Pádua

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Pádua
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O cantor, compositor e produtor de shows carioca Pádua, iniciou a sua carreira musical aos sete anos de idade quando ganhou como o melhor calouro no programa “A Festa do Bolinha” que era exibido pela TV Rio canal 13, e tinha no comando o apresentador Jair de Taumaturgo.

Ele permaneceu na emissora por um ano e logo em seguida, foi convidado para estrear em um programa televisivo que teria o elenco formado por crianças, um programa infantil com a direção de um dos maiores produtores da TV brasileira, Wilton Franco, o programa era “Essa Gente Inocente”, onde fez parte da  primeira edição, que fez tanto sucesso que ganhou o prêmio de melhor programa infanto-juvenil no Festival de Monte Carlo (http://www.infantv.com.br/essagente.htm ). Antônio Carlos foi o primeiro nome artístico escolhido por “Tio Wilton” para Pádua. Ele foi o cantor mirim de maior sucesso e junto com os demais destaques tratados como “ídolos mirins”. Essa Gente Inocente contava também com a consagrada atriz Elisângela no elenco.

Logo após o término do programa, “Antônio Carlos” se apresentou em vários programas de TV, como “Eliana Super Bacana” (Programa apresentado pela Cantora e Apresentadoras Eliana Pittman) e o destacado “Alô Brasil, Aquele Abraço” convidado pela cantora Wanderléa, na TV Globo. Depois de muitas batalhas, agora como Pádua, o mesmo conseguiu finalmente lançar o seu primeiro disco pela gravadora Tape Car. O Compacto Simples, no lado A, o destacado rock chamado “Brastoque”, de sua autoria, e do lado B “Me Mande Dizer Qualquer Novidade” de Zé Rodrix e Renato Correia (Golden Boys), arranjos e regências do Cleberson Horsth, tecladista da banda, as bases vocais do grupo “Os Funk’s”, atual “Roupa Nova”. A música “Brastoque” chegou ao terceiro lugar das canções nacionais mais executadas, que significa: toque brasileiro, um novo nome para a música jovem e principalmente as que eram denominadas rock brasileiro que na opinião do cantor, já que eram feitas no Brasil e com nossas influências, no qual teriam que ter um nome nacional, pois possuíam elementos riquíssimos para isso. O compacto foi lançado em 1978, atingindo bons resultados na parada de sucesso.

Pádua começava a viajar pelo Brasil fazendo shows. Ganhou o troféu a “Buzina de Ouro”, destaque do ano de 78 e outros. Logo depois lançou mais um compacto pela mesma gravadora, e desta vez, apadrinhado por Carlos Imperial que queria Paduano movimento musical que estava nascendo e destacando-se em todo o mundo, o chamado Disco Music, no qual se destacava cenário música brasileiro, além de Pádua, personalidades como Gretchen, Lady Zu, Dudu França, Super Bacana, Miss Lane, Rosana, Rita Lee, Banda Black Rio, Tim Maia e outros. Com a música “Chegue-se Mais” (produzido por Prentce) – http://www.youtube.com/watch?v=G4Tm4y_Vmvo e “Saí Pra Recordar”, ambas de sua autoria, com a participação nas bases do “Roupa Nova” e da banda “Black Rio”. Esse disco possibilitou uma agenda intensa de Shows, com apresentações em vários programas na TV e uma excelente execução em emissoras de Rádio, rendendo-lhe muitas premiações.

O seu maior sucesso foi “E Agora Adeus”, música de estilo romântica, gravada pela K- Tel Music, tornando-se sucesso em execução e vendas, embalando muitos corações apaixonados na década de 1980. Nesta mesma década, Pádua lançou outros sucessos como “Tempo de Acordar” e “Madrugar”, compostas em parceria com Vanderlã, com a participação musical de “Roupa Nova”, no qual gravou os instrumentais e vocais. Em seguida, lançou um compacto simples independente, com selo Laser, duas canções chamadas “Te Amo” e “Rock Rolando no Espaço” (Participação de Leo Gandelman no Sax), ambas compostas pela dupla Pádua e Vanderlã e arranjadas por Cleberson Horsth.

