Geraldo Vieira

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Geraldo Vieira
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O baixista paulistano Geraldo Vieira tem décadas de experiência musical, no Brasil e no exterior.

Com atuações ao lado de nomes como Belchior, Guilherme Arantes, Raul Seixas, Arrigo Barnabé, Cida Moreyra, Roberto Riberti, Célia, Ná Ozzetti, Dante Ozzetti, Rosa Maria, Cesar Camargo Mariano, Ruriá Duprat, Rogerio Duprat, Amilson Godoy, Baby Consuelo,  Eduardo Assad, Eduardo Souto Neto, Mozart Melo, Bozzo Barreti, Claudio Celso, Terreno Baldio, Grupo Freelarmonica, Amilson Godoy, Sergio Dias Baptista, Luis Carlos Sá, Miguel Briamonte, David Fanshawe, Henry Buttler, Dominguinhos, Sivuca, Hank Thompson, OSESP, Orquestra Jazz Sinfonica, David Glass, Cacá Rossetti, Tom Zé, O Terço, Kiko Zambianchi, Marilia Medaglia, Hermeto Pascoal, Neville Creed, Gretchen, Agnaldo Rayol, Wilson Simonal, Wilson Miranda,  Miriam Batucada, Jessé, Marilia Medalha, Wilson Miranda, Dudu França, Wanderlea, Martinha, Irmãs Galvão, Vanusa, Gang90, Peninha, A Patotinha, Sula Miranda, Atchim e Espirro, Ronnie Von, Jessé, Don e Ravel, Harmony Cats, Eduardo e Silvinha Araujo, Giliardi, Cezar de Mercês, Gerson Conrad, Jessé, e muitos outros, em shows, gravações, e “canjas”.

Como professor é autor da Vídeo aula: II,V7, I TÉCNICA E MELODIA, uma das mais bem aceitas do mercado e em catálogo há mais de 10 anos e autor do método CONCEITOS PARA IMPROVISAÇÃO pertencente à série TOQUE DE MESTRE, da editora HMP, e CONCEITOS BÁSICOS da Editora DPX, além de produzir artigos sobre vários assuntos relacionados ao instrumento, em revistas especializadas, e aulas em escolas como EM&T e  Bateras Beat entre outras.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Geraldo Vieira para a em 01.12.2015:

01-) Ritmo Melodia – Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Geraldo Vieira – Nasci em São Paulo em 07 de dezembro de 1953.

02-) RM – Fale do seu primeiro contato com a música?

Geraldo Vieira – Meu contato com a música vem desde muito pequeno. Tenho vários músicos na família e morava em minha casa, uma tia que era pianista. Isso exerceu muita influencia na minha vida!

03-) RM – Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Geraldo Vieira – Sou autodidata em música, e todo o meu conhecimento vem da pratica do oficio e do estudo.

04-) RM – Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Geraldo Vieira – A minha primeira grande influência foi o Chris Squire do Yes. Depois vieram outros nomes como Stanley Clarke, Jaco Pastorius, Nico Assumpção, que me impacta até hoje, e Jeff Berlin entre outros.

05-) RM – Quando, como e onde  você começou a sua carreira profissional?

Geraldo Vieira – No inicio da década de 80.

06-) RM – Cite alguns discos que você já participou? Qual perfil musical de cada CD?

Geraldo Vieira – Já gravei com Raul Seixas, Belchior, Ná Ozzetti, Dante Ozzetti, Cida Moreira, Arrigo Barnabé, enfim, os mais variados estilos.

07-) RM – Como você define seu estilo como contrabaixista? Você toca outro instrumento musical?

Geraldo Vieira – Sou um musico eclético, e me adapto facilmente a qualquer estilo musical, sendo assim não considero que eu tenha um estilo definido, mas as linhas jazzistas exercem uma grande influencia no meu trabalho!!

08-) RM – Quais as principais técnicas que o baixista deve se dedicar

Geraldo Vieira – O “Pizzicato” em primeiro lugar sempre, pois é a técnica fundamental para qualquer baixista. O “Slap” em segundo lugar, pois é uma técnica muito usada em muitos estilos musicais e até na MPB. As outras técnicas eu considero secundárias por terem aplicação muito restrita, como “Tapping” e o uso de Palheta.

09-) RM – Qual a importância do baixista equilibrar a função de condução e de solista?

Geraldo Vieira – Todo baixista deve dar prioridade a questão da “condução”, do “groove”. A questão de “solar” é muito circunstancial, mas deve-se estar preparado para a eventualidade de ter-se que encarar um solo, sem dúvida.

10-) RM – Quais os principais vícios técnicos ou falta de técnica tem os baixistas alunos e alguns profissionais?

