Gitana Pimentel

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Gitana Pimentel
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A cantora, compositora, jornalista Gitana Pimentel nasceu em Patos no sertão da Paraíba. E começou a cantar aos 14 anos quando participou de um festival na sua cidade. E desde então, passou a ser convidada para cantar em Gincanas, Calouradas e festas na cidade.

Aos 17 anos, ela se muda para a cidade de Campina Grande, também na Paraíba e recebe o convite para cantar na banda Som Estéreo Rock Club. Ela começa a fazer suas primeiras composições e algumas em parceria com o músico Olavo Almeida fazem parte do repertório de um CD gravado pela Som Estéreo Rock Club. Após sua saída da banda, foi convidada para integrar a banda do cantor Ton Oliveira como backing vocal, assim como na banda do cantor sertanejo Léo Sttar, participando da gravação do seu DVD.

Em 2009 optou pelo samba e suas vertentes, dando início ao grupo Amigos do Samba. Em 2010 iniciou a sua carreira solo, gravou seu primeiro CD – Enfim Só. Traz um samba romântico e envolvente. Músicas comuns a qualquer pessoa que tenha a sensibilidade de desfrutar da vida através dos bons sentimentos, como amor, amizade, alegria e até mesmo a desilusão.

Segue abaixo entrevista exclusiva com a Gitana Pimentel para a  www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01/01/2012:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Gitana Pimentel: Nasci no dia 28 de dezembro de 1985, em Patos, no sertão da Paraíba. 

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Gitana Pimentel: Eu não me lembro de existir sem a música na minha vida! A minha família toda sempre foi apaixonada por música, muitos tocam e cantam. Lembro-me de, ainda pequenininha, vê as minhas tias tocando piano em festas de família, o meu pai e meus avós gostavam muito de cantar, todos ouviam muita música de todos os gêneros. É engraçado, mas aos dois anos de idade eu já dava palhinhas nesses eventos familiares cantando Luzes da Ribalta, versão da música Limelight, de Charles Chaplin. Eu tinha um gosto bem peculiar pra uma criança (risos). Sem dúvida isso influenciou bastante na minha opção por trabalhar com música. Lembro que meu primeiro instrumento foi um piano infantil de madeira que ganhei no Natal, depois um teclado, um violão. E foi aí que comecei os meus estudos e minha pequena coleção de instrumentos musicais. 

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Gitana Pimentel: Sou formada em Comunicação Social/jornalismo pela UEPB. Na música eu estou sempre estudando alguma coisa. Comecei com violão, depois percepção musical e técnica vocal. Agora estou me dedicando ao piano, que foi a minha primeira paixão. 

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Gitana Pimentel: Eu posso dizer que sempre fui eclética. Acho que tudo que ouvi e gostei me serviu de influência. Quando criança eu tinha os meus ídolos, SandyBalão MágicoTrem da Alegria. Mas ao mesmo tempo gostava muito de Caetano Veloso e Ângela Maria. Na minha adolescência eu ouvi muito e até hoje ainda sinto muito forte as influências da música pop. Na verdade, eu me considero uma cantora pop dentro do samba. O pop é bem permissivo, dá pra ser um pouco pop em tudo que a gente fizer, e Shakira foi a minha diva! Eu passei por muitos gêneros até chegar ao que estou, e acho que isso foi de extrema importância pra que eu construísse uma identidade. Eu acho que o samba tem uma energia diferente, e assim como na música pop, a gente pode brincar. Samba de raiz, samba funk, samba jazz, samba tropical. Qualquer música pode virar samba, acho isso incrível! A minha música amadureceu e é claro que eu conheci novos artistas e me apaixonei por muitas coisas diferentes. Tenho vários ídolos em que me inspiro atualmente, como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Bezerra da Silva, Fundo de Quintal, Arlindo Cruz, Chico Buarque, Galocantô, e as damas Maria Rita, Alcione, Jovelina Pérola Negra e Beth Carvalho 

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Gitana Pimentel: Eu comecei a minha carreira profissional quando me mudei pra Campina Grande – Paraíba e fui convidada para fazer parte da banda de pop rock Som Estérea Rock Club.

06) RM: Quando foi lançado o seu primeiro CD (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical do CD? E quais as músicas que se destacaram no CD?

