Érico Baymma

Érico Baymma 1 Ritmo Melodia
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Tempo de Leitura: 31 minutos

O cantor, compositor mineiro Érico Baymma mudou-se para Fortaleza – CE nos anos 1970, depois de residir durante cinco anos em São Paulo.

Em 1997, lançou o CD – “Artesanato”, contendo seus temas instrumentais “Reflexões”, “O trem do dia”, “A nave”, “Os peixes”, “O mar”, “Caça submarina”, “Vênus”, “Reflexões II” e “Litoral”, esta última de autoria de Carlinhos Crisóstomo, além de “Consolança” (Eugênio Leandro e Oswald Barroso). É responsável pela produção musical, arranjos, execução, gravação, masterização e arte gráfica do disco, que foi indicado, no ano seguinte, para o Prêmio Sharp e para o Prêmio Nelsons de Música Cearense.

Autor de trilhas sonoras para vídeo e teatro, foi contemplado, em 1992, com o prêmio de Melhor Trilha Sonora Original do Festival de Vídeo de Fortaleza e com o prêmio Destaque do Teatro Cearense, pela direção musical do espetáculo infantil “Conto logo o quanto louco”, dirigido por Lília Moema.

Em 1994, participou do Festival Canta Nordeste (Rede Globo), com a música “Beco sem saída” (Érico Baymma / Glícia Rodrigues). Gravou a canção para a coletânea “10 anos – Pessoal do Cais Bar”, que incluiu, também, outros artistas da música cearense, como Fernando Nery, Isaac Cândido, Paulo Façanha e Humberto Pinho, entre outros.

Gravou no disco “Outra esquina”, de Felipe Cordeiro, a faixa Qualquer Dia, parceria de ambos. Em 2001, foi premiado no II Festival Nacional de Vitória, na categoria Melhor Trilha Sonora, pela trilha de “Conto logo o quanto louco”, dirigida por Lília Moema. 

Fez shows no Rio de Janeiro e em São Paulo. Apresentou-se nos Estados Unidos, em curta temporada em New England, representando o Brasil na Feira Anual de Sunappe Crafts.

Trabalha com masterização sonora e artes gráficas, tendo sido responsável por capas de CDs de artistas como Marcílio Homem e Nélio Costa, do Coral do DCE-UFC, entre outros. Suas principais músicas: de autoria dele “A nave”; ”O mar”; “O trem do dia”; “Os peixes”; ”Reflexões”; “Reflexões II”; “Vênus”;  “Beco sem saída” (Érico Baymma / Glícia Rodrigues); “Caça submarina”“Litoral” (Carlinhos Crisóstomo); “Qualquer dia” (Érico Baymma / Felipe Cordeiro); “Sonho Desfeito” (Érico Baymma / Valda Pereira); Sax Dorido (Alano Freitas / Érico Baymma); Canção no Jardim (Alano Freitas); Consolança (Eugênio Leandro – Oswald Andrade), entre outras.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Érico Baymma para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado com Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 02.02.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Érico Baymma: Nasci em Barbacena – MG, no dia 03 de maio de 1961. Mas morei em Fortaleza – CE no início dos anos 1970. Em 1976 fui cursar Informática em uma Faculdade em São Paulo, mas não conclui e voltei em 1980, para cursar Administração de Empresa em uma Faculdade em Fortaleza – CE e voltei para São Paulo em 1985 para cursar Matemática Financeira e trabalhar em um Banco até 1989, já começando a carreira musical. Voltei para Fortaleza em 1989 e comecei a fazer shows.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Érico Baymma: Eu tenho vários “primeiros contatos” com a música – devido ao conhecimento progressivo que tive com obras que determinaram muito o meu jeito de encarar a música, em evolução.

O contato com a música é algo que leva uma vida toda para dizer que a vivenciou, como a vida. Meu primeiro contato foi aos três anos de idade, quando precoce e ingenuamente, tirava canções que ouvia no piano, muito movido por minha mãe que tocava piano, também de ouvido. Aos sete anos comecei a fazer aulas de Piano, mas logo larguei pela razoável técnica que já havia conseguido (ficou cansativo…), mas segui no meu processo autodidata, marcante em minha vida – tudo o que realmente faço desde 1989 tem a marca do autodidata, do artista e do risco necessário à procura da realização artística procurada.

Este risco eu realmente adotei para minha vida, como se o que está “muito na minha mão” não me oferecesse mais possibilidades de exploração. Não gosto desta delimitação, mesmo quando o “novo processo procurado” não chegue a ser algo razoável ou admitido para mim. Ao longo deste processo, óbvio que acompanhei todos os Festivais de Música, incluindo o internacional. A observação não era crítica, não tinha idade para isto, ou não dava muito valor mesmo ao que não gostava, sem nossa visão adulta de ter que traçar conceitos a respeito do que não gostamos.

Mas acredito que seja uma entrada definitiva no meu conhecimento da música brasileira, foi o que estabeleceu meus afetos direcionados à música, para uma criança que não tinha nem nove anos – já conhecia bastante, assim considero. Como falei dos outros primeiros contatos com a música: aos 11 anos era discotecário de um restaurante-boite, que meus pais alugaram, onde tive o contato com os álbuns: Pink Floyd (Dark side of the moon), Genesis (Selling England by the Pound) e Elis Regina (em que canta Cabaré, Folhas Secas, e a capa a coloca como um ícone quase egípcio, uma rainha – quando ela modificou o som que fazia e assumiu o risco de uma linguagem realmente apropriada às suas aspirações artísticas);

Por esta época também me tornei apaixonado pelo álbum Construção, do Chico Buarque, e Transa, do Caetano Veloso – ambos ainda fazem parte da minha discografia básica. Posso dizer que esta foi a definitiva iniciação “mais racional e mais emotiva” à grande música. Eu compreendi linguagem musical e textual, compreendi um pouco de produção musical e muito de identidade artística, afinal, a “minha grande cantora” expressava abertamente o que acontece ao ser humano quando ele descobre o que quer e faz o que quer, no caso dela, cantando de seu jeito próprio, fazendo o som que ela queria, com as canções escolhidas por ela, com as palavras que ela queria dizer.

Foi um momento determinante para Elis Regina e isso teve repercussões sérias em minha vida. O contato com Pink Floyd e Genesis nos álbuns citados são coisas grandiosas para mim e mais quando vejo a idade que eu tinha naquele momento. Eu vejo a cultura do mundo, entendo um pouco melhor, pelo que ouvi nestes discos.

Com 17 anos, por apresentação de amigas queridas, tive o contato com os álbuns: Amoroso (João Gilberto, quando fui realmente apresentado ao que passou a ser um dos meus grandes mitos musicais) e Köln Concert (Keith Jarret, quando entrei num dos mais profundos sensos da experiência e fazer musical, neste álbum icônico e reconhecido mundialmente, uma verdadeira experiência musical, abrindo para o jazz norte-americano, outro mito).