Atualmente, com uma vasta experiência como investe juntamente com o seu sócio, Flávio Junior, na produção de shows de outros artistas em lonas culturais, Arenas, Clubes e Teatros, tais como: Silvinho blau-blau, Dr. Silvana e Cia, Paulinho Gógó (Mauricio Mafrinni), The Fevers, Bebeto, Renato e sues Blue-Caps, Nizo Neto (Filho do Chico Anísio), Agnaldo Timóteo e Blackbird. Além desses, Pádua produziu outros artistas, tais como: Agildo Ribeiro, Cidia e Dan, André Rangel (comediante), Dianah (ex-mulher do Odair José), Adriana, Biquíni Cavadão, Forfan, Carlos Alberto, Rosanah, André Leonno, Leone, Ricky Vallen, Os Canibais, Golden Boys, Tunay, Pery Ribeiro, DNA, Cristian Fernandes, Kátia, Fernando Borges e a Banda Good Times, Celebrare, Renato Prieto, Rodrigo Sant’Anna, Paulinho Serra, Sergio Mallandro, Alcione, Elson Forrogode, Lafaiete e seu Conjunto, Violetas na Janela com Ana Rosa, The Pops e outros.

Ao longo dos anos, Pádua nunca parou de cantar, sempre convidado por esses maravilhosos artistas, a apresentar suas canções na abertura de cada espetáculo. Então lhe dando a oportunidade de contato com um público distinto, permitindo uma renovação constante. Devido cobrança do público, Pádua percebeu que estava no momento de produzir um novo álbum em sua nobre carreira. Essa nova produção chamasse ”Passado, Presente no Futuro”, onde a preocupação era manter a essência do passado devido à identidade diferenciada dos anos regressos. O Álbum está em fase de conclusão e suas canções são totalmente inéditas, com algumas parcerias. Produzido por Pádua e Sergio Sampaio (Produtor, Arranjador, Instrumentista e participante na Vocalização). O álbum possui músicas bem ecléticas destacando-se a música “Fora da Lei” (Pádua \ Alek Lean) e “Declaração de Amor a uma Rainha chamada Wanderléa” (Pádua), no qual foi uma forma de homenagear uma das mais importantes cantoras da musica brasileira.  Pádua conseguiu reunir mais de 90 títulos de canções da Rainha e Diva da jovem guarda, e finalizou em uma linda e sonora canção. Aproveitando a obra, gravou também um vídeo, reverenciando a sua Musa. Além disso, Pádua está produzindo uma serie de vídeos, no qual está obtendo uma excelente resposta do publico através da Web, destacando-se o Vídeo Clipe da música “Fora da lei”https://youtu.be/b19FC4-2eDM, que alcançou em uma semana 17 mil visualizações e “Eu Vou sair para buscar você / Meu Grito”https://youtu.be/XlAClqG5Af4  com participação especial de Agnaldo Timóteo rendendo-lhe criticas positivas e um destacado numero visualizações pelo YouTube.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Pádua para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 22.10.208:

