Falamansa

falamansa
  •  
  • 15
  •  
  •  
  •  
    15
    Shares

Avalie esta Entrevista

O grupo “Falamansa” foi um dos pioneiros do movimento “Forró Universitário” e sem dúvida o que mais se popularizou.

O idealizador do grupo é o vocalista, violonista e compositor Tato Cruz. Um paulista que teve o primeiro contato com o Forró em Itaúnas no Espírito Santo na função de DJ. Em 2000 com o lançamento do primeiro CD – “Deixa entrar”, com músicas autorais no gênero do xote e forró – pé de serra.  As músicas que fizeram: “Rindo à toa” , “Xote dos Milagres” e a regravação “Confidência” (Jorge de Altino \ Petrúcio Amorim) um forró que fez muito sucesso no nordeste nos anos 80 com Jorge de Altino e já teve várias regravações.

Como tudo que faz sucesso dividi opiniões. O “Falamansa” e o “Forró Universitário” foi à bola da vez no novo milênio. Os puritanos (músicos, jornalistas e forrozeiros) saíram em defesa da autêntica música nordestina que estava sendo “desvirtuada” pelo modismo desses jovens do sudeste. Os moderados ponderaram que no fundo eles estavam tocando nada mais, nada menos que Xote e Forró – Pé de Serra (Incluo-me nesse pensamento). Então, o melhor termo para esse movimento seria Forró “tocado e dançado” por Universitários (e estudantes em geral). É claro, que existia o preconceito por parte do público que acompanhava esses grupos que não assistiam os shows de Trio Pé de Serra. E a forma de dançar se assemelhava aos passos do samba – rock e reggae praiano. Na verdade eram jovens do sudeste no estilo do “novo hippie” com alpercatas de couro e roupas de brechó. Um reviver dos anos 60. Mas os grupos não descriminavam os Trios Pé de Serra.  Esses novos grupos surgiram tendo como referência e reverenciando o Forró pé de Serra. A prova disso é que alguns membros desses grupos procuravam lugares alternativos que tocasse música regional para se divertirem e mantém a sanfona como a rainha absoluta. Passado quase uma década desse movimento entre mal estar, preconceitos mútuos, insultos e ofendidos, todos tranquilos. E o “Falamansa” com uma carreira consolidada lançou um DVD e lança em julho (2007) o quinto CD. E Tato fez participações especiais em CDs e shows de Forrozeiros. O mais importante é que o Forró, Xote e Baião continuam vencendo preconceitos dentro e fora do seu torrão natal e se firmando como uma legítima expressão da música e cultura nordestina.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Tato Cruz para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 06\06\2007:

01) Ritmo Melodia: Fale do primeiro contato musical e influencias musical dos membros do Falamansa.

Tato Cruz: Vocal e Violão – nasci no dia 26/04/1978. Comecei tocando guitarra em Piracicaba – SP, na época ainda dentro do movimento Rock and Roll. Mudei para São Paulo e depois de conhecer Itaúnas – ES passei a trabalhar em eventos de “Forró Universitário” como DJ. Assim, quando compunha as músicas saiam automaticamente no ritmo do Xote, Baião ou Forró. Até hoje ouço de tudo. Amo Indie Music tipo Pixies, Pavement, Fugazi, etc. Gosto de buscar musicalidade nos sambas antigos de Cartola como nas salsas cubanas.

Valdir: Sanfoneiro – nasci no dia 27/10/1959 em Arcoverde – PE e toca sanfona desde menino.

Alemão: Zabumbeiro – nascido no dia 17/02/1979 em São Paulo – SP, tocou guitarra na adolescência e sempre gostou de Rock and Roll, conheceu o forró nos movimentos universitários.

Dezinho: Percussão –  nascido no dia 20/03/1978 – São Paulo – SP, tocava bateria e conheceu o forró nas casas de Forró em São Paulo.

02) RM: Como surgiu o grupo Falamansa? A formação inicial e o significado do nome?

