Lauro Lellis

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Lauro Lellis
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O baterista, diretor e professor do Centro Musical Morumbi (C.M.M.Lauro Lellis, já tocou com grandes artistas e músicos de renome da M.P.B.

Participou do Movimento Lira-Paulistana, atuando na banda Jazzco. Foi colunista da Revista Batera & Percussão e professor no Centro de Estudos Musicais Tom Jobim (ex-U.L.M.). Participou de turnês pelo Brasil com o compositor Jarbas Mariz, e no exterior com o cantor e compositor Tom Zé, destacando-se: Mostra da Música Brasileira (Zurich, Suíça); 39º Festival de Montreux, Miles Davis Hall (Montreux, Suíça); Lincoln Center Jazz Festival, Alice Tully Hall (Nova York, EUA); Central Park Summerstage Festival (Nova York, EUA); Jazz Festival Du Morrier (Montreal-Vancouver, Canadá); Drum Rhythm Festival (Amsterdam, Holanda); Mostra da Música Latina “Queen Elizabeth Hall” (Londres, Inglaterra); Festival Músicas do Mundo (Lisboa, Portugal); Festival de Outono (Madrid, Espanha); Fandango Jazz Fest (Roma, Itália); Jazz à Vienne Fest (França); Eirockeenes Festival (França); Festival Sonidos de la Diversidad (Espanha); Europalia Fest (Bélgica-Holanda); Personal Escenario Nokia Fest (Buenos Aires, Argentina); Nachtrock Spezial (Berlin, Alemanha), da 19ª à 22ª edição do Banlieues Bleues Festival – Jazz en Seine (Paris, França), entre outros. Seu trabalho como baterista nas gravações e shows com Tom Zé tem tido destaque na crítica internacional especializada, como jornal The New York Times, revista Down Beat, New York Newsday, Newsweek e Le Monde (França).

Atualmente, o baterista atua com o cantor e compositor Tom Zé e com MokshaTrio, com quem lançou o CD – Introspection.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Lauro Lellis para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 16.05.2012:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Lauro Lellis: Nasci no dia 10.06.1955 em São Paulo – SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Lauro Lellis: Minha mãe era professora de Piano e Acordeom. Aos 14 anos passei a me interessar começando a ter aulas de piano.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Lauro Lellis: Estudei no CLAM – escola do Zimbo Trio – com o Rubens Barsoti e o João Ariza (Chumbinho). E estudei com Dinho Gonçalves e Jorge Miller. E percussão com Claudio Stephan, Carlos Tarcha, Dirceu Medeiros, Boby Whyat. Fora da música sou formado em Administração de Empresas pelo Instituto de Ensino superior Senador Flaquer de Santo André-SP.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Lauro Lellis: No passado minhas influencias foram no rock Led Zeppeling, Deep Purple, Grand Funk. Depois veio toda gama de música negra norte americana como James Brow, Ike, Tina Tuner, Barry White, The Tempations, Four Tops, Rufus. Depois Gene Krupa, Joe Morelo, Art Blakey, Max Roach Elvin Jones, Egberto Gismonti, Airton Moreira, Milton Banana, Nenê Batera, Portinho, Steve Gaddd, Steve Smith, David Garibaldi com a Tower of Power. E meus professores: Dinho, Chumbinho, Drceu, Rubinho, Boby whyat, Jorge Miller, De todas as influências nenhuma delas deixou de ter importância.

05) RM: Quando, como e onde  você começou a sua carreira musical?

Lauro Lellis: Comecei minha carreira através da minha mãe na escola de música dela em São Paulo na época o Conservatório Palestrina filial do Rio do Grande do sul. Estudando piano depois violão até ir pra batera com um batera chamado Jair. Com relação à performance meus primeiros trabalhos foram com bandas de rock. Depois baile até chegar aos shows com a Tete da Bahia,Amelinha e por ai vai.

06) RM: Fale do seu primeiro CD? Qual o ano de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical do CD? E quais as músicas que se destacaram no CD?