Obviamente, após estes álbuns, meu contato com a música passou a ser uma experiência realmente aberta ao acontecimento da experiência que é a música, em estilos, fazeres, produções, nacionalidades, culturas, tudo acrescentando à minha percepção desde criança, quando conheci Beatles, Debussy, Ravel, Rita Pavone, ou seja, uma experiência tanto pop como clássica, sendo absorvida de forma muito natural e espontânea, apesar das surpresas que tive com os álbuns que citei e que me abriram os ouvidos para a criação musical de forma irrestrita, sem estar exatamente aberto para o popularesco – assertivamente para a indústria para comover o público, com música fraca e grudenta.

Por uma circunstância, não tinha contato com outros grandes acontecimentos musicais “alternativos”, que não passavam na televisão, que era o básico para a absorção de conteúdos musicais. Sinto demais que haja esta diferenciação e, afinal, prive o indivíduo de uma experiência tão grandiosa como é a música.

Vejo o que o povo absorve hoje como música e lamento profundamente sobre o que será deste povo. Não poderia elogiar isto, de forma alguma, ao ver que esta música que o povo ouve é simplesmente industrial, uma música que está querendo “se salvar” no mundo engolido pela tecnologia, com outras formas de fazer e comercialização.

A figura que me é mostrada por este caminho parece já ter tido representação nas eleições de 2018, em que não se escolhe pelo amor, mas pela raiva, nem que o não escolhido seja só pra rejeitar o que se tem raiva – mas ainda resta uma pergunta, de onde veio esta raiva mesmo com um percentual enorme de pessoas havendo sido beneficiado por este “alvo de raiva”.

Tanto a raiva construída como motivos ridículos expuseram um dos governos mais dignos que o Brasil já teve, ou melhor, o mais digno – não falo das falhas, pois se for assim, todos sempre foram falhos, beneficiaram somente às elites e deram alguns trocados para uns pensarem estar participando de algo. O pior, que acho, é um dos candidatos que não passou no primeiro turno ter aberto e estimulado caminhos para que se elegesse o que agora temos no governo.

Acredito que isto seja de uma irresponsabilidade imensa para com o povo brasileiro. Este, que já entrava em dubiedade, tornou-se uma pessoa a quem não dou o menor crédito, após ter-se recolhido em Paris e deixando o povo à mercê, estimulando o ódio ao Lula. Não é loucura pensar que todos os processos que estão no entorno da população se aliam para a configuração de uma alienação. O tal candidato deu aval para escolha deste desgoverno estabelecido.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical? Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Érico Baymma: Minha formação musical foi de observação e autodidata. Eu não gostava dos métodos de aprendizado de Piano na época. Aos 17 anos de idade entrei para o aprendizado de Violão, descobrindo naquelas revistinhas de música os acordes das canções que gostava. Depois de aprender o básico, passei à experimentação e composição, mais frequente (eu compunha desde os 13 anos).

Além da Informática que iniciei em São Paulo, formei-me em Administração de Empresas em Fortaleza, e fiz especialização em “Arte como recurso terapêutico e educacional”, também em Fortaleza, que acredito ter sido o primeiro curso, dentro das minhas inquietações, sobre o que fazer com tantos interesses, que fiz com vontade e acho a ferramenta mais eficiente, já que me serviu para dar aulas de canto, sonoplastia e cenas musicais na graduação em Teatro, no hoje IFCE (ex-CEFET), como professor convidado.

Além dessas formações mais longas, fiz vários cursos adicionais em arte, filosofia, sociologia, jornalismo e toda sorte de interesses das “inquietações” que, desde a primeira escolha do curso que iria fazer, rondavam-me à cabeça, sem decidir-me.

Assim, a arte como todo, em suas várias expressões tornou-se minha meta principal, que sempre rondou minha vida. Aliás, posso dizer que tenho ligação com a arte desde que nasci – é permitido falar nisso sem o risco de parecer pedante?

Sinto minha conformação e complexidade completamente direcionada à arte. Ela é o sentido maior da minha vida, em quase todas as expressões que conheço. E busco na música a arte possível. Não quero um sucesso comercial que seja dito arte. Quero que a música leve os sentidos “artísticos” que existem em mim e nos outros artistas.

A música passa a ser não um catalisador, mas uma ferramenta essencial de procura, de realização, de encontro comigo e com as pessoas para a formulação de perguntas que respondam à complexidade contextual que cada indivíduo, comunidade e sociedades venham a enfrentar. Só faço distinção dos meus processos criando canções e instrumentais.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Érico Baymma: Como eu disse anteriormente, meus olhos se focavam em diversas áreas da música, em seus vários aspectos: interpretação, impostação de voz, melodia, harmonia, produção e aspectos técnicos.

Isto eu falo para tentar explicar o tanto de música que absorvi e absorvo, por um ou cada aspecto, mesmo que eu tenha rigor no equilíbrio de todos estes itens, a ponto de rejeitar algumas escolhas técnicas que se sobressaíram durante um tempo na música popular brasileira e internacional. Meu interesse maior é pela massa sonora produzida, uma textura que signifique. Sem uma resolução bem definida, me impede sequer de ouvir.

Pode parecer um posicionamento metido a besta, mas não adianta a melhor harmonia, a melhor voz, etc, sem que tudo esteja em seu lugar, adquirindo uma proposta artística definida. Eu admito quanto tenho que passar uma iniciação àquela linguagem e me dedico a ela, como foi o caso do meu estranhamento inicial, uma vez, com João Gilberto.

Quem não estranhou João Gilberto não entendeu a música. Coloco aqui que não acho a Bossa Nova burguesa, muito menos a música do João Gilberto. Ele foi um grande artista. Dentro da grande indústria fonográfica, cito coisas que deixei de gostar pelo exagero no reverb, como o álbum da Simone, que tem “Espelho das Águas”; considero uma obra prima esta música, além do disco ser potencialmente bom, mas com reverb demais.

E é com tristeza que cito o álbum “Essa Mulher” da Elis Regina, que seria um álbum perfeito não fosse o excesso de reverb em sua voz. Sei que isto era uma tendência da época, mas penso se seria possível uma remasterização com a voz com menos reverb.

Também da Elis, o álbum “Saudades do Brasil”, que é uma obra-prima, traz verdadeiros descasos técnicos, a ponto de, desde a primeira prensagem, trazerem falhas em canais ao longo do álbum duplo e o grande absurdo de perda de velocidade (pitch) em que toda a música cai de tom assustadoramente, repentinamente.

E me surpreendi ao observar o quanto há de reverb nos discos do Sting, mais no começo da carreira solo. Estou falando em aspectos técnicos. Falando em álbuns que curtia e deixei de curtir, há o Fagner que, mesmo não gostando de sua voz irritante – cuja textura é um esteriótipo do ser nordestino, outra coisa que detesto, esta transformação simbólica representando um povo – ele  tinha acesso a canções maravilhosas.

