Guilherme Mittmann

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Guilherme Mittmann
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Guilherme Mittmann começou a estudar Orgão aos 12 anos de idade no Templo Luterano que sua família frequentava, após receber os rudimentos na igreja e por falta de professor disponível estudou por conta própria em bibliotecas com todo material musical de que dispusessem.

Aos 15 anos de idade foi aceito como aluno de Orgão de Tubos e Violino pelo professor Valério Huwer; que foi aluno do polonês Jerzy Milewski. Guilherme, aos 16 anos de idade começou a lecionar música e reger coros na região do Vale do Rio dos Sinos – RS, e aos 18 anos ingressou como aluno no curso técnico em música da EST em São Leopoldo – RS. Ele aos 21 anos começou o curso de música com habilitação em regência coral da Universidade Federal do Rio Grande do SUL – UFRGS.

Ele participou de master-classes, cursos e workshops com regentes e músicos nacionais e estrangeiros como o maestro Manfredo Schimiedt da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e o regente de coros alemão Hans-Peter Schurz. Atua como instrumentista, regente de coro, preparador de grupos vocais e instrumentais, músico de estúdio, professor de música e arranjador.

Entrevista exclusiva com Guilherme Mittmann para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 26.10.2016:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Guilherme Mittmann: Eu nasci no dia 26.03.1984 em Sapucaia do Sul– RS, mas nunca morei lá, fui criado em São Leopoldo – RS, uma cidade vizinha.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Guilherme Mittmann: Minha mãe, minhas irmãs cantavam e o meu irmão que é 12 anos mais velho que eu, ele tinha aulas de Violão quando eu ainda era muito pequeno e se tornou músico profissional. Eu cresci ouvindo música e tendo contato com músicos e passei toda a adolescência e até pouco tempo atrás frequentando a igreja Luterana onde comecei a aprender o meu instrumento, o Organ e tinha contato com a prática coral mais ortodoxa.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Guilherme Mittmann – Cursei o técnico em música da EST – Escola Superior de Teologia em São Leopoldo- RS e depois fiz o curso de música com habilitação em regência coral na UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E fiz alguns workshops e master-classes com músicos brasileiros e estrangeiros, dentre eles destaco o professor Valério Huwer e o regente alemão Hans-Peter Schurz. Fora da área musical, eu cursei um ano de Teologia na Universidade Luterana do Brasil, consegui ser expulso, graças a Deus!

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Guilherme Mittmann: Do passado J.S.Bach acima de tudo, mas também tem lugar para Josquin Des Pres e Palestrina, um pouco mais recente tem Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga, Rick Wakeman, Jon Lord, Frank Zappa, Bernie Worrel, George Duke. E faz pouco tempo que me mostraram o Hercules Gomes e o ver tocar e o que ele esta fazendo com as obras que interpreta esta sendo inspirador para mim que sempre fui muito indeciso!

05) RM: Quando, como e onde  você começou a sua carreira musical?

Guilherme Mittmann: Começou com a minha abençoada expulsão do curso de Teologia. Eu sofri muita pressão para ir para este curso, ter sido expulso foi ruim nos primeiros dias, mas depois se mostrou um dos maiores alívios da minha vida, dali em diante pude me dedicar à música como profissão.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Guilherme Mittmann: Infelizmente ainda não tive a oportunidade de registrar meu trabalho, gravei com grupos como cantor e tecladista. E fiz alguns arranjos e toquei também violino em trabalhos alheios que acabaram não aparecendo muito, mas não gravei nada de meu ainda, na verdade compor é uma coisa que comecei a me dedicar novamente, só muito recentemente.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Guilherme Mittmann: Se eu tivesse de usar um termo só para me definir musicalmente seria “Prog” ou “Fusion” que são os gêneros mais abrangentes que posso pensar. Todo mundo diz que ouve de tudo, mas eu me esforço para efetivamente fazê-lo. E algumas pessoas se indignam comigo; alunos de pensamento elitista tentaram me demover de ouvir música com apelo popular como o Funk atual, Samba ou RAP. É uma grande ignorância rejeitar um gênero inteiro de música e as razões deste preconceito são muito mais sociais do que musicais.

