Shirley Espíndola

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Shirley Espíndola
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A cantora paulistana Shirley Espíndola nasceu para cantar. Quem ouve seus CDs e assistir seus shows não têm dúvidas do seu talento e de sua voz de sereia.

No seu primeiro CD – “Bossa Romântica”, dirigido e produzido por Roberto Menescal, um dos mestres da Bossa Nova orientou-a sussurrar as suas possibilidades e extensão vocal para entrar no clima do gênero. A máxima é, que o menos é mais. Um trabalho de alto nível técnico e criativo reconhecido no exterior como um legítimo trabalho de uma música brasileira que ganhou o mundo na década de 50 e que no novo milênio (2003) foi revisitado com maestria. Além da participação especial do músico, compositor e intérprete: Danilo Caymmi.

Em 2005, participou do 8º Prêmio VISA de Música Brasileira – Edição Vocal 2005- e, dos 2.686 inscritos, ficou entre os 24 candidatos classificados para a etapa semifinal. E em junho 2006 lançou o segundo CD – “Caminho das Águas” – que ela identifica como um gênero de música popular brasileira cristã por tratar do tema espiritual sem dogmas religiosos. Nesse disco ela mostra todo o seu potencial de cantora, seu domínio na técnica vocal e sua versatilidade musical. Um disco conceitual que merece mais de uma audição para ser compreendido toda a essência do trabalho. Um som para ouvir, refletir e meditar.

Em setembro de 2007 lançará o seu primeiro livro – Voz e Canto – Fisiologia e Arquitetura – em parceria com a fonoaudióloga Aline Tafarelo e tendo a participação especial do otorrinolaringologista Luis Henrique Chechinato. Nesse livro ela expõe toda sua experiência como professora de canto.

Shirley já atuou em telenovela, e como radialista apresenta o programa Tons do Brasil na rádio difusora AM de Jundiaí – SP. É uma mulher polivalente e tem disciplina, profissionalismo, talento, carisma e um perfeccionismo de ourives que faz nascer das suas mãos belas jóias. Com seu alto nível de exigência pessoal e profissionalismo, vai realizando, sem pressa de chegar, uma discografia de pérolas raras.

Segue abaixo a entrevista exclusiva com Shirley Espíndola para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em Agosto de 2007:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua cidade de origem e sua data de nascimento? 

Shirley Espíndola: Nasci em São Paulo – SP no dia 5/02/1962. E desde 1999 estou radicada em Jundiaí – SP.

02) RM: Como foi o seu primeiro contato com a música.

Shirley Espíndola: Tenho certeza que foi no útero materno, fui gerada em meio à música. Logo que comecei a falar, já aprendi a cantar, sempre incentivada por minha mãe que vivia cantando o tempo todo. Ela, quando jovem, participou de um concurso de calouros na rádio Clube em Guaratinguetá – SP e foi vencedora. Sempre que havia visitas em casa, meus tios e padrinhos pediam para que eu cantasse uma música.  – Eu respondia que cantaria em troca de uma “moedinha”, e logo estendia a mão para ganhá-la. 

03) RM: Quais foram as suas primeiras influências musicais? Quais permaneceram e quais são as atuais?