Promoveu álbuns fantásticos, mas a necessidade de mais grana o levou a investir em álbuns popularescos. Mas, no aspecto geral, vejo muito mais coisas que ainda curto hoje, coisas que descubro ainda nestes tempos, pela restrição do acesso ao produto na época do lançamento, geralmente por independentes em prensagens pequenas.

Os anos 1970 foram efervescentes em termos de produção musical, de músicas maravilhosas, de letras excepcionais. Isto começou a ser um pouco perdido nos anos 1980, quando a grande maioria adotou o estilo pop, arranjos padronizados, embora também com maravilhosas exceções. No processo de abertura política, foi uma decisão da indústria fonográfica de que as músicas se tornassem “mais leves”.

Mesmo que a questão das letras virem a trazer alguns exemplos fantásticos de “pontuação da existência”, sinto que eles não encontraram lá muito a completude do que queriam fazer. Isto claro, falo dentro do meu contexto de acesso. Observo que a partir dos 1970, o que realmente me influenciava não era a forma final do “produto”, mas me fixava em aspectos, instrumentos e formas de emissão vocal e interpretação, isoladamente, e ia fundo nesta pesquisa, trabalhos privilegiados pela tal textura resolvida, que falei acima.

E assim, diria: quem não seria influenciável pelos medalhões da indústria, quando o rigor de fazer propunha-se com maturidade, mesmo quando irônicos?

Adoro João Bosco e suas parcerias, Caetano Veloso e Gilberto Gil (na maioria das produções), Milton Nascimento (em sua grandeza divina), Nana Caymmi e sua família (eu ouço o Dorival Caymmi cantando e penso: o que é isso, Meu Deus?), Chico Buarque; que, como se diz “é o desafinado mais afinado do Brasil”, sempre amei seus discos e, poxa vida, de quem não estou falando é uma verdadeira imensidão, portanto, não cabe citar a todos. Lembro-me do Cassiano e seu maravilhoso canto, o que me lembra de Wilson Simonal e Agostinho dos Santos, ao ouvi-los hoje, eu só penso em maravilhas.

Quer dizer, não sei se citações são suficientes pra dizer por quantos caminhos eu passei, até porque citá-los, todos encheriam sua revista (risos). Nos últimos anos da década de 1990, eu só ouvia música instrumental.

Adoro Philip Glass, Brian Eno, Steve ReichPat Metheny (tanto quando melódico como mais instrumental) e vários exemplos de grupos internacionais cujo acesso não era tão fácil. Voltei a ouvir música cantada quando me caiu um CD infantil e ouvi a Mônica Salmaso cantando “Tudo, tudo, tudo”, do Caetano Veloso. Naquele pedacinho de música, aparentemente minúscula ela avisava para o mundo que estava chegando. Depois pesquisei coisas sobre ela e vim, a saber, por quantos caminhos passou para se encontrar. E ela me reabriu a cabeça para a música cantada.

O processo de estar maduro para enfrentar a música e o mercado não é algo fácil e acredito que ela foi fundo em sua autopesquisa e conseguiu se colocar como uma das grandes cantoras brasileiras.

Esta coisa de delimitar e depois reliberar para a canção ficou tão acentuada que, por exemplo, o pessoal que começou a surgir nos anos 2000 se autoproduzia, fazendo trabalhos com imenso rigor, o que foi uma reviravolta para mim.

Nisto incluo a presença de Ceumar, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, Rubi, Sérgio Santos, Consuelo de Paula, Vitor Ramil (que é obrigatório, para mim, em toda a sua obra), André Mehmari (grandioso e inquietíssimo pianista e compositor) entre tantos outros. É horrível fazer lista, pois, quem não está parece não estar sendo valorizado, mas se entra na felicidade de ver eclodir esta vastidão de talentos tão bem apropriados de suas linguagens, e não são poucos, a lista é Pequeníssima.

Estou sendo muito injusto, eu reconheço, mas algumas coisas na minha vida restringiram o acesso mais amplo que anteriormente havia. Em suma, isto tudo que citei, vejo que gostei de muitas coisas, mesmo com seus defeitos de produção, vi uma decadência entre 1980 e 1990 e uma espécie de renascimento e reequilíbrio, tanto no aspecto do rigor artístico da melodia, letra, interpretação e tudo o mais que se envolvem.

A partir do início dos anos 2000, em que surgiram novas linguagens, novas percepções sonoras, muitos grupos de estilos diversos, muita música instrumental com fabulosos músicos, mesmo que tenha havido uma progressiva desconstrução da indústria fonográfica brasileira que considero que foi muito bem programada e negativa para a criação musical brasileiro. É um contrassenso que no período em que os artistas estejam mais preparados, o mercado se feche. No entanto, todos estes artistas são guerreiros e se colocam no meio de forma grandiosa.

O que se lamenta mesmo é que a forma de alocação desta produção toda de tamanha qualidade venha sendo disponibilizada de forma tão aleatória que não se conhece mais facilmente o que é bom e o que não é, pois tudo é streaming, é um sorteio e todas as plataformas colocam em visibilidade o que ainda é fomentado pela indústria. Pode-se dizer “aqueles que se venderam à indústria”. E todos os autores estão perdendo nesta “moda”.

05) RM: Quantos CDs lançados?

Érico Baymma: Em 1994 gravei “Beco sem saída!” em uma coletânea comemorativa de 10 anos do Cais Bar, após participar com ela no mesmo ano do Festival Canta Nordeste, da TV Globo. Lancei o CD – “Artesanato” em 1997 e gravei o CD – “ImageShadow” em 1998, três meses após o lançamento. Ambos são instrumentais, mas o segundo não foi lançado, prensado ainda.

CD – “Artesanato” foi indicado ao Prêmio Sharp, edição instrumental. Ter sido indicado foi uma conquista quando ainda me tremia sem certeza da valia da minha música. E tive crítica muito boa, o que seria algo “desconsiderável” se eu não conhecesse o rigor musical dos jornalistas que escreveram e visse que em todas as suas palavras a seriedade esteve presente.

Como intérprete/compositor, ainda gravei a música “Qualquer Dia” no disco “Outra Esquina”, do parceiro Felipe Cordeiro, em homenagem ao grupo Clube da Esquina. E gravei também como coautor no disco “Quaisquer canções” do poeta/artista plástico e compositor Alano Freitas as canções: “Canção no Jardim” e “Sax Dorido”. 

Meu primeiro CD é instrumental e ainda jogado um tanto ao universo da canção, com melodias que já estão quase completamente letradas, embora haja algumas experiências de sentimentos que não são exatamente previstos para o universo cancional. Esta coisa de fazer algo com o pleno domínio que seja num campo mais amplo. Por exemplo, meu segundo CD também foi gravado em 2 canais (estéreo) apenas, e da base à melodia, tudo foi gravado de prima.