 01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Pádua: Nasci no dia 12.12.1954 no Rio de Janeiro – RJ. Registrado como Antônio de Pádua Silva Andrade.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Pádua: Descobri-me apaixonado pela música quando em casa e nas festinhas aos 4 anos de idade cantava “Cachito Mio” do cantor norte-americano Nat ”King” Cole. E mais tarde aos 6 anos,  a música “Oh Carol” do cantor  norte-americano Neil Sedaka. Eu preferia soltar a voz nos ônibus do Rio de Janeiro, onde eu era aplaudido e remunerado pelos passageiros e era isento de pagar passagem.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Pádua: Eu cursei até o 3º ano de Filosofia e Português na FEUC em Campo Grande (RJ). Abandonei os estudos para me dedicar ao lançamento e divulgação do meu primeiro compacto simples com as músicas “Brastoque” de minha autoria e “Me mande dizer qualquer novidade” de Renato Correa (Golden Boys). Eu estudei canto na Academia Lourenço Fernandes, teoria musical, violão e um pouco de bateria.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Pádua: Do passado, tenho absoluta convicção de toda a galera da Jovem Guarda, principalmente do meu eterno príncipe Ronnie Von e da minha eterna rainha Wanderléa. E mais tarde ampliando o meu conhecimento de artistas nacionais, internacionais e diferentes estilos. Tive influência da música nacional de artistas como Raul Seixas, Gal Costa, Rita Lee, Sá, Rodrix e Guarabira, Secos e Molhados e Roupa Nova, no qual tive o prazer e felicidade de gravar meus primeiros discos com essa banda importantíssima da MPB. Já da parte internacional os cantores Alice Cooper, Carpenters, David Bowie, Er Supply e muitos outros. Todos esses citados ainda estão presentes e grudados em mim, principalmente Wanderléa, Ronnie Von, Carpenters e Roupa Nova.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Pádua: Minha avó me inscreveu aos nove anos de idade no programa de calouros – “A Festa do Bolinha” comandado pelo apresentador Jair de Taumaturgo. Fui vencedor do programa ganhando como melhor calouro da tarde coma música “Mamãe Passou Açúcar Em Mim” sucesso do Wilson Simonal. E na mesma tarde fui convida e contratado pela TV RIO para fazer parte do programa efetivamente, no qual fiquei um ano e alguns meses.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Pádua: Eu lancei cinco compactos simples / Anos de lançamento 1978, 1979, 1980,1981 e 1982. No ano de 2000 fiz parte de um álbum coletânea chamado “Brega 2000” e atualmente estou concluindo o meu primeiro CD -“Passado, Presente no Futuro”. O meu 1º compacto simples foi lançado pela Gravadora Tapecar, com arranjos e bases do conjunto “Os Famks”, que foi uma banda brasileira dos anos 70, que deu origem ao grupo “Roupa Nova”. Com as músicas “Brastoque” e “Me mande dizer qualquer novidade”. O lado A é um rock, onde me coloquei como me sentia na época, um roqueiro hippie tentando batizar o rock feito no Brasil ao qual dei o nome de “Brastoque” (que significa toque brasileiro). E o lado B “Me mande dizer qualquer novidade” me deu mais opção de brigar no mercado e assim não abandonar a música romântica que também é o meu forte, somente acrescentando a ela uma execução com característica de rock romântico.

O 2º compacto simples foi lançado pela Gravadora Tapecar Som Livre, com arranjos de Cleberson Horsth e base do grupo “Roupa Nova” e da banda “Black Rio”. Lado A “Chegue-se mais” (Pádua) e lado B “Saí pra recordar” (Pádua e Gylca). Esse disco foi uma imposição da gravadora para atender o mercado disco (Movimento Disco Music / Discotheque 80) o movimento de muito sucesso na época. Fui apadrinhado pelo comunicador Carlos Imperial que comandava o programa “Embalos de Sábado à Noite” na antiga TV S canal 11, atual SBT, onde eu tinha lugar cativo aos sábados juntamente com Lady Zu, Miss Lene, Dudu França, Marcelo, Rosana, Ronaldo Resedá, bandas Super Bacana e Painel de Controles e muitos outros.

3º Compacto simples foi lançado pela Gravadora K – Tel, com arranjos de Cleberson Horsth e base e vocais do grupo “Roupa Nova”. Lado A “E agora adeus” (Pádua e Márcio Ramos) e lado B “Que horror!” (Pádua). A canção “E agora adeus” foi o meu maior sucesso, tendo ótima execução em todas as rádios do Brasil e uma excelente vendagem, alcançando os primeiros lugares das paradas de sucesso. “Que horror!” foi uma forma de não perder minha essência de roqueiro. Fazendo-me merecer o prêmio “A buzina de ouro” dado pelo velho guerreiro Chacrinha e tantos outros prêmios.

4º Compacto simples foi lançado pela Gravadora K – Tel, com arranjos de Cleberson Horsth / base e vacais do grupo “Roupa Nova”. Lado A “É Tempo de Acordar” (Pádua e Vanderlã). Música romântica com levada (balada americana). Lado B “Madrugar” (Pádua e Vanderlã) bem na levada, bem estilo “Roupa Nova”. Inclusive foi inspirada e composta na intenção que a própria banda gravasse essa canção, porém não foi possível, sendo assim coloquei neste  compacto.

5º Compacto simples foi produzido por Ed Wilson e Roberto Live, pela Gravadora RCA. Com as músicas lado A “Festa das Frutas”. É um disco. O tema brinca com o duplo sentido utilizando das peripécias dos seres humanos atribuídos as frutas. Essa música foi criada em cima e lembrando o grande sucesso das “As Frenéticas” com a música “Dancing Days”. E  lado B “Use e Abuse”. É um rock romântico. Obs: Esse disco não chegou a ser lançado, com problemas internos com o produtor Roberto Live que nesse mesmo período viajou para Estados Unidos onde vive até hoje.

