Dominguinhos

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Dominguinhos
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O sanfoneiro, compositor e cantor pernambucano Dominguinhos absorveu as influencias dos mestres da música nordestina. Desde seu padrinho musical e de casamento, o rei do Baião Luiz Gonzaga aos sanfoneiros dedos de ouro do nordeste. Dividi com Oswaldinho do Acordeon e Sivuca o mérito de serem os melhores e mais famosos sanfoneiros vivos. Dominguinhos é presença garantida em vários CDs de artistas brasileiros. Compositor com parceiros ilustres como: Anastácia (com noventa músicas compostas), Gilberto Gil, Chico Buarque, Fausto Nilo, Nando Cordel e muitos outros. Músicas que são sucessos eternos como: “Eu Só quero um Xodó”, “Tenho Cede”, “Abri a Porta”, “De Volta para o Aconchego”, “Tantas Palavras”, “Isso Aqui Ta Bom Demais”, “Eu Me Lembro’, “As Pedras Cantam” e etc.

Fala do trabalho desse pernambucano que começou a vida profissional como os irmãos: Morais e Valdomiro, formando um Trio de Forró mirim que encantou o rei do baião Luiz Gonzaga. Dominguinhos é um homem tranqüilo e humilde que o tempo moldou para o sucesso. Quem o ver sereno e calmo nos bastidores não o reconhece no palco. Sua voz vulcânica e alegria contagiante fazem balançar o palco e ninguém fica parado o vendo cantar e tocar brilhantemente sua sanfona. Ele mostra que nessa moda de forró universitário, tem livre docência para cantar forró em qualquer lugar para leigos e escolados.  Ele e a sanfona são corpo e alma . Ele tem passaporte livre no meio musical e respeitado pelos comunicadores. Mesmo sendo considerado como herdeiro direto do legado musical de Gonzagão, não teve problema de mostrar seu trabalho com originalidade sem perde a reverencia para o seu mestre, padrinho e incentivador maior.  Segue abaixo entrevista exclusiva para a  de Dominguinhos para a www.ritmomelodia.mus.br , para Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01 de novembro 2007:

01) Ritmo Melodia: Fale do seu primeiro contato com a música e as suas influencias musicais.

Dominguinhos: O meu primeiro contato com a música e as primeiras influências foram na infância através do meu pai que era tocador de oito baixos, o mestre Chicão (grande Afinador de Acordeon). O meu irmão mais velho Morais começou a tocar e depois eu. Tocávamos samba, choro, frevo.

02) RM: Fale do primeiro Trio de Forró com seus irmãos.

Dominguinhos: Eu, Valdomiro e Morais tocávamos: Pandeiro, Melé e Sanfona. Éramos internos na Escola Prática Comercial de Olinda. A dona do colégio, Almerinda  fazia às vezes de empresária, nos vestia muito bem. E vendia nossa apresentação nas festas de aniversário da garotada, foram uns quatro anos.

03) RM: Dos seus irmãos quais os que continuaram na carreira musical?

Dominguinhos: Morais se tornou um excelente pianista no Rio de Janeiro. Largou o Acordeon e passou a tocar piano nas casas noturnas. Ele faleceu há cinco anos em Salvador- BA. O Valdomiro está bem, vive em Nilópolis – RJ. Acompanha-me em alguns shows e nas festas juninas. Mas trabalhar no ramo de mecânica de automóvel e fica mais no Rio de Janeiro.

04) RM: Quantos Discos lançados?

Dominguinhos: Foram 56 discos gravados.

05) RM: Fale dos principais parceiros musicais e as músicas mais populares?

Dominguinhos: Em primeiro lugar a cantora e compositora: Anastácia, com mais de noventa músicas gravadas. Depois fiz músicas com Abel Silva, Fausto Nilo, Manduca, Vali Bianque, Morais Moreira, Nando Cordel, os irmãos do Piauí: Clôdo, Clésio, Climério. Tem parceiros mais esporádicos como: Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan e Caetano Veloso têm algumas músicas minha, mas que ainda não colocou letra. As músicas que fizeram sucesso foram: “Eu Só Quero Um Xodó”; “Eu Me Lembro”, “Tenho Cede” (com Anastácia), “Abri a Porta”, “Lamento Sertanejo” (com Gilberto Gil), “Tantas Palavras” (com Chico Buarque), “Quem Me Levara Sou Eu” (com Manduca), “De Volta pra Aconchego”, “Isso Aqui Tá Bom Demais” (com Nando Cordel), “Pedras que Cantam” (com Fausto Nilo) e algumas coisas mais.

06) RM: Fale do seu primeiro contato com Luiz Gonzaga.

Dominguinhos: Quando conheci Gonzaga, eu tinha oito anos de idade, junto com meus irmãos em um Hotel em Garanhuns -PE. Tocávamos na porta e nos levaram para tocar para aquela pessoa, mas por sermos crianças e não termos acesso às informações do rádio. Não sabíamos quem era ele. Quatro anos depois, quando saímos do colégio de Olinda – PE . Nosso Pai nos levou para o Rio de Janeiro em 1954, a procura de Gonzaga para conseguir uns instrumentos para o Trio. Depois o acompanhei em shows. Ele me ajudou e ajuda muito ainda hoje.