Creio que foi uma experiência grandiosa pra mim, pois além do processo de procura de timbres – é todo em sintetizador – há que ter uma noção de como o som sairá no final, uma experiência de pré-mixagem daqueles sons que serão ouvidos. A minha entrega a este CD foi uma das minhas melhores experiências.

O resultado? Não é música pop, não é erudita; mas tem elementos dos dois, existem timbres não comuns e há uma forma um pouco diferenciada de produção sonora. Acho que as influências são todas as músicas que ouvi. As canções são uma diversidade de tons, timbres, melodias (mesmo as harmonias), um complexo de coisas “abstratas” que reconheço desde cedo ter sentido sinergia com elas.

Mas atento ao contato com a complexidade, e aqui entro no universo educacional: se um jovem se proporciona um contato que lhe apresenta, mesmo de forma abstrata, a possibilidade de conexões feitas entre as coisas, do conhecimento, para situar, ela certamente estará em contato com a possibilidade de desenvolvimento da percepção em tantos focos quanto estejam em atuação, sem sentir-se perturbada e sentindo tudo o que age, o que acontece no intermezzo, e em quê desencadeia.

É este contato com um “universo abstrato” que possibilita o desenvolvimento mental e capacidade de se colocar no mundo. Isto é o máximo para a educação, se for devidamente aproveitada com “as teorias mais avançadas” de aprendizagem, a vivência (integração e imersão naquilo que vive) construindo um saber, quer dizer, há uma enorme vastidão a ser encontrada na música que indubitavelmente haveria de ajudar no desenvolvimento pessoal e profissional. Aprende-se a ser dentro do fluir, entende?

06) RM: Como você define seu estilo musical?

Érico Baymma: Minha tendência a canção vai pelos caminhos da Bossa Nova. Eu realmente queria que minhas canções tivessem sido produzidas como Bossa Nova, numa evolução do que aprendi, mas não fui o produtor dos cds. Já no CD – “Artesanato” e no CD – “ImageShadow”, misturo minimalismo, psicodelismo, semierudito e tecno, o que, em outras palavras posso dizer que sou experimentalista.

07) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Érico Baymma: É essencial, mas creio que não para manter a voz eternamente límpida, pois acredito que as marcas, as cicatrizes da vida são essenciais para esta expressão popular.

Há de se reconhecer o que a vida trouxe; o que se é capaz de criar a partir disso e quais histórias estão incluídas. Não excluo o cuidado com a voz, até porque a falta de exercício pode ser prejudicial e falta de exercício da respiração e a falta de oportunidade de explorar todos os campos da vocalização realmente acabam com a voz, que já degrada com o tempo.

Temos muitas vozes em nós e precisamos aprender a explorá-las. E também a coloca-las no lugar certo e onde suas características mais personalistas serão expressas. É um aprendizado, pois então, requer treino e cuidado.

08) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Érico Baymma: Zé Luiz Mazziotti, Zé Renato, Sérgio Santos, Mônica Salmaso, Rubi, Ceumar, Ná Ozzetti, Fátima Guedes, Roberta Sá e a lista vai crescendo e eu vou descobrindo gente linda como conheci o canto da Consiglia Latorre e da Suzie Franco.

Filipe Catto está desbravando um universo até então muito tímido de nossa música-universo. Se eu respondesse daqui a 5 minutos e não estivesse preocupado em me lembrar, talvez dissesse muito mais.

Mas também tenho a humildade de saber que não tenho acesso a tudo, que este mundo é muito maior do que eu posso pegar. Por isso é que, no que eu sei e que me inquieta, vou me jogando em pesquisar, pensar e até tentar elaborar uma arte da canção brasileira.

09) RM: Como é o seu processo de compor?

Érico Baymma: A priori é bem anárquico, mas muitas vezes sento-me no teclado ou com o violão para pesquisar, compor objetivamente com “onde a música me leva” e tenho ótimos resultados, tenho gostado até agora.

Mas adoro quando a música e a letra me assediam, assim como não é incomum estar tomando banho e ter que sair correndo para anotar a poesia que veio junto com a canção. E, no caso do instrumental, ela é intuitiva, é sensível ao que me rodeia, a como estou, ou a algo que “ouvi em minha cabeça”.

10) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Érico Baymma: Alano de Freitas. Felipe Cordeiro e minha querida e saudosa Glícia Rodrigues.

11) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Érico Baymma: Ainda não tive este prazer, sabe? (risos). Às vezes até me pergunto por que a nossa Rádio FM Universitária do Ceará, que tem um repertório tão bom, não toca mais minhas músicas por lá…

Eu até pensei que o que fiz não tinha repercussão possível. Mas sou surpreendido com pessoas que vêm no inbox do Messenger a se apresentar e dizem da minha importância para a música do Ceará. Eu fico muito tímido, mas sinto-me bem, após a crise de timidez, por saber que eu contribuo.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Érico Baymma: Os prós e os contras é o dinheiro! Quem quer fazer quer respeitar toda a série de profissionais que estão envolvidos na cadeia de produção. Daí, ou a gente espera ser chamado ou desenvolve algo surpreendente para si mesmo.

Referindo-me aos álbuns instrumentais. Eu fiz meus discos com dois mini-disc player e recorder, feito brincadeira de criança, gravando timbres e suas melodias e trocando de discos, até achar que havia conseguido o resultado. Isto aconteceu no primeiro disco, que era a primeira experiência e a exigência estava com tudo em mim.

Daí vem a coisa de se preparar espetáculos, fazer autogerenciamento de carreira e produção e toda a cadeia que falei, que a gente quer pagar direito àqueles que estão contribuindo e precisam tanto como a gente e não dá pra suprir à altura. Isto me deixa magoado, por fazer até pensar que não valorizo tanto os grandes trabalhos daqueles que estão comigo.

Mas esta é a cena musical brasileira. A fórmula pra pular isto, eu creio que está nas oportunidades. E elas não surgem assim para quem é independente.

Já pensou que maravilha se tivéssemos recursos para fazer outros “Clubes da Esquina”? Gente pra fazer tem, profissionais colocados entre os melhores do mundo, com criatividade e técnica a valer.

13) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Érico Baymma: Certamente, trabalhar visibilidade dos trabalhos e “do artista”. Algumas canções podem cair no gosto público por indicação ou por ouvir, sem querer. Mas neste mundo competitivismo, há de se ter assertividade e olhar como são feitas as coisas.

Você tem que pensar em ser um pop-star (risos) e mostrar o que você tem; com algumas construções de imagem para a sedução do público, afinal está entre as metas da música tocar as pessoas. A coisa do “pop-star” não quer dizer que geralmente seja o meu feitio, mas não nego ter feito.

Mas é uma lógica de cuidado com o público, não exatamente sonhar com mega-espetáculos. Hoje em dia, lidando muito com o público, estou mais pessoa, mas aquela pessoa que procura coisas, que quer colocar questionamentos à vida e quer apresentar seu trabalho.