08) RM: Como é seu processo de compor?

Guilherme Mittmann: Eu voltei a compor recentemente, antigamente compunha ai fui acometido da ideia de que eu não sabia de nada para que minha composição valesse algo, então estudei muito, muito mesmo, foi bom morar em São Leopoldo, na minha adolescência não tinha nada para se fazer lá, isto ajudou a evitar distrações. E percebi que a sensação de não saber nada nunca diminui e isto é bom. Perceber que tem muito para aprender e fica mais humilde, ai voltei a experimentar, meu processo ainda está em desenvolvimento, pego uma prática, uma linguagem específica ou um estilo, e proponho um tema e vou desenvolvendo.

09) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Guilherme Mittmann: Como compor ainda é coisa nova para mim, tenho o parceiro musical Henrique ‘Hobbit’ Mangoni que revisa o que eu faço e me dá sugestões. É muito bom por que ele era meu aluno com quem eu tenho proximidade para falar, ele foi adiante compondo e até já se graduou nisto. Espero que ele não me passe à conta da consultoria (risos).

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Guilherme Mittmann – Se você tem um pouco de consciência de como o mercado funciona sabe que estabilidade é uma ilusão, na primeira merda o patrão não vai cortar a própria perna, vai cortar a sua. Alguns amigos promissores foram “Comprados” por gravadoras só para não lançarem coisas que poderiam comprometer artistas em evidência, conheço gente que saiu aqui do Sul com uma promessa, foi para São Paulo e ficou lá por dois anos, a princípio contratados, ganhando nada ou quase nada e voltou sem gravar, é mole? No meu caso isto não é opção, se a gente quer fazer uma música mais sofisticada em termos de linguagem; não em termos de produção, produtores têm muitos geniais e que estão mesmo trabalhando e com seu som na rua, as gravadoras não se interessam mesmo. Eu não estou dizendo que o público não se interesse, o público poderia se interessar se isto chegasse até eles, mas a gente vive domesticado pela grande mídia que nos diz o que gostar. Eles fabricam a nossa demanda. Isto ajuda a criar máximas elitistas como a clássica: “Se é bom não é pras massas, se é pras massas não é bom”, esta frase, um século atrás, revoltou Shostakovich e hoje espero que revolte todo mundo.

11) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira musical dentro e fora do palco?

Guilherme Mittmann: Passei um tempo com a mão machucada e fiquei sem tocar, estou voltando aos palcos agora. E minha esposa tem cuidado de gerenciar os cursos e aulas que estou desenvolvendo. E para divulgar o trabalho o meio que dispomos agora é a internet.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver sua carreira?

Guilherme Mittmann: Sou péssimo em vender meu peixe, estou trabalhando isso, vamos começar a investir em divulgação online.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Guilherme Mittmann – Ajuda na divulgação, não consigo imaginar como prejudicaria. Algumas pessoas vão dizer que prejudica com pirataria, quando eu gravar algo, mas hoje sabemos que não é bem assim, eu pretendo disponibilizar o meu trabalho online assim que tiver algo que eu considere digno de oferecer.

14) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Guilherme Mittmann: Vantagens: a democratização do acesso, ainda que não total, é claro! É maravilhoso receber música feita por gente simples em um lugar distante e com pouco recurso e ter a consciência que de outra forma aquela joia se teria perdido. Desvantagem: você instala uma DAW (programa de gravação profissional) que vem com milhares de recursos, só um produtor e/ou técnico muito experiente conhece todos ou no mínimo a maioria. O excesso de possibilidades costuma ser angustiante, intimidador até. E, não raro você vai encontrar artistas que compõem com um gravador simples e um instrumento apenas para fomentar a criatividade com as limitações e depois levam a sua obra para o estúdio onde tudo poderia acontecer, mas o que acaba acontecendo é a mesma coisa de sempre. É por isso que a gente ouve tanta coisa que parece igual, o pessoal fica tão perdido nos recursos que acaba usando tudo no default mesmo.

15) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Guilherme Mittmann: A concorrência hoje é maior, mas eu não vejo como um grande problema, quer dizer, nunca mais teremos o sucesso de um Michael Jackson por que as gravadoras não têm mais o poder que tinham de monopolizar os meios de divulgação e produção, isto é bom, quem precisa de tanto sucesso? Você fazer música e conseguir viver disso já é maravilhoso. Praticamente ninguém consegue sequer fazer o que ama. Se fizer o que ama já estar no lucro, se conseguir viver disso, já é um sucesso tremendo, se conseguir uma vida com relativo conforto seja grato pela sua sorte. Muita gente trabalha muito mais e não consegue nada disso. O que eu faço para me diferenciar é estudar, estudar para entender mais a música e tocar melhor, para mim é a resposta de tudo. Eu sei que não é verdade, mas é a primeira reação que eu sempre tenho.

16) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Guilherme Mittmann: Posso te falar dos nomes nacionais que eu tenho muito apreço e que lembro agora: Liniker, Hercules Gomes (o ver tocando foi revelador para mim, ouvi e imediatamente soube para onde queria direcionar meu som agora, ainda estou trabalhando nisso, talvez demore), Racionais MC’s, Criolo e cada vez que ouço “O Homem que não tinha nada” do Projota, me enche os olhos d’água. E o Nando Reis, eu não componho letras por que sempre penso: “Que eu vou escrever que o Nando Reis não faria melhor? Nem vou tentar”.

17) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Guilherme Mittmann: Hermeto Pascoal, Pepeu Gomes, Stevie Wonder.

 18) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

 Guilherme Mittmann: Eu já fui eletrocutado;em 2003, um banco de organ desabou em frente a uma casa cheia, a solista ainda não deve ter parado de rir; já me “xingaram” por que meu instrumento era velho; Uma vez, enquanto preparava uma peça com um grupo grande de cantores, uma das cantoras cismou que tinha de ser em uma tonalidade específica que ela achava que era boa para o registro dela, não só ela estava enganada a respeito de si mesma como a tonalidade pedida tornava a peça impossível para muitos dos demais cantores, o que eu fiz foi começar no tom que ela quis e a cada nova passagem eu mudava um pouco o tom sem contar para ela até que chegamos no tom que eu queria que era uma quarta justa abaixo do que ela ordenava, ela não sabe disso até hoje. Já colocamos uma banda inteira de cinco membros + motorista com os instrumentos em um Fiat UNO, enfim, anedota não falta!

19) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Guilherme Mittmann: Depois de 20 anos tocando ainda tem dias que eu me pego pensando: “Eu não acredito que eu virei músico mesmo! Véio, eu sou é doido, eu fiz isto mesmo?! Inacreditável!”. O fato de que eu sou mesmo músico me deixa tão chocado e contente que me custa acreditar. Não vivemos em um mundo que dá para ignorar a falta de grana e o que me entristece é que não é raro, tem gente tentando explorar o trabalho alheio, ser dureza é uma coisa, ser sacaneado é outra!

20) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Guilherme Mittmann: Eu não sou nem de longe o cara mais apropriado para falar, mas Porto Alegre – RS tem uma afeição pelo Blues e pelo Jazz que eu acho no mínimo exótica. E Rock aqui sai bem se é um gringo que tá fazendo, se é alguém daqui e não é dos medalhões do passado ai é complicado. O Curso de música da UFRGS é muito bem conceituado, dele advêm montagens de Óperas eventuais. E, temos algumas iniciativas de Choro, algumas orquestras, entre elas destaco a “Da Capo”, regida pela grande GiliaGerling, é um grupo que existe na parceria, sem patrocínios e isto é admirável. E, têm os corais, um em cada esquina, eu rejo um nas noites de quarta-feira, é a melhor coisa da minha semana o ensaio do coral.

21) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Guilherme Mittmann: Aqui indico o pessoal do “Blues da Casa Torta” do meu amigo Bernardo Scarton, Banda MotherFunky, Uranius Blues, Dingo Bells, Rota de Pedestre, o guitarrista Lorenzo Tassinari, o pianista Luciano Leães e o pessoal do “Quarto Sensorial”, e o Hibria.

22) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Guilherme Mittmann: Dificilmente.