Geraldo Vieira – Essa é uma resposta complicada, pois cada um desenvolve um estilo próprio. Mas o importante é estar sempre consciente de que devemos sempre trabalhar dentro da linguagem e da estética que cada estilo impõe.

11-) RM – Quais as principais características de um bom baixista?

Geraldo Vieira – Consciência e espírito de grupo.

12-) RM – Quais são os contrabaixistas que você admira?

Geraldo Vieira – São: Chris Squire do Yes. Stanley Clarke, Jaco Pastorius, Nico Assumpção e Jeff Berlin, entre outros.

13-) RM – Existe uma indicação correta para escolher um Contrabaixo de mais de 4 cordas? Quais os gêneros musicais que necessita de um Contrabaixo de mais que 4 cordas?

Geraldo Vieira – Acho que não, é apenas uma questão de gosto pessoal. Quanto à segunda parte da pergunta, não vejo correlação entre uma coisa e outra.

14-) RM – Qual a marca de cordas para contrabaixo da sua preferência? Existe marca ideal para cada gênero musical ou é preferência pessoal?

Geraldo Vieira – Eu uso Elixir. Mas, no geral, é uma questão de preferência pessoal.

15-) RM – Nos apresente os seus métodos para Contrabaixo?

Geraldo Vieira – Tenho lançados oficialmente dois métodos: “Conceitos para improvisação” e “Conceitos básicos”. Ambos abordando assuntos relacionados à improvisação, e uma vídeo aula: “II/V7/I Técnica e Melodia”. E todo esse material aborda questões técnicas e principalmente metodologia a ser aplicada à improvisação.

16-) RM – Existe o Dom musical?

Geraldo Vieira – Definitivamente sim. O que não significa que quem não tenha nascido com essa capacidade não consiga desenvolvê-la. É uma questão de interesse e dedicação.

17-) RM – Você compõe canção? Quais são seus principais parceiros de composição?

Geraldo Vieira – Sim, mas não é o meu foco, sendo assim não tenho parceiros nessa área. Pelo menos, até o momento.

18-) RM – Você compõe música instrumental?

Geraldo Vieira – É o meu estilo composicional. Sou muito ruim para letra (risos).

19-) RM – Quais os prós e contras de ser professor?

Geraldo Vieira – Ser professor é legal, quando se tem alunos interessados em aprender da maneira correta. No entanto, o imediatismo dos dias de hoje, faz com que tenhamos que fazer milagres, em termos de por alunos tocando sem um conhecimento de base, e tenho me afastado da questão didática por causa disso. Não dá para construir a casa pelo telhado.

E também, infelizmente, a demanda por aulas de Contrabaixo sempre é a menor em qualquer situação, seja em aulas particulares e/ou escolas. Aprender música é um processo que vai evoluindo etapa por etapa. O aspecto técnico também é uma coisa que pega, e para quem nunca “empunhou” um Contrabaixo as dificuldades são grandes no início, pois existe uma adaptação física ao instrumento. Não é fácil, e demanda tempo, coisa que as pessoas não têm mais hoje em dia.

E tem o aspecto de se passar a música para dentro e entende-la em um nível mental, coisa que é quase uma atitude Yogue. Já tentei produzir esse tipo de milagre, mas cheguei à conclusão que não vale a pena. A não ser para quem queira aprender da maneira correta. Isso demanda tempo e dedicação, e para quem tem a música como Hobby, o que é o caso da maioria dos alunos, que muitas vezes vão tentar aprender, não só para ver se gosta “da coisa”, como para preencher tempo, torna-se algo incompatível.

20-) RM – Quais os prós e contras de ser músico freelancer acompanhando outros artistas?

Geraldo Vieira – Tudo é trabalho e isso é o que importa. Como profissional, não vejo contras, só prós (risos).

21-) RM – Quais os prós e contras de ser músico de estúdio de gravação. Gravando as linhas de contrabaixo em discos de artistas?

Geraldo Vieira – O trabalho em estúdio, é apenas uma das atividades que exercemos portanto vale a resposta que dei acima.

22-) RM – Quais bandas que já participou?

Geraldo Vieira – Muitas. Destaque para: Tubarões Voadores, Terreno Baldio, O Terço, Divina Increnca, Freelarmonica, Apokalipsys, entre outras.

Atualmente estou desenvolvendo um trabalho autoral ao lado de grandes músicos com a Brotheria, liderada pelo meu grande amigo e companheiro de inúmeras guigs, Bozzo Barretti. Ao lado de outros músicos de calibre que são: Carlos Pera, Murilo Lima e Dino Verdade. E também um trabalho instrumental junto com o Azael Rodrigues e o Carlos Rebouças, ambos competentíssimos em suas devidas áreas de atuação.