Por isto me dou ao direito de chamar-me artista; também pelas outras artes que faço. Mas estar instigado, questionar, posicionar-se, e produzir a partir do seu pensamento e crença mais pura, expressando-a ao público. Vejo que é a estratégia certa.

Tenho visto vários artistas do mainstream; não sei se existe mais isso, mas são filhos desta época, estão junto ao público colocando suas visões de mundo, com o devido cuidado, “com o que pode ser dito”, como falou uma vez um grande artista que admiro.

14) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Érico Baymma: Como sou independente e me produzo, há um direcionamento de observação e aquisição de tecnologias (software) e aparelhagem. No entanto, veja: minha canção funciona somente o violão e eu.

Já a música instrumental, pelo modo como foi produzida, é impossível de reprodução em palco. O que seria um grande feito. Portanto, além de estar ligado em aparatos de produção, incluo a questão do fazer conhecer algum dos trabalhos.

Não pago a estas redes sociais para que meu trabalho seja reconhecido. Mas uma coisa me é bastante curiosa: coloquei minha música no ReverbNation e estou em primeiro lugar no Jazz há muitos anos, sem músicas novas… E não pago nada. Aliás, esta coisa do streaming a gente ainda ter que pagar pra ser ouvido é demais, não?

Mas você fala em empreendedorismo e eu lhe digo como poderemos ser reais empreendedores se os recursos à nossa disposição mal paga nossa atuação individual? Empreendedorismo é gerar empregos, pagar bem àqueles instrumentistas especiais que se escolheu para fazer música junto!

15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Érico Baymma: A internet me ajuda no conhecimento. A tecnologia é uma ferramenta que deve ser utilizada. E não produzo conforme os preceitos do que ouço como mercado; apenas pego a alma do que ouço e me toca que me dá um aprendizado e me faz desenvolver algo mais em minha linguagem. Agora, lamento dizer isto, por termos chegado a esta situação: nunca pensei que a tecnologia fosse dar uma rasteira na música como ela deu, ou como pretendem que dê.

A música merece ser tratada como um bem-social, como algo cuja importância imaterial é das primeiras preocupações de um governo, pois ela repercute em seu povo. E pode ajudar no desenvolvimento intelectual e percepção da vida, como falei anteriormente. Que se pague para se fazer ouvir e quase nada se ganhe neste processo é uma perversidade.

Mas o que atrapalha, afinal, não é a internet e a tecnologia, mas a especulação financeira manipulando, barrando caminhos. Com a internet os independentes podem mostrar mais seus trabalhos.

16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Érico Baymma: Basicamente vejo só vantagens, apesar que o custo de manutenção e atualização ache um pouco desigual. Mas estar com recursos de fazer estudos sobre sonoridade, uso da voz e outras experiências como pré-produção de um trabalho é algo que deveria estar ao dispor de todos da área.

Apesar de acreditar em inspiração, o trabalho do músico está muito em achar o melhor som para o que quer fazer. Pois este está disponível no home studio. Não se pode ficar alugando estúdios para estas experiências, comumente.

17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Érico Baymma: Eu tenho um olhar sobre isto um pouco diferente. Não acho “fácil” gravar um disco. E quando gravei meu primeiro disco, nem se pensava em fazer isto. Lancei meu cd instrumental, logo após vi na Folha o lançamento do primeiro disco feito em caso. Bom, fazer o quê?

Mas, voltando, fazer um disco, que seja inteiro (completo, íntegro, com identidade resolvida, etc) não é algo fácil. Pelo menos é o que penso e voltando pros conceitos aprendidos nos trabalhos que foram referência em minha vida: Dark Side of the Moon, Selling England by the pound e o Elis Regina no disco de 1973; nunca sairiam facilmente. Nem que na hora as pessoas que estejam olhando vejam o artista ou grupo fazer tudo.

A música é fruto de trabalho, de auto pesquisa, de desenvolvimento, de percepção, não há de ser algo tão automático. Pra me diferenciar no meu nicho, só vejo que fiz o meu melhor e vou fazendo. Apesar de não ser um grande instrumentista; a minha experiência faz com que o que me falta seja suprido por algum outro componente que encontro em minhas pesquisas para ter esta identidade artística e me faça diferenciar – algo que primeiro eu respeite, para poder oferecer às pessoas.

Mas como já conversei com outros artistas, a gente não tem ideia definitiva da representação que temos socialmente a ponto de como é entendida esta diferenciação e, se eu olhar para meus colegas, sempre o que me chamará a atenção será suas linguagens. Então…

18) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Érico Baymma: Ainda bem que você falou nas últimas duas décadas… Acho que ganhamos muitas ótimas representantes para a música. Vejo em Mônica Salmaso algo próximo ao divino, sem tanta mitificação assim. Ná Ozzetti fez trabalhos irretocáveis, lindos (mesmo que ela tenha uma história anterior).

Vitor Ramil é só evolução. Outro é o Sérgio Santos que lançou vários belíssimos trabalhos e agora se jogou a um como intérprete, chamado “São Bonitas as Canções”, com músicos do naipe de André Mehmari, Rodolfo Stroiter, Tutty Moreno e Nailor Proveta. Certamente, uma obra prima.

Emocionou-me qual João Voz e Violão, produzido por Caetano Veloso. Sobre permanecer ou regredir não sei se tenho muito a dizer, pois teria que pegar o pensamento industrial e aplicar, enquanto sei que a música merece ser um lugar de experimentação de linguagens, no que ela é maior do que ruim ou boa, entende?

Esta qualificação de ótimo, bom, ruim, etc são frutos de uma competitividade que valia para o pensamento industrial do século passado. Como disse Joaquin Phoenix no Golden Globe 2020: “Nós não estamos competindo. Estamos aqui para a mídia lucrar com propaganda. Todos somos ótimos!”

19) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Érico Baymma: Por acaso, gravei “Qualquer dia” com profissionais competentíssimos: Nivaldo Ornelas, Jorge Helder e Pântico Rocha. Admiro aos três, como admiro muitos outros instrumentistas e os respeitos em seu profissionalismo. Não digo que seja o campo ideal, mas não desmereço ninguém nem estou fazendo média com ninguém! Aqui também é aplicável o pensamento que citei acima.

20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Érico Baymma: Todas as pessoas estão vivas, né? (risos), isto é, todos estão propensos à Lei de Murphy. O cruel é a falta de condição técnicas para fazer o que se sabe fazer de melhor, passei muitas vezes por isso e é horrível. As outras situações acontecem com mais ou menos frequência do que queríamos (risos).

Em 1994 no Festival Canta Nordeste, da TV Globo, foi um desastre, pois antes da minha apresentação, se apresentou um cantor que era um boiadeiro, soltou seu grito, estouraram todas as caixas, e baixaram todos os sons, principalmente os retornos… Eu seria o próximo. Quer dizer, fui cantar, estava sem retorno e semitonei à canção inteira. Um vexame em uma oportunidade única.