6º Compacto simples foi lançado pela Gravadora Layzer, com arranjos de Cleberson Horsth / base e vacais do grupo “Roupa Nova”. Lado A “Te amo” (Pádua e Vanderlã). Música extremamente romântica, de uma linha musical riquíssima e uma letra que fala de um amor quase perdido, onde o protagonista lutar para resgata-lo.  E Lado B “Rock Rolando no Espaço” (Pádua e Prentice). Estilo rock eletrônico.

7º CD de compilação (coletânea). Foi criada uma seleção de músicas consideradas bregas lançada pela gravadora CID, onde tive a oportunidade através de Cícero Pestana (Dr. Silvana & cia) fazer parte desse álbum com duas canções : “Cercado” (Pádua e Flavio Jr.) e “Taí” (Pádua e Flavio Jr.). Todas músicas que eu gravei foram muito bem recebidas pelo público que acompanha.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Pádua: Sou uma pessoa bem eclética se tratando de estilo musical e procuro sempre dar a minha roupagem que eu considero ser extremamente pop, apesar da idade.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Pádua: Sim, durante 15 anos estudei canto nas escolas Academia de música Professora Ednéa em Campo Grande – Rio de Janeiro e na Academia Lourenço Fernandes também no Rio de Janeiro e ambas as academias estudei com o Professor Tito Oliváres. Também tive a oportunidade de participar de músicas eruditas e quase fui transformado em cantor de ópera.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Pádua: A importância do cuidado com a voz é que facilita na emissão das notas e não te deixa cansado quando você sabe respirar e muitos outros benefícios. Mas, contudo nessas aulas e com todo estudo que eu tive e técnica vocal que adquiri não me informaram a respeito do grande vilão que é o REFLUXO, que ao longo do tempo vem me prejudicando nas minhas apresentações. O que me vale hoje é a minha técnica, que me auxilia e mantém nos palcos até hoje.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Pádua: Cantoras: WANDERLÉA, Rita Lee, Eydie Gorme, Rita Pavone, Karen Carpenters, Marie Fredriksson da banda Roxette, Laura Pausini, Rosanah, Dianah, Vanusa, Adriana, Ivete Sangalo, Bonie Tyler e Kim Carnes.

Cantores: RONIEVON, Agnaldo Timóteo, Fredie Mercury, Peter Cetera, Bryan Adams, Michael Jackson, Ivan Lins, Raul Seixas, Beto Guedes e Tavito.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Pádua: Atualmente vem da necessidade de mercado e procuro misturar com situações que já vive ou simulando uma situação que me emocione.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?        

