Elisete Retter

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A cantora e compositora Elisete Retter é baiana de nascimento, carioca por adoção e vivencia, mora desde 1991 em Israel (chegou na época da guerra do Golfo).

Uma cantora de voz hipnótica, um timbre limpo e forte. Canta amaciando a melodia e seu ritmo balança o vento, tudo isso em português e Hebraico (idioma que aprendeu vendo e ouvindo programas de televisão em Tel Aviv e com a música de cantores como Shlomo Arzi e Gidi Gov). Em 2004, lançou seu primeiro CD – “Luar e Café” e em 2006 lançou o segundo CD – “Gaagua (Saudade). Em 2007 lançou o CD de remixes “Elisete- Remixes”‘ com canções dos seus dois álbuns.

Ela produzir os próprios discos de forma independente, como aqui, lá também não é fácil, mas se fosse fácil todo mundo era artista. Seus discos já tiveram ótimas criticas da mídia nacional e internacional. E pela reação dos DJs, radialistas e do público que assiste aos meus shows, está conseguindo passar a sua mensagem de alegria e esperança para o povo de Israel. Ela atualmente trabalha na gravação do novo disco acústico e faz shows por todo o país e colabora com DJs e produtores de música eletrônica internacionais. A sua canção ‘Hot Shot’ (com o produtor suíçoDomenico Ferruggia que assina como Dr. Drummer) foi lançada na Europa em julho de 2008. E desde setembro 2008 suas músicas remixadas estão sendo distribuídas por um selo Belga conhecido neste campo. Ela tem duas canções de sua autoria na trilha sonora do filme israelense ‘Ha Buah’ (A bolha).

Segue abaixo a entrevista exclusiva com Elisete Retter para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 04\10\2008:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Elisete Retter: Nasci em Salvador – BA no dia 23 de Setembro, na década de setenta (risos). Aos três anos de idade fui morar no Rio de Janeiro – RJ. Considero-me “Bairoca”. Meu pai era oficial da Marinha, assim que fomos transferidos algumas vezes e durante a infância por quatro anos voltamos a morar na Bahia. E depois voltamos a morar no Rio de Janeiro.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Elisete Retter: Acho que quase todo brasileiro tem o primeiro contato com a música no ventre materno. O brasileiro é um povo muito musical e desde cedo percebi que a música me dava muito prazer. Sempre fui muito musical.

03) RM: Qual a sua formação musical?

Elisete Retter: Na verdade nunca estudei música academicamente. Todas as melodias que componho me vêm prontas, letra e melodia. Acho que devo ser um pouco clarividente, quem sabe? Aprendi um pouco de piano e percussão e estudei canto com a cantora de opera Edith Zamir.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Elisete Retter: A música popular brasileira sempre foi minha inspiração. Amo estilos musicais como bossa-nova, baião, afoxé e tantos outros ritmos que nosso imenso Brasil nos oferece. Adoro a Marisa Monte, Elis Regina, Bebel Gilberto, Ana Carolina, Adriana Calcanhotto e a lista não têm fim…

05) RM: Quando, como e aonde você começou a sua carreira musical?

Elisete Retter: Comecei a minha carreira quase que por “acaso”. Quando cheguei a Israel, eu fui professora de dança Brasileira para crianças. Ensinava para elas todos os ritmos de dança Brasileiros: samba, axé, forró, lambada, etc. As crianças gostavam muito das canções que nos dançávamos e sempre me perguntavam qual era o significado das letras. Decidi a principio fazer a tradução de algumas músicas para o Hebraico, depois comecei a escrever os meus próprios textos e conseqüentemente a por nos textos a minha própria melodia. Foi mais ou menos assim que tudo começou. Passado um tempo, conheci o meu primeiro violonista, o Martin Manzur do Uruguai. E pouco a pouco foram se juntando a nos, os outros membros da minha banda. Quando o Martin retornou ao Uruguai, conheci o Ron Laor o violonista que toca comigo desde 2002. Ele é um gênio no violão, parece até brasileiro. Todos os meus músicos são muito talentosos e nos somos assim como uma grande família.

06) RM: Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)?

