Sabah Moraes

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Sabah Moraes
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Sabah Moraes é natural da Ilha do Marajó (PA) e cresceu ouvindo e dançando o que em sua terra tem de melhor e mais original: as lendas contadas pelos caboclos e o carimbó dos Mestres Lucindo e Cupijó.

Iniciou os estudos musicais em 1986 na Escola de Música da Universidade Federal do Pará, em Belém. Por algum tempo dedicou-se ao violino, mas o contato com a obra vocal fez com que descobrisse a sua verdadeira paixão e passou a estudar canto com a professora Marina Monarcha. Em Belém (PA), Rolândia e Londrina (PR) participou de montagens líricas como solista. Trabalhou como maestro Interno e Assistente de Técnica Vocal na montagem da Ópera Don Giovanni (Mozart), em Fortaleza (CE) no ano de 1992. No ano de 1994, através de concurso público, Sabah Moraes passou a integrar o Coral Sinfônico do Estado de São Paulo, tendo, assim, a oportunidade de ser regida por grandes maestros, entre eles: Eleazar de Carvalho, Diogo Pacheco, John Neschling, Aylton Escobar.

A sua estréia na música popular deu-se em 1993. Desde então, vem apresentando-se em shows ao lado de grandes artistas brasileiros, em programas de rádio e televisão das principais cidades do país. Em São Paulo participou dos projetos: Vozes no Vórtice (SESC Vila Mariana), Caravana Brasil, Serenata da UMES, MPB nas Bibliotecas (Prefeitura de São Paulo). Seu canto é brejeiro; herança de suas raízes caboclas, mas possui o refinamento técnico adquirido no estudo do canto. Sabah Moraes tem participação  especial nos CDs de Ney Couteiro, João Bá, Alcyr Guimarães, Dércio Marques e outros. Lançou o CD – “PEDRA”, seu primeiro trabalho, em parceria com a gravadora CPC-UMES, com distribuição Eldorado.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Sabah Moraes para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.09.2001:

01) Ritmo Melodia: Fale da sua iniciação musical.

Sabah Moraes: Aos quinze anos eu comecei a estudar música na Universidade Federal do Pará. Estudei violino e posteriormente entre no Coral. Comecei cantar por brincadeira para ficar mais perto das minhas amigas que cantavam no Coral. Depois comecei a estudar canto e vi que eu gostava mesmo era de cantar e parei o violino. Fiquei estudando canto e fiz muitas apresentações em Belém em Ópera e participei de muitos Concertos. E minha estréia na música popular foi em 1993 no Festival da Canção de Marabá que é o maior Festival de Música da região. Ganhei o primeiro lugar no Festival e conheci o Ney Couteiro. E com essa relação musical com o Ney e depois a gente começou a namorar e casamos. Então a partir daí comecei a investir na minha carreira popular. Até então só era música erudita. A Música popular era só para ouvir. Nunca me imaginei cantando popular, por conta da impostação, do vibrato que era comum no erudito. Eu passei uns três anos trabalhando essa nova forma de cantar e conseguir. Hoje faço as duas escolas paralelamente.

02) RM: Como começou a sua atuação musical em São Paulo?

Sabah Moraes: Eu comecei a lecionar quando vim para São Paulo, após ter passado no concurso da sinfônica de São Paulo, em 1996 e às vezes ia para Belém ministrar Oficinas de canto e ministro aulas particular aqui também e aulas para iniciação musical para crianças.

03) RM: Fale sobre o seu primeiro CD.

Sabah Moraes: O meu primeiro CD – “Pedra”, gravado em 1998 distribuído pela Eldorado. O CD é bem diversificado, tem coisas mais regionais e outras com uma instrumentação mais urbanas e foi um CD que eu trabalhei bastante. E no meu primeiro trabalho eu tive a preocupação muito grande colocar músicos respeitados e conhecidos como: Proveta, Bocato, Oswaldinho do Acordeon, juntos com músicos bons, mas começando a carreira como: Ney Couteiro, Dino Barione, Marcelo Maineire. Tive essa preocupação de ter músicos experientes com músicos que estavam iniciando a carreira musical.

04) RM: Você está concluindo um novo CD. Fale um pouco dele?

Sabah Moraes: Estou gravando o CD: “Voa Canção”, estamos na fase final, falta muito pouco para conclusão. É um disco que está realmente muito meu espírito, minha arte, como cantora verdadeiramente da música brasileira regional. Tem muito carimbó, maracatu e canções falando da minha terra: Amazônia. Bem mais acústico que o primeiro. Tem muito cordas, sopro e muita percussão. E o lançamento está previsto para o inicio de 2002.

05) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Ney Couteiro.

Sabah Moraes: É muito boa, porque eu economizo pra caramba quando a gente faz show (risos); é um músico a menos para pagar. Além dele tocar comigo, ele faz a direção do show e no disco ele faz os arranjos, grava os violões e faz a direção musical. É uma grande economia. Mas também tem outro lado muito importante, ele conhece bastante o meu caráter e sabe o que eu gosto. Quando ele ouve uma música sabe se vou gostar da música e se vai ficar legal para mim. Às vezes a gente discute um pouco, como ele é o meu marido, quer o melhor para mim, mas às vezes eu penso um pouco diferente dele. Quero fazer outras coisas e ele pensando em me promover mais rapidamente, temos alguns impasses, mas faz parte. Está tudo em casa e é mais fácil de falar e mais fácil de ouvir, a gente tem mais abertura para falar mesmo o que está acontecendo, talvez não teria com os outros músicos. Mas esse segundo disco está sendo muito importante, porque há uma maior participação minha. No CD – “Pedra” ficou tudo ao critério dele. Tinham coisas que eu queria gravar e que acabei não gravando. No CD – “Voa Canção” eu escolhi o repertório e estou fazendo os arranjos junto com ele e os que não faço digo os instrumentos que quero colocar e da maneira que eu quero que ele conduza o arranjo.

06) RM: Você trabalho em conjunto de Bailes e em Bares?

Sabah Moraes: Como eu comecei cantando Ópera em Belém, sempre tinha concerto no Teatro da Paz. Depois que comecei cantar música popular, eu fiz o concurso para o Coral Sinfônico de São Paulo e passei. Tivemos que vim para cá. Cantei durante sete anos e sair no final do ano passado (2000). Eu nunca pensei em cantar na noite, porque tinha meu emprego no Coral. E cantar na noite é uma opção de quem está a fim ou precisa para sobreviver. Eu nunca tive vontade de cantar na noite, seria uma experiência legal para mim, mas eu sou chata quanto ao repertório e não aceitaria bilhetinhos para cantar músicas que não acredito e que eu não goste de cantar, em barzinho a gente não canta só o que a gente gosta. Então, nunca cheguei a ter essa experiência de cantar em bar. Comecei minha carreira fazendo show no Sesc, nos Teatros, nos Parques.

07) RM: Em sua opinião qual a importância do estudo de técnica vocal?

Sabah Moraes: Traz um beneficio muito grande para quem canta popular, porque a principal coisa para se cantar bem é a respiração. E a respiração é trabalhada profundamente no canto Lírico. Sabendo usar a respiração a voz vai para o lugar que a gente quer e temos uma projeção maior de voz. Eu tenho um problema em relação a isso, porque eu estou à costumada a soltar a voz. Porque cantando Ópera não usamos microfone. E quando vou cantar popular usamos o microfone, eu tenho que mantê-lo distante da boca. Como solto bastante a voz acaba estourando. Se eu chegar num lugar e não tiver microfone e tiver uma boa acústica eu posso cantar sem microfone. Então esse é o beneficio da técnica da respiração. Eu posso cantar durante horas sem ficar cansada, porque coloco a voz no lugar certo e não canto com ela na garganta. Muitos cantores no show na terceira e quarta música ficam roucos, porque estão cantando com a voz no lugar errado. Com relação à interpretação muda também, porque a gente trabalha muito o fraseado, não pode respirar fora daquela frase. Você tem que ter uma condução na música. E cantando popular eu levo essa experiência de trabalhar que é a dinâmica, não cantar sempre linearmente. Cantando mais forte numa frase, dar um entonação diferente em outra frase. Para não ficar uma coisa reta. Na música erudita tem variações o tempo todo e na música popular não há muita variação.

08) RM: Você leva vantagem em dominar as técnicas da música eruditas?

Sabah Moraes: Não seria bem assim, mas como cantei muita Ópera e já estou acostumada à dinâmica. Quando vou cantar popular eu também faço essa dinâmica. Na música popular tem cantores e cantoras maravilhosos. Mas não sei se há essa preocupação com esse lado técnico, eu tenho essa preocupação. O canto lírico, que é cantar com a voz impostada, que em Italiano é traduzido como impostor, por não ser sua voz verdadeira. As coisa escritas para se cantar são quase sobre humanas, não dar para cantar com a voz natural. O canto popular é cantado com a voz natural. Foi essa conclusão que cheguei depois de estudar muito e ouvir muitos cantores e cantoras populares. E tento colocar a voz nesse outro estilo. É difícil explicar com palavras, eu só consigo explicar cantando.

Contatos: (62) 98127 – 2697 |  [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.