Ricardo Valverde

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Ricardo Valverde é Bacharel em Percussão Erudita pela Fac- Fito (2003- 2006) e formado em percussão popular pelo Conservatório Musical Tom Jobim, antiga ULM (1998-2002).

Circulando em vários ambientes da cena musical, tem atualmente como carro chefe seu projeto Teclas no Choro e através de shows e oficinas tem se apresentado por todo o país. Em sua trajetória, estudou com músicos bem conceituados, com Guello, Ari Colaris, Roberto Saltini, Silvia Goes ,Nenê, Carlos Tarcha e mestre Dinho Gonçalves. Acompanhou diversos artistas como Paulo Moura, Roberto Mendes, Dominguinhos, Nelson Sargento, Grupo Cochichando, Gereba, Anastácia, Riachão,  Paulinho Boca de Cantor, Galvão, Pepeu Gomes, Moraes Moreira e Baby do Brasil (Novos Baianos), maestro Branco, Cristina Buarque, Fabiana Cozza, Borba, Dona Inah, Silvia Goes, Danilo Brito, Marina de la Riva, Juliana Amaral, Moacyr Luz, Monarco da Portela, Diogo Nogueira, Laércio De Freitas dentre outros. Participou em 2014 do projeto Cenas em Clássico (idealizado pelo maestro Parcival Modolo) no Estado de São Paulo com o show Ricardo Valverde Quarteto. Em 2014 fez a direção musical e atua como Vibrafonista e percussionista no show Marina de La Riva Canta Dorival Caymmi – pelo Brasil. Lançou em 2014 o CD – Ricardo Valverde – Teclas no Choro pelo selo CPC – UMES. O CD conta com participações de Silvia Goes, Oswaldinho do Acordeom, Heraldo do Monte e Izaias do Bandolim. E participou do projeto Brasileira 6 e meia  no Correio de São Paulo dividindo a noite com a artista TIÊ.

Em 2014 Participou do projeto Piano + 1 do Sesc Santos  com o pianista Daniel Grajew. E fez show em diversas Unidades do Sesc de São Paulo e faz show no Museu Felicia Feiner em Campos do Jordão – SP. E participou do Show 60 anos de Chico Buarque em Salvador – BA no teatro Castro Alves com os artistas Marina De La Riva, Roberta Sá e MPB4. Em 2014 participou do Festival de Música Lusofonia, em Macau – China. E ministrou Oficina de Choro na Universidade de São José em Macau. No mesmo ano ele ministrou oficina Vibrafone Chorão nas unidades do SESI do Estado de São Paulo.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Ricardo Valverde para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.07.2015:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Ricardo Valverde: Nasci no dia 26 de outubro de 1977, em Salvador – BA.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Ricardo Valverde: O meu primeiro contato com a música foi em casa mesmo. Meu pai, Julio Valverde, é compositor, violonista autodidata e toca instrumentos de percussão. Ele fazia algumas festas de largo junto com Fialuna, um grande mestre do batuque de Salvador (BA), e trazia toda essa vivência para casa. Com certeza veio daí a minha escolha pela música, pela percussão.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Ricardo Valverde: Como disse acima, considero que minha formação começou em casa. Tentava tocar no Violão e na timba de meu pai desde muito pequeno… Já aqui em São Paulo (meus pais mudaram-se para cá em 1986), estudei um pouco de Guitarra. Em seguida, fiz aula de pandeiro com o Zequinha do Pandeiro, e daí começou a minha paixão pelo Choro. Estudei percussão popular e erudita nos conservatórios de Osasco, Tatuí e na antiga ULM (Universidade Livre de Música, atual Tom Jobim), onde tive os primeiros contatos com o Vibrafone. Mais tarde, fiz a graduação em percussão pela Fac-Fito. Nessa estrada, tive a sorte de apreender com grandes mestres aqui de São Paulo: Silvia Goes, Luizinho 7 cordas, Ari Colaris, Roberto Saltini, Dinho Gonçalves, André Juarez, Beto Caldas, dentre outros.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Ricardo Valverde: Minhas influências primeiras foram pelos discos de meus pais. Tive a sorte de ouvir, desde cedo, muita Bossa Nova, Choro e Jazz. Meu pai escutava muito Milt Jackson, um vibrafonista americano que eu considero o Pelé do instrumento. Depois, entrei no meio do Choro, estilo musical de que ainda mais gosto, e os mestres desse gênero são as minhas grandes influências musicais: Pixinguinha, Jacob do Bandolim, K-Ximbinho, Orlando Silveira… Dos vibrafonistas, influenciaram-me muito: Garoto do vibrafone, Jota Moraes, Milt Jackson, Gary Burton e Mike Manieri. No presente, tenho muita sorte de conviver e poder tocar com grandes mestres, os quais influenciam a minha música todos os dias: Silvia Goes, Luizinho 7 cordas, Oswaldinho do Acordeon, Izaias do Bandolim

05) RM: Quando, como e onde  você começou a sua carreira musical?