Acho que foi o acontecimento que me determinou o que é o maior descaso da mídia com artistas que não tenham reconhecimento industrial. Sequer tivemos chance de ensaio geral. Diante disso tudo, o que pode ser feito? Eu me pergunto se algum daqueles profissionais pensou minimamente o quanto me prejudicou, ou aos meus colegas que também estavam em seu “primeiro grande ato”….

21) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Érico Baymma: Eu gostaria de cantar mais. Gostaria de produzir mais discos. Adoro cantar em estúdio. E gostaria de ter feito mais discos instrumentais. Chegaram a me dizer que eu deveria escolher entre cantar ou tocar.

Ainda me pergunto onde cabe este pensamento. E o que me deixa triste é algumas pessoas pensarem que podem dizer mais da minha linguagem do que eu, de forma impositiva. Reflexão, sim! Imposição, nunca!

22) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Érico Baymma: Fortaleza – CE é uma cidade que cresceu muito depois que comecei a me apresentar nos anos 90. Havia mais música de Bar. Um artista local conseguir uma pauta em teatro – como é o meu caso, que sou mais artista de teatro do que espetáculos abertos, ou de bares – era  um sacrifício imenso. O artista que está na grande mídia sempre será o melhor cenário musical.

Com o tempo e como os Bares abriram suas portas pra música ao vivo, conhecer novos artistas foi tornando-se interesse maior do público, determinando até a escolha do lugar por aquele artista estar ali. Então, acho que por má-administração, os Bares iam cortando custos e o que lhes podia dar público foram sendo cortados. Muito disso também aconteceu porque o público quer aquele artista com “aquele repertório”.

O público é fluido e basta não ser bem atendido que nada mais importa. Ao mesmo tempo, os shows em lugares preparados começaram a aparecer, um tanto quanto com restrição aos independentes, que são todos, e que não possuem patrocínios para o show à altura de algo que se compare aos que estão na grande mídia. Hoje temos a extinção de espaços culturais que tinham público certo e maravilhoso, pelas “novas políticas”.

Mas estamos brigando para que isso não seja definitivo, embora nosso alcance seja muito reduzido. Embora nisto tenha que haver cultura da curiosidade, como é reconhecida a cidade de Belém que recebe e lota shows de artistas desconhecidos, minha cidade é imensamente restrita à cultura de elite ou uma cultura em que o que vale é o que a mídia diz.

Os que vêm de fora e estão em determinados espaços são ótimos. Por exemplo, ao lançar o primeiro instrumental, um vendedor apresentou o disco a uma senhora que adorou o disco.

O vendedor disse empolgado: “pois é, é um artista daqui, muito bom!”. Ela respondeu: “Ah, é daqui?

Eu levo em outra oportunidade”. Isto me foi contado pelo vendedor, pois sempre fui amigo dos vendedores de disco, nas lojas e eles reconheciam o valor do meu trabalho.

Nós discutimos sobre isso e só resta lamentar. O que se dirá de hoje que quase não há loja de discos?

Eu presenciei um ótimo pianista amigo, que já foi de uma banda de rock, que lançou seu cd/dvd que concorreu ao Grammy, sendo maltratado pela gerente de uma grande livraria do sudeste, por ele ser independente.

Quer dizer, não sou somente eu que passo… É uma norma cultural e batalhamos para que se veja de uma forma diferenciada em uma época em que mal se consegue prensar cds, ter loja para vende-los, etc.

23) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Érico Baymma: Sem dúvida alguma, indico largamente a Marimbanda que acabou de fazer um DVD maravilhoso com os Irmãos Aniceto (arte popular do centro do Ceará) e o grande Carlos Malta. Apesar de serem queridos amigos, não por isso eu diria que, até pela longevidade do grupo, se tem um dos melhores grupos de jazz do Brasil, reconhecidamente.

Quanto a outros grupos, tenho que me abster, pois conheço ótimos músicos e que vão fazendo grupos com propostas diferenciadas e me perco nos nomes. Mas posso citar Carlinhos Patriolino, Luiz Almeida Franco (que também tem um surpreendente grupo de jazz), Denilson Lopes, Nélio Costa, Ellis Mario, entre tantos outros músicos que também são amigos e são profissionais de primeira, sem dúvida.

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Érico Baymma: Duas das minhas canções foram produzidas num modo que parecem músicas pra novela. Várias pessoas me falaram isso. Passaram pelo crivo do diretor de novelas, mas era independente, não é?

No entanto, há quase uma regra de que artista cearense não deve tocar nas rádios comerciais, aliás, um empresário de indústria disse a um dos nossos queridos artistas que não tivesse ilusão pois a indústria não possui interesse por artistas cearenses.

Nossos trabalhos tocam na FM Universitária do Ceará que abraça a produção musical cearense e tem a tradição de respeitá-la. Num cenário destes haveria como alguém de nós conseguirmos furar o cerco?
Os jabás estão nos streamings agora!

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Érico Baymma: Como disse, eu fui professor ligado à música, com olhar certeiro para a arte, pois era graduação em artes dramáticas. Em todas as turmas, em determinada época, a pergunta surgia: você entende o que é arte, o que é ser artista?

Eu, guiado pelas escolhas do que eu ouço, faria estas perguntas a eles. Não faria algo como é feito no programa de TV The Voice Brasil que preparam cantores pra cantar algo que não são ou reproduzir fórmulas. Mas perguntaria se ele estaria disponível a pesquisar, explorar-se artisticamente.

E, certamente, diria a ele que só por estes caminhos ele chegaria se não houvesse tal “golpe de sorte” que desse um atalho, mas ele sofreria por não passar por determinados passos.

E diria que ele teria que observar quais passos que dá e, a certa altura, caso houvesse sucesso, ter cuidado com o que fala. Muito do que falo agora é por não ter mais ilusão de pertencer a qualquer investimento da indústria, o que me dá a liberdade de falar o que sinto sinceramente, e o que passei.

Quer dizer, sinto-me como não devendo nada a ninguém e na obrigação de mostrar aos leitores o que acontece por detrás dos bastidores da canção.

26) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Érico Baymma: Eu tinha um olhar meio negativo para os Festivais de Música por pensar que à música, mesmo, pouco proporcionariam. Mas tenho outro olhar hoje.

Um Festival de Música é um ponto de interlocução natural, as pessoas se acrescentam, os artistas se acrescentam, há uma troca muito saudável e, ainda bem, está longe do mundo dos espetáculos, o que o torna mais saudável ainda.

Não sei se as estruturas estão de acordo com nossa época, mas eu tenho amigos daqui que se encontraram com amigos do Clube Caiubi, com o Fernando Cavallieri; no ano em que ganhou com “Flor do Lácio”, e estes encontros são enriquecedores. Talvez as motivações nem sempre tenham o grande da canção, mas proporciona o encontro. E isto é maravilhoso! Proporciona-se um outro lado do processo da música.

27) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música revelar novos talentos?