Shirley Espíndola: Quando criança, a minha mãe adorava ouvir e cantava sempre as canções de Luis Vieira – “Menino Passarinho” e “Paz do Meu Amor”; e de Moacyr Franco – “Suave é a Noite”. Estas foram às músicas que logo aprendi nos primeiros anos de vida. Com a chegada dos Festivais de Música na TV e com o programa Fino da Bossa, acompanhava junto com a minha mãe todas as edições em casa pela TV e ouvia muito Elis Regina, Jair Rodrigues, Chico Buarque, Nara Leão e Tom Jobim. Com oito anos de idade fui aprender piano e com dez, ganhei um lindo violão dos meus pais; um Di Giorgio 28 Clássico vermelho com cordas de nylon pretas; que por sinal tenho até hoje. Minha professora na época Dona Mimi ensinou-me muitas músicas folclóricas brasileiras e as primeiras batidas da bossa nova e do samba. Por toda infância e juventude passei as minhas férias em Guaratinguetá no Vale do Paraíba, cidade natal de minha mãe; cuja família, em sua maioria era composta por músicos. E entre o violão, e o cavaquinho que davam vida e harmonia as composições dos meus tios Cláudio e Dito, seguia a marcação rítmica da bateria improvisada do tio ; composta por panelas e talheres; junto à marcante voz do tio Gilberto.  Nestes preciosos encontros de cirandas, serestas, choros, sambas e bossa nova, eu descobri que jamais deixaria de me lembrar destes importantes momentos musicais que até hoje marcam a minha trajetória de cantora. Tantas eram as canções que fluíam transbordante e espontaneamente de dentro de todos que ali estavam, que certamente jamais me esquecerei destes maravilhosos momentos. Pelo fato da cidade de Guaratinguetá localizar-se no centro do eixo Rio – São Paulo, a influência do samba carioca é uma característica cultural muito presente entre os guaratinguetaenses, como também a tradição do carnaval, com suas escolas de samba: Mocidade Alegre, Beira – Rio e Embaixada do Morro. Lembro-me, que meu tio Cláudio, muitas vezes além de compor sambas enredo, era puxador da escola e tocava cavaquinho em cima do trio elétrico. Isso marcou a minha infância e a alegria e o entusiasmo que eu sentia com a chegada das férias escolares, fazia com que eu não perdesse nenhum dos ensaios na quadra, nem tão pouco o desfile das escolas assistido de camarote VIP.

Na adolescência apaixonei-me pelo jazz, ouvia um disco de vinil da Billie Holiday e outro da Sarah Vaughan que tenho até hoje em casa. Mas paixão mesmo, loucura foi por Barbra Streisand, com a canção Evergreen, estreada no filme Nasce uma Estrela – Star is Born juntamente com Kris Kristofferson (1976), acho que foi nesta época que aprendi a apreciar os temas mais românticos. As influências que permanecem até hoje são de: – Internacionais: Billie Holiday, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Chet Backer, Aretha Franklin, Barbra Streisand, Nat Kin Coleentre outros.

– Nacionais: Tom Jobim, João Gilberto, Alaíde Costa, Roberto Menescal, Elis Regina, Zizi Possi, Jane Duboc, Joyce, Rosa Passos, João Bosco, Caetano Veloso Chico Buarque, Francis Hime, Fátima Guedes, Milton Nascimento e Flávio Venturini.As influências atuais são: Internacionais: Bob MacFerrin, Jamie Cullum, Diana Krall, Joss Stone, Norah Jones entre outros.Nacionais: Ná Ozetti, Bebel Gilberto, Luciana Souza, Celso Fonseca, Zé Renato, Mônica Salmaso, Lenine, Roberta Sá, Eduardo Gudin, Chico Pinheiro entre outros.

04) RM: Qual a sua formação musical (Teórica) e a sua formação fora da área musical?

Shirley Espíndola: Musical: Sou formada em canto popular pelo Centro de Estudos Musicais Tom Jobim – SP, e tive como professores Pat Escobar, Itamar Colaço e maestro Roberto Sion. Estudei violão popular e piano clássico com a professora particular Dona Mimi e mais tarde no Grupo Ama. Estudei canto erudito com a mezzo-soprano Graziela Sanches e com o tenor Luis Tenáglia. Atualmente estudo canto erudito com a soprano Carla Mendes e piano com o pianista Otávio Piola.

Escolar: Psicologia na Unip – Universidade Paulista – São Paulo, Radialismo setor locução no Senac – SP e espanhol no Colégio Miguel de Cervantez – Delle. Curso de artes cênicas e preparação para atores na Oficina Oswald de Andrade.

