Mateus Sartori

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O cantor Mateus Sartori nasceu em Franca – SP tendo ainda muito pequeno o seu primeiro deslumbramento com a música através dos saraus familiares, ouvindo seu avô Waldomiro e sua mãe Cidinha.

Aos 13 anos já morando em Mogi das Cruzes – SP ingressou no Coral da UMC (Universidade de Mogi das Cruzes), chamando a atenção da maestrina Dulce Primo, quem o aprimorou a musicalidade e o direcionou nos estudos. A busca do aprimoramento musical o levou a se matricular na Escola Municipal de Música de São Paulo (1996), e um ano depois, ingressou na Universidade Livre de Música Maestro Tom Jobim, consideradas importantes escolas para músicos de todo o País. Há quem considere a Arquitetura e a Música artes irmãs. Uma se encarrega de organizar o espaço e outra o tempo. E Mateus Sartori se encontrava na árdua tarefa de organizar seu tempo para cursar Arquitetura, enquanto continuava a se entregar sem reservas à música. Sua participação no Festival de Música de Curitiba-PR de 1996, o primeiro festival de sua vida, depois participou dos festivais de Campos do Jordão – SP, Curitiba – PR, Londrina – PR e Juiz de Fora – MG em que partilhou informações e experiências com nomes como Guinga, Jane Duboc, Mônica Salmaso, Consilha La Torre, Clara Sandroni, Grupo Vocal Garganta Profunda. Essas experiências tiveram tal importância em sua vida artística, que a aplicá-las em sua relação com a música: as canções não eram mais as mesmas. Os palcos nos quais pisava, agora tinham o brilho e a precisão de quem se debruça na escolha de tema e das canções, e de quem pensa em cada detalhe, arregaçando as mangas para até afinar a luz se for preciso. Em 2006, lança seu primeiro CD: “TODOS OS CANTOS”. O primeiro registro sério de uma voz que não será esquecida, entre outras vidas, pelo seu legatto, afinação, nuances e densidade. Com produção musical de Mario Gil, o CD conta com a participação de Guinga, Renato Braz e Nailor “Proveta”. E no final de 2007, lança o CD: “DOIS DE FEVEREIRO”, trabalho que homenageia o compositor baiano Dorival Caymmi, gravado sob produção de Rodolfo Stroeter e com participações especiais de oito violonistas de destaque na Música Brasileira, entre eles: GUINGA, PAULO BELLINATI, WEBSTER SANTOS, MARIO GIL, JARDEL CAETANO, EDMILSON CAPELUPI, DIEGO FIGUEIREDO E CHICO SARAIVA.  

Mateus Sartori é a VOZ. Um timbre singular, que pode assustar e atrair por ser inusitado. Uma técnica vocal lapidada por anos de estudos e uma interpretação refinada. Cantar todo mundo pode. Mas como concordamos sobre a importância de um instrumento musical ter timbre limpo, forte e excelente volume que encanta nossos ouvidos e nossa alma. Existem insanos que torcem o nariz para quem a natureza privilegiou fisicamente com aquele “gogó invejável”. Que lapida o timbre, a extensão e afinação com estudo da técnica vocal. Pois, não bastar ter A VOZ, tem que saber usá-la (Essa é uma das diferenças entre um operador de telemarketing de um cantor).

Segue abaixo a entrevista exclusiva com Mateus Sartori para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 02.01.2009: 

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Mateus Sartori: Nasci no dia 19 de janeiro 1978 em Franca, interior de São Paulo.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Mateus Sartori: Foi através da minha mãe e meu avô materno. Minha mãe Cidinha sempre foi ligada à arte em geral. Participava de corais, peças teatrais e hoje é professora de educação artística e desenho geométrico. Já meu avô Waldomiro (o considero minha maior influência), era quase um maestro e tocava 7 instrumentos musicais e era marceneiro do hospital onde nasci. Um dia, serrou os dedos da mão esquerda e teve que parar de tocar. Assoviava como ninguém. Melodias lindas. Só o Teco Cardoso ou Proveta conseguiriam reproduzi-las (risos).

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica em música ou em outra área?

Mateus Sartori: Eu estudei canto erudito e regência na Escola Municipal de Música de São Paulo, canto popular e regência na Universidade Livre de Música Tom Jobim, e Arquitetura na Universidade de Mogi das Cruzes – SP.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Mateus Sartori: Minhas influências no passado eram o que minha turma ouvia. Quando estava em Mogi das Cruzes, cidade que moro, ouvia rock nacional. Tocava Legião Urbana, Capital Inicial no violão nas festas da turma. Aos 13 anos, comecei a cantar em corais e conhecer a verdadeira Música Brasileira, que ainda continua me influenciando como: Tom Jobim, Chico Buarque e Vinicius de Moraes e etc. Mas não acho que as influencias do passado deixaram de ser importantes. Quando ouço algo daquela época, me bate uma saudade imensa.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Mateus Sartori: Eu comecei cantando na noite como a maioria dos músicos. Não me lembro bem em que lugar. Cantava em bandas de rock e músicas dos anos 70. Somente aos 18, ou 19 anos que passei a cantar MPB na noite. Eu cantei em bailes e formaturas.