Lauro Lellis:CD – Introspection é um trabalho instrumental experimental baseado em harmonias atonais. Com composições e idéias do pianista Gilberto Ferry. Porém com uma linguagem brasileira, num conceito jazzístico. Destaque também para o baixista Felipe Alves importante nesse processo de composição em grupo. O destaque eu daria para os temas: Idéias, Ritual e Kronos. O CD foi gravado no Studio Paulo. No bairro Perdizes. O lançamento foi feito na rede saraiva em 2010.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Lauro Lellis: Ótima pergunta. Sempre sofri um pouco com isso. Pois comecei no rock fui pro baile, grupo de jazz acompanhar cantores (as). Preparei-me muito e comecei a dar aulas. É uma diversidade musical grande. E eu me acostumei a tocar vários gêneros. Hoje em dia seria mais difícil concluir tudo isso. Mas eu me defino mais como um músico brasileiro do gênero pop.

08) RM: Quais os prós e contras de fazer música instrumental no Brasil?

Lauro Lellis: Musicalmente falando só tem prós. Você cresce e aprende em tudo. Profissionalmente os contras são a constante falta de espaço e a falta de valorização.

09) RM: Quais os músicos que tocam na sua banda?

Lauro Lellis: Atualmente com Tom Zé eu toco com Renato Lellis – guitarra, Felipe Alves – baixo, Jarbas Mariz – cantor, violão de 12, bandolim e compositor, Cristina Carneiro – teclados. Na minha banda instrumental toco com Marco Prado – guitarra, Renato Lellis – baixo, Daniel de Luca – teclados, E com o novo trio o Salada Urbana toco com Eder Sandoli – guitarra e Zaza Amorim– baixo.

10) RM: Como você se define como baterista?

Lauro Lellis: Fazer uma definição como baterista é difícil. É melhor deixar para quem me ouve ou toca comigo definir. Mas eu diria que passei pela fase do espadachim e nos dias de hoje penso sempre em tocar a favor da música.

11) RM: Quantos anos de estudo de bateria? Você toca outro instrumento?

Lauro Lellis: Dentro das poucas possibilidades de tempo que tenho voltei a estudar Xilofone. Gosto muito. Como baterista eu comecei tarde aos 17 anos de idade de forma séria. E já são mais de 20 anos na estrada.

12) RM: Quais os bateristas que você admira?

Lauro Lellis: Todos os bateristas que tocam de verdade. Bem mesmo. E claro principalmente sou fã do meu filho Renato Lellis na bateria.

13) RM: Como identificar um bom e um mal professor de bateria?

Lauro Lellis: O bom professor é aquele que tem conhecimento de verdade. E que se preparou para encarar o ensino e não quer ser mais importante que o aluno. Não é muito fácil de encontrar. Mas temos.

14) RM: Quais as dicas que você dar para o iniciante do estudo de bateria?

Lauro Lellis: As tradicionais. Procure um bom professor e estude pra valer. Um baterista inseguro pode destruir uma grande  banda.

15) RM: Quais as dicas que você dar para os bateristas profissionais?

Lauro Lellis: Acredito que cada profissional sabe exatamente o que fazer. O que posso dizer para aqueles que acham que o respeito e a ética estão fora de moda é reavaliar a própria postura, refletir e baixar a bola sempre é bom.

16) RM: Qual a importância do baterista estudar percussão?

Lauro Lellis: Qualquer instrumento a mais que o baterista possa estudar vai abrir caminhos e a percussão também.

17) RM: Qual a importância do percussionista estudar bateria?

Lauro Lellis: Eu diria que é recíproco. Se tivéssemos muito tempo, varias vidas, seria legal estudar todos os instrumentos. Quanto mais seria melhor.

18) RM:  Quais as principais técnicas que um baterista tem que dominar?

Lauro Lellis: Todas as que irão contribuir para o baterista.  Tocar o que pretende sem preconceitos, sem cópias. Encontrar a sua técnica e ser original.

19) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Lauro Lellis: Nos dias de hoje é natural e pode-se dizer necessário ser independente. Ninguém quer investir em ninguém a não ser que já esteja a meio passo do sucesso. Ai aparece alguém querendo lhe empurrar como se fosse o salvador. Temos que lutar e acreditar para não depender desses oportunistas que não contribuem em nada. Só pensam em ganhar dinheiro e prestígio com o trabalho do músico.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Lauro Lellis: É sempre difícil analisar o mercado. Mas ele continua melhorando sempre de forma lenta devido à massificação musical que é mais rápida. Pois dar mais dinheiro. Mas está caminhando. As revelações musicais como compositor para mim ainda são Tom Zé. Vide Europa e EUA as revelações musicais, o que é isso? Os caras bons assim como grandes compositores. Os que seriam as verdadeiras revelações não aparecem. Ou seja, não tem espaço. Então citar nomes seria difícil. Agora gente boa tem e muitas. Só não vamos cair nessa de revelações tipo MTV e Multi Show, NE. Porque dai, é piada de mau gosto. Enquanto tivermos a fábrica de artistas e bandas funcionando, vendendo milho para galinha. Não teremos uma realidade musical verdadeira.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Lauro Lellis: Existem muitos profissionais exemplares. Só posso dizer com os que eu convivo. Tom Zé é um deles. Músicos de qualidade têm muitos, citar nomes seria deselegante.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Lauro Lellis: Acho que muita gente já passou por problemas similares. Várias vezes quando fazia baile o pau comeu (brigas). E eu fiquei no palco segurando o pedestal de prato com prato e tudo. Foi quando tocava no Redondinho em Santo Amaro e esqueci o bag de baquetas. O baixista na época o Paulo Gomes luthier improvisou um par com uma faca partindo de uns pedaços de madeira. Algumas vezes também toquei com uma caixa de cerveja substituindo a estante de caixa e por ai vai. Fizemos um carnaval no Embu das Artes – SP e a prefeitura não pagou. A banda ficou querendo me fritar, pois eu era um dos responsáveis. No fim a grana saiu depois de quarenta dias. Já toquei sem ganhar nada muitas vezes. Infelizmente isso acontece. E acredito que ainda poderá acontecer. Isso tem haver com a falta de conhecimento e valorização quando o assunto é musica. A sociedade pensa em muitas profissões, mas a de musico, não entra nem em comercial de TV. Ninguém fala, faça faculdade de música.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Lauro Lellis: Mais feliz é estar tocando. Ter agenda. O mais triste é não ter agenda.

24) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Lauro Lellis: Em São Paulo tem algumas boas casas noturnas com som ao vivo como, por exemplo: The Orleans. Na qual uma das atrações tem sido J.J. Jackson. O Jazz nos Fundos, o Tom Jazz. Tem o bairro Vila Madalena que é um celeiro de acontecimentos com boas casas com música. Os teatros do Sesc com boas atrações. A rua Teodoro Sampaio com infinitas lojas de música. A Free Note nossa melhor loja de livros especializados em música de Sampa. E por ai vai. São Paulo é efervescente. É o coração da América do Sul. Tem para todos os gostos.

25) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Lauro Lellis: Isso é muito pessoal, mas atualmente eu continuo ouvindo de tudo. Do pop ao maracatu do samba ao jazz. E por ai vai. Do Funk ao Hip Hop. Do Rap ao Shufle. Do Blues ao Rock. Ouvir de tudo sem preconceitos é a melhor coisa. Uma dica seria ouvir a baixista Esperanza Spalding, a banda Tower of Power. E tudo que é brasileiro com qualidade. Os músicos que se deve ouvir? Todos os que tocam bem.

26) RM: Você acredita que sua música vai tocar nas rádios sem o jabá?

Lauro Lellis: Tenho a convicção que música nenhuma toca no radio ou TV sem jabá. O que interessa é dinheiro e não qualidade nem divulgar a cultura. O objetivo é só a grana tanto para rádio quanto para TV.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Lauro Lellis: O mesmo que digo para Renato Lellis meu filho. Ir à luta. Gravar, editar, contratar se possível uma assessoria. E ir passo a passo buscando espaço. Não esmorecer de forma alguma. Acreditar naquilo que faz. Aqui vai a dica pra galera ouvir www.renatolellis.com.br .

28) RM:  Como e quando você começou a tocar na banda do Tom Zé?

Lauro Lellis: Conheci Tom Zé em meados de 1984 através, do então guitarrista, Milton Belmudez que hoje mora na França.

29) RM: Quais os prós e contras tocar sob a concepção musical de Tom Zé?

Lauro Lellis: Só vejo prós, pois temos liberdade de expressão. Ele esta sempre inovando, criando, propondo novos caminhos é um compositor inquieto.

30) RM:  Em uma escala de 0 a 10 quanto é exigido do seu potencial de baterista dentro do trabalho do Tom Zé?

Lauro Lellis: Difícil medir. Acredito que em qualquer trabalho você tem que estar preparado para atingir o máximo, pois sempre haverá essa necessidade.