Érico Baymma: Podem revelar. Só não sei ao certo se a indústria mantém “olheiros” para esta descoberta, pois ela mesmo parece ausente em geral. Mas é uma possibilidade!

28) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Érico Baymma: A grande mídia valeu-se da música quando precisava dela para crescer. A TV Globo vivia com especiais de música, assim como outras emissoras. Eles estão voltando com estas competições entre pessoas que têm experiência, mas as desconstroem.

Eu reconheço que tem ótimos jornalistas para o trabalho de crítica musical, mas também é uma profissão em declínio; espero estar errado. A gente sabe que a grande mídia não aprendeu a valorizar arte e cultura, né mesmo?

29) RM: O Bar é ainda uma boa opção para o músico?

Érico Baymma: Acredito que poderia, mas esta condição é difícil de acontecer. O dono do BAR sempre está ligado em servir na hora do show, o público quer conversar e o artista fica lá batalhando por sua graninha. É o modelo e não gosto.

30) RM: Qual a sua opinião sobre a importância da obra musical dos músicos que ficaram conhecidos como “O Pessoal do Ceará” (Fagner, Belchior, Ednardo, Amelinha e outros)?

Érico Baymma: Eles marcaram uma época.

31) RM: Qual a sua opinião sobre a importância da obra musical dos músicos que ficaram conhecidos como “O novo pessoal do Ceará” após o evento da Massafeira?

Érico Baymma: Outro dia, o Chico César esteve fazendo show em Fortaleza e quando terminou gritou: “cadê o novo pessoal do Ceará? E a Massafeira?”. Quer dizer, objetivamente, foi a última oportunidade que o Ceará teve de mostrar o trabalho coletivo para o Brasil e teve a sua importância. E, talvez, tenha sido o último movimento de música brasileiro. Que eu saiba, não houve qualquer outra tentativa de movimento. 

32) RM: Qual a sua opinião sobre a importância da obra musical dos músicos que faziam parte do Clube Caiubi de Compositores?

Érico Baymma: O Clube Caiubi veio mostrar pro Brasil, pela internet, e para São Paulo, vários talentos que estavam escondidos e apresentou para o grupo oportunidades de trocas de conhecimento, de motivação para o estudo e apresentação, de melhoria profissional.

No entanto, creio que no mesmo meio que proporcionou este encontro, estava à dispersão, que é própria da internet, os tais dos tempos líquidos.

É difícil avaliar esta importância. Mas vendo que o próprio agrupamento de pessoas pensando e mesmo se dispersando logo após, aquela vivência deixou marcas. Tenho contato com Adolar Marin, Fernando Cavallieri e Léo Nogueira. Os três, que conheço, mandaram ver em seus trabalhos com rigor e qualidade. Não falo dos demais por não conhecer seus trabalhos.

A proposta do Caiubi era maravilhosa, mas não deu para ver, como grupo, um resultado que eu tenha tido contato para avaliar neste grupo sua qualidade musical. Para que não haja enganos, esclareço que você me perguntou sobre o Clube Caiubi e a qualidade musical, por este motivo não me atreveria a avaliar a qualidade de mais ninguém.

33) RM: Você entrevistou muitos músicos. Você pretende lançar em livro esse material?

Érico Baymma: Este é um trabalho em processo, vem sendo há anos e não sei ainda quando me darei por saciado, quando não sentirei mais falta de informações para dizer o que quero fazer. Mas, legal demais ter lembrado isso, pois é algo que faço da mesma forma com que me pesquiso, no cotidiano, e há de se tornar algo significante, espero.

34) RM: Você se afastou do trabalho musical por problemas de saúde. Você pode relatar o que ocorreu com sua saúde?

Érico Baymma: Após o réveillon em 1998, voltei pra casa. Na manhã seguinte estava com depressão profunda, ficando mais de dois anos de cama. Em uma das vezes que fui à clínica geral, foi diagnosticada a fibromialgia (síndrome de dor crônica) que se alia à fadiga crônica e depressão profunda.

É uma doença autoimune que promove dores por todo o corpo, além do cansaço enorme e à depressão. Ela é crônica, progressiva e degenerativa.

Assim, 20 anos depois, agregada à artrite, tendinite, artrose e nevralgia, entre males do aparelho digestivo, houve comprometimento ósseo. É um quadro complexo sobre o qual só existem medicamentos paliativos e a tentativa de algum exercício físico. Fiquei com incapacidade física. Agora batalho pelo reconhecimento de minha condição.

35) RM: Fale sobre seu contato com João Gilberto.

Érico Baymma: Meu primeiro contato verdadeiro com a música de João Gilberto posso dizer que foi no mínimo um grande conflito. Apesar de provavelmente ter ouvido muito dos primeiros clássicos, como “Chega de Saudade”“O Barquinho”, entre tantas outras que vinham dos anos sessenta, a música que ouvia mais costumeiramente vinha do que minha mãe gostava, sobretudo Roberto Carlos, além de acompanhar uma série de outros artistas e todos  os Festivais de Música que eram televisionados nos anos sessenta – apesar da idade, era apaixonado por música, sempre fui – quando a indústria fonográfica estava aliada à mídia televisiva e pude assistir e começar a gostar de Elis Regina – desde bem pequeno (lembro-me bem dela cantando “Arrastão”) – shows na televisão, como os comandados por ela e Jair Rodrigues e, na área de Festivais de Música, lembro-me bem do Festival Internacional da Canção em que Malcom Roberts arrebatou com “Love is All”; ainda é bastante presente o vozeirão e a comoção em torno daquele cantor de voz grande a apaixonar histericamente toda a audiência no Maracanãzinho. O interessante desta época eram as torcidas por este ou aquele artista, como acontece em jogos de futebol. Além disso, sempre ia a cinemas e assisti aos filmes dos Beatles que, pra mim, eram os meus “Trapalhões”. Enfim, nos anos 60 e 70, a música alavancava a TV e a TV lhe era recíproca – que primeiro a TV deixou de se interessar, pois já fincara sua audiência e que nos deixa hoje um tanto sem referências nesta era digital em que o streaming atrapalha até que se produza.

Mas, o intuito é falar do conflito da primeira vivência e o processo que se deu ao ouvir o disco “Amoroso”, em 1976, quando estava indo fazer vestibular na FATEC, em São Paulo. Desci do ônibus que ia de Fortaleza para São Paulo na cidade de Guaratinguetá, onde fica uma “parte da minha família” – que era a família da moça que me cuidava em minha cidade natal, Barbacena – MG. Era amigo de toda a família, mas havia um elo especial com as irmãs Lourdes e Tereza, que eram apaixonadas por música e com quem aprendi muito com sua vasta discoteca de vinis; um verdadeiro sonho ainda para a época e que, na memória, continua sendo algo de magnífico para qualquer amante de música.