Pádua: Principais eu não tenho, vai da oportunidade de estar com alguém a fim de produzir um trabalho.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Pádua: Somente eu e hoje na expectativa de uma canção que estou tentando concluir com uma nova parceira que é a Wanderléa.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Pádua: Os prós é que a gente faz o que quer, colando todos os sonhos e desejos dentro do trabalho. O contra é que a gente não conta com uma grande estrutura que seria uma grande gravadora e ter profissionais especializados para uma boa ou não produção.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Pádua: Na atual conjuntura e com tantas dificuldades eu tento conduzir minha carreira de maneira bem lucida e consciente e na maioria das vezes deixo acontecer fiscalizando o tempo todo e tento leva-la para direção que eu acho certo e sempre querendo acertar.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Pádua: Hoje como trabalho produzindo vários artistas, eu tenho a felicidade de ser convidado na maioria das vezes para abrir os espetáculos. Dessa forma eu consigo manter a minha posição como cantor e assim não ser esquecido, pois obter a mídia é muito difícil e um show próprio se torna cada vez mais difícil trazer o público para prestigiar os espetáculos. E paralelo a esse trabalho eu venho insistindo nas redes sócias, onde estou sempre lançando vídeos novos e deixando informado ao público que me admira os meus passos.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Pádua: Pela dificuldade de termos expostos os nossos trabalhos em rádio e TV, temos a possibilidade de irmos de encontro a novos públicos e resgatarmos o que se perdeu. A internet tem me dado à possibilidade de reencontrar muitos fãs que não me viam mais nos meios de comunicação. Com a internet isso ficou muito mais fácil, pois tenho conseguido conquistar novos admiradores e fãs através dos novos vídeos que tenho lançado. Já o contra, ainda não me deparei com ele. Tenho visto e obtido somente coisas positiva.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Pádua: Sinceramente só tem trazido benefícios, incluído o orçamento que era muito mais pesado.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Pádua: A concorrência e as dificuldades sempre existiram e existirão em todas as épocas, sendo assim nas estratégias e na luta do dia a dia eu acompanho  a evolução. Eu tento me adaptar ao novo.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Pádua: Um cenário totalmente poluído, indefinido e nada criativo. Evolução nenhuma, na verdade houve regressão total com apoio da grande mídia, omitindo e escondendo os grandes nomes e novos talentos. Quem conseguiu permanecer foram os que se organizaram, investiram e continuaram alimentando o seu público, sendo assim tendo muitas possibilidades de ampliar os seus seguidores. Vendo o cenário musical atual e comparando aos bons e velhos tempos, não houve nenhuma evolução houve regressão, inclusive do próprio público. E ainda afirmo que a juventude musicalmente é ignorante, pois não tem uma cultura de contemplar as maravilhas que foram criadas no passado. Se perderam da MPB e a culpa é da grande mídia, dos governantes  que não dão oportunidade e dos próprios pais que não passaram e não se interessam em passar  a boa cultura musical.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Pádua: Eu tenho como base o que eu vejo e sinto, artistas como do grupo “Roupa Nova”, Wanderléa, Ivete Sangalo, Golden Boys, The Fevers, Renata e seus Blue Caps, Agnaldo Timóteo, Leoni e Kid Abelha e muitos outros que através de vídeos que ainda primam pela boa qualidade e respeitando o que fazem.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Pádua: Como todo artista já tive problemas financeiros com contrate e vários problemas de não cumprirem da parte técnica. Já cantei para show vazio, já cantei onde alguns músicos não compareceram e tive que improvisar.  A coisa mais surpreendente que já me aconteceu foi ser contratado para realizar um show em Rocha Mirando no Rio de Janeiro e ao subir ao palco, tive a surpresa de me deparar com público black, me deixando muito emocionado, pois fui muito recebido por eles que curtiam Black Music.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Pádua: O que me deixa triste são as dificuldades, decepções e a concorrência desleal que acontecem a todo o momento. Mas o meu amor é tão grande pelo que faço que permaneço fazendo essa arte. O que me deixa feliz é estar no palco, cantando, sendo remunerado ou não e conseguir arrancar da plateia suspiros e aplausos com a minha emoção.

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Pádua: No Rio de Janeiro o Funk desclassificado e o outro aceitável, um Pagode bem acentuado em toda a cidade. Uma sofrência exagerada e repetitiva e um gospel sem noção e mercenário que virou um comércio.

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Pádua: No Rio de Janeiro indico: “Almanaque Singular”, Marcos Lariro, Dani Lopes e outros.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Pádua: Todos os discos que gravei tocaram em rádios importantíssimas pelo Brasil, sem qualquer pagamento do jabá. Mas se a gravadora tivesse investido no pagamento do jabá, eu apoiaria. O que eu consegui foi pelo meu talento, boa produção e amigos que conquistei. Pelo andar da carruagem terei que me esforçar para conquistar as minhas execuções e promoções da mesma forma que conquistei os meus trabalhos anteriores.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Pádua: Lute muito pelos seus sonhos e objetivos sem abandonar um segundo o plano. Tenha uma carreira paralela que possa sustentar os seus ideais, pois a carreira artística até conquistarmos e (se conquistarmos) é um caminho árduo, sofrido e desgastante.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Pádua: O significado da palavra Festival de Música na sua essência nunca é cumprido como deveria, pois na maioria das vezes por experiência própria, os organizadores são gananciosos para obterem lucro e na maioria das vezes desonestos. Eles classificam os amigos, os conhecidos e só se preocupam em obterem vantagens próprias. E seria maravilhoso se a coisa fluísse com o espírito de dar oportunidade e mostrar os novos talentos, pois é que não acontece.

29) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música revelar novos talentos?