23) RM: Quais os Pianista e Tecladista que você admira?

Guilherme Mittmann: Arthur Moreira Lima, Cesar Camargo Mariano, Hercules Gomes, Volodos, Rick Wakeman, Keyth Emerson, Jon Lord (No dia que ele morreu acabou comigo), GoldyMcjohn, Neal Morse, posso passar o dia dando nomes…

24) RM: Quais os compositores eruditos que você admira?

Guilherme Mittmann: J.S.Bach acima de tudo, Beethoven em seguida, ai vêm o pessoal da música vocal, Tallis, Victoria, Palestrina, Josquin, outros Bach, Walter, Quantz…

25) RM: Quais os compositores populares que você admira?

Guilherme Mittmann: Hermeto Pascoal, Chico Buarque, Nando Reis, Egberto Gismonti

26) RM: Quais os compositores da Bossa Nova você admira?

Guilherme Mittmann: João Gilberto, Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Moraes, Tom Jobim

27) RM: Nos apresente a sua metodologia para o ensino do Teclado? Quais os prós e contras dos exercícios proposto pelo pianista Charles Hanon?

Guilherme Mittmann: Minha metodologia é basicamente introduzir o aluno à leitura em duas Claves (Sol e Fa), dar-lhe uma sólida base teórica e de história da música com a qual ele conquista a sua independência musical. E, depois ao invés de livros desagradáveis e pouco eficientes como os exercícios proposto pelo pianista Charles Hanon, eu uso as 23 peças fáceis e o Cravo Bem temperado, ambos de J.S.Bach, o aluno aprende muito mais e não fica de “saco cheio”. Hoje não vejo nada que se possa aproveitar dos exercícios proposto pelo pianista Charles Hanon que não se conseguiria de forma muito melhor no Cravo Bem Temperado e em estudos como os de Frédéric Chopin, Henri Bertini, Hermann Berens. Estudar apenas mecânica sem musicalidade é um mau proveito do tempo do aluno. Um compositor que cria uma obra para melhorar um aspecto técnico, é muito mais proveitoso. Estudos recentes evidenciam ser mais eficiente do que a simples repetição mecânica.

28) RM: Quais as principais diferenças entre as técnica de Piano e Teclado?

Guilherme Mittmann: “Teclado” é um termo que abrange todos os instrumentos de teclas, logo, o tecladista tem de ter domínio sobre técnicas diversas. O Piano é mais focado, por isso, vai desenvolver melhor aquilo que ambos tiverem em comum, mas não vai ter as particularidades do organ, synth ou um Clavinet, por exemplo.

29) RM: Quais as principais técnicas para se dominar para se tornar um bom Pianista?

Guilherme Mittmann: Digitação, fraseado, articulação e dinâmica são as coisas que me ocorrem agora como mais importantes.

30) RM: Qual a importância dos conhecimentos tecnológicos para o Tecladista?

Guilherme Mittmann: Não é raro que hoje se exija do Tecladista os conhecimentos de um produtor, embora eu não ache que isto seja prudente, já fui dispensado de uma banda por que eu não usava um notebook para “soltar as trilhas”, no meu lugar entrou um DJ.

31) RM: Você é adepto ao uso de VST? Qual você indica para ao Tecladista?

Guilherme Mittmann: Eu não os uso, mas é só uma questão de preferência, gosto dos módulos MIDI, ainda que talvez esteja caindo em desuso, de qualquer forma, se fosse passar aos Instrumentos Virtuais, hoje iria direto para os utilizáveis em tablets como o Pianotec, Galileo e Sampletank.

32) RM: Quais os Teclados versáteis que você indica atualmente?

Guilherme Mittmann: Uma empresa que me parece estar voltando com tudo é a CASIO, seu XW-p1, apesar das teclas muito leves e de seus PCM que podiam ser melhores, tem um ótimo som em Hammond e synth e um bom leque de recursos. OKorgMicrostation é muito legal, apesar de dar certo trabalho se adaptar às mini teclas.

33) RM: Quais os Pianos Digitais que você indica atualmente?