05) RM: Quando você começou a sua carreira musical?

Shirley Espíndola: Em 2000, com um trio de MPB, Bossa Nova e Jazz. Fizemos a primeira apresentação no Tom da Terra em Indaiatuba – SP. No mesmo mês cantei em Itú – SP num Pub Bar “Baccos”. Um detalhe interessante a ser comentado; é de que o trio era composto por bons músicos e estes já estavam super entrosados. O pianista era médico por profissão, o baixista, militar atuante e o baterista era o único músico profissional. Logo percebi que esta formação não teria muito futuro devido aos compromissos profissionais de cada um deles. Mas, curiosamente, realizávamos vários shows e todos eles com muito com sucesso.

06) RM: Quais foram os primeiros obstáculos no início da carreira?

Shirley Espíndola: Compor um repertório e ensaiá-lo. Foi uma loucura, em 30 dias preparei o meu primeiro show, pois, não podia perder o convite e a oportunidade que surgira, de me apresentar em Indaiatuba; desta maneira, acabei cantando somente as músicas que os músicos sabiam tocar. Comecei do zero, sem ter no programa musical quase nenhuma das canções que estava acostumada a cantar. Com o passar do tempo fui escolhendo aquelas que mais gostava e as que combinavam comigo, com a minha voz e com a minha personalidade.

07) RM: Quantos CDs lançados? Qual ano e título? Qual o perfil de cada um?

Shirley Espíndola: O primeiro foi o CD – “Bossa Romântica”, lançado pela Albatroz Music com distribuição da Trama em 2003 (14 faixas) / MPB – Bossa Nova, com produção e direção de Roberto Menescal e participação especial de Danilo CaymmiTifany Espíndola participa dos vocais, e divide comigo a música “O Que é Amar” (Johnny Alf). Este foi um trabalho de grandes canções que marcaram a bossa nova e ao passar pelas mãos de Menescal, ganhou uma nova roupagem por meio de diversos arranjos e ficou mais swingados. Canções românticas, mas com swing compostas por Dolores Duram, Newton Mendonça e Vinícius de Moraes em parceria com Tom Jobim, Abel Silva, João Donato e Lysias Ênio, Johnny Alf, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, Marcos Valle e Paulo César Valle, Danilo Caymmi e Dudu Falcão, Luis Bonfá e Antônio Maria e Caetano Veloso. O estilo foi criação do próprio Menescal que determinou para eu fazer uma interpretação em que utilizasse pouca voz, de forma soprosa, sussurrada e suave. Lembro-me sempre que uma das constantes observações do Menescal – pois é assim que o chamamos, era a de que eu cantasse com a boca colada ao microfone.  Ele sempre repetia a frase: – “Mais é menos Shirley; lembre-se disso”.

O segundo CD – “Caminho das Águas” é um trabalho independente lançado pela MP – Produções/ 2006 – (10 faixas) / MPB, com letras de conteúdo cristão e humanista. Este foi um projeto que eu vinha guardando há cerca de 12 anos. O grande objetivo era o de cantar e gravar um CD de música brasileira de qualidade com uma mensagem espiritual de paz, amor e de dias melhores. Entre os compositores presentes estão os veteranos João Alexandre, Jorge Camargo, Beto Tavares, Aristeu Pires, Carlinhos Veiga e os atuais Sérgio Pereira, Thiago Vianna, Fernando Baeta e Miguel Garcia.

08) RM: Por que você escolheu o estilo Bossa Nova no primeiro CD?

Shirley Espíndola: No início eu tinha uma queda pela Bossa Nova, mas não morria de amores. Por indicação de um amigo, conheci o Menescal em um encontro no teatro do Clube Pinheiros em São Paulo; durante a passagem de som que antecedia ao show de Cris Delanno – Nara “Uma Senhora Opinião”; e já me simpatizei com ele. Tive a oportunidade de sentir e compartilhar de sua sensibilidade e experiência, ao me definir como uma cantora de grandes canções. Claro que ele fez a diferença na escolha da Bossa Nova e certamente fui influenciada por ele neste contato. Mas não tenho a menor intenção de ser caracterizada como uma cantora puramente de Bossa Nova; isso limitaria em muito a minha atual proposta de trabalho; que é a de interpretar a música brasileira nos seus mais variados estilos.