Tato Cruz: Surgiu exclusivamente para um Festival de Música da Faculdade Mackenzie. A formação inicial tinha Flauta Transversal no lugar da Sanfona. Na inscrição do Festival, pediram que eu falasse o nome da banda, e como só eram bandas de Rock and Roll em sua maioria, e nós tocaríamos uma música bem calma, achei que cairia bem o nome “Falamansa”. Pegamos em segundo lugar e daí não paramos mais.

03) RM: Quem nasceu primeiro o “Forró Universitário” ou o Falamansa? Quais as motivações levaram a criar o grupo?

Tato Cruz: Com certeza o “Forró Universitário”. Quando o “Falamansa” surgiu às casas de “Forró Universitário”, já completavam dois e três anos de existência. Eu mesmo trabalhei com divulgação de eventos e como DJ por dois anos. O grupo foi criado exclusivamente para o Festival de Música da Faculdade Mackenzie, na verdade eu ia me apresentar sozinho, mas fiquei com vergonha. Era uma boa oportunidade para mostrar minhas composições.

04) RM: O movimento “Forró Universitário” teve início onde? Foi planejado ou nasceu de conseqüência natural?

Tato Cruz: Eu diria que nasceu em Itaúnas – ES, onde jovens de várias partes do Brasil tinham como balada noturna o Forró pé de serra. Ao voltar para suas respectivas cidades, implantaram o Forró como um meio de matar a saudade e dançar agarradinho.

05) RM: Em sua opinião quais as convergências e divergências do “Forró Universitário” de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais?

Tato Cruz: Todos tem como musicalidade o Forró Pé de Serra, sem esquecer também o Espírito Santo. Acredito que há mais convergências do que divergências. Esse movimento é muito unido, por isso há um intercâmbio de bandas e trios muito sadio.

06) RM: Em sua opinião qual o termo mais adequado: “Forró Universitário” ou Forró tocado por Universitários?

Tato Cruz: “Forró Universitário” foi um rótulo usado para definir o Forró pé de serra, tocado e freqüentado por universitários. Mas ainda assim, prefiro chamar de Forró Pé de Serra, ou seria a mesma coisa de chamar o samba tocado nas casas de jovens de “Samba Universitário”.

07) RM: Como foi a produção e gravação do primeiro CD e se vocês esperavam tamanha aceitação?

Tato Cruz: Gravamos independentes, e depois de seis meses de gravação; pois já tínhamos shows quase todos os dias, ficou pronto. O disco chegou até a Abril Music, que gostou da idéia e abraçou o trabalho.

08) RM: O segundo CD chegou com o amadurecimento da fama e o fechamento da gravadora Abril Music. Qual foi a expectativa de manter a popularidade e superar a mudança de gravadora?

Tato Cruz: A quantidade de shows era enorme, e a popularidade já tinha se espalhado pelo Brasil. Quase não tivemos impactos, pois continuamos com quem nos descobriu: João Augusto que era diretor artístico da Abril Music e agora presidente da DeckDisc.

09) RM: Na opinião de vocês no início os jovens do sudeste aderiram ao “Forró Universitário” e não ao Forró tradicional?

Tato Cruz: Os jovens aderiram à cultura, que faz parte da história brasileira. E essa cultura chama-se Forró pé de serra, trazida até nós por Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino, Marinês, Anastácia, Trio Virgulino, Trio Sabiá e muitos outros.

10) RM: E como estar o panorama hoje do “Forró Universitário?”

Tato Cruz: É muito mais amplo, mas com menor impacto. Já viraram comuns Casas de Forró em qualquer cidade do Brasil.

11) RM: Em entrevistas vocês sempre exaltam o Forró tradicional Pé  de  Serra. Isso mostra que o dito “Forró Universitário” é apenas uma terminologia e não um rompimento com as origens do Forró?

Tato Cruz: Com certeza, o “Forró Universitário” traz como base o Forró Pé de Serra. As mudanças acabam acontecendo como uma adaptação aos dias de hoje, sem alterar a essência.

12) RM: De que forma os grupos de “Forró Universitário” somaram força com forrozeiros tradicionais. Comentem a importância dessa integração ?

