Rafa Sotto

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Rafa Sotto
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O cantor e compositor paulistano Rafa Sotto nasceu e cresceu na Zona Norte. Na adolescência integrou o grupo de samba Arte Jovem, onde atuava como percussionista e como um dos vocalistas. Estudou canto e violão na escola Elite Musical.

Tem personalidade otimista, adotou a filosofia do “Viver pra ser Feliz”, frase de uma de suas principais músicas “Luau no Litoral”, que esteve em destaque nas melhores rádios reggae do Brasil. Rafa Sotto acredita que o pensamento positivo pode melhorar a vida em todos os aspectos. Dono de uma voz grave e marcante, iniciou sua carreira musical no ano de 2012, realizando apresentações nos mais diversos tipos de eventos. Em 2014 gravou seu primeiro EP – “Saber Chegar” em versões totalmente acústicas com violão e percussão. Foram distribuídas 4 mil cópias desse EP por várias regiões como São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina. Através das redes sociais, estendeu o alcance de suas músicas, por todo o Brasil.

Em 2016 se apresentou na Quermesse do Canarinho, onde estiveram bandas como Nazireu Rupestre, Mato Seco e Filosofia Original. Ainda este ano os planos são para novas gravações dessas e outras músicas, com uma produção especial e roupagem nova dos sons com banda. Grande promessa do reggae, vem se tornando uma realidade e forte aliado para o gênero, já que também é compositor acumulando mais de 30 canções com mensagens positivas e de conscientização. Suas inspirações vêm de Bob Marley, Tribo de Jah, O Rappa, Natiruts, Charlie Brown Jr., Paralamas do Sucesso, Zé Ramalho, Steel Pulse e Groundation.

Pretende compor para diversos outros músicos, com a intenção de que o reggae ganhe mais força no cenário nacional e em todos os meios de comunicação. Com um número expressivo de seguidores nas redes sociais, Rafa Sotto tem levado suas músicas a um grande número de pessoas, o que tem propiciado uma agenda constante de apresentações. Acompanhe e aguarde novidades da nova promessa do reggae nacional.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Rafa Sotto para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 16.07.2018:

 01) Ritmo Melodia: Qual sua data de nascimento e sua cidade natal?

Rafa Sotto: Nasci no dia 29.12.1981 em São Paulo.

02) RM: Conte como foi o seu primeiro contato com a música?

Rafa Sotto: Minha mãe disse que quando ela estava grávida de minha irmã, eu cantava na barriga dela “minha irmã é uma gracinha”. Naturalmente não me recordo porque tinha aproximadamente três anos de idade, mas me lembro quando criança, minha mãe escutava Bee Gees, Simply Red, Phil Collins,  Tim Maia, Fábio Júnior, Raça Negra, esses são os primeiros contatos que me recordo.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Rafa Sotto: Não tenho formação musical. Tudo que aprendi inicialmente foi de ouvido cantando e lendo revistas e sites de cifras para tocar Violão. Assim iniciei minha caminhada musical. Sou formado em Publicidade e Propaganda e fiz curso de Locução.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Rafa Sotto: No passado minhas influências foram música Sertaneja e Samba. Hoje Reggae, RAP, Rocksteady, SKA, FUNKY, Soul, Blues e Rock. Todas os gêneros que aprendi me ajudaram muito a formar minha mentalidade musical, culturalmente, melodicamente, ritmicamente, todos são de suma importância na minha bagagem.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Rafa Sotto: Em 2012 decidi que iria iniciar minhas atividades musicais profissionalmente. Fui à busca de equipamentos sonoros na Rua Santa Ifigênia e pedi ajuda ao vendedor em uma loja, para que me ajudasse a comprar tudo o que precisaria pra iniciar minha jornada. Fui atendido prontamente, juntei tudo o que precisava e parti a procurar Bares e restaurantes para começar a saga. Eis que em uma das portas que bati, o Alexandre Filho, proprietária da pizzaria Tudo Acaba em Pizza me recebeu e fiz minha primeira apresentação, onde levei familiares e amigos e foi um dia muito especial e marcante para mim.

06) RM: Quantos discos lançados e quais os anos de lançamento(quais os músicos que participaram das gravações)? Qual o perfil musical de cada álbum? E quais as músicas que você acha que caíram no gosto do seu público?

Rafa Sotto: Em 2014 lancei o EP – “Saber Chegar” que contém cinco músicas: “Sair pra Curtir”, “Luau no Litoral”, “Samurai”, “Saber Chegar” e “Meu Vício”. Após esse EP lancei alguns singles. E dois com participações especiais. A primeira chama-se “Tamu Chegando” que compus com D-Humus um rapper amigo meu. Teve participação de Marcos Souza vocalista da banda “Porto Geral” e de Fabinho baterista da banda “Maneva”. Todos nós trabalhamos e nos conhecemos numa instituição financeira e estamos nela até hoje, com exceção do Fabinho que agora tem sua banda fazendo turnês por todo país e não trabalha mais nessa instituição. A segunda canção que gravei com participação especial foi “Rugir do Rei”, que dividi com um Mestre e ídolo Zé Orlando, ex-integrante da banda Tribo de Jah atualmente na banda Pedra Rara.

