Rodrigo Marconi

Rodrigo Marconi 1 Entrevista - Música - Revista Ritmo Melodia
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Rodrigo Marconi lança seu primeiro CD, totalmente autoral e inspirado na literatura universal.

Em “Correspondência”, compositor e educador carioca apresenta peças contemporâneas que se comunicam com a arte literária de Roland Barthes, Fernando Pessoa e Berthold Brecht, além de referências a Villa-Lobos e Bach.

“Corresponder. Corresponder a, corresponder ao, corresponder à, corresponder com, corresponder-se, co-responder… Correspondência”. Assim nasce e começa a definição do CD de estreia do compositor e professor Rodrigo Marconi, que reuniu em “Correspondência” algumas de suas dezenas de composições, presentes nos principais festivais e bienais de música contemporânea do país. De produção independente, gravado e mixado na A Casa Estúdio (RJ) e com distribuição nacional pela Tratore, o álbum reúne 6 obras, divididas em 15 faixas, considerando seus movimentos. O título do disco solo registra, mais do que tudo, o diálogo de sua obra com as mais variadas expressões artísticas. “No campo das artes, correspondência significa, acima de tudo, diálogo. Diálogo que nas minhas composições atravessa o fantástico universo do poeta português Fernando Pessoa e seus heterônimos, a leitura de mundo do semiólogo francês Roland Barthes, a postura política e artística do teatrólogo e poeta Berthold Brecht e uma infinidade de outras referências que interferem, contaminam e potencializam a minha música”, ressalta Marconi e ainda complementa: “Nesse sentido, a pintura, o cinema, a fotografia e, principalmente, o teatro, a literatura e a própria música fornecem um campo fértil de intercâmbio e de inspiração para as composições no CD apresentadas, onde a intertextualidade é a motivação, o ponto de partida e de chegada. Tem sido a forma que encontrei de me corresponder com o mundo”.

Escrita para flauta, clarinete e vibrafone, “Golpes de Pequenas Solidões” é inspirada pela percepção e leitura de mundo de Roland Barthes (1915-1980), afinal, segundo o próprio, a vida é assim, feita a golpes de pequenas solidões. Nela, os três instrumentos ora são apresentados só, introspectivos e reflexivos, cada um com sua essência e discurso, ora tocando em conjunto, dialogando, “(con)vivendo, (co)existindo, (co)habitando, construindo, afetando e sendo afetado pelo outro. Solidões… solidão… só… ou como preferia Guimarães Rosa, Solistência, a solidão da existência de tudo que está vivo”, define o compositor.

Em “Impropérios”, escrita para vibrafone, brilha a execução de Joaquim “Zito” Abreu, em cinco pequenas peças. A música busca ressaltar uma dicotomia intrínseca na palavra “Impropérios”: ao mesmo tempo que significa um discurso ofensivo, injurioso, desrespeitoso… é também uma antífona da liturgia católica cantado durante a semana santa (hinos de louvor). Toda sua inspiração para a sua criação se baseia no extremo dessa dicotomia, onde o profano e o sagrado, o conflito e a comunhão, o terrestre e o divino se conectam através da mais corriqueira e cotidiana forma de expressão: a palavra.

O duo de flauta (Reinaldo Pacheco) e clarinete (Moisés Santos) dá cor a “Canções para os dias de Sol ou de Chuva”, escrita em três movimentos especialmente para os próprios intérpretes, amigos de Marconi. “A peça tem como objetivo contemplar o dia-a-dia, as pequenas coisas, a simplicidade de ser e estar vivo”, define o autor. A partir do violão de Fábio Adour, os três movimentos de “Brechtianas” representam uma singela homenagem a um dos mais importantes artistas do século XX, o poeta, dramaturgo e encenador alemão Berthold Brecht (1898 – 1956), que com sua produção e postura perante a arte e a vida influenciou o teatro contemporâneo, tornando-se imprescindível. Ao mesmo tempo, faz referência às “Bachianas”, a obra-prima escrita por Villa-Lobos em homenagem e devoção a Johann Sebastian Bach.