Ricardo Valverde: Comecei minha carreira musical em São Paulo quando tinha 17 anos de idade, trabalhando com um grupo de Choro chamado Regional Naquele Tempo do qual faziam parte: Lígia Oliveira, Thomas Howard, Chiquinho do Bandolim e Andrezinho do Cavaco.

06) RM: Quantos CDs você já gravou? Qual o ano de lançamento de cada CD? Quais os músicos que participaram da gravação dos discos? Qual perfil musical de cada CD?

Ricardo Valverde: Já gravei muitos CDs como músico instrumentista e convidado. Vou citar aqui apenas os CDs dos grupos dos quais eu fiz/faço parte. Regional Naquele Tempo (2000), gravação independente, com participações de Toninho Carrasqueira, Luizinho 7 cordas e BombardaGrupo Cochichando (2008), pelo selo Cooperativa de Música, com participações de Luizinho 7 cordas e Vitor Lopes3 em 3×4 (2011), pela gravadora Kalamata, com Bia Goes e Silvia Goes. E meu primeiro disco solo como vibrafonista, Ricardo Valverde – Teclas no Choro (2014), pela CPC-Umes gravadora, com participações de Silvia Goes, Pepa D’elia, Ivani Sabino, Heraldo do Monte, Oswaldinho do Acordeom, Izaias do Bandolim e Cesar Roversi.

07) RM: Quais os motivos de gravar um CD tocando Choro?

Ricardo Valverde: Posso dizer que sou um músico Chorão. Comecei tocando choro e apesar de também tocar outros estilos, Choro ainda é o estilo de que mais gosto. Para mim, foi muito natural, assim que comecei a tocar Vibrafone, ir logo para o Choro com o instrumento. Fiz um longo trabalho de pesquisa para inserir o vibrafone nesse estilo e acabei sentido a necessidade de registrar esse caminho: o CD – Ricardo Valverde: Teclas no Choro é fruto disso.

08) RM: Cite alguns discos que você já participou tocando Vibrafone ou um outro instrumento? Qual perfil musical de cada CD?

Ricardo Valverde: Já gravei nos CDs de muitos artistas, dentre os quais: Roberto Mendes (como percussionista) – Samba de roda, chula. Paulo Padilha (como percussionista) – Samba/pop. Juliana Amaral (como vibrafonista, participação especial) – Estilo canção.  Marina de La Riva (como percussionista) – Música cubana/brasileira. Bia Goes (como percussionista e diretor musical) – baião, xote, arrasta-pé e chula. Oswaldinho do Acordeon (como vibrafonista e percussionista) – forró e choro.  Guca Domenico (como vibrafonista e percussionista) – MPB.  Grupo Seis com Casca (como vibrafonista, participação especial) – música instrumental.  Carol Andrade – (como vibrafonista e percussionista) – MBP.  Karine Telles (como percussionista) – Samba.  João Borba (como percussionista)– Samba.

0-) RM: O Vibrafone é um instrumento exclusivo para quem toca percussão?

Ricardo Valverde: Não. Na nossa própria história da música brasileira tivemos diversos outros instrumentistas que tocaram vibrafone, como Jota Moraes, Caçulinha, Breno Sauer, Magro do MPB4, K-Ximbinho, Amilton Godoy, Silvio Mazzuca

10) RM: Existem estilos diferente de tocar o Vibrafone? Você toca outro instrumento musical?

Ricardo Valverde: O Vibrafone é um instrumento versátil, acho que pode ser tocado em qualquer estilo ou situação musical, estando presente como um solista de orquestra ou como integrante do grupo do Frank Zappa… Além de outros instrumentos de percussão, também toco um pouco de Violão, Piano e Cavaquinho. Mas acabo sempre estudando esses instrumentos para depois passar o que aprendo para o vibrafone mesmo.

11) RM: Quais as principais técnicas Vibrafonista deve se dedicar?