07) RM: Como você define seu estilo musical dentro da cena reggae?

Rafa Sotto: Defino como um reggae contemporâneo, com influência de outros gêneros com temáticas das mais diversas como: paz, amor, fraternidade, militância, contemplação à natureza, espiritualidade e tudo que eu julgar necessário compartilhar com a sociedade.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Rafa Sotto: Busco ser mais intérprete do que cantor. Procuro sempre trazer minhas emoções sobre o que canto, mas sempre buscando aprimorar ou aprender técnicas que me tragam evolução na teoria e na prática.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Rafa Sotto: Cantores: Bob Marley, Peter Tosh, Steve Wonder, Luciano Pavarotti, Jimmy Cliff, Michael Jackson, Barry White, Marvin Gaye, James Brown, Elvis Presley, Tim Maia, Renato Russo, Toni Garrido, Marcelo Falcão, Chorão, Jorge Aragão Márcio (Art Popular), Belo, Dom Paulinho, Ed Motta, Maurício Manieri.

Cantoras: Whitney Houston, Lauryn Hill, Etana, Dezarie, Rihanna, Tina Turner, Lisa Stanfield, Bárbara Streisand, Beyoncé, Ana Carolina, Zélia Duncan, Denise D’ Paula, Ivete Sangalo, Maria Gadú, Elis Regina, Pitty, Negra Li.

10) RM: Quem são seus parceiros musicais?

Rafa Sotto: Tenho um amigo que me estimulou a compor chamado Rodrigo Simões Gonçalves, com ele iniciei minhas composições. E tenho algumas parcerias com D-Humus e Marcos Souza vocalista da banda “Porto Geral”.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Rafa Sotto: Os prós é que você administra à sua maneira, compõe da sua forma, você é o condutor da sua carreira.  Agora o contra é a dificuldade para expansão, parcerias, visibilidade, tudo proporcionalmente mais difícil por causa da escassez de verba e você rema sozinho por muito tempo. Ás vezes surge algumas alianças, mas a caminhada e as bagagens são de sua responsabilidade, então acaba se tornando mais pesado, requer mais esforço.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver sua carreira?

Rafa Sotto: Busco parcerias musicais, participações especiais e propago com frequência em redes sociais, impulsiono as publicações no Facebook e Instagram, divulgo em grupos de Facebook e Whatsapp. As novidades, eu busco sempre passar aos locutores das webrádios para tocarem em suas programações, recentemente coloquei minha música “Luau no Litoral” na Rádio 105,1 FM Encontro das Tribos, a primeira vez que minha música tocou numa rádio FM e eu tive a oportunidade de fazer uma entrevista ao vivo pra falar da minha trajetória, músicas, carreira…

13) RM – O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira?

Rafa Sotto: A internet é um mar aberto onde você encontra muita coisa boa, mas muita sacanagem também. Eu evito fazer exposições públicas da minha vida pessoal, e uso as redes sociais totalmente para divulgação das minhas músicas, eventos que me apresentarei e propagação em geral. Agora você pode encontrar muitos golpistas, pessoas que se dizem empresários, ou produtores, desconfiem sempre das facilidades oferecidas por pessoas desconhecidas. Nunca passei por isso, mas sei que acontece e já me previno. Você vai encontrar admiradores e críticos, e na internet as pessoas expõem as suas opiniões, sejam positivas ou não diretamente ao músico.

14) RM: Como você analisa o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Rafa Sotto: O cenário reggae é bem vulnerável. Falamos bastante de união, mas vejo pequenas alianças regionais. E precisamos de algo com maior evidência e profissionalização, mais interatividade, participações especiais, projetos mais sólidos. Temos alguns eventos muito bons, mas para a quantidade de profissionais que temos na cena Reggae ainda é pouco eventos. E temos que buscar mais espaço com criatividade e compromisso.  Revelações das últimas duas décadas: “Maneva”, “Mato Seco” e “Onze 20”. “Ponto de Equilíbrio”, “Maskavo”, “Natiruts”, “Tribo de Jah”, Armandinho, “Planta & Raiz”, “Chimarruts” são bandas que vejo consistentes ao longo dos anos. Não vejo bandas regredirem, apenas algumas que não estão nos holofotes como antes, mas estão trabalhando para buscarem seu lugar ao sol como muitos outros.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (Home Studio)?