O piano de Ronal Silveira nos dois movimentos de “No Bosque dos Espelhos” realça o convite do ouvinte a um passeio nos labirintos do seu próprio ser. A “egotrip”, como bem conceitua Marconi, busca mostrar que é exatamente” dentro desse bosque que se esconde vários mistérios, perigos, desafios, segredos, nossas expectativas mais íntimas, experiências e os conhecimentos mais profundos”. É no bosque dos espelhos que nos colocamos em contato com o mundo interior, onde Narciso se autocontemplava ou onde Alice, através da pena de Lewis Carroll, se questionava: “Este deve ser o bosque”, disse pensativamente, “em que as coisas não têm nomes. O que será que vai ser do meu nome quando eu entrar nele?”

O disco chega ao final reunindo flauta (Reinaldo Pacheco), clarinete (Cesar Bonan), violino (Angelo Martins), violoncelo (Luciano Corrêa) e piano (Mateus Araújo) em “Às Várias Pessoas de Fernando”, uma referência ao célebre poeta português Fernando Pessoa. “O que sempre me fascinou na vida e na obra do poeta português Fernando Pessoa foi sua relação com seus diversos heterônimos. Muito mais que um pseudônimo, os heterônimos vivem, carregam consigo suas experiências, seus dilemas, sua história. E todos eles, repletos de significações e significados, de desejos e realizações explodiam (ou implodiam, quem sabe) dentro do limite de apenas um corpo físico”. Nessa composição, o autor imaginou todos esses seres (con)vivendo dentro de um só ser, com suas relações e conflitos, seus diálogos prováveis e improváveis, suas limitações espaciais e mentais.

Rodrigo Marconi é compositor, musicólogo e professor carioca. Iniciou-se na música aos 12 anos de idade e, aos 18 anos, já trabalhava em composições para teatro e cinema. Seu ingresso na música de concerto aconteceu em 2008, com sua primeira participação no Panorama da Música Brasileira Atual da Escola de Música da UFRJ. Bacharel em composição musical pela Universidade Estácio de Sá (UNESA), teve a oportunidade de estudar com os compositores Guilherme Bauer, João Guilherme Ripper e Tato Taborda. Licenciado em Educação Artística com habilitação em Música pelo Conservatório Brasileiro de Música (CBM-CEU) é mestre em Musicologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Suas obras foram tocadas em importantes festivais como a XVIII e XXII “Bienal de Música Brasileira Contemporânea”, os “Panoramas da Música Brasileira Atual” (UFRJ), o “Festival Babel” (Porto Alegre), nas séries “MUSIMAC” (USP), “CBM Experimental”, “Festival Compositores de Hoje”, “Série Tendências” (UFRJ), “Série Compositores” (UNI-RIO) entre outras.

Foi um dos compositores contemplados com o “Prêmio FUNARTE de Música Clássica 2016” com o trio “O Despertar da Intratável Realidade” para violino, violoncelo e piano, obra que teve sua estreia na XXII Bienal de Música Brasileira Contemporânea (2017). Atualmente, leciona na Escola Estadual de Teatro Martins Penna (FAETEC-RJ) e na graduação do Conservatório Brasileiro de Música (CBM-CEU).

Segue abaixo entrevista exclusiva com Rodrigo Marconi para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 29.07.2019:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Rodrigo Marconi: Nasci no dia 18 de junho de 1976 no Rio de Janeiro.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Rodrigo Marconi: Sempre tive uma relação com a música muito profunda. Comecei ouvindo um repertório que hoje, infelizmente, não é mais produzido, como o disco “A Arca de Noé” com poesias de Vinícius de Moraes e arranjos do Rogério Duprat para crianças. Duprat já tinha sido o grande arranjador do disco Tropicália ou Panis et Circencis (Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé) e contribuiu de uma forma fantástica nesse repertório! Além disso, meu pai sempre teve uma discoteca muito potente em casa e de repertório variado como os clássicos, o repertório de Bossa Nova e música popular brasileira. A partir desse convívio quase que diário, comecei o meu estudo no violão e tocando música popular aos 12 anos de idade.

03) RM: Qual a sua formação musical?