09) RM: Como foi a relação pessoal e profissional com Roberto Menescal?

Shirley Espíndola: Foi maravilhoso; uma experiência única. A aproximação com Menescal foi uma oportunidade que surgiu na minha vida, e durante o desenvolvimento do projeto, tive a oportunidade de passar dias no Rio de Janeiro em seu estúdio, desfrutando de sua companhia e orientação para a escolha do repertório e gravação do CD. Ele é uma pessoa bem agradável, superbem humorada e muito pragmática. Além de Menescal demonstrar ser muito experiente, ele soube captar totalmente a minha emoção, meu modo de agir mesmo antes do que eu falasse quais eram as minhas influências e gosto musical.

10) RM: No seu segundo CD – Caminhos das águas – o tom religioso das canções é evidente. Você classifica esse CD como Gospel?

Shirley Espíndola: No CD – “Caminho das Águas”, existe a presença de outros estilos como o baião, afro, afoxé, samba partido alto e o fusion. Como posso classificá-lo como Gospel se o próprio segmento não o classifica? Este disco é diferente do que se diz Gospel conhecido pelo mercado como sendo na maioria das vezes um trabalho voltado à ênfase no pop, rock, funk e black music. Pelo contrário “Caminho das Águas” fica fora do catálogo, pelo fato de ser na linha de MPB de qualidade. A maioria dos consumidores, cristãos brasileiros, ainda não adere a este gênero de MPB cristã.  Vale também comentar que o Troféu Talento 2007, responsável pela maior premiação da música Gospel no Brasil, absurdamente não inseriu a categoria classificatória de MPB para indicação e nomeação das obras do gênero. Infelizmente estes são os contagiosos vírus da indústria cultural de música cristã no Brasil.

11) RM: Como foi a gravação do DVD? E como foi aproximação e participação especial de Alaíde Costa e Eduardo Gudim?

Shirley Espíndola: Desde 2004, quando conheci o Gudim no Centro de Estudos Musicais Tom Jobim em São Paulo, (antiga ULM) percebi e me dei conta de quem eu estava muito próxima de um dos grandes compositores brasileiros. Este contato, admiração, e o conhecimento de suas obras, fizeram com que eu começasse a sonhar com a ideia de gravar algumas das canções de Eduardo Gudim no meu próximo CD. A primeira experiência foi quando apresentei a canção Ainda Mais (Eduardo Gudim / Paulinho da Viola) no Prêmio Visa em julho de 2005.

Conheci a Alaíde Costa em fevereiro de 2005 em Jundiaí – SP e tive o privilégio de participar de um show em que cantamos juntas “Morrer de Amor” (Oscar Castro Neves/ Luvercy Fiorini) e depois cantei a mesma canção no Visa.  Foi muito importante e maravilhoso para mim, contar com a presença de Alaíde (“minha madrinha” – como a costumo chamar) juntamente com Eduardo Gudim, no teatro Promon, para me prestigiar na eliminatória do 8ª prêmio Visa – Edição Vocal. Em dezembro do mesmo ano, convidei Alaíde e Gudin para participar do meu Show “O Que me Faz Feliz” na sala Glória Rocha em Jundiaí, em comemoração aos 350 anos da cidade. O show foi inesquecível e maravilhoso, cada momento foi gravado e registrado em DVD que não possui caráter comercial de venda.

12) RM: Com você se define como cantora?