Guilherme Mittmann: Puxando a brasa de novo para Casio(Não sou endorser), o PX5s é um instrumento muito legal e de excelente custo-benefício. E outra boa alternativa é a Série P da Yamaha, quanto a estes só aconselho que se compre o que tiver MIDI out com plug DIM de 5 pinos, alguns vem apenas com USB o que é um problema se você quiser usar ele com módulos como o Roland Integra 7 (para citar um lançamento recente) ou controlando outros teclados.

34) RM: Quais os principais vícios e erros deve ser evitado pelo estudante de Piano e Teclado?

Guilherme Mittmann: Não ignore a digitação indicada a não ser que o professor lhe oriente a isso. Não aprenda a leitura de uma clave e depois a outra, estude as duas juntas, senão você vai sofrer para aprender a segunda e talvez nem queira aprender depois. E RELAXE, a maioria das lesões em músicos acontece por digitação errada e tensões desnecessárias.

35) RM: Quais os principais erros de metodologia de ensino de música?

Guilherme Mittmann: Exercícios chatos, não musicais e repetitivos. É Piano, não datilografia.

36) RM: – Existe o Dom musical? Como você, define o Dom musical?

Guilherme Mittmann: Não acredito em DOM, acredito que algumas pessoas são expostas a situações e ambientes propícios ao desenvolvimento desta ou daquela habilidade, isto aliado ao treinamento intenso pode produzir prodígios. Mozart foi treinado como um animal de circo pelo pai, as suas outras necessidades foram ignoradas, sua vida adulta evidenciou as deficiências psicológicas e emocionais de sua criação que o levaram ao descontrole e à morte prematura.

37) RM: Qual a sua definição de Improvisação?

Guilherme Mittmann: Improvisar é basicamente compor sem ter controle de todos os processos e sem ter tempo para decidir o próximo passo. Stravinsky dizia que o bom improvisador era um bom compositor. E o nosso padre José Maurício, de quem facilmente brotava música, foi descrito por Neukomm como “O maior improvisador do mundo”.

38) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Guilherme Mittmann: Existe a improvisação aleatória de quem nada sabe da matéria e não se preocupa com esta, ainda que espontânea, tende a evidenciar padrões muito rapidamente, por ser o vocabulário de quem a prática é muito restrito, em contrapartida o estudo pode nos aprisionar nos seus padrões, o que é facilmente verificável no meio guitarrístico, por exemplo. Acho que a pergunta é se existe alguma verdadeira aleatoriedade, a resposta é: Não sei, talvez sim ou talvez apenas não tenhamos contemplado o suficiente para perceber o padrão. O certo é que quanto mais recursos se conhecem, menor a chance de sua improvisação se tornar previsível.

39) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Guilherme Mittmann: Improvisação deve ser estudada, mas se eu te digo o que fazer, o quão improvisado é realmente aquilo que se está fazendo?

 

40) RM: Como chegar ao nível de leitura à primeira vista?

Guilherme Mittmann: Lendo, lendo muito e muita coisa e lendo de compositores, períodos e gêneros diferentes.

41) RM: Quais os métodos você indica para o estudo de leitura à primeira vista?

Guilherme Mittmann: Tente ler e tocar uma peça nova por dia;desenvolverá várias coisas, entre elas a leitura!

42) RM: Quais os seus projetos futuros?

Guilherme Mittmann: Estou organizando um curso de harmonia e improvisação para bandas. Todos os membros da banda vêm e debatemos os conceitos, sofisticamos a harmonia das músicas, esclarecemos quem faz o que. Também estou abrindo uma escola de música com minha esposa e até agora dois amigos que serão sócios, o violonista Mateus Nascimento e o compositor Henrique ‘Hobbit’ Mangoni. Tenho um projeto de Piano e Teclado que deve abordar um repertório de Choro; um duo com o saxofonista Maurício Oliveira; algumas bandas em que estou tocando e vamos ver o que nos reserva o futuro.

43) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Guilherme Mittmann – [email protected] | (51)8225 – 1361 | https://www.facebook.com/guilhermemittmannmusico/

http://guilhermemittmann.com.br | https://www.youtube.com/user/Guiguimittmann/videos 

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.