesar de todas as dificuldades, que são muitas, consegue levar à frente o trabalho da webrádio “MÚSICA TÁ NA PISTA”https://www.radiowebmusicatanapista.com/. O Marcos Veiga, produtor da “Banda TEMPOS” e presidente do fã Clube de Marechal Hermes que promove os encontros musicais não só no Rio de Janeiro como em Lumiar – RJ, com tributos ao Clube da Esquina e a boa música, mas precisamos de mais gente. Quem trabalha com música, gosta de música e tem esta capacidade para escrever e divulgar novos trabalhos precisa se apresentar e começar a trabalhar nisso. A música, a boa música depende disso. A revista RitmoMelodia que existe desde 2001 divulgando os músicos e a música brasileira.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Thadeu Camargo: Primeiramente, GOSTAR de música, muito… Em segundo lugar, procurar saber realmente quais são as suas prioridades. Ganhar dinheiro? Música não dá dinheiro a não ser que você consiga fazer seu trabalho alavancar. Então se for para entrar na música e se “prostituir” tocando o que não gosta, pense bem. Vale a pena? Siga o seu ideal, siga os seus sonhos. Tome como uma máxima a frase de Márcio Borges na letra da canção “Clube da Esquina II”: “OS SONHOS NÃO ENVELHECEM”. Seja honesto consigo mesmo.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Thadeu Camargo: Antigamente eu detestava Festivais de Música. Sempre achei que a música não deveria ser competição e por causa disso eu nunca participava. Ainda acho que a música não é competição. Porém de um tempo pra cá eu comecei a ver os Festivais de Música não como competição, mas sim como uma reunião, um encontro de músicos e compositores, uma forma de trocar ideias, para cada um dar força ao outro. Minha visão sobre isso mudou. A partir do momento em que não vejo mais como competição, eu trato os Festivais de Música como algo benéfico para a classe. Este ano pretendo participar de Festivais de Música sem competição.

29) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música revelar novos talentos?

Thadeu Camargo: Sim, é um meio. Assim como as webradios, o Youtube, as redes socias.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Thadeu Camargo: Triste… Péssima e muito falha. A exceção é algumas poucas matérias. A grande mídia é voltada para o populismo musical, a música feia, suja e desqualificada. No entanto a internet já muda um pouco este panorama. É nela que as boas resenhas, as matérias, lançamentos são divulgados com mais clareza. Se a grande mídia não mudar seus hábitos, o futuro da boa música está na internet.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Thadeu Camargo: É uma pena que estejam querendo acabar com isso. É mais uma grande força para a cultura. Devemos lutar para que isso não acabe.

32) RM: O Bar é ainda uma boa opção para o músico?

Thadeu Camargo: Sim, lógico. O Bar deixa o músico em evidência. O artista tem que estar sempre tocando, sempre aparecendo. Se ele não aparecer, as pessoas se esquecem dele e é evidente que tocando em bares o músico conseguirá atingir mais e mais pessoas e logicamente não será esquecido. É claro que uma boa parte nem está aí para as músicas que estão sendo tocadas, porém sempre tem alguém que está ouvindo e percebendo o trabalho do músico. Se dez não ouvem, mas um está gostando já é ótimo. Sempre.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Thadeu Camargo: Gravar alguns singles e quem sabe num futuro próximo um EP. E tocar, tocar, tocar (risos). Mas também pretendo continuar um trabalho que na realidade já faço há algum tempo com a página SONS DO PASSADO E PRESENTE em conjunto com a webrádio “MÚSICA TÁ NA PISTA”, na qual o seu dono, João Ribeiro, o J.C.Erre já faz com maestria, muita dedicação, muito amor e competência: Ajudar a divulgar artistas independentes, fazer aquele trabalho de formiguinha, mas que é essencial, pois se ninguém o fizer aí é que a nossa música vai para o brejo. Espero que mais e mais pessoas percebam o quanto este trabalho é importante que venham para este time. A boa música só vai para frente com união dos músicos, dos compositores e das pessoas que trabalham com música.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Thadeu Camargo: Agradeço a RITMOMELODIA a oportunidade desta entrevista e o trabalho da revista é muito bom e acima de tudo PRIMORDIAL para que a música continue sempre em evidência, que os novos e bons talentos tenham oportunidades de contar a trajetória musical. A revista faz parte deste processo. Gratidão.

(21) 99116 – 8402 | [email protected]  | [email protected]| https://web.facebook.com/thadeucamargocompositor | Instagram: @tccamargo58 | Youtube: Thadeu Camargo – Compositor: https://www.youtube.com/channel/UCSVsSZ3sDMhkmhqJidZdMFQ?view_as=subscriber


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.