Shirley Espíndola: Defino-me como uma cantora essencialmente de música brasileira. Voltada a uma personalidade de interpretação. Mas aberta naturalmente, ao conhecimento e estudo de todos os outros estilos e gêneros musicais, estando eles nas vertentes do popular como também do erudito. Sou uma profissional que busca constante e incessantemente o aprimoramento da técnica vocal, aliada à interpretação, a fim de atingir os níveis de capacitação necessários ao bom desenvolvimento da minha carreira.

13) RM: Como você define a sua proposta musical?

Shirley Espíndola: Minha proposta musical tem como base o repertório popular brasileiro. É voltado para a canção, primando pelo conteúdo e qualidade da letra, melodia, harmonia e dos músicos que comigo participam. Gosto de cantar aquilo que toca as pessoas e as faz pensar em si mesmas e em seu interior. Na maioria das vezes tenho a preocupação de transmitir uma mensagem positiva de valorização do outro, da auto-estima, do direito à vida, e ao amor. Adoro cantar sobre as coisas do cotidiano sob o ponto de vista mais realista do que da fantasia e transitar livremente entre os mais diversos ritmos brasileiros como a bossa nova, samba, choro, ciranda e canção.

14) RM: Quais os prós e contras de produzir e lançar um CD de forma independente?

Shirley Espíndola: Os prós numa relação de prioridades se definem inicialmente como primeiro item, o fato do artista estar ligado intimamente à liberdade de construção e expressão de sua obra.  É absolutamente possível a ele, realizar a escolha de seu repertório, dos músicos, com quem irá gravar ou tocar. É positiva também quanto à possibilidade de planejamento, referente às possíveis parcerias como a escolha dos distribuidores, produtores e casas de shows. O maior problema da produção e lançamento do artista independente é a divulgação do trabalho, sabemos que as ferramentas de marketing são absolutamente essenciais para este processo. Infelizmente a grande mídia cultural no Brasil é comandada pela indústria fonográfica, que por sua vez é completamente viciada em altos jabás, dificultando a vida do novo artista. Por outro lado o artista contratado de uma grande gravadora não possui autonomia, não tem o reconhecimento do seu respeito artístico, sendo considerado mais um mero produto na prateleira, como tantos outros. Não podemos deixar de considerar, por outro lado, o fato do grande sucesso adquirido e da divulgação do trabalho do artista que uma grande gravadora pode promover, devida à sua estrutura e experiência.

15) RM: Como você analisa dividir a cena e o mercado independente com grandes estrelas da MPB que não estão mais em grandes gravadoras?

Shirley Espíndola: Sinto que o espaço dos artistas novos independentes tem sido cada vez mais invadido pelos artistas que não estão mais em gravadora. Esta abertura de mercado produz conseqüências diretas em detrimento dos novos, tirando principalmente os espaços para shows.  A verdade é que o novo artista no início de sua carreira sofre o fato de não ser conhecido, de não ter as ferramentas de publicidade nas mãos devido ao alto custo destes serviços. Sabe-se que as maiores mídias de divulgação do artista como a televisão, e o rádio, estão inseridos num contexto altamente capitalista de custos elevadíssimos de jabá, sem os quais os artistas dificilmente decolam com rapidez. Logicamente que as casas de show e espetáculos preocupadas com seu faturamento advindas da formação de platéia, preferem conceder os espaços aos artistas mais conhecidos, garantindo seu negócio.

16) RM: Fale do lançamento do seu livro e dos Workshops.