Pádua: Com certeza que sim, pena que não existem uma variedade de Festivais de Música. Esses Festivais quase nós não temos conhecimento.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Pádua: Eles da grande mídia, só dão atenção ao top ou quando há interesse de alguma pessoa poderosa investindo financeiramente no artista. Tirando isso, a grande mídia só se preocupa atualmente em dar informações de tragédias e desgraças tornando famosos os marginais e políticos asquerosos que de um dia para o outro viram celebridade. E assim não se preocupando com a arte e nem dando oportunidade a talentos do Brasil.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Pádua: São lindos e de bom gosto, pena que só é bom para os tops e para quem tem influência nesses órgãos. Em resumo é uma máfia.

32) RM: O circuito de Bar de sua cidade como boa opção de trabalho para os músicos?

Pádua: No Rio de Janeiro existem vários bares que contratam, porém o maior fluxo é no Centro da Cidade e na Zona Sul.

33) RM: Quais os motivos para fazer uma músicas em homenagem a Wanderléa?

Pádua: A Wanderléa foi uma paixão fulminante. Eu tomei conhecimento da sua existência aproximadamente aos 12 anos de idade. Meus pais ainda jovens eram fãs do programa “Hoje é Dia de Rock” que contribuía com a mudança do comportamento de um Brasil que apresentava a sua musicalidade muito triste. E eles se identificaram com o Rock que estava sendo desenvolvido no Brasil por vários artistas que apresentavam esse novo comportamento, como: Sérgio Murilo, Celly Campello, Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. Meus pais com sede de mudança optaram pelos que seriam o rei e rainha desse movimento conhecido como Jovem Guarda. E eu os acompanhava com uma facilidade muito grande por já ter a vocação explicita em ser também artista. Em seguida eu comecei a desenvolver os meus dons artísticos cantando em festas. Fui contratado pela TV Excelsior no qual participei do programa infantil 1º Edição – “Essa Gente Inocente” e tive a oportunidade de conhecer vários artistas, entre eles um dos maiores astros, o Agnaldo Timóteo, que meus pais eram fãs também. E como no programa eu havia cantado a música “Mamãe” sucesso na voz de Agnaldo Timóteo. E ele havia assistido, eu e os meus pais tivermos o prazer de sermos cumprimentados por ele. Os meus pais que não eram bobos, pediram autógrafo e eu aproveitei a oportunidade de falar do meu amor pela Wanderléa.  Foi um tiro certeiro, ele muito gentilmente agendou um encontro meu com a rainha da Jovem Guarda. Esse encontro aconteceu no hotel Savoy em Copacabana – Rio de Janeiro, onde fui recebido por uma deusa, por uma ternurinha, por um anjo, por minha musa Wanderléa que me deu toda a atenção do mundo. Eu já era apaixonado, depois desse encontro eu fiquei alucinado, em puro êxtase. Tive até ilusão de depois de completar os meus 18 anos, me casaria com ela.  Após esse fantástico encontro, eu me tornei até hoje um fiel súdito. E ainda digo mais, eu sou a pessoa mais apta do mundo de realizar um trabalho com Wanderléa pelo conhecimento que adquiri acompanhado sua trajetória e por isso e muito mais é que eu tive a necessidade de compor uma canção que fosse muito especial em homenagem a ela. Tentei várias vezes e sempre caia no comum, coisa que eu não queria, tanto é que depois que eu compus essa declaração de amor em forma de cação chamada “Wanderléa”. Eu peguei uns 100 títulos de canções gravadas pela Wanderléa e tentei dar sentido, mas é quase impossível pegar títulos distintos e criar uma história. Tenho certeza que quem ouvir a canção e não souber como foi construída e porquê motivo, vai me chamar de louco, porém, quem acompanhou a carreira e sua discografia não terá nenhum tipo de problema, logo identificará. Eu costumo dizer que no meu coração existe espaço único para mãe, pai, um amor e para Wanderléa que também é única.

34) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com a Wanderléa?