31) RM:  Como é sua relação com o Tom Zé dentro e fora do palco?

Lauro Lellis: A melhor possível. Quando existe respeito, fica fácil a relação. E isso nós adquirimos nesses anos todos.

32) RM: Qual a importância do trabalho do Tom Zé dentro do cenário brasileiro?

Lauro Lellis: Eu diria que fundamental. Compositor criativo e sempre inovando. Sem rótulos. Qualquer segmento precisa nos dias de hoje de alguém assim. Vivemos numa mesmice globalizada. E às vezes é até difícil escutar música. Falta coragem. Faltam propostas nas composições. Tom Zé tem tudo isso e muito mais.

33) RM: Quais os motivos da sua saída da banda do Tom Zé em 12 de julho de 2012?

Lauro Lellis: A minha saída deve-se exclusivamente ao fato que a produção e o próprio Tom Zé não se sentirem confortáveis com a convivência sadia com um músico que tenha voz ativa e participativa dentro da banda. Pôr ter conquistado um status e visibilidade dentro do mercado, ELES acham que não precisam exclusivamente dos músicos que fizeram parte do seu retorno do ostracismo. Hoje troca um músico que lhe acompanhou por mais de 20 anos por outro, sem nenhuma cerimônia. E tanto faz, não tem diferença, nem a consciência de perceber que depois de tanto tempo a readaptação ao mercado de trabalho por parte de quem sai não acontece de uma hora para outra. E nem se preocupa se o músico tem contas a pagar, não está nem ai. O músico dispensado, sempre fica sem direito a nada, fica de mão abanando e eles não se importam. Além disso, a produtora Neusa (esposa do Tom Zé) não admite de forma alguma que os músicos perguntem quais as datas de shows já foram confirmadas. Na verdade não existe respeito pela necessidade que os músicos têm em saber quais datas está livre para tratarem de assuntos pessoais e profissionais, o que deveria ser lógico, eles querem exclusividade total, mas não recebemos salário. Isso também contribuiu para minha saída em um desses questionamentos normais que eu fiz sobre prováveis datas a produtora sem nenhum aviso, com total falta de consideração e com muita frieza para demonstrar poder, colocou outra pessoa na banda sem me comunicar previamente. E o pior é que no mês anterior essa mesma produtora tinha dado o aval de que essas mesmas datas estariam livres. Todos nós sabemos que SESC nenhum agenda data de show com vinte dias de antecedência, já estava tudo calculado, pura armação. Tom Zé para não ir contra sua própria produção justificou a atitude tomada dizendo que eu, Lauro Lellis, estava estimulando uma concorrência de meu filho Renato Lellis, guitarrista da banda, com ELE que é o Artista! Pasmem!  Além de dizer que pai e filho não podiam tocar juntos na banda dele. Eu fui um dos músicos que mais apostei e participei efetivamente no retorno da carreira dele. Fui responsável pela arregimentação de vários integrantes para a banda, inclusive dois que estão na banda atualmente, eu que os trouxe. Enfim,  você descobre que não tem nenhum valor e que não existe nenhuma consideração. Somos descartáveis. Mas uma coisa é certa, ajudamos e muito no status e desenvolvimento da carreira dele por muitos anos, estivemos nos Palcos mais importantes da Europa, E.U.A., Canadá e Brasil. E nunca houve falha ou falta da Banda. A minha saída foi injusta. E o pior não houve por parte dele nenhum acerto de contas pelo trabalho que realizei ao longo dos anos. Para mim isso é fruto de fuxico, intriga, ou da Teoria da Conspiração ou Síndrome da perseguição que aflora dentro da sua própria Produção.

34) RM: Quais os seus projetos futuros?

Lauro Lellis: Continuar tocando com Tom Zé e o com os projetos de música instrumental. O Trilhas com o guitarrista Marco Prado e o Salada Urbana com o guitarrista Eder Sandoli e o baixista Zaza Amorim. Lançar método e DVD de aula. Pesquisar, estudar e por ai vai. É trabalhar incessantemente.

35) RM: Quais seus contatos para show e para seus fã?

Lauro Lellis :  www.laurolellis.com   / www.youtube/laurolellis  / www.myspace.com/laurolellis  / www.centromusicalmorumbi.com [email protected]   

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.