Shirley Espíndola: Voz e Canto – Fisiologia e Arquitetura (Shirley Espíndola e Aline Tafarelo, com participação do médico Otorrinolaringologista Luiz Henrique Chechinato) é um livro prático, com dicas para profissionais da voz como cantores, atores, locutores, professores, oradores, advogados, políticos, religiosos, operadores de telemarketing, vendedores, guias turísticos, tradutores e intérpretes; e outros profissionais que utilizam a voz como instrumento; sobre o bom uso e cuidados com a voz, evitando eventuais lesões decorrentes de abusos vocais. O médico otorrinolaringologista Dr. Luis Henrique Checinato fala sobre o estilo belting e sobre os efeitos nocivos dos medicamentos para a voz. São abordadas as diferenças entre voz falada e cantada, noções de higiene vocal, técnica de microfone e psicodinâmica da voz. Orgulhosamente é a cantora Alaíde Costa quem escreve e assina o prefácio do livro. O livro acompanha um CD com 26 vocalizes e uma faixa bônus, da música instrumental vocalizada – Espelho da Tua Força (Fernando Baeta), para que o leitor possa praticar os exercícios vocais propostos. No lançamento agora em agosto (2007), teremos workshops ministrados pela fonoaudióloga Aline Tafarelo, juntamente comigo, seguido de pocket show agendados em Jundiaí, Campinas, São Paulo e Barueri.

17) RM: Fale de sua atuação como atriz.

Shirley Espíndola: Participei como solista e atriz coadjuvante do musical “Um Tempo Para O Natal” – From Heaven´s Throne, de David T. Clydesdale, sob a direção de Sérgio Pavarini em 1994, no Teatro Bibi Ferreira em São Paulo foi muito importante para a minha carreira como atriz. Interessante foi também fazer uma ponta na novela Louca Paixão da TV Record, contracenando com Maurício Matar e com Karina Barum. Depois disso trabalhei por um bom tempo com teatro infantil, recreação e animação de festas para crianças. Após esse período permaneci atuando no mercado publicitário em comerciais para a TV, cinema e vídeos institucionais.

18) RM: Fale de sua atuação como locutora apresentado o programa Tons do Brasil?

Shirley Espíndola: Produzir e apresentar o programa Tons do Brasil é desafiador e ao mesmo tempo gratificante. É o tipo de trabalho que todo artista deveria sonhar em ter, a fim de colocar para fora, a totalidade de seu espírito artístico – musical. Escolher as pautas, as agendas culturais, preparar a programação musical do melhor da música brasileira, entrevistar profissionais e pessoas formadoras de opinião; de dentro do contexto cultural brasileiro; é uma experiência fantástica. O comprometimento com a verdade, justiça, ética e respeito ao ouvinte e à nossa música e cultura brasileira; é a forma pela qual eu posso contribuir e ajudar, a melhorar o nosso Brasil, assim como a Ritmo e Melodia.

O programa Tons do Brasil prima pela qualidade do início ao fim, gosto de deixar os entrevistados a vontade para expressar a sua opinião e divulgar o seu trabalho bem como tocar as músicas dos artistas, que normalmente não são tocadas em outros programas de rádio, pelo fato, de em sua maioria ser dominadas pelas grandes gravadoras que só se preocupam em tocar enlatados e música comercial. Você quer me deixar feliz é me dizer que os ouvintes aprendem com o conteúdo do programa e gostam do que escutam. Um dia fiquei, tão emocionada quando um ouvinte disse no ar, que o Tons do Brasil e a minha locução enchia o seu dia de alegria, e prazer e o fazia recordar os momentos felizes da sua vida. Um dos quadros que gosto de fazer é o bate papo descontraído num dos cafés da cidade com pessoas formadoras de opinião onde entre um café e pão de queijo elas acabam contando tudo de si mesmas, consigo ir lá no fundo do coração e do subconsciente do entrevistado. Um dos entrevistados contou sobre a experiência dele e da esposa de fazer uma pegadinha a um casal de jovens na praia passeando completamente desnudos na beira do mar. Outro, um músico, contou que era a pessoa mais sortuda do mundo porque quando chegava em casa e contava para sua mulher que tinha ido tocar num motel ela ainda perguntava se tinha sido bom!