06) RM: Quantos discos lançados?

Mateus Sartori: O CD – “TODOS OS CANTOS” em 2006: É uma mescla de vários ritmos, compositores e instrumentistas como: Guinga, Teco Cardoso, Proveta e Renato Braz. E o CD – “DOIS DE FEVEREIRO” em 2007: Homenagem ao Dorival Caymmi com a participação de oito violonistas da MPB: Guinga, Paulo Bellinati, Webster Santos, Edmilson Capelupi, Chico Saraiva, Mario Gil, Jardel Caetano e Diego Figueiredo. O perfil de cada um dos CDs, não sei dizer. Canto o que gosto independente do que a mídia vai achar.

07) RM: Como surgiu a ideia de lançar um CD em homenagem a Dorival Caymmi? E quais os riscos de fazer um CD em homenagem ainda não sendo tão conhecido do público?

Mateus Sartori:  A ideia fazia parte de três projetos e um deles era o CD em homenagem ao Dorival. Conversando com o Rodolfo Stroeter, produtor do CD, achou interessante a homenagem, pois o Caymmi ainda era vivo e poderíamos apresentar o CD a ele e receber comentários. Não fiquei com medo de gravar por ser desconhecido. A única coisa que tenho medo é de morrer.

08) RM: Como foi trocar a carreira de arquiteto pela musical? Quais os prós e contras dessa escolha?

Mateus Sartori:  Na verdade, deixei a música por um tempo para trabalhar com a arquitetura. Não há nada que pague o prazer, o amor pelo que se faz. Amo a música. E independente de prós e contras, não a deixaria jamais.

09) RM: Quais são seus principais parceiros musicais?

Mateus Sartori:  Ainda não tenho parceiros compositores, mas tenho grandes músicos que sempre estão comigo como: Jardel Caetano, Webster Santos, Edmilson Capelupi, Finazzi, Emilio Martins, Lucas Vargas, entre outros.

10) RM: Como você define seu estilo musical?

Mateus Sartori:  Não tenho um estilo. Como disse, quero cantar o que gosto. Um dia posso fazer um CD de Samba, outro dia um de canções e etc.

11) RM: Além de cantar muito bem. Você compõe?

Mateus Sartori:  Eu estou em fase de lapidação.

12) RM: Na sua opinião quem são os grandes cantores(as) brasileiros?

Mateus Sartori:  Ney Matogrosso, Renato Braz e Rubi são os que não saem do meu MP3.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Mateus Sartori:  Os Prós – Você é dono do seu disco, do seu trabalho e não se vende a mídia. Os Contras – É as dificuldades em fazer com que as pessoas tenham acesso ao seu trabalho.

14) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Mateus Sartori:  Analiso da seguinte forma. O cenário está carente de qualidade, espaço para novos talentos, novos compositores, novos cantores e etc.

15) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Mateus Sartori:  Acho o Ney Matogrosso completo. Sua escolha de repertório, a iluminação dos shows e etc.

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Mateus Sartori:  Nada me deixa triste na carreira musical. A tristeza é aprendizado. A tristeza só existe, porque a felicidade insiste!

17) RM: Nos apresente a cena musical da sua cidade natal?

Mateus Sartori:  Da minha cidade natal não saberia lhe dizer, pois moro em Mogi das Cruzes faz 29 anos. E Franca tem um dos melhores violonistas da atualidade: Diego Figueiredo. Mas em Mogi, essa cidade é linda. Aqui compositor tem 4 em cada esquina. Meyson, Henrique Abib, Gui Cardoso, entre outros.

18) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Mateus Sartori:  Não penso nisso. Quero que meu trabalho seja reconhecido e pretendo continuar vivendo bem da música como estou hoje.

19) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Mateus Sartori:  A vaidade não combina com a arte! Organização, estudo, comprometimento, são palavras que fazem parte do vocabulário de qualquer pessoa que quer crescer na vida, independente da profissão (Pra mim, todas são iguais).

20) RM: Como você vê e usa a ferramenta da internet para propagar e popularizar seu trabalho?

Mateus Sartori:  Através de mailing, divulgando os shows, site, myspace, orkut e etc.

21) RM: Quais os projetos futuros?

Mateus Sartori:  Continuar feliz ao lado da minha família. Poder levar e buscar minha filha no balé, na natação, na escola e etc. Poder Jantar todos os dias com a minha esposa, colocando o papo em dia. Poder tomar o café da tarde na casa da minha mãe. E por último, fazer música boa, pois afinal, somente a música, sem isso que citei acima, não é nada. Faço música pra eles. Pra minha família.

22) RM: Quais os seus contatos?

Mateus Sartori:  www.mateussartori.com.br


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.