Rodrigo Marconi: Sou graduado em Composição Musical, licenciado em música e mestre em musicologia.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Rodrigo Marconi: Eu não diria influência, mas referência. A música de concerto do século XX fez a minha cabeça! Devo muito a Ígor Stravinski,Anton Webern,Luciano Berio, Karlheinz Stockhausen, Pierre Boulez, além de Bach, Beethoven e Wagner. A música popular sempre foi muito presente a ponto de defender uma dissertação de mestrado sobre os arranjos do Rogério Duprat para o disco Tropicália ou Panis et Circencis.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Rodrigo Marconi: Tirei minha carteira da Ordem dos Músicos do Brasil no Rio de Janeiro com 16 anos de idade! Foi meu primeiro documento, pois não tinha identidade e CPF. Meu pai teve que autorizar. E comecei tocando em Barzinhos, fazendo noite e tocando de tudo! Em seguida, tive uma produção considerável compondo trilhas para teatro e cinema além de arranjos de música popular e música de concerto.

06) RM: Como é o seu processo de compor?

Rodrigo Marconi: Meu processo de composição é bastante técnico sem muita inspiração; acho a inspiração uma parcela pequena no trabalho artístico, a transpiração é muito maior!. Mas a poesia, o cinema e o teatro é o combustível para a minha criação. Nela eu encontro a música que eu crio.

07) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Rodrigo Marconi: O trabalho de um compositor de música de concerto, geralmente, trabalha sozinho, porém, metaforicamente, já tive grandes parceiros como Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Cruz e Souza

08) RM: Quem já gravou suas canções?

Rodrigo Marconi: Quinteto Lorenzo Fernandez, Fabio Adour, Joaquim Abreu, Paulo Passos, Ronal Silveira

09) RM: Fale sobre o CD com suas composições.

Rodrigo Marconi: Foi um CD feito em parceria com os instrumentistas, grandes parceiros! Fui gravando as minhas composições aos poucos, convidando os intérpretes e registrando tudo na medida do impossível! Assim nasceu o CD – “Correspondências”.

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Rodrigo Marconi: A música de concerto não presta ao capitalismo como sempre apontou o compositor Willy Correa de Oliveira. Nesse sentido, o que alimenta o compositor a produzir suas composições e dividi-las com o público é a motivação pessoal. Não conheço, atualmente, nenhum disco de música brasileira de concerto lançado por uma grande gravadora.

11) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Rodrigo Marconi: Tento me utilizar das redes sociais para uma aproximação maior com o público. As músicas estão todas disponíveis nos sites de streaming e também no meu site. A rede é um lugar muito potente para promover o encontro do artista com o público.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Rodrigo Marconi: A internet promove, com já citado, uma aproximação entre o artista e seu público, garantindo, também, um diálogo mais direto.

14) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Rodrigo Marconi: Os home estúdios, para mim, é um instrumento musical! Nele eu escrevo, escuto, gravo toda minha produção.

15) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Rodrigo Marconi: A música de concerto não tem concorrência, pois não faz parte desse grande mercado capitalista relacionado à venda de músicas. Na nossa área, um novo disco é sempre bem-vindo, pois contribui para divulgação e valorização dessa produção.

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Rodrigo Marconi: Eu não costumo contrabalançar minhas alegrias e frustrações. Penso que tudo é um fluxo e o importante é estar produzindo e propondo novas escutas para o público.

17) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Rodrigo Marconi: Não faço parte desta turma. Como minha música não tem grande interesse financeiro, nunca fui coagido a pagar para ela tocar no rádio.

18) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Rodrigo Marconi: Estudar muito. Artistas que não tem grandes condições de se expressar não dura muito. Os gigantes sobrevivem pela qualidade. Pixinguinha, Bach, Villa-Lobos, Tom Jobim são exemplos de grandes músicos e de obras imortais.

19) RM: Como chegar ao nível de leitura à primeira vista?

Rodrigo Marconi: Não tem grande segredo. É estudar com método e diariamente!

20) RM: Quais as principais diferenças do estudo de música Popular e Erudita?

Rodrigo Marconi: Gosto de pensar como o professor Hans-Joachim Koellreuter (que foi professor do Tom Jobim, do Guerra-Peixe entre muitos outros): que não existe música popular e música erudita, mas músico popular e músico erudito. Música é sempre música! Mas de forma pragmática, o estudo de música, seja ela qual for, deve ser visto com disciplina e seriedade. Assuntos como harmonia, improvisação, arranjo, composição, performance estão sempre em pauta para os que procuram alçar grandes voos na música.