Tato Cruz: Graças à cordialidade dos Trios de Forró mais antigos os jovens aprenderam o Forró e passam hoje para frente. É como uma bandeira carregada por Dominguinhos, Trio Virgulino, Trio Nordestino, Trio Xamego e muitos outros, que com consciência trouxeram até nós jovens.

13) RM: Em sua opinião com surgimento dos grupos de “Forró Universitários” pareceram oportunistas (Grupos e Casas de Show) visando só os lucros? E hoje o jovem estar curtindo o Forró sem rótulos, como um som alternativo?

Tato Cruz: Essas casas ajudaram de uma forma ou de outra a difundir o movimento. Os grupos que apareceram já sumiram, junto com a mídia. Quem fica, é que tem a real intenção de levá-lo adiante. Eu acredito que esse movimento sempre foi e será uma segunda opção para a maioria. Desde seu surgimento, roqueiros também eram forrozeiros, regueiros, dançavam xote, donas de casa ouviam sertanejas e achavam o forró bonitinho. Portanto um som alternativo, porém universal.

14) RM: Passados ao euforia inicial do movimento “Forró Universitário”, como o som do “Falamansa” está sendo recebido pelo público e crítica? Houve renovação de público?

Tato Cruz: Crítica sempre acompanha a mídia, portanto está ausente. O público é fiel a nossa musicalidade, eu acredito que mais por causa das mensagens. Não é só o Forró que interessa, mas também o que a gente diz. O público se renova a cada dia, pois ainda tocamos em lugares pela primeira vez, e ainda existem pessoas vendo nosso show pela primeira vez. Será assim sempre.

15) RM: O segundo CD foi tão aceito como o primeiro?

Tato Cruz: Foram 750 mil cópias vendidas, um número bem expressivo, mas já menor do que o primeiro (1 milhão e 500 mil cópias). A novidade fez a diferença, mas a musicalidade era basicamente a mesma.

16) RM: Hoje a mídia não fala mais em “Forró Universitário”. O “Falamansa” agora será identificado como Trio de Forró?

Tato Cruz: Hoje, temos um espaço na musicalidade nacional não só como banda de Forró, mas como uma banda do cenário musical brasileiro. A mídia pode não falar em “Forró universitário”, mas ainda assim termos espaço nos programas de TV e Rádio. Espero com isso, trazer esse movimento a tona.

17) RM: A participação do Tato (vocalista e compositor do grupo) em CD de forrozeiros tradicional mostrou que não existe disputa, mas união? Cite os Trios e músicos que você fez participação especial no CD?

Tato Cruz: A união sempre prevalece, já fiz participações com o Trio Nordestino, Trio Virgulino, Anastácia e tivemos participação de Dominguinhos no nosso disco, e fiz uma música para o disco de Elba Ramalho e Dominguinhos, chamada “Chama”.

18) RM: Fale sobre o problema de saúde que lhe pegou de surpresa.

Tato Cruz: Ao voltar de uma turnê pelo Japão, estava sentindo fortes de cabeça. Até então eram esporádicas, o que não levantavam suspeitas de nenhum problema, por achar que era uma enxaqueca comum. Como as dores se tornaram diárias, procurei fazer exames e assim foi constatado um tumor, chamado de Meningioma no lado direito do cérebro. Como seu estado era avançado, minha cirurgia foi no dia seguinte ao exame. Após 18 horas de cirurgia, foi totalmente retirado o tumor e minha recuperação incrivelmente rápida em um mês já estava nos palcos quando a previsão era cinco meses. Hoje sou muito melhor do que eu era. fisicamente e emocionalmente, Graças a Deus.

19) RM: Quais os projetos do Falamansa em 2007 ?

Tato Cruz: Estamos em estúdio para gravação do nosso novo disco chamado “Segue a Vida”. São mais 14 músicas inéditas desta vez com muito mais mensagens positivas. O disco deve sair em junho, junto às festividades Juninas.

Contatos: www.falamansa.art.br 

Discografia:

Deixa entrar – 2000

Essa é pra vocês – 2001

Simples Mortais – 2003

Um dia Perfeito – 2004

MTV – ao vivo – 2005


  •  
  • 15
  •  
  •  
  •  
    15
    Shares
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.