Elisete Retter: Tenho dois CDs acústicos lançados aqui em Israel e que tem distribuição internacional. “Luar e café” foi lançado em 2004 e o “Gaagua” (Saudade) foi lançado em 2006 e dedicado ao falecido compositor israelense Ehud Manor que sempre me apoiou enquanto vivo. Participaram das gravações dos meus dois CDs acústicos os músicos que me acompanham desde o inicio da minha carreira e alguns outros que colaboraram comigo nestes projetos: Ron Laor (violão), Ronny Ben-Ezra (bateria), Rostik Lerman (flauta e teclados), Juarez dos Santos (percussão), Tzachi Lazan (percussão),Zeev Koren (contrabaixo), Alon Ohana (teclados e programação), Daniel Grossman (bateria), Sonia Mara (Backing vocal), Nisso ShalevPina e Ayelet (Backing vocal), Uri Bracha (violão), Adam Ben-Ezra (contrabaixo).

Tenho um CD de remixes cujo titulo é “Elisete – remixes”. Este disco foi feito em colaboração com DJs e produtores musicais israelenses e contém canções remixadas dos meus dois álbuns acústicos precedentes. Remixaram este CD: Alon Ohana, Matan Arkin e Roy Azulay, Lazy Bee, Aviv Stein e o brasileiro Avi Levin que ultimamente está produzindo o meu terceiro CD acústico que será o quarto na lista de CDs lançados. Já posso adiantar que este disco terá muito mais canções em Português, e isso me da um grande prazer.

Qual o perfil musical de cada CD? No meu primeiro CD “Luar e café” se sente fortemente as minhas raízes Brasileiras. E um disco de MPB em Hebraico. Tem vários estilos e todos baseados nos nossos ritmos do Brasil.

No meu Segundo CD “Gaagua” (saudade), já exploro outros ritmos e saio um pouco do ritmo brasileiro autêntico e tento criar um novo som, o que põem este CD mais na categoria de música do mundo (world music).

No meu CD “Elisete – Remix”, colaboro com DJs e produtores de música eletrônica israelense e comecei a explorar a música eletrônica pela primeira vez. O som deste CD é assim tipo ‘World electro’ (Mundo eletrônico).

E as músicas que se destacaram em cada CD?

No CD “Luar e café” as músicas mais tocadas aqui em Israel foram: CapoeiraTipat Osher (Um pouco de alegria), Sheelot Ptuchot (Perguntas sem respostas) e Be emtza ha maagal (No meio do circulo).

No CD “Gaagua” as músicas que mais se destacaram foram: Be libi keev (Uma dor em meu coração), Gaagua (Saudade), Lishmor al ha osher (Preservando a alegria), Shalom dikaon (Adeus depressão).

No CD “Elisete – Remixes” se destacaram as musicas: Saudade, Viajar, Samba do sofrer e Capoeira remix.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Elisete Retter: Eclético, muito eclético. Tenho a influência de vários estilos musicais que gosto como: reggae, afro music, pop, funk, samba, bossa-nova, música eletrônica, etc… Vale de tudo um pouco.

08) RM: Como é o seu processo de compor?

Elisete Retter: Quando me bate a inspiração, a música já vem pronta na minha cabeça, cantarolo a canção no meu gravador mp3, depois passo para o piano e depois o Ron Laor, o meu violonista, vem e põem o toque final na harmonia.

09) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente e fora do Brasil?

Elisete Retter: Os pros são que quando somos independentes e temos mais liberdade. Podemos ter mais opções e experimentar mais que um artista que tem um contrato com uma gravadora. Os contras: É muito mais difícil todo o trabalho de produção, promoção, de por a música no mercado. Tudo é bem mais complicado, porém quando colhemos os frutos do nosso trabalho, tudo e muito mais doce também. Fazer música sendo brasileira que vive fora do Brasil pode ser por vezes frustrante. Eu queria mesmo era cantar só em português sem ligar para o mercado, mas se quero fazer música em Israel e passar a minha mensagem para o povo daqui tenho que cantar em Hebraico também. Eles aqui precisam de mensagens positivas e de muita alegria também. Isso eu sei que posso lhes dar com a minha música. Levo dentro de mim um carnaval latente. Muita saudade do Brasil e muitas lembranças também. Traduzo tudo isso em textos positivos cuja mensagem principal é a alegria de viver bem e em comunhão com o mundo.

10) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Elisete Retter: Como estou fora do Brasil há muito tempo, infelizmente não tenho muita informação sobre a situação atual de artistas que eu gostava na época em que morava no BrasilAlceu ValençaElba ramalhoZé RamalhoBelchior entre outros. Do Tavito tive noticias, pois ele se encontra no site do Clube Caiubi de compositores (www.clubecaiubi.ning.com). Um site muito bom e que me sinto muito abençoada por ter conhecido e me cadastrado. Nomes que sei que sempre estão em focos: Caetano Veloso, Jorge Ben, Gal Costa, Djavan, Rita Lee, Joyce (essa faz mais sucesso no exterior, não?). Gente nova e muito talentosa, em minha opinião, que surgiu depois que sai do BrasilIvete Sangalo, Adriana Calcanhotto, Ana Carolina, Seu Jorge (por esse eu sou apaixonada), Zélia Duncan, Vanessa da Mata, Bossa Cuca nova, Marisa Monte, Bebel Gilberto, entre tantos outros nomes.

11) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Elisete Retter: O meu modelo é a Marisa Monte. Fui ao show dela aqui em Israel em 1998. Simplesmente me apaixonei pelo seu estilo e pelo seu profissionalismo. Outro artista que me encanta é o Djavan. Para mim ele é perfeito.

12) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Elisete Retter: Em shows ao vivo sempre podem acontecer surpresas. Mas não me lembro de nada tão especial que mereça maiores avaliações.

13) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Elisete Retter: Me deixa feliz vê o fruto do meu trabalho duro sendo valorizado quando recebo boas críticas e quando apreciam a mensagem que eu tento passar através da minha música para os povos em geral. Mesmo que não entendam a língua de certo endentarão a intenção que existe por trás da melodia. Deixa-me triste vê o quanto é difícil para os artistas independentes, como eu, mas que não tem tanto drive (garra) quanto eu, e que por isso não conseguem sair da obscuridade e ficam fazendo o papel de vítima. Tem muito disso aqui em Israel. Eu decidi, desde cedo não me tornar vítima pela vida. Se eu quero algo, corro atrás e mando ver. Só assim consegui abrir os meus espaços e fazer-me ouvir.

14) RM: Nos apresente a cena musical em Israel?

Elisete Retter: A cena musical dos israelenses é uma cena, em minha opinião, sem estilo próprio. Adotaram o hip hop como meta principal e agora é só isso que dá. Uma música parece à continuação da música precedente e por ai vai. Hoje em dia não tem muita inovação como quando cheguei aqui em 1991. E os israelenses que têm talento e querem fazer outro estilo musical estão buscando outros mercados fora de Israel. O Ofer Nissim que faz música House, por exemplo, faz muito sucesso na Europa e ouvi dizer que também no Brasil!

15) RM: Qual a cidade que você mora em Israel e o que levou você a vim morar em um país de língua, costumes e cultura tão diferente do brasileiro?

Elisete Retter: Moro em Tel Aviv, a meu ver a cidade mais cosmopolita desse país. O que remotamente lembra o Rio de Janeiro. Vim pra cá porque conheci um namorado israelense no Rio de Janeiro. O romance com o rapaz não deu certo, mas o romance com o país permanece até hoje. Hoje sou casada e tenho família aqui.

16) RM: Quais foram as dificuldades de desenvolver uma carreira musical em Israel?

Elisete Retter: Muitas. A língua principalmente. No inicio. Mas posso dizer que fui muito bem aceita em Israel. Meus CDs foram bem recebidos pelos críticos e pelo público e continuo na batalha. Buscando sempre novos horizontes.

17) RM: Quais as diferenças, dificuldades e semelhanças do cantar em português e do cantar em Hebraico?