Aproveito para fazer o meu comercial, na internet, acessem o site www.portaljj.com.br  e clique no botão AO VIVO da Rádio Difusora 810AM, estou aos sábados das 13h às 15h com reprise aos domingos das 20h às 22h. Esta foi mais uma marcante influência que recebi dos meus familiares por parte de minha mãe, do Vale do Paraíba e da cidade de Guaratinguetá, pois meu tio Nelson Baracho – jornalista e radialista, está há anos à frente de toda a direção da Rádio FM E TV Metropolitana de Guaratinguetá, uma das emissoras da rede Metropolitana de rádio e televisão. Conhecer o saudoso Dr. Jair Sanzoni, Amira e Silvio Sanzoni – atual presidente do grupo das emissoras Metropolitana, fez-me um dia sonhar em ser locutora e apresentadora de um programa jovem. Quando me mudei para Jundiaí com a finalidade de firmar residência no interior, visitei a rádio Difusora e recebi como sugestão do Dr. Tobias Muzaiel, para ter um programa musical onde eu atuaria como apresentadora de rádio devida a minha bela voz de cantora (conforme as suas palavras). Eu realmente levei a sugestão a sério e me matriculei imediatamente no curso de locução do Senac. Antes mesmo de termina-lo, já estava comandando diariamente o programa de variedades Estilo Mulher – onde fique por 12 meses no ar -, e o Tons do Brasil que já caminha para completar três anos no final de setembro.

19) RM: Como foi ser selecionada para prêmio Visa em 2005?

Shirley Espíndola: Eu me inscrevi para o Visa, de forma despretensiosa. E quando recebi a notícia que havia sido classificada entre 2.250 inscritos para o projeto, fiquei super contente e lisonjeada com o fato de fazer parte do rol das mais belas vozes do Brasil.

20) RM: Fale do projeto do novo CD?

Shirley Espíndola: O terceiro CD contará com canções inéditas, possivelmente uma autoral e algumas releituras de músicas de já conhecidas do público. Aos compositores que porventura estejam interessados, em apresentar suas músicas podem enviar suas composições para minha seleção, para isso é só dar um passeio no meu site www.shirleyespindola.com.br .  Como eu gosto de música de qualidade e procuro ser perfeccionista em tudo que faço, pretendo que o novo CD venha marcar o meu estilo, a personalidade musical e evidenciar minha carreira como intérprete e cantora. Não tenho prazo firmado para lançá-lo, mas tenho certeza que fará a diferença na minha trajetória como artista.

21) RM: Fale de outros projetos?

Shirley Espíndola: Ah são tantos, gosto de viajar nas idéias e logo desenhar os projetos. Vou comentar sobre alguns sem colocá-los na sua prioridade. – Apoio ao movimento da ATINI – apoiar o movimento de salvação das crianças indígenas que nascem com alguma doença ou com má formação. Quando gravei a música “Patawi” no CD – “Caminho das Águas”, já tinha em mente um trabalho de divulgação e apoio ao movimento que cuida das crianças rejeitadas pelos índios que as enterram ainda vivas. Coloquei um vídeo no Youtube para despertar a atenção ao fato e pedir apoio ao movimento da ATINI.

Livro Tons do Brasil, já completando o terceiro ano no ar, o projeto caracteriza-se em escrever um livro sobre o tema do programa é simplesmente como se ligássemos o microfone quando está fora do ar. Contar passagens cômicas dos entrevistados, falar das entrevistas que mais me impressionaram, descrever a adrenalina que corre na produção do programa, e a transpiração – reação do temor e medo de cometer uma gafe no ar, como ocorreu com a Ministra do Turismo.

Todos os entrevistados sejam artistas, políticos ou da área da cultura me ensinaram alguma coisa nova e na troca retribuo com a conquista dos meus ouvintes para eles.

– Programa de TV será o aprimoramento e a continuação do programa na telinha com mais vibração, colorido e show. – Tourné para o Exterior, esta é uma experiência que quero ter, caminhar nas cidades que fazem cultura milenar, levar o que de melhor o Brasil oferece e transmitir os sentimentos através da música.

Contatos: RG Marketing e Produções – Roberto Gasperini
www.shirleyespindola.com.br / [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.