Gitana Pimentel: Meu primeiro disco foi lançado no dia 15 de janeiro de 2011, em um show que fizemos no Busto de Tamandaré, em João Pessoa. Eu contei com a participação de grandes músicos na gravação desse trabalho: André Victor, que criou todos os arranjos e tocou piano e violão, e ainda foi meu parceiro em duas composições. Waldenor Fonseca, que na minha banda toca baixo, gravou violão de sete cordas e cavaquinhos, enquanto o trabalho de gravar os baixos de todas as músicas ficou para Rainere Travassos. A bateria foi gravada por Kamillo Lima, a percussão por Crispim e as cuícas por Washington Reis. Posso dizer que o CD – Enfim Só é um disco de “samba temperado”, porque ele traz um pouco de jazz fusion, de música latina, mas sem perder a brasilidade! Há uns dias eu fiz uma enquete na minha página www.facebook.com/gitanapimentel para saber quais as músicas que o público mais curte no meu disco, e a música A Felicidade Me Sorriu foi eleita a preferida da maioria. Acho que por ser uma música alegre, que fala de amor sem melancolia, é uma música para quem ama e é feliz. As músicas Coração Vagabundo e Pra Cima de Mim, também ficaram entre as mais votadas, o que para mim é um grande orgulho, já que Pra Cima de Mim é uma composição minha e de André. 

07) RM: Como foi a receptividade do público e da crítica musical, você lançar um CD com sambas, sendo de um Estado com tradição no Forró?

Gitana Pimentel: Foi melhor do que eu esperava! Em momento algum eu senti a minha música deslocada ou fora do contexto, graças ao público que a recebeu muito bem. Na verdade, o disco vem tomando proporções que eu sequer imaginei. Em uma seleção realizada por uma rádio de São Paulo, o meu disco ficou entre os três selecionados para ser tocado em sua programação, foi maravilhoso. Logo depois uma rádio do Rio Grande do Sul também transmitiu algumas vezes um programa especial onde foram tocadas apenas as músicas do meu disco. Devido a toda essa repercussão eu tive a honra de receber das mãos do Deputado Federal Hugo Motta o prêmio: Profissionais do Ano (2011) na área musical. Esse CD só tem me trazido alegrias, graças a Deus! 

08) RM: Como você define seu estilo musical?

Gitana Pimentel: Samba Temperado com Pimenta (risos). Não posso desperdiçar todas as influências que tive ao longo da vida, né? Eu faço samba e tempero com tudo que eu gosto! 

09) RM: Como você se define como cantora/interprete?

Gitana Pimentel: Acho que mesmo cantando samba eu corro longe de estereótipos. A minha postura no palco, assim como o meu visual e até o meu repertório foge dos padrões que as pessoas estão acostumadas a ver em uma cantora de samba. A maioria das músicas que canto é tipicamente masculina porque acho os sambas cantados por homens muito mais irreverentes, e eu gosto de fazer um show alegre. Acho que a minha principal característica como intérprete é justamente a irreverência. Eu não sou apenas sambista. Sou pagodeira mesmo!

10) RM: Você estudou técnica vocal?

Gitana Pimentel: Estudei técnica vocal com Lemuel Guerra, Alexandre Pontes Régis e Vladimir Silva. 

11) RM: Quais as cantoras que você admira?

Gitana Pimentel: Admiro muito Marisa Monte, Maria Rita, Beth Carvalho, Ivete Sangalo, Alcione. E as internacionais Shakira, Beyoncé, Kylie Minogue. É bem complicado citar nomes, com certeza, eu esquecerei várias cantoras que considero maravilhosas.

12) RM: Você compõe? Quem são seus parceiros musicais?

Gitana Pimentel – Componho, sim. As minhas primeiras composições foram para a banda “Som Estéreo Rock Club”. Eu trabalhei em parceria com Olavo Almeida. No meu disco, as músicas “Pra Cima de Mim” e “Enfim Só” são composições em parceria com o André Victor, meu diretor musical.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Gitana Pimentel: A maior vantagem em trabalhar de forma independente é a possibilidade de poder fazer tudo do meu jeito, poder escolher as músicas, a equipe, os arranjos, enfim, trabalhar à minha maneira. A desvantagem é que a difusão e o acesso à mídia ficam muito mais complicados. 

14) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram as revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Gitana Pimentel: Seu Jorge, Maria Rita, Jorge Vercillo, Ana Carolina, Ivete Sangalo, Skank, Marcelo Camelo. São muitos os artistas que conseguiram manter a consistência nos seus trabalhos. Acho que não poderia citar quais regrediram, porque alguns artistas, mesmo estando afastados da preferência da massa, continuam com excelentes trabalhos, porém de forma mais intimista, é tudo uma questão de gosto. 

15) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Gitana Pimentel: Marisa Monte é, sem dúvida, uma artista que se mantém em uma posição respeitada. E é até considerada diva em outros países devido à excelente qualidade do trabalho realizado ao longo dos anos. 

16) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Gitana Pimentel: Já passei por algumas situações um tanto quanto “interessantes”, viu? Fui cantar em João Pessoa (era verão, imagine só o calor que fazia), saí ao meio-dia em uma Kombi sem ar-condicionado e passamos o som às três da tarde. O show era a céu aberto, o Sol estava de rachar, e na hora de tocar a gente descobriu que não tinha lugar para tomar banho. Tivemos que improvisar, né? Eu tive sorte de conseguir tomar banho em uma loja. Já os meninos da banda tiveram que se virar com a pia de um banheiro em um hotel desativado, foi hilário! Já tocamos algumas vezes e levamos calote, mas nada que nos causasse grandes prejuízos. Outra situação engraçada foi quando nós fizemos uma roda de samba e um senhor me pediu o telefone para contato e tal. No outro dia ele me ligou perguntando se eu tinha passado a noite com ele, porque ele acordou com meu telefone no bolso. Mas eu esclareci: “Olha, eu sou aquela cantora de ontem…(risos)”. É cada uma… 

17) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Gitana Pimentel: A satisfação do público, o aplauso, o carinho das pessoas não tem preço. Infelizmente a gente não recebe esse mesmo carinho da maioria dos nossos colegas. Entristece-me muito essa disputa que existe na área musical, como se houvesse espaço só para um. Não se pode existir duas cantoras de samba, duas bandas de rock ou dois cantores de forró no mesmo lugar? Existe espaço pra todo mundo, existe público pra todo mundo, mas as pessoas querem monopolizar a música, isso não pode existir. 

18) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Gitana Pimentel: Campina Grande (PB) é um lugar onde as pessoas absorvem de tudo, mas a maioria dos promotores de cultura se recusa a variar! Quem não trabalha com “forró estilizado” tem que se virar para viver da música por aqui. Não tenho nada contra, sou a favor de qualquer gênero e expressão, mas acho que as pessoas precisam conhecer outros sons, outros artistas. Ainda podemos contar com algumas casas e órgãos que promovem cultura e que tentam variar o cenário musical da cidade, mas não é fácil. Por isso estou morando em João Pessoa, também.

19) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Gitana Pimentel: Nossa, a gente tem muita coisa boa por aqui, vou vender o peixe da minha galera (risos). A Oxent Groove é uma banda muito bacana, faz um som instrumental excelente. Recomendadíssimo: Val DonatoSócrates GonçalvesGabriel Caminha, o guitarrista Giordano Frag. Tem tanta gente boa, acho que vou acabar cometendo uma injustiça (tensa). 

20) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Gitana Pimentel: Claro! A minha música tem tocado em algumas rádios e, graças a Deus, não precisei pagar ou fazer qualquer tipo de acordo com nenhuma delas. Eu acredito que ainda existam pessoas que trabalham em prol da cultura.

21) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Gitana Pimentel: Vá em frente, cara! Sempre vai aparecer alguém pra tentar convencer de que “música é muito difícil”, mas qual é a profissão que é fácil? Todas têm atropelos e dificuldades, é claro que a música também, tem que batalhar bastante. Mas ser neurocirurgião ou desembargador não é lá tão fácil, né? 

22) RM: Quais os seus projetos futuros?

Gitana Pimentel: Estou cheia de planos, mas tenho uma superstição: não comento enquanto não estiver tudo encaminhado! 

23) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Gitana Pimentel: www.gitanapimentel.com | [email protected] | (83) 98722 – 9331 | 99967 – 8800 e 99190 – 4590 | Veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=3BJP4wxqQgM

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.