Elisete Retter: O Português é a minha língua mãe. Sempre será, assim que sempre será mais fácil e natural cantar em Português. O meu Hebraico, a minha língua adotiva, acho que seja bem razoável, modéstia a parte. Componho em Hebraico sem problemas e tenho boas criticas da mídia, acho que tenho um bom nível nesta língua. Hoje em dia gosto mais do som do Hebraico, no início não gostava tanto. Outra coisa interessante é que quem não sabe Hebraico e não é Brasileiro, escutando as minhas canções, a primeira vista pensa que estou cantando em português. Assim me disse um radialista da Espanha e tanta gente que me escreve de vários países diferentes. O Sonekka, o fundador do clube Caiubi de compositores que mencionei acima, diz que eu canto em Israeles. Acho que ele tem razão.

18) RM: Quais os costumes que você mais sentiu dificuldade em se adaptar em Israel e como foi aprender hebraico?

Elisete Retter: Senti e sinto falta do calor humano brasileiro. Do nosso jeitinho espontâneo de ser. Aqui e bem diferente. As pessoas são mais rudes e até que a gente se acostuma, não é brinquedo não (risos). Aprendi Hebraico com programas de televisão e com canções de cantores como Gidi Gov, Shlomo Artzi e Arik Einshtein. Cheguei aqui na Guerra do Golfo. Tive que ficar “esperta” e tentar entender o que diziam no noticiário. Saber quando por a máscara de gás, quando entrar no quarto selado. Era uma questão de sobrevivência, sério… Foi assustador.

19) RM: Geralmente quando um músico brasileiro opta em morar em outro país leva consigo a música brasileira como foco de carreira, você canta em português e em hebraico. O que levou a você não seguir o caminho de mostrar a música brasileira para outros brasileiros e nativos do país que você escolheu viver?

Elisete Retter: Para viver em Israel e fazer a minha mensagem de paz, amor e harmonia; passar isso para o israelense só cantando em Hebraico. Gostaria de cantar só em português, como já disse, mas o povo aqui precisa dessa mensagem. Eles precisam compreender que há outro caminho além da violência e do dissabor. Acho que estou fazendo a minha parte e verdadeiramente acho que essa tem sido a minha missão aqui em Israel, levar um pouco de alegria e amor para esse povo. Faço muitos featurings com DJs internacionais e canto nestes projetos quase sempre em português. Este mês foi lançado na Europa o meu track de musica eletrônica “Black is beautiful” feito em colaboração com o produtor sul-africano Mzilikazi Wa Afrika. Apesar de o título ser em Inglês a letra da música e em português. Esta música foi remixada por vários DJs internacionais, inclusive no Brasil pelo talentoso Eddie Valvez do Rio de Janeiro. Tenho duas canções minhas em parceria com o produtor Ran Shani na trilha Sonora do filme israelense “Ha Buah”. As canções são em português. Este filme saiu em DVD e pode ser encontrado também no Brasil.

20) RM: Você faz show fora de Israel?

Elisete Retter: Fiz shows na Turquia, mas quero fazer shows no Brasil cantando em Hebraico, não vai ser surreal?

21) RM: Qual o conselho e dica que você daria para quem querem trilhar a carreira musical?

Elisete Retter: Tem que ter tenacidade, disciplina, paixão e muita garra, pois só assim a gente consegue dar maiores passos nessa selva. Não aceitar “não” como resposta e continuar tentando e se aprimorando até acontecer o que a gente quer que aconteça. Até chegarmos lá…

22) RM: Você pensa em voltar a morar e desenvolver sua carreira musical no Brasil?

Elisete Retter: Quem me dera!

23) RM: Quais os projetos futuros?

Elisete Retter: Continuar fazendo muita música e levando a minha mensagem de alegria, paz e amor pra quem quiser ouvir.

24) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Elisete Retter:  Todos os contatos podem ser encontrados no meu site: www.elisete.com Tenho Orkut, Myspace e Facebook também. E só procurar: Elisete Retter. Meus vídeos estão no Youtube e na Internet. Algumas das minhas canções podem ser baixadas gratuitamente no meu site e também n site Brasileiro www.musicexpress.com.br Notícias direto do New York Times, gols do Lance, videocassetadas e muitos outros vídeos no MSN Vídeos! Confira já!


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.