Vale a pena falar que na minha bagagem levada do Ceará para São Paulo, havia uma grande caixa de livros – eu era muito estudioso – e outra grande caixa pesada, de vinis diversos – brasileiros e importados, que já faziam parte da minha paixão e do meu conhecimento musical. Isto é citado pois ainda hoje lembro-me bem da minha chegada e que além de super-bem recebido, elas colocaram para tocar o disco “Amoroso”, que gerou o conflito que seria uma grande experiência para mim. Minha primeira reação, ouvindo “Amoroso” já foi um tanto ingênua e aborrecida, com aquele cantor de voz anasalada cortando os tempos da música, eu dizendo que ele não tinha voz, não sabia cantar e o que mais poderia dizer sobre aquele que, invariavelmente, se tornaria meu mito.

O conflito que foi a experiência de ouvir João com aqueles arranjos maravilhosos de Claus Oggermann, rejeitados por ele, me fizeram adentrar em algo profundo que foi o saber vindo da vivência. Muitas vezes encaramos as coisas de forma muito rápida e julgamos e excluímos, como já vi várias pessoas falarem sobre o “pular música”. Em todos os discos se elegia as músicas favoritas e se pulava as “menos significantes”.

Com este disco, no devido tempo e processo, entendi que há de ter tempo e processo para entender a arte, seja ela de qual ordem. E que um disco é inteiro, total. A vivência musical, como é quase imediata, segundo os costumes, nos deixa com aquela visão de consumir rapidamente e um saber julgar tudo, como se tivéssemos realmente absorvido todo o conteúdo que uma música ou disco contem. Este disco me apresentou o tempo e a vivência como aliados para o conhecimento e sensibilidade.

Os acordes do violão do João – “a mil por hora”, como não era comum ser visto e na lógica praticada por João, como se fugisse da melodia e dos arranjos – a voz contida, mas repleta de emoção e ludicidade brincando com o tempo dos compassos, atrasando ou correndo na métrica estabelecida, a especialíssima sabedoria na colocação do volume, sem grandes arroubos de voz, mas certeiros em sua proposição e sentimentos junto às palavras que serviam como instrumento de (re)significação, de jogo rítmico, que também mexiam com a significação das palavras, aumentando ou dando suporte às outras palavras que comporiam este jogo, todos os elementos de voz e canto eram utilizados para algo completamente diferente do que já havia sido feito e que se agregavam a meus conhecimentos musicais.

O tempo e a vivência requeriam disponibilidade, o que agregava um valor enorme a uma experiência existencial que em minha adolescência – ou mesmo depois, até os dias de hoje – não costumam fazer parte dos costumes que fazem a cultura do cotidiano, desde àquela época em que se dispunha de mais tempo para observar as coisas com maior acuidade, como em qualquer tempo é uma necessidade para a vida, um grande apontamento para o que é e será vivido, que direcionam aos “comos”, “porquês”, “a grande intercomunicação entre as coisas pelas quais passamos”, “as sutilezas” e tantos outros aspectos que estão à disposição na jornada de vida – e recursos utilizados nas artes.

Gostaria de registrar que nestas duas primeiras semanas no estado de São Paulo, naquela cidadezinha linda, Guará, simultaneamente eu tive contato com outra grande obra fenomenal, que junto ao que refletia e aprendia com João Gilberto, também foi definitiva para a expansão da percepção e do fazer musical que estava delicadamente e sem objetivos claros me formando: o disco “Köln Concert”, de Keith Jarret. Este, um clássico do jazz contemporâneo, a gravação de um show ao vivo, demonstrava toda a habilidade de experimentação e liberdade de criação que a música é, em sua essência. Juntaram-se dois clássicos para mexer profundamente com minha estrutura de entendimento da música e da vida!

É inevitável que João Gilberto se transformasse em meu mito! Ao longo dos anos adquiri toda a sua discografia e é bastante claro o profissionalismo deste grande artista, em contraposição ao que se fala de suas estranhezas, das horas que ficava trancado em seu apartamento, com a televisão ligada, sem som, e tocando horas a fio o que viriam a ser clássicos devidamente registrados em longos intervalos de pausa entre gravações, para que aprimorasse os diamantes que foram tão cuidadosamente lapidados. Tudo que digo é muito claro ao se ouvir quaisquer dos trabalhos que ele gravou.

Todos os seus trabalhos são primorosos, mas gostaria de dar um relevo a um trabalho anterior, de 1973, quando gravou uma de suas poucas composições, chamada “Undiú”, que ao meu ver, dentro do disco se sobressai como um mantra, junto a outros clássicos, ou não – mas que se tornaram clássicos pelas gravações do João.

Um disco gravado em dois dias, somente ele, em violão e voz, e uma percussão extremamente sensível para acompanhar aquele universo tão repleto formado para expansão daquele som inigualável que João Gilberto foi capaz de fazer. Repito: nos discos anteriores e posteriores se vê tudo isto que experienciei nestas duas obras, o que não quer dizer que seja repetitivo ou enfadonho, muito menos que seja música “de elite”, como se costuma julgar a Bossa Nova e a música do João.

Não, sua música sempre foi muito mais do que algo que caiba numa caixinha, num rótulo estilístico. Cada música tem uma surpresa, mas creio que devo ressaltar uma característica rara da voz de João Gilberto: a ternura, uma mistura de fragilidade e fortaleza sem igual, um ensinamento de que para se dizer algo, ou cantar, não é preciso gritar, um apelo silente, sem autopropaganda de que o amor, a generosidade, a entrega, a dedicação com ensaios e pesquisa, tudo é base essencial para a vida e para a arte.

Trazendo de volta e tentando terminar o que tenho a dizer sobre este enorme artista, ele mostra que a verdadeira arte não tem classes, mas requer disponibilidade pessoal, muito embora tenha sido muito ouvida e divulgada por uma classe média alta, a música de João Gilberto é resultado do melhor da humanidade, portanto, não se pode sintetizar em “luta de classes”.

É música nascida de um trabalhador da música, alguém que tocou durante anos na noite, até ser “escolhido” para pertencer a um Olimpo onde raros atingem – não sei se por falta de competência ou falta de autodisciplina e dedicação tantos outros não atingem esta identidade artística tão essencial a quem se diz dedicar-se a este fazer.

Acima de tudo, o que João Gilberto nos deixou foi música pura! E creio que por minhas vivências na percepção mais desprovida de mitificações ou preconceitos, esta música pura nos deixa ensinamentos sobre a vida como somente os mais sábios e generosos artistas são capazes de produzir.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Érico Baymma: Estou me preparando para produzir pelo menos um novo disco, ver se, finalmente, consigo fazer um disco de intérprete em estúdio e vamos ver mais o que vai sair (risos).

37) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Érico Baymma: (85) 99600 – 3333 |  [email protected]  | https://www.youtube.com/user/EricoBaymmawww.facebook.com/EricoBaymmaMusica

Links: http://waptrick.com/pt/free/mp3/Erico-Baymma/ | https://www.reverbnation.com/ericobaymma

http://dicionariompb.com.br/erico-baymma

Érico Baymma 2 Ritmo Melodia

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.