07) RM: Defina a música nordestina?

Dominguinhos: Com muitas faces. Uma música muito rica, tem de tudo. Muito difícil de levar adiante por falta de mercado. Hoje até as emboladas, os repentes, viraram musicas dançante

08) RM: Fale dos principais obstáculos e preconceito que a música nordestina enfrentou ao longo dos anos.

Dominguinhos: Quem sofreu mais preconceitos e obstáculos foi Luiz Gonzaga. Ele encarou na Rádio Nacional o preconceito. Não queriam que ele cantasse, só tocasse como acompanhante. Eu vi muitos obstáculos que ele enfrentou e venceu. Eu tocava em casas noturnas, outros gêneros como: Jazz, Samba – Canção, Bolero, Bossa Nova, Tcha, Tcha e música nordestina. Eu sofri poucos preconceitos.

09) RM: Fale da sua formação musical.

Dominguinhos: Foi totalmente autodidata. Eu cheguei a estudar com Orlando Silveira que era um extraordinário acordeonista paulista, mas que morava no Rio de Janeiro. Ele tocava no Regional de Canhoto. Era formado em maestria, dirigia orquestra, fazia arranjos para todos os instrumentos. Ele me ensinou umas cabeças de notas, mas costumo dizer que foi só para eu ter uma noção.

10) RM: Fale da sua convivência com Pedro Sertanejo.

Dominguinhos: Eu conheci o Pedro Sertanejo quando cheguei ao Rio de Janeiro em 1956. Ele tornou-se meu amigo e conheci os filhos dele desde pequeninos: Osvaldinho do Acordeon, Aristóteles, Aricessone e Juraci são todos cariocas. O Pedro era um afinador de sanfona no bairro da Carioca. Depois abriram à gravadora Canta Galo em São Paulo e me convidou para fazer um disco na sua gravadora. Ele que lançou o meu primeiro Disco. Ele deu oportunidade a outros cantores que saíram de gravadoras grandes, como Jackson do Pandeiro para continuarem gravando. O Zé Gonzaga (Irmão de Luiz Gonzaga), o Ari Lobo, Moreira da Silva, Carmem Silva e outros cantores.

11) RM: Fale dos prós e contras da propagação na mídia dos grupos de “Forró Universitário”.

Dominguinhos: O “Forró Universitário” é antes de tudo o Forró Pé de Serra que nunca deixou de existir com os Trios: Chamego, Sabiá, Os Três do Nordeste, Trio Nordestino e muitos outros. Mas a divulgação maior que houve do Forró foi com as bandas do Ceará na década de 90. Eles fazem um Forró com elementos coreógrafo da Lambada, tendo um casal de bailarinos. Colocaram um andamento mais rápido no Forró tradicional e disseram que estavam fazendo o novo Forró. E começou nos ajudar, tocando e gravando nossas músicas. Agora apareceu essa nova vertente em cima do Forró Pé de Serra para não deixar morrer o gênero. Quem for bom continua e os oportunistas ficam pelo caminho.

12) RM: Fale da confusão que muitos fazem generalizando todos os gêneros de música nordestina como sendo: Forró.

Dominguinhos: O Baião foi o começo de tudo, tem uma melodia mais quadrada e simples. O Forró que também Gonzaga criou, tem uma batida mais suingado. O Xote é mais calmo, bom para dançar e mais romântico. O Arrasta –Pé que é mais ligeiro como se fosse uma macha.

13 ) RM: Fale do São João em Campina Grande – PB. No qual você sempre participa.

Dominguinhos: Eu não vou dá todo cartaz a Campina Grande – PB. Eu rodo muito no São João e vejo que outras cidades como: Caruaru –PE, Mossoró – RN, João Pessoa – PB , Gravatá – PE, Bezerros – PE. O Estado da Bahia tem um grande São João e no Rio Grande do Norte. Eu não posso destacar só Campina Grande, como sendo a cidade que faz o melhor São João. O nordeste faz o maior São João.

14) RM: Alguns dos seus filhos entrou para área musical?

Dominguinhos: Só, a minha filha Liv (do casamento com Guadalupe). A mãe é cantora e eu dou meus gritos. Ela está seguindo a carreira da gente. Ela toca Teclado e estava estudando psicologia. Eu não sei o que ela vai fazer, mas de repente aflorou para música. O meu filho Mauro (Do primeiro casamento), é técnico de Estúdio, trabalhou na: Som Livre, RCA, BMG, Transamérica e trabalha dentro da música na parte técnica e de gravação. A filha mais velha, Madaleine (Do primeiro casamento) foi bancaria, hoje tem o negocio dela fora da área musical.

15) RM: Você pensa em registrar a sua trajetória em livro?

Dominguinhos: Alguns colegas começaram a sondar. Em São Paulo, o jornalista Assis Ângelo. Tem em Recife, Fortaleza. Algumas pessoas estão colhendo informações sobre minha carreira.

www.dominguinhos.com.br


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.