Rafa Sotto: As vantagens são facilidade de gravação, custo menor, maiores opções, maior oportunidade para novos produtores e até mesmo o próprio músico se produzir. As desvantagens são a falta de compromisso com a qualidade, com o contratante dos serviços, horários, entregas, nem todos são profissionais qualificados.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Rafa Sotto: Todos os que eu citei na questão 14 como Revelações e Consistentes no cenário.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Rafa Sotto: Diversas. Cortaram a energia no evento. E mulher comprometida sem postura. Pegaram o meu violão para tocar e bateram na parede. Pessoas que sentam do lado e pedem uma música atrás da outra. Tocar somente para os garçons. Passaram um endereço da rádio para uma entrevista e era outro endereço.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Rafa Sotto: O que me deixa mais feliz são as apresentações, as composições, as produções, o público cantando junto, os elogios aos trabalhos. O que me deixa triste são as panelinhas, a indiferença, o descaso, falta de compromisso e profissionalismo, as promessas mentirosas, ausência de caráter. São coisas que nós encontramos mais diversos ramos de atividade.

19) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Rafa Sotto: Em São Paulo o reggae flui bem comparado ao reggae em outras regiões, mas comparado a outros gêneros musicais precisamos evoluir muito, temos que buscar excelência em nossos trabalhos para sermos reconhecidos, independentemente se é pop, contemporâneo ou raiz.

20) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Rafa Sotto: Steel Pulse, Groundation, Bob Marley, Peter Tosh, Bunny Wailer, Burning Spear, Raging Fyah, Dennis Brown, Dezarie, Etana, Família Marley, Israel Vibration, Black Uhuru, Gladiators, Alborosie, Tribo de Jah, Edson Gomes, Natiruts, Ponto de Equilíbrio, Mato Seco, Jah Live, Adão Negro, Sine Calmon, Pedra Rara, entre muitas outras nacionais e internacionais que ficaria até o outro dia escrevendo.

21) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Rafa Sotto: Acredito.

22) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Rafa Sotto: Prossiga sem fobia, trabalhando constantemente, planejando, ignorando o desânimo que sempre vem visitar, aprendendo, respeitando seus limites, buscando alianças, verdadeiras amizades e parcerias.

23) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

Rafa Sotto: Acredito que falta de conhecimento sobre a história. Essas mesmas pessoas que fazem essa ligação, são as mesmas que desconhecem os conceitos de paz, amor, fraternidade e militância que estão ligadas ao Reggae.

24) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a religião Rastafari?

Rafa Sotto: Foram os criadores, os pioneiros, não diria nem que o vínculo é forte, mas digo que há muita energia Rastafári dentro da musicalidade, dentro das temáticas, tudo se iniciou na Jamaica com eles.

25) RM: Você é adepto a religião Rastafari?

Rafa Sotto: Não sou Rastafári, mas tenho respeito muito grande e não só ao Rasta, mas a todas as doutrinas que pregam o bem à humanidade e à natureza.

26) RM: Os adeptos a religião Rastafari afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa essa afirmação?

Rafa Sotto: Acredito que essa afirmação se deve ao Reggae raiz, mas o Reggae se tornou um gênero musical mundial. E tomou proporções que nem mesmo Bob Marley pôde imaginar que tomaria. E naturalmente, cada pessoa dentro da música canta a sua verdade, que nem sempre é das origens jamaicanas, mas vem de suas crenças, seus valores, visões regionais. Em todo local do mundo, o Reggae leva a essência Rastafári, porém, misturada a outras culturas também.

27) RM: Na sua opinião porque o reggae no Brasil não tem o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Rafa Sotto: Acredito que os gêneros regionais no Brasil ganharam muita força, falam a linguagem dos jovens e ainda estamos num país muito novo. A primeira banda de sucesso de reggae ganhou a massa nos anos 90, ainda há muita coisa para acontecer no Reggae Brazuka. A nossa missão é mostrar o que verdadeiramente o gênero reggae traz. Temos que capacitar cada vez mais os profissionais de Reggae para que haja melhores composições, maiores e melhores eventos e coberturas, e atrair também um novo público mantendo satisfeito o atual.

28) RM: Quais os prós e contras de fazer show usando o formato Sound System (base instrumental sem voz)?

Rafa Sotto: Eu nunca fiz show com esse formato, mas tenho uma ideia do funcionamento. É mais prático, o custo é menor comparado ao formato de banda. É vantajoso em espaços físicos menores e também pode ser feito em espaços maiores, desvantagens somente a galera que atua com frequência para dizer.

29) RM: Você se apresenta com Banda?

Rafa Sotto: Atualmente me apresento no formato Voz e Violão, às vezes acompanhado por um percussionista.

30) RM: Quais os seus projetos futuros?

Rafa Sotto: Expandir em todos os aspectos. Parcerias, público, composições, eventos, tocar com os grandes músicos do país. E tornar meu nome e minhas músicas fortes no cenário reggae e quando me fortalecer, ajudar o gênero a progredir no país. E ajudar novas bandas e artistas, produtores, locutores e transformar o Reggae numa referência musical brasileira. As ambições são grandes, que Deus me ajude a me ajudar e fazer pelos irmãos que merecem espaço e merecem vencer.

31) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Rafa Sotto: (11) 96484 – 1763 | www.facebook.com/rafasottooficial |

Instagram: rafasottooficial | YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC4IaX-hBtJx9WkJfMf1CKsw

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.