23-) RM – Quais os prós e contras de tocar em uma única banda?

Geraldo Vieira – Acho que isso é uma escolha pessoal de cada um. Não diria que existem prós ou contras.

24-) RM – Quais principais dificuldades de relacionamento que enfrentou em bandas?

Geraldo Vieira – Banda é como um casamento. E a individualidade de cada um pode exercer influencia negativa ou positiva, de modo que ao fazer parte de um grupo, devemos estar preparados para diversos tipos de circunstância no que se refere a isso. O bom senso e o equilíbrio devem sempre permanecer.

25-) RM – Quais os artistas já conhecidos você já acompanhou como músico freelancer?

Geraldo Vieira – Além dos que citei acima, incluo entre vários outros: Cesar Camargo Mariano, Sivuca, Guilherme Arantes, Hank Thompson, Neville Creed, Celia, e por ai vai. A lista é grande (risos).

26-) RM – Quais principais dificuldades de relacionamento que enfrentou acompanhando  artistas já conhecidos?

Geraldo Vieira – As dificuldades são ligadas as condições e individualidade de cada um, que como eu disse devem ser administradas sempre com clareza e equilíbrio. E essas condições variam enormemente, então fica difícil de pontuar cada uma delas.

27-) RM – Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Geraldo Vieira – As estratégias são vinculadas as circunstâncias do momento e podem variar muito, inclusive não ter estratégia nenhuma (risos).

28-) RM – Quais as ações empreendedora que você prática para desenvolver a sua carreira?

Geraldo Vieira – Estudar e estudar. E fora isso, continuar estudando (risos). E isso pode extrapolar o universo musical se necessário.

29-) RM – O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Geraldo Vieira – Não prejudica. Só ajuda. Tudo é uma questão de adaptação às novas tecnologias.

30-) RM – Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Geraldo Vieira – Não vejo desvantagens, uma vez que os home studio baratearam significativamente o custo de produção. Por outro lado não fazem milagres se não forem bem operados. As ferramentas mudam, mas o talento continua sendo imprescindível para a obtenção de bons resultados.

31-) RM – No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente uma carreira musical. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo, mas a concorrência se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Geraldo Vieira – Invisto no meu aprimoramento pessoal e profissional.

32-) RM – Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Geraldo Vieira – Atualmente vejo um “mainstream” decadente e pra dizer a verdade medíocre. Já tivemos períodos muito melhores com artistas verdadeiros e com conteúdo. Comprometidos com a verdadeira realidade das coisas. Não que hoje não exista coisa boa por ai. Existe e muito, inclusive existe publico para esse segmento atualmente “alternativo”. Muita gente já está cansada do pouco que vem se oferecendo em termos de música popular. Mas infelizmente não vem encontrando seu justo espaço nos meios de comunicação de massa. Vivemos um momento em que é dado muito pouco valor a inteligência. E isso se reflete de maneira especialmente cruel na música.

33-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Geraldo Vieira – Já passei por tudo isso em ocasiões diferentes. Ao abraçarmos a carreira artística temos que estar preparados psicologicamente para o que der e vier, e saber contornar problemas e dificuldades momentâneas, pois o show tem que continuar.

34-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Geraldo Vieira – Nada me deixa triste, devo tudo que sou a própria música, que me abriu a cabeça para muitas outras coisas. Fico chateado de ter que enfrentar certos tipos de dificuldade, com as quais eu poderia passar muito bem sem elas (risos).

35-) RM – Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Geraldo Vieira – Moro em São Paulo. Acontece de tudo por aqui. Tudo (risos).

36-) RM – O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Geraldo Vieira – Estar preparado para o fato de que ela pode te levar a níveis jamais imaginados de consciência. Ter foco, a mente aberta, conseguir entender e avaliar as limitações alheias e estar ciente de suas próprias, dedicação e paciência.

37-) RM – Quais os seus projetos futuros?

Geraldo Vieira – Continuar vivendo de música basicamente (risos).

38-) RM – Quais seus contatos para show e para os fãs?

Geraldo Vieira – [email protected] | Minha página no facebook: www.facebook.com/geraldo.vieira.568 . Geraldo Vieira têm vários (risos), mas baixista sou o único.

Links:

http://www.youtube.com/watch?v=2rFyejhr5Zs

http://www.youtube.com/watch?v=FZRxtlp69Zw

http://www.youtube.com/watch?v=LeP491yrE6E

http://www.youtube.com/watch?v=LLqTpcva-ec

http://www.youtube.com/watch?v=xzY4-MW6NFA

http://www.youtube.com/watch?v=3r3flr11jqk&NR=1

http://www.youtube.com/watch?v=zImf7IBTd-s

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.