21) RM: Quais os principais vícios e erros que devem ser evitados por aluno de música?

Rodrigo Marconi: Acho que o grande erro é achar que já sabe tudo ou domina certo assunto. O estudo de música exige muita humildade e uma enorme autocrítica. Tem sempre coisa para estudar! E a música é uma linguagem viva que está sempre sendo recriada. Quem optou por esse caminho se comprometeu a nunca deixar de estudar. John Coltrane dizia: “Abandone o seu instrumento por uma semana que ele o abandonará por um mês”. Acho que dá para ampliar o significado dessa frase para o estudo de harmonia, improvisação, arranjo…

22) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Rodrigo Marconi: Não posso afirmar que existem erros nas metodologias de ensino de música. Cada metodologia tem prós e contras. O ideal é diversificar a metodologia e aproveitar o que há de melhor em cada uma delas.

23) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Rodrigo Marconi: Eu não acredito muito em Dom. Claro que o interesse e a disposição de estudar conta muito. Tem gente que fica feliz em estudar diariamente um instrumento e outras que investem o seu tempo em outras coisas. Aí tem a máxima que 5% é inspiração, mas 95% é transpiração (estudos). Não tem muita saída. Tem que estudar!

24) RM: Qual a definição de Improvisação para você? 

Rodrigo Marconi: Improvisação é uma criação espontânea, mas se engana quem acredita que apenas músicos de jazz improvisam. Bach e Mozart estão entre os grandes improvisadores da história… A cadência, que é a parte onde os instrumentistas mostram todo o seu virtuosismo nos concertos, também eram improvisados. O repertório da música erudita contemporânea está repleto de solicitação aos instrumentistas para improvisarem.

25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical? 

Rodrigo Marconi: Pensando em música popular, a bibliografia brasileira é muito recente e em pequena quantidade. O livro do Nelson Faria me parece ser o primeiro escrito para todos os instrumentos. E me parece que o do Almir Chediak era mais voltado para violão e guitarra. Acho sempre importante o estímulo à composição e, a priori, a improvisação é uma composição espontânea. Mas os métodos são baseados no estudo da música norte americana e em uma pequena parcela da produção musical: o jazz. Acredito que a grande pesquisa da improvisação é expandir esse conceito e perceber como Hermeto Pascoal improvisa, por exemplo, ou como funciona a improvisação no Choro. A improvisação na música brasileira; tirando algumas poucas publicações como o importante livro do Carlos Almada: “A Estrutura do Choro”, é pouco estudado.

26) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Rodrigo Marconi: A improvisação requer um estudo profundo da relação entre melodia e harmonia. Escalas e arpejos devem ser conectados para um resultado satisfatório e nesse sentido deve-se estudar repertório, conexões de todo esse material. Então, claro que o que aparece na improvisação foi estudado antes, pois a fluência é necessária e aplicada depois.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical? 

Rodrigo Marconi: Sempre depende do método, né? O fato é que a Harmonia pode ser pensado como um recorte histórico. Geralmente, os métodos de Harmonia Funcional trabalham com um recorte de repertório. Existe algum método que discute a harmonia no choro? Ou que fale sobre a harmonia do Hermeto Pascoal? Harmonia é um assunto muito vasto e é impossível tratar de tudo num único método. O grande barato é diversificar os métodos e ampliar cada vez mais as técnicas de harmonia!

28) RM: Quais os seus projetos futuros?

Rodrigo Marconi: Estou terminando uma ópera sobre a poetisa Florbela Espanca e começo, ainda este ano, a escrever uma série de 20 pequenas peças para guitarra elétrica para o grande guitarrista Márcio Okayama.

29) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Rodrigo Marconi: www.rodrigomarconi.com | Cezanne Comunicação – Assessoria de Imprensa em Cultura e Arte (21) 99197 – 7465 | (21) 3439 – 0145 | www.cezannecomunicacao.com.br

| PARA OUVIR E/OU COMPRAR ONLINE: https://www.deezer.com/br/album/79897172 | 

https://itunes.apple.com/br/album/correspond%C3%AAncias/1444486633?app=music&ign-mpt=uo%3D4 | 

https://open.spotify.com/album/7u9Vb1ph9CldbeVELgF9p5

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.