Ricardo Valverde: O vibrafonista tem de optar por uma das técnicas de 4 baquetas: Gary Burton, Tradicional ou Stevens. Eu optei pela Burton. Estudar harmonia também é necessário, e tem um método bom para isso, que é o Ron Delp. Para técnica rítmica e melódica, indico o método do Goldenberg, que é ótimo. Para técnicas de abafamento, vou pelo método do Friedman, que é muito bom também… Existem, infelizmente, poucos métodos de vibrafone feitos por brasileiros, mas o método do Ney Rosauro é muito bom e aborda todos esses aspectos citados acima.

12) RM: Quais os estilos musicais que o Vibrafone pode agregar no conjunto musical?

Ricardo Valverde: Como disse acima, em minha opinião o vibrafone é muito versátil, podendo adaptar-se a qualquer estilo musical. Pode ser usado melodicamente, harmonicamente e ritmicamente e muito bem explorado em relação a suas possibilidades de timbre: o vibrafone é um instrumento que timbra muito bem com os outros.

13) RM: Quais os principais vícios técnico ou falta de técnica tem os vibrafonistas alunos e alguns profissionais?

Ricardo Valverde: Não gosto de apontar erros e criticar outros colegas de profissão. Mas, um dos principais desafios é a questão do abafamento e pedal do vibrafone, principalmente tocando choro.

14) RM: Quais as principais características de um bom Vibrafonista?

Ricardo Valverde: Em minha opinião, não só para ser um bom vibrafonista, mas para ser um bom músico, é necessário estudar harmonia, melodia e ritmo, além de sempre priorizar a função que considero a mais importante de todas, que é ouvir: ouvir os grandes mestres, ouvir os outros instrumentistas enquanto tocamos junto, ouvir a música…

15) RM: Quais são os vibrafonistas que você admira?

Ricardo Valverde: Os brasileiros: Garoto e Jotinha Moraes.

Ricardo Valverde: Os estrangeiros: Milt Jackson, Gary Burton, Lionel Hapton, Mike Manieri e Stefon Harris.

16) RM: Como escolher um bom Vibrafone?

Ricardo Valverde: Escolher um bom Vibrafone é uma tarefa bem difícil, principalmente pelo preço do instrumento, pois os melhores são estrangeiros e, com os impostos, chegam à faixa de uns 40 mil reais. Hoje em dia, contudo, já temos fabricantes honestos aqui no Brasil, e você consegue comprar um instrumento bom na faixa de uns 10 mil reais.

17) RM: Você publicou algum método de como tocar Vibrafone?

Ricardo Valverde: Ainda não, mas é um projeto que tenho. Dou muitas oficinas e acabei produzindo para as aulas um material, apostilas e propostas de exercícios, focado e inspirado na música brasileira. Pretendo, sim, organizar e publicar tudo o que já venho desenvolvendo em um método de vibrafone brasileiro.

18) RM: Existe o Dom musical?

Ricardo Valverde: Acredito no Dom musical, mas, sobretudo, acredito no estudo. Já vi algumas pessoas com muita facilidade serem superadas por outras que não têm tanta facilidade assim e acabam dedicando-se mais aos estudos.

19) RM: Como é seu processo de composição?

Ricardo Valverde: Os meus processos de composição variam bastante. Às vezes, faço primeiro a melodia e depois harmonizo. Outras vezes, crio a harmonia primeiro e depois coloco a melodia. Tem vezes, ainda, que vem tudo junto… Um dia, por exemplo, eu acordei e fui tocar piano, quando vi já estava pronta minha música Mozambique.

20) RM: Você é professor de música? Quais os prós e contras de ser professor?

Ricardo Valverde: Sou professor de música em um projeto da prefeitura de São Paulo que se chama Música Vocacional. Vejo só prós em ser professor. Acho uma das profissões mais dignas e de imensa responsabilidade. Minha mãe é professora e acho que aprendi com ela a arte de ensinar. Além da possibilidade de levar algum conhecimento nosso para o outro, aprendemos muito dando aula, aprendemos sobre música, sobre gente, sobre a vida.

21) RM: Quais os prós e contras de ser músico freelancer acompanhando outros músicos?

Ricardo Valverde: O lado bom é que você acaba tocando todos os estilos e sempre fazendo coisas diferentes, conhecendo lugares e situações diferentes, pessoas diferentes… E fazendo amigos: a música possibilita ampliar demais as nossas relações de amizade, e isso é um privilégio. Talvez ficar muito tempo fora de casa, nas turnês e viagens, e ter menos tempo para pensar e desenvolver os próprios projetos pessoais / profissionais seja um dos “contras”.