Pádua: Eu sou uma pessoa simplesmente apaixonada até hoje pela Wanderléa. Apesar de ter pouco contato, falo de vez em quando por telefone e às vezes quando ela vem ao Rio de Janeiro. Às vezes penso em procurar um profissional na área que me ajude compreender esse afeto tão bonito, tão puro, tão exagerado e tão tranquilo ao mesmo tempo. E eu antes de ser, cantor, compositor, ator e produtor, sou em primeiro lugar fã da Wanderléa.  É um sentimento que só me fez bem durante toda a minha vida. Tenho conhecimento de várias pessoas que se apaixonaram por vários ídolos, mas com o tempo essa admiração foi diminuindo, tem uns até que me disseram não sentir mais nada, ficou somente uma boa lembrança. Ao contrário de mim, que cada vez me vejo mais apaixonado e feliz com esse amor. Ás vezes eu fico em dúvida sem saber se terei que fazer algo mais além da canção “Declaração de amor em forma de canção a uma rainha chamada Wanderléa” para provar meu amor? Eu espero muitas alegrias dessa homenagem.

35) RM: Qual a sua relação pessoa e profissional com Flávio Júnior?

Pádua: Flávio Jr. apareceu na minha vida no momento muito legal. Eu o conheci em um Bar onde sem saber quem era num papo sobre música entre amigos, citou o meu nome e uma música minha que estava despontando nas paradas. De lá para cá, Flávio resolveu investir as suas ideias e trabalho em minha carreira. Posteriormente com os resultados positivos, começamos a produzir outros artistas, peças infantis, stand-up comedy. E nessa parceria, conseguimos junto construir um estúdio de gravação.  Tivemos a felicidade de fazer produções locais em arenas culturais, lonas culturais e clubes com artistas do porte de Leoni, The Fevers, Renato e seus blue caps, Dr. Silvana & cia. Golden Boys, Isabella Taviani, Alcione, Benito de Paula, Flávio Venturini, Biquíni Cavadão, Agnaldo Timóteo , Adriana, Rosanah, Dianah, Ricky Vallen, Jerry Adriani e muitos outros. No cenário de comédia e peças teatrais: Paulinho Gogó, Rodrigo Santana, Pedro Manso, Fabiana Carla, Paulinho Serra, Sérgio Malandro, Miguel Marques e no teatro espírita, Ana Rosa, Renato Prieto e outros.

36) RM : Quais os seus projetos futuros? 

Pádua: Lançar o meu novo CD e produzir um clipe para cada canção do álbum – “O Presente, Passado no Futuro”.

37) RM : Quais seus contatos para show e para os fãs?

Pádua: (21) 96460-5656 |  Facebook:  https://www.facebook.com/padua.flavio   | https://www.facebook.com/CantorPadua/ |  Instagram: @paduacantor  | [email protected]

Abaixo, os links de todos os vídeos do Cantor:

https://www.youtube.com/channel/UCuDi26XjlBrT9no6H7TXcxQ

E agora Deus

https://www.youtube.com/watch?v=WCCZbYoOBCA

Fora da Lei

https://www.youtube.com/watch?v=b19FC4-2eDM

Participação de Padua no Carlos Imperial 1979

https://www.youtube.com/watch?v=KsiDywj23Mk

Eu vou sair para buscar você/ Meu Grito (Agnaldo Timóteo)

https://www.youtube.com/watch?v=XlAClqG5Af4

Pout Pourri Jovem Guarda

https://www.youtube.com/watch?v=hOeDD-4S3tU

Custe o que custar

https://www.youtube.com/watch?v=36Fx7kg-U4E

Colo de Mãe

https://www.youtube.com/watch?v=g_aY1ombnXw

Por Amor

https://www.youtube.com/watch?v=Ha4JruqTu7g

Você vai ser o meu escândalo

https://www.youtube.com/watch?v=id3-RBoM7mU

A Velha Porta

https://www.youtube.com/watch?v=l3vWBy59QS8

Que Beleza

https://www.youtube.com/watch?v=bAYWGBkfewU

Eu já nem sei

https://www.youtube.com/watch?v=qo7mVhpec08

Devolva-me

https://www.youtube.com/watch?v=n0V8lp0Vx8E

Pout Porrit (Jovem Guarda)

https://www.youtube.com/watch?v=hOeDD-4S3tU

Te amo

https://www.youtube.com/watch?v=59DqeBrp6L4

Codinome Beija-flor

https://www.youtube.com/watch?v=8DJQfd-L8cU

Pense em Mim

https://www.youtube.com/watch?v=-IWqhYPW1Yc

Faz parte do meu show

https://www.youtube.com/watch?v=Om7u-aFLgBg

INFANTV. “Essa gente inocente”. Disponível em http://www.infantv.com.br/essagente

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.