22) RM: Quais os prós e contras de ser músico de estúdio de gravação. Gravando em discos de outros músicos?

Ricardo Valverde: Só vejo prós. É muito bom gravar, deixar registrado o momento da gravação. Tento sempre tirar proveito de uma gravação, até mesmo quando não gosto muito da música. Gravar é um ótimo aprendizado. Trabalho também com direção musical e aprendo bastante observando os outros músicos gravando.

23) RM: Quais os prós e contras de tocar em uma única banda?

Ricardo Valverde: Um dos prós é que você pode atingir um nível musical muito bom, pois sempre estará ensaiando e tocando com o mesmo grupo. Como contras… Talvez você possa perder o lance da ampliação de olhar, de repertório de música e de vida mesmo, sobre o qual falei acima. Talvez possa também restringir um pouco seu espaço no mercado de trabalho, pois alguns artistas podem deixar de lhe chamar sabendo que você faz parte de uma só banda.

24) RM: Quais principais dificuldades de relacionamento que enfrentou em bandas?

Ricardo Valverde: Acho que o grande problema do meio musical é o ego. Quando o interesse individual fica acima do coletivo, provavelmente a banda acaba ou troca de formação…

25) RM: Quais os artistas já conhecidos você já acompanhou como músico freelancer?

Ricardo Valverde: Em diferentes shows e projetos, tive a felicidade de acompanhar artistas como: Oswaldinho do Acordeon, Dominguinhos, Bia Goes, Marina de La Riva, Fabiana Cozza, Paulo Moura, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Paulinho Boca De Cantor, Baby do Brasil, Roberto Mendes, Riachão, Monarco da Portela, Nelson Rufino, Socorro Lira, Osvaldinho da Cuíca, Angela Maria, Laércio de Freitas, Época de Ouro, Diogo Nogueira, Simoninha, Max De Castro, Andreas Kisser, Heraldo do Monte, Gereba, Mariene de Castro, Maestro Branco, MPB4, Nelson Sargento, D. Inah, Anastácia, Carmélia Alves, Zeca Baleiro, dentre outros…

26) RM: Quais principais dificuldades de relacionamento que você enfrentou acompanhando  artistas já conhecidos?

Ricardo Valverd: Tive a sorte de nunca ter problema com os artistas que trabalhei.

27) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira musical dentro e fora do palco?

Ricardo Valverde: Eu brinco que o músico tem de fazer de tudo no Brasil: ser músico, empresário, produtor, divulgador, manager… Mas talvez essa dificuldade possa trazer um favorecimento para nós. Explico: eu penso sempre em fortalecer a minha marca, pois afinal de contas, no meio que estamos inseridos, acabamos mesmo sendo produtos musicais. Talvez “vender” e fortalecer a nossa marca com a própria voz seja hoje o melhor caminho. Acho que a melhor maneira de imprimir e fortalecer a nossa marca é, além de cada vez mais se aprimorar musicalmente (e isso só vem por meio dos estudos), ser esteticamente coerente e ético nas relações com os colegas e com o “mercado”.

27) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Ricardo Valverde: Promover a minha marca, divulgando sempre as coisas que estou fazendo. Para isso, uso bastante à internet, principalmente o facebook, que se tornou uma ferramenta muito útil e eficiente no meio musical.  Sempre desenvolver projetos musicais inovadores. Considero a busca por inserir o vibrafone no choro um exemplo disso, já que não havia muitos registros de trabalhos semelhantes no Brasil.  Vender os meus shows e oficinas.

28) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Ricardo Valverde: Acho que a internet só ajuda na carreira do músico hoje em dia. Aliás, atualmente está muito mais fácil divulgar nosso trabalho que em outros tempos, em que se vivia refém dos monopólios das gravadoras… Hoje, em poucos instantes, sua música pode estar em qualquer lugar do mundo, e você pode ouvir as coisas mais diversas, aumentando seu repertório e influências.

29) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Ricardo Valverde: A vantagem é que qualquer um tem a possibilidade de registrar e desenvolver seu trabalho. Acho que todo músico hoje em dia faz uma pré-produção em seu home estúdio, e considero isso muito bom, pois o trabalho acaba indo mais amadurecido para o estúdio. Acredito, porém, que é importante saber aproveitar todos os recursos e todo o conhecimento dos profissionais que se dedicam ao estudo da utilização destas tecnologias. Nesse sentido, talvez a desvantagem do home estúdio seja não aproveitar ao máximo a tecnologia em favor da música.

30) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente uma carreira musical. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo, mas a concorrência se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Ricardo Valverde: Parece uma coisa meio óbvia, mas acho que o músico precisa criar sua identidade: sendo nós mesmos, conseguimos o nosso espaço. Pensando nisso é que procurei desenvolver uma pesquisa e trabalho inserindo o vibrafone na música popular e principalmente no Choro, que é a minha verdade. Assim, acredito que estou criando uma personalidade musical autêntica, que tem a ver com a minha personalidade, e naturalmente meu espaço vai sendo conquistado.

31) RM: Como você analisa o cenário musical instrumental brasileira. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Ricardo Valverde: Apesar de fora da grande mídia, a cena musical instrumental no Brasil está e sempre será muito forte, os brasileiros são um dos melhores músicos do planeta. Vou citar alguns instrumentistas de que gosto, sabendo que com certeza vou omitir o nome de muita gente boa, pois o Brasil é um seleiro de craques, não de futebol, mas de música: André Memari, André Marques, Rogério Caetano, Hamilton de Holanda, Gabriel Grossi, Bebe Kramer, Lulinha Alencar, Letieres leite (Orquestra Rumpillez), Ricardo Herz, Messias Brito, Marcos Paiva, Cesar Roversi, Agnaldo Luz, Adriano Amorim, Mike do bandolim, Leandro da flauta, Rodrigo Y Castro, Alessandro Penezzi, Cleber Silveira, Wesley Vasconcelos, e muita gente que apareceu nessas duas últimas décadas…

32) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Ricardo Valverde: Os músicos que admiro e tenho como parâmetro são basicamente de música instrumental e, como falei acima, infelizmente não são tão conhecidos pelo grande público. Tento me espelhar nas seguintes referências para seguir em frente: Silvia Goes, Luizinho 7 cordas, Heraldo do Monte, Bombarda, Oswaldinho do Acordeom, Toninho Carrasqueira, Maestro Branco, Edmilson Capellucci, Izaias Do bandolim, Israel 7 cordas

33) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Ricardo Valverde: Todas essas citadas já aconteceram comigo, e vão continuar acontecendo, pois viver de música é mesmo uma aventura. Vou citar algo que aconteceu há pouco tempo comigo, uma situação tragicômica: passar o som em Macau, na China. Até agora não sei como deu certo, pois os técnicos, todos chineses e falando apenas mandarim, eram muito bravos, gritavam e não nos entendiam por nada, fiquei achando que a todo hora poderia levar um golpe de kung fu (risos)!

34) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Ricardo Valverde: O que me deixa mais feliz é que posso todo dia levantar e saber que vou poder tocar um instrumento. O que me deixa triste é saber que alguns dos meus mestres não são (e talvez não sejam em vida) reconhecidos como merecem.

35) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Ricardo Valverde: São Paulo tem uma cena musical muito forte. Aqui se tem de tudo, você pode ouvir música o ano inteiro e em qualquer canto, desde um boteco, nas diferentes regiões da cidade, a casas de show e teatros com grandes estruturas. O músico pode trabalhar com várias possibilidades e aprender os diferentes “sotaques” que vêm dessa diversidade. Viajo pelo Brasil inteiro tocando e me arrisco a dizer que São Paulo é a capital da música no país, devido a essa grande diversidade, que vem também da formação do povo paulistano: tem gente de todo lugar e música para todo o gosto. Na parte de educação, também se tem uma grande gama de oportunidades, desde aulas particulares, em domicílio, com grandes músico-educadores a boas faculdades de música. Há muitas possibilidades de trocas e formação musical por aqui.

36) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que  você indica como uma boa opção?

Ricardo Valverde: Como citado acima, São Paulo tem uma diversidade muito grande de música e, portanto, músicos de todos os estilos. Citaria excelentes músicos e bandas, mas prefiro dizer que aqui em São Paulo encontram-se ótimos profissionais, e em qualquer estilo musical.

37) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Ricardo Valverde: Estudar muito, sempre.

38) RM: Você toca em orquestra?

Ricardo Valverde: Não toco, mas às vezes faço participações.

39) RM: Quais os seus projetos futuros?

Ricardo Valverde: Trabalhar a divulgação do meu novo trabalho, Ricardo valverde: Teclas no choro, podendo viajar e trocar experiências musicais e de vida por meio desse meu projeto. Já estou começando também a pensar na gravação do meu segundo disco solo, prevendo o início da pré-produção para meados de 2015.

40) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Ricardo Valverde: [email protected] | www.facebook.com/